segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sombras Chinesas.

Início dos anos 90. Uma pequena vila no Norte de Portugal. Não sei se se lembram, mas foi por esta altura que surgiu a febre da iluminação de todas as casas de Deus. Grandes, pequenas, na cidade ou no campo, todas as igrejas, santuários, capelas começaram a estar iluminados por potentes holofotes. Terá sido marketing da igreja católica? Não sei.
Mas escrevia eu. Estávamos no início dos anos 90 e nessa pequena vila onde morava existe uma pequena capela, no cimo de um pequeno monte (o monte do Sr. do Calvário. Porque será?) que preside a toda a aldeia, como um vigia da moral e dos bons costumes, um farol que ilumina os habitantes no caminho da santidade. Eu morava no sopé desse pequeno monte. Naquele tempo, o melhor do nosso ano era o verão! O calor trazia os amigos para fora das casas até altas horas da noite e a vila estava cheia de emigrantes. Franceses, alemães, suíços, mas também os lisboetas. Ficávamos na rua até de madrugada, na conversa e esperávamos até que a padaria fornecesse o pão quentinho para esse dia. Cerca das 5 da manhã comíamos pão de trigo quente com manteiga e cerveja!
Numa dessas noites, que acabou mais cedo, dirigi-me a casa com um amigo que vivia perto. No fundo do dito monte de santidade existe uma fonte. Parávamos sempre ali para aliviar a sede e queimar os últimos assuntos de conversa. A capela iluminada vigiava-nos do alto da sua austera moralidade. Encostados à parede fria da fonte, eis que vemos sombras a movimentarem-se nas paredes da capela. Ficámos alerta. Duas grandes sombras de formas humanas pararam na fachada do edifício. De mãos dadas, deu para perceber que era um homem e uma mulher. Ficaram assim por instantes e depois as sombras fundiram-se numa só sombra. Ficámos sem saber quem era quem. Largaram-se e ficaram de frente um para o outro. A sombra masculina esticou os braços em direcção ao céu e a feminina abraçou-a, colocando a sua cabeça com longos cabelos junto ao peito. Nesta altura estávamos já calados e imóveis.
A sombra feminina deslizou pelo peito da masculina, a sua cabeça estava ao nível da pélvis da outra, sombra masculina essa que colocou as mãos nos seus flancos, como um toureiro que provoca o touro. A sombra masculina iniciou uma série de movimentos cervicais que, ora afastavam ora aproximavam a sua cabeça da pélvis da sua congénere masculina. Logo nos apercebemos que não estava com certeza a dar-lhe cabeçadas, tal era a posição descontraída da sombra masculina, agora com o tronco curvado para trás.
Olhámos um para o outro e, sem trocar palavras, desatámos a correr pelo monte acima. Ambos com os músculos da face contraídos, num esforço para conter as gargalhadas que sabíamos estarem aprisionadas por ambos!! Ao abrigo da noite e das árvores, rapidamente alcançámos uma posição privilegiada para melhor observar os pombinhos. A identidade de ambos surpreendeu-nos uma vez que ele era um dos "betinhos" da terra, que nem sequer se misturava connosco e ela vinha de uma das famílias mais humildes da vila. Num impulso incontido, o meu amigo gritou um sonoro e subtil "MAMA!!!" que ecoou na noite. Ela desapareceu nas sombras por trás do edifício e ele estacou enquanto compunha as calças. Ficou petrificado!! Nós corremos pelo monte abaixo, com as lágrimas a correr pela face enquanto ríamos que nem loucos. Fizemos um cagaçal tremendo. No outro dia, toda a gente daquela rua falava dos delinquentes, dos drogados que tinham andado a correr aos berros pela rua abaixo!!
Os dois intervenientes desapareceram dos locais públicos durante uns dias, mas esse foi o assunto mais falado nesse verão!!
Moral da história: já ouviram falar de sombras chinesas?? Pronto, o princípio aplica-se a tudo, ok? A tudo.

domingo, 12 de julho de 2009

Desabafo.

A sala é pequena. Ao meio uma mesa com dossiers numerados, esferográficas espalhadas e o telefone que não para de tocar. Um armário com gavetas cheias de papeis. Numa parede um quadro branco dividido em linhas e colunas repleto de palavras escritas por mãos diferentes. Nomes, idades, diagnósticos, exames, cuidados a ter. Por cima um relógio que parece estar sempre parado.
Saio da sala e encontro-me num longo corredor com portas sucessivas. Cheira a merda. Cheira sempre a merda por aqui. Apenas estamos já tão habituados que julgamos que não. Um lamuriar constante preenche a atmosfera. Um gemido, uma cantilena dolorosa, um grito que quebra a monotonia para logo se calar. De onde vem esse murmúrio carregado de dor? Não sei bem, das paredes talvez. Do ar fétido, dos ocupantes. A luz que banha os quartos parece ficar de fora. Os quartos são pequenos, demasiado. Uma cadeira, uma mesa, uma cama. E nela deitado, um doente. Um corpo envelhecido e rígido. A sua pele é flácida, os seus olhos fixam o vazio. As suas mãos tréulas procuram uma corda que os tire do sítio profundo e escuro onde se encontram. Eu dou-lhe a minha mão por momentos e depois retiro-a. A mão agita-se no ar procurando novamente e eu saio do quarto.
Chegam as visitas, um coro de vozes, passos e portas a abrir toma conta do corredor vazio. O Colorido dura uns minutos e depois, tudo calmo novamente. Espreito para os quartos. A cama ocupada é como se estivesse vazia. O centro da visita parece ser a TV que debita imagens e sons durante todo o dia, para o vazio. Parece haver uma espécie de adoração daquele deus formatado. As pessoas olham para cima, absortas, dominadas. A mão trémula procura ajuda. Encontra-a apenas para ouvir "Adeus, até amanhã" mas parece que essa frase é dirigida ao aparelho.
As luzes apagam-se e os vultos tomam conta do corredor. O murmúrio continua, hoje e sempre.
Nas sombras vejo um dos corpos que saiu da cama e arrasta-se pelo corredor, curvado sobre a parede. Parece carregar o peso do mundo. A mão procura um apoio e agarra a minha quando lhe toca. Entro no quarto escuro e confino o corpo ao local a que ele pertence. Volto-lhe as costas. Volto para a sala, a luz aqui nunca se apaga.
(estou mesmo farto disto...)

Sou amigo de um serial-killer!!

Terminei a 3ª temporada desta série ontem!! Eu, que gosto de séries e sigo umas quantas, confesso que esta é a série que mais gosto actualmente. Dexter é um serial-killer que trabalha na polícia como analista de padrões de sangue. Durante a noite persegue e mata os assassinos que a polícia deixa escapar. Não o faz por um sentimento de justiça mas por uma compulsão interior que o persegue e que o leva a matar, uma necessidade que conduz toda a sua vida.

O mais interessante nesta série, para além do protagonista ser um serial-killer frio e calculista, é o facto de o espectador (eu, pelo menos!) construir uma empatia com um assassino, vibrando com as suas vitórias e temendo por ele quando as coisas correm mal!!

É também muito interessante de seguir a evolução da personalidade dele ao longo das temporadas e como isso vai criar confusões e conflitos interiores. A não perder!!!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Olha-me estes!!!

O que está errado num quadro onde um Angolano e uma Romena tentam contrariar um Português (eu, ainda por cima!) acerca da forma correcta de escrever uma palavra Portuguesa?

Treme-treme

Porque será que se produzem tantas conversas de elevado nível durante a hora de almoço, no trabalho? Para dizer a verdade, já nem me lembro de tudo o que falámos pois o último tópico de conversa foi de tal forma avassalador que ofuscou tudo o resto.
Então, falávamos nós de qualquer coisa (sexo, provavelmente) quando uma querida colega minha sai-se com esta:
-Então e já ouviram falar do anel?
(eu) -Isso não é um método contraceptivo?
-Não, é um anel que se coloca no pénis do homem!
-Ahhhh, sim claro! Da Durex ou coisa do género, que tem um vibrador pequenino!
-Já experimentaste?
-Não. Mas já vi isso à venda.
-Não compres. Não resulta.
(silêncio, ela cora ligeiramente e compõe o ramalhete da seguinte forma:)
- Aquilo fica tudo a abanar. Não se consegue...
(nesta altura eu já ria desbragadamente!!)
- Olha!! Não aconteceu nada mas rimo-nos toda à noite à custa disso!!!
Claro que no resto do turno só tinha na minha mente a imagem "daquilo" a tremer ou a abanar como se de uma mangueira sob pressão solta se tratasse! "Desculpa, foi ao lado. Deixa-me tentar outra vez. Oi, não foi desta. Espeeeera, pronto, já está!! Afinal não..." enquanto ela ria à gargalhada!
A propósito, é possível ter sexo enquanto um dos intervenientes treme fininho e o outro ri até às lágrimas?
À minha colega: eu avisei-te que ia escrever!! Beijinhos...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Divagações ao volante sobre a não existência.

Se há um período de tempo em que dou por mim a reflectir nos mais variados aspectos da minha vida, é no período de tempo que perco a conduzir nas deslocações casa-trabalho ou trabalho-trabalho. Normalmente dou por mim a pensar ou no trabalho, ou na família, ou muito simplesmente a reflectir sobre a letra da música que estiver a passar na rádio. Há uns dias atrás, após um pequeno susto com um carro que mudou de faixa sem aviso dei por mim a pensar na Morte. O que é estranho é que, convivendo eu de perto com a Ceifeira, nunca tenha dado por mim a reflectir realmente na morte, no exacto momento em que a máquina pára e a vida se apaga.
Inconscientemente levanto o pé do acelerador. Não me preocupa o impacto, o momento em que o meu corpo é desfeito. Tenho quase a certeza que isso será indolor. Uma luz ou o negro e o fim, sem dor. Mas penso no depois. No meu filho, na minha mulher, nos meus pais e irmão e em todos os que me conhecem. Penso nos meus seguidores no blogger e nas velhas do hospital. Penso em não existir e isso deixa-me angustiado. A morte súbita angustia-me.
Depois tento imaginar uma vida cheia, feliz e longa. E imagino um velho Miguel deitado numa cama na sua casa soalheira. Os filhos e os netos (e talvez os bisnetos) a sua volta, com lágrimas nos olhos mas sem mágoa. Morro mas digo-lhes que vivi, que os amei e que me senti amado por todos. Visitei os lugares que quis, sempre com a Mariana ao meu lado e rimos. Rimos muito juntos! Também discutimos e amuámos um com o outro. Mas fomos felizes. Se há alguma ideia do que é o sucesso, para mim é morrer rodeado daqueles que amo. E poder dizer-lhes "Parto sem mágoa. Queimem o meu corpo. Juntem-se e vão espalhar as minhas cinzas no meu lugar favorito. Alegrem-se nessa hora." Depois fecho os olhos. E só imagino o negro, o vazio. E esta não-existência angustia-me.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Movimento Separatista Capilar.

O meu cabelo tem personalidade própria. É escuro e farto, forte e ondulado e tem jeitos. Montes deles. Gostava de o usar comprido mas cedo descobri que, associado ao aumento do comprimento vem também um perigoso aumento do volume o que leva a que ele ganha aquela forma e consistência afro, que faz lembrar um frondoso manjerico que repousa no crânio de onde saem as maiores alarvidades. Na lateral da tola, logo por cima das orelhas, ele espeta-se e empina-se tornando perigosa qualquer abordagem lateral à minha pessoa, sob pena de ficarem com um olho vazado por algum pelo mais rebelde. À frente, logo por cima da testa ele encastela, forma uma muralha alta e enrolada sobre si própria, como de uma onda gigante se tratasse. Pensei num penteado rockabilly mas, calculando os gastos que iria ter em gel fixante e laca, iria gastar dinheiro suficiente para comprar um pequeno monte alentejano. No resto da parte superior da cabeça fica deitado. Caído como um campo de milho pisado por um bando de putos traquinas. Por mais que tente ele recusa-se a mudar de posição. Já tentei aqueles penteados super-cool, com aquele ar despenteado-mas-penteado-por-um-profissional mas nenhum gel fixante ultra-super-mega-forte efeito molhado é suficientemente forte para manter o resultado por muito tempo. Quando saio do banho ainda consigo dar-lhe um ar mais ou menos decente, mas com a seca vem forma original. Às vezes acordo com aquele tufo de cabelo que teima em não ocupar o seu lugar na ordem geral do resto do cabelo (o chamado "peido"). Durante anos tentei domar aquele fervor separatista com as mais variadas técnicas. Não consegui e desisti. Por isso, quando hoje chego ao trabalho com aquele peido levantado mesmo no cimo da tola, já ninguém presta muita atenção. Também já tentei usá-lo curto, muito curto. Mas isso não resulta com a minha face comprida em forma de pepino (a minha mãe jura que não foram usados fórceps no parto, mas tenho as minhas dúvidas) e com estas orelhinhas saídas em forma de uma pequena folha de couve que teimam em sair do conjunto coeso e apertado do resto das suas irmãzinhas, o quadro não é animador.
Por isso tento ser fiel ao mesmo cabeleireiro. Sempre evito ter de descrever o que pretendo de cada vez que o vou cortar, o que tem de acontecer a cada 3 semanas, para evitar o crescimento do tal manjerico afro. "É pente 3 nas laterais e em cima é desbastar e cortar a um comprimento de cerca de dois dedos. Não deixe a poupa mais comprida. Eu sei que está mais comprida agora mas não tenho culpa que o meu cabelo tenha vontade própria e algumas regiões com impulsos independentes". Assim chego, sento-me e peço "o costume".

Casa vazia.

Deixei a Mariana e o Gabi no aeroporto. A casa está estranhamente silenciosa...
Reclamo por vezes pelo "meu tempo", "meu espaço" que, entre os empregos e a família, não têm muito espaço e hoje, e pelos próximos dez dias é isso que tenho. Porque será que não estou nadinha entusiasmado? Faltam-me eles.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vendidos!!

Pronto. Pegou a moda. Mas também, quando se publicam livros que versam sobre a vida e obra do Mourinho, do CR(agora)9 e outras personagens do futebol, era de esperar que qualquer blogue desse em livro. Começou com o "Meu Pipi" e foi sempre a descer depois disso.
Mas, se é um blog, qual é a vantagem de se imprimir um livro quando se pode ler o seu conteúdo inteiramente grátis na internet? Um livro? É gasto de dinheiro, tinta, papel, cola, de recursos humanos. Qual a vantagem? Nenhuma. Um livro pesa e ocupa espaço e a net está disponível em todo o lado.
A blogosfera está vendida. É o poder do dinheiro a corromper a pureza dos bloggers, a inocência dos seus autores. É o establishment a tomar de assalto um mundo que é (era?) só nosso. Estou muito triste...
...por acaso não há por aí nenhuma editora que queira publicar o "Cheirinho..."? Não? Ok, ok... sim, eu percebo, ainda estou cá há pouco tempo. Mas o meu mail está ali em cima, logo depois da descrição do perfil. Sempre ás ordens, senhores das livreiras... ah, é que isto, vendido nos hospitais portugueses, saía que nem pãezinhos quentes! Nem assim... bolas!

domingo, 5 de julho de 2009

Livronatromba.com

Após resistir a inúmeros convites para me inscrever no "Facebook" eis que capitulo após o argumento inabalável de uma colega de trabalho: "Actualmente, senão tens um perfil numa qualquer rede social da internet, seja o hi5, facebook ou outra, é porque não existes!"
Ora, eu como gosto muito de existir e porque (nunca fiando) alguém pode ter dúvidas disso, lá me registei no Facebook. Porquê no "Facebook"? Porque alguém me disse que o hi5 era para os os putos, os teens. Só por isso...
Engraçado porque o programita encontrou logo 2 ou 3 pessoas que por acaso eu até conheço! Só é pena que não tenha a mínima vontade de voltar a falar com elas.
Agora não sei o que faço com aquilo...

Roteiro Gastronómico?

Logo que entrámos vi um belo borreguito assado na brasa com umas batatinhas novas a acompanhar. Logo depois, um cabritinho no forno com arroz na caçarola de barro. Um pouco mais à frente, uns belos secretos de porco preto, logo seguidos por uma bela canja de galinha, arroz de pato e coelho à caçador. Para terminar, uma enorme e suculenta costeleta de vitela grelhada, mal passada e a sangrar!
De cada vez que vou com o meu filho à Quintinha Pedagógica, ver os bichinhos, venho de lá com uma fome...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Breve história de um engate...

"Entrou e logo viu o seu alvo. Arranjou a camisa, elevou a postura e avançou confiante. A rondar o local já estavam potenciais adversários. Pôs o seu ar mais confiante quando se aproximou. Encheu o peito enquanto tentava captar o odor, a ponta do nariz bem próxima da sua forma arredondada "Hmmm, que belo cheiro tu deitas... já estou com água na boca." Sentiu o seu peso na sua mão, atirando-o uma e outra vez ao ar. Estava satisfeito com a sensação de plenitude que sentiu, com a firmeza. Para melhor constatar a firmeza apalpou a sua pele com força "Está bem duro, bem firme e a pele bem lisa e sedosa..." Sentia a água na boca enquanto antecipava o momento em que abocanhasse o objecto do seu desejo. Deu-lhe umas palmadinhas leves, quase carinhosas e levou-o para casa."
Este é dedicado a todos aqueles com quem me divirto silenciosamente enquanto os observo a escolherem melões. Os "profissionais do melão" que julgam ter o dom de escolher sempre o melão mais firme e doce das dezenas que se encontram no expositor!! Por alguma coisa se diz que "certas coisas são como os melões, só se conhecem depois de abrir"!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Provavelmente o MAIS LONGO desafio da blogosfera!!

Mas eu gosto de reponder a estas coisas. Este veio da costela mais famosa da história!!!

Parte 1

O que te choca: a inveja, a intriga. Chocam-me as pessoas cujos objectivos passam por destruir alguma parte de uma outra pessoa de forma gratuita, só pelo prazer de magoar.



O que te arrepia: aqueles vídeos dos skaters a bater fortemente com os testículos no corrimão de alguma escada, quando uma manobra corre mal!


O que te excita: um desafio ou uma boa competição. Qualquer situação em que me sinta desafiado por alguém que seja melhor que eu, uma competição que eu sei que será difícil vencer. Não gosto de vitórias fáceis e sou MUITO competitivo!


O que te solta: eu sou solto por natureza!! Qualquer pessoa que entre no meu comprimento de onde tem o condão de me soltar (ainda mais!)


O que te faz rir: esta é difícil porque eu rio muito...


O que te faz chorar: não sou de chorar, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que chorei na idade adulta. Mas a última vez que chorei copiosamente foi quando abracei o meu filho pela primeira vez...


O que te causa náuseas: por incrível que pareça, o cheiro a sangue!! Não aquelas pequenas hemorragias mas aqueles sangramentos maciços de grandes acidentes!! Há um cheiro metálico no sangue que me afecta particularmente!! Mas não me impede de continuar a trabalhar...

O que te falta para seres feliz: neste momento, nada! Mas acho que a felicidade é inalcançável na medida em que há sempre um momento em que surge algo novo que desejamos.

O que te traz infelicidade: a infelicidade dos outros, principalmente dos que me são próximos.

O que te magoa: tenho uma carapaça relativamente imune à maioria das coisas mas magoa-me quando me acusam injustamente.

O que desejas: o 1º prémio do Euromilhões!

O que receias: ficar doente ou incapacitado.

O que não queres perder: o(s) emprego(s)

O que queres alcançar: a estabilidade financeira que me permita passar mais tempo com a minha família.

Uma data que abominas: a data em que tenho que pagar o IRS!!

Uma festividade que adoras: o aniversário do meu filho.

Uma qualidade que aprecies nas pessoas: honestidade e coerência (sim, são duas!)

Uma característica que abomines nas pessoas: desonestidade e prazer em prejudicar os outros (mais duas!)

Uma mentira que tenhas dito: rasgar as calças nos joelhos e dizer à minha mãe que tinha caído!! (ai, ai, a adolescência!)

Uma nostalgia: as conversas com os amigos no verão, na esplanada e até ás 4 da manhã!!

Parte 2

Vida: um conjunto de muitas coisas das quais temos de eleger as mais importantes. E é isso que vai definir o tipo de vida que vivemos.

Amor: Gabriel

Casamento: um equilíbrio muito fino entre amor, amizade e cumplicidade com trabalho, cedências e rotinas.

Família: Sempre no topo das prioridades.

Dinheiro: um meio para atingir muitos fins

Homem: bicho primário, carnal e muito fácil de contentar!!

Mulher: a mais bela criação!

Desejo: o motor da vida.

Sucesso: morrer com todos os nossos à nossa volta.

Profissão: uma qualquer que me realize.

Saúde: o meu ganha-pão!

Internet: indispensável!

Presente: estou contente!

Passado: não interessa.

Futuro: logo se vê!

Politica: gosto e gostava que mais gente gostasse.

Brasil: não me fascina.

Sexo: muito e bom!!

Arte: tudo o que tenha um efeito incontornável nas nossas emoções (seja positivo ou negativo)

Opinião sobre o desafio em questão: LOOOOOOONGO!!! Mas bem giro de responder!! Façam todos e depois avisem!!!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tau tau...

Eu sabia que o post anterior iria gerar alguma controvérsia. É claro que sabia que algumas pessoas se sentiriam, directa ou indirectamente, incomodadas com as minhas palavras. Contudo, não esperava que houvesse TANTA gente a sentir-se ofendida na sua moral e com vontade de me "partir as trombas" (fim de citação).
Malta, não sei se repararam mas este blog tem uma linha que o define: a ironia. Só no caso de não terem reparado... Agradeço às pessoas que manifestaram a sua indignação de forma construtiva e educativa (a essas responderei mais pessoalmente na zona de comentário do dito texto, logo que tenha um tempinho). Por isso, limpem lá essas lágrimas e cá um abraço bem forte, suas depressivas (sou um homem casado, não posso oferecer mais que isso, ok?) e um grande e sonoro beijinho repenicado nessas bochechinas gordinhas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Não é feitio...

... é mesmo defeito! Se há área da saúde (doença) onde eu seria incapaz de trabalhar, ou, no mínimo muito infeliz e desmotivado, seria a área da Psiquiatria. Por várias razões mas, principalmente porque não consigo colocar-me na pele desses doentes. Por isso, porque não seria um bom enfermeiro nessa área, espero que nunca tenha de nela trabalhar.
Infelizmente, elas andam aí. As loucas. No feminino porque a maioria destes doentes são mulheres. No meu entender nem se pode dizer que sejam doentes, no verdadeiro sentido da palavra. Estão deprimidas, de mal com a vida, são mal amadas e não gostam de si mesmo. O problema é que os médicos carregam-nas com anti-depressivos, ansiolíticos, indutores do sono e toda essa tralha que só as afunda. Afunda-as porque é a prova final de que elas precisam para assumir que estão doentes e precisam de fármacos para sobreviver.
Não tenho pachorra para estas doentes. Só hoje, dois exemplos:
-rapariga, 22 anos. Tremores generalizados e choro compulsivo à entrada. Episódios semelhantes recorrentes. Toma xanax para dormir e ansiolíticos durante o dia. Não sendo uma mulher vistosa não é feia. A mãe discorria sobre o facto de a filha ter ataques de ansiedade e andar sempre muito preocupada com a sua a sua saúde. Não tem nem nunca teve namorado. Enquanto a mulher falava eu só conseguia pensar que o problema dela é falta de sexo! Muito sexo! O tratamento que eu prescreveria seria "coito com orgasmo de 8 em 8 horas e masturbação em SOS".
-rapariga, 27 anos, casada, obesa. Vem ao hospital por febre (38,8º) com início hoje. O marido telefonou à mãe (dela) para a acompanhar (presumo que ele já não tem paciência para a aturar!). Na presença da mãe arrasta a fala e a marcha. A mãe ausenta-se e ela fala e anda normalmente. A mãe refere que ela já teve tentativas de "suícidio" (entre aspas, porque quem quer morrer dá um tiro na cabeça, atira-se da ponte 25 de Abril ou para debaixo de um comboio) por cortes nos pulsos. Pensamentos que me iam na tola: se eu tivesse a fisionomia de um hipopótamo também cortava os pulsos.
Enfim, eu sei que este espaço foi criado para enaltecer as minhas qualidades e excelente profissionalismo, para revelar como eu sou um tipo impecável, sensível e preocupado com os seus doentes mas estava na hora de revelar o meu lado mais negro. No fundo, sou um sacana.

Rugas.

Todos nós envelhecemos. Uns melhor, outros pior. Por razões profissionais sou diariamente confrontado com a maneira menos boa de envelhecer, a via da doença, da incapacidade, da dependência de terceiros para a realização das actividades mais básicas do ser humano. Logicamente, a velhice faz-se notar e anuncia-se desde cedo através de muitos sinais, sendo que o mais evidente é o processo de envelhecimento da pele que desidrata, perde elasticidade e forma, descai e deforma-se. A gravidade não perdoa.
Contudo, este post vais debruçar-se sobre uma parte do corpo que fica especialmente horrível e feia com o envelhecimento: o pénis. Pénis, pila, picha, pichota, gaita, chamem-lhe o que quiserem mas eu gosto do termo picha. Hoje vamos falar de pichas enrugadas. Ora bem, sendo a picha um órgão que tem a propriedade de se deformar ao longo da vida do homem, lógico que com tanto estica e encolhe, tanta manipulação (manual e outras) tanto traumatismo resultante da sua utilização, ela tem um envelhecimento muito mais... como dizer... feio do que o resto do corpo. Acreditem, se muitas vezes ouvimos dizer "Oh, que velhinha tão bonita!", "As rugas ficam-lhe bem" ou "Que velhinho adorável", nenhuma destas expressões se aplica a uma picha enrugada. Quando temos de a agarrar (a de um doente, bem compreendido) firmemente para algaliar, ela foge-nos por entre as mãos como aquele brinquedo da Loja do Papagaio sem Penas (se não sabem qual é vão à loja). É que, a determinada altura, aquilo é um amontoado de pele enrugada sobreposta sobre um pedaço de carne do tamanho de um amendoim. Depois, quando se introduz o tubinho no buraquinho da uretra, sentimos montes de resistência por causa de uma próstata do tamanho de uma bola de futebol, resistências essas que nos obrigam a procurar o "caminho" certo mexendo a picha do doente para todos os lados, como se estivéssemos agarrados a um joystick de um simulador qualquer (agora que penso nisso joy=prazer, alegria e stick: pau, bastão... olha, olha!).
Depois há o banho. Por baixo de todas aquelas peles amontoa-se porcaria que não é brincadeira! Uma substância pastosa e branca (que não é o que vocês estão a pensar) que tenda a acumular-se por baixo da glande (a cabeça, portanto). Por muito bem que o deixemos limpo no banho anterior, no dia seguinte lá está aquilo empastado. Acho que deve ser um processo de auto-destruição. A cor também não ajuda, pois tendem a ser de um púrpura desmaiado, algo entre o vermelho, o magenta e o roxo. Não é bonito. Ao contrário, os testículos, os tomates portanto, tendem a aumentar. Não em volume mas em comprimento. Quantas vezes, ao ajudarmos um doente a tirar as calças para ir para o banho, não nos apercebemos que este tem os seus tintins (carinhoso, não acham) ao nível dos joelhos? Pois, mais uma vez, a gravidade.
Por isso, quando me colocaram a hipótese de ir trabalhar em Urologia, todas estas imagens que agora vos descrevo e outras me assolaram a mente. Posso ter que levar com substâncias purulentas e malcheirosas o dia todo mas sempre é melhor que passar o dia agarrado a pichas enrugadas e feiosas.

Rosa Mota (mas em homem)

Não gosto de correr. Correr enquanto desporto. Mas esta semana comecei correr, 2 dias, 30 minutos por dia, 5 km por dia. Porque preciso de perder peso e a natação não é muito eficaz no que a isso diz respeito. Essa é a motivação maior mas arranjei um enorme aliado nesta minha demande de perder algum peso: o sistema Nike+!

É bem simples: precisamos de ténis Nike compatíveis, um chip emissor, um receptor e um iPod Nano. Coloca-se o chip no ténis e o emissor no iPod e é só começar a correr!! No final do treino aparece no visor do iPod os dados do treino como tempo, distância percorrida, calorias gastas, etc.!!! Depois liga-se o iPod ao computador que transmite esses dados ao site de Nike+,onde podemos seguir a nossa evolução, os objectivos atingidos ou não e os objectivos a atingir. Fantástico! Assim é mais fácil para mim correr porque tenho um alvo a abater: eu próprio, as minhas limitações.

Depois, como levamos o iPod connosco, podemos ir a ouvir música. E com grupos como os Cure, Franz Ferdinand, Foo Fighters, Pixies, Kings of Leon, Eagles of Death Metal, Vampire Weekend, Coldplay e os ENORMES Radiohead a puxar por mim, sinto que vou ser capaz de correr a maratona daqui por uns meses!!! E parece mesmo que o sistema sabe a motivação que preciso porque, quando me estou a ir abaixo começo a ouvir aquela música bem batida que aumenta a minha passada e me leva até ao fim!
Entretanto hoje, sinto músculos nas minhas pernas que nem sabia que existiam...

Turbilhão.

A minha vida profissional foi apanhada por um turbilhão de alterações. A ver se me safo...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu é mais bolos...

A esta hora da noite, depois de ter acordado às 6 e ir já com 15 horas de trabalho consecutivas, só tenho um consolo...



Quem disse que os bolos das máquinas não prestam?

Consultar Manual de Instruções antes de usar.

Realmente há dias em que eu detesto a minha profissão (a maioria, vá...). Ele é cagadas diarreicas, vómitos asquerosos, gente a sangrar profusamente, quistos cheios de pus verde e malcheiroso (estes até me alegram), ele é meter os dedos no cu dos velhotes para retirar bolas de bosta do tamanho de bolas de golfe, ele é enfiar tubos em uretras e narizes e picar braços e rabos com agulhas que podiam ser usadas para lidar touros, enfim... um sem número de actividades que seriam torturas não fossem necessárias!
Mas nem todos os dias são dias maus. Por vezes a incompetência alheia proporciona-nos momentos bem giros! Falo então daqueles que nos procuram por existência de objecto estranho em orifício corporal. Não, não me refiro às crianças que enfiam pequenos objectos no nariz, mas sim de mulheres com objecto estranho na vagina ou no recto e de homens com algo enfiado no cu.
Comecemos pelas mulheres. O mais comum são os tampões. Há uns dias uma médica traz-me uma miúda (18 anos) em pranto porque não conseguia tirar o tampão. "Mas já procuraste bem, com os teus dedos?" e ela respondia que sim, que conseguia tocar-lhe mas ele não saía. Só me dizia "Tire-me isto de dentro de mim!" enquanto chorava copiosamente. Levei-a para uma sala mais reservada e pedi-lhe que baixasse as calças. Assim que viu o espéculo vaginal exclamou "Vai usar isso assim tão grande??" Claro que a resposta que me passou pela cabeça não foi a mais inocente e resolvi ignorar. Introduzo o espéculo ENORME (palavras dela) e encontro facilmente o tampão, que retiro com a ajuda de uma pinça. Observo e pergunto: não era suposto aquilo ser introduzido com o fio para baixo, em direcção aos joelhos? É que não deve dar muito jeito se o fio estiver entalado (que bela escolha de palavras!) entre o tampão e o útero, pois não?
Os homens costumam ser mais exuberantes, mas... artísticos, digamos. É por demais comum as histórias com as latinhas de spray Axe. Pois eu tenho, além dessas, uma muito mais gira para contar. Estava sossegado no serviço a ler (na altura ainda não tinha um blog, senão estaria a actualiza-lo!) quando um colega entra na sala e rir que nem um louco e a arrastar-me com ele para a sala de cirurgia. Quando entro deparo-me com um homem na posição de um muçulmano a rezar a Alá (que me desculpem os muçulmanos...) de rabo virado para mim. Entre as duas nádegas, no local onde deveria estar o olhinho, vejo um perfeito círculo de um material cor-de-tijolo. Não me apercebo do que é até mudar a perspectiva e de repente vejo!!! É um desentupidor de ralos!!! Um daqueles desentupidores com um cabo de plástico que termina numa campânula de borracha!!! Mas, 'peraí... então se a borracha está cá fora, o cabo... nãããããã, não pode ser. Olhei para o meu colega que estava agarrado à barriga e com as lágrimas a escorrer a face. Senti a gargalhada a formar-se no meu estômago, a subir pelo esófago e contive-me mesmo a tempo!! Tive de sair da sala, aliás, tive de sair para a rua porque não conseguia parar de rir. O meu colega apareceu logo depois e, assim que olhei para ele voltei a rir compulsivamente!!!
Há dias assim, em que quando as pessoas não lêem o manual de instruções dos objectos, nós temos tema de conversa para dias!! Só acho estranho perceber que essas pessoas baixam a cabeça quando se cruzam comigo na rua... não entendo, não entendo