quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Enfermeiro-Nazi

Sou um tipo (demasiado?) simpático. Normalmente não me irrito e tento ser agradável. Mas hoje fui invadido pelo espírito do Reich. O meu lado lunar revelou-se.
Impliquei com a Auxiliar do serviço logo quando cheguei, respondeu-me e, arrogantemente, terminei com a discussão. Os doentes estavam a entrar-me nos nervos e só por ser um bom profissional não disparatei com eles também. Os colegas levaram o mesmo tratamento durante a passagem do turno e deixaram-me curtir a minha "neura".
A coisa passou depressa pois não consigo estar mal-humorado por muito tempo mas, quando me salta a tampa consigo ser uma besta.
PS: a auxiliar "meteu as patas" e depois ultrapassou os limites da boa educação. Admito que tenha ficado surpresa porque normalmente sou mais "suave" mas tive que a colocar no seu lugar. Não estou arrependido.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Hoje sinto-me...

assim.

(Reconhecem o baterista? Dave Grohl rules!!! Fantástico.)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Finalmente!!!

Finalmente um caso suspeito de Gripe A nas minhas urgências!! Já não era sem tempo.

Sombras Chinesas.

Início dos anos 90. Uma pequena vila no Norte de Portugal. Não sei se se lembram, mas foi por esta altura que surgiu a febre da iluminação de todas as casas de Deus. Grandes, pequenas, na cidade ou no campo, todas as igrejas, santuários, capelas começaram a estar iluminados por potentes holofotes. Terá sido marketing da igreja católica? Não sei.
Mas escrevia eu. Estávamos no início dos anos 90 e nessa pequena vila onde morava existe uma pequena capela, no cimo de um pequeno monte (o monte do Sr. do Calvário. Porque será?) que preside a toda a aldeia, como um vigia da moral e dos bons costumes, um farol que ilumina os habitantes no caminho da santidade. Eu morava no sopé desse pequeno monte. Naquele tempo, o melhor do nosso ano era o verão! O calor trazia os amigos para fora das casas até altas horas da noite e a vila estava cheia de emigrantes. Franceses, alemães, suíços, mas também os lisboetas. Ficávamos na rua até de madrugada, na conversa e esperávamos até que a padaria fornecesse o pão quentinho para esse dia. Cerca das 5 da manhã comíamos pão de trigo quente com manteiga e cerveja!
Numa dessas noites, que acabou mais cedo, dirigi-me a casa com um amigo que vivia perto. No fundo do dito monte de santidade existe uma fonte. Parávamos sempre ali para aliviar a sede e queimar os últimos assuntos de conversa. A capela iluminada vigiava-nos do alto da sua austera moralidade. Encostados à parede fria da fonte, eis que vemos sombras a movimentarem-se nas paredes da capela. Ficámos alerta. Duas grandes sombras de formas humanas pararam na fachada do edifício. De mãos dadas, deu para perceber que era um homem e uma mulher. Ficaram assim por instantes e depois as sombras fundiram-se numa só sombra. Ficámos sem saber quem era quem. Largaram-se e ficaram de frente um para o outro. A sombra masculina esticou os braços em direcção ao céu e a feminina abraçou-a, colocando a sua cabeça com longos cabelos junto ao peito. Nesta altura estávamos já calados e imóveis.
A sombra feminina deslizou pelo peito da masculina, a sua cabeça estava ao nível da pélvis da outra, sombra masculina essa que colocou as mãos nos seus flancos, como um toureiro que provoca o touro. A sombra masculina iniciou uma série de movimentos cervicais que, ora afastavam ora aproximavam a sua cabeça da pélvis da sua congénere masculina. Logo nos apercebemos que não estava com certeza a dar-lhe cabeçadas, tal era a posição descontraída da sombra masculina, agora com o tronco curvado para trás.
Olhámos um para o outro e, sem trocar palavras, desatámos a correr pelo monte acima. Ambos com os músculos da face contraídos, num esforço para conter as gargalhadas que sabíamos estarem aprisionadas por ambos!! Ao abrigo da noite e das árvores, rapidamente alcançámos uma posição privilegiada para melhor observar os pombinhos. A identidade de ambos surpreendeu-nos uma vez que ele era um dos "betinhos" da terra, que nem sequer se misturava connosco e ela vinha de uma das famílias mais humildes da vila. Num impulso incontido, o meu amigo gritou um sonoro e subtil "MAMA!!!" que ecoou na noite. Ela desapareceu nas sombras por trás do edifício e ele estacou enquanto compunha as calças. Ficou petrificado!! Nós corremos pelo monte abaixo, com as lágrimas a correr pela face enquanto ríamos que nem loucos. Fizemos um cagaçal tremendo. No outro dia, toda a gente daquela rua falava dos delinquentes, dos drogados que tinham andado a correr aos berros pela rua abaixo!!
Os dois intervenientes desapareceram dos locais públicos durante uns dias, mas esse foi o assunto mais falado nesse verão!!
Moral da história: já ouviram falar de sombras chinesas?? Pronto, o princípio aplica-se a tudo, ok? A tudo.

domingo, 12 de julho de 2009

Desabafo.

A sala é pequena. Ao meio uma mesa com dossiers numerados, esferográficas espalhadas e o telefone que não para de tocar. Um armário com gavetas cheias de papeis. Numa parede um quadro branco dividido em linhas e colunas repleto de palavras escritas por mãos diferentes. Nomes, idades, diagnósticos, exames, cuidados a ter. Por cima um relógio que parece estar sempre parado.
Saio da sala e encontro-me num longo corredor com portas sucessivas. Cheira a merda. Cheira sempre a merda por aqui. Apenas estamos já tão habituados que julgamos que não. Um lamuriar constante preenche a atmosfera. Um gemido, uma cantilena dolorosa, um grito que quebra a monotonia para logo se calar. De onde vem esse murmúrio carregado de dor? Não sei bem, das paredes talvez. Do ar fétido, dos ocupantes. A luz que banha os quartos parece ficar de fora. Os quartos são pequenos, demasiado. Uma cadeira, uma mesa, uma cama. E nela deitado, um doente. Um corpo envelhecido e rígido. A sua pele é flácida, os seus olhos fixam o vazio. As suas mãos tréulas procuram uma corda que os tire do sítio profundo e escuro onde se encontram. Eu dou-lhe a minha mão por momentos e depois retiro-a. A mão agita-se no ar procurando novamente e eu saio do quarto.
Chegam as visitas, um coro de vozes, passos e portas a abrir toma conta do corredor vazio. O Colorido dura uns minutos e depois, tudo calmo novamente. Espreito para os quartos. A cama ocupada é como se estivesse vazia. O centro da visita parece ser a TV que debita imagens e sons durante todo o dia, para o vazio. Parece haver uma espécie de adoração daquele deus formatado. As pessoas olham para cima, absortas, dominadas. A mão trémula procura ajuda. Encontra-a apenas para ouvir "Adeus, até amanhã" mas parece que essa frase é dirigida ao aparelho.
As luzes apagam-se e os vultos tomam conta do corredor. O murmúrio continua, hoje e sempre.
Nas sombras vejo um dos corpos que saiu da cama e arrasta-se pelo corredor, curvado sobre a parede. Parece carregar o peso do mundo. A mão procura um apoio e agarra a minha quando lhe toca. Entro no quarto escuro e confino o corpo ao local a que ele pertence. Volto-lhe as costas. Volto para a sala, a luz aqui nunca se apaga.
(estou mesmo farto disto...)

Sou amigo de um serial-killer!!

Terminei a 3ª temporada desta série ontem!! Eu, que gosto de séries e sigo umas quantas, confesso que esta é a série que mais gosto actualmente. Dexter é um serial-killer que trabalha na polícia como analista de padrões de sangue. Durante a noite persegue e mata os assassinos que a polícia deixa escapar. Não o faz por um sentimento de justiça mas por uma compulsão interior que o persegue e que o leva a matar, uma necessidade que conduz toda a sua vida.

O mais interessante nesta série, para além do protagonista ser um serial-killer frio e calculista, é o facto de o espectador (eu, pelo menos!) construir uma empatia com um assassino, vibrando com as suas vitórias e temendo por ele quando as coisas correm mal!!

É também muito interessante de seguir a evolução da personalidade dele ao longo das temporadas e como isso vai criar confusões e conflitos interiores. A não perder!!!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Olha-me estes!!!

O que está errado num quadro onde um Angolano e uma Romena tentam contrariar um Português (eu, ainda por cima!) acerca da forma correcta de escrever uma palavra Portuguesa?

Treme-treme

Porque será que se produzem tantas conversas de elevado nível durante a hora de almoço, no trabalho? Para dizer a verdade, já nem me lembro de tudo o que falámos pois o último tópico de conversa foi de tal forma avassalador que ofuscou tudo o resto.
Então, falávamos nós de qualquer coisa (sexo, provavelmente) quando uma querida colega minha sai-se com esta:
-Então e já ouviram falar do anel?
(eu) -Isso não é um método contraceptivo?
-Não, é um anel que se coloca no pénis do homem!
-Ahhhh, sim claro! Da Durex ou coisa do género, que tem um vibrador pequenino!
-Já experimentaste?
-Não. Mas já vi isso à venda.
-Não compres. Não resulta.
(silêncio, ela cora ligeiramente e compõe o ramalhete da seguinte forma:)
- Aquilo fica tudo a abanar. Não se consegue...
(nesta altura eu já ria desbragadamente!!)
- Olha!! Não aconteceu nada mas rimo-nos toda à noite à custa disso!!!
Claro que no resto do turno só tinha na minha mente a imagem "daquilo" a tremer ou a abanar como se de uma mangueira sob pressão solta se tratasse! "Desculpa, foi ao lado. Deixa-me tentar outra vez. Oi, não foi desta. Espeeeera, pronto, já está!! Afinal não..." enquanto ela ria à gargalhada!
A propósito, é possível ter sexo enquanto um dos intervenientes treme fininho e o outro ri até às lágrimas?
À minha colega: eu avisei-te que ia escrever!! Beijinhos...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Divagações ao volante sobre a não existência.

Se há um período de tempo em que dou por mim a reflectir nos mais variados aspectos da minha vida, é no período de tempo que perco a conduzir nas deslocações casa-trabalho ou trabalho-trabalho. Normalmente dou por mim a pensar ou no trabalho, ou na família, ou muito simplesmente a reflectir sobre a letra da música que estiver a passar na rádio. Há uns dias atrás, após um pequeno susto com um carro que mudou de faixa sem aviso dei por mim a pensar na Morte. O que é estranho é que, convivendo eu de perto com a Ceifeira, nunca tenha dado por mim a reflectir realmente na morte, no exacto momento em que a máquina pára e a vida se apaga.
Inconscientemente levanto o pé do acelerador. Não me preocupa o impacto, o momento em que o meu corpo é desfeito. Tenho quase a certeza que isso será indolor. Uma luz ou o negro e o fim, sem dor. Mas penso no depois. No meu filho, na minha mulher, nos meus pais e irmão e em todos os que me conhecem. Penso nos meus seguidores no blogger e nas velhas do hospital. Penso em não existir e isso deixa-me angustiado. A morte súbita angustia-me.
Depois tento imaginar uma vida cheia, feliz e longa. E imagino um velho Miguel deitado numa cama na sua casa soalheira. Os filhos e os netos (e talvez os bisnetos) a sua volta, com lágrimas nos olhos mas sem mágoa. Morro mas digo-lhes que vivi, que os amei e que me senti amado por todos. Visitei os lugares que quis, sempre com a Mariana ao meu lado e rimos. Rimos muito juntos! Também discutimos e amuámos um com o outro. Mas fomos felizes. Se há alguma ideia do que é o sucesso, para mim é morrer rodeado daqueles que amo. E poder dizer-lhes "Parto sem mágoa. Queimem o meu corpo. Juntem-se e vão espalhar as minhas cinzas no meu lugar favorito. Alegrem-se nessa hora." Depois fecho os olhos. E só imagino o negro, o vazio. E esta não-existência angustia-me.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Movimento Separatista Capilar.

O meu cabelo tem personalidade própria. É escuro e farto, forte e ondulado e tem jeitos. Montes deles. Gostava de o usar comprido mas cedo descobri que, associado ao aumento do comprimento vem também um perigoso aumento do volume o que leva a que ele ganha aquela forma e consistência afro, que faz lembrar um frondoso manjerico que repousa no crânio de onde saem as maiores alarvidades. Na lateral da tola, logo por cima das orelhas, ele espeta-se e empina-se tornando perigosa qualquer abordagem lateral à minha pessoa, sob pena de ficarem com um olho vazado por algum pelo mais rebelde. À frente, logo por cima da testa ele encastela, forma uma muralha alta e enrolada sobre si própria, como de uma onda gigante se tratasse. Pensei num penteado rockabilly mas, calculando os gastos que iria ter em gel fixante e laca, iria gastar dinheiro suficiente para comprar um pequeno monte alentejano. No resto da parte superior da cabeça fica deitado. Caído como um campo de milho pisado por um bando de putos traquinas. Por mais que tente ele recusa-se a mudar de posição. Já tentei aqueles penteados super-cool, com aquele ar despenteado-mas-penteado-por-um-profissional mas nenhum gel fixante ultra-super-mega-forte efeito molhado é suficientemente forte para manter o resultado por muito tempo. Quando saio do banho ainda consigo dar-lhe um ar mais ou menos decente, mas com a seca vem forma original. Às vezes acordo com aquele tufo de cabelo que teima em não ocupar o seu lugar na ordem geral do resto do cabelo (o chamado "peido"). Durante anos tentei domar aquele fervor separatista com as mais variadas técnicas. Não consegui e desisti. Por isso, quando hoje chego ao trabalho com aquele peido levantado mesmo no cimo da tola, já ninguém presta muita atenção. Também já tentei usá-lo curto, muito curto. Mas isso não resulta com a minha face comprida em forma de pepino (a minha mãe jura que não foram usados fórceps no parto, mas tenho as minhas dúvidas) e com estas orelhinhas saídas em forma de uma pequena folha de couve que teimam em sair do conjunto coeso e apertado do resto das suas irmãzinhas, o quadro não é animador.
Por isso tento ser fiel ao mesmo cabeleireiro. Sempre evito ter de descrever o que pretendo de cada vez que o vou cortar, o que tem de acontecer a cada 3 semanas, para evitar o crescimento do tal manjerico afro. "É pente 3 nas laterais e em cima é desbastar e cortar a um comprimento de cerca de dois dedos. Não deixe a poupa mais comprida. Eu sei que está mais comprida agora mas não tenho culpa que o meu cabelo tenha vontade própria e algumas regiões com impulsos independentes". Assim chego, sento-me e peço "o costume".

Casa vazia.

Deixei a Mariana e o Gabi no aeroporto. A casa está estranhamente silenciosa...
Reclamo por vezes pelo "meu tempo", "meu espaço" que, entre os empregos e a família, não têm muito espaço e hoje, e pelos próximos dez dias é isso que tenho. Porque será que não estou nadinha entusiasmado? Faltam-me eles.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vendidos!!

Pronto. Pegou a moda. Mas também, quando se publicam livros que versam sobre a vida e obra do Mourinho, do CR(agora)9 e outras personagens do futebol, era de esperar que qualquer blogue desse em livro. Começou com o "Meu Pipi" e foi sempre a descer depois disso.
Mas, se é um blog, qual é a vantagem de se imprimir um livro quando se pode ler o seu conteúdo inteiramente grátis na internet? Um livro? É gasto de dinheiro, tinta, papel, cola, de recursos humanos. Qual a vantagem? Nenhuma. Um livro pesa e ocupa espaço e a net está disponível em todo o lado.
A blogosfera está vendida. É o poder do dinheiro a corromper a pureza dos bloggers, a inocência dos seus autores. É o establishment a tomar de assalto um mundo que é (era?) só nosso. Estou muito triste...
...por acaso não há por aí nenhuma editora que queira publicar o "Cheirinho..."? Não? Ok, ok... sim, eu percebo, ainda estou cá há pouco tempo. Mas o meu mail está ali em cima, logo depois da descrição do perfil. Sempre ás ordens, senhores das livreiras... ah, é que isto, vendido nos hospitais portugueses, saía que nem pãezinhos quentes! Nem assim... bolas!

domingo, 5 de julho de 2009

Livronatromba.com

Após resistir a inúmeros convites para me inscrever no "Facebook" eis que capitulo após o argumento inabalável de uma colega de trabalho: "Actualmente, senão tens um perfil numa qualquer rede social da internet, seja o hi5, facebook ou outra, é porque não existes!"
Ora, eu como gosto muito de existir e porque (nunca fiando) alguém pode ter dúvidas disso, lá me registei no Facebook. Porquê no "Facebook"? Porque alguém me disse que o hi5 era para os os putos, os teens. Só por isso...
Engraçado porque o programita encontrou logo 2 ou 3 pessoas que por acaso eu até conheço! Só é pena que não tenha a mínima vontade de voltar a falar com elas.
Agora não sei o que faço com aquilo...

Roteiro Gastronómico?

Logo que entrámos vi um belo borreguito assado na brasa com umas batatinhas novas a acompanhar. Logo depois, um cabritinho no forno com arroz na caçarola de barro. Um pouco mais à frente, uns belos secretos de porco preto, logo seguidos por uma bela canja de galinha, arroz de pato e coelho à caçador. Para terminar, uma enorme e suculenta costeleta de vitela grelhada, mal passada e a sangrar!
De cada vez que vou com o meu filho à Quintinha Pedagógica, ver os bichinhos, venho de lá com uma fome...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Breve história de um engate...

"Entrou e logo viu o seu alvo. Arranjou a camisa, elevou a postura e avançou confiante. A rondar o local já estavam potenciais adversários. Pôs o seu ar mais confiante quando se aproximou. Encheu o peito enquanto tentava captar o odor, a ponta do nariz bem próxima da sua forma arredondada "Hmmm, que belo cheiro tu deitas... já estou com água na boca." Sentiu o seu peso na sua mão, atirando-o uma e outra vez ao ar. Estava satisfeito com a sensação de plenitude que sentiu, com a firmeza. Para melhor constatar a firmeza apalpou a sua pele com força "Está bem duro, bem firme e a pele bem lisa e sedosa..." Sentia a água na boca enquanto antecipava o momento em que abocanhasse o objecto do seu desejo. Deu-lhe umas palmadinhas leves, quase carinhosas e levou-o para casa."
Este é dedicado a todos aqueles com quem me divirto silenciosamente enquanto os observo a escolherem melões. Os "profissionais do melão" que julgam ter o dom de escolher sempre o melão mais firme e doce das dezenas que se encontram no expositor!! Por alguma coisa se diz que "certas coisas são como os melões, só se conhecem depois de abrir"!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Provavelmente o MAIS LONGO desafio da blogosfera!!

Mas eu gosto de reponder a estas coisas. Este veio da costela mais famosa da história!!!

Parte 1

O que te choca: a inveja, a intriga. Chocam-me as pessoas cujos objectivos passam por destruir alguma parte de uma outra pessoa de forma gratuita, só pelo prazer de magoar.



O que te arrepia: aqueles vídeos dos skaters a bater fortemente com os testículos no corrimão de alguma escada, quando uma manobra corre mal!


O que te excita: um desafio ou uma boa competição. Qualquer situação em que me sinta desafiado por alguém que seja melhor que eu, uma competição que eu sei que será difícil vencer. Não gosto de vitórias fáceis e sou MUITO competitivo!


O que te solta: eu sou solto por natureza!! Qualquer pessoa que entre no meu comprimento de onde tem o condão de me soltar (ainda mais!)


O que te faz rir: esta é difícil porque eu rio muito...


O que te faz chorar: não sou de chorar, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que chorei na idade adulta. Mas a última vez que chorei copiosamente foi quando abracei o meu filho pela primeira vez...


O que te causa náuseas: por incrível que pareça, o cheiro a sangue!! Não aquelas pequenas hemorragias mas aqueles sangramentos maciços de grandes acidentes!! Há um cheiro metálico no sangue que me afecta particularmente!! Mas não me impede de continuar a trabalhar...

O que te falta para seres feliz: neste momento, nada! Mas acho que a felicidade é inalcançável na medida em que há sempre um momento em que surge algo novo que desejamos.

O que te traz infelicidade: a infelicidade dos outros, principalmente dos que me são próximos.

O que te magoa: tenho uma carapaça relativamente imune à maioria das coisas mas magoa-me quando me acusam injustamente.

O que desejas: o 1º prémio do Euromilhões!

O que receias: ficar doente ou incapacitado.

O que não queres perder: o(s) emprego(s)

O que queres alcançar: a estabilidade financeira que me permita passar mais tempo com a minha família.

Uma data que abominas: a data em que tenho que pagar o IRS!!

Uma festividade que adoras: o aniversário do meu filho.

Uma qualidade que aprecies nas pessoas: honestidade e coerência (sim, são duas!)

Uma característica que abomines nas pessoas: desonestidade e prazer em prejudicar os outros (mais duas!)

Uma mentira que tenhas dito: rasgar as calças nos joelhos e dizer à minha mãe que tinha caído!! (ai, ai, a adolescência!)

Uma nostalgia: as conversas com os amigos no verão, na esplanada e até ás 4 da manhã!!

Parte 2

Vida: um conjunto de muitas coisas das quais temos de eleger as mais importantes. E é isso que vai definir o tipo de vida que vivemos.

Amor: Gabriel

Casamento: um equilíbrio muito fino entre amor, amizade e cumplicidade com trabalho, cedências e rotinas.

Família: Sempre no topo das prioridades.

Dinheiro: um meio para atingir muitos fins

Homem: bicho primário, carnal e muito fácil de contentar!!

Mulher: a mais bela criação!

Desejo: o motor da vida.

Sucesso: morrer com todos os nossos à nossa volta.

Profissão: uma qualquer que me realize.

Saúde: o meu ganha-pão!

Internet: indispensável!

Presente: estou contente!

Passado: não interessa.

Futuro: logo se vê!

Politica: gosto e gostava que mais gente gostasse.

Brasil: não me fascina.

Sexo: muito e bom!!

Arte: tudo o que tenha um efeito incontornável nas nossas emoções (seja positivo ou negativo)

Opinião sobre o desafio em questão: LOOOOOOONGO!!! Mas bem giro de responder!! Façam todos e depois avisem!!!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tau tau...

Eu sabia que o post anterior iria gerar alguma controvérsia. É claro que sabia que algumas pessoas se sentiriam, directa ou indirectamente, incomodadas com as minhas palavras. Contudo, não esperava que houvesse TANTA gente a sentir-se ofendida na sua moral e com vontade de me "partir as trombas" (fim de citação).
Malta, não sei se repararam mas este blog tem uma linha que o define: a ironia. Só no caso de não terem reparado... Agradeço às pessoas que manifestaram a sua indignação de forma construtiva e educativa (a essas responderei mais pessoalmente na zona de comentário do dito texto, logo que tenha um tempinho). Por isso, limpem lá essas lágrimas e cá um abraço bem forte, suas depressivas (sou um homem casado, não posso oferecer mais que isso, ok?) e um grande e sonoro beijinho repenicado nessas bochechinas gordinhas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Não é feitio...

... é mesmo defeito! Se há área da saúde (doença) onde eu seria incapaz de trabalhar, ou, no mínimo muito infeliz e desmotivado, seria a área da Psiquiatria. Por várias razões mas, principalmente porque não consigo colocar-me na pele desses doentes. Por isso, porque não seria um bom enfermeiro nessa área, espero que nunca tenha de nela trabalhar.
Infelizmente, elas andam aí. As loucas. No feminino porque a maioria destes doentes são mulheres. No meu entender nem se pode dizer que sejam doentes, no verdadeiro sentido da palavra. Estão deprimidas, de mal com a vida, são mal amadas e não gostam de si mesmo. O problema é que os médicos carregam-nas com anti-depressivos, ansiolíticos, indutores do sono e toda essa tralha que só as afunda. Afunda-as porque é a prova final de que elas precisam para assumir que estão doentes e precisam de fármacos para sobreviver.
Não tenho pachorra para estas doentes. Só hoje, dois exemplos:
-rapariga, 22 anos. Tremores generalizados e choro compulsivo à entrada. Episódios semelhantes recorrentes. Toma xanax para dormir e ansiolíticos durante o dia. Não sendo uma mulher vistosa não é feia. A mãe discorria sobre o facto de a filha ter ataques de ansiedade e andar sempre muito preocupada com a sua a sua saúde. Não tem nem nunca teve namorado. Enquanto a mulher falava eu só conseguia pensar que o problema dela é falta de sexo! Muito sexo! O tratamento que eu prescreveria seria "coito com orgasmo de 8 em 8 horas e masturbação em SOS".
-rapariga, 27 anos, casada, obesa. Vem ao hospital por febre (38,8º) com início hoje. O marido telefonou à mãe (dela) para a acompanhar (presumo que ele já não tem paciência para a aturar!). Na presença da mãe arrasta a fala e a marcha. A mãe ausenta-se e ela fala e anda normalmente. A mãe refere que ela já teve tentativas de "suícidio" (entre aspas, porque quem quer morrer dá um tiro na cabeça, atira-se da ponte 25 de Abril ou para debaixo de um comboio) por cortes nos pulsos. Pensamentos que me iam na tola: se eu tivesse a fisionomia de um hipopótamo também cortava os pulsos.
Enfim, eu sei que este espaço foi criado para enaltecer as minhas qualidades e excelente profissionalismo, para revelar como eu sou um tipo impecável, sensível e preocupado com os seus doentes mas estava na hora de revelar o meu lado mais negro. No fundo, sou um sacana.

Rugas.

Todos nós envelhecemos. Uns melhor, outros pior. Por razões profissionais sou diariamente confrontado com a maneira menos boa de envelhecer, a via da doença, da incapacidade, da dependência de terceiros para a realização das actividades mais básicas do ser humano. Logicamente, a velhice faz-se notar e anuncia-se desde cedo através de muitos sinais, sendo que o mais evidente é o processo de envelhecimento da pele que desidrata, perde elasticidade e forma, descai e deforma-se. A gravidade não perdoa.
Contudo, este post vais debruçar-se sobre uma parte do corpo que fica especialmente horrível e feia com o envelhecimento: o pénis. Pénis, pila, picha, pichota, gaita, chamem-lhe o que quiserem mas eu gosto do termo picha. Hoje vamos falar de pichas enrugadas. Ora bem, sendo a picha um órgão que tem a propriedade de se deformar ao longo da vida do homem, lógico que com tanto estica e encolhe, tanta manipulação (manual e outras) tanto traumatismo resultante da sua utilização, ela tem um envelhecimento muito mais... como dizer... feio do que o resto do corpo. Acreditem, se muitas vezes ouvimos dizer "Oh, que velhinha tão bonita!", "As rugas ficam-lhe bem" ou "Que velhinho adorável", nenhuma destas expressões se aplica a uma picha enrugada. Quando temos de a agarrar (a de um doente, bem compreendido) firmemente para algaliar, ela foge-nos por entre as mãos como aquele brinquedo da Loja do Papagaio sem Penas (se não sabem qual é vão à loja). É que, a determinada altura, aquilo é um amontoado de pele enrugada sobreposta sobre um pedaço de carne do tamanho de um amendoim. Depois, quando se introduz o tubinho no buraquinho da uretra, sentimos montes de resistência por causa de uma próstata do tamanho de uma bola de futebol, resistências essas que nos obrigam a procurar o "caminho" certo mexendo a picha do doente para todos os lados, como se estivéssemos agarrados a um joystick de um simulador qualquer (agora que penso nisso joy=prazer, alegria e stick: pau, bastão... olha, olha!).
Depois há o banho. Por baixo de todas aquelas peles amontoa-se porcaria que não é brincadeira! Uma substância pastosa e branca (que não é o que vocês estão a pensar) que tenda a acumular-se por baixo da glande (a cabeça, portanto). Por muito bem que o deixemos limpo no banho anterior, no dia seguinte lá está aquilo empastado. Acho que deve ser um processo de auto-destruição. A cor também não ajuda, pois tendem a ser de um púrpura desmaiado, algo entre o vermelho, o magenta e o roxo. Não é bonito. Ao contrário, os testículos, os tomates portanto, tendem a aumentar. Não em volume mas em comprimento. Quantas vezes, ao ajudarmos um doente a tirar as calças para ir para o banho, não nos apercebemos que este tem os seus tintins (carinhoso, não acham) ao nível dos joelhos? Pois, mais uma vez, a gravidade.
Por isso, quando me colocaram a hipótese de ir trabalhar em Urologia, todas estas imagens que agora vos descrevo e outras me assolaram a mente. Posso ter que levar com substâncias purulentas e malcheirosas o dia todo mas sempre é melhor que passar o dia agarrado a pichas enrugadas e feiosas.

Rosa Mota (mas em homem)

Não gosto de correr. Correr enquanto desporto. Mas esta semana comecei correr, 2 dias, 30 minutos por dia, 5 km por dia. Porque preciso de perder peso e a natação não é muito eficaz no que a isso diz respeito. Essa é a motivação maior mas arranjei um enorme aliado nesta minha demande de perder algum peso: o sistema Nike+!

É bem simples: precisamos de ténis Nike compatíveis, um chip emissor, um receptor e um iPod Nano. Coloca-se o chip no ténis e o emissor no iPod e é só começar a correr!! No final do treino aparece no visor do iPod os dados do treino como tempo, distância percorrida, calorias gastas, etc.!!! Depois liga-se o iPod ao computador que transmite esses dados ao site de Nike+,onde podemos seguir a nossa evolução, os objectivos atingidos ou não e os objectivos a atingir. Fantástico! Assim é mais fácil para mim correr porque tenho um alvo a abater: eu próprio, as minhas limitações.

Depois, como levamos o iPod connosco, podemos ir a ouvir música. E com grupos como os Cure, Franz Ferdinand, Foo Fighters, Pixies, Kings of Leon, Eagles of Death Metal, Vampire Weekend, Coldplay e os ENORMES Radiohead a puxar por mim, sinto que vou ser capaz de correr a maratona daqui por uns meses!!! E parece mesmo que o sistema sabe a motivação que preciso porque, quando me estou a ir abaixo começo a ouvir aquela música bem batida que aumenta a minha passada e me leva até ao fim!
Entretanto hoje, sinto músculos nas minhas pernas que nem sabia que existiam...

Turbilhão.

A minha vida profissional foi apanhada por um turbilhão de alterações. A ver se me safo...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu é mais bolos...

A esta hora da noite, depois de ter acordado às 6 e ir já com 15 horas de trabalho consecutivas, só tenho um consolo...



Quem disse que os bolos das máquinas não prestam?

Consultar Manual de Instruções antes de usar.

Realmente há dias em que eu detesto a minha profissão (a maioria, vá...). Ele é cagadas diarreicas, vómitos asquerosos, gente a sangrar profusamente, quistos cheios de pus verde e malcheiroso (estes até me alegram), ele é meter os dedos no cu dos velhotes para retirar bolas de bosta do tamanho de bolas de golfe, ele é enfiar tubos em uretras e narizes e picar braços e rabos com agulhas que podiam ser usadas para lidar touros, enfim... um sem número de actividades que seriam torturas não fossem necessárias!
Mas nem todos os dias são dias maus. Por vezes a incompetência alheia proporciona-nos momentos bem giros! Falo então daqueles que nos procuram por existência de objecto estranho em orifício corporal. Não, não me refiro às crianças que enfiam pequenos objectos no nariz, mas sim de mulheres com objecto estranho na vagina ou no recto e de homens com algo enfiado no cu.
Comecemos pelas mulheres. O mais comum são os tampões. Há uns dias uma médica traz-me uma miúda (18 anos) em pranto porque não conseguia tirar o tampão. "Mas já procuraste bem, com os teus dedos?" e ela respondia que sim, que conseguia tocar-lhe mas ele não saía. Só me dizia "Tire-me isto de dentro de mim!" enquanto chorava copiosamente. Levei-a para uma sala mais reservada e pedi-lhe que baixasse as calças. Assim que viu o espéculo vaginal exclamou "Vai usar isso assim tão grande??" Claro que a resposta que me passou pela cabeça não foi a mais inocente e resolvi ignorar. Introduzo o espéculo ENORME (palavras dela) e encontro facilmente o tampão, que retiro com a ajuda de uma pinça. Observo e pergunto: não era suposto aquilo ser introduzido com o fio para baixo, em direcção aos joelhos? É que não deve dar muito jeito se o fio estiver entalado (que bela escolha de palavras!) entre o tampão e o útero, pois não?
Os homens costumam ser mais exuberantes, mas... artísticos, digamos. É por demais comum as histórias com as latinhas de spray Axe. Pois eu tenho, além dessas, uma muito mais gira para contar. Estava sossegado no serviço a ler (na altura ainda não tinha um blog, senão estaria a actualiza-lo!) quando um colega entra na sala e rir que nem um louco e a arrastar-me com ele para a sala de cirurgia. Quando entro deparo-me com um homem na posição de um muçulmano a rezar a Alá (que me desculpem os muçulmanos...) de rabo virado para mim. Entre as duas nádegas, no local onde deveria estar o olhinho, vejo um perfeito círculo de um material cor-de-tijolo. Não me apercebo do que é até mudar a perspectiva e de repente vejo!!! É um desentupidor de ralos!!! Um daqueles desentupidores com um cabo de plástico que termina numa campânula de borracha!!! Mas, 'peraí... então se a borracha está cá fora, o cabo... nãããããã, não pode ser. Olhei para o meu colega que estava agarrado à barriga e com as lágrimas a escorrer a face. Senti a gargalhada a formar-se no meu estômago, a subir pelo esófago e contive-me mesmo a tempo!! Tive de sair da sala, aliás, tive de sair para a rua porque não conseguia parar de rir. O meu colega apareceu logo depois e, assim que olhei para ele voltei a rir compulsivamente!!!
Há dias assim, em que quando as pessoas não lêem o manual de instruções dos objectos, nós temos tema de conversa para dias!! Só acho estranho perceber que essas pessoas baixam a cabeça quando se cruzam comigo na rua... não entendo, não entendo

- Bom dia Sr. Joel! - O meu nome é Miguel...

Quanta falta de consideração é trocarem-nos o nome? E não falo de alguém com quem falamos muito esporadicamente, falo antes de alguém com quem temos uma relação profissional e com quem falamos muito frequentemente! É que é muito chato ter que corrigir essa pessoa a cada conversa e ouvir sempre a mesma desculpa: "Não tenho nenhuma memória para nomes!!".
Se não tem arranje, porque qualquer dia vai saltar-me a tampa!!!!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

IRRA!!!

Fico piúrso... mas mesmo piúrso, pior que estragado e já me estragaram o turno quando acabo de vestir uma farda lavadinha, passadinha, a cheirar a Skip Concentrado Brisa Marinha e, no primeiro doente que atendo, fico logo todo cagado!! Como? Eu explico. Há inúmeras maneiras mas eu vou referir-me àquelas que são duas das principais maneiras de um gajo se cagar todo no exercício da nobre e secular, cansativa e não reconhecida profissão que é a Enfermagem.
Em primeiro lugar: drenar quistos. Quistos como estes. Um gajo aperta, aperta e ZÀS!!! Sai um jacto de nhanha verde, purulenta e malcheirosa que nos atinge EM CHEIO no peito (com sorte, porque eu já levei com isso nas trombas!), já para não falar que ficam as paredes e até o tecto com aquela porra a escorrer. E depois? Por mais que limpemos com álcool ou com outra merda qualquer fica sempre lá aquele espectro da mancha de sujidade que nos sussurra "Eu estou aqui... estás todo cagado com o produto merdoso de uma infecção do de um gajo qualquer que tu não conheces de lado nenhum e não sabes em que vida anda..." E é impossível trabalhar com esta vozinha sempre na nossa mente.
Em segundo lugar: estamos a preparar algum medicamento que exige uma mistura dentro de um ampola de vidro. Invariavelmente a pressão dentro dessa ampola aumenta bastante e, por vezes PUM!!! a pressão faz desconectar a agulha da seringa e tomamos banho com aquela porcaria toda! Acontece mais com os antibióticos, uma vez que tem que se diluir um pó dentro de uma ampola.
Esta segunda situação também pode acontecer quando estamos a administrar um líquido num sistema de soro ou a dar a alimentação por uma sonda nasogástrica. Certo dia, ainda era aluno, estava a administrar uma seringa de antibiótico na veia de um bebé quando chega a médica que pergunta se pode auscultar o menino. "Claro!" e enquanto ela se debruçava em direcção à barriga do bebé eu introduzia o líquido. Sinto uma pressãozita no acesso e carrego mais um pouco e aquilo salta do encaixe, espalhando líquido amarelo mesmo em cheio na face da médica!!! Não sei como não me rebolei no chão a rir quando a médica saiu, furiosa, do quarto. Numa outra ocasião, um colega alimentava um doente através de uma sonda pelo nariz. Enchia a seringa com sopa passada e depois colocava-a na sonda e empurrava a comida. Fazia isto enquanto conversávamos e, de repente, a seringa salta da sonda e o meu colega envia um jacto de sopa em direcção á cara do doente!! Aqui ri-me a bandeiras despregadas e gostava de ter tido uma máquina fotográfica para guardar o ar furioso dele. Quando o doente se levantou, na parede estava o contorno da sua cabeça, como se vê no CSI mas em vez de sangue, havia sopa de cenoura.

É que se está mesmo bem!

Quando decidimos comprar a nossa primeira casa um dilema assolou-nos: um apartamento mais perto de Lisboa, ou uma vivenda bem mais afastada?? Eu moro na margem sul e vou para Lisboa quase todos os dias, de carro! Apesar da distância, venceu a hipótese moradia. Porque já na altura planeávamos o nascimento de um ou mais bebés, porque ambos prezamos o espaço exterior, a sensação de sair de casa sem sair de casa, porque a Mariana gosta de jardinar e queria ter um cão, porque gosto de convidar os amigos para um churrasco ou sardinhada acompanhados de uma caipirinha ou sangria. E não há dinheiro que pague uma noite quente de verão passada no jardim a rir e a falar com os amigos ou simplesmente nós os três.
Hoje acrescentámos um divertimento ao nosso cantinho: uma piscina! Tudo bem que é insuflável mas é suficiente para nos divertirmos lá dentro. Com o calor que está, há lá coisa melhor!! E é tão bom ver o nosso filho a correr pela relva enquanto nós apanhamos um sol quente na espreguiçadeira ou de molho na piscina. É tão bom andar descalço cá fora, de calção de banho e tronco , ler um livro deitado na relva e, de repente, o nosso filho deita-se ao nosso lado e nos faz um carinho.
É mais longe. Mas está-se tããããão bem!!!



quinta-feira, 18 de junho de 2009

O meu corredor.


Não sei o que escrever. Sinto-me cansado. Fisicamente, pelo menos. Acabei agora de jantar e fui tomar o meu café. Este café. Pode não parecer mas este corredor é o sítio mais acolhedor daqui, silêncioso, deserto, isolado e, ao mesmo tempo tão perto da agitação. Hoje, enquanto o café me aquecia a alma e energizava o corpo, dei por mim a olhar para este corredor e a pensar como ele simboliza a vida: é largo o suficiente para deixar que as pessoas se cruzem mas estreito quanto baste para que não tenhamos outro caminho. Temos obstáculos pelo caminho que teremos de enfrentar e contornar para seguir em frente. No seu fim há uma porta fechada, que esconde o que está para além do que se vê (citação descarada do Timon, do filme "O Rei Leão"!!). Todos os hospitais têm corredores destes. Para onde vão os personagens de Anatomia de Grey (Mer, Izzie, Christina, George e Karev) quando querem estar sozinhos, descansar ou simplesmente discutir as suas frustrações? Para um corredor deserto e cheio de material por onde nunca passa ninguém.
Este é o meu corredor e hoje gostava de lá ficar até o turno acabar...

Será dos chinelos?

Sou um gajo prático. Tento descomplicar ao máximo, em tudo. Na roupa também. É verão, está calor e eu não gosto de me sentir suado no interior da minha roupa. Indumentária no verão: t-shirt o mais leve possível, calção até ao joelhinho e chinelinho de "meter o dedo" ou havaianas!! Mas há melhor para suportar este calor?
Avante. Porque é que há sempre alguém no(s) trabalho(s) que pergunta com um ar jocoso/sobranceiro/arrogante/acusador: "Então? Vais para a praia?". Irrita-me! Respondo "Não, venho da praia... estava-se melhor que aqui." mesmo que essa conversa tenha acontecido às 7:30 (como hoje, por exemplo). Mas que raio!! Se eu andasse a atender doentes com aquelas roupas ainda vá, agora se eu chego e me fardo antes de ir trabalhar QUAL É O STRESS????
Mas alguém tem alguma a coisa a ver com a maneira como me visto fora do serviço? Deve ser essa formalidade toda, de ir sempre bem arranjadinho para o trabalho que lhe tira o discernimento para serem bons profissionais.
Enjoadinhos...

Avante Camarada, avante!!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Obrigado, obrigado, muito obrigado...

Meus amigos, não há prémio melhor que este.
Estou sem palavras...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma questão de educação.

Não sou propriamente experiente em educar filhos. Mas há coisas que não gosto de ouvir e que me penitencio se, por impaciência ou cansaço, faço. Por exemplo dizer "és mau", "feio", "não gosto de ti". Essas e outras expressões semelhantes causam-me comichão!! Então e mandar calar à criança com um sonoro "Schhhhhhhhhhhhhhh!" Ui, como adoro... Não acham que isso é diminuir a importância da criança? É colocar o problema do lado deles, quando é a nós que o cabe resolver? Alguém gosta que lhe digam "És uma besta!"?? Como esperamos que os nossos filhos assumam atitudes correctas quando nós próprios estamos a ser incorrectos com eles?
Mas isto sou só eu a reflectir...

Crónicas do descanso: no país dos Homens-Lagosta

O país dos Homens-Lagosta. Bom, na verdade não é bem um país, é mais uma província, um principado digamos mas sem a soberania do Mónaco ou de Andorra. A cerca de 200 km a sul de Lisboa, a língua oficial é o português mas não é fácil ouvir o som da língua de Camões e Pessoa. Dá a impressão de estarmos num país bi ou trilingue, uma vez que nos espaços públicos institucionais e comerciais os cartazes e indicações estão escritas em vários idiomas, sendo que nem sempre se lê o português.
A primeira impressão que tive ao chegar, e quando me sentei a esplanadar (sim, sim a expressão não é minha e tem direitos de autor...) foi que os seus habitantes são, na sua maioria, altos, cabelo e olhos claros e, pasme-se!, num tom de pele avermelhado tipo a cor da lagosta... ainda mais giro, se muitos tinham essa tonalidade uniformemente distribuída pelo corpo, muitos havia apenas com a coloração em algumas partes do corpo. Ou nos braços, ou nas pernas, em metade das costas ou do peito... intrigante. Mas seria preciso um novo Darwin para teorizar acerca desta estranha diversidade na mesma espécie, os Homens-Lagosta. Pedimos o almoço e deparámo-nos com a primeira barreira linguística (relembro que é uma zona cujo idioma oficial é o português):
-God Morning!! Lunch?
-(Somos portugueses..) Sim, é para almoçar. Queremos o vosso prato de Frango Piri-Piri, por favor...
(O empregado chamava-se João mas, face ao contexto resolvi tratá-lo por John... ou melhor, Johnny)
- Ah... pois... isso não há!! Mas temos um excelente CHICKEN Piri-Piri que está mesmo a sair!!
-... ehhhhh... pois, traga lá então o chicken, já que não há frango...
Almoçámos e no fim o Gabriel exclamou alegremente: 'deus joniii!! (NT: adeus johnny)
Depois foi praia e piscina com fartura, passeios ao final da tarde e à noite sempre a ser abordados por uns personagens cuja função parece ser caçar clientes. Ficam então na rua, em frente ao estabelecimento que representam e logo começam: drinks? dinner? very good music! Live music! Só falta mesmo é sermos placados para dentro dos bares!! Admira-me que não tenha havido porrada entre eles, isso é que era entretenimento para turísta ver!!! Nas ruas muito comércio. Notei que também os nativos desta região já sentem alguma dificuldade em separar os dois idiomas. Exemplo: "Cintos de couro! Belts, lédér beltes, faive euros, véri gud praice! Qualidade, qualiti!!" apregoava uma senhora da sua banca de cintos e carteiras de couro de jacaré de cativeiro. Também me aconteceu ser atendido por empregados que nem português sabiam falar:
-Boa tarde.
-Good afternoon sir!
-Era um Cornetto Leite-Creme, por favor.
-One Cornetto comin' out!!
-Quanto é?
-That will be 2 euros sir, thank you!
Pois é, não fossem as praias de areia fina e águas quentes....

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Para uma amiga...

Para a Ana C.!

Crónicas do descanso: atrás do sol posto.

Acabou. Foram duas semanas de férias passadas no norte e no sul de Portugal. Pelo meio, ainda fui votar para as Europeias (sim... fui um do 40% de portugueses que se deram a esse trabalho. Mas isso dava outro post e o tempo já passou...) porque para dizer mal deles é preciso ir votar. Se não se participou na decisão não se tem o direito de protestar!

Primeira semana, então. Cerca de 400 km a norte de Lisboa. Atrás dos calhaus portanto. Eu até gosto de ir lá e tudo, rever a família e respirar o ar puro mas caramba, sempre são cerca de 4 horas de estrada e eu até nem gosto muito de conduzir!! Família vista e visitada, aldeia corrida e percorrida, e agora? Bom, como estava calor pensámos em ir dar um mergulho numa das piscinas municipais das cidades vizinhas (são 3) e aproveitar para bronzear um pouco. Mas qual quê!! No dia 1 de Junho ainda nenhuma delas estava aberta ao público!! Manutenção, dizem eles! Manutenção faz-se durante o ano todo!!

OK, na falta de piscina... rio. Acabou por ser engraçado porque o Gabriel adorou passear por cima das pedras escorregadias e sempre com os pézinhos molhados. Eu não consegui nadar mas sempre deu para me por de molho na água fresca e mandar umas boas escorregadelas!! Deu para lembrar dos velhos tempos de adolescência passados naquelas e noutras margens de rios. Também fomos todos apanhar cerejas para comer, outra actividade bem gira para o Gabi e que nos trouxe de volta velhas histórias passadas em cima de uma cerejeira!!
Fora isso, comi muito presunto, chouriço, queijo, salpicão além dos quilos de molhanga saturada em colesterol que são apanágio da bela comida transmontana!!! Devo ter engordado uns 5 quilos que passeei orgulhosamente na segunda semana de férias!! Mas isso fica para o próximo post...
É giro ir "à terra" e reviver velhas experiências e lugares. Contudo, quando se está longe tanto tempo, os antigos amigos são agora apenas velhos conhecidos que a vida se encarregou de afastar, e nós somos agora "os lisboetas". Depois, como nós, muitos partiram para outros cenários pelo que os habitantes actuais são perfeitamente desconhecidos. Sim, as nossas raízes podem estar lá mas eu sinto que elas sobrevivem hoje apenas porque ainda há família próxima por lá. Mas hoje, eu não pertenço lá. Sou alguém que as pessoas conhecem, o puto que corria descalço por aquelas ruas mas que hoje é apenas um espectro daquilo que passou. Hoje eu pertenço a outro lado mas, mesmo assim sinto que ainda não encontrei o sítio onde me sentirei realmente pleno. Pode ser em qualquer lugar. Um amigo disse-me um dia que, por muito mundo que conheças e que percorras, voltarás sempre ao sítio onde nasceste mesmo que seja apenas para morrer. Não sei se assim será e espero que a hora da minha morte esteja longe o suficiente para que possa primeiro conhecer o mundo e depois decidir se concordo, ou não, com ele.
Como dizia o outro, sinto-me um cidadão do mundo.

sábado, 30 de maio de 2009

Descanso.

Férias! Vacances! Chamem-lhe o que quiserem mas nos próximos 15 dias as minhas prioridades são: disfarçar o bronze "à camionista" e passar o máximo de tempo possível "de molho". Adeus e até ao meu regresso em força no dia 15 de Junho!!
Stay tuned...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Surprise, surprise!!

A nossa imaginação é prodigiosa! A ideia que temos de pessoas que não conhecemos pessoalmente mas que, de uma forma ou de outra fazem parte da nossa vida é influenciada por vários factores. Quem de nós não imaginou a namorada/o de um amigo/a, não decidiu que essa pessoa seria alta e esguia, de olhos claros e com uma simpatia moderada e depois nos apresentam alguém moreno, não muito alta e super afectuoso? Ou o contrário!!
É um bocado como as personagens de um romance que é adaptado ao cinema!! A mim, o que mais me marcou e serve sempre como exemplo, foi a adaptação do "Harry Potter" ao grande ecrã. A primeira vez que vi o actor que dá vida ao professor Snape fiquei esmagado!! Porque não podia ter imaginado personagem mais diferente! A sua descrição e o relato das suas perseguições, aliado ao seu passado criminoso, fez-me imaginar alguém mais negro, mais obscuro e maquiavélico. Achei que aquele Snape era um bocadito histérico!!!
Enfim, tudo isto para dizer que hoje conheci alguém de quem já tinha ouvido falar muitas vezes, e de quem já tinha construído uma imagem com base em relatos indirectos. Essa imagem que construí também estava errada, mas a nova e real imagem foi uma agradável surpresa.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Eu tenho o poder!!

Estou no trabalho desde as 8h. Entre cuidar dos doentes e das rotinas do(s) serviço(s) já tive a reunião com o formador, combinei os turnos a cumprir em Junho e li (na diagonal e com várias interrupções para trabalhas, que é pró que me pagam, não para estar calmamente sentado a ler manuais de diálise!!) cerca de 1/4 do material teórico total. Neste momento estou cansado de ler e fartinho de trabalho. Pausa só para ver o ambiente virtual e para partilhar um dos meus pequenos prazeres profissionais: abcessos!
Adoro quando aparecem abcessos para drenar!! Dou saltinhos de contente! É como espremer borbulhas mas com dimensões elevadas à 10ª potência. Hoje um daqueles abcessos lindos... Ocupava toda a zona perineal, desde o anús até à base dos testículos. E lá estava ele, estumescido, pele tensa e brilhante. Toquei-lhe e estremeci... estava mole, madurinho, pronto para a colheita. Preparei o anestésico e o bisturi... uma "sprayzada" do líquido frio e anestésico e... ZÁS!!! Um corte rápido e preciso!! O pús amarelo-esverdeado jorrava sob tensão daquela porta de saída que criei, qual salvador do pús oprimido, misturado com sangue impuro. Apertei as margens do quisto e mais, e mais pús saiu das profundezas impuras do corpo humano. Ri histericamente para dentro do meu ser. "Sim, sim, SIM!!!! AH, AH, AH, AH!!" estava possuído pelo poder de libertar aquela malignidade. Parei quando o doente começou a trepar, literalmente, pela parede à sua frente. A dor, essa inominável besta, vencia-me... Deixei por terminar o meu belo trabalho mas encaro o amanhã com esperança e ansiedade pois nova experiência extasiante me espera, à hora marcada para novo tratamento. Resta-me o odor sugestivo que se colou bem fundo nas minhas narinas para acalmar tanta excitação.
Ah... as sensações que estas mãos conseguem arrancar dos meus doentes...

Só espero que valha o esforço...

Curso de Diálise. 240 h de formação a dividir por 30 turnos de 8 horas. Cerca de 60 h de trabalho semanal a dividir por dois locais de trabalho. Dois manuais para empinar nos próximos 15 dias. Não estranhar se eu andar desaparecido.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Triste.

Triste não foi o Man. United ter perdido. Triste foi ver aquela equipa recheada de estrelas a arrastar-se pelo campo, a falhar passes, a dar o terreno ao adversário. E o Barcelona, que fez um GRANDE jogo, merecia melhor adversário. Estou triste pelo CR7. Apesar de achar que ele não devia falar em público, ele é para mim o melhor jogador do mundo. É muito mais completo que o Messi. E ele, hoje, merecia melhor equipa.

Dicas como deve ser.

Ele há realmente blogs com muito bom gosto!! Então não é que existe um blog que, entre outras coisas bem interessantes, elege um blog alheio e lhe dá destaque numa das suas rubricas?? Pois é... adivinhem lá quem está em destaque nesta semana?
Obrigado à Sofia e a toda a equipa do "Massa Crítica"!!!

Sobre o lamentável caso da menina russa...

O que me apraz dizer é que ponderávamos ser uma família de acolhimento. Com este e tantos outros exemplos de lamentáveis decisões puramente jurídicas e pouco ponderadas, a motivação vai-se e as reservas aumentam. Se é para isto, para que servem as campanhas para angariar famílias de acolhimento?
Ah! Só mais uma coisinha... Exmo. Sr. Dr. Juiz (com todos os títulos a que tem direito, que eu não quero ser mal- educado) do Tribunal de Guimarães que decidiu o "caso Alexandra": vá-se foder!!
Com todo o respeito.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Praxadela

Ainda estou para perceber como é que acabei a fazer o toque rectal a um doente.

Toque rectal: enfiar um dedo... bom, para bom entededor...

Dinamização do tempo.

Há quem lhe chame paixão pela leitura. Se forem leitores deste blog sabem que o meu intestino é, como dizer... caprichoso! Assim sendo, o meu intestino tem-me bem domesticado sabendo que eu sei e não falho com os horários que ele estabelece. Seja em casa ou noutros locais, ele exige sempre muita atenção pelo que posso passar algum tempo no chamado "trono". Vamos a contas: 30 anos são 10950 dias (sensivelmente!). Se em cada um destes dias perdi 15 minutos no trono (em média, claro) são 164250 minutos, o que é equivalente a 2737,5 horas, ou seja, 114 dias!! Cerca de 4 meses é muito tempo para desperdiçar só a cagar!!!

Eu dinamizo esse tempo. Na maioria do tempo leio. Normalmente o livro que estiver a consumir no momento. Se esse não estiver disponível vai o que estiver à mão: revistas sérias ou cor-de-rosa, jornais, catálogos da La Redoute. Não importa se já li aquilo ou não, tenho é que levar algo. Se não estiver a ler nada em especial, percorro a minha colecção "Calvin & Hobbes" e escolho um volume ao acaso! Estou certo que ficarei sempre satisfeito! Mas também já aproveitei esse tempo para outras actividades. Quantas vezes acabei o jogo "SuperMarioLand" no velhinho Gameboy original. Quando andava a aprender a tocar guitarra, esses tempos foram essenciais para atingir o nível pretendido! O único senão era o arrepio da guitarra fria quando em contacto com a perninha ao léu. Aquilo é que era inspiração... (nada do trocadilho óbvio de "inspiração de merda" ok?). Também já ouvi muita música nestes tempos, com o walkman, o discman e, mais recentemente com o iPod. Na verdade, é bem visível a evolução da sociedade através do que se faz entre aquelas quatro paredes. Esse tempo é fundamental na maturação da personalidade e da educação de um indivíduo.
Em que outro local se pode ficar informado acerca da dureza das águas e da sua distribuição pelo país? Dos componentes do detergente para a roupa ou dos produtos de higiene corporal? Dos magníficos textos que se escondem na bula dos medicamentos (quem sabe não foi isso fundamental para a minha escolha profissional.)? Da localização dos representantes e fabricantes do WC Pato por essa Europa fora? Do facto que o papel higiénico não é, de facto papel mas sim celulose? É um mundo de possibilidades. Nos locais públicos, onde a escolha é escassa e os textos escritos na porta do WC são de consumo imediato, opto por coisas mais lúdicas como brincar com aquele joguinho do telemóvel onde se tem que comer ovos com a serpente que cresce sem parar! O que interessa é dinamizar esse tempo e, no fim, carregar no Brise, Brisa Marinha. O único problema é ficar com uma das pernas dormentes e quase cair quando nos levantamos!! Mas quando se atinge a veterania, como eu, até isso se torna um hábito.

Currículos

Acabei de fazer o meu Currículo. Nunca tinha feito nenhum, nunca tinha sentido essa necessidade. Quando eu acabei o curso tinha já emprego em vista. Na verdade, assinei contrato ainda como aluno e comecei a trabalhar no dia imediatamente a seguir a terminar o estágio final. Uma semana depois arranjei um 2º emprego noutro hospital. Era facílimo trocar de emprego. Se não estávamos satisfeitos, trocava-se de emprego de um dia para o outro! Hoje corta-me o coração quando sei de colegas enfermeiros recém-formados que estão no desemprego ou nas caixas do Continente. Ou então trabalham em condições deploráveis e pagos a metade do tabelado por lei. É a época do recibo verde e da prestação de serviços.
Ao fazer o meu currículo apercebi-me de duas coisas essenciais:
- tenho trabalho. Muito trabalho! Já passei por algumas instituições, já tenho alguma experiência, tenho armas para lutar por um "lugar ao sol".
- Por outro lado, não fiz ainda muitos cursos de aperfeiçoamento profissional. Por várias razões. Porque a maioria são vazios de conteúdo prático, sendo mais "verbo de encher" currículos e os bolsos dos formadores e porque não tenho disponibilidade financeira nem tempo para realizar as que valem a pena.
Estes dois factores, que se deviam complementar, estão em conflito. Por um lado experiência profissional e competências baseadas na prática e, por outro, conhecimentos teóricos adquiridos em cursos de profissionalização. Estes cursos deviam servir para sedimentar a qualidade da prática clínica mas não o fazem. Neste momento, a maioria das pessoas que trabalham não tem disponibilidade para os frequentar e esses cursos estão agora pensados para serem "papados" por enfermeiros novinhos que, não tendo trabalho, querem enriquecer o currículo. O que acontece? Temos enfermeiros muito novos e sem experiência "no terreno" a ser preferidos face aos "velhos guerreiros" da luta diária (como é o meu caso). Nunca na vida me tinham pedido um currículo mas, estando eu a concorrer para um lugar de formador profissional apenas com a minha experiência e um curso de formador (CAP) como é que raio vou competir com um puto que tem carradas de cursos e pós graduações, apesar de nunca ter dado uma injecção na vida?
Cheira-me que algo aqui não está a bater certo...

sábado, 23 de maio de 2009

Elogio ao rafeiro.

Pois foi. No último post revelei que tenho um cão. A Banita e a Socas mostraram-se surpreendidas pelo facto de eu ser o dono do bicho e querem ver fotos. Pronto, cá vai.
O fulaninho peludo que vêm aqui à direita estava deitado à porta do prédio onde vivíamos na altura. Estávamos em Fevereiro de 2005. Chovia e fazia frio e o desgraçado teimava em não sair de cima do tapete fazendo aquele olhar que vêm, com as orelhas descaídas. A Mariana andava a cortejar-me para que adoptássemos um cãozinho e eu percebi na hora que aquele rafeirão enorme iria dormir lá em casa naquela noite. Esta foi a primeira foto que temos dele.
Não quis comer mas dormiu a noite toda. "Ao menos é sossegado." pensei. Mas não, estava apenas cansado.

Na altura estávamos de férias pelo que passámos bastante tempo com ele. Pensámos como iríamos chamá-lo, que nome se adequaria a ele. Como foi adoptado por uma família que iria tratá-lo bem concluímos que era um sortudo. Assim, Baptizámo-lo como "Gastão", em homenagem à personagem da Disney, o pato Gastão primo do Donald e que tem sempre a sorte do seu lado. No início estranhou e andava um pouco desconfiado, mas logo começou a ganhar confiança e a revelar a sua verdadeira personalidade. Mas precisava urgentemente de um banho. Já tentaram dar uma chuveirada a um cão com cerca de 30 kg que não gosta de água? Só se viam patas e braços pelo ar, o chuveiro a molhar toda o WC e, quando finalmente se libertou fugiu para o corredor onde se sacudiu da água vigorosamente. As paredes eram brancas...
Depois habituou-se e gostava de vir à varanda do 9º andar e ladrar para os transeuntes. Cedo se revelou um brincalhão.
Acabaram-se as férias e começaram os problemas. No primeiro dia em que tentámos sair de casa sem ele foi um desastre!! Ladrava, uivava e elevava-se nas patas traseiras tentando esgravatar a sua saída através da porta de casa!! Por esta altura já a Mariana estava desesperada e eu a passar-me com o animal. Penso que ele nos proporcionou a nossa primeira experiência de paternidade, uma vez que ele nunca podia ser deixado sozinho e obrigou-nos a arranjar um esquema de turnos para tomar conta dele!!

Inevitavelmente, chega o dia em que nenhum de nós podia ficar com ele. Solução? Um de nós tinha de o levar consigo!!! Adivinhem lá a quem calhou a sorte de levar companhia para o emprego? Aqui o menino lembrou-se que havia um local sossegado no exterior do hospital, com uma sombrinha e abrigo, onde o Gastão podia ficar preso. Toca a enfiá-lo no carro e arrancar. Ele adorou andar de carro (ainda hoje gosta!) mas não sabia o conceito de ficar quieto na mala. Nada disso! Saltava para o banco de trás e apoiava a sua cabeçorra malcheirosa no meu ombro!! Nesse mesmo dia, no seu primeiro passeio, percebeu que não era muito prudente ir de pé no banco de trás quando, numa travagem de emergência ficou enfiado no chão do carro, entre os bancos de frente e de trás!!! Mas lá que continua a gostar de andar de carro, disso não há dúvidas!
Contudo, o seu temperamento rebelde e o facto de se estar a tornar insuportável (principalmente para mim, confesso) o facto de ele ser incapaz de ficar fechado em casa, levou-me a tentar encontrar uma solução que fosse a melhor para ambos. Tentei tudo, desde canis municipais, associações privadas, anúncios para adopção, tudo!! A única instituição que aceitava receber o Gastão era um canil de abate. Fui lá... mas voltei com o cão. Entretanto trocámos de casa. Uma vivenda. O espaço exterior era o ideal para ele e, penso, foi isso que salvou a nossa relação. A sua energia era dispersada no jardim e não dentro de casa e isso levou a que eu o tolerasse melhor. O Gastão é um cão meigo e inofensivo, mas a sua energia, alegria e tamanho fazem com que se torne inconveniente. É o tipo de cão que salta para cima de nós só para dizer olá, que tenta lamber-nos a face enquanto caminhamos, que corre na nossa direcção e não trava nem se desvia, que derruba tudo no seu caminho. É alucinado e tem ar disso!

Com os anos ele tem acalmado. Aprendeu algumas coisas, como sentar quando lhe mando, mas continua um verdadeiro brincalhão! Adora correr livre, coisa que não faz muito desde que foi atropelado (ficou tudo bem), foge de casa sempre que tem oportunidade mas já aprendeu o caminho de casa, muito embora só volte quando quer!! Continuo a ficar lixado com ele quando me salta para cima logo pela manhã quando saio para o trabalho e me suja a roupa lavadinha com uma das suas patorras mas, no fundo, gosto dele. E sei que ele gosta de mim, ou não se teria enfiado comigo na cama (e digo mesmo por baixo dos lençóis!) na primeira vez que ouviu fogo-de-artifício e se assustou!! A Mariana adora-o. Acho que a alegria dele a contagia e a faz sentir-se bem! E depois, ela adora animais e preocupa-se muito com eles. Eu? Bom, eu tenho uma relação de amor-ódio com ele. Gosto muito dele mas, por vezes apetece-me espancá-lo!! Submisso como é, o Gastão provavelmente aceitaria o espancamento e ainda me lamberia as feridas no fim. É um bom cão, só é pena cheirar tão mal!!!!


PS: sobre esta última consideração a Mariana provavelmente diria: "Olha! Tu também cheiras mal e eu continuo a dormir contigo! Por isso, aguenta-te!"

sexta-feira, 22 de maio de 2009

São os loucos de Lisboa...

O que é que leva um homem com dois empregos, uma mulher, um filho, um cão e um blogue a meter-se numa formação de cerca de 300 (!) horas a realizar nas (poucas) folgas que ainda tem?
É a pura da loucura...

Eyes Wide... open?


HÁ MUITO QUE OS OBSERVO...
O olhinho com laivos de sangue raiado que vêm não é raiva, nem fúria, nem nenhuma moléstia como conjuntivite. São olhinhos de quem dorme menos do que devia... está um pouco desfocado mas garanto que aquele sombreado por baixo é olheirite e com vontade descortinam-se também as ruguinhas do cansaço... e é tudo.
(Porque que este post dá a impressão de ter sido escrito por uma gaja...?)


A Parentalidade (como agora se chama) visto pelo lado de um homem...

Ontem li este post e lembrei-me do que senti quando estive nessa situação. Sim, meus amigos, eu gozei 120 dias de licença quando o Gabriel nasceu. Os primeiros 2 meses em conjunto com a Mariana (entre licença por nascimento, 5 dias na altura, atestado de apoio à família e alguns dias de férias lá consegui os dias!) e os dois outros meses como Pai a 100% (isto porque, por razões parvas e que não interessam, a Mariana foi forçada a abdicar...). Confesso que foram os melhores meses da minha vida!! Neste momento sinto-me legitimado a reclamar também para mim aquele elo de ligação forte que é a ligação mãe-filho. Porque eu amamentei o meu filho (biberão é certo) e senti as dificuldades dele na adaptação à tetina de borracha, senti o seu desconsolo quando percebeu que não estava a mamar directamente da fonte, acompanhei a tristeza da Mariana quando saía pela manhã, congelei leite, esterilizei biberons, mudei muitas fraldas, acompanhei muitas cólicas. Mas também adormeci com o meu filho no meu peito, assisti ao seu primeiro sorriso, senti as suas pequenas mãos a descobrirem a minha face, tomei banho com o meu filho, escolhi a sua roupa, passeei com ele nos jardins e nos centros comerciais onde só vi mulheres com os seus filhos. Fiz tudo isto e garanto-vos, se tiver oportunidade, falo-ei outra vez!! Contudo, devo dizer que a melhor maneira de viver estes meses é a dois. Porque muito embora tenha sido muito compensador todo esse tempo que passei com o Gabriel, sentimos sempre muito a falta da Mariana...
Por isso não percebo a relutância (resistência?) de tantos homens em reclamar um direito que lhes assiste. Não percebo a resistência dos patrões em aceitar esse direito e as perseguições feitas (quando pedi os dias, o Director mandou o processo para análise jurídica para confirmar que eu tinha mesmo esse direito!!!), e não aceito que me digam que "é função da mulher"! A mulher deve estar todo esse tempo com o seu filho, mas deve ser concedido ao pai a oportunidade de a substituir sem se sentir perseguido e sem sentir que essa decisão o pode prejudicar. Mas este é assunto para dar um post bem longo.
Assim, percebo a angústia da Naná face ao regresso ao mundo real, do trabalho. É que custa com'ó caraças!!! Coragem!!!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ó pra mim armado em crítico literário...

Como devem ter reparado, mudou a imagem do livro ali, do vosso lado direito. Pois é, lá acabei o "Kafka à beira mar" de Haruki Murakami. O que me chamou a atenção neste livro foi o título. Depois, um autor japonês? Hmmm... como a cultura japonesa é "outra loiça" decidi arriscar. Não estou arrependido! Murakami tem jeito para a coisa e o livro tem muitas referências a livros, músicos e músicas, filmes, pintura, história, filosofia. E depois tem um velhote que não sabe ler mas fala com gatos e faz chover peixes e sanguesugas, um rapaz chamado corvo, um puto com 15 anos que pensa e fala como se tivesse 50, um transexual, fantasmas, soldados japoneses da 2ª Guerra Mundial que não envelheceram, o Johnnie Walker (esse mesmo, "red label) e o velhote que é a imagem do Kentucky Fried Chicken (KFC, o Coronel Sanders) e muito, muito mais!
Para quem gosta de BD japonesa e de filmes como "A Princesa Mononoke" ou a "Viagem de Chiiro". Eu senti que estava a ler o argumento de qualquer um desses filmes! Agora vou experimentar outros livros do sr. Haruki.
Mas por enquanto vou descobrir os podres do Darwin...

Duras negociações...

Face à minha insistência para que o Sr. Criativo volte ao trabalhinho (porque a produção está parada e eu tenho bocas para alimentar), diz ele que "mais vale não escrever nada do que nada de jeito!". Porra...

terça-feira, 19 de maio de 2009

STAND BY...

O Sr. Espírito Criativo, responsável pela manutenção da qualidade dos textos públicados neste espaço, está de greve e ameaça demitir-se. Queixa-se que as condições em que foi contratado se alteraram e quer uma revisão contratual. Sem ele não há "Cheirinho a éter...", quando muito haverá cheirinho a bosta. Adiante... o responsável deste blog esté em negociações com o Sr. Espírito Criativo na esperança de este voltar a executar as suas tarefas ao mesmo nível a que já nos habituou. Assim, este espaço estará em manutenção criativa por tempo indeterminado. Desde já apresentamos as nossas desculpas, voltaremos logo que possível.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Lembrete a mim mesmo nº2

Erradicar palavras tais como paneleiro, maricas, roto, viado e qualquer outra variação das mesmas do meu vocabulário. Algumas pessoas consideram-nas altamente ofensivas. E hoje aprendi uma importante lição acerca das relações entre as pessoas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

À mulher de César não basta sê-lo...

Eh pá, nunca pudemos ser apanhados!! Como dizia um professor meu: "Vocês são umas bestas mentecaptas, é um facto. Contudo, o que conta é o resultado final do exame, mesmo que seja a copiar. Vocês podem até copiar, não é crime, não podem é ser apanhados." Acontece que esta mente genial, conhecida por levar 9 em cada 10 alunos a exame e por ter a mania de se gabar disso mesmo, foi apanhado na curva por um grupo de 4 alunos que lhe sacaram o teste. O fulano andou o resto do ano a matutar como é que raio ninguém tinha chumbado!! E mais, sendo a nota máxima que ele admitia o 14, como é que toda a gente da turma tinha sacado do 16 para cima! Mas isso é outra história...

Enfim, a lição a tirar é: nunca devemos dar parte de fraco! Exemplo: um doente aparece com uma doença que nós até já ouvimos falar, mas não conhecemos bem. Para facilitar digamos que o doente vem com uma hipertensão e coloca a seguinte questão: "Sr. Enfermeiro, o que é que causa a hipertensão?" Há uma frase chavão que é infalível:

- Como deve saber, o corpo humano é muito complexo pelo que essa situação pode ser resultante de uma multiplicidade de factores, pelo que é difícil isolar apenas uma causa.

Depois é fazer um discurso aparentemente estruturado e científico onde constem palavras como "sintomatologia multifactorial", "origem idiopática ou iatrogénica", "evolução insidiosa", "assintomático", "síndroma", "beta-bloqueantes", "anti-hipertensores", etc, etc, etc...

Garanto-vos que, na esmagadora maioria dos casos, as pessoas ficam impressionadíssimas e com a certeza que estão a ser cuidadas por um profissional diferenciado e altamente qualificado. E fala a voz da experiência.

Lembrete a mim mesmo nº1

Observar bem as situações antes de abrir a bocarra.

(Chatice ter um língua mais rápida que o raciocínio...)

Hipoteticamente falando...

Imaginem que chegam ao hospital a contorcerem-se com dores. Imaginem que o médico vos encaminha para a sala de tratamentos para fazerem um soro potente para essas dores. Imaginem que o enfermeiro de serviço se vira para o médico dizendo que acabou o stock desse fármaco.
Imaginem que esta situação hipotética aconteceu com um enfermeiro hipotético, num hipotético hospital de um país que pode, hipotéticamente, existir.

Dr. Jeckyl e Mr. Hyde

Em qualquer um dos meus trabalhos sou colocado em situações em que tenho que assumir a responsabilidade pelo serviço. Num dos lados sou chefe de equipa e no outro substituo o chefe na sua ausência. Tenho, por vezes, alguma dificuldade não em lidar com a autoridade, mas antes a aplicar a autoridade que me é atribuída pelas circunstâncias do serviço. Se no caso do chefe de equipa a autoridade está relacionada com a parte clínica do trabalho e com decisões meramente técnicas, pelo que é fácil explicar aos elementos a razão desta ou daquela decisão, devidamente fundamentados, o mesmo não se aplica quando se é chefe do serviço e as decisões são mais do foro da organização, da burocracia e da gestão própria de qualquer entidade.
No último ano tive de assumir o cargo de enfermeiro-chefe do serviço durante 4 meses. Garanto-vos que foram os 4 meses mais penosos da minha vida profissional! Como disse, o meu problema não é lidar com a autoridade mas sim aplicá-la. Hoje sei que não há nada mais complexo do que gerir recursos humanos e que, por muito que tentemos, é impossível agradar a todos! E, pior, que há pessoas que têm como jogo preferido "vamos lá irritar o chefe"!! Qual a melhor maneira de dirigir uma equipa?
Um colega que tem as mesmas responsabilidades que eu tem uma postura austera, distante, directiva, afirmativa, não pede: manda, pensa sempre no serviço primeiro e no indivíduo depois, a primeira resposta é "não", não dá grande margem de manobra e fica sempre com a última palavra. Eu, por outro lado, tenho uma posição mais democrática, tento decidir em conjunto com a equipa e tento consultá-la sempre que possível, sou mais atento aos problemas pessoais de cada um, tento ser o mais equitativo possível na distribuições das funções e das folgas, tento ter uma mente aberta e ser flexível.
Contudo sinto que esse meu colega tem um muito maior controlo da equipa em situação de conflito. Segundo ele o meu problema é que dou "demasiada confiança", que um chefe deve ser distante da equipa para esta não se "alargar" e que devemos sempre desconfiar das razões que nos são apresentadas, que o serviço está acima dos problemas pessoais e que, em último caso, a explicação para determinada decisão é "porque eu é que mando"!
Pergunto: será melhor ser o bom Dr. Jeckyll ou o malvado Mr. Hyde? Qual deles obterá melhores resultados?
É que não me pagam para me andar a maçar com os meus colegas...