quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Michael Jackson

Agora que passou o frenesim à volta da sua morte sinto que posso, finalmente tentar abordar esse acontecimento.
Começo por dizer que, de todas as homenagens que lhe possam ser feitas a melhor de todas é personificada pelo meu sobrinho de 11 anos. Conheceu o Homem e a sua obra dias depois da sua morte quando me perguntou: "Afinal que era o MJ?". Fui ao YouTube e mostrei-lhe o vídeo de "Thriller". Ficou apaixonado! Hoje conhece as mesmas músicas que eu, estuda as coreografias que tenta reproduzir e tenta copiar algum dos vestuários dele! Cada vez que o vejo mostra-me como aperfeiçoou o "moonwalk" e outros passos, mostra-me vídeos de clips que ele gosta particularmente e pede para comprar os CD's dele. Como ele, muitos dos seus colegas. A febre de MJ atingiu esta geração como nos tinha atingido a nós, nos velhinhos 80's!
E é isto que define MJ: a intemporalidade! Este homem marcou gerações consecutivas. Quem de nós, aqui ou na China pode afirmar que não conhece MJ? Ele foi um artista (o artista?) marcante em vários sectores. Logo à partida na música: "Thriller" é ainda hoje o álbum mais vendido de sempre sendo que o número total de vendas é alvo de controvérsia! Depois é um fenómeno sociológico importante: o primeiro negro com sucesso planetário, o primeiro negro a ser reconhecido por todos, o primeiro negro a dominar o mundo da música. Podemos afirmar que MJ abriu caminho a toda a comunidade negra, com o sucesso que hoje se conhece em vários domínios. Na moda criou um estilo e determinou tendências: no vestuário, nos acessórios, no cabelo, nos tiques e trejeitos.
Claro que nem todo foram rosas, a história é conhecida. As acusações de pedofilia, as dúvidas sobre a paternidade dos seus filhos, a mudança radical de aspecto. Resultado de maus tratos na infância ou da súbita fama e riqueza com vinte e poucos anos, nunca saberemos. Acima de tudo acho que era uma personalidade frágil e extremamente instável.
Digam o que disserem, este homem será sempre uma figura incontornável do século XX. Ele marcou o século XX. E, goste-se ou não, só os génios definem a história.
Michael, ÉS O MAIOR!!

A Vida com Banda Sonora.

Como podem ver pelo bonequinho com ar de panisgas ali, à vossa esquerda (ehhh, direita!), hoje dei mais uma corridinha! Como todos os dias nestas últimas 2 semanas fui ao ginásio. A passadeira onde costumo correr fico mesmo de frente para a recepção do ginásio e foi escolhida precisamente por isso! Permite-me ter uma visão privilegiada do ambiente no ginásio. É assim uma versão trabalhosa do conceito de "esplanadar" da nossa querida Ana C. Mas adiante, como eu corro sempre com o iPod a tocar, posso apenas imaginar os diálogos que se desenrolam entre quem entra ou sai e a recepcionista.
Para entrarem no espírito da coisa, carreguem no "play" do vídeo seguinte e depois recomecem a leitura...


Uma Mulher (M) entra e dirige-se à Recepcionista (R).

M-Bom dia! Venho para fazer ginástica.

R-(com um sorriso nos lábios) Bem precisa... olhe lá bem para si!! Gorda...

M-(devolvendo o sorriso) Ora, não estou assim tão mal... (coloca a mão na anca com ar sensual)

R- Tá bem tá... tire os sapatos e as meias. Vamos aqui para a máquina pesar e ver a morfologia.

...

R- Eh lá!! Isso é que são umas unhas encarquilhadas!! E um cheirinho a chulé que faz favor!!

M- Sabe... é que vim a pé... (sobe para a balança e agarra num pingarelho qualquer que coloca á altura dos ombros) Então, estou muito mal?

R- Nããã!! Para leão marinho está muito bem... ora, temos aqui uma morfologia tipo bola-de-berlim-com-olhos.

M-Ah, ah, ah (gargalha) você é uma brincalhona!

R-Pois, pois... calce lá os ténis que os clientes já estão a desmaiar!

(Caminham ao longo do ginásio, em direcção aos balneários. A nova cliente olha para um rapaz que faz musculação com um olhar sugestivo...)

M-Ai que belos músculos...

R- Tira o cavalinho da chuva ó gorda!! Este é meu ouvistes?? E os outros também. São todos meus...

M- Ora essa! Não posso olhar queres ver?

R- (sorriso tímido) Pronto... olhar podes. Mas não é que eles te liguem, com esse rabo duplo que tens!!

M- Mas é para isso que me estou a inscrever! Quero ficar no ponto!!

R- Só se for no ponto de rebuçado ou caramelo!!! AH, AH, AH!!! (ri-se da própria piada.) Pronto, cá estão os balneários. E vê se lavas os pés e cortas essas unhas que senão isto fica tudo infestado com o cheiro a gorgonzola....

(A mulher entra, a recepcionista retira-se e dirige-se ao rapaz dos músculos rindo)

R- Olha-me esta!!! Acha que vai ficar magra por vir aqui dar umas corridinhas...

(o rapaz sorri sem lhe prestar muita atenção)

E é por isto que eu adoro aquela passadeira.

Qualquer semelhança com um diálogo que tenha realmente acontecido é pura coincidência.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

The Ugly Truth.

Com a chegada da querida sogra, de férias cá em casa, eis que surge a oportunidade de sair de casa sem a cria agarrada à perna! Sim, que isto de ser um casal com filhos sem família por perto tem as suas desvantagens. Mas enfim, uma oportunidade para ir finalmente ver uma invenção dessas mais modernas: o cinema.
E lá fomos. Porque a ocasião assim o pedia, um filmito romântico (pareceu-me que "Sacanas sem Lei" do Tarantino não iria proporcionar grande ambiente...)! Depois de bem acomodados chega um casalinho bem teen completamente in love que ocupa os lugares mesmo ao nosso lado. Ela mesmo no banco juntinho ao meu. O meu sentido de observação apurou-se e, num relance, observei-os. Ela, calça bem justa, top e com montes de acessórios coloridos. Ele, cabelo curto, bem constituído e com um ar vagamente aparvalhado. Beijinhos práqui, abracinhos práli e começa o filme. Eles continuam agarrados, ela de costas para mim com os braços ao pescoço dele. Abstraio-me deles e dedico a minha atenção ao filme. O clássico boy meets girl who hates him but they end up together in the end. A cada insinuação sexual vinda do ecrã eles riam audivelmente e ela (!) provocava-o com frases do tipo "Quando sairmos daqui vamos curtir bué!" ao que ele respondia com um esgar de cachorro que quer brincar: olhos esbugalhados e lingua de fora, a salivar. Não é que tenha visto esta expressão, no escuro da sala, mas imaginei-a claramente tais as insinuações e provocações da miúda!!
Chega o intervalo (esse flagelo que introduziram nos filmes!), os teens dedicam-se agora a verificar os seus sms recebidos. Recomeça a exibição e os lugares ao meu lado "pegam fogo"!! Grandes beijos com língua e mãos afoitas a procurar o tesouro escondido! Ela, puxando-o para si por cima das da divisória dos assentos, ele com as mãos a levantarem-lhe o top até aos ombros e o soutien desapertado! Apercebo-me que ele, finalmente, se decide a avançar, as suas mãos deslizam, decididas pelas costas da companheira e enfiam-se dentro das calças delas. Entretenho-me a pensar como será possível caber alguma coisa mais dentro daquele espaço de ganga quando... EH LÁ!!!! Ó PÁ.... está alguma coisa a tocar-me na perna... tu queres ver?!! As costas da mão do marmanjo esfregam vigorosamente a minha coxa!!! Ele não parecem muito importado com isso, deve ser por estar distraído com a qualidade dos diálogos das personagens! Cruzo a perna e coloco-me junto ao lugar da Mariana dando assim margem de manobra ao rapaz.
Ao fim de algum tempo, cansado, retomo a posição natural de sentado e... PORRA PÁ!! NÃO VÊS QUE ISSO JÁ NÃO É TERRITÓRIO PARA TI PÁ???!! Grito-lhe... mentalmente. Sim, sou um cobarde e passei o resto do filme todo torto.
Ao casalinho apaixonado gostaria de deixar uma mensagem: ARRANJEM UM QUARTO!!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Estimule-se o produto nacional, pá!!

Que somos um país importador já todos sabemos. Que os produtos que importamos nem sempre têm mais qualidade que o produto nacional também é sobejamente conhecido. Mas, já não bastava existir um programa que permite que ouçamos pérolas como "só como cerejas e uvas se a minha empregada lhes tirar os caroços" ou "prefiro fazer batota a perder" da boca de uma miúda estrábica que, em tempos apresentava o programa do Mickey? E não era já suficiente que as lucotoras desse mesmo programa apresentassem as peças com um discurso cuja cadência é muito semelhante á dos miúdos da 4ª classe a ler os primeiros textos? Era mesmo necessário que, no meio de tanto vácuo de conteúdo, aparecesse uma fulana que nem português sabe falar?


Relembro que esta miúda aparece após a trágica morte do seu irmão, em directo num campo de futebol. Enfim...
É assim que querem estimular a economia nacional? É assim que esperam baixar a taxa de desemprego? As miúdas ocas, fúteis, vagamente oligofrénicas e cuja aspiração máxima é serem "famosas" e "aparecer" estão revoltadas com esta situação! Falam inclusivamente em deixar de aparecer nas festas e eventos onde só entra gente "bonita" como forma de luta contra esta discriminação!
O "Cheirinho a éter..." associa-se a este movimento associativo e propõe um slogan: "A GENTE TAMBÉM QUEREMOS APARECER!"

sábado, 5 de setembro de 2009

A Sociologia do Suor.

Sempre achei os ginásios um laboratório sociológico interessantíssimo! Que raio de pessoas pagam para correr e carregar pesos? Coisas que, noutro contexto seriam consideradas trabalho, são encaradas com abnegação e prazer. Pois contra mim falo uma vez que tenho ido todos os dias ao ginásio, desde que estou de férias! Mas, mais do que as razões que levam alguém a martirizar o corpinho com um sorriso nos beiços, o que me fascina são o tipo de pessoas que frequenta os ginásios.
Consigo destacar alguns grupos:
OS ARMÁRIOS: homens, de forma quadrada, sem pescoço, tronco largo e perninhas fininhas. Normalmente carecas e mal encarados começam o treino pela corrida. Ao fim de 5 minutos na passadeira estão a suar em bica e param. Passam a hora seguinte a "dar no ferro". Pegam, com um só braço, em halteres que aparentam pesar o mesmo que eu. A cada movimento um esgar de esforço intenso com um urro "AHHHHHH" ou "UHHHHH" ou "YEAHHHHHH", normalmente dirigido a colega de treino. Nunca treinam sós, calculo que para terem alguém que ateste que levantaram 300 kg com o dedo mínimo. A dinâmica de treino é "os meus peitorais são maiores que os teus". Não são capazes de unir os braços ao tórax e, diga-se, o tamanho dos músculos parece ser inversamente proporcional ao tamanho do pénis. Pelas conversas entre eles, são porteiros de discotecas ranhosas.
MULHER-MÁQUINA: normalmente são pequenas e magras. Não existe ponta de gordura nos seus corpinhos aparentemente frágeis. São as primeiras a chegar ao ginásio e saem sempre à mesma hora. O treino é mecanizado e cronometrado. Correm até os restantes estarem cansados só de ver, abdominais aos milhares, pesos, e corrida outra vez. São rápidas e eficazes. Têm o dom de humilhar os principiantes: cada vez que utilizo uma máquina depois delas tenho que reduzir o peso para metade. Conversam enquanto correm uma maratona, enquanto nós estamos demasiado preocupados em... respirar!
AS CORREDORAS: normalmente bem definidas. Pernas e glúteos torneados, usam calças ou calções de licra justinhos que deixam adivinhar a cueca fio-dental. O top alçado deixa ver o abdómen definido mas não musculado e define os seios. Usam rabo-de-cavalo ou uma fita no cabelo e dedicam-se a correr! E, depois de correr... correm! Passadeira, elíptica, bicicleta e tudo o que seja aérobico é para estas meninas! Distraem-nos do treino nas mais variadas ocasiões como quando treinam os glúteos, por exemplo.
OS VOIYEURS: andam pelo ginásio a topar as meninas do grupo anterior e pouco mais!
OS REFORMADOS: são... reformados. Aparecem logo pela manha com fatos-de-treino arraçados de pijama. Andam na passadeira, trabalham nas máquinas sem pesos, sentam-se nas bicicletas à conversa. Atrasam o treino dos restantes.
OS MÁQUINAS DE GUERRA: são homens aparentemente magros mas que, quando em tronco nu, exibem abdominais de aço, fortes o suficiente para servir de base a um lenhador a partir troncos! São secos, os músculos definidos ao pormenor. Correm até se esquecerem e levantam pesos com a força da mente. Normalmente praticam uma luta com um nome impronunciável como Jiu-Jitsu, Krav-maga, taekwondo. São capazes de matar um homem com as mãos e tento não cruzar o seu caminho nem deixar cair um peso em cima dos seus pés.
E, de uma forma geral, é esta a população de um ginásio! E eu? Bom, eu... eu sou de uma espécie rara que não se enquadra em nenhum destes grupos!!

Rendido!


E, de repente, a Deusa da Cozinha angaria mais um acólito!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Lanzeira

De férias desde domingo. Três semanas que se esperam de pura lanzeira. Não sei se vamos sair ou se permanecemos recolhidos na nossa magnífica propriedade. Entretanto tenho ido ao ginásio pelo que até os dedinhos que agora vos escrevem me doem! Espero escrever qualquer coisa de sublime e extremamente inteligente nos próximos dias... mas não prometo.
E assim acontece.

sábado, 29 de agosto de 2009

Eu gosto é de movimento!!

Não gosto de trabalhos rotineiros! Eu não gosto de trabalhar nas Enfermarias (muito embora o tenha feito nos últimos 2 anos, mas nem sempre podemos escolher onde trabalhamos) porque o trabalho é muito rotineiro. As tarefas repetem-se todos os dias à mesma hora. Numa enfermaria os doentes permanecem durante muito tempo na mesma cama, com a mesma medicação, com o mesmo plano de cuidados. Já sei de antemão que na cama 1 está o Sr. José, na 2 o Manel, na 3 a Maria Albertina. Chego ás 8 e recebo o turno, às 8:30 vou dar medicação e às 9 começam as higienes. Cerca das 11 está tudo lavadinho e é hora de fazer pensos e ver soros e acessos venosos. Ao meio-dia damos a medicação e preparamos os doentes para o almoço. Nós próprios vamos almoçar e, cerca das 14 é tempo de mudar os doentes acamados de posição (mais uma vez!) e preparar a medicação das 15. Depois desta estar despachada, sentamo-nos e escrevemos as ocorrências desse turno no processo clínico dos doentes.
Claro que estas notas de enfermagem são inevitavelmente muito parecidas umas com as outras. Obedecem a uma estrutura mais ou menos rígida e acabam sempre por soar iguais, independente de quem seja o autor do texto. Quando acabo de escrever sinto sempre que falta alguma coisa. Leio e releio e concluo que não, não falta nada, apenas não se passou nada digno de registo. E isto é muito frustrante para alguém que, como eu, gosta de escrever!
Na Urgência porém, não se escreve muito! Para este serviço vou sempre com muita expectativa. Estará complicado? Pergunta estúpida, está sempre!! Em que posto irei ficar? Espero não ficar com as mulheres outra vez. Neste serviço não sei quantos doentes vou ver, quantos vão morrer, quantos vão entrar, quantas reanimações, quantas pequenas cirurgias, quantos enfartes do coração, quantas faltas de ar, quantas macas, quantos velhos, quantos drogados e bêbados. A vida (e a morte) fervilham entre aquelas paredes, o ritmo é sempre frenético, as luzes nunca se apagam, a adrenalina flui sempre, mais depressa ou mais devagar mas sempre. Há um "besouro" que toca nas situações de reanimação. E, por incrível que pareça, há organização dentro daquele caos! Aliás, o caos é a política organizativa do Serviço de Urgência. Esqueçam o ER ou a Anatomia de Grey! Aqui observamos centenas de doentes por cada turno!!
Não sei se isto diz algo acerca de quem eu sou mas, trabalhos rotineiros não, muito obrigado!
Curiosamente, os meus argumentos para gostar mais de Urgência e menos de enfermarias são também válidos para quem prefere a enfermaria à Urgência. Estranho...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Não sejam parvinhas...

Com o número de divorciados a aumentar a cada dia, é comum convivermos diariamente com divorciados e com os seus problemas. A divisão dos bens, a custódia dos filhos a partilha das despesas destes, o cumprimento (não) do pagamento das pensões.
Há contudo um aspecto que é recorrente: o facto de muitas mulheres divorciadas atribuírem a culpa de todas as guerras que mantêm com os "ex" à nova companheira destes. Desculpem mas isso é parvo!! Se ele vos largou por ela, concerteza que não foi sob ameaça de arma de fogo!! Foi uma escolha dele, pela qual ele deve ser responsabilizado. Ao culparem "a outra" estão apenas a desresponsabilizar o homem e a gastarem energias em alguém que não vos diz respeito. Sim, essa mulher estará indirectamente envolvida e será, porventura, parte interessada no processo. Mas frases do tipo "Ele quer tirar-me os miúdos por causa daquela cabra!" é uma estupidez!
Meninas, upa, upa, depois deste pequeno aviso, a guerra continua!!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Evolução do Macho-Alfa.

O homem, o macho, o caçador. Durante Eras foram (fomos) o esteio da sobrevivência da espécie. Lutando contra animais selvagens com pedras, domando e subvertendo bestas ferozes a sua vontade, cavalgando sem sela por paisagens inóspitas durante dias, fazendo a guerra contra os seus inimigos. De corpo feito para a luta, as feridas eram tratadas com mistelas feitas de plantas ou cauterizadas com ferros em brasa. A prova maior da passagem de menino para Homem sempre implicou, na maioria das culturas, uma prova de valor e coragem que envolvia inevitavelmente, sofrimento e dor.
Hoje eles entram na minha sala. Mando-os sentar e aguardar. Preparo o material e avanço.
"O que é que me vai fazer?"
"Colocar um soro..."
"Eh pá... não gosto nada de agulhas..."
Pico a veia seleccionada e observo o esgar de dor estampado nos seus rostos.
"Está tudo bem?", pergunto.
"Não sei... sinto tudo à roda..."
Ficam pálidos e começam a suar. Querem levantar-se. Nesta altura já estão em pânico! Gritam que não vêem nada, ficam cinzentos, perdem a consciência. Se eu estou calmo, as suas mulheres ainda mais. Estranho esse facto. Ao final de alguns minutos recuperam. As suas mulheres fazem o reparo que "não ligue Sr. Enfermeiro, não pode ter uma dor de cabeça que entra logo em pânico."
Os homens, lamento dizê-lo, são uns maricas (sem ofensa para os maricas!) no que toca a agulhas. As mulheres são muito mais resistentes e quase nunca me pregam partidas destas! A sua engenharia corporal, preparada para alargar para o dobro do tamanho, aumentar até 20 ou mais quilos, e expelir um ser com 2,5 kg e 50 cm, alargando em várias vezes o tamanho do útero e da vagina e, tudo isto sem anestesia, torna-as (à maioria, note-se) tão sensíveis a picas de enfermeiro como um tanque de guerra a picadas de insecto!
A minha atenção redobra-se se me deparo com aqueles "armários" de ginásio com músculos insuflados à base de esteróides anabolizantes. Neste caso, o velho ditado "quanto maior o tamanho, maior o tombo" aplica-se na perfeição!!
A Evolução transformou-nos nuns fracotes.

Ah querem guerra...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Especulações. Meras especulações.

Dúvida. Este é um assunto que anda latente na minha mente gráfica e muito imaginativa. Como é que vocês o fazem? Sim, porque são praticamente unânimes em afirmar que não se aproximam a mais de 30 cm da base e isso, no vosso caso, implica uma movimentação e uma logística que me intriga. Afinal, como é que vocês, mulheres, utilizam os WC públicos??
Imagino 3 posições essenciais.
Posição 1: calças nos tornozelos. Joelhos unidos e ligeiramente flectidos como se fossem sentar mas se detivessem a meio-caminho. Calculo que possa ser indicada para um xixi rapidinho mas, se for para sólidos talvez seja cansativo. Nesse caso, partamos para outras posições.
Posição 2: implica tirar as calças e a lingerie. De pernas afastadas e de costas para a parede, vão recuando até terem a sanita em ponto de mira. É higiénico mas deve ser um pouco constrangedor. Além de que esta posição não favorece a dejecção sólida, devido à posição dos músculos abdominais.
Posição 3: partindo da posição 2, coloca-se os pés em cima dos bordos da sanita e flecte-se os joelhos até ao fim. Como se o estivessem a fazer no meio de um campo, vá! Aqui temos uma posição que é confortável, relativamente pouco cansativa e eficaz para o que se pretende. Desvantagem: o equilíbrio é precário e os pontos de apoio estreitos, pelo que podem desequilibrar-se e dar cabo de alguma parte do corpo mais exposta.
E é isto. Mais uma dúvida de um homem que por vezes vagueia pelo imaginário do quotidiano feminino.

Nova Velha Infância.

A minha mulher guardou consigo uma velha cassete de música infantil que ouvia até à exaustão (da cassete e do leitor!!) nos seus verdes anos. Eu, que não conhecia a dita cassete, fiquei absolutamente rendido quando, já adulto a ouvi pela primeira vez. Uma sobrinha, agora com 8 anos, ouvia-a ininterruptamente aqui há uns anos atrás até que a dita cassete se finou tendo, contudo cumprido a sua função. Ao compilar a colecção de "música para criança" do Gabriel essa obra era a referência. Mas não havia já cassete. Procurámos saber se havia alguma edição em CD. Não há. Ao fim de algum trabalho de pesquisa na internet encontrei um ficheiro com esse álbum em particular!! Agora é o nosso CD preferido.
Na minha opinião, esta obra devia figurar em lugar de destaque em todas as FNAC's do país. Pelas letras, principalmente, mas também pela melodia. São músicas cativantes, de letras esplendorosamente bem conseguidas, escritas em bom português, com as palavras certas nos lugares certos. Contam histórias com principio, meio e fim em apenas alguns minutos. Histórias divertidas mas com uma moral, uma lição. Por muito simples que seja. E cria um imaginário rico e que pode servir de base para outros mundos. E, apesar de editada em 1977 (antes do meu nascimento!), continua a cativar os miúdos (e os graúdos, asseguro-vos), como a minha sobrinha e agora o meu filho. O Gabriel gosta muito de ouvir o CD e já tem músicas da sua preferência. Diverte-se a dançar e já tenta reproduzir as letras d'"A Mudança do Macaco Zacarias"!
O autor? José Barata Moura. Filósofo, escritor, cantor. Reitor da Universidade de Lisboa entre 1998 e 2006. "Joana Come a Papa" e "Olha a Bola Manel" são da sua autoria e isso atesta a sua importância no panorama cultural nacional. Quem de nós não conhece estas músicas, e outras, que saíram da sua imaginação? Numa era em que cada vez mais a Língua Portuguesa é maltratada, devíamos ouvir mais vezes as pueris cantorias deste senhor pois ficaríamos mais ricos, vocabularmente falando! A Mariana conheceu-o. Está num Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, numa fase já decadente da sua vida. Não sabemos se morreu entretanto mas a sua obra assegurará a sua longevidade. Pelo menos na minha casa!!
Agora comparem esta imbecilidade,



Com esta melodia simples, uma canção feita com onomatopeias de animais!!

Ou com esta fantástica crítica social, que se aplica ainda hoje e, provavelmente se aplicará sempre!!

Notam as diferenças?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Finalmente levam com os pés!!!


Porque parece que está na moda fotografar pés e colocá-los nas fotos do perfil do blog. Eu não vou tão longe. Prefiro fotografá-los e fazer um texto sobre eles. Um texto inteirinho sobre os meus pés!!
Logo à partida, reparem como o 2º dedo (a contar do grandalhão) é muito maior que os outros! É intrigante. Dá a ideia que tive um parto complicado e que os fórceps agarraram na primeira extremidade que encontraram, sendo essas extremidades os 2º dedos de ambos os pés! Estranho mas dá-lhes um charme especial, não acham? Agora que olho bem para eles, os meus pés são... estranhos. Reparem como os dedos (exceptuando o grandalhão) são desproporcionalmente compridos, quando comparados com o resto do pé. Dá a impressão que o corpo do pé é um tronco grosso e robusto [aliás, como outras partes do meu corpo que não interessa agora descrever, ;)] de onde se projectam um galhos compridos e inestéticos...
Mas, no essencial, são bons pés! São um 42 bem medido, de base larga e estável mas bastante ágeis. Foram fortalecidos por alguns anos de treino de futebol bem aplicado mas nem por isso são uns trambolhos. E, muito importante, todos esses anos de balneários repletos de fungos não foram suficientes para plantar micoses nestas belas sapatas. As unhas são saudáveis muito embora pareça serem tratadas por uma máquina industrial de corte!
Apesar desta aparência rude, os meus pés são muito sensíveis. Sim, sensíveis. E selectivos no revestimento! Não é qualquer tamanco que calça estes cascos, não senhor!! Sapatos novos só da melhor qualidade e com muito critério. Porque são muito atreitos a bolhas, protejo sempre as zonas mais afectadas (o calcanhar e a base do dedo grande) com uma tira de adesivo castanho hospitalar. Assim, o atrito do novo-e-não-ainda-partido sapatinho é aplicado no adesivo poupando a pele frágil dos meus pés! Este é ou não um blog educativo?! De inverno, botas confortáveis, de verão chinelos tipo havaianos. Pelo meio, ténis e sapatos mais leves. Em casa, sempre descalço!! No trabalho, crocs ou ténis.
The last but not least... não cheiram a chulé!!!

Como podem perceber, voltei ao trabalho!

Hoje vi uma reportagem giríssima (pudera, TVI...) onde uns bombeiros de uma cidade qualquer no interior do País se queixavam da falta de kits de abordagem ao doente suspeito de estar infectado com o H1N1. Queixava-se o Comandante da corporação de bombeiros que o Governo ainda não tinha fornecido kits aos bombeiros daquele concelho e que os seus homens tinham de trabalhar apenas com luvas e máscara. Para quem não sabe, o tal kit é composto por LUVAS, MÁSCARA (peraí, onde é que já ouvi isto?) uma bata e uma solução alcoólica (que apareceu depois mais à frente dentro da ambulância!). Portanto, falta a bata.
A seguir, o bombeiro que acompanhou o doente ao hospital queixava-se que tinha corrido demasiados riscos. Enfim, sabia que era "só uma gripe" (palavras dele...) mas que mais valia prevenir, que ouvia muitas coisas na televisão e que tinha dois filhos pequenos. É legítimo. Mas, mesmo assim, apesar de termos um indivíduo suspeito de ter estado em contacto com o vírus, ali está ele calmamente a falar aos microfones de uma estação de televisão, a enviar os seus perdigotos (talvez) infectados para o micro e para as mãos do entrevistador!! Já para não falar que estava no quartel e em serviço, em vez de estar resguardado em sua casa.
Noto aqui duas questões. A primeira prende-se com o aproveitamento de toda esta situação. Por parte do Comandante dos bombeiros que, apesar de ter o material indispensável necessário para trabalhar, brada aos quatro ventos que não responde pela saúde dos seus homens e que o Governo está em falta. Perceba-se que os Bombeiros trabalham com imensas dificuldades de ordem financeiras e que tudo o que vier é lucro. Também há um claro aproveitamento da situação por parte da TVI para um claro jornalismo de sensacionalismo e alarmismo. Este é o exemplo perfeito da abordagem catastrofista que se está a fazer do caso!! É contra isto que me insurjo.
A segunda questão prende-se com a clara falta de informação deste (de todos?) bombeiro. Apesar de saber que "é só uma gripe" o seu inconsciente está borradinho de medo de estar infectado!! Porquê? Por causa da abordagem alarmista da comunicação social de que falei acima e que ele próprio, o bombeiro, está a ajudar a construir. Por outro lado, o facto de estar receoso de estar contaminado não mudou em nada o comportamento desta pessoa!! Nem ele, nem o Comandante, nem os seus colegas, nem o jornalista, ninguém parecia preocupado em activar medidas de contenção sobre uma pessoa que é um potencial infectado! E vem a Ministra falar de "comportamentos anti-sociais"? É preciso alguém afirmar publicamente que vai infectar o resto do mundo para ser considerado "anti-social"? E esta pessoa, que esteve em contacto com alguém com sintomatologia (e, segundo ele próprio, sem os meios de protecção adequados) mas que leva a sua vida normal, sem sequer um período de dois ou três dias de recolhimento, apenas para confirmar que não há sinais ou sintomas de infecção? Que comportamento é este? A que profissionais está entregue o transporte dos casos suspeitos? Qual é a sua real competência?
Como profissional de saúde, como cidadão e, acima de tudo, como pai de uma criança pequena estou preocupado com toda esta situação. O que me revolta é a forma como ela é gerida pelos media e pelo Governo. A criação dos SAG (Serviço de Apoio à Gripe) parece-me uma medida de campanha política em véspera de eleições. Senão vejamos: dizemos às pessoas com gripe para ficarem em casa e depois criamos um serviço específico de atendimento a estes doentes? É ou não um convite? E a pessoa infectada, que sai de casa para ir ao SAG, entra no elevador e carrega no botão e até espirra lá dentro. Ao sair, cruza-se com um vizinho que vai utilizar esse mesmo elevador para subir. Parece-me que há aqui um claro contra senso na abordagem da pandemia. Mas claro!! Há estatísticas para fazer, números que serão utilizados mais tarde para mostrar resultados!!
Mas isto deriva apenas da falta de civismo do Povo. Afinal, os portugueses são incapazes de cumprir simples regras de higiene. E de civismo, já agora! Qualquer coisa que corra mal é culpa do Governo, nunca nossa. E, afinal, se estou doente porque raio hei-de eu ficar em casa? Tenho é que ser visto por um médico o mais rápido possível. E, em tempo de caça ao voto, o Governo faz-nos a vontade.
Eu lido com casos suspeitos todos os dias. O meu "kit de protecção" é um par de luvas, uma máscara e um avental de plástico! Sei que, mais cedo ou mais tarde, serei infectado mas, não se iludam (!!) pois a maioria de vós também o será!! Em Novembro não saberemos quem são os casos da Gripe A e quem são os outros!! Como é que lido com isto? Lavo as mãos de 30 em 30 minutos (mais ou menos, vá!), não levo a roupa do trabalho para casa e, antes de me aproximar da minha mulher e do meu filho tomo um banho bem demorado!! Afinal, bem preciso de relaxar!!

sábado, 22 de agosto de 2009

Boletim Clínico.

O Miguel ainda está a 90%. Espera voltar aos treinos a 100% na próxima semana. Confrontado com esta situação, Miguel disse o seguinte: "I'll be back... na segunda."
Fim do serviço informativo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Entrevadinho...

Dei um jeito às costas a dar banho a uma doente (a velhota ainda pesava uns estupendos 40 kg!) e agora só consigo estar em duas posições: deitado e deitadinho! De maneiras que é melhor voltar para o sofá, que a dor já me apanhou os dedinhos... ai.
Ai.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Como o próprio nome indica: é só uma GRIPE!

Cerca de mil (e qualquer coisa) infectados em Portugal. Esquecem-se de dizer que a maioria desses casos já estão resolvidos e as pessoas retomaram as suas vidas. Zero mortes, um caso de internamento demorado devido a complicações respiratórias.
Em todo o mundo as mortes representam MENOS DE UM 1% do total de doentes! Não é significativo.
O vírus causa menos morbilidade e menos mortalidade do que a Gripe Sazonal, sendo que a única diferença é o contágio mais fácil. Os sintomas de uma e outra gripe são OS MESMOS!
Grupos de risco que DEVEM ser protegidos: grávidas, idosos, crianças, imunodeprimidos (os mesmos de sempre, portanto).
As causas de tanto alarmismo? Políticas e interesses económicos (das farmacêuticas), não tenho dúvidas. Isso e um país parvo com uma comunicação social cada vez mais histérica...
Este circo à volta do H1N1 só dá trabalho, aumenta o tempo de espera nos hospitais e os custos com a saúde. Na prática, a Saúde 24 não dá resposta, os médicos tratam com os fármacos de sempre e mandam os doentes para casa, de onde, de resto estes nunca deviam ter saído.
Os números do Governo não batem com a realidade, são mal apresentados ao público, as estatísticas estão a ser manipuladas.
E no final de tudo É APENAS UMA GRIPE!!!
P***a que pariu esta m*****a...

Morning Glory ou O Dia Começa às 10.

Para mim as manhãs não existem. No sentido em que são prolongamentos da noite. A minha mente teima em estar adormecida.
O ritual do acordar repete-se diariamente. Ás 6h da manhã o despertador começa a debitar a música ou a voz do locutor da rádio em que está sintonizado. Uma porrada no botão "snooze", mudo de posição. Dez minutos depois, o silêncio é novamente interrompido pelo som do rádio-despertador. Este ritual pode demorar entre 10 a 40 minutos. Optei pelo som de uma qualquer estação de rádio porque o "PI-PI-PI-PI" do despertador deixava-me (ainda) mais irritado!!
Depois de me forçar a sair da cama, gesto automático, dirijo-me ao banho e barba e saio. Faço todo o caminho até ao hospital em automático. A minha mente vai vazia de pensamentos. Apenas se abre o suficiente para dirigir o carro na direcção certa. O pequeno-almoço no bar do costume é sagrado. Não consigo começar a trabalhar sem comer. E sem cafézinho, nada feito. Gosto de tomar o pequeno-almoço a sós. Pego no jornal, um qualquer e não importa que seja do dia anterior e leio. Calculo que seja um mecanismo mental de preparação. Algo que a mente faz para se exercitar antes do início do trabalho. Também tem outra função: afastar eventuais "penetras" neste momento que gosto de ter só para mim. Estragam-me o dia se me interromperem o pequeno-almoço! Além disso, a minha língua pura e simplesmente não me obedece a essa hora do dia (cerca das 7:30!). O meu raciocínio pura e simplesmente não existe e as minhas respostas são palavras monossilábicas incompreensíveis. Um fenómeno engraçado que me acontece por vezes, é o facto de as pessoas se dirigirem a mim e eu elaborar a resposta mentalmente e ter a noção que respondi, quando na verdade nenhum som saiu da minha boca. Mais uma vez, a minha língua atraiçoa-me! Ou seja, durante a manhã eu sou um autómato mudo!!
Não retenho absolutamente nada e respondo "sim" a tudo. Desde "Ajudas-me aqui nos banhos?" ou "Queres ser sodomizado na sala de tratamentos?" a resposta é, invariavelmente, "sim". Podem dar-me os recados que quiserem, as indicações que entenderem. Se fugir da rotina, é certinho que não vou reter nada do que me for dito!
Depois das 10h, começo a despertar para a vida. Lentamente, as nuvens que ensombram o meu pensamento começam a desaparecer. Mais um cafézinho e SIGA P'RA BINGO!!!

Voltei mas não.

Ahhhh! Meus olhos ficaram lá!
Minha mente ficou lá!
Minha vontade ficou lá
Ahhhh...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fim-de-Semana especial.

Porque amanhã é o aniversário da Mariana.
Porque no sábado comemoramos o nosso sétimo (!!) ano de vida de casados, estaremos perdidos do mundo real...

Talvez nos encontrem...
Aqui...

ou aqui...

Até para a semana...

Uma mulher invulgar...

O médico pediu-me para administrar uma injecção intramuscular glútea numa doente sua. A sua expressão não enganava: vinha "bomba" a caminho!
Ela era alta, invulgarmente alta. Saiu da sala com um andar bamboleante acentuado pelos seus saltos agulha de 10 cm. Reparei na pequena tatuagem por cima do tornozelo direito. Trazia uma saia um pouco acima do joelho e uma blusa justa que deixava antever o seu busto generoso. Entrou na sala com um sorriso, altiva e com um olhar confiante de que sabia o seu impacto numa sala tão pequena. Mandei-a deitar e baixar ligeiramente a saia, mas ela optou por a levantar até ao início das costas. Não sei se o fez para mostrar as suas pernas compridas e torneadas. Usava uma minúsculas cuecas fio dental, pretas. As nádegas proeminentes e firmes e um bronzeado uniforme eram o culminar perfeito para aquelas pernas. Confesso que senti a mão a tremer quase imperceptivelmente e um aperto no peito antes de passar o algodão embebido em álcool naquela pele sedosa.
Terminei o tratamento. Ela agradeceu, comentou que não tinha sentido dor e saiu. O meu olhar acompanhou-a até transpor a porta de saída. O médico regressou e deu-me a ficha da utente para que pudesse assinar o tratamento. Olhei para o nome e o meu coração parou quando li... Sérgio???

Hoje houve reunião!

Hoje fui a uma reunião. A reunião do peido. Objectivo: definir o peido. Método: analisar o peido.
O Director dá um peido e assim dá início aos trabalhos "Meus senhores, esta reunião tem como objectivo analisar este peido para que possamos melhorar a qualidade do peido no nosso serviço. A administração solicita-nos a nossa máxima dedicação para tornar o nosso peido no peido da excelência!!"
-"Ora, a mim esse peido cheira-me muito bem, Sr. Director. Discreto mas com presença", diz o Engraxador.
-"Sr. Director, parece-me que esse peido não é genuíno da nossa empresa! O Sr. utilizou matérias primas de fora da nossa empresa para fabricar esse peido, nomeadamente no Restaurante D. Amélia, o que coloca todos os empregados desta firma em desvantagem para a manufactura desse tipo de peido!!", o Sindicalista.
- "Tem laivos frutados... comeu morangos ao almoço Sr. Director?" o Enólogo dos peidos.
- "Eu recuso-me a analisar peidos capitalistas!! Esse peido carrega o simbolismo de tudo o que vai mal nesta empresa. A situação da carreira dos funcionários não permite que o Director de peidos dessa qualidade, é a delapidação da moral!!", o Comunista.
-"Quanto é que vai custar a esta empresa a produção de peidos de elevada qualidade?", o Economista.
- "É preciso primeiro chegar à essência do peido. O que é o peido? De onde vem o peido? O que significa o peido? Peidemo-nos e reflictamos sobre isso.", o filósofo.
- "Sinceramente Sr. Director, estou-me a cagar para o peido...", o Revoltado
"Muito bem. Esta foi uma reunião muito produtiva e transmitirei à administração que estamos prontos e motivados para satisfazer as suas expectativas. O nosso peido será o melhor do mercado!"
Detesto reuniões... na verdade são apenas espaços onde se libertam frustrações pessoais. Quem dirige a reunião convoca-a apenas para poder dizer, mais tarde, que todos participaram na decisão e, quem lá está aproveita para despejar os seus recalcamentos pessoais. Discute-se o acessório sobre o essencial, atacam-se os rivais pessoais e quase ninguém está preocupado com os reais problemas. Por isso o tema bem poderia ser "O Peido" que ninguém notaria a mínima diferença. Só vou a reuniões deste tipo quando directamente nomeado e entro mudo e saio calado. E talvez dê um peidinho ou dois!!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

WTF?!?!?!

O Painel do Blogger e o Google Reader "limparam" a minha lista de blogs a seguir...
Meses de árdua pesquisa pelo cano. P**** que pariu.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Bitch!

Na recepção do serviço onde trabalho, Administrativa e Auxiliar vêem chegar um ex-colega de trabalho, acabadinha de parir.
As duas, sorriso meloso e voz exageradamente meiga: "Oláááá! Então já tiveste o menino?"
"Óóóóó... que coisinha mais fofa!"
"E tu estás óptima!"
"Sim, nem parece que tiveste um bebé"
Cá beijinho, a rapariga vira costas.
"Viste como estava gorda?"
"Parecia uma porca, sebosa..."
"Nunca gostei dela... e o bebé?"
"Feio, como a mãe!"

Chiça, que as mulheres são cá uma cabras entre elas...!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Limbo.

Há uns post atrás, na zona de comentários desenvolveu-se uma curta troca de ideias sobre o Limbo. Esse espaço vazio onde pairam as almas que não têm acesso ao Céu. Eu, que sou um agnóstico céptico, andei desde então a matutar nessa questão do que seria o limbo. E hoje vi.
Entrei no quarto para mais uma intervenção de rotina. O doente, paralisado numa das metades do corpo, a outra metade fora do seu controlo. Não consegue falar, muito embora o seu olhar revele o desespero de alguém que tem ainda muito para dizer. Uma sonda sai de uma das suas narinas, uma outra pendia de lado da cama terminando num saco onde se acumula a urna. Uma das mãos presa com uma amarra à cama. Os seus músculos levam a que o braço esteja permanentemente dobrado, impedindo assim que o soro colocado numa veia flua, pelo que é absolutamente necessário que ele esteja esticado. A fralda, como sempre, está suja e precisa de ser mudada. O seu corpo está inchado e a sua carne tem a consistência de plasticina. A minha mão fica marcada na sua perna quando o posiciono, como um molde de gesso.
A sua filha está sentada ao seu lado e limpa apressadamente as lágrimas quando me aproximo. Tem os olhos inchados e as suas mãos tremem ligeiramente, agarrada à mão presa do seu pai. Olha-me com todas as interrogações a faiscar nos seus olhos mas conheço bem a pergunta que não me faz, apesar de ser a que mais quer ver respondida: Quando? Chama-me a atenção para a mão inchada quando esta é apenas o menor dos seus problemas. Tem de dizer algo, sente-se na obrigação de o fazer. O silêncio é demasiado pesado. Também eu o sinto quando entro. Respondo com carimbo aplicado nestas situações: estamos a fazer todos os possíveis. Deveria eu escutar esta mulher? Deveria sentar-me a seu lado e absorver as suas dúvidas? Devia alongar-me nas explicações técnicas? Saio com um "até já".
A filha debruça-se sobre o pai e beija-lhe a face do lado que ele não sente, do seu lado morto. Derrama as suas lágrimas na face do seu pai. Ele chora também, a face inexpressiva parece ser pequena para aqueles olhos suplicantes. Qual a sua súplica? A filha soluça enquanto percorre apressadamente o corredor para a saída. O doente solta um gemido que percebo vir do mais profundo de si. Arrepio-me.
Isto é o limbo na Terra.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Xuning ou Chuning?

Voltando à temática automóvel.
Julgo que ficou evidente qual a minha relação com os carros. Para mim servem o propósito de nos transportar do ponto A para o ponto B. Ponto. Não serei nunca escravo de nenhum carro! Para mim o carro ideal é aquele que apenas precisa que lhe encham o depósito e liguem a chave da ignição para que cumpra o seu propósito. Basicamente, é isso que acontece com o meu velhinho mas eficaz VW PASSAT. Não percebo nada de mecânica e, sinceramente, esse assunto dá-me sono. As conversas sobre óleo, centralinas, velas, baterias, cavalos, cárter, junta da cabeça (?), apoios de motor, pneus, jantes, bujon (adoro esta peça muito embora não saiba onde fica!) sempre me soaram a um qualquer dialecto da língua portuguesa que não sou capaz de descodificar. Como o Mirandês. Gosto de carros, esteticamente falando mas aborrecem-me os pormenores técnicos.
Uma das coisas onde mais me custa gastar dinheiro é nos carros. É dinheiro que choro durante dias antes de o gastar. Só mesmo na última. Porque gastar dinheiro num carro é... gastar dinheiro. Por muito que se gaste naquele bicho com quatro rodas é certo que nunca ele vai valorizar. E, por incrível que pareça, quanto mais peças substituirmos no bólide, menos ele vale. Acho que tem qualquer coisa a ver com fiabilidade... Por isso, gasto apenas o essencial nos meus carros. Travões, pastilhas, pneus, óleo. E fico lixado quando os gajos avariam!! Para terem um exemplo, comprei o meu primeiro carro novo (antes desse tinha tido um velhinho Seat Marbella mas sobre esse escreverei mais tarde...) em 2003. Um espampanante C3 cinza. Poucos meses depois enfiei o para-choques dianteiro nas traseiras de uma carrinha qualquer. O meu para-choques andou amolgado até este ano, quando um anormal do centro de inspecções entendeu que aquela amolgadela tinha de ser reparada!!
Por isso faz-me uma certa confusão o conceito do tunning. Uma cambada de adultos cujo mote de vida é alterarem completamente a aparência do seu carro. E ainda por cima com um gosto duvidoso. Rebaixam o carro, aumentam o tamanho das jantes e diminuem o tamanho do pneu. Até aqui tudo bem, embora ache que um carro cor púrpura choque com luzes vermelho fluorescente a iluminarem as rodas seja um pouco demais. Mas o que mais me intriga são os interiores. Sistemas de som mais potentes que os das discotecas do interior do país, mas luzes capazes de cegar os mais incautos, leitores de DVD, écrans plasma, playstations. O que não deixa espaço para que mais ninguém, para além do condutor, entre no carro. Mas eles queres o carro para se deslocar ou para terem um salão de jogos à porta de casa?? As marcas dos carros "kitados". BMW, Mercedes, Porsche? Não! Corsas, Saxos, Civics, Clios! Esta malta é chalada!! Compram carros em segunda mão por 1500€ e depois gastam 30 mil na restauração??? Parece-me estúpido mas é só a minha opinião.
Depois é toda a cultura que gravita à volta deste mundo. As mulheres em trajes diminutos que parece terem sido resgatadas da estrada de Coina ou da volta do Técnico para abrilhantar os encontros dos tunners e os rapazes com o seu estilo pseudo-cool com os bonés de lado, as camisolas de alças com o fio pesado de um metal brilhante qualquer a terminar num cruxifixo, as calças 4 números acima a deixar ver as cuecas da feira de Carcavelos. Na maioria dos casos a piéce de resistance é a falta de um ou mais dentes. Calculo que com o dinheiro que gastam nas máquinas, não lhes sobra para o dentista.
E de modos que é isto.

O meu tempo é precioso e não gosto de carneiradas.

Vamos a contas: uma semana de trabalho normal tem cerca de 40 horas. Se considerarmos que se sai de casa cerca das 7 e se volta cerca das 19, são 12 horas por dia que se passa longe da família, sendo que o resto do dia é dedicado às rotinas domésticas e estamos muitas vezes demasiado cansados para nos dedicarmos ao chamado "tempo de qualidade". Mas nós, Enfermeiros, como tantos outros profissionais não temos um trabalho em horário "normal". E a esmagadora maioria dos enfermeiros trabalha em regime de "duplo emprego".Tomemos o meu caso como exemplo: entre as duas instituições onde trabalho e o curso de hemodiálise em tenho uma carga horária a rondar as 80 (!) horas de trabalho semanal. É o dobro da maioria das pessoas. Mas não conto só com as horas de trabalho efectivo porque se deve incluir o tempo de deslocamento casa-trabalho. Num dia normal de trabalho saio de casa cerca das 6.30 e regresso perto da 1 da manhã. Ou saio ás 15 e volto no dia seguinte às 9. Excepcionalmente acontece trabalhar 24h consecutivas. Isto equivale a dizer que todo o meu tempo livre é ouro!
Por todas estas razões, que são comuns a milhares de enfermeiros, eu não percebo uma tradição instituída em praticamente todos os serviços em que já passei: os jantares "do serviço". Um jantar em que participa TODA a equipa desse serviço! É uma espécie de obrigação, como se fosse uma extensão da obrigação profissional e cujo o objectivo, tanto quanto julgo entender, é "conviver fora do ambiente do serviço". E eu pergunto: PARA QUÊ??? Eu já passo a esmagadora maioria do meu tempo com estas pessoas, almoço e janto carradas de vezes com eles, bebo cafés e tomo pequenos almoços com eles. Qual é a vantagem?? Alguma espécie de team-building? Não me parece porque a actividade consiste muito simplesmente em beber até cair para o lado. E depois, não gosto de "carneiradas". É certo e sabido que, quando há muita gente estaremos sempre condenados a não conviver com toda a gente e a conversar com quem nos calhar na lotaria da distribuição das cadeiras. Outra regra que não entendo: não é bem visto se levarmos a nossa família. Mas esta gente estará parva?? Então eu já sacrifico mais de 50% do tempo que lhes é devido, passo montes de noites fora de casa, passam-se dias sem que o meu filho me veja e ainda esperam que eu vá a jantarinhos parvos sozinho?! Enfim...
Eu janto com os meus amigos, com aqueles que eu escolho. Depois tenho dificuldade em lidar com tudo o que me seja imposto, fora das minhas estritas obrigações. E o curioso é que até vou aos jantares dos serviços de onde já saí, se me convidarem! Estranho? Nada disso. É que esses antigos colegas raramente os vejo...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Um olho no burro.

A Márcia, do blog "O Nosso Melhor Projecto" (que não linko porque é privado!!) foi muito gentil e ofereceu-me este belo reconhecimento!

Claro que há as habituais regras que já sabem que nunca cumpro! Neste caso vou apenas destacar um blog no qual vale a pena estar de olho:

AS BLOGONOVELAS

Está-se a escrever porno-light (pornochanchada, vá!) e outras histórias de muita qualidade lá!! Visitem!!

Um muito e muito obrigado à Márcia.

A pedido de muitas famílias...


DRAMÁTICO.


GI J.O.E. Style...

Pois que tive de cortar o cabelo porque já estava a tomar o caminho do manjerico. Rapaz ocupado como eu sou, tive de o fazer ontem pois caso contrário só teria tempo para o fazer na próxima semana e já tinha dificuldade em virar-me na cama, devido a tal volume capilar. A minha barbeira de eleição estava de folga e eu entrei na barbeira do lado onde já fui tosquiado uma ou duas vezes.

A senhora estava pálida, olhos encovados e visivelmente lentificada. Ausentou-se a meio do corte e juro que acho que a senhora foi vomitar. Corte para aqui, acerto para ali, mais um bocadinho atrás e um desbaste à frente. Resultado? Pareço um daqueles "marines" norte-americanos que aparecem nos filmes de guerra com um ar muito duro mas muito pouco inteligente!! Mas, com o cabelo molhado, a coisa até parecia bem. Mas o sol de Agosto não demorou a mostrar-me a verdade!! Depois do cabelo seco parece que tenho um animal peludo em cima da tola...
Voltei ao local do crime de assassínio capilar involuntário mas a autora deste horrendo acto já tinha fugido com a desculpa que tinha de ser vista por um médico.

Tem sido um fartote hoje, aqui no serviço...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Coitadinho do meu bólide...

Porque um simples comentário não chegaria para responder a este post. E as imagens ainda valem mais que as palavras!!

O lugar do condutor com alguns talões de gasolina a acompanhar

Uma mensagem amigável no monte de pó do tablier!
Tenho uma camada protectora de pó sobre a pintura! Assim não estrago...


Quando vamos à praia trazemos areia!! Estamos a juntar para a caixa de areia do jardim.



Bom, aqui até tenho medo de meter a mão...


Chocapic pró caminho!


A arrecadação do Miguel...


E isto foi num dia bom porque normalmente andam garrafas de água vazias pelo chão e, por vezes até restos da maçãs ou casca de banana e papéis de embrulhar sandes. Eu como em andamento...
Resta dizer que lavo o meu carro à razão de duas vezes por ano e aqui fica a resposta ao post da Ana C.!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Já?!!

20.000 visitas, JÁ??
Gandas malucos pá... obrigadinho...
chuif... chuif...

Nuvem Negra.

A morte é uma presença mais ou menos constante no quotidiano de um enfermeiro. Mas há enfermeiros cujo score de doentes mortos é mais elevado do que os restantes. Sãos os "nuvens negras". Se o doente estiver à espera da morte, é com esses enfermeiros que ela chega. Eu sou um desses.
O meu destino ficou traçado logo no primeiro ano de curso. Em todos os estágios ficávamos com doentes atribuídos. Doentes que tínhamos de conhecer a fundo: patologia, antecedentes, medicação habitual, medicação no internamento, tratamento, tudo! Logo no meu primeiro estágio tive não um, não dois, mas TRÊS doentes mortos!
Por isso as coisas na minha vida profissional não são muito diferentes. Se um doente estiver "com os pés para a cova" é certo e sabido que irá morrer num dos meus turnos. É como diz o outro: ai morres morres!!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mulheres violentas...

Só porque sim!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Que dEUS vos acompanhe...

Amén!

69

Este blog tem 69 seguidores. É um número muito gráfico... muito sugestivo. Desconcentra. Alguém que entre para o 70. Ou então que saia, para o 68!! Nãããã... entrem lá para o 70!!
Brigadinho.

Sabias que tenho...um blog?

Poucas pessoas que me conhecem pessoalmente sabem que mantenho um blog. Os dedos das duas mãos sobram para amigos que têm conhecimento do "Cheirinho...". E, curiosamente, julgo que nenhum deles é seguidor assíduo (acho que o meu irmão vai lendo...)!!
Como é que se diz a alguém que se é autor de um blog. Que se perde tempo a escrever num espaço virtual para pessoas virtuais e que corremos sérios riscos de ninguém perder o seu tempo a ler o que escrevemos? Devemos ser directos e dizer logo "Tenho um blog!" ou explorar o terreno antes? "Então costumas navegar na Internet? E blogs, segues algum?". Enfim, opto por tentar segurar a minha língua escorregadia e não revelar esta colecção de pérolas mais ou menos esquizofrénicas e que revelam muito de mim. Se, por um lado, gostava imenso de observar as reacções das pessoas enquanto lêem os textos, por outro lado sinto que, ao divulgar o "Cheirinho..." estou a limitar a minha criatividade. Muitos dos textos levam um tom irónico e revelam situações reais, que se passaram com gente real. Gente que pode sentir-se ofendida por algumas das minhas considerações. Porque este é um espaço de sublimação de muitas frustrações, uma espécie de saco de pancada virtual.
Felizmente muita gente visita este consultório. Obrigado a todos. O que me ajuda a manter a minha boca calada. As vossas visitas e os vossos comentários, incentivos e críticas são muito aconchegantes. Vou continuar a manter o real no real e o virtual no virtual. Mas vou continuar a ter alguma dificuldade em revelar este mundo!! "Sabias que eu tenho...haaa... um... blog?"

Hapyness in a blue pill.

Este post da minha colega criativa do Blogonovelas, Melissinha, caiu bem cá dentro. Porque deu corpo a algo com o que me deparo todos os dias, mas ainda não tinha conseguido definir. A procura da felicidade nas coisas e, mais especificamente, a procura da felicidade nos fármacos. Na verdade, as pessoas procuram um comprimido milagroso que lhes resolva todos os problemas. Impressiona-me sempre a quantidade de pessoas, e cada vez mais jovens, que ingere diariamente pelo menos um ansiolítico, antidepressivo, estimulante. Como se aquele amontoado de pó prensado encerrasse em si a resolução dos problemas.

Lembro-me da cena do primeiro filme da série "Matrix" quando Morpheus oferece a Neo dois comprimidos. Um azul, que o manterá ignorante da realidade mas vivendo um sonho simples e relativamente descançado, e um outo vermelho que o acordará para a realidade, para a verdade nua e crua. Quantos de nós escolheriam o comprimido vermelho? Da minha experiência, as pessoas procuram-nos para que lhes forneçamos o comprimido azul. Aquele que vai afastar todos os problemas, que vai resolver todos os conflitos. Procuram a felicidade artificial, plástica, quimicamente induzida porque não querem ou não conseguem encarar o real. É como se quisessem flutuar por cima da vida, passar por ela ao de leve, descendo aqui e ali para umas férias na praia ou uma viagem pela Europa para logo depois voltar a um outro plano. Mas é certo que, mais cedo ou mais tarde, a vida vai atingir-nos na tromba com a força de um comboio em alta velocidade e aí... bom, aí é o fim.
Lamento não conseguir traduzir em palavras tudo o que sinto em relação a este tema. As suas variantes, as suas causas, as suas consequências. Muito simplesmente me entristece quando recebo miúdos com 20 anos que tomam antidepressivos desde os 16.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Post extremamente machista.

O Curso de Hemodiálise está agora sensivelmente a meio. Devo embrulhar esse presente na primeira semana de Outubro.
Perguntam-me se estou a gostar. Sim, estou. É giro por muitas coisas mas cativou-me pelo meu lado mais geek! É que a máquina de diálise (ou melhor e dito de uma forma mais pretenciosa: o monitor de diálise) é uma coisa hi-tech, state of the art, tem-e-faz-tudo-só-lhe-falta-tirar-cafés, com monitor táctil cheio de menus e submenus e sub-submenus, com alarmes diferentes para cada situação e led's de várias cores que acompanham esses alarmes e onde é preciso montar um sistema de tubos de silicone que posteriormente se ligam ao doente. Podemos definir uma série de coisas e carregar em botões virtuais!! Um brinquedo caríssimo, portanto, coisa de que os homens gostam: brinquedos caríssimos e com pouca utilidade (sendo que aqui a utilidade é óbvia!). Tudo seria maravilhoso não fosse um pequeno pormenor: a máquina tem vontade própria e, pior!, uma personalidade retorcida. Lamento constatar que a máquina é uma... GAJA!! Sim, uma gaja chata e controladora!
Começa logo após carregar no botão ON. Inicia uma série de testes e mais testes e, se vamos tentando adiantar trabalho e abrimos a porta para ir montando o sistema... PÁRA TUDO!!! POING, POING, POING, e não se cala enquanto não fechamos a porta e nos afastamos dela! Como uma gaja, é a vontade dela que permanece, os timings dela, nada de adiantar trabalho que os preliminares tem que ser escrupulosamente cumpridos e se não te portas bem não levas nada daqui!!! Quando finalmente se digna a deixar-nos tocar-lhe e iniciamos a montagem dos ditos tubinhos de transporte de sangue, eis que a fulana começa a mostrar um esquemazinho colorido (mesmo à gaja...) da montagem e a descrever os passos da montagem!! EU SEI COMO SE MONTA A MERDA DO SISTEMA!!! Parece aquelas mulheres a dar indicações que ninguém lhe pediu... como no trânsito: devagar! atenção à esquerda! vai devagar! então o pisca?? É que não se aguenta!!! Depois de tudo montado pede-se (sim, pede-se e não manda-se!) à máquina para iniciar o tratamento. PLIM, PLIM, PLIM, PLIM!!!! Não arranca porque há uma portinha minúscula que nem interfere com nada de nada que não está bem fechada!!! Atenção que o problema não é estar aberta, é estar mal fechada!!! Mais um sintoma da personalidade da máquina que me faz lembrar da velha e recorrente situação homem-mulher que ocorre com o tampo da sanita levantado...
Mas o pior defeito é ser controladora. Como uma namorada ciumenta ou uma mulher obcecada, controla tudo o que se passa. Estabelece limites rígidos para tudo desde o tempo de tratamento, temperatura e pressões e só nos dá uma pequena margem de manobra. Qualquer prevaricação da nossa parte é devidamente sancionada com o respectivo alarme. E que alarme!! É alto e incomodativo, como uma mulher a cacarejar e a barafustar connosco só porque queremos ver o jogo ou estar um bocadinho a navegar na internet!! E, mais uma coisa que a equipara ao sexo feminino, é que da mesma forma que deixamos de ouvir as queixas da mulher, também o alarme se torna inaudível ao final de algum tempo!
No meio de tudo isto, há uma coisa que me melindra: como é que há mulheres a trabalhar com esta máquina infernal? É que, já se sabe, gaja controladora com gaja que quer controlar.... FOSGA-SE!!

O que raio são "kudos"?

Sem tempo e sem net. É preciso dizer mais?

Kudos.

domingo, 26 de julho de 2009

Pimpinella






O seu nome é tão exótico como o seu aspecto! A Pimpinella é uma gatinha com cerca de 4 meses em situação de risco. Neste momento está hospedada no nosso lar, numa colaboração com a Associação BIANCA, que já não tem capacidade para a receber. A Pimpinella é muito meiga e sossegada e adora estar em contacto connosco. Estamos à procura de alguém que queira dar um lar definitivo a esta gatinha. Por isso, cat lovers que visitem este estaminé: toca a trabalhar!!!
Podem entrar em contacto comigo através da zona de comentários ou escrevendo para o mail cheirinhoaeter@gmail.com.
A Pimpi agradece!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

De fora de mim.

Dói-me a cabeça hoje. Não. Não é dor. É antes uma tensão, um aperto que começa nos olhos e se dirige para trás, concentrando-se na base do meu crânio. Não sei porque estou assim. Talvez seja a minha mente a tentar escapar. Hoje senti-me fora de mim, a flutuar ao meu lado observando-me e ao meu ambiente. Observei-me a assistir ao episódio degradante de ver alguém bem colocado na vida e na profissão a bajular um outro alguém mais importante que ele. Observei o esgar de nojo que isso colocou na minha face. Observei-me a caminhar pelos corredores, alheio ao sofrimento dos outros, mecânico nas minhas acções. Observei-me a ignorar as conversas dos meus colegas, a não prestar atenção ao que me era dito. Observei-me a preencher dados sem os interpretar, a escrever notas clínicas sem as reflectir. Observei-me a impacientar-me com as dúvidas dos doentes, a despachá-los cortês mas friamente. Observei-me a almoçar sem apetite e a observar as pessoas da sala e a odiar alguns deles. Observei-me a cuidar dos acamados em silêncio, a virar e esfregar os seus corpos inertes. Observei-me a disparatar com as auxiliares. Observei-me a desfardar-me e a sair.
O sol obrigou-me a fechar os olhos, respirei o ar quente e voltei para mim pensando "Não pertenço aqui."

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Quando eu era pequenino...

Por causa deste post, andei todo o dia com esta música na cabeça!!



Saudades...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

5 segundos.

A minha relação com o éter vai muito mais além do simples facto de dar nome a este blog. Na verdade, o éter tem hoje muito pouca aplicabilidade para além de ser óptimo para remover da pele os restos de adesivo dos pensos prolongados. Actualmente o éter é mais um ícone e está para os hospitais como o Michael Jackson está para a música: não se pensa num sem pensar no outro! Foram anos e anos de utilização do éter nos vários procedimentos hospitalares que colocaram o éter no imaginário colectivo e que o definiram como "o" cheiro a hospital. Ainda hoje, quando chego a casa depois de muitas horas enfiado em hospitais, a Mariana me diz que cheiro a éter (e assim nasce o nome deste blog!) quando é rara a vez que me aproximo de tal substância! De qualquer forma, a minha experiência com o éter vai além de tudo isso.

Antes deste blog nascer (foi no dia 20 de Novembro do ano da Graça de 2008) passei 5 longos meses em casa após uma cirurgia que deveria ter tido um pós-operatório de cerca de 15 dias! Já na minha terra se diz que em casa de ferreiro... Fui operado a um Sinus Pilonidal (google it!) que me deixou com um buraco do tamanho de uma bola de golfe no sulco inter-nadegueiro (um buraco um pouco acima de um outro buraco, este anatómico) e que me obrigava a ir fazer pensos quase todos os dias. Equivale a dizer que quase todos os meus/minhas colegas já me viram o rabo! Ao final de alguns dias de tratamento, a cola do adesivo começou a acumular-se na minha pele e obrigou à intervenção divinal do éter. Cada passagem da compressa húmida em éter era um agradável arrepio frio que começava na base da coluna até ao pescoço! Rapidamente, o momento em que ia fazer o penso se tornou o momento mais aguardado do meu dia.
Num destes momentos já ritualizados pelo tempo, em que um sorriso idiota se apoderava da minha face ao sentir aquele friozinho na espinha, algo correu terrivelmente mal. Uma colega, excessivamente zelosa (ou seriamente impressionada pela firmeza dos meus grandes glúteos) doseou mal a quantidade de éter na compressa. Ensopou-a e, ao passar a dita nas minhas costas, eis que sinto o líquido frio a escorrer. Acumulando-se no sulco entre as nádegas firmes, seguiu o seu caminho natural. O arrepio que me percorreu então foi tudo, menos frio e revigorante. O meu anus entrou em convulsões e uma onda de calor e frio percorreu todo o meu corpo. As minhas costas arquearam-se e os meus braços fixaram-se nas laterais da maca onde estava deitado!! A face contorceu-se para conter aquilo que soaria, com certeza, a um animal selvagem a copular. Suava, o olhar desfocou-se primeiro e enegreceu depois. As minhas pernas pareciam ter vida própria e uma chama intensa percorreu as minhas entranhas. O éter estava DENTRO de mim. Soprei repetidamente como se estivesse prestes a parir, na esperança de ser capaz de expulsar a chama. Não, ela não cedeu! Percorreu o meu corpo do interior para fora, queimando tudo no seu caminho de fuga e dissipando-se no ar. O líquido atingiu depois o períneo e a base dos testículos e acredito ter sentido o mesmo nível de dor que um toiro, ao ser capado sem anestésico.
Passaram cerca de 5 segundos. Os mais intensos da minha vida. No final estava suado, tremendo descontroladamente. As pernas não me obedeceram imediatamente após me ter levantado e julgo ter perdido parcialmente a memória do que se passou antes dessa experiência limite. A minha colega ria que nem uma louca.

Porque não me lembrei disso antes???

Ontem, numa festa de aniversário a anfitriã apresenta-me a uma amiga, leitora de vários blogs e diz-me:
-Esta minha amiga já foi ver o teu blog!
Eu:Espero que tenhas gostado!!
Amiga: Sim, é muito giro!!
Nisto, uma outra amiga chega e é informada pela outra:
-Este é que é o autor do blog que eu te falei, é cunhado da RM! Como o mundo é pequeno.
Amiga nº2: AH, sim!! O "Tintura de Iodo"!
Eu: (Risos) Não!! Por acaso não se chama "Tintura de Iodo" mas devo dizer-te que o nome é GENIAL!! Fantástico mesmo!
Amiga nº2: Ah, como és enfermeiro meti na cabeça que se chamava assim...

Como é que eu deixei passar esse nome? Podia chamar-lhe montes de coisas, relacionadas com enfermeiros tais como:
-Litros de Betadine
-Pús Malcheiroso
-Picadas de Enfermeiro
-A minha seringa é maior que a tua
-Baixe (ligeiramente) as calças
-O Vaselinado
-Soro em barda
Etc, etc, etc... mas nunca, NUNCA!! "Tintura de Iodo". Questiono-me se deva mudar.... É que "Cheirinho a éter..." é um bocadinho panisgas.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Do Mar da Arrifana chegou este mimo!





Obrigado Naná!!






segunda-feira, 20 de julho de 2009

Só com convite.

Visito muito regularmente o site que faz a estatística deste humilde blog. A minha secção favorita desse site é aquela que referencia a proveniência de quem me visita. É assim que descubro quem são os meus seguidores inveterados e aqueles que vão aparecendo. Aqueles que são novos na lista são aqueles que vou visitar em primeiro lugar e já descobri blogs bem catitas! Mas há malta que chega através de blogs privados. Ou seja, blogs de gente que gosta de ler o meu blog ou que, pelo menos o "linkou" na sua página. E eu sou muito curioso malta. Convidem-me lá... vocês sabem de quem eu estou a falar!

Sem tirar...

Hoje ouvi uma expressão que já há muito não ouvia. Uma expressão que sempre me fez reflectir e que nunca fui capaz de bem compreender. Também nunca questionei ninguém acerca do seu real significado. "Dou duas sem tirar fora." é esta a expressão, associada ao auto-elogio da forte, longa e dura performance sexual do homem em questão. E isto causa-me uma dúvida essencial: como se quantificam essas duas? Qual é o critério para se dizer que se deu duas?
Primeira abordagem, do lado masculino: "dei duas sem tirar" significando que conseguiu ter uma primeira ejaculação, não perdeu a erecção e teve ainda arte e engenho para conseguir uma segunda ejaculação. Custa-me a crer. O pénis está programado para relaxar após a ejaculação, o sangue abandona os corpos cavernosos que, quando cheios conferem a dureza típica do pénis erecto, e vai irrigar outros órgãos que precisam mais dele. Mas custa-me essencialmente a crer porque eu não sou capaz de semelhante proeza!! E isso mexe com o meu orgulho masculino. E, a julgar pela quantidade de super-homens sexuais que apregoam as suas façanhas no domínio de técnicas para dar prazer ao sexo feminino (o vulgar "parti-a toda!!"), temo estar afastado de algum segredo do domínio masculino. Quando muito, eu fico todo partido...
Segunda abordagem, do ponto de vista da mulher: "dei duas sem tirar" significando que conseguiu oferecer à sua parceira o gozo de dois orgasmos sem que ele tenha ejaculado entretanto. Possível, mas mesmo assim difícil. Não sou mulher mas sei que o orgasmo "para elas" é muito mais elaborado e difícil de conseguir do que para eles. Ora porque é muito rápido, ora porque é devagar, um pouco mais para cima, um bocadinho mais para baixo, mais para a direita mas não tanto. Implica uma série de rituais pré-acasalamento que nem sempre o homem está disposto a seguir. Considerando que estes homens não me parecem o tipo de "jantar romântico com conversa interessante e preliminares durante uma horita", sendo mais o tipo "vira para cá a franga", é-me difícil de imaginar que alguma mulher tenha pelo menos um, quanto mais dois orgasmos. Sendo que os fingidos não contam.
E pronto, é isto que tenho para partilhar com todos vós. Mais uma reflexão de extrema importância que julgo ser maltratada pela comunidade pensadora e científica deste país.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Vazio.

Eu quero escrever. Juro! Estou a olhar fixamente para o teclado mas a minha mente só visualiza a minha caminha. E ainda falta tanto para o final deste turno...

Sem tempo.

Hoje não há tempo, não há vontade, não há texto. Hoje fiquei sem Internet e sem frigorífico. Entre horas de chamadas para as assistências técnicas, perdi o tempo que estava reservado para fins mais agradáveis. Perdi uma "meia-folga" entre fios do telefone, do computador, do frigorífico. Vim para o trabalho, o tempo parece fugir-me aqui também. Tenho o turno todo lixado. Uma velha grita, o velho do quarto ao lado quer sair da cama para a acudir. Passo o meu tempo entre estes dois e a outra que toca a cada meia hora porque o pé está fora do sítio. Tenho veias para picar, soros para perfundir, fraldas para mudar, comprimidos para dar a engolir, as pastas para escrever. Tenho um doente a morrer. Hoje não houve tempo para um texto como deve ser.
ADENDA às 17.30: o doente morreu mesmo...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Enfermeiro-Nazi

Sou um tipo (demasiado?) simpático. Normalmente não me irrito e tento ser agradável. Mas hoje fui invadido pelo espírito do Reich. O meu lado lunar revelou-se.
Impliquei com a Auxiliar do serviço logo quando cheguei, respondeu-me e, arrogantemente, terminei com a discussão. Os doentes estavam a entrar-me nos nervos e só por ser um bom profissional não disparatei com eles também. Os colegas levaram o mesmo tratamento durante a passagem do turno e deixaram-me curtir a minha "neura".
A coisa passou depressa pois não consigo estar mal-humorado por muito tempo mas, quando me salta a tampa consigo ser uma besta.
PS: a auxiliar "meteu as patas" e depois ultrapassou os limites da boa educação. Admito que tenha ficado surpresa porque normalmente sou mais "suave" mas tive que a colocar no seu lugar. Não estou arrependido.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Hoje sinto-me...

assim.

(Reconhecem o baterista? Dave Grohl rules!!! Fantástico.)