quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fétiche.

Música. De uma forma geral, toda a gente gosta de música. Clássica ou moderna, pop, rock, jazz, soul, hip-hop, popular, pimba, fado, enfim, o que seja. Depois há aqueles que são conquistados pelas letras da canção e ou outros, cujo principal interesse reside na melodia.
Eu pertenço ao segundo grupo. O que me conquista, o que me chama a atenção numa canção é a parte melódica. Os riffs de guitarra, o ritmo do baixo, a percussão da bateria, a voz do cantor. Para ser conquistado por uma canção, ela tem que me envolver. Como, na maior parte das vezes, ouço música no carro, a canção tem que preencher todo aquele pequeno espaço, o baixo tem de se fazer sentir no meu peito, a guitarra tem de me fazer mover o dedo como se fosse eu próprio o guitarrista responsável por aqueles acordes. A bateria tem de ter o condão de mover o meu pá ao som da sua batida (o esquerdo porque o direito está no acelerador e não daria bom resultado!!). Nunca me importo com a letra de início. Trata-se de sentir a música em vez de a ouvir... Claro que depois, quando descodifico a letra, chego à conclusão que nem sempre as palavras fazem jus às emoções!
Depois, alguns pormenores fascinam-se. Um piano dissonante no meio da canção, uma batida descompassada, um solo de baixo, uma palavra dita fora do tempo, um grito, um "yeah" berrado ao microfone. Pequenos pormenores que, estando fora do contexto, enriquecem a canção. Por tudo isto eu tendo a preferir os álbuns live. Dos meus grupos favoritos, grupo em que pontificam os ENORMES Radiohead (vénia), os melancólicos Cure e os electrizantes Pixies (aplausos, aplausos) já só ouço as suas versões "ao vivo". Porque as suas canções são re-inventadas, onde havia um solo de piano aparece agora uma guitarra, o tom do cantor está acima ou abaixo da versão original, a letra nem sempre é a mesma e a energia anda à solta! Não há edição, percebe-se as pequenas imperfeições, os erros, os atrasos, a letra que se esqueceu. E são estes "imperfeições" que constroem os mitos!!
Por outro lado, aparecem por vezes canções de grupos mais ou menos conhecidos dentro da minha esfera de gosto musical que me conquistam à primeira audição! Não sendo potenciais clássicos, são músicas que me fazem sempre subir o volume do autorrádio ou do iPod. São as músicas-do-momento, fétiches musicais momentaneos que duram algum tempo para depois fartar, arrumar e substituir. Assim, a minha canção-fétiche do momento! Espero que gostem...


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sim, pois claro...


Prendinha do colega Tabanika. A razão pela qual eu não gosto da palavra anglosaxónica "nurse" é que não tem correspondência no masculino, em português... e isso é um bocado panisgas!!
Obrigadinho ó colega!!
;)

Erros.

O erro. Todos os profissionais erram mas poucos serão os profissionais cujo erro pode decidir entre a vida e a morte de terceiros. Os médicos (numa primeira análise) e os enfermeiros (quer queiramos quer não!) são dois desses grupos. E há dois factores essenciais que potenciam o erro médico: a inexperiência e o excesso de trabalho! Eu já passei pelos dois e já vi outros passarem pelo mesmo.
A primeira vez que realmente errei, colocando em risco a vida do paciente, era ainda um estagiário do último ano. Depois de administrar insulina a um doente apercebi-me que tinha picado o doente errado. A insulina em doentes com níveis de açúcar normais no sangue vai baixar esses mesmos níveis a níveis potencialmente fatais. Recorri à enfermeira responsável pelo meu estágio e expliquei-lhe o que estava a acontecer. Ela, experiente, ajudou-me a monitoirizar o doente a manter os níveis de glicémia em valores normais. O único prejudicado foi o doente que foi picado nos dedos a cada hora, durante toda a noite!!! Esta foi uma valiosa lição para mim e hoje não administro nada sem me certificar que tenho o medicamento certo e o doente certo! Este foi um erro causado pela desatenção e pela inexperiência.
O segundo erro marcante ocorreu na Urgência de um grande hospital da zona de Lisboa, com uma afluência desumana, era eu já um enfermeiro certo das minhas competências e já com alguma experiência. Ao tratar de uma doente, estando munido de todo o material para colocar um soro numa veia e com todas as seringas cheias com os fármacos prescritos, coloquei o soro endovenoso em curso e comecei a injectar todos os fármacos prescritos. incluindo um que tem indicação para ser dado APENAS por injecção intramuscular (na nádega) e NUNCA endovenoso... Assim que terminei de injectar o fármaco, o meu erro atingiu-me na barriga como se fosse um murro! Naquela altura só havia uma coisa a fazer: vigiar a doente e estar preparado para o pior. Felizmente a doente não se ressentiu e tudo correu pelo melhor. Neste caso o erro foi potenciado pela pressa e pelo escesso de trabalho com que somos confrontados. Depois disto já tive vários sustos mas nada de grave!!
O mesmo já me aconteceu com médicos. Um que prescreveu um fármaco anti-convulsivo numa dose DEZ VEZES superior ao indicado que, se fosse administrado seria a morte do doente! Inexperiência. No outro, um experiente e competente médico prescreveu um fármaco cardíaco numa dose três vezes superior ao indicado, o que significaria também a morte do paciente. Aqui, excesso de trabalho. Em ambos os casos, os médicos ficaram gratos pela minha atenção.
Obviamente que somos humanos e podemos errar mas, no nosso caso, a tolerância com o erro é nula. Nem poderia ser de outra forma. Estes casos que descrevi serviram para que eu aprendesse a evitar esses erros mas o que me preocupa são os erros não detectados. Porque morrem doentes em circunstÂncias estranhas, principalmente em Urgência e nem sempre (quase nunca) quem erra partilha essa experiência com os restantes. O erro médico é a "besta" que ninguém quer encarar ou admitir, o "tabu" que não interessa ser desvendado, uma "área cinzenta" onde ninguém sabe bem quem é ou foi responsável. E (aos futuros enfermeiros que seguem este blog, prestem atenção) quando um médico cai, nunca o faz sozinho! Arrasta consigo alguns outros profissionais, quase sempre enfermeiros. Chama-se "erro médico" mas não é certamente só aplicado aos médicos.

sábado, 24 de outubro de 2009

There...

Que banda... que... banda!!



Simplesmente os melhores.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Por ali e por além...

Sobre viagens. Gosto de viajar. Melhor, gosto de conhecer novos sítios, porque a viagem propriamente dita, a deslocação do ponto A para o ponto B entedia-me. E, por isso, não gosto de longas viagens de carro! Para fora do país sempre de avião, se possível, mas o que eu gostava mesmo era de um sistema de teletransporte como aquele do "Star Trek"!! Num segundo em Lisboa e no seguinte em Tóquio!!
Desafia-me a Ana C. a descrever as três viagens mais marcantes. Ao contrário dela, isso não é uma tarefa difícil porque viajo muito menos do que gostaria! Assim:
Cólonia, Alemanha: é marcante porque foi a primeira vez que viajei de avião e porque foi nessa viagem que eu e a Mariana decidimos casar!! É suficiente para relembrar não?
Bósnia e Herzegovina: estive lá durante uns meses numa missão humanitária. É marcante por vária razões. É impressionante ver que as marcas da guerra se mantêm 10 anos depois do seu fim. E não me refiro à destruição física mas sim às marcas psicológicas que se perpetuam, aos sentimentos de ódio entre etnias. Uma tradutora de etnia bósnio-croata dizia-me: "Como posso algum dia perdoar aos muçulmanos se eu vi o meu pai, primos e tios serem executados por eles?". E vários relatos semelhantes se ouvem também dos muçulmanos. Foi bom trabalhar com os locais e também com outros enfermeiros alemães, franceses e norte-americanos. O país, apesar de arrasado é lindíssimo e tem imenso potencial.
Paris: tenho uma ligação grande com esta cidade. Cresci a ouvir relatos acerca dela por parte dos meus primos "franceses" pelo que, ao chegar lá senti-me estranhamente integrado! Foi a primeira viagem com o Gabriel, a cidade é lindíssima. Vamos voltar!!
Quanto a viagens a fazer?? Bom, esta é fácil!! Todas as capitais europeias pois gosto muito de passear por cidades, EUA e NY como toda a gente e depois os paraísos turísticos mostrados pela "Volta ao Mundo"!!!
Coisa pouca, portanto!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

10 m2

"Aguarde aqui.". A sala era pequena e fria. Uma pequena mesa com revistas antigas. Dois cadeirões de veludo verdes. As paredes brancas, despidas, com manchas amareladas de humidades antigas e entranhadas. O lambrim de 1,20 m estava gasto, partido em alguns lugares revelando o cimento despido e bolorento. O rodapé revelava buracos irregulares na madeira corroída pelas térmitas, túneis de acesso ao submundo dos ratos e insectos.
Sentou-se a medo. Sentiu as molas do sofá quando se sentou e ouviu-as ranger, cedendo ao seu peso. Pegou numa revista e viu uma foto do Goucha ainda com bigode e com um aspecto sóbrio. Estava à espera de uma reunião importante com o Director da empresa onde trabalhava. Sentia um tremor constante no corpo que o obrigava a constantemente mudar de posição. Sacou do telemóvel e pesquisou em todos os itens do menu até se cansar. Passaram 5 minutos. Levantou-se e percorreu a sala em todo o seu comprimento. Olhou pela janela. Estava num rés-do-chão que dava para as traseiras do prédio. Contentores do lixo, móveis velhos e partidos, um gato. Ensaiou o discurso que convenceria o Director a promovê-lo. Era essencial que assim fosse. Precisava do dinheiro. A casa, os miúdos, os carros. Passou as mãos pelo beiral do lambrim. Pó seco e antigo entrou-lhe pelo nariz. Detestava pó, estava agora com dor de cabeça. A porta de entrada, fechada, tinha um vidro fusco que apenas lhe permitia ver vultos. Sobressaltava-se quando ouvia passos no enorme corredor vazio lá fora e decepcionava-se quando o vulto passava, apressado pela porta, sem se deter. Passaram 20 minutos.
O relógio parecia zombar da sua impaciência. O grande ponteiro dos segundos, sempre irrequieto no horário de trabalho curto para as tarefas a desempenhar, estava agora apático, sonolento. Arrependeu-se de ter deixado a "Visão" daquela semana no carro. Poderia lá ir buscá-la mas tinha sido avisado da falta de tempo do Sr. Director, da sua intolerância aos atrasos. Não queria arriscar ser chamado durante aqueles minutos de ausência. Ficou. Fixou as formas retorcidas da base da mesinha, em ferro forjado. Desenhou-as com a mente e confirmou em seguida o seu sucesso. As mancha de humidade na parede eram agora manchas de Rorschach. Viu um lobo, um punhal, uma bala, uma caveira. Passaram 2 horas.
Ouvia o seu coração ribombar, os dentes a ranger, a respiração a acelerar, os pêlos a eriçar, os ratos a correr nas paredes, os insectos a roer a madeira. As manchas de humidade cresceram. Um punhal, uma bala, uma caveira. Cocou a cabeça despenteando os cabelos. O discurso ensaiado estava confuso, palavras soltas, vagas, incoerentes. A mente vazia. Passaram 5 horas.
Um vulto trespassou o vidro frio da porta "Acompanhe-me". As pernas torpes, dormentes, bambas. Cambaleou, seguiu e endireitou-se. O coração disparou. Entrou no gabinete. "Não tenho muito tempo, seja breve." Engoliu em seco, a voz secou. "Desembuche homem!", a língua gelou. "Se não tem nada a dizer, homem, saia." Não saiu. "Está parvo? Quer ser despedido?!??!!" Não respondeu.
Um punhal, uma bala, uma caveira.

Papéis

Papeis. Na vida desempenhamos vários papeis. Em casa marido e pai. No trabalho, enfermeiro, chefe ou chefe de equipa. Papéis onde se espera que tenhamos uma determinada actuação, uma determinada postura. Num teatro não há mistura de papéis. Não se agarra num novo papel antes que o anterior esteja terminado, não se trocam roupas e adereços entre duas personagens. Mas na vida todos estes papéis estão ligados, contidos no mesmo invólucro, são várias faces da mesma personagem.
É como se todos fossemos uma espécie de Jeckyll e Hide com múltiplas personalidades, e procuramos a todo custo harmonizar todos os nossos pequenos egos. Mas não é possível essa harmonia quando há dois ou mais papéis em constante conflito, em constante competição pela nossa atenção. Não é possível desempenhar todos os papéis que nos foram sendo atribuídos com a mesmo sucesso e o mesmo empenho. Ou será?
Eu, pelo menos, não sou.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mau Karma.

Hoje foi um daqueles dias neuróticos. Impliquei, chateei, zanguei, berrei e encafuei-me no gabinete porque já estava farto de ouvir toda a gente! Hoje todos os pequenos confrontos foram éplicos conflitos, todas as pequenas questões foram grandes problemas, os pequenos esquecimentos grandes falhas e incompetências. Hoje não houve espaço para rir nem para brincar, nem para pregar partidas. Hoje estive impossível de aturar e sem pachorra para aturar ninguém.
Hoje foi um dia de neura, daqueles que raramente acontecem, mas o que me intriga mesmo é que não consigo atribuir um motivo, uma razão para este estado de espírito. Tudo bem que entalei um dedo logo que cheguei ao serviço mas, não é suficiente. Mas sei que foi algo (ou alguém?) que me encheu de energia negativa hoje.
Amanhã é outro dia...

Fantástico!

Hoje, 19 de Outubro de 2009, recorde absoluto de visitas a este blog: 253! Desde o início, cerca de 32000 visitas! Significa muito para mim, obrigado a todos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PORRADA!! ANDA TUDO À PORRADA NAS URGÊNCIAS!!!
Vou só ali afiambrar uns sopapos nos anormais que agrediram o Segurança e volto já...

Pingo Doce, venha cá!!

Adoro o novo anuncio do Pingo-Doce!! É fantástico e está lá tudo! O jingle que começa como um fado, apelando ao sentimento português, as paisagens facilmente conotadas com o país, as gentes "típicas" e um toque muito americanizado que é o da Bandeira Portuguesa desfraldada ao vento. Depois, a transformação da música numa coisa pseudo-pop que se entranha na mente dos ouvintes e imagens de belas funcionárias do supermercado, sempre com um sorriso nos lábios e clientes que sorriem, cantam e até se lhes antevê a vontade de dançar, enquanto escolhem as suas compras e pagam!
E a letra da música é impagável! Podia ser mais pirosa? Não! Mas fica no ouvido? Fica! Adoro o pormenor do gesto que os "clientes" fazem com a mãozinha, quando convidam o resto de nós a irem divertir-se escolhendo azeite, massas e cubos de caldos para cozinhar! E eu adoro esta publicidade por tudo isto! É popularucha, muito pirosa, e excessivamente teatralizada, que é, mas crava-se como uma lapa no nosso cérebro! Toda a gente diz mal (até criaram um grupo no facebook) mas a má publicidade também é publicidade. É mais um daqueles casos que é tão mau, mas tão mau que acaba por ser bom!!
E se ainda não estão fartos...

Quem fala assim não é (Sara)gago!

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana."

Para quem, como eu, ficou fã do Saramago através do "Evangelho Segundo Jesus Cristo" (que grande chapada no Vaticano!) este "Caim" vai ser um petisco!

domingo, 18 de outubro de 2009

The night is so pretty and so young...

No início da minha adolescência, em plena ebulição musical e na procura do meu estilo e do meu gosto, o meu pai instalou uma antena parabólica (lembram-se?) lá em casa. O meu canal preferido foi, obviamente a MTV Europa! Era também a era do VHS (que post mais revivalista!) onde eu gravava os vídeos das minhas músicas preferidas. No meio de grupos como os Nirvana, Pearl Jam, Metallica, Cure, Pixies, The Breeders, Frank Black e de um vídeo de uma música cujo vocalista berrava no refrão "Burn the bridges, smash their heads!" e que envolvia um anão disfarçado de Satanás (não perguntem...) gravei, porque me ausentei por uns minutos do quarto, um videoclip que rodava até à náusea na altura!! O grupo não me dizia nada, não estava na minha esfera musical mas a música lá passava, no meio das outras, enquanto eu estudava. E deve ter ficado bem gravado na minha mente pois quando numa conversa, uma amiga refere esse grupo musical como um dos seus favoritos, eu comecei a cantar o refrão dessa música sem falhar uma linha!!
Eu sou um fã acidental dos Roxette! A música?


E, desde esse dia que esta música assalta a minha mente nas mais variadas situações e dou por mim a assobiar a melodia enquanto espero pelo elevador...

sábado, 17 de outubro de 2009

Mas quem é que não gosta da Britney?!?

Bom fim-de-semana...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Colchão Vazio.

"Não era suposto o homem morrer..." disse-me a Dra. Dulce enquanto se sentava numa cadeira junto a mim. "Enfº Miguel, não era suposto o senhor morrer..." repetiu, com o desânimo estampado na face. A Dra. Dulce é uma médica atenta e atenciosa, próxima dos seus doentes, preocupada com as suas maleitas. "Mas Drª... por muito que façamos não podemos ainda evitar a morte. Ainda não somos deuses...". A resposta não pareceu aliviá-la e o silêncio instalou-se.
Eu próprio fiquei surpreendido quando, hoje de manhã ao chegar ao serviço, vi o colchão sem lençóis, dobrado para cima da cabeceira. É sempre um sinal da Morte. Não soubesse eu que são as auxiliares que o fazem para desinfectar a cama e diria que a Morte leva com ela os lençóis e dobra o colchão vazio.
"Não era suposto o homem morrer...". A frase ficou a ecoar-me na mente o resto do dia. Qual é afinal a nossa função? Fizemos tudo bem com este doente (o que nem sempre acontece), medicámos na altura certa, pedimos os exames em tempo útil, discutimos as melhores opções. E ela melhorou. Passou de fraco e sem apetite para um corredor de meio-fundo que calcorreava o corredor para trás e para a frente, cumprimentando todos à sua passagem. Ele estava bem. Ontem, à hora do almoço, tocou a campainha e encontrei-o pálido, suado, com dor no peito. A tensão um pouco alta, monitorização aparentemente normal. Foi para o Serviço de Observação apenas por precaução. Desceu a barafustar que queria levar o robe e disse-me um "até já" antes de entrar no elevador. "Não era suposto este homem morrer..." disse ela.
Porque há mortes que custam a engolir. Uns encaram-nas como um grande sapo divino que somos forçados a engolir por uma força que nos transcende, outros encaram-nas como um sinal da nossa humanidade, da nossa humildade perante o jogo da Vida contra a Morte. Os primeiros são arrogantes, recebem essa morte como um ataque pessoal de Deus (ou de Alá, ou de Maomé, ou de Buda, seja qual deles for.) e encaram o próximo desafio como uma final que não podem perder. Só que, numa final, a única coisa que sai maltratada é a relva do campo. E, neste caso, o campo é o doente. Os segundos, nos quais humildemente me incluo, sentem essa morte como um momento para reflectir, para respirar e para partir para o doente seguinte.
"Não era suposto este homem morrer...". Obrigado, Dra. Dulce por exprimir o que eu estava a sentir e por me demonstrar que há profissionais que sentem as perdas dessa forma.

Isto não é um baby-blog.

Mas o meu filhote, agora que quase domina a fala atira-me com frases que, sendo de uma doçura extrema, cortam-me o coração!
Ontem, ao telefone, estando eu no trabalho:
"Olá filhote! Estas bem, como foi a escolinha?"
"Oláááá! Binquei com as motas!! Tás a tabalhaie?"
"Sim meu amor, estou no trabalho.."
"O Gabi vai buscar a ti, xim??"
Hoje, ao despedir-me dele, de manhã:
"Até amanhã filho. O papá vai trabalhar..."
"NÃO!"
"Não?... mas tem que ser piolhinho..."
"Não vais. Brinca comigo na caminha do Gabi..."
E assim eu vou, com um frio no coração.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Toda a gente tem um chefe...

... e eu não sou excepção! Acontece que o meu chefe é um lambe-botas cobarde interesseiro conflituoso maníaco depressivo esquizóide mal educado e porco (pronto, já disse!! Estou mais aliviado...)! que está mais interessado em "brilhar" para a Direcção do que salvaguardar os interesses do serviço e dos funcionários e, acima de tudo, dos doentes.
No meio de uma guerra que envolveu até o Director e de onde ninguém saiu beneficiado, o merdas do meu chefe quebrou todas as regras éticas e deontológicas, além do bom-senso e do respeito ao ponto de eu estar a fazer um esforço consciente para não lhe berrar enquanto lhe agarrava os colarinhos!! Vi-me a abandonar o meu corpo e a dirigir-me a ele, pregando-lhe um sopapo que o deixava inconsciente no chão, após o que toda a gente na sala se levantava e batia palmas enquanto eu colocava um pé em cima do seu rabo, numa pose vitoriosa. E foi o meu "momento Ally McBeal"...
Depois de tanta porcaria junta ainda tive um doente que descompensou e acabei a almoçar sozinho! E como eu detesto almoçar sozinho...
F*****-se.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Letra de Enfermeiro.


Escondido à vista de todos!

Numa festa encontro uma conhecida após algum tempo de afastamento...
-Olá!! Há quanto tempo! Faz o quê... 2 anos que não nos encontrávamos?
-Sim! Ainda não tinha nascido o teu filho!
-Os teus estão uns homenzinhos!! Lembro-me deles bem pequeninos... Mas estás bem, estás com óptimo aspecto!! Há algo de diferente em ti...
-Ah.... sim, aumentei os seios!!
...
...
...
(a minha mente travou a minha língua e, em milissegundos, procurou uma resposta)

a) Ficam-te bem!
b) São muito giras!
c) Posso ver melhor?
d) Posso tocar-lhes?
e) AH! Então é por isso que não consigo parar de olhar para o teu decote!
f) São lindas de morrer!
g) Realçam os teus olhos!

...
- Ehhhh... então parabéns! Vemo-nos por aí!!

O que é que se diz numa situação destas, por deus??
Para Outubro, isto está um frio um bocado esquisito, não acham?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Wild, Wild West

As funções de chefe têm destas coisas. Um doente queixou-se de uma enfermeira afirmando que esta tinha sido incorrecta com ele. Depois de ouvir a versão do doente, ouvi a da dita enfermeira. As versões coincidiram em quase tudo excepto num ponto: cada um dizia que o outro é que tinha sido mal-educado!
Não tendo estado lá para ver não podia tomar um ou outro partido mas (há sempre um "mas" quando se vai ao gabinete do chefe!) vi-me obrigado a ter uma conversa com a enfermeira. Ela admitiu que a determinada altura perdeu o controlo da situação porque "antes de ser enfermeira sou uma pessoa". Nós, enquanto enfermeiros, temos todo o direito à indignação e a sentirmo-nos ofendidos. Eu, que desde sempre trabalho em Urgência, já fui insultado, mal-tratado, ofendido e agredido. Não há serviço nenhum onde os nervos estejam tão "á flor da pele", tanto do lado dos doentes como dos profissionais. A diferença é que nós somos pagos para fazer esse trabalho e não podemos encarar esses insultos como algo pessoal, algo dirigido a nós enquanto indivíduos. E, além do mais, existem técnicas que nos ensinam a lidar com estas situações. Podemos ser firmes e claros sem sermos incorrectos, podemos colocar um doente no seu lugar sem ser agressivos, devemos sempre manter a calma numa situação de agressividade por parte do doente ou familiares. Ao longo destes anos aprendi uma lição valiosíssima para lidar com essas situações: o segredo está em prevenir. Como é que isso se faz? Manter o doente informado, explicar o que se vai passar, apresentar-se o mais calmo possível e, acima de tudo, tentar acalmar o doente falando com ele.
Uma simples conversa que pode começar de várias maneiras. Perguntar que tipo de trabalho faz, como ficou doente, explicar o procedimento, etc, etc, etc. Podemos e devemos encontrar um tema de conversa e conversar com o doente. Claro que isto está intimamente ligado com a personalidade de cada um mas facilita o trabalho e obtém-se melhores resultados! Quando isto não resulta e se chega a uma situação em que o doente se altera existem várias técnicas que se podem usar. Um exemplo: quanto mais o doente grita, mais nós devemos baixar o nosso tom de voz! Simples e bastante eficaz! Não dizer "Tenha calma!", erro crasso! Se nada resultar o melhor é, pura e simplesmente, retirar-se do local e esperar que o paciente se acalme!! No fundo, trata-se de retirar de cena o elemento causador do stress.
Porque a relação que temos com o doente é a nossa melhor ferramenta, temos que saber trabalhá-la. É uma técnica como uma algaliação, uma entubação, uma injecção ou um banho no leito que devemos saber dominar. Ao não saber dominar esta técnica, a enfermeira deixou o doente ansioso, agitado e sem dormir. Não soube prestar um bom cuidado de enfermagem. Criou um conflito latente que vai condicionar todas as suas abordagens futuras a este doente. A diferença entre um conflito bem resolvido e um outro, mal resolvido, é que no primeiro caso o chefe não fica sequer a saber que houve um conflito!
Obviamente que não sou nenhum santo! Já tive a minha dose de conflitos mal resolvidos, já gritei com doentes e respondi com o mesmo vernáculo com que me brindaram! Mas, uma Urgência de um hospital central da zona de Lisboa é pouco menos que o wild west! Num ambiente controlado como é uma enfermaria não há razão para que um profissional perca a sua postura.
PS: o poder é uma coisa enebriante...
;)

Irra!

Cada vez que uma doente me pede para "ser meiguinho" antes de uma injecção, uma única resposta ecoa na minha mente: "Mas, minha senhora, eu vou apenas dar-lhe uma injecção, não a vou sodomizar!"
O que quererão elas com isso? Que lhes dê beijinhos fofos enquanto introduzo a agulha no glúteo?

sábado, 10 de outubro de 2009

Mate Poaching...

ou "Roubo-de-Homem", foi um conceito introduzido por um estudo de duas investigadoras da Universidade Estadual de Oklahoma que demonstraram que cerca de 90% (!!) de alguns grupos de mulheres heterosexuais acham um homem sexualmente mais atraente quando sabem que ele tem parceira fixa!! É a prova científica do conhecimento empírico detido pelos homens segundo o qual, o uso de aliança é um intenso íman de gajas! Para as investigadoras, as mulheres querem homens já "formatados" para seguirem uma relação duradoura, acabando assim com o mito do "solteirão" que não se compromete nunca: ele está sozinho não por escolha própria mas sim porque o mulherio não lhe dá credibilidade nenhuma!
Penso que a conclusão deste estudo pode ser resumida numa frase lapidar que ouvi, há uns anos, da boca de uma mulher experiente e que me tem servido de âncora em muitas situações: "os homens são como as casas-de-banho: ou estão ocupados, ou são uma merda."
Sendo eu um homem casado e com responsabilidades familiares tenho, como devem calcular, de afastar as mulheres assediadoras com um pau. É muito chato.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Mata Hari.

Tenho um informador no serviço. Alguém que me dá conta das actividades que ocorrem depois de eu sair. Alguém que controla os enfermeiros e depois me vem reproduzir as conversas que ouviu ou que tiveram com ele. É um doente!!
Cada vez que chego, pela manhã, lá está o senhor de sentinela à porta do seu quarto. Homem vivido e viajado, andou 14 anos pelas Índias coloniais onde "experimentei todas as drogas que havia por lá" e depois por África. Vaidoso, o senhor gosta de de se perfumar exageradamente, emprestando a sua fragrância a todo o corredor do serviço, e (pasmem-se) depila-se "em baixo" e nas axilas! "Que eu sou um homem asseado. Mas não pense coisas, Sr. Enfermeiro, que eu gosto muito de mulheres!!" E falo de um senhor com cerca de 80 anos. Adorna-se com pesados fios de ouro e medalhas de santos e com anéis tipo caxuxo, também eles de ouro e com diamantes incrustados! Extremamente educado, o senhor gosta de conversar. E de "codrilhar"...
-"Sabe, senhor chefe, isto é um hotel de 7 estrelas! Os enfermeiros são simpáticos e as auxiliares também, mas deixe-me dizer-lhe que nem todos são bons, sabe..."
-"Então diga lá..." (saco nabos da púcara!)
-"Sabe, aquela enfermeira mais antiga, aquela goooorda, sabe?"
-"Sim, claro, a enfª fulana-de-tal..."
-"Sim, sim, essa, essa! Dorme toda a noite enquanto a colega mais nova se farta de trabalhar, coitada... E há ainda aquela mais novinha, muito mal encarada!! Que besta de mulher... sabia que me tratou mal?"
-"Não me diga" (ponho o meu ar mais indignado!!)
-"Mas, pelo amor de deus!! Não lhe diga nada... sabe, quero sair de bem com todos..."
-"Mas isso que me conta é gravíssimo!! Tenho de lhe chamar a atenção..."
-"Ora Sr. Enfermeiro, não faça isso... é feitio dela sabe" (foge com o rabo à seringa!)
-"Pronto, esta passa. Mas avise-me se a situação se repetir!"
-"Claro, claro!! Olhe, mudando de assunto. Mandei o meu motorista ir comprar umas santolas na marisqueira de um amigo... com uma vinhasca à maneira para o nosso almoço!!"
-"Mas o senhor não pode comer isso!! E ainda por cima aqui no serviço... ai o senhor...."
-"Bom, suponho que tem razão... olhe, coma-as você e depois diga-me se estão boas!!"
Nesse dia toda a gente que estava no serviço provou um bocadinho de santola e um copo de bom vinho!!!
Naturalmente que não valorizo este tipo de queixas nem, tão pouco tomo decisões com base nelas, mas confesso que o senhor já me transmitiu algumas informações que serviram por um lado, para reforçar a minha opinião acerca de algumas pessoas e, por outro, para subir a minha guarda com outras! E isso é sempre útil.

O resto é plebe!

Sou, oficialmente, um erudito!!! Agora ouço música clássica...
(mas um erudito fraquinho já que se trata apenas de um CD gravado com algumas obras criteriosamente seleccionadas por uma verdadeira erudita que me tenta iniciar nas lides da intelectualidade... terá sucesso?)

Patrão fora...

O meu Chefe é um tipo porreiro e tal mas é um pouco sério. Profissional que não gosta de misturar brincadeiras com o serviço. Mas, na sua ausência, o chefe "c'est moi" e as coisas tornam-se um pouco diferentes...
Depois de eu próprio ter sido enganado através de um conluio silencioso que incluiu alguns colegas, dois médicos e a secretária e depois de ter levado uma colaboradora ao quase-divórcio, a uma crise hipertensiva e de ter escapado a uma agressão após uma brincadeira que durou 3 dias (claro que com a colaboração de outras pessoas mas que acabou bem, com abraços e beijinhos com a "enganada" lavada em lágrimas e a desculpar-se pelos títulos com que me abonou durante aqueles dias!) eis que recebo na minha secretária dois pedidos de transferência de serviço por parte de duas auxiliares. Estranhei e fui falar-lhes. Durante a nossa conversa percebi: É treta!! Como uma delas se despediu durante esta semana, querem assustar-me com um êxodo de auxiliares que acabaria com o serviço!!!
Aliei-me ao Director Clínico do serviço, que tem uma palavra a dizer nestas situações e resolvemos inverter a situação: de praxados para praxadores!! Assim, exarei o seguinte despacho numa delas:
"Profissional extremamente baldas que não interessa nem ao menino Jesus. Um pontapé no cu é o que merece." Ao que o Director responde: "Concordo". E na outra:
"Se não serve para este serviço, não serve para mais nenhum. Deve ser corrida à pedrada deste hospital". Director: "Concordo". Liguei para a secção de pessoal e eles alinharam comigo... Através do correio oficial, fiz seguir as declarações e informei-as!! As expressões de pânico nas suas faces foi impagável!!! E quando lhes virei as costas no momento em que tentavam explicar que não passou de uma brincadeira tive de me esforçar para não me desmanchar à gargalhada!
Cheira-me que alguém não vai dormir muito bem este fim-de-semana.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Fábula.

Um homem navegava com seu balão, por um lugar desconhecido. Ele estava completamente perdido, e qual foi sua surpresa quando encontrou uma pessoa! Ao reduzir um pouco a altitude do balão, a cerca de 10m aproximadamente, ele gritou para o jovem:
- Desculpe, sabe dizer-me onde estou?
Ao que o jovem respondeu: -Sim, está num balão, a cerca 10 m de altura!
Então o homem fez outra pergunta: -Você é enfermeiro, não é?
O rapaz respondeu: - Sim... Como é que o senhor adivinhou?
E o homem: -É simples, a sua resposta é tecnicamente correcta mas não me serve para nada...
Então o enfermeiro pergunta: -O senhor é um médico, não é?
E o homem: - Sou...Como é que adivinhou???
E o rapaz: - Simples: o senhor está completamente perdido, não sabe fazer nada e ainda quer colocar a culpa no enfermeiro.
E nada resume melhor o relação entre médicos e enfermeiros.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

What Men Want...

Encontrei esta entrevista de rua na revista "Sábado". A pergunta: "O que faz os homens mais felizes?" Fantástico...


Paula, Paula... "praticar o amor"??? Mas que raio? A continuar a praticar o amor não vais longe minha querida...

Ora lá está!! Susana, o importante é estar calada! E também arranjadinha!! Isso não abona muito a teu favor, pois não? Será que também "praticas o amor"?

Cátia, és a típica controladora que não largas o teu homem nem nos momentos "guys only"! Aposto que ele se farta de beber... para esquecer!

Passar a roupinha a ferro e arranjar para o dia seguinte. Hmmm, e um leitinho quentinho antes de dormir?? A pergunta era acerca do teu marido, não do teu filho, ok?

Cláudia, o teu marido "pratica o amor" com a comida!! Será que depois de cachupa e moamba ainda há força para... bom, tu sabes.

E, finalmente, um mulher sabedora!!
E vós, meu vasto auditório feminino? Que fazeis vós para a satisfação egofálica do vosso homem?? E, por favor, não digam que "praticam o amor"...




EI!

Alguém já viu um filme intitulado "Farinelli il castrato"? Alguém?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Back again!

Em grande forma! Por vezes, o regresso de grandes bandas após tantos anos de ausência deixa um certo "amargo de boca", como se aquele novo disco viesse manchar a gloriosa história que suporta os nossos ídolos musicais, como se a banda tivesse perdido uma óptima oportunidade de estar calada em vez de tentar ser "moderno". Lembro-me dos Cure, por exemplo.
Mas "Backspacer" dos bons velhos Pearl Jam é um disco cheio de energia! Guitarras bem rock, um Eddie Vedder maduro no seu melhor, boas canções, energia positiva!! E sem sintetizadores!!
Não tenho nada contra sintetizadores, alguns dos meus albuns favoritos são feitos quase exclusivamente com sintetizadores ("Kid A" e "Amnesiac" dos Radiohead!) mas há grupos que são feitos apenas de guitarras, baixos e bateria. Os Pearl Jam são um deles.



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Urina II.

Toda a gente já ouviu falar de infecções urinárias. Provavelmente (e ainda mais se são senhoras) até já tiveram! O teste consiste em mergulhar uma "palhinha" multicolor no xixi e depois interpretar os resultados com base nas mudanças de cor. Aqui na urgência realizamos imensos desses testes. Fornecemos um copinho de plástico ao doente e damos instruções para que colha uma amostra de urina. Claro que, a maioria das pessoas enche o copo!
A minha questão é: porque será que cada vez que as pessoas se dirigem a mim, saídas do WC, eu fico sempre com a impressão que me vão oferecer uma imperial?? É que só falta o símbolo da Super Bock ou da Sagres estampado no copo...

Já não escrevo mais no blog!! Só se me pagarem...

Estou mesmo muito chateado com a história do Portas e, ainda por cima, tenho que levar com estas conversas lá no Hospital... Coloquei, junto à nossa máquina de café Nespresso, um pequeno contentor para que lá coloquem as cápsulas vazias. Comprometi-me a ser o responsável pela entrega dessas cápsulas para reciclagem.
Eu: (ao ver uma cápsula no lixo comum) Deitem as cápsulas no contentor que eu devolvo à loja para reciclar.
Colega 1: Onde é que as entregas?
Eu: Na loja...
Colega 2: E eles pagam alguma coisa?
Eu: Não sei... mesmo que não paguem, é preferível eles reciclarem do que ir para o lixo não?
Colega 2: Acho que deviam pagar, senão...
Colega 1: E o que ganhas com isso??
Eu: (claramente a aumentar o tom) Ganho um mundo mais limpo, se não para mim, para os meus filhos, não??!?!?!
Colega 1: Tenho mais que fazer.
E pronto. Estes dois não foram votar... ainda se recebessem alguma coisa!!! Porque será que acho que esta atitude é mais comum do que deveria ser?

Eu não percebo nada de política...

Mas era inevitável que o Sócrates vencesse outra vez. Face à alternativa, acho que ficámos com o mal menor. O primeiro e mais importante objectivo foi atingido: retirar a maioria absoluta ao PS. Depois, era esperar que a oposição saísse reforçada. E a quem é que os Portugueses confiam o importante papel de "fiel da balança", a quem? PIMBA!! Ao CDS de Portas!! Boa malha caros concidadãos de Portugal!! Mais uma demonstração enorme do bom-senso que existe neste país!
Calculo que, para a maioria destes 10%, os cartazes afirmando a profunda dedicação do partido em dar os mesmos direitos de que gozam os criminosos, aos polícias deve ter sido suficiente...
Giro, mesmo giro era uma coligação PS-CDS!! Ai o que eu me ia rir...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Olha, olha!!

Parece que o gajinho virtual das corridinhas está outra vez contente... VAI MAS É TRABALHAR PÁ!!!

Parado na faixa central da auto-estrada.

Depois de tantos e tantos casos que, directa ou indirectamente, me passaram pelas mãos há uma condição clínica à qual não consigo ficar emocionalmente imune: o AVC. Porque em muitos casos o doente está consciente e orientado, pensa, raciocina. Mas não consegue verbalizar a sua dor, o seu desespero, a sua revolta. Porque, de um momento para o outro, vê-se numa cama estranha com montes de estranhos a alimentá-lo à boca ou por uma sonda, a dar-lhe banho, a expor o seu corpo em partes que só ele conhecia até então, a mudar a fralda. De um momento para o outro estamos deitados em cima da nossa própria merda.
Com demasiado tempo para pensar, estamos sós mas rodeados de gente. Gente que não nos entende porque não somos capazes de falar ou porque estão demasiado apressados nas suas rotinas. Presos num corpo, num quarto, num hospital. A vida parou. É como se estivessemos parados na faixa central de uma auto-estrada onde toda a gente passa a mais de 120 Km/h. E a desejar ser atropelados.
Porque a vida real pode ser mais assustadora que qualquer filme de terror e mais tocante que qualquer drama de Hollywood. Hoje recebi mais um destes presos. Os seus olhos penetraram fundo nos meus, tentando que a sua mensagem penetrasse no centro da fala do meu cérebro. Não ouvi nada mas senti. Primeiro um apelo, depois a revolta, a fúria de não ser compreendido. o desespero e, por fim, a desolação. É sempre assim.
Enquanto lhe colocava colheradas de iogurte na boca, uma lágrima escorreu-lhe pela face. Olhou para mim. O iogurte acabou. Saí.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Decidido!

A Manuela Ferreira Leite é um fóssil vivo com ideias conservadoras e elitistas num país que precisa de inovação e empreendedorismo. O Portas é um demagogo populista com um discurso formatado para convencer uma franja (grande) de população pouco instruída. Só lhe falta dizer que "Fazia cá falta outro Salazar" e está sedento de poder, sendo o seu principal objectivo voltar a ser Ministro. Coligar-se-ia com qualquer partido, à direita ou à esquerda, para o conseguir. Estes dois "jamé"!
Sócrates será, novamente, Primeiro-Ministro. Se os Portugueses estiverem esclarecidos nunca com a maioria absoluta. Resta-me tornar o meu voto útil e contribuir para que o PS não tenha nova maioria absoluta e para fortalecer a oposição ao Governo à Esquerda. Votar na Esquerda é. para mim, uma questão de príncípio ideológico mais do que partidário. Estava indeciso acerca de qual dos partidos à esquerda votar mas hoje, e de forma absolutamente fortuita, li uma entrevista feita a um dos líderes da Esquerda (curiosamente conduzida de forma brilhante por um comentador político conotado com a Direita!) e revi-me em muitas das suas afirmações, das suas ideias e dos seus projectos. Só espero não me arrepender e perder a réstea de esperança que (ainda) tenho nos políticos portugueses.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

É impressaõ minha...

... ou ali a versão virtual de "moi" está farto de mandar bocas foleiras acerca de que já não corro há não-sei-quanto-tempo e que são ainda poucos quilómetros em cada corrida??
Para ti é fácil ò boneco virtual que eu próprio construí e que não sai do ecrã!! Anda cá pra fora se és homem pá...

Pergunta para 50 mil €!

Alguém sabe em que algarismo vai a contagem dos infectados com a Gripe A? É que, subitamente, os noticiários pararam de contar...

Deve ser para rir...

Alguém que me deve algum (bastante) dinheiro desde NOVEMBRO do ano passado e após ter faltado com a sua palavra tantas vezes que lhes perdi a conta, ficou muito ofendida porque a acusei de ser mentirosa, dissimulada e mau-carácter!!
Coitadinha...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Que rico fadinho!

Hoje, mais um belo nome próprio para a minha colecção: ANÁLIA!
Cantemos todos...

"Anália, quis deus que fosse o meu nome
Anália, e acho-lhe um jeito engraçado
Tão nosso e popular
Quando ouço alguém gritaaaaar....
ANÁLIAAAAAAA
VIRA PRAQUI O.... folar!!!"

Perdoem-me a liberdade criativa mas... não resisti!!

Ó Chefe, Chefe...

Regresso ao trabalho. Assim mesmo, sem ponto de exclamação, que o meu entusiamo de voltar ao trabalho e o mesmo que o de ser agredido com uma pedra da calçada. Mas este é um regresso ainda menos esperado do que o normal: é que durante os próximos 30 dias vou ser o Enfermeiro-Chefe.
EI!! Calma, calma aí com os festejos!!! Acham que isso é bom? Nada mais errado. Vou passar os próximos 30 dias a preencher papéis, a pedir medicação, material e aparelhos. Vou ter de me inteirar da situação de TODOS os doentes em TODOS os aspectos da sua vida: saúde, apoio familiar e situação económica. Vou ser solicitado para resolver uma vasta gama de problemas meramente burocráticos, vou ter de brigar com os serviços de apoio para conseguir as condições de trabalho que deveriam estar garantidas por defeito. Vou ter de prestar contas ao Administrador (o que significa muitas reuniões do peido!), vou ter de controlar a qualidade dos cuidados prestados no serviço. Vou passar o tempo a preencher papéis e atender o telefone. Vou ter de fazer escalas e nomeações e distribuir funções. Vou ter de monitorizar os processos clínicos e aturar as paranóias dos médicos. Vou ter de mediar os conflitos entre os médicos e os enfermeiros e entre estes e os auxiliares. Vou ter de controlar a Sra. da limpeza que se balda e os funcionários das obras que não aparecem para arranjar o que for preciso ou deixam as obras a meio.
Vou ter que ouvir as palavras "Ó Chefe, Chefe..." inúmeras vezes ao longo do dia. Vou ter que ouvir as queixas de toda a gente e vou, concerteza, passar-me dos carretos. E tudo isto sem ganhar nem mais um tusto.

O Rapaz do Pijama ás Riscas.

Uma lição. Um murro nas trombas. Sempre que vejo um filme, série ou documentário sobre a II Guerra Mundial não consigo deixar de me colocar a mesma questão: como foi possível nós, Humanidade, permitirmos tamanha atrocidade?
O que aprendemos com isso? Nada.

domingo, 20 de setembro de 2009

Única certeza: abstenção não!

A uma semana das eleições não sei qual a forma mais útil de aplicar o meu voto. Por um lado sei que não vou votar nem nas chaminés laranja, nem nas setas azuis nem na rosa. Restam-me três hipóteses: foice, estrela vermelha ou boletim em branco?
Esta é a política que temos: indefinida e duvidosa.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Respostas de Homem a Desafio panisgas.

Aparentemente não sou um tipo romântico. Pois que não sou! Sou um machista da pior espécie, um homem austero e insensível, um crápula da pior espécie! Só não bato na minha mulher porque as mulheres simplesmente não merecem o gasto de energia que isso acarreta. E, mesmo assim, colocam-me perante desafios panisgas. Então este é sobre abracinhos.
1 - Quem mais gostas de abraçar no presente?
Ora, no presente não há assim ninguém em especial. Mas no futuro? UUUUUUUi, no futuro o que eu gostaria de dar um abraço bem apertadiiiinho naquela bela moçoila que é a Beyoncé!! Isso é que seria um abraço prolongado!
2 - Quem nunca abraçarias?
Eu nunca abraçaria um funcionário lá do hospital. É baixo, gordo, faltam-lhe os quatro dentes da frente, é calvo e o cabelo que lhe resta está sujo e quebradiço. E cheira mal. A sério, cheira mal como poucas coisas que já cheirei (e lembrem-se que maus cheiros é comigo!), a ponto de ser capaz de se antecipar a sua chegada ou de adivinhar que ele já esteve presente naquela divisão. Cheira a mijo encardido de meses. Mora só com a mãe que, julgo ser já cadáver. Tenho reservas em apertar-lhe a mão. Nunca o abraçaria.
3 - A quem davas tudo para poder abraçar?
Dava tudo, mesmo tudo (há uma expressão que é elucidativa: "dava o e cinco tostões") para poder dar um forte abraço ao Gestor/Administrador/Paneleiro que, através de um despacho, condicionou o meu futuro próximo. Na minha mão direita seria portador de uma faca de mato.
4 - A quem davas o teu melhor abraço?
O meu melhor e mais sincero abraço está guardado para alguém que me é muito querido. Refiro-me obviamente ao criador da Internet que possibilitou os downloads ilegais de música, filmes e séries de TV bem como dos e-mails pornográficos com que passamos o tempo no trabalho. Caso contrário seria bem aborrecido manter o interesse deste trabalho de Estado garantido e relativamente bem remunerado. Na volta ainda teríamos que melhorar o atendimento ao público não?
Havia um selo todo maricas e umas regras quaisquer mas, homem que é homem não liga a essas merdices!!! AH!!! E mija de pé...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ANA PAULAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

No sítio onde me encontro esta semana, o meu auto-rádio só sintoniza rádios locais. Nada de Antena 3, Comercial, Radar. Por muito que coloque o sintVerificação ortográficaonizador ás voltas só encontro emissoras locais ou regionais. Isso trouxe-me muitas reminiscências da minha infância e juventude em casa dos meus pais onde o rádio estava sempre a debitar a emissão de uma qualquer dessas rádios! Programas como os "discos pedidos" ficarão para sempre gravados na minha memória.
Constato, ao fim de todos estes anos que as coisas não mudaram! Os mesmos programas, o mesmo registo na voz dos locutores, o mesmo formato de publicidade! Logo á partida, os "discos pedidos"! Um programa onde os ouvintes pedem ao locutor que passe uma canção específica. E hoje relembrei como esses programas são uma família!! Assim que o ouvinte falou a locutora logo o identificou: "Olá Sr. José! Cá estamos mais uma vez. Continua benfiquista? Então, passamos a música do costume?", sendo que a música do costume era "Nossa Senhora" de Marco Paulo!! A publicidade é outro "must" deste tipo de estação! Normalmente tendo como pano de fundo uma música Vangelis ou similar, o locutor vai lendo o texto com pausas nas passagens mais importantes da música. Exemplo: "(Vangelis) Talho do Zé (Vangelis) se quer carne de qualidade directamente do produtor ao consumidor (Vangelis) procure o Talho do Zé (Vangelis, Vangelis) No Talho do Zé pode encontrar as melhores carnes da região (Vangelis) porco, vaca, borrego, frango (Vangelis) o bom presunto serrano e fumados caseiros (Vangelis) Encontre o Talho do Zé na Rua da Esquina e saia bem servido (Vangelis, fade out). Pérolas radiofónicas meus amigos!! Um outro formato muito utilizado é o do diálogo entre amigos que se encontram e encetam um animado diálogo, sempre entrecortado pela musiquinha do costume:
-Olá! Que belo carro!
-Pois é! Comprei-o no Stand Compráqui, que fica ali na Rua do Campo da Bola! Tem modelos variados aos mais baixos preços da região. Carros importados de um stand de luxo da Alemanha!!
-Stand Compráqui? Vou já lá comprar o meu novo carro!!
E atire a primeira pedra aquele que nunca sentiu esta vontade compulsiva de ir a correr comprar um carro após vislumbrarmos o novo bólide de um amigo!!!!
Mas a pedra-de-toque destas estações emissoras são as playlist. Os monstros musicais são inabaláveis: Marco Paulo, Marante, José Malhoa, Ágata. Mas depois as inevitáveis brasileiradas e as obras primas de alguns autores menores que atingiram o sucesso. Gostaria de salientar uma música que não me sai da cabeça. Fala das desventuras do cantor com uma rapariga, Ana Paula, que tem no refrão uma mensagem curta e directa, sem margem para dúvidas: "ANA PAULA, ANA PAULA, ANA PAULAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Sem ti eu não posso viver..." Lamento não ter encontrado isto no "YouTube"...
Por estes lados video didn't killed the radio star! E, estranhamente dou por mim a ouvir estas rádios enquanto conduzo e a trautear as músicas. E a gostar!!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Nostalgia...



Genial.

sábado, 12 de setembro de 2009

Raquetes de pau e luta com crustáceos.

Sesimbra, hoje. Andávamos pela praia quando um grupo de malta com bandeiras vermelhas com uma rosa impressa junto ás letras P e S surgiu triunfante no passeio junto à praia. Ofereceram umas raquetes de praia e um disco de tecido vermelho com as mesmas cores e a inscrição "socrates2009.com". Em poucos minutos estava TODA a praia a jogar com as bolas do Sócrates!! Não deixo de me espantar com a facilidade com que os portugueses se deixam corromper. UMAS RAQUETES DE PAU DE 3ª CATEGORIA??? Havia gente a correr (repito: a correr) atrás dos bandeirinhas e a suplicar raquetes. Julgo que essas mesmas pessoas não irão a correr para as mesas de voto.
Depois fiquei surpreso com a constituição da caravana de apoio ao Grande Líder. Afinal também há homens na campanha!! Pensei que iria encontrar apenas mulheres jovens e bonitas a olhar, embevecidas, para a imagem do líder e a tentar convencer apenas as mulheres! Mas não. Havia também homens, e jovens, mas não necessariamente bonitos. Um deles aproximou-se dos meus sobrinhos (8 e 10 anos) e oferecendo-lhes as tais raquetes e o tal disco e dizendo: "Tomai estas raquetes e este disco que não sei para que serve!!". Julgando-se muito engraçado não perdeu pelo demora quando de respondi "É isso e o voto no Sócrates, que também não sei para que servirá." E o menino, em vez de tentar ali convencer um dissidente do Partido do Poder, sorriu amarelamente (que linda palavra!) e continuou a distribuir raquetinhas e inúteis discos de tecido vermelho!!! Acabei a tarde a carregar raquetes e discos de tecido vermelho e bonés da campanha do PS porque os putos depressa se cansaram de brincar com aquilo. Só posso concluir duas coisas: que o Sócrates só nos oferece tralha inútil e que até as crianças se cansam rapidamente de brincar com ele!!!
Não bastava já isto tudo, fomos comer sapateira. Continuo sem perceber o prazer que se tira daquilo quando precisamos de um martelo para andar à luta com a comida...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ice Ice Baby.

Será que sou só eu que vejo o Vanila Ice neste boneco Mega Blocks do meu filho?




Talvez esteja só um pouco esquizofrénico!! Fica a recordação...

http://www.youtube.com/watch?v=rog8ou-ZepE





quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Michael Jackson

Agora que passou o frenesim à volta da sua morte sinto que posso, finalmente tentar abordar esse acontecimento.
Começo por dizer que, de todas as homenagens que lhe possam ser feitas a melhor de todas é personificada pelo meu sobrinho de 11 anos. Conheceu o Homem e a sua obra dias depois da sua morte quando me perguntou: "Afinal que era o MJ?". Fui ao YouTube e mostrei-lhe o vídeo de "Thriller". Ficou apaixonado! Hoje conhece as mesmas músicas que eu, estuda as coreografias que tenta reproduzir e tenta copiar algum dos vestuários dele! Cada vez que o vejo mostra-me como aperfeiçoou o "moonwalk" e outros passos, mostra-me vídeos de clips que ele gosta particularmente e pede para comprar os CD's dele. Como ele, muitos dos seus colegas. A febre de MJ atingiu esta geração como nos tinha atingido a nós, nos velhinhos 80's!
E é isto que define MJ: a intemporalidade! Este homem marcou gerações consecutivas. Quem de nós, aqui ou na China pode afirmar que não conhece MJ? Ele foi um artista (o artista?) marcante em vários sectores. Logo à partida na música: "Thriller" é ainda hoje o álbum mais vendido de sempre sendo que o número total de vendas é alvo de controvérsia! Depois é um fenómeno sociológico importante: o primeiro negro com sucesso planetário, o primeiro negro a ser reconhecido por todos, o primeiro negro a dominar o mundo da música. Podemos afirmar que MJ abriu caminho a toda a comunidade negra, com o sucesso que hoje se conhece em vários domínios. Na moda criou um estilo e determinou tendências: no vestuário, nos acessórios, no cabelo, nos tiques e trejeitos.
Claro que nem todo foram rosas, a história é conhecida. As acusações de pedofilia, as dúvidas sobre a paternidade dos seus filhos, a mudança radical de aspecto. Resultado de maus tratos na infância ou da súbita fama e riqueza com vinte e poucos anos, nunca saberemos. Acima de tudo acho que era uma personalidade frágil e extremamente instável.
Digam o que disserem, este homem será sempre uma figura incontornável do século XX. Ele marcou o século XX. E, goste-se ou não, só os génios definem a história.
Michael, ÉS O MAIOR!!

A Vida com Banda Sonora.

Como podem ver pelo bonequinho com ar de panisgas ali, à vossa esquerda (ehhh, direita!), hoje dei mais uma corridinha! Como todos os dias nestas últimas 2 semanas fui ao ginásio. A passadeira onde costumo correr fico mesmo de frente para a recepção do ginásio e foi escolhida precisamente por isso! Permite-me ter uma visão privilegiada do ambiente no ginásio. É assim uma versão trabalhosa do conceito de "esplanadar" da nossa querida Ana C. Mas adiante, como eu corro sempre com o iPod a tocar, posso apenas imaginar os diálogos que se desenrolam entre quem entra ou sai e a recepcionista.
Para entrarem no espírito da coisa, carreguem no "play" do vídeo seguinte e depois recomecem a leitura...


Uma Mulher (M) entra e dirige-se à Recepcionista (R).

M-Bom dia! Venho para fazer ginástica.

R-(com um sorriso nos lábios) Bem precisa... olhe lá bem para si!! Gorda...

M-(devolvendo o sorriso) Ora, não estou assim tão mal... (coloca a mão na anca com ar sensual)

R- Tá bem tá... tire os sapatos e as meias. Vamos aqui para a máquina pesar e ver a morfologia.

...

R- Eh lá!! Isso é que são umas unhas encarquilhadas!! E um cheirinho a chulé que faz favor!!

M- Sabe... é que vim a pé... (sobe para a balança e agarra num pingarelho qualquer que coloca á altura dos ombros) Então, estou muito mal?

R- Nããã!! Para leão marinho está muito bem... ora, temos aqui uma morfologia tipo bola-de-berlim-com-olhos.

M-Ah, ah, ah (gargalha) você é uma brincalhona!

R-Pois, pois... calce lá os ténis que os clientes já estão a desmaiar!

(Caminham ao longo do ginásio, em direcção aos balneários. A nova cliente olha para um rapaz que faz musculação com um olhar sugestivo...)

M-Ai que belos músculos...

R- Tira o cavalinho da chuva ó gorda!! Este é meu ouvistes?? E os outros também. São todos meus...

M- Ora essa! Não posso olhar queres ver?

R- (sorriso tímido) Pronto... olhar podes. Mas não é que eles te liguem, com esse rabo duplo que tens!!

M- Mas é para isso que me estou a inscrever! Quero ficar no ponto!!

R- Só se for no ponto de rebuçado ou caramelo!!! AH, AH, AH!!! (ri-se da própria piada.) Pronto, cá estão os balneários. E vê se lavas os pés e cortas essas unhas que senão isto fica tudo infestado com o cheiro a gorgonzola....

(A mulher entra, a recepcionista retira-se e dirige-se ao rapaz dos músculos rindo)

R- Olha-me esta!!! Acha que vai ficar magra por vir aqui dar umas corridinhas...

(o rapaz sorri sem lhe prestar muita atenção)

E é por isto que eu adoro aquela passadeira.

Qualquer semelhança com um diálogo que tenha realmente acontecido é pura coincidência.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

The Ugly Truth.

Com a chegada da querida sogra, de férias cá em casa, eis que surge a oportunidade de sair de casa sem a cria agarrada à perna! Sim, que isto de ser um casal com filhos sem família por perto tem as suas desvantagens. Mas enfim, uma oportunidade para ir finalmente ver uma invenção dessas mais modernas: o cinema.
E lá fomos. Porque a ocasião assim o pedia, um filmito romântico (pareceu-me que "Sacanas sem Lei" do Tarantino não iria proporcionar grande ambiente...)! Depois de bem acomodados chega um casalinho bem teen completamente in love que ocupa os lugares mesmo ao nosso lado. Ela mesmo no banco juntinho ao meu. O meu sentido de observação apurou-se e, num relance, observei-os. Ela, calça bem justa, top e com montes de acessórios coloridos. Ele, cabelo curto, bem constituído e com um ar vagamente aparvalhado. Beijinhos práqui, abracinhos práli e começa o filme. Eles continuam agarrados, ela de costas para mim com os braços ao pescoço dele. Abstraio-me deles e dedico a minha atenção ao filme. O clássico boy meets girl who hates him but they end up together in the end. A cada insinuação sexual vinda do ecrã eles riam audivelmente e ela (!) provocava-o com frases do tipo "Quando sairmos daqui vamos curtir bué!" ao que ele respondia com um esgar de cachorro que quer brincar: olhos esbugalhados e lingua de fora, a salivar. Não é que tenha visto esta expressão, no escuro da sala, mas imaginei-a claramente tais as insinuações e provocações da miúda!!
Chega o intervalo (esse flagelo que introduziram nos filmes!), os teens dedicam-se agora a verificar os seus sms recebidos. Recomeça a exibição e os lugares ao meu lado "pegam fogo"!! Grandes beijos com língua e mãos afoitas a procurar o tesouro escondido! Ela, puxando-o para si por cima das da divisória dos assentos, ele com as mãos a levantarem-lhe o top até aos ombros e o soutien desapertado! Apercebo-me que ele, finalmente, se decide a avançar, as suas mãos deslizam, decididas pelas costas da companheira e enfiam-se dentro das calças delas. Entretenho-me a pensar como será possível caber alguma coisa mais dentro daquele espaço de ganga quando... EH LÁ!!!! Ó PÁ.... está alguma coisa a tocar-me na perna... tu queres ver?!! As costas da mão do marmanjo esfregam vigorosamente a minha coxa!!! Ele não parecem muito importado com isso, deve ser por estar distraído com a qualidade dos diálogos das personagens! Cruzo a perna e coloco-me junto ao lugar da Mariana dando assim margem de manobra ao rapaz.
Ao fim de algum tempo, cansado, retomo a posição natural de sentado e... PORRA PÁ!! NÃO VÊS QUE ISSO JÁ NÃO É TERRITÓRIO PARA TI PÁ???!! Grito-lhe... mentalmente. Sim, sou um cobarde e passei o resto do filme todo torto.
Ao casalinho apaixonado gostaria de deixar uma mensagem: ARRANJEM UM QUARTO!!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Estimule-se o produto nacional, pá!!

Que somos um país importador já todos sabemos. Que os produtos que importamos nem sempre têm mais qualidade que o produto nacional também é sobejamente conhecido. Mas, já não bastava existir um programa que permite que ouçamos pérolas como "só como cerejas e uvas se a minha empregada lhes tirar os caroços" ou "prefiro fazer batota a perder" da boca de uma miúda estrábica que, em tempos apresentava o programa do Mickey? E não era já suficiente que as lucotoras desse mesmo programa apresentassem as peças com um discurso cuja cadência é muito semelhante á dos miúdos da 4ª classe a ler os primeiros textos? Era mesmo necessário que, no meio de tanto vácuo de conteúdo, aparecesse uma fulana que nem português sabe falar?


Relembro que esta miúda aparece após a trágica morte do seu irmão, em directo num campo de futebol. Enfim...
É assim que querem estimular a economia nacional? É assim que esperam baixar a taxa de desemprego? As miúdas ocas, fúteis, vagamente oligofrénicas e cuja aspiração máxima é serem "famosas" e "aparecer" estão revoltadas com esta situação! Falam inclusivamente em deixar de aparecer nas festas e eventos onde só entra gente "bonita" como forma de luta contra esta discriminação!
O "Cheirinho a éter..." associa-se a este movimento associativo e propõe um slogan: "A GENTE TAMBÉM QUEREMOS APARECER!"

sábado, 5 de setembro de 2009

A Sociologia do Suor.

Sempre achei os ginásios um laboratório sociológico interessantíssimo! Que raio de pessoas pagam para correr e carregar pesos? Coisas que, noutro contexto seriam consideradas trabalho, são encaradas com abnegação e prazer. Pois contra mim falo uma vez que tenho ido todos os dias ao ginásio, desde que estou de férias! Mas, mais do que as razões que levam alguém a martirizar o corpinho com um sorriso nos beiços, o que me fascina são o tipo de pessoas que frequenta os ginásios.
Consigo destacar alguns grupos:
OS ARMÁRIOS: homens, de forma quadrada, sem pescoço, tronco largo e perninhas fininhas. Normalmente carecas e mal encarados começam o treino pela corrida. Ao fim de 5 minutos na passadeira estão a suar em bica e param. Passam a hora seguinte a "dar no ferro". Pegam, com um só braço, em halteres que aparentam pesar o mesmo que eu. A cada movimento um esgar de esforço intenso com um urro "AHHHHHH" ou "UHHHHH" ou "YEAHHHHHH", normalmente dirigido a colega de treino. Nunca treinam sós, calculo que para terem alguém que ateste que levantaram 300 kg com o dedo mínimo. A dinâmica de treino é "os meus peitorais são maiores que os teus". Não são capazes de unir os braços ao tórax e, diga-se, o tamanho dos músculos parece ser inversamente proporcional ao tamanho do pénis. Pelas conversas entre eles, são porteiros de discotecas ranhosas.
MULHER-MÁQUINA: normalmente são pequenas e magras. Não existe ponta de gordura nos seus corpinhos aparentemente frágeis. São as primeiras a chegar ao ginásio e saem sempre à mesma hora. O treino é mecanizado e cronometrado. Correm até os restantes estarem cansados só de ver, abdominais aos milhares, pesos, e corrida outra vez. São rápidas e eficazes. Têm o dom de humilhar os principiantes: cada vez que utilizo uma máquina depois delas tenho que reduzir o peso para metade. Conversam enquanto correm uma maratona, enquanto nós estamos demasiado preocupados em... respirar!
AS CORREDORAS: normalmente bem definidas. Pernas e glúteos torneados, usam calças ou calções de licra justinhos que deixam adivinhar a cueca fio-dental. O top alçado deixa ver o abdómen definido mas não musculado e define os seios. Usam rabo-de-cavalo ou uma fita no cabelo e dedicam-se a correr! E, depois de correr... correm! Passadeira, elíptica, bicicleta e tudo o que seja aérobico é para estas meninas! Distraem-nos do treino nas mais variadas ocasiões como quando treinam os glúteos, por exemplo.
OS VOIYEURS: andam pelo ginásio a topar as meninas do grupo anterior e pouco mais!
OS REFORMADOS: são... reformados. Aparecem logo pela manha com fatos-de-treino arraçados de pijama. Andam na passadeira, trabalham nas máquinas sem pesos, sentam-se nas bicicletas à conversa. Atrasam o treino dos restantes.
OS MÁQUINAS DE GUERRA: são homens aparentemente magros mas que, quando em tronco nu, exibem abdominais de aço, fortes o suficiente para servir de base a um lenhador a partir troncos! São secos, os músculos definidos ao pormenor. Correm até se esquecerem e levantam pesos com a força da mente. Normalmente praticam uma luta com um nome impronunciável como Jiu-Jitsu, Krav-maga, taekwondo. São capazes de matar um homem com as mãos e tento não cruzar o seu caminho nem deixar cair um peso em cima dos seus pés.
E, de uma forma geral, é esta a população de um ginásio! E eu? Bom, eu... eu sou de uma espécie rara que não se enquadra em nenhum destes grupos!!

Rendido!


E, de repente, a Deusa da Cozinha angaria mais um acólito!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Lanzeira

De férias desde domingo. Três semanas que se esperam de pura lanzeira. Não sei se vamos sair ou se permanecemos recolhidos na nossa magnífica propriedade. Entretanto tenho ido ao ginásio pelo que até os dedinhos que agora vos escrevem me doem! Espero escrever qualquer coisa de sublime e extremamente inteligente nos próximos dias... mas não prometo.
E assim acontece.

sábado, 29 de agosto de 2009

Eu gosto é de movimento!!

Não gosto de trabalhos rotineiros! Eu não gosto de trabalhar nas Enfermarias (muito embora o tenha feito nos últimos 2 anos, mas nem sempre podemos escolher onde trabalhamos) porque o trabalho é muito rotineiro. As tarefas repetem-se todos os dias à mesma hora. Numa enfermaria os doentes permanecem durante muito tempo na mesma cama, com a mesma medicação, com o mesmo plano de cuidados. Já sei de antemão que na cama 1 está o Sr. José, na 2 o Manel, na 3 a Maria Albertina. Chego ás 8 e recebo o turno, às 8:30 vou dar medicação e às 9 começam as higienes. Cerca das 11 está tudo lavadinho e é hora de fazer pensos e ver soros e acessos venosos. Ao meio-dia damos a medicação e preparamos os doentes para o almoço. Nós próprios vamos almoçar e, cerca das 14 é tempo de mudar os doentes acamados de posição (mais uma vez!) e preparar a medicação das 15. Depois desta estar despachada, sentamo-nos e escrevemos as ocorrências desse turno no processo clínico dos doentes.
Claro que estas notas de enfermagem são inevitavelmente muito parecidas umas com as outras. Obedecem a uma estrutura mais ou menos rígida e acabam sempre por soar iguais, independente de quem seja o autor do texto. Quando acabo de escrever sinto sempre que falta alguma coisa. Leio e releio e concluo que não, não falta nada, apenas não se passou nada digno de registo. E isto é muito frustrante para alguém que, como eu, gosta de escrever!
Na Urgência porém, não se escreve muito! Para este serviço vou sempre com muita expectativa. Estará complicado? Pergunta estúpida, está sempre!! Em que posto irei ficar? Espero não ficar com as mulheres outra vez. Neste serviço não sei quantos doentes vou ver, quantos vão morrer, quantos vão entrar, quantas reanimações, quantas pequenas cirurgias, quantos enfartes do coração, quantas faltas de ar, quantas macas, quantos velhos, quantos drogados e bêbados. A vida (e a morte) fervilham entre aquelas paredes, o ritmo é sempre frenético, as luzes nunca se apagam, a adrenalina flui sempre, mais depressa ou mais devagar mas sempre. Há um "besouro" que toca nas situações de reanimação. E, por incrível que pareça, há organização dentro daquele caos! Aliás, o caos é a política organizativa do Serviço de Urgência. Esqueçam o ER ou a Anatomia de Grey! Aqui observamos centenas de doentes por cada turno!!
Não sei se isto diz algo acerca de quem eu sou mas, trabalhos rotineiros não, muito obrigado!
Curiosamente, os meus argumentos para gostar mais de Urgência e menos de enfermarias são também válidos para quem prefere a enfermaria à Urgência. Estranho...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Não sejam parvinhas...

Com o número de divorciados a aumentar a cada dia, é comum convivermos diariamente com divorciados e com os seus problemas. A divisão dos bens, a custódia dos filhos a partilha das despesas destes, o cumprimento (não) do pagamento das pensões.
Há contudo um aspecto que é recorrente: o facto de muitas mulheres divorciadas atribuírem a culpa de todas as guerras que mantêm com os "ex" à nova companheira destes. Desculpem mas isso é parvo!! Se ele vos largou por ela, concerteza que não foi sob ameaça de arma de fogo!! Foi uma escolha dele, pela qual ele deve ser responsabilizado. Ao culparem "a outra" estão apenas a desresponsabilizar o homem e a gastarem energias em alguém que não vos diz respeito. Sim, essa mulher estará indirectamente envolvida e será, porventura, parte interessada no processo. Mas frases do tipo "Ele quer tirar-me os miúdos por causa daquela cabra!" é uma estupidez!
Meninas, upa, upa, depois deste pequeno aviso, a guerra continua!!