Sempre fui frontalmente contra toda esta histeria que se criou em volta da Gripe A. Na minha humilde opinião os cuidados a ter prendem-se com medidas gerais de higiene e a vacinação deve ser dirigida aos grupos de risco de sempre. Entretanto a DGS alarga esse grupo às crianças saudáveis entre os 6 meses e os dois anos e às grávidas nos 2º e 3º trimestre. Se não há notícia de problemas entre as crianças entretanto vacinadas, o mesmo já não se pode dizer das grávidas: 3 fetos mortos em 3 dias. O que interessa dizer aqui é: ocorrem anualmente centenas de mortes fetais no 3º trimestre e, até agora, isso nunca foi notícia! É absolutamente abusivo que os jornais estabeleçam, ainda que apenas implicitamente, uma relação de causa-efeito entre a vacinação anti-gripe e a morte dos fetos. Funciona como quando um avião cai. Lembro-me que, após a tragédia do voo da Air France que se despenhou no Atlântico, houve notícias sucessivas de quedas e avarias nos aviões iguais ao que caiu!! A imprensa quer sangue... e confunde a opinião pública, deixando a população cheia de dúvidas. Com a informação clínica ainda não estabelecida, nós próprios ficamos, por vezes, sem resposta para dar aos utentes.
Eu faço parte de um grupo de risco! Afinal, passo muitos dos meus dias no "gripanário", nome com que carinhosamente baptizámos o Serviço de Apoio à Gripe. Se, até há bem pouco tempo, nem a Mariana nem o Gabriel eram parte de um grupo de risco, o que me deixava relativamente à vontade na abordagem ao doente suspeito, limitando-me a cumprir as regras de barreira física (luvas e máscara), com a Mariana grávida de 6 semanas o cenário muda radicalmente, uma vez que este vírus parece ter uma apetência especial para as grávidas. Porque todas as medidas que impeçam o vírus de entrar na nossa casa serão sempre poucas, vacino-me amanhã!









