quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Sonho Mau que não foi.

Ontem tive um sonho mau, muito mau. Um pesadelo. Sonhei que um casal se tinha divorciado e desentendido. A sua filha ficou no meio da guerra entre dois adultos. No meu sonho a menina não queria ver o pai. Gritava e esperneava e recusava ficar com ele. O pai afirmava que e menina estava a ser manipulada pela mãe, esta recusava e a menina dizia que o pai lhe mexia no pipi e que ela não gostava. O sonho continuava no tribunal e, entre acusações e ataques entre os progenitores, o juiz decidiu que a menina tinha que ficar com o pai e ordenou à GNR que fosse buscar a menina. E os agentes iam e depois escreviam nos seus relatórios que a menina chorava e gritava e que não queria. E diziam aos seus colegas (off the record) que isso lhes cortava o coração mas era a lei.
No meu sonho mau isso não resultou. O juiz decidiu então, depois de ouvir psicólogos e pedo-psiquiatras, que a menina sofre de um síndrome de alienação parental. Mas todos os especialistas lhe disseram que esse síndrome não existe. Não consta das tabelas de doença da OMS e que ele não devia basear uma decisão judicial nesse facto. Mas, todos sabemos como os sonhos são estranhos, o juiz decidiu retirar a menina a ambos os pais e mandou que fosse internada num orfanato. Mas não um orfanato qualquer. Um orfanato que ele próprio escolheu.
Realmente os sonhos são muito estranhos por vezes. Sonhei que esse orfanato faz parte de uma extensa rede de orfanatos da Igreja Evangélica (subsidiados pelo estado) que levam os meninos às suas igrejas, para serem evangelizados. Dizem os responsáveis que as crianças não são obrigadas, que escolhem. E volto a sonhar que foi o juiz que escolheu esta instituição, sem qualquer outra consulta.
Mãe e pai da menina só podem ver a filha uma hora por semana, numa sala despida e com a presença de duas funcionárias. Não podem tirar fotografias nem levar brinquedos. Se não fosse um sonho eu diria que se tratava de uma prisão. Mas não, no sonho vejo um orfanato. No meu sonho mau, a menina não tem previsão para voltar a ser entregue a um dos pais. Está afastada dos seus pais, da sua casa, dos avós, dos amigos, da escola, do seu mundo sem que haja um final definido para o tratamento determinado pelo juiz. O juiz entregou essa decisão ao orfanato. Também lhe entregou a custódia da menina e a responsabilidade pela sua reabilitação. Neste sonho mau a menina pertence-lhes.
Hoje acordei angustiado pelo meu sonho mas depois ocorreu-me. Isto não foi um sonho! Isto é real, vi ontem na RTP1 logo depois do Telejornal, no programa Linha da Frente. Aconteceu no States, onde a realidade nos ultrapassa? Não. Em Portugal, em Fronteira. A realidade ultrapassa largamente a ficção...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Farinha do mesmo saco.

Farinha do mesmo saco. Os homens são todos farinha do mesmo saco. Pelo menos é o que tenho ouvido dizer, da parte de algumas mulheres. Que tipo de mulheres? As traídas! E é impressionante o que uma mulher atraiçoada pelo marido é capaz de verbalizar. Para este tipo de mulher todos nós somos demónios traidores, mesmo quando não traímos! Se não estamos com outra mulher, temos planos para isso! E como é que eu sou capaz de afirmar isto? Fácil! São elas que mo dizem!
Nunca me hei-de esquecer do que uma funcionária de um hospital me disse quando soube que eu estava já casado e já com alguns anos de duração... "Isso não dura muito. Um jovem como você, que passa mais tempo em hospitais do que em casa... não tarda nada está metido com alguma doida dessas que praí andam. Se é que já não anda! Tantos anos a comer o mesmo bife com batatas fritas, qualquer homem enjoa." Reparem que a dita senhora elaborou este brilhante e elaborado raciocínio apenas na posse de alguns factos: que eu sou novo, trabalho muito e gosto de variar o bife que ando a comer! Sendo que o elemento aglutinador desta tese é o facto de eu ser um homem! E isso é suficiente.
Na minha faixa etária é muito comum encontrar mulheres divorciadas. São aos magotes! E como o seu discurso é semelhante! "Homens... todos iguais. Um marido de uma amiga arranjou uma brasileira na net. Achas normal? Já o porco do meu ex-marido também arranjou uma porca qualquer pela internet." Aqui os lugares comuns são: trocamo-las sempre por brasileiras que encontramos pela internet. Sendo bastante comum encontrar-me a escrever num dos computadores do serviço (como agora, por exemplo!) algumas delas tentam perceber se eu estou a falar com alguma "gaja"!
Mas o cúmulo dos cúmulos acontece quando essas generalizações são feita por alguma familiar. Neste caso uma mulher da minha família que se encaixa no grupo das traídas. E dizia ela, falando para a minha mulher como se eu não estivesse na sala: "Homens é tudo farinha do mesmo saco! E piora com os filhos! Então quando vem o segundo... parece que ficam loucos! E com a avançar dos trinta começar a pensar mais neles e nas suas necessidades... parvalhões. Lembras-te da P.? Aquela que tina uma relação de sonho, saiam, viajavam, ela dava-lhe imenso espaço e confiava nele a 100%? Pois é. Ele arranjou outra. A autora de um blog que ele seguia... metem-se na internet e depois dá nisto!" Depois, virando-se para mim: "Vocês são todos farinha do mesmo saco!"
Vejamos então o perfil: trinta anos, dois filhos, usa muito a internet, frequenta redes sociais como blogues, por exemplo, trabalha muito fora de casa e, claro, ser homem. Estou tramado.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais um momento perfeitamente escusado de crítica literária.

Sempre fui, abertamente, um defensor do Saramago. Fiquei do seu lado na polémica pré-lançamento de "Caim" e considerei que saiu vencedor no debate com a Igreja. O que eu admiro em Saramago, mais do que a escrita, são as premissas que originam os seus romances e a argúcia com que ele faz uma certa crítica social nos seus livros. Não os li todos, mas li bastantes para apreciar a sua obra. "Caim" é um flop. Uma mera forma de ganhar uns trocos para pagar os cuidados da velhice. Uma obra escrita à pressa.
Mas, pior que tudo isso, afinal o homem pode fazer "render o peixe" da maneira que entender, é que "Caim" trai todo o espírito saramaguiano na medida em que, em vez de ser uma crítica bem elaborada e estruturada e com um ponto de vista diferente mas legítimo (como o foi "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" que conta uma história sobejamente conhecido através de um ponto de vista diferente mas perfeitamente legítimo), trata-se antes de um exercício de sobranceria e arrogância do autor sendo mesmo ofensivo em algumas partes.
Em "Caim", Saramago aproveita o desterro a que Caim foi votado por Deus após assassinar o ser irmão Abel e imagina uma viagem que o leva a testemunhar alguns dos actos mais sanguinários descritos na Bíblia, desde o dilúvio do qual só sobreviveram Noé e a sua família e animais, passando pela destruição da torre de Babel e pelo genocídio ocorrido em Sodoma. Acontece que estes eventos não ocorreram na mesma época em que viveu Caim! Calculo que Saramago seja um grande fã da série "Lost" porque acontece a Caim exactamente aquilo que acontece às personagens perdidas na ilha durante toda a 5ª temporada (quem não viu que se informe porque eu não quero estragar a expectativa a ninguém)! Depois há muito sexo com sémen espalhado por várias partes do corpo da mulher, há violência gratuita sempre vinda da parte de Deus, que a propósito, é um sacana sem lei da pior espécie, um déspota que retira prazer do sofrimento humano e até os anjos são meros funcionários manietados por esse crápula, discordando dele à boca pequena.
Eu não sou de todo cristão, nem católico, nem de outra religião qualquer mas respeito. E, agora sim, depois de lida a obra, a Igreja tem argumentos para atacar o velho sabichão do Saramago. Em primeiro lugar porque a narrativa do livro é imensamente rebuscada e depois porque, enquanto obra de relevo, "Caim" é muito fraquinho.
Ó Saramago, não havia necessidade.... (mas, mérito seja reconhecido, safaste-te bem nas vendas durante o Natal, hmmm?)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Será a Festa do Pijama?

Minha gente. Mesmo para ir ao hospital porque se está doente tem de haver em nós uma réstia de dignidade. E ir de pijama para as urgências anula uma dignidade já fragilizada pelo facto de estarmos pálidos, despenteados, com os olhos encovados, a irmos constantemente ao gregório e a cagar fininho. A tendência natural dos profissionais ao avistar um doente de pijaminha é a de desconfiar. Alguém que sai de casa com um pijaminha cor-de-rosinha-com-ursinhos-carinhosos só pode querer chamar a atenção! Ou então é louco! Logo dois dos estereótipos menos aceites em contexto de urgência! A não ser que vos tenha dado um enfarte fulminante ou uma queda com perda de massa encefálica... vistam-se! E, façam o que fizerem, não vão para o hospital com aquelas pantufinhas-fofinhas-e-quentinhas-em-forma-de-cãozinho-de-olhar-meigo. É... deprimente. Também há a variante chic destes doentes. Os que usam chinelinho de pele e pijama com roupão de seda ou cetim! Meus amigos, não importa se é um pijama com griffe Louis Vouitton ou D&G. Um pijama é e será sempre um pijama.
O mesmo se aplica aquelas pessoas que passam o fim-de-semana de pijama vestido. Mas há coisa menos dignificante do que vir despejar o lixo de pijama? Não, não há. Mas qual é o problema em vestir uma roupa normal? Nem que seja um fato-de-treino! Um pijama é roupa-para-dormir. Dormir. Não para despejar o lixo ou passear o cão, para almoçar e estar a abobrar no sofá! Já pensaram que ninguém dorme com a roupa que enverga durante o dia? Eu pelo menos não!
Para mim, o conjunto pijama-felpudo/roupão-fofinho é das coisas mais deprimente e menos apelativas que há. Admito que há pijamas bem giros e que até são bastante atraentes mas lamento constatar que aqueles que aparecem no hospital são sempre ou rosa com ursinhos, ou azuis com gatinhos ou amarelinhos canário! E todos nas versões tecido-fofinho-mas-extremamente-sintético! Juntem-lhe as tais pantufas e voilá! São oficialmente os doentes-pateta!!!
Eu não uso pijama. Boxers e t-shirt. E não vou assim para as urgências.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Verdadeira Causa da Extinção dos Dinossauros.








(Ou, o que fazer com um filho quando chove a potes lá fora...)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Entrar no espírito da coisa.

Completamente dentro do meu papel de trolha (como tão simpaticamente me baptizaram nos comentários ao post anterior) hoje, ao ver a minha mulher e as suas formas gravídicas dei aqueles dois míticos assobios e...
FUIIIIII FUIIIIIU!
Pareces um helicóptero!! És gira e boa!!!
(e não, não é uma "cozinha rústica".)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uma Carreira Alternativa.

Andamos em obras cá em casa. O meu pai, hábil e sábio mestre-de-obras mostrou-me aquela que pode bem ser a minha carreira de sucesso alternativa: servente de pedreiro!
Ah, deviam ver a força a carregar com aqueles enormes baldes de entulho, a habilidade a passar as ferramentas ou a subtileza com que falhava todos os palpites...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Chamar os blogs p'los nomes!

Eu vou descobrindo blogs novos através de vários caminhos diferentes. Ou através dos comentários que deixam por aqui, ou através da lista da origem dos meus visitantes que consulto diariamente na página que faz a estatística aqui do pasquim ou através da listas de blogs existente nos blogs que eu próprio sigo.
Contudo eu sou um gajo exigente e não ando por aí a clicar em tudo o que é link para blog! Nada disso. Quando criei este blog achei que o nome devia ser ao mesmo tempo original e diferente mas devia definir o espírito da coisa. Não sei se fui bem sucedido mas pronto, saiu o título que encontram lá em cima, por cima do Calvin em cuecas. E esse é o meu principal critério na escolha dos links a clicar: o nome do blog! Quero aqui deixar alguns exemplos de nomes de blogs que eu considero de alguma forma originais e que me levaram a descobri-los:
-"Digo eu com os nervos...", fiquei com vontade de saber o que a autora dizia com os nervos!
-"O Doutor dá licença?" é uma expressão mítica para quem trabalha em hospitais!
-"Optimistas são pessimistas mal informados", este confesso, é um dos meus preferidos!
-"Porque deixei de ser enfermeiro", chamou-me a atenção por razões óbvias.
-"Xarope pa tosse", muito bom!
-"Como escrever uma tese como deve ser!" é também muito original
-"Odeio o travian", como não espreitar um blog com este título?
-"A Vontade de Regresso" pensei que era um blog sobre viagens e o primeiro post que li falava de enviar postais das nossas viagens, nem que fosse para nós mesmos! Enganei-me.
-"De Mel de Melão", fiquei com a sensação que era um de culinária e como gosto de mel e de melão... wrong again!
Há muitos mais por aí, e muitos ainda por descobrir! Contudo há uma pequena ressalva que gostaria de fazer... nem sempre o conteúdo do blog está ao nível do seu título e há muitos blogs EXCELENTES que não têm nomes tão chamativos...
(desculpem os blogs não estarem linkados, mas eram muitos e agora não tenho tempo!)

Vida cor-de-rosa.

Há qualquer coisa que me irrita no jet-set nacional. Ah! Já sei! É a completa acefalia dos socialites. E também a futilidade e aquela sobranceria intrínseca a quem julga que pertence a uma casta de genética superior. Mas o que me irrita mesmo são as pessoas comuns que alimentam estes fenómenos. As parvinhas que vão a correr comprar essas revistas cor-de-rosa onde se descrevem as vidinhas plásticas dessa gente plástica e de plástico. As loiras-burras cujo objectivo maior é "aparecer". As doidinhas que tudo imitam que tudo veneram, desde que apareça na bíblia-Caras. Uma ex-colega da minha mulher também queria "aparecer". Ri-me à brava quando ela de facto apareceu: na gala de fim-de-ano do Ídolos era uma das meninas a fazer aquela ridícula figurinha de "centro-de-mesa vivo" com um sorriso postiço mas com um olhar que não escondia a humilhação. Bem-feito!
A todas as wannabe de Lili, Cinha, Carolina e Pimpinhas: a nova moda é servir de centro de mesa vivo aos VIP, sabiam? Vá, vão a correr arranjar uma mesinha vaga, vão.
(acham que as enganei?)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Less is more"

Julgo que, em algumas pessoas corre ainda o sangue dos nossos antepassados recolectores. Mas esta veia recolectora, de armazenamento evoluiu para algo diferente adaptado ao modo de vida moderno e sedentário. E penso que podemos distinguir dois tipo de sucedâneos dos nossos primos primitivos recolectores tribais: os "amontoadores" e os coleccionadores.
Os "amontoadores" são aquele tipo de pessoa que não só não é capaz de se ver livre de nada que esteja em sua casa como também não é capaz de dizer que não a uma oferta ou uma "pechincha", mesmo que nenhuma destas lhe faça particular falta. Estas pessoas nunca deitam nada fora porque "Pode dar jeito". Tenho um familiar que tem a garagem atafulhada de material absolutamente inútil e obsoleto desde aqueles rádios leitores de cassetes dos anos oitenta, antenas parabólicas, televisões a preto-e-branco, pneus de carros, ferramentas repetidas, esquentadores, etc, etc, etc. Muitos deles poderiam ser vendidos a lojas de antiguidades ou usados como objectos decorativos, para aquelas pessoas que pretendam um look retro em sua casa mas não! Nada daquilo pode ser mexido porque "pode dar jeito" num dia qualquer. O mesmo se passa com os amontoadores de roupa. Pessoas que, por mais roupa que tenham nos armários são incapazes de dar a roupa que já não usam! Porque nunca se sabe quando é que aquela peça pode ser necessária! Curiosamente, estas pessoas queixam-se sempre que não têm roupa suficiente. Na minha linha de trabalho porém, existe um "nicho" destes indivíduos que me diverte particularmente. Falo dos "ratos de congresso". Os "ratos de congresso" são aqueles profissionais que vão aos congressos apenas com o objectivo de conseguir o máximo de brindes da propaganda médica que lhes for possível! Desde canetas, malas de mão, cadernos, blocos de notas, borrachas, guarda-chuvas, suportes para telemóvel, pastilhas, rebuçados, fitas-porta-chaves, ratos de computador, calendários, tapetes para rato de computador, pins e alfinetes de lapela... podia estar aqui a escrever tudo aquilo que a propaganda médica oferece. É uma autêntica corrida ao brinde onde a regra é "quanto mais melhor". E, na próxima vez que estiverem num hospital ou centro de saúde tentem reparar na quantidade de canetas que as enfermeiras (sim, as meninas são piores!) trazem na lapela... Portanto, os amontoadores armazenam coisas mais ou menos dispensáveis como as formigas armazenam comida para o inverno!
Os coleccionadores por outro lado são mais selectivos. Seleccionam um e apenas um objecto e armazenam o maior número possível de exemplares desse objecto. De sublinhar que um coleccionador ostenta com orgulho e destaca a sua colecção de objectos! Se eu até compreendo o argumento dos "amontoadores" de que "pode dar jeito", já me custa mais a entender os coleccionadores. Qual será o objectivo de coleccionar caricas, ou latas de refrigerantes? Para a maioria das pessoas estes objectos são lixo, depois de usados! E as colecções mais sérias como selos, moedas, carrinhos em miniatura, barcos dentro de garrafas, etc? Qual a utilidade disso? Já não falando de colecções que considero como sintomas de uma qualquer condição mental psiquiátrica como ementas de restaurantes, prendas e convites de casamento (mesmo que não se tenha sido convidado), pedras, cigarros, copos roubados de bares ou chávenas de café surrupiadas, colheres, etc, etc, etc...
Imagino sempre uma conversa deste tipo, num bar:
Coleccionador: Olá jeitosa! Posso oferecer-lhe uma bebida?
Jeitosa: Ui... olá homem bem parecido e atraente! Para mim um malte...
Coleccionador: Mas que bem parecida que a menina é... aposto que é instrutora de fitness. Eu sou empresário.
Jeitosa: Oh, obrigado! Mas não, sou secretária... Então e o que faz tão distinto homem nos tempos livres, para além de andar a engatar miúdas em bares duvidosos e usando frases de engate muito fraquinhas?
Coleccionador: Ora essa! Eu colecciono caricas e adoro passar horas a puxar-lhes o brilho e a dispo-las ordenadamente por ano de aquisição e por um elaborado código de cores que só eu descodifico! Gostaria de passar por minha casa para ver como desfiz cuidadosamente a curvatura causada pela abertura da garrafa devolvendo assim à carica a sua forma mais bela?
Jeitosa: Filho, eu posso estar desesperada mas tenho padrões mínimos. Adeus.
Numa palavra: deprimente.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Prémio: "Serás excomungada e arderás no fogo dos Infernos!"

"Jesus alinharia pelo casamento dos homossexuais, pois se Deus criou heterossexuais e homossexuais, quem somos nós para perseguir pessoas criadas por Deus?"

Anna Vicente, 66 anos, escritora e ex-presidente da Comissão para a Igualdade e Direitos da Mulher in "Visão" de 24 de Dezembro de 2009.

Gostava de ver os católicos anti-casamento gay a refutar este argumento...

Wondercalças?

Ninguém duvida que o wonderbra foi uma conquista na luta pelo aumento da autoestima feminina! Contribuiu também para o aumento de alguma da anatomia masculina, mas isso é uma outra história... Mas, dizia eu que o wonderbra foi, de facto uma grande conquista para as mulheres e quer-me parecer que se eles existissem nos anos 60 as feministas não andariam por aí a queimar tão prestimoso acessório. E após tanto sucesso do soutien-maravilha surge agora uma nova peça de vestuário que se propõe a elevar uma outra parte bastante importante do corpo feminino. Falo das novas calças "push-up" da Salsa Jeans!
O meu primeiro contacto com esse conceito deu-se (onde mais poderia ser...) num gaja-blog (sim, eu leio blogs de gajas muito gajas.), e pela foto e descrição fiquei curioso. Seria de facto assim, um simples par de calças poderia transformar uns glúteos flácidos e disformes num lindo e vistoso rabo? Passei então à fase de pesquisa nesta investigação: a observação! E, após ter observado (de um ponto de vista meramente científico, sublinhe-se) várias mulheres que envergavam orgulhosamente esse modelo de calça, posso hoje concluir que os resultados são... menos satisfatórios de o que a publicidade fazia prever. De todas as mulheres que tive a oportunidade de observar, nem uma beneficiou do milagre elevatório que a marca publicita. Pelo contrário! Pelo que pude observar, esse modelo específico tem um efeito pouco desejável: espalma o rabo feminino. Espartilha-o! O efeito "rabo empinado" que de que a marca fala pressupõe um rabo redondinho e elevado, não (presumo) um efeito em que o rabo é espalmado fazendo com que as nádegas subam sim, mas também se afastem! Ficamos com a sensação que estamos perante um enorme e largo rabo. E isso senhoras não é atraente.

Estes resultados de minha colheita de dados nesta investigação de enorme interesse quer para o mulherio, quer para os homens levam-me a fazer algumas interpretações. Em primeiro lugar: não há milagres! Nenhum par de calças no mundo é capaz de transformar umas nádegas flácidas num rabo de modelo Victoria's Secret! Depois, minhas amigas, se Deus não vos agraciou com uns glúteos firmes e perfeitos então a solução é.... correr e ginásio! Chama-se a isso "minimização de danos" e é bom para o estado geral do corpo. Um outro aspecto não menos importante é a questão do "engano". Imagino qual será a reacção do homem que, estando naturalmente com as expectativas elevadas erradamente causadas por um artefacto, se depara depois com os efeitos devastadores que a gravidade costuma ter nessas zonas corporais...

Acham mesmo que a miúda da publicidade precisa de umas calças que lhe realcem o rabo?



Pois. Precisa tanto das calças como a Eva Herzigova precisava do wonderbra para lhe realçar as seios!
Resumindo então os resultados deste meu estudo: as calças "push-up" da Salsa não resultam! E querem saber mais? Ainda bem!

sábado, 2 de janeiro de 2010

A Arrecadação.

De volta ao trabalho em 2010. Reencontro uma velha colega de outros campos de batalha e, inevitavelmente, pergunto como estão as coisas no trabalho, os antigos colegas. "Same old, same old" tudo na mesma, muito trabalho, a desorganização de que ainda me lembro, os colegas desse tempo foram saindo, muita gente nova sem espírito de equipa, enfim. A novidade está na reestruturação do espaço. aproveitaram um dos internamentos para ser o Serviço de Observação da Urgência (que não passa de uma espécie de purgatório onde os doentes aguardam que haja uma vaga numa enfermaria qualquer) abrindo assim espaço no Serviço de Urgência. Bem, em urgência em Portugal "mais espaço" significa normalmente "mais macas". O espaço que era anteriormente ocupado pelo SO é agora aquilo que nós chamamos "Box". Doente que, não se esperando que sejam internados, têm de esperar por algum exame ou consulta ou cirurgia ou, simplesmente estão em observação para que se decida o que fazer.

Até aqui tudo bem, parece-me uma clara melhoria das condições dos doentes até que pergunto o que foi feito da antiga Unidade de Cuidados Diferenciados (na verdade trata-se de uma Unidade de Cuidados Intensivos que funcionava na Urgência mas que, por razões logísticas não se podia chamar "cuidados intensivos"). Essa passou também para o novo piso da Urgência, agora esse espaço é utilizado para colocar os "casos sociais". Estes "casos" são na verdade pessoas, idosos na maioria, que ninguém quer receber, que a família abandonou, que os lares não querem manter porque dão trabalho e prejuízo, que os filhos e/ou netos deixam na Urgência e quando queremos dar-lhes alta o número de telefone fornecido ou não está atribuído ou nunca é atendido. O espaço de que falo não tem mais que 30 m2 e recebia, na sua antiga vida, três camas para doentes críticos. Quando perguntei qual a lotação máxima neste momento a minha colega respondeu: "Os que couberem."

Os que couberem? Conhecendo aquela realidade como conheço não me foi difícil imaginar o cenário: enquanto houver espaço enfiam-se macas lá para dentro. Para se chegar ao doente que está encostado à parede tem que se desviar as três ou quatro macas que estão juntas, numa espécie de estacionamentos em 3ª ou 4ª fila. Estes doentes são "não prioritários", não precisam de "cuidados essenciais", são os últimos a ser vistos, os últimos a ser cuidados. Considerando que a urgência nunca para. estes doentes recebem atenção quando o fluxo de doentes "a sério" acalma. São vistos nos intervalos da chuva. Este espaço fica bem no fundo do serviço, última porta à direita. Baptizaram-no de "A Arrecadação".
E "A Arrecadação" bem pode ser uma metáfora para caracterizar a sociedade moderna, aquela à qual pertencemos, aquela que ajudamos a construir. Que sociedade somos nós, que permitimos que os nossos velhos sejam "arrecadados" desta maneira? Gostaria de poder melhor descrever aquilo que me refiro mas não é possível. É uma sala com 30 m2 atulhada com macas onde pessoas velhas estão deitadas e onde é impossível chegar de uma parede à outra mantendo todas as macas lá dentro. É uma sala cheia de gente deitada em macas mas também cheia de murmúrios e gemidos, de gritos de dor e desespero. E de solidão. Isto é o fim da linha para muitos dos nossos.
Para mim, uma vida de sucesso é aquela que termina junto dos nossos. Dos nossos filhos e netos, genros, noras, amigos. Não sei como definir uma vida que termina na "Arrecadação".

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Até pró ano!

Sempre estranhei esta espécie de euforia que se vive à volta do "fim-de-ano". Encarei-a sempre mais como uma desculpa para se cometerem alguns excessos, numa tentativa de catarse do ano que finda. Mas o certo é que, muito embora se mudem os calendários e as agendas, o resto permanece lá. O mesmo trabalho, os colegas do dia anterior, o mesmo chefe, o trânsito de sempre, os filhos e o marido. Passada a euforia, as resoluções inspiradas por Baco e a ressaca que não permite nunca que esses resoluções se cumpram, o essencial da vida não mudou.
O calendário de 2009 pode estar hoje na sua última página mas não me apetece fazer balanços nem resoluções cujo fim não depende só de mim. Mas posso falar do que guardo de 2009: finalmente aprendi a relativizar e a desdramatizar, a ver que as coisas que me parecem más também têm um lado positivo. E tento hoje encontrar nas coisas o seu lado mais positivo. E as coisas não me têm corrido mal! Vi o meu filho crescer forte e com saúde e com muita personalidade também! E entretanto decidimos que era a altura de aumentar a família! Do que de menos bom se passou não guardo memória, nem quero!
2010 será marcado mesmo a meio. Teremos um período AN (Antes do Nascimento) e um período DN (Depois do Nascimento). Nos próximos 365 dias espero novos e renovados desafios, espero comprovar que ter dois filhos não equivale a ter o dobro do "trabalho" mas sim muito mais e espero estar à altura desses desafios. De resto, 2010 será um ano de preparação, de planificação, de lançamento para aquele que será o ano que poderá marcar uma mudança de rumo nas nossas vidas: 2011! Entretanto, o meu desejo para 2010 é muito simples: bom humor e muita energia positiva!
Para todos desejo isso mesmo, uma disposição muito "sweet" e toda a energia que conseguirem obter! É isso que encontro numa das músicas que mais me marcou este ano e não consigo deixar de ouvir em volume máximo...



Feliz 2010!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ainda se lembram?

Tenho mais piada que o Bruno Aleixo.

O conceito até era engraçado: um "ewok" de Coimbra a dar pequenos conselhos para uma vida melhor! Uma coisa bem experimental, bem ao jeito da Internet, um projecto que prometia tornar-se num fenómeno de culto no panorama do humor cibernético. Mas não. Da internet para a TV, de "ewok" para um cão rafeiro qualquer e, finalmente para as massas através de uma rádio nacional.
Hoje vinha a ouvir mais um dos episódios de "Bruno Aleixo a falar no rádio" na Antena3 e, pasme-se, nem gargalhada, nem um sorriso, nem sequer a intenção disso. Mas pensei que, se escolhesse apenas um de todos os episódios que já vi/ouvi, calharia sempre cocó. E ri-me da minha própria piada.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os Corredores da Vida.

"Porque são nos hospitais tão importantes os corredores?. Existem as salas de espera, as enfermarias, os elevadores, os quartos, as salas de operações, etc...mas os 'corredores' enquanto espaço (de caminho para o desconhecido) ganham um protagonismo nos relatos dos doentes (e também na literatura de ficção). A fotografia deste blogue tem também um corredor...". Este é um comentário da ex Ana que me fez reflectir. Na verdade, porque é que os corredores dos hospitais são tão presentes e têm um papel tão dramático na ficção. Veja-se a "Anatomia de Grey" por exemplo. As grandes questões dramáticas e muito do desenrolar da história acontece nos corredores!

Os corredores hospitalares têm uma grande importância no dia-a-dia de um hospital não por aquilo que valem como um factor que contribua para o desenrolar da "acção" mas mais como um espaço de encontro entre os profissionais. As máquinas de café estão nos corredores, as pessoas encontram-se e falam dos seus problemas (e dos problemas dos outros!) nesses corredores. Eu, por exemplo, utilizo o corredor quando preciso de "escapar" por momentos a tudo aquilo que se desenrola nos quartos e salas de tratamento ou exames. É o espaço que eu utilizo para me sentar e repousar um bocado, tendo a certeza que não vou ser interrompido por algum doente ou familiar. O corredor é território neutro no confronto entres doentes, famílias e profissionanis! Depois, todas as situações mais emocionais que envolvam dois profissionais acontecem no corredor! Arrufos de namorados, discussões, beijos, conversas alegres ou tristes, revelações e desabafos, confrontos e resolução de conflitos, finais de relações e "rapidinhas"! Tudo isto acontece nos corredores.

Calculo que, para os doentes, o corredor tenha algum tipo de valor simbólico. Para aqueles que vão ser submetidos a grandes cirurgias o corredor deve ser encarado como a última etapa de um caminho que deixará de ser conhecido a partir das portas do Bloco Operatório. Para os que estão internados será uma espécie de Limbo onde aqueles corpos se encontram presos. O mundo que existe para lá dos quartos, o único sítio onde podem dar mais de 5 passos seguidos sem encontrar uma parede.

Mas os corredores pertencem aos profissionais. Aos enfermeiros e médicos, auxiliares e técnicos e aos empregados da limpeza. É nos corredores que a vida pessoal desta gente se desenrola e é neles que, muitas vezes se decide da vida dos doentes e do próprio hospital. E por isso eu lhes chamo os "corredores da vida".

Indicador de Produtividade.

Percebe-se as prioridades de um Povo no combate à "crise" quando o tema dominante das conversas de café é, por esta altura, o número de feriados e "pontes" que ocorrerão em 2010.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Isto é O Natal!

Feliz Natal a todos!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Momentos Preciosos.

"PAI, PAI,PAI, PAIIII! Estão dois ursos atrás de ti, pai!
Onde filhote, onde??
Atrás de ti pai!! FOGE!! (e corre rapidamente para trás da cama do nosso quarto ficando à espreita com um sorriso maroto)
Mas filho, estes são dois ursos amigos! Vês como eles não fazem mal?
(sai do seu esconderijo e fica em pé a olhar para o tecto) Vocês não são mauzões, ursos? Pai, os ursos são amigos! (um sorriso e dirige-se a mim com um bracito levantado, como se viesse de mão dada com um dos ursos!)
Vês. Como se chamam os ursos?
Kenai e Koda! O Kenai é grande e o Koda pequenino! Vamos saltar!!! (ele tem um colchão no chão do quarto que usa como trampolim!) Senta pai, senta!
(ia sentar-me no puff quando...) NÃO!!! NÃO SENTES AÍ!!! Aí está o Kenai...
Desculpa... sento-me no chão então.
Ó pai, pai olha como salto com o Koda!! (salta vigorosamente com os dois braços levantados fingindo estar de mãos dadas com o urso) Anda saltar com o Kenai!!
(e eu lá vou, saltando como se estivesse a segurar as enormes patas de um urso)
Pronto filho, o Kenai e o Koda vão dormir. E tu também tens de vir para a caminha..
Não! Quero saltar!
Vá, escolhe a história que queres ouvir hoje...
Os ursos podem ouvir a história também?
Claro que sim filho!!!
KENAI E KODA, KENAI E KODA!! Vamos ouvir a história!!! (sobe já para a sua cama levando consego o livro que escolheu. Senta-se)
Kenai sentas aqui e o Koda senta aqui! (e aponta os locais onde os ursos se devem sentar, enquanto se aperta o mais possível contra a cabeceira para arranjar espaço para os enormes ursos!)
Podes começar a contar pai!!! (e passa-me o livro que escolheu: Kenai e Koda, da Disney!)