terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Estejam atentos quando andarem nos corredores de algum hospital...

Mas haverá melhor tema para regressar aos textos dignos desse nome, em vez de posts sobre os abdominais do CR7/9 e listas de Natal megalómanas, do que... cadáveres? Não. Um cadáver é uma pessoa, amemos o cadáver. Eu já vi, já mexi e já empacotei a minha dose de cadáveres. Uns com mais vontade outros com menos, uns com pesar e outros com uma estranha leveza, o que me levou a reflectir sobre o psicopata assassino que pode morar nas entranhas da minha mente. Mas nunca com indiferença. De todos os cadáveres com que já tive o prazer de privar (cá está a tal leveza...) houve dois particularmente marcantes: o primeiro, por razões óbvias e um com quem me cruzei nas Urgências de um hospital central da zona de Lisboa. Corria o ano de 2005...
Encontrava-me no Balcão de Mulheres, como sempre o mais movimentado ou não fossem as mulheres as nossas principais e mais fieis clientes, e os bombeiros trazem-me uma senhora deitada numa maca. Magra, nariz afilado e cabelo negro, apresentava-se pálida mas consciente. Não me lembro do nome mas trocámos algumas palavras. Tosse, febre, falta de forças em Novembro ou Dezembro logo me remeteram para algum tipo de infecção pulmonar. O médico enviou-a para o Rx. O tempo passou, os doentes também até que uma senhora me abordou: "Sr. Enfermeiro, a minha mãe não se está a sentir bem..."
"Desculpe?"
"A minha mãe, mandou-a fazer um Rx mas ela ainda não foi vista e não está a sentir-se nada bem."
"Mas... o que se passa?"
"Bom, ela simplesmente deixou de falar comigo..."
Acompanhei a senhora até ao corredor onde os pacientes esperam pela chamada para os exames e, assim que virei a esquina percebi o problema da doente. Um pálido translúcido, os lábios escuros, o olhar vazio, por mais que descreva um cadáver não é possível transmitir aquele aspecto... bom, aquele aspecto morto! No corredor, com dezenas de pessoas a circular, doentes e profissionais! Claro que não podia revelar o meu diagnóstico ali, no meio de tanta gente...
"Dª Fulana? Ó Dª Fulana, sente-se bem?.... Pois, não reage.... aguarde aqui que vou leva-la já para dentro! Vamos fazer um tratamento Dª Fulana!!" E, calmamente, empurrei o cadáver para a sala de reanimação, liguei-a ao monitor para observar aquela linha plana e continua que é, tão dramaticamente usada nos filmes e séries para marcar a morte do artista, e chamei o médico.
"O qu'é q'foi pá?"
"Doctor! A mulher foi-se."
"'Atão s'tá morta p'ra qu'é q'me chamas??" E retirou-se tão depressa como chegara. O cadáver ficou-me "nos bracinhos". E ali fiquei, a fazer tempo. Não podia sair logo e transmitir a notícia à filha, ela aperceber-se-ia de que pouco ou nada tinha sido feito e por isso, ali fiquei. Aproveitei aquele tempo morto (piada fácil, eu sei) para adiantar trabalho e fazer a verificação das máquinas e para repor material. Depois chamei o médico para que ele certificasse o óbito e transmitisse a notícia à família. E não, não me envergonho de ter passado a "batata quente"!
E pronto, mais uma história real do país real onde, por vezes as pessoas morrem nos corredores de hospitais enquanto esperam por exames. A sorte ainda vai sendo o facto de andarem por aí uns carolas enfermeiros!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Querido Pai Natal,

Já há uns anos largos que não te escrevia. Desculpa lá. Este ano não vou pedir as coisas do costume como a paz no mundo e o fim do aquecimento global e essas tretas. Que raio! Se por todo o lado somos atacados pelo lado sombrio e consumista do Natal, eu também quero a minha fatia! Mas enfim, a minha educação não me permite ser um puro-sangue consumista que compra porque sim e sinto-me na obrigação de justificar os meus desejos de natal para 2009. Então? Preparado? Cá vai:
(as imagens não reflectem o produto desejado. Devem ser usadas apenas como exemplo ilustrativo.)

Porque temos que proteger os olhinhos!

Porque... porque... porque escrevo muito na Internet e nem sempre tenho o computador do serviço disponível.


Porque a saúde dos pés se reflecte em todo o corpinho!


Porque a minha velhinha e compacta P100 já não satisfaz a qualidade fotográfica que os meus filhos merecem!

Portanto, são apenas coisinhas simples para um menino que se portou bem todo o ano! Trabalhei com afinco, ajudei o próximo cuidando das suas maleitas e, caramba!, até fiz um bebé!! Vá lá, Pai Natal (ou Menino Jesus, que eu não sou esquisito sobre de onde vêm os presentes) não estou a pedir nada de mais.

Um grande abraço e um beijinho nessas tuas barbas fofinhas de velhinho adorável!

Miguel.

Olha, Olha, o Incrível Hulk...


Diz que faz 3000 abdominais por dia...
Pfff.... grande coisa.

(A inveja também é verde.)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Brincalhona...

Depois de uma noite em que não dormiu, passou o tempo a tentar sair da cama saltando por cima das grades de protecção lateral, a gritar por alguém imaginário obrigando-me a ir ao pé dela para a devolver ao leito, a arranjar a roupa e a fralda, uma senhora diz-me, muito sorridente, pelas 6 da manhã:
-"Bom dia Sr. Enfermeiro! Dormi muito bem mas não sei porque me sinto tão cansada..."
Bolas.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Malditos Sindicalistas!!

Eu, dono e senhor deste estaminé, não dou o devido valor aos meus pequenos funcionários. Não os valorizo, não os congratulo, não os gratifico. E só me apercebo da sua real importância quando eles param as suas actividades e me encravam o ritmo de trabalho deste empreendimento.

Pois é, o Sr. Criativo está de greve novamente e, sem ele, isto não funciona. Esperam-me duras negociações...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Porto em imagens...

Aliados



Jardins de Serralves


Rotunda da Boavista

E o nosso principal meio de transporte!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Profundíssima conclusão após aturada reflexão do meu brilhante e sombrio intelecto:

Os médicos são como as noivas. Andam de branco e deixam toda a gente à espera.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Orgulhosamente só!

Eu não li NADA, RIGOROSAMENTE NADA da saga Twilight, a história dos vampiros-paneleiros! Vampiros que têm outras emoções que não seja a compulsão incontrolável de matar para se alimentar? Que são bonzinhos e têm uma consciência moral e ética acerca do quão errado é matar seres humanos? Não tarda nada temos a saga dos Maléficos Vampiros-Vegan, que já nem podem comer animais de sangue quente!
Vampiro que é vampiro é feio, porco e mão e quando se refere a "comer" a miúda quer mesmo dizer ingerir-o-seu-sangue-quente-e-pulsátil e não dar-lhe uma queca! E se anda de dia é porque é um super-vampiro da pior espécie!
Bram Stoker deve andar ás voltas no túmulo. Ai deve, deve!

Se eu fosse rico...

Hoje atrasei-me para o trabalho. Deliberadamente. Vim para o hospital em "modo automático", aquele sistema perfeitamente autónomo que me guia até ao trabalho sem eu me dar conta. Estava na fila para a ponte e só pensava: "Que porcaria! Porque é que não posso viver a minha vida como nos últimos três dias?". Perdemos os nossos melhores anos, em que somos activos, jovens, curiosos e, porque não dizer, belos, a trabalhar e depois quando temos tempo livre e até algum fundo de maneio para viajar e gozar a vida, as pernas tremem-nos, as peles abanam e não temos vagar para essas coisas.
Eu adoro ir para hotéis! Nem precisam de ser 5 estrelas. Aliás, prefiro os 4 e 3 estrelas. O serviço é bom mas não existe aquela formalidade dos 5 estrelas. E há duas coisas que eu ADORO nos hotéis. Em primeiro lugar os fantásticos pequenos-almoços! Chegar ao restaurante e poder escolher entre vários tipo de pão, bolos, croissants, torradas, poder escolher entre um café ou um galão ou um cappucinno, sumo de laranja, ovos mexidos e bacon, queijo, fiambre...! Depois a prazer que me invade quando chego ao quarto, que deixámos perfeitamente caótico entre camas desfeitas e toalhas usadas e os brinquedos e os sapatos do Gabi espalhados, e o encontro imaculado! As camas prontinhas a seres desfeitas, as toalhas novas simetricamente dispostas nos toalheiros, o WC arrumadinho e o pijaminha do Gabriel dobrado ao fundo dos pés da cama e os brinquedos arrumados na mesinha! Há lá coisa melhor que isso? Não.
Passar tempo com a nossa família é um outro luxo! Três dias inteiros de passeio, mesmo que tenha estado frio e tenha chovido por períodos! O Gabriel adorou andar a pé pelos passeios, andar no autocarro e no metro, sempre a descobrir coisas novas como a estátua do leão que está a pisar a águia ou os meninos a andar de skate na Casa da Música, as estátuas dos meninos com o rabo de fora na Av. dos Aliados, as luzes de natal, a torre muito alta e o dinossauro que está desenhado nas paredes do estádio do Dragão! Nós gostámos da cidade, Casa da Música, Baixa, Ribeira, Serralves, Clérigos, francesinhas e claro (eu ADOREI!!) o fantástico Estádio do Dragão onde não foi possível entrar mas onde joguei à bola com o meu filho que envergava uma lindíssima camisola do FCP!!! O Porto é, acima de tudo, uma cidade acolhedora. Nas dimensões (bem mais pequena que Lisboa) e nas pessoas. Vimos sempre um sorriso na cara de quem observava as travessuras do Gabriel, alguém que sempre entabulava conversa connosco ou com ele e sempre simpáticas a dar-nos indicações e até a sugerir visitas!! E sempre com aquele delicioso sotaque!

Por tudo isto, cada vez mais sinto que eu não nasci para estas coisas de andar aí a dar banhos aos velhinhos e a fazer pensos e a dar injecções. Não, a minha vocação é viver em hotéis e passear por sítios novos! E faz-me espécie, a sério que faz, quando alguém afirma que mesmo que fosse premiado com o Euromilhões que continuaria a trabalhar. Porque senão seria chato. E nesta altura apetece-me estrangular alguém.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ó murcons!

Este fim-de-semana bou pr'á Inbicta. Só dare uma buolta...
Portaide-vos bem, se puderdes!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uns catrapilos novinhos em folha!!


Eu sou MOTOMOTO!!!

Segundo a minha digníssima esposa.

Subir os padrões.

Não sou tipo de entrar em bate-boca, troca de galhardetes e escalda de insultos. Confesso que é algo que me cansa. De cada vez que assisto a duas pessoas que entram numa corrida de impropérios fico sempre com a sensação que são duas crianças que se degladiam por algo perfeitamente insignificante.
"Tu és mesmo estúpido!
E tu és parva.
"Ainda por cima mal-educado!" (esta diverte-me sempre pois sai da boca de quem, invariavelmente, abriu as hostilidades!)
"Olha-m'esta doida..."
"Doida é a tua mãezinha ó cabrãozinho de merda!"
"Puta
"Corno
"Vaca
"Paneleiro
.... e assim continuam! E, para estas coisas vulgares não me convidem que eu sou um gajo de classe. Por isso confesso que tenho uma estima muito especial, respeito até, por quem me consegue insultar com alguma classe! Por exemplo, admiro muito mais quem me ofende com um sofisticado "cretino" do que com um vulgaríssimo "burro". Ou então "imbecil" em vez de "estúpido". E porque não substituir o pueril "parvo" por um assertivo "idiota"? Fiquei agradavelmente surpreendido quando há alguns dias atrás, num aceso debate entre colegas, alguém optou por deixar de lado o famoso "tu deves ser é parvo" por um subtil "tu és intelectualmente limitado". É que isto faz toda a diferença! Esta escolha revela que a pessoa que profere o insulto nos tem em alta consideração. Um dos insultos que mais gosto de arremessar é um elaborado "mentecapto". Reparem que em vez de gastar a minha energia num longo e furioso "Mas como é que raio acabaste a merda do curso se no lugar do cérebro tens uma ervilha!" arrumo o assunto com "Lamento mas não discuto com mentecaptos." Isso ou "oligofrénico". Uma das poucas vantagens de ter a minha linha de trabalho é o facto de podermos utilizar vocábulos pouco conhecidos da maioria das pessoas para as insultar. Assim, o insultado perde uma arma importante: a espontaneidade! Responder a um "Filho da Puta!!" rapidamente é fácil, está-nos nos genes, é imediato. Por outro lado, dar troco a um impropério do tipo "Que sofras de priapismo até ao final dos dias!!" é confuso porque, em boa verdade, a pessoa não sabe bem o que raio isso é!! Já não estarão os carecas aborrecidos de morte com as velhas piadas de piolhos que patinam na sua careca lisa e reluzente? Claro! Então porque não inovar com um "Essa alopécia está a impedir-te de pensar"?
Pronto. A partir de agora solicito aos imbecis oligofrénicos com problemas de erecção e ejaculação precoce que gostam de me insultar, que o façam com algum nível! Ah, e o meu pénis é maior que o vosso...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Porque não começar em Agosto?

No início de Novembro já havia centros comerciais completamente engalanados com os enfeites de Natal. Ele é árvores em todos os cantos, renas, bolas e pais natais em miniatura. Ele são as "Cidades do Natal" com duendas altas, loiras e esguias, num descarado "piscar de olho" aos papás das criancinhas e o bom velho Pai Natal a distribuir prendinhas aos petizes.
Será que sou só eu que acha que isto desvirtua o Natal? Que as crianças (e principalmente nós, os pais) já vomitam Natal quando chegarmos à Véspera e Dia de Natal? Que todo este apelo ao consumismo que está hoje associado a esta época não nos dá margem de manobra para mantermos viva a boa e velha "magia do Natal"?
Como é que se convence um puto que o Pai Natal dá a volta ao mundo a presentear as crianças quando ele é visto em todos os Jumbos e Continentes do país? Como é que se afirma a uma criança que o Pai Natal só presenteia os meninos bem comportados se tudo o que é preciso para um presente é colocarmo-nos na fila? Como é que se mantém a aura de magia e inacessibilidade do Pai Natal quando ele está ali, e fala com eles e lhes pergunta o que querem receber pelo Natal?
O Natal ganhou um novo significado e um novo fôlego para mim desde que o Gabriel nasceu e confesso que hoje, a um mês da Noite de Natal, evito entrar nesses antros de Natais Plásticos que simplesmente assassinaram o Espírito de Natal.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

All night long!!

Sexta foi dia de noitada! Daquelas à séria, all night long como antigamente. Uma noitada como já não fazia há... bom, há anos! Por acaso coincidiu com o primeiro aniversário aqui do estáminé mas já estava combinada há muito tempo. E, desde o dia em que combinámos tudo que eu sabia que havia de terminar a noite numa qualquer discoteca do sub-mundo gay. Mas já lá vamos...
Bairro Alto. Terminámos o jantar perto da 1 da matina e saímos para as ruelas calcetadas do famoso bairro lisboeta. A tradição ainda é o que era, mistura de tribos em cada rua, em cada esquina, em cada bar. Se há coisa que gosto no Bairro é esse despretenciosismo, esse bem receber quer os betos, quer os dreads, quer os afro, os anarcas, os hippies, os bêbados e os drogados. Bom, estes últimos espalhados pela calçada propriamente dita! Seguimos até encontrar um grupo de amigos do nosso cicerone. Um grupo só de homens que se cumprimentaram com beijinhos ternurentos na face e um afecto especial... Não é que tenha ficado chocado, longe disso! E depois já estava avisado ou não fosse o nosso guia um gay assumido!
Primeira paragem: Salto Alto. Um barzinho design com música no máximo. E esta é uma das grandes contradições que encontro na noite: se o propósito é estar com os amigos, porque raio acabamos por nos enfiar em locais onde o diálogo é impossível? Mas pronto, as pernas lá cederam ao ritmo das batidas e a noite estava lançada! E estávamos nós a dançar no nosso canto quando se nos afigura uma verdadeira personagem do passado, anos 80...
Não muito alto, cabelo grisalho até ao fundo do pescoço, penteado por trás das orelhas. Olho azul penetrante, anéis em quase todos os dedos e um casaco preto comprido que lhe chegava aos tornozelos. Logo o baptizei como "Mestre Gay"! Cumprimentou (beijinho, beijinho) um dos rapazes que se tinham juntado a nós entretanto e logo depois o meu colega. Uma breve conferência e logo foi apresentado ao resto do grupo. Pelos vistos é uma figura ilustre e conhecida da noite do Bairro, proprietário de um restaurante lá do sítio. Quando fomos apresentados eu estiquei o braço para um másculo aperto de mão enquanto ele inclinou a face para mais um beijinho... 1 a 0 para o aperto de mão! "Fechámos" o bar eram quase 3 da madrugada e, surpresa, surpresa (NOT) lá me informaram que afinal já não íamos para o Lux, que tínhamos sido convidados pelo Mestre para o acompanharmos a um outro sítio onde entraríamos sem qualquer tipo de dificuldade e sem pagar. Porreiro pá! Vamos a isso!
Subimos o Bairro, passámos o Príncipe Real e eis que chegámos ao nosso destino: Trumps (ou simplesmente T)! Concentração de homens por m2: cerca de 95%! Caramba, nunca tinha visto uma discoteca com tantos gajos! A verdadeira, a genuína "Festa da Mangueira"!!! Segundo uma amiga (hetero) que nos acompanhava:
"Nunca vi tantos gajos bons juntos!!"
Ao que respondi: "´Pois, só é pena que gostem de comer o mesmo que tu!". Ou seja, não tinha concorrência! Mas também, as (poucas) miúdas que lá estavam também gostavam do mesmo que eu... E por falar em miúdas, reparei logo numa mulata que dançava (muito sensualmente) em cima de um pequeno palco mas logo fui informado que se tratava, na verdade de um transexual... daí para a frente tentei estar mais atento mas, na verdade, já não sabia quem era quem!!! Foi giro ver todo o jogo de sensualidade que se vê nestes tipo de ambientes: olhos nos olhos, a dança dirigida sensualmente para quem se pretende conquistar, o jogo de sedução "agora aproximo-me, agora não" e, finalmente, a decisão de agarrar o outro e beijá-lo apaixonadamente... ele a ele! Mas o mais giro da noite aconteceu cerca das 4h. A porta da pista abre, um ENORME homem, todo musculado, careca e vestido de preto com a agressividade estampada na face irrompe pela pista. "Vai haver merda..." pensei, enquanto ele se dirigia a um rapaz que dançava no meio da pista. O gorila avança para ele e... prega-lhe um french kiss à séria, enquanto se "encaixam" numa sensual dança corpo-a-corpo!!!
Mas, muito sinceramente, foi muito giro!! Uma noite bem passada na companhia de gente engraçada e, acima de tudo, muito gentil. Todos foram excepcionais em receberem-nos bem num local que sabiam que nos era estranho mas que, no fim de contas, é apenas mais uma discoteca onde as pessoas expressam a sua liberdade e se divertem como em qualquer outra. Contudo, não posso deixar de manifestar uma pequena frustração pessoal. Nas cerca de 2 horas e 30 minutos em que estive na pista, nem uma abordagem, nem um pedido para dançar, nem sequer um simples olhar mais fixo. Ora! Ninguém me ligou nenhuma... e isso é coisa para frustrar um homem!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Voltem sempre!

Há um ano, estava no serviço sem nada para fazer e lembrei-me: "Olha! Vou criar um blog!" e pronto, nasce o "Cheirinho a éter..."! Apesar de toda a evolução, os altos e os baixos, os seguidores, os amigos, o carinho e todas as outras coisas boas que têm vindo desse lado (Obrigado a todos!), a filosofia mantém-se a mesma! Lembro-me, como se o tivesse feito ontem, do primeiro texto que aqui escrevi!
AVISO: Este blog será mantido durante as horas que passo nos serviços (são dois, Às vezes mais...) por isso, na prática estarei a ser pago (imaginem lá por quem!!!) enquanto estiver aqui a escrever patacoadas!!!
Nunca a expressão irada de um utente descontente "Ouça lá, sou eu que lhe pago o ordenado seu..." teve tanta razão de existir (doce vingança!). Mas olhem, já que me estão a pagar, disfrutem e visitem este novíssimo serviço de saúde (patológico) e não se esqueçam de utilizar o livro de reclamações (comentar vá.)
PRÓXIMOOOOO!!
Voltem sempre, sim? Obrigado.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

As voltas que a vida dá.

Sempre fui frontalmente contra toda esta histeria que se criou em volta da Gripe A. Na minha humilde opinião os cuidados a ter prendem-se com medidas gerais de higiene e a vacinação deve ser dirigida aos grupos de risco de sempre. Entretanto a DGS alarga esse grupo às crianças saudáveis entre os 6 meses e os dois anos e às grávidas nos 2º e 3º trimestre. Se não há notícia de problemas entre as crianças entretanto vacinadas, o mesmo já não se pode dizer das grávidas: 3 fetos mortos em 3 dias. O que interessa dizer aqui é: ocorrem anualmente centenas de mortes fetais no 3º trimestre e, até agora, isso nunca foi notícia! É absolutamente abusivo que os jornais estabeleçam, ainda que apenas implicitamente, uma relação de causa-efeito entre a vacinação anti-gripe e a morte dos fetos. Funciona como quando um avião cai. Lembro-me que, após a tragédia do voo da Air France que se despenhou no Atlântico, houve notícias sucessivas de quedas e avarias nos aviões iguais ao que caiu!! A imprensa quer sangue... e confunde a opinião pública, deixando a população cheia de dúvidas. Com a informação clínica ainda não estabelecida, nós próprios ficamos, por vezes, sem resposta para dar aos utentes.
Eu faço parte de um grupo de risco! Afinal, passo muitos dos meus dias no "gripanário", nome com que carinhosamente baptizámos o Serviço de Apoio à Gripe. Se, até há bem pouco tempo, nem a Mariana nem o Gabriel eram parte de um grupo de risco, o que me deixava relativamente à vontade na abordagem ao doente suspeito, limitando-me a cumprir as regras de barreira física (luvas e máscara), com a Mariana grávida de 6 semanas o cenário muda radicalmente, uma vez que este vírus parece ter uma apetência especial para as grávidas. Porque todas as medidas que impeçam o vírus de entrar na nossa casa serão sempre poucas, vacino-me amanhã!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Portugal na África do Sul!

Eles passar, passaram. Mas que ainda não me convenceram...

A Verdadeira Felicidade.

Quando a Mariana engravidou pela primeira vez confesso que não compreendia bem as emoções que surgiam, dia após dia, à medida que a barriga aumentava. Estava feliz, isso era certo, afinal tinha sido uma gravidez planeada de um filho desejado! Mas acompanhava-me um certo sentimento de que talvez, talvez devesse estar mais empolgado, mais ansioso, mais... feliz.
Um momento marcante nessa minha "evolução emocional" foi a primeira ecografia! Foi o momento em que eu senti que ia ser pai! A batida rápida do coração do Gabriel invadiu o meu lado mais íntimo e quase que juro que, por momentos, o meu coração bateu ao compasso do dele! A partir daí, as minhas emoções passaram a ter um objecto, um alvo. Mas, mesmo assim, continuava a pensar que a amplitude da minha felicidade não era suficiente. O tempo passava lento mas calmo. A gravidez foi calma, a Mariana não teve grandes queixas. Nem vómitos, nem dores, nem perdas de sangue. O crescimento do Gabriel foi normal, as análises sempre bem. Ansiava pela próxima ecografia e sentia que amava já aquele bebé minúsculo, ampliado pelo aparelho e que só conhecia de perfil e a preto e branco!
As últimas semanas foram de ansiedade! Não via a hora de conhecer o meu primeiro filho, a ponto de os meus colegas comentarem que eu próprio estava "grávido"! Até que.... Fomos à consulta das 39 semanas e a Mariana regressou a casa já com uma sensação de desconforto no baixo ventre. Almoçámos e saí para o trabalho. Entrava às 16 e o telefone tocou ás 15:30: "A bolsa rebentou!". E ás 21:51 do dia 04 de Abril de 2007 percebi que não estava errado. Nada daquilo que senti durante os nove meses de gestação me tinha preparado para aquele momento, o momento em que o Gabriel nasceu e chorou! Ainda hoje não encontro palavras para descrever esse momento. Mudo, as lágrimas corriam livres pela face enquanto abraçava mãe e filho. O meu filho, o meu Gabriel. E soube, finalmente, o que é a Felicidade. Posso hoje dizer que foi o momento mais sublime da minha vida.
Por isso, estou muito mais empolgado nesta "2ª volta"! Porque hoje sei o que me espera, conheço a evolução das coisas e sei o significado de "Amor". Não posso esperar pela 1ª ecografia, pela barriga crescida, pelos movimentos e pontapés, pelo evoluir da relação do Gabriel com o irmão/irmã, pelas suas dúvidas e questões, por aconchegar o bebé nos meus braços, no seio da nossa família, por adormecer com ele no meu peito. E envolver o Gabriel em todo este processo. Não peço muito, apenas que o tempo corra rápido, sem sobressaltos! Ah!... e que seja uma menina!
PS: obrigado a todos pelas palavras de carinho dadas no post anterior!
PS2: só tu Ana C... só tu!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Não doeu!!

Lidar com crianças doentes não é fácil. Nada fácil mesmo, nem para os pais, nem para os profissionais de saúde. Contudo a criança é, obviamente, a menos responsável pelo seu tratamento. Observo com alguma apreensão uma atitude que se generaliza cada vez mais entre os pais de crianças pequenas (digamos até aos 10 anos) e que se prende com uma certa inaptidão para lidar com a criança doente. Confesso que hoje, enquanto pai de um menino de 2 anos que não gosta de médicos, compreendo melhor a angústia dos pais quando confrontados com a recusa do seu pequeno em receber o tratamento.
O que deixa perplexo é perceber, em cada vez mais casos, a atitude excessivamente democrática de alguns pais perante os seus filhos. Falando curto e grosso, são os putos que mandam lá em casa e os pais vivem ao sabor dos apetites dos miúdos. Hoje tive um caso paradigmático: uma miúda com 7 anos que se recusava e fazia birra porque não queria fazer um aerossol (!). Estamos a falar de uma criança com capacidades cognitivas para perceber o conceito do tratamento que ira receber e que, de facto, não adviria qualquer tipo de desconforto com aquele tratamento. Pois a miúda gritou e berrou e bateu na mãe e esta manteve sempre aquele registo de quase súplica, nunca se impondo claramente e terminando com uma frase que me causa urticária: "Ela não quer...", como se a vontade da menina fosse suprema e irreversível.
Um outro caso aconteceu quando um menino de cerca de 6 anos me chegou ás mãos para fazer uma injecção de penicilina. Claro que dói e é desconfortável mas é inevitável e o último recurso. O puto berrou e esperneou e bateu e mordeu no pai sem que este tivesse uma postura acertiva e inequívoca acerca de quem mandava. Informei o pai que o menino teria que ser imobilizado e ele concordou. Quando deitámos o menino e o segurámos para eu lhe poder administrar o fármaco, o pai afastou-me bruscamente e levou o menino, recusando que o seu filho fosse medicado. Meus caros amigos, isto é um crime! Além de que o pai reforçou o comportamento negativo do filho e hipotecou as hipóteses que havia de ele perceber que o tratamento é perfeitamente suportável e prejudicou o seu filho, negando-lhe o acesso ao tratamento mais rápido e eficaz! Cada vez mais me parece que os pais, na ânsia de demonstrar amor e carinho, confundem a educação pela positiva com o facilitismo e o mimo em excesso, transformando os seus rebentos em monstrinhos mal-educados, caprichosos e manipuladores.
Para terem um exemplo de como isto pode ser verdade, certo dia uma mãe ao dirigir-se a mim dizia-me que era melhor chamar mais duas pessoas para imobilizar o seu filho porque ele recusava as injecções e tinha uma força bruta. Ora, eu entendo que este tipo de discurso só serve para reforçar esse comportamento por parte da criança que se sente muito importante, ao ponto de a mãe avisar um outro adulto acerca da sua força. Neste caso (e atenção, que isto nem sempre resulta) levei o rapaz (mais ou menos 8 anos) para dentro e expliquei-lhe o que se iria passar e avisei-o que o iria picar as vezes que fossem necessárias até o medicamento estar administrado em toda a sua totalidade e que, quanto mais força ele fizesse, mais seriam as picadas envolvidas. Expliquei-lhe ainda que eu era bastante mais forte que ele e que podia sempre chamar mais um adulto para me ajudar. Ou seja, todo o seu poder, a sua arma de arremesso, foi anulado! Toda a sua aura rebelde e agressiva desapareceu e o miúdo portou-se lindamente!
A minha abordagem para estes miúdos rebeldes (e estou a usar um eufemismo!) é a de lhes mostrar que ali, naquela sala, não são nem eles nem os pais que mandam. Sou eu! E com maior o menor dificuldade, dando tempo aos pais para conversarem com eles e dando pistas subtis aos pais para firmarem a sua posição, eles acabam por aceder. A miúda do aerossol de hoje demorou cerca de uma hora a aceder mas, no final disse-me "Não doeu!".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Viagem de autoconhecimento.

Com a histeria da gripe dos porcos surge agora entre os profissionais de saúde um aspecto muito positivo de auto-conhecimento e consciencialização. O facto de sermos obrigados a usar máscara durante horas a fio coloca-no assustadoramente perto de um aspecto pessoal nem sempre reconhecido: o nosso próprio hálito.
E, através dele, iniciamos uma viagem ao nosso íntimo da qual não voltaremos os mesmos...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A nova canção-fétiche.

Muito seventies, a lembrar os Led Zeppelin, e mesmo a calhar para quem, como eu, já tinha saudades da pureza de uma guitarra bem esgalhada!! Rock on baby!!!

Fogo-de-artifício verbal.

"Então do que se queixa?". Esta parece ser a pergunta-gatilho para uma maratona verborreica de alguns doentes.
"Ai sr enfermeiro, dói-me aqui as cruzes. Sabe, eu trabalhei muitos anos no campo e então, quando tinha 20 anos, sabe, em 1955, que foi quando o meu marido faleceu, deus o tenha em eterno descanso, porque que lhe uma grande dor muito grande no peito e faleceu-se-me mesmo ali, na cozinha. Diz que foi um farto do micardo ou lá o que foi. Mas pronto, ele faleceu e eu tive que ir trabalhar para o campo, para a quinta do capitão Areias que foi um grande combatente da guerra, diz que esteve para lá perdido nas francias ou nas alemanhas ou lá o que era e que tinha um feitiozinho tramado, andava sempre armado e a gritar com os trabalhadores e deitava-se logo ao chão quando estoirava alguma coisa. Coitadinho, morreu de velho e os filhos e os netos, que eram uns grandes gananciosos estavam mortinhos por vender a quinta para construir uns apartamentos. Isto era ali na zona da Costa que aquilo era só quintas naquela altura, agora é que é só prédios e todos mal feitos. O meu genro que trabalha nas obras diz que os construtores são todos uns aldrabões que não metem o material de primeira e que poupam no cimento e depois acontece como aconteceu a mim que se me racharam as paredes todas e depois o trafulha não me quis arranjar o problema. São uns trates. Mas eu fui então trabalhar para o campo e uma vez dei um jeito tal na espinha que fiquei entrevadinha durante uma semana e não sentia as pernas, andei um mês a levar umas injecções de cavalo para se me aliviarem as dores e a enfermeira era uma gorda que afiava as agulha na parece e aquilo doía para burro, isto foi já em 1975 já o Salazar tinha morrido e os comunistas é que mandavam nisto. Nessa altura toda a gente era doutor e andavam aí uns barbudos nas escolas que tratavam os professores por tu, era uma pouca vergonha as mulher a mostrar as pernas e a barriga na praia e a fumar deus me valha, que eu nunca fumei. E então na semana passada fui pegar no penico que estava debaixo da cama e dei aqui um mau jeito e então vinha cá resolver isto."
E nesta altura eu peço a estas pessoas para aguardarem a sua vez na sala de espera e tomo um ben-u-ron para ver se me alivia a dor de cabeça.
PS: esta situação está descrita como "discurso em fogo-de-artifício", quando o indivíduo não é capaz de seguir uma linha recta até à conclusão do seu raciocínio.

Tacanhos.

Mas que país é este, que gente é esta que se propõe a referendar um assunto que é da intimidade de cada um? Que Estado é este que tenta, covardemente, escusar-se a decidir e que se tenta livrar das responsabilidades de que foi incumbido? Que legitimidade é a nossa para impedir duas pessoas, ainda que do mesmo sexo, a viver juntas, partilhar uma vida, ter os mesmos direitos jurídico-legais que um casal heterossexual?
É vergonhoso e humilhante, não só para os homossexuais, mas para todos os Portugueses.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quem tem cú... (tomo 2)

"Desculpe!?!!?" disse o médico, desesperadamente a tentar controlar a estridente gargalhada que forçava a saída "o senhor que saber se foi..."
"Enrabado." atalhou o doente já pouco preocupado com juízos morais. "Isso, isso. Portanto o senhor não sabe se lhe realizaram sexo anal e quer ver essa dúvida esclarecida. Lamento mas não há qualquer exame que lhe possamos fazer."
"Eh pá, ó doutor.... "
"Já perguntou ao seu amigo?"
"EU?!! Eu não falo com paneleiros! Era o que faltava..."
"Mas, eu não tenho nada a ver com isso, afinal se foram de férias juntos deviam ser bons amigos..."
"Isso era dantes. Agora não quero ter nada a ver com esse.... esse.... esse rôto!"
"Bom, nesse caso, lamento imenso mas terá que viver com essa dúvida."
"Ó doutor... pense lá bem... não há mesmo nada?"
"(suspiro) Enfim... calculo que possamos fazer uma rectosigmoidescopia para observar a mucosa anal e procurar por algumas lacerações..."
"BOA!!"
"Mas aviso já que é um exame invasivo..."
"Ó doutor, estou disposto a tudo!! Diga lá"
"Terei que lhe introduzir uma sonda no ânus. É um objecto comprido, de forma fálica, com um diâmetro considerável. Teremos que o lubrificar para que progrida com o menor grau de dor possível. Mas, não se preocupe, o músculo anal é bastante flexível."
"Ai doutor... vamos a isso então! Só lhe peço uma coisa sim? Seja meiguinho..."
Este é um diálogo ficcionado que não reflecte qualquer indivíduo ou situação. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Não foi usado qualquer meio de diagnóstico pago com o dinheiro dos contribuintes e nenhum ânus foi dilatado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Quem tem cú...

Há alturas na vida em que, pura e simplesmente, nos vemos assolados por dúvidas que nunca julgaríamos possíveis.
Ele era um homem bem parecido, na casa dos trinta, solteirão. percebi que era o típico solteirão bon vivant porque entrou no "balcão" da Urgência acompanhado pela sua "mãezinha" que foi a primeira a dirigir-se ao médico: "Dr, por favor, o meu filhinho não se sente bem..."
"Por favor mãe, já te disse que não preciso que venhas comigo!"
"Mas, filho..."
"Sai mãe."
E a senhora lá se retirou, visivelmente contrariada.
Por esta altura eu estava a preparar medicação para outros doentes, mas a consulta era feita numa mesa mesmo ao meu lado.
"Então o que o traz aqui?" pergunta o médico?
"Bom... eu gostava de fazer um exame para ver se está tudo bem comigo..."
"Mas... um exame? Quais são as suas queixas?"
"Bom... um exame... para ver se está tudo bem... para ver se estou... inteiro..."
Por esta altura eu já tinha percebido que aquela conversa trazia água no bico e já estava a atrasar o meu serviço, apenas para ver a conclusão!
"Ó homem! Por favor, eu tenho muitos doentes para ver e, se não se queixa de nada, aqui não se fazem exames! Vá ao médico de família." O médico estava a ficar farto do impasse.
"Ó Doutor... eh pá, eu só quero um exame, alguém que me diga se eu continuo o mesmo..."
"Mau... esta conversa não vai a lado nenhum. Ou diz exactamente o que quer ou então retira-se!"
Sentia-se a tensão no ar. Acho que naquela altura já tinha desistido de disfarçar e estava a fixar o doente, a espera de uma resposta!
"Então?" forçou o médico. A doente manteve o silêncio durante alguns instantes. Suspirou e depois disse, como se despejasse um saco cheio que lhe pesava nas costas...
"PRONTO! PRONTO! FUI PARA MAIORCA COM UNS AMIGOS. MUITO ÁLCOOL, MUITAS PASTILHAS E COCA, MUITAS GAJAS. NÃO ME LEMBRO DE NADA MAS UM AMIGO DO NOSSO GRUPO REVELOU QUE É PANELEIRO E EU SÓ QUERO SABER SE ELE ME FOI AO !!! Já disse..."
O doente estava ofegante como se tivesse corrido os 100 metros contra o Bolt e tivesse ganho, vermelho como um tomate e olhos pregados no chão. Olhei para o médico e ele para mim. Ele começou a rir, primeiro de uma forma contida e depois cada vez mais alto. Eu retirei-me do gabinete e fui libertar a minha estridente gargalhada. Não sei como o médico resolveu a questão mas esse dia foi passado a rir. Muito. E a gozar.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Encontro.

Tendo como pretexto uma "reunião de trabalho" que permitisse a troca directa de ideias entre os três autores de um blogue fantástico e que todos deviam seguir, encontrei-me pessoalmente com duas das mais brilhantes mentes da blogosfera: Ana C. e Melissinha. O local escolhido foi o Magnolia Caffé, em Lisboa. Logo à partida o local escolhido era uma razão para ir com algumas reservas. Afinal, uma espécie de café com livros, com lounge e jardim? Tudo isto me pareceu demasiado fino e, porque não dizer, snob para alguém do povo, como eu e cujo ganha pão consiste em limpar os rabos extremamente borrados de idosos acamados.
Depois os backgrounds das ilustres senhoras: uma guionista que escreve novelas para a TV e uma tradutora / revisora de texto que também trabalha para a TV! Duas figuras quase-públicas, obviamente. Eu, um enfermeiro que mal sabe juntar duas palavras quando comparado com estas duas profissionais da língua Portuguesa, comecei logo por dar um bom exemplo da minha rudeza (e, no fundo, da minha portugalidade) chegando atrasado e deixando as senhoras à espera! Assim que entrei no espaço escolhido (eu sugeri uma qualquer Fnac mas elas acharam que isso seria demasiado populista) senti o peso da distinção dos clientes: circunspecção será a palavra que melhor define o ambiente. Tudo calada ou a falar em surdina, a ler jornais "sérios" ou revistas "culturais". Nada de Correio da Manhã, Record e TV Guia. Aprumadamente vestidas em contraste com as minhas calças de ganga pretas e t-shirt verde estampada! As senhoras acenaram timidamente e logo Ana C. fez valer o seu status social de habitante de Cascais, cumprimentando-me com um beijo apenas e deixando-me de cara "pendurada" esperando pelo segundo!
Contudo, como havia imenso assunto para conversar (obrigado blogosfera!) e como um homem nunca se atrapalha, logo a conversa estava a correr de feição! Blogosfera, livros, viagens, família, histórias profissionais e a famosa "conversa-macabras-sobre-mortos-e-afins-de-profissional-de-saúde" e alguma má-lingua acerca de "blogs que são tão maus que temos de os seguir para poder dizer mal!" foram os motes para cerca de quatro horas de conversa animada! Sinceramente, não fiquei desiludido. Quer a Ana quer a Mel foram aquilo que estava à espera e até mais!! A Ana tem o mesmo humor acertivo, corrosivo e certeiro em pessoa e é bastante mais simples do que estava à espera! A Mel é ainda mais divertida em pessoa do que o que transparece no blog!
Fartámo-nos de comer, num brunch que incluiu pão, scones, bolo de chocolate, ovos mexidos com salsicha e bacon, sumo de laranja natural que espalhámos pelo chão porque o jarro estava com defeito, compotas, café e chocolate quente, ovos "benedict" feitos na hora e rúcula!! Muita rúcula... que só a Melissa comeu. Fomos servidos por um empregado antipático e pouco competente, as pessoas aparentemente alheadas das nossas conversas fartaram-se de prestar atenção ao que dizíamos, a ponto de os cinco amigos da mesa do lado não disfarçarem o seu interesse por uma conversa que envolvia monstros e morte e loucura (tem a ver com uma história...)!
As coisas correram muito bem, foi divertido, interessante e estimulante! Mas, atenção, só se deve fazer com bloggers seleccionados.
PS: o "jardim" de que falam no artigo sobre o café... bem, não é bem um "jardim"... é mais um pequeno rectângulo de terra com algumas ervas (rúcula?) e umas pedrinhas brancas espalhadas! E eu que ia a pensar em descalçar-me e passear livremente pela relva...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ó MALTA!!!

Para onde é que foram todos os comentários e comentadores?? Estamos a ficar muito mandriões ó senhores leitores...

A culpa foi minha mas...

Um dos principais pilares desta coisa que é ser enfermeiro é a comunicação. Ter a certeza que o paciente ou acompanhante recebe a informação e a percebe.
Certo dia, na Urgência Pediátrica, recebo uma criança com cerca de 5 aninhos. Vinha com dores de barriga, essencialmente. Após observação médica concluiu-se que o menino estava com o intestino cheio de fezes e era necessário que ele fizesse um cócó(zão)! Aproximei-me da mãe com o microclister (o microlax ou bebegel como são normalmente conhecidos) e disse-lhe apenas: "Dirige-se ao WC e coloca no rabinho do menino e depois é só aguardar pelo efeito." E assim foi, a senhora foi para o WC com o menino e eu passei ao menino seguinte.
Após algum tempo (bastante) achei estranho o facto de não ver o menino obstipado e a sua mãe. Procurei na sala de espera dos doentes, dos familiares, á porta da rua. Nada. A porta do WC continuava fechada e resolvi bater. A mãe abre a porta e diz, a medo "Ainda não fez nada, sr. enfermeiro..."
"Deixe-me lá entrar para ver isso..."
De pé, em cima de uma cadeira e debruçado sobre o lavatório com os cotovelos apoiados estava o menino. Do meio das suas nádegas um objecto plástico amarelo salientava-se, como se tivesse calculado mal o diâmetro da abertura e estivesse já demasiado exausto para tentar libertar-se do seu cativeiro. A mãe limitou-se a introduzir a cânula do clister no recto do menino e, sem apertar, deixou-o lá introduzido. Cada vez que dou um destes clisteres a um pai, este episódio regressa à minha fértil imaginação...
Deste episódio retirei duas importantes lições: devemos ser o mais claros e precisos possíveis a passar a informação e não devemos nunca assumir que as pessoas sabem do que estamos a falar. por muito simples que o assunto nos pareça! A segunda: ele há pessoas muito burrinhas não há?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Atrás do espelho quem está?

O habitual pragmatismo da língua anglo-saxónica resume tudo em apenas seis letras: "me time". O "me time" é o mais precioso luxo de um pai (ou de uma mãe) de família, o nirvana egocêntrico no meio do bulício da existência pós-miúdos. Traduzido em português significa um singelo "tempo para mim", o que não tem metade da graça, porque perde aquele concentrado de letras que nos dá a sensação de estarmos a falar de uma coisa realmente preciosa e única. E Deus sabe como ela pode ser MESMO preciosa e única.
Nos tempos mais atribulados, a vida familiar e a vida profissional são como que duas paredes deslizantes a convergirem na nossa direcção. Nas piores fases, olhamos à volta sem saber como fugir ao esmagamento, tal qual Indiana Jones nas catacumbas de um obscuro templo indiano (e sem a miúda gira ao lado). É nessas alturas que o "me time" é muitas vezes a única chave que faz parar esse terrível mecanismo e nos permite recuperar o fôlego, pôr as coisas em perspectiva e voltar a ganhar forças para manter a cabeça fora de água no Maelström que a vida consegue ser, à boa maneira de Poe. No entanto, Indiana Jones (e Edgar Allan Poe) sabe bem como esses mecanismos podem ser traiçoeiros.
Há um efeito colateral, que é a obrigação de lidar com os problemas de consciência. É que o "me time" arrasta quase sempre consigo a desagradável sensação de que estamos a falhar como pais, maridos ou profissionais. Sentimos que precisamos desesperadamente de tempo para nós porque não somos suficientemente estóicos, ou então porque somos demasiado egoístas. Como o soldado que deserta da frente da batalha: achamos que estamos a trair alguém, ou toda a gente junta, do bebé de ano e meio à avozinha sobrecarregada.
Mas a consciência também tem as suas armadilhas, ainda mais perigosas quando se disfarçam de bons sentimentos. A verdade é que o "me time" é o refúgio que nos garante que ainda continuamos a ser nós, que o "eu" com que vivemos tantos anos não se eclipsou para dar lugar, em exclusividade, ao papá do Gui ou ao marido da Teresa. Às vezes dou por mim a pensar que combato ferozmente pelo território do "eu" como um animal que protege o seu último reduto. De outra forma, seria como se me acomodasse a ser fatiado pelo dia-a-dia - este bocado para os filhos, este para o trabalho, este para os deveres domésticos, este para as obrigações conjugais - até nada mais restar senão um fiozinho de mim.
Nos maravilhosos filmes de animação do japonês Hayao Miyazaki, o nome das personagens está profundamente ligado aquilo que elas são, à sua identidade mais profunda. Em "A Viagem de Chihiro", a bruxa Yubaba tenta controlar Chihiro apoderando-se do seu nome, como se ao ficar com aquelas sete letras conquistasse também a sua alma. O "me time" é o antídoto contra as bruxas do tempo e das obrigações, o refúgio que me permite dizer: "Continuas a chamar-te João Miguel."
Porque, nos dias mais tristes, o espelho da casa de banho já não é suficiente.
Por João Miguel Tavares em Notícias Magazine de 13 de Setembro de 2009.
Porque é reconfortante quando sentimos que não estamos sós... este é um texto que eu gostaria de ter escrito.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Esquizo-histerismo.

Com a esquizo-histeria com que os Portugueses lidam com o H1N1 os serviços estão atolados em gripes e viroses. Passo o meu precioso tempo a explicar que, nesta fase da pandemia NÃO SE FAZ O TESTE LABORATORIAL PARA DESPISTE DO H1N1! Mas as pessoas continuam a insistir em saber se têm a gripe A ou a "normal", como se disso dependesse o sucesso do seu tratamento...
Tudo isto para dizer que não tenho tido tempo para vos dar a atenção que me merecem e fizeram por garantir. Obrigado e continuação.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fétiche.

Música. De uma forma geral, toda a gente gosta de música. Clássica ou moderna, pop, rock, jazz, soul, hip-hop, popular, pimba, fado, enfim, o que seja. Depois há aqueles que são conquistados pelas letras da canção e ou outros, cujo principal interesse reside na melodia.
Eu pertenço ao segundo grupo. O que me conquista, o que me chama a atenção numa canção é a parte melódica. Os riffs de guitarra, o ritmo do baixo, a percussão da bateria, a voz do cantor. Para ser conquistado por uma canção, ela tem que me envolver. Como, na maior parte das vezes, ouço música no carro, a canção tem que preencher todo aquele pequeno espaço, o baixo tem de se fazer sentir no meu peito, a guitarra tem de me fazer mover o dedo como se fosse eu próprio o guitarrista responsável por aqueles acordes. A bateria tem de ter o condão de mover o meu pá ao som da sua batida (o esquerdo porque o direito está no acelerador e não daria bom resultado!!). Nunca me importo com a letra de início. Trata-se de sentir a música em vez de a ouvir... Claro que depois, quando descodifico a letra, chego à conclusão que nem sempre as palavras fazem jus às emoções!
Depois, alguns pormenores fascinam-se. Um piano dissonante no meio da canção, uma batida descompassada, um solo de baixo, uma palavra dita fora do tempo, um grito, um "yeah" berrado ao microfone. Pequenos pormenores que, estando fora do contexto, enriquecem a canção. Por tudo isto eu tendo a preferir os álbuns live. Dos meus grupos favoritos, grupo em que pontificam os ENORMES Radiohead (vénia), os melancólicos Cure e os electrizantes Pixies (aplausos, aplausos) já só ouço as suas versões "ao vivo". Porque as suas canções são re-inventadas, onde havia um solo de piano aparece agora uma guitarra, o tom do cantor está acima ou abaixo da versão original, a letra nem sempre é a mesma e a energia anda à solta! Não há edição, percebe-se as pequenas imperfeições, os erros, os atrasos, a letra que se esqueceu. E são estes "imperfeições" que constroem os mitos!!
Por outro lado, aparecem por vezes canções de grupos mais ou menos conhecidos dentro da minha esfera de gosto musical que me conquistam à primeira audição! Não sendo potenciais clássicos, são músicas que me fazem sempre subir o volume do autorrádio ou do iPod. São as músicas-do-momento, fétiches musicais momentaneos que duram algum tempo para depois fartar, arrumar e substituir. Assim, a minha canção-fétiche do momento! Espero que gostem...


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sim, pois claro...


Prendinha do colega Tabanika. A razão pela qual eu não gosto da palavra anglosaxónica "nurse" é que não tem correspondência no masculino, em português... e isso é um bocado panisgas!!
Obrigadinho ó colega!!
;)

Erros.

O erro. Todos os profissionais erram mas poucos serão os profissionais cujo erro pode decidir entre a vida e a morte de terceiros. Os médicos (numa primeira análise) e os enfermeiros (quer queiramos quer não!) são dois desses grupos. E há dois factores essenciais que potenciam o erro médico: a inexperiência e o excesso de trabalho! Eu já passei pelos dois e já vi outros passarem pelo mesmo.
A primeira vez que realmente errei, colocando em risco a vida do paciente, era ainda um estagiário do último ano. Depois de administrar insulina a um doente apercebi-me que tinha picado o doente errado. A insulina em doentes com níveis de açúcar normais no sangue vai baixar esses mesmos níveis a níveis potencialmente fatais. Recorri à enfermeira responsável pelo meu estágio e expliquei-lhe o que estava a acontecer. Ela, experiente, ajudou-me a monitoirizar o doente a manter os níveis de glicémia em valores normais. O único prejudicado foi o doente que foi picado nos dedos a cada hora, durante toda a noite!!! Esta foi uma valiosa lição para mim e hoje não administro nada sem me certificar que tenho o medicamento certo e o doente certo! Este foi um erro causado pela desatenção e pela inexperiência.
O segundo erro marcante ocorreu na Urgência de um grande hospital da zona de Lisboa, com uma afluência desumana, era eu já um enfermeiro certo das minhas competências e já com alguma experiência. Ao tratar de uma doente, estando munido de todo o material para colocar um soro numa veia e com todas as seringas cheias com os fármacos prescritos, coloquei o soro endovenoso em curso e comecei a injectar todos os fármacos prescritos. incluindo um que tem indicação para ser dado APENAS por injecção intramuscular (na nádega) e NUNCA endovenoso... Assim que terminei de injectar o fármaco, o meu erro atingiu-me na barriga como se fosse um murro! Naquela altura só havia uma coisa a fazer: vigiar a doente e estar preparado para o pior. Felizmente a doente não se ressentiu e tudo correu pelo melhor. Neste caso o erro foi potenciado pela pressa e pelo escesso de trabalho com que somos confrontados. Depois disto já tive vários sustos mas nada de grave!!
O mesmo já me aconteceu com médicos. Um que prescreveu um fármaco anti-convulsivo numa dose DEZ VEZES superior ao indicado que, se fosse administrado seria a morte do doente! Inexperiência. No outro, um experiente e competente médico prescreveu um fármaco cardíaco numa dose três vezes superior ao indicado, o que significaria também a morte do paciente. Aqui, excesso de trabalho. Em ambos os casos, os médicos ficaram gratos pela minha atenção.
Obviamente que somos humanos e podemos errar mas, no nosso caso, a tolerância com o erro é nula. Nem poderia ser de outra forma. Estes casos que descrevi serviram para que eu aprendesse a evitar esses erros mas o que me preocupa são os erros não detectados. Porque morrem doentes em circunstÂncias estranhas, principalmente em Urgência e nem sempre (quase nunca) quem erra partilha essa experiência com os restantes. O erro médico é a "besta" que ninguém quer encarar ou admitir, o "tabu" que não interessa ser desvendado, uma "área cinzenta" onde ninguém sabe bem quem é ou foi responsável. E (aos futuros enfermeiros que seguem este blog, prestem atenção) quando um médico cai, nunca o faz sozinho! Arrasta consigo alguns outros profissionais, quase sempre enfermeiros. Chama-se "erro médico" mas não é certamente só aplicado aos médicos.

sábado, 24 de outubro de 2009

There...

Que banda... que... banda!!



Simplesmente os melhores.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Por ali e por além...

Sobre viagens. Gosto de viajar. Melhor, gosto de conhecer novos sítios, porque a viagem propriamente dita, a deslocação do ponto A para o ponto B entedia-me. E, por isso, não gosto de longas viagens de carro! Para fora do país sempre de avião, se possível, mas o que eu gostava mesmo era de um sistema de teletransporte como aquele do "Star Trek"!! Num segundo em Lisboa e no seguinte em Tóquio!!
Desafia-me a Ana C. a descrever as três viagens mais marcantes. Ao contrário dela, isso não é uma tarefa difícil porque viajo muito menos do que gostaria! Assim:
Cólonia, Alemanha: é marcante porque foi a primeira vez que viajei de avião e porque foi nessa viagem que eu e a Mariana decidimos casar!! É suficiente para relembrar não?
Bósnia e Herzegovina: estive lá durante uns meses numa missão humanitária. É marcante por vária razões. É impressionante ver que as marcas da guerra se mantêm 10 anos depois do seu fim. E não me refiro à destruição física mas sim às marcas psicológicas que se perpetuam, aos sentimentos de ódio entre etnias. Uma tradutora de etnia bósnio-croata dizia-me: "Como posso algum dia perdoar aos muçulmanos se eu vi o meu pai, primos e tios serem executados por eles?". E vários relatos semelhantes se ouvem também dos muçulmanos. Foi bom trabalhar com os locais e também com outros enfermeiros alemães, franceses e norte-americanos. O país, apesar de arrasado é lindíssimo e tem imenso potencial.
Paris: tenho uma ligação grande com esta cidade. Cresci a ouvir relatos acerca dela por parte dos meus primos "franceses" pelo que, ao chegar lá senti-me estranhamente integrado! Foi a primeira viagem com o Gabriel, a cidade é lindíssima. Vamos voltar!!
Quanto a viagens a fazer?? Bom, esta é fácil!! Todas as capitais europeias pois gosto muito de passear por cidades, EUA e NY como toda a gente e depois os paraísos turísticos mostrados pela "Volta ao Mundo"!!!
Coisa pouca, portanto!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

10 m2

"Aguarde aqui.". A sala era pequena e fria. Uma pequena mesa com revistas antigas. Dois cadeirões de veludo verdes. As paredes brancas, despidas, com manchas amareladas de humidades antigas e entranhadas. O lambrim de 1,20 m estava gasto, partido em alguns lugares revelando o cimento despido e bolorento. O rodapé revelava buracos irregulares na madeira corroída pelas térmitas, túneis de acesso ao submundo dos ratos e insectos.
Sentou-se a medo. Sentiu as molas do sofá quando se sentou e ouviu-as ranger, cedendo ao seu peso. Pegou numa revista e viu uma foto do Goucha ainda com bigode e com um aspecto sóbrio. Estava à espera de uma reunião importante com o Director da empresa onde trabalhava. Sentia um tremor constante no corpo que o obrigava a constantemente mudar de posição. Sacou do telemóvel e pesquisou em todos os itens do menu até se cansar. Passaram 5 minutos. Levantou-se e percorreu a sala em todo o seu comprimento. Olhou pela janela. Estava num rés-do-chão que dava para as traseiras do prédio. Contentores do lixo, móveis velhos e partidos, um gato. Ensaiou o discurso que convenceria o Director a promovê-lo. Era essencial que assim fosse. Precisava do dinheiro. A casa, os miúdos, os carros. Passou as mãos pelo beiral do lambrim. Pó seco e antigo entrou-lhe pelo nariz. Detestava pó, estava agora com dor de cabeça. A porta de entrada, fechada, tinha um vidro fusco que apenas lhe permitia ver vultos. Sobressaltava-se quando ouvia passos no enorme corredor vazio lá fora e decepcionava-se quando o vulto passava, apressado pela porta, sem se deter. Passaram 20 minutos.
O relógio parecia zombar da sua impaciência. O grande ponteiro dos segundos, sempre irrequieto no horário de trabalho curto para as tarefas a desempenhar, estava agora apático, sonolento. Arrependeu-se de ter deixado a "Visão" daquela semana no carro. Poderia lá ir buscá-la mas tinha sido avisado da falta de tempo do Sr. Director, da sua intolerância aos atrasos. Não queria arriscar ser chamado durante aqueles minutos de ausência. Ficou. Fixou as formas retorcidas da base da mesinha, em ferro forjado. Desenhou-as com a mente e confirmou em seguida o seu sucesso. As mancha de humidade na parede eram agora manchas de Rorschach. Viu um lobo, um punhal, uma bala, uma caveira. Passaram 2 horas.
Ouvia o seu coração ribombar, os dentes a ranger, a respiração a acelerar, os pêlos a eriçar, os ratos a correr nas paredes, os insectos a roer a madeira. As manchas de humidade cresceram. Um punhal, uma bala, uma caveira. Cocou a cabeça despenteando os cabelos. O discurso ensaiado estava confuso, palavras soltas, vagas, incoerentes. A mente vazia. Passaram 5 horas.
Um vulto trespassou o vidro frio da porta "Acompanhe-me". As pernas torpes, dormentes, bambas. Cambaleou, seguiu e endireitou-se. O coração disparou. Entrou no gabinete. "Não tenho muito tempo, seja breve." Engoliu em seco, a voz secou. "Desembuche homem!", a língua gelou. "Se não tem nada a dizer, homem, saia." Não saiu. "Está parvo? Quer ser despedido?!??!!" Não respondeu.
Um punhal, uma bala, uma caveira.

Papéis

Papeis. Na vida desempenhamos vários papeis. Em casa marido e pai. No trabalho, enfermeiro, chefe ou chefe de equipa. Papéis onde se espera que tenhamos uma determinada actuação, uma determinada postura. Num teatro não há mistura de papéis. Não se agarra num novo papel antes que o anterior esteja terminado, não se trocam roupas e adereços entre duas personagens. Mas na vida todos estes papéis estão ligados, contidos no mesmo invólucro, são várias faces da mesma personagem.
É como se todos fossemos uma espécie de Jeckyll e Hide com múltiplas personalidades, e procuramos a todo custo harmonizar todos os nossos pequenos egos. Mas não é possível essa harmonia quando há dois ou mais papéis em constante conflito, em constante competição pela nossa atenção. Não é possível desempenhar todos os papéis que nos foram sendo atribuídos com a mesmo sucesso e o mesmo empenho. Ou será?
Eu, pelo menos, não sou.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mau Karma.

Hoje foi um daqueles dias neuróticos. Impliquei, chateei, zanguei, berrei e encafuei-me no gabinete porque já estava farto de ouvir toda a gente! Hoje todos os pequenos confrontos foram éplicos conflitos, todas as pequenas questões foram grandes problemas, os pequenos esquecimentos grandes falhas e incompetências. Hoje não houve espaço para rir nem para brincar, nem para pregar partidas. Hoje estive impossível de aturar e sem pachorra para aturar ninguém.
Hoje foi um dia de neura, daqueles que raramente acontecem, mas o que me intriga mesmo é que não consigo atribuir um motivo, uma razão para este estado de espírito. Tudo bem que entalei um dedo logo que cheguei ao serviço mas, não é suficiente. Mas sei que foi algo (ou alguém?) que me encheu de energia negativa hoje.
Amanhã é outro dia...

Fantástico!

Hoje, 19 de Outubro de 2009, recorde absoluto de visitas a este blog: 253! Desde o início, cerca de 32000 visitas! Significa muito para mim, obrigado a todos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PORRADA!! ANDA TUDO À PORRADA NAS URGÊNCIAS!!!
Vou só ali afiambrar uns sopapos nos anormais que agrediram o Segurança e volto já...

Pingo Doce, venha cá!!

Adoro o novo anuncio do Pingo-Doce!! É fantástico e está lá tudo! O jingle que começa como um fado, apelando ao sentimento português, as paisagens facilmente conotadas com o país, as gentes "típicas" e um toque muito americanizado que é o da Bandeira Portuguesa desfraldada ao vento. Depois, a transformação da música numa coisa pseudo-pop que se entranha na mente dos ouvintes e imagens de belas funcionárias do supermercado, sempre com um sorriso nos lábios e clientes que sorriem, cantam e até se lhes antevê a vontade de dançar, enquanto escolhem as suas compras e pagam!
E a letra da música é impagável! Podia ser mais pirosa? Não! Mas fica no ouvido? Fica! Adoro o pormenor do gesto que os "clientes" fazem com a mãozinha, quando convidam o resto de nós a irem divertir-se escolhendo azeite, massas e cubos de caldos para cozinhar! E eu adoro esta publicidade por tudo isto! É popularucha, muito pirosa, e excessivamente teatralizada, que é, mas crava-se como uma lapa no nosso cérebro! Toda a gente diz mal (até criaram um grupo no facebook) mas a má publicidade também é publicidade. É mais um daqueles casos que é tão mau, mas tão mau que acaba por ser bom!!
E se ainda não estão fartos...

Quem fala assim não é (Sara)gago!

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana."

Para quem, como eu, ficou fã do Saramago através do "Evangelho Segundo Jesus Cristo" (que grande chapada no Vaticano!) este "Caim" vai ser um petisco!

domingo, 18 de outubro de 2009

The night is so pretty and so young...

No início da minha adolescência, em plena ebulição musical e na procura do meu estilo e do meu gosto, o meu pai instalou uma antena parabólica (lembram-se?) lá em casa. O meu canal preferido foi, obviamente a MTV Europa! Era também a era do VHS (que post mais revivalista!) onde eu gravava os vídeos das minhas músicas preferidas. No meio de grupos como os Nirvana, Pearl Jam, Metallica, Cure, Pixies, The Breeders, Frank Black e de um vídeo de uma música cujo vocalista berrava no refrão "Burn the bridges, smash their heads!" e que envolvia um anão disfarçado de Satanás (não perguntem...) gravei, porque me ausentei por uns minutos do quarto, um videoclip que rodava até à náusea na altura!! O grupo não me dizia nada, não estava na minha esfera musical mas a música lá passava, no meio das outras, enquanto eu estudava. E deve ter ficado bem gravado na minha mente pois quando numa conversa, uma amiga refere esse grupo musical como um dos seus favoritos, eu comecei a cantar o refrão dessa música sem falhar uma linha!!
Eu sou um fã acidental dos Roxette! A música?


E, desde esse dia que esta música assalta a minha mente nas mais variadas situações e dou por mim a assobiar a melodia enquanto espero pelo elevador...

sábado, 17 de outubro de 2009

Mas quem é que não gosta da Britney?!?

Bom fim-de-semana...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Colchão Vazio.

"Não era suposto o homem morrer..." disse-me a Dra. Dulce enquanto se sentava numa cadeira junto a mim. "Enfº Miguel, não era suposto o senhor morrer..." repetiu, com o desânimo estampado na face. A Dra. Dulce é uma médica atenta e atenciosa, próxima dos seus doentes, preocupada com as suas maleitas. "Mas Drª... por muito que façamos não podemos ainda evitar a morte. Ainda não somos deuses...". A resposta não pareceu aliviá-la e o silêncio instalou-se.
Eu próprio fiquei surpreendido quando, hoje de manhã ao chegar ao serviço, vi o colchão sem lençóis, dobrado para cima da cabeceira. É sempre um sinal da Morte. Não soubesse eu que são as auxiliares que o fazem para desinfectar a cama e diria que a Morte leva com ela os lençóis e dobra o colchão vazio.
"Não era suposto o homem morrer...". A frase ficou a ecoar-me na mente o resto do dia. Qual é afinal a nossa função? Fizemos tudo bem com este doente (o que nem sempre acontece), medicámos na altura certa, pedimos os exames em tempo útil, discutimos as melhores opções. E ela melhorou. Passou de fraco e sem apetite para um corredor de meio-fundo que calcorreava o corredor para trás e para a frente, cumprimentando todos à sua passagem. Ele estava bem. Ontem, à hora do almoço, tocou a campainha e encontrei-o pálido, suado, com dor no peito. A tensão um pouco alta, monitorização aparentemente normal. Foi para o Serviço de Observação apenas por precaução. Desceu a barafustar que queria levar o robe e disse-me um "até já" antes de entrar no elevador. "Não era suposto este homem morrer..." disse ela.
Porque há mortes que custam a engolir. Uns encaram-nas como um grande sapo divino que somos forçados a engolir por uma força que nos transcende, outros encaram-nas como um sinal da nossa humanidade, da nossa humildade perante o jogo da Vida contra a Morte. Os primeiros são arrogantes, recebem essa morte como um ataque pessoal de Deus (ou de Alá, ou de Maomé, ou de Buda, seja qual deles for.) e encaram o próximo desafio como uma final que não podem perder. Só que, numa final, a única coisa que sai maltratada é a relva do campo. E, neste caso, o campo é o doente. Os segundos, nos quais humildemente me incluo, sentem essa morte como um momento para reflectir, para respirar e para partir para o doente seguinte.
"Não era suposto este homem morrer...". Obrigado, Dra. Dulce por exprimir o que eu estava a sentir e por me demonstrar que há profissionais que sentem as perdas dessa forma.

Isto não é um baby-blog.

Mas o meu filhote, agora que quase domina a fala atira-me com frases que, sendo de uma doçura extrema, cortam-me o coração!
Ontem, ao telefone, estando eu no trabalho:
"Olá filhote! Estas bem, como foi a escolinha?"
"Oláááá! Binquei com as motas!! Tás a tabalhaie?"
"Sim meu amor, estou no trabalho.."
"O Gabi vai buscar a ti, xim??"
Hoje, ao despedir-me dele, de manhã:
"Até amanhã filho. O papá vai trabalhar..."
"NÃO!"
"Não?... mas tem que ser piolhinho..."
"Não vais. Brinca comigo na caminha do Gabi..."
E assim eu vou, com um frio no coração.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Toda a gente tem um chefe...

... e eu não sou excepção! Acontece que o meu chefe é um lambe-botas cobarde interesseiro conflituoso maníaco depressivo esquizóide mal educado e porco (pronto, já disse!! Estou mais aliviado...)! que está mais interessado em "brilhar" para a Direcção do que salvaguardar os interesses do serviço e dos funcionários e, acima de tudo, dos doentes.
No meio de uma guerra que envolveu até o Director e de onde ninguém saiu beneficiado, o merdas do meu chefe quebrou todas as regras éticas e deontológicas, além do bom-senso e do respeito ao ponto de eu estar a fazer um esforço consciente para não lhe berrar enquanto lhe agarrava os colarinhos!! Vi-me a abandonar o meu corpo e a dirigir-me a ele, pregando-lhe um sopapo que o deixava inconsciente no chão, após o que toda a gente na sala se levantava e batia palmas enquanto eu colocava um pé em cima do seu rabo, numa pose vitoriosa. E foi o meu "momento Ally McBeal"...
Depois de tanta porcaria junta ainda tive um doente que descompensou e acabei a almoçar sozinho! E como eu detesto almoçar sozinho...
F*****-se.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Letra de Enfermeiro.


Escondido à vista de todos!

Numa festa encontro uma conhecida após algum tempo de afastamento...
-Olá!! Há quanto tempo! Faz o quê... 2 anos que não nos encontrávamos?
-Sim! Ainda não tinha nascido o teu filho!
-Os teus estão uns homenzinhos!! Lembro-me deles bem pequeninos... Mas estás bem, estás com óptimo aspecto!! Há algo de diferente em ti...
-Ah.... sim, aumentei os seios!!
...
...
...
(a minha mente travou a minha língua e, em milissegundos, procurou uma resposta)

a) Ficam-te bem!
b) São muito giras!
c) Posso ver melhor?
d) Posso tocar-lhes?
e) AH! Então é por isso que não consigo parar de olhar para o teu decote!
f) São lindas de morrer!
g) Realçam os teus olhos!

...
- Ehhhh... então parabéns! Vemo-nos por aí!!

O que é que se diz numa situação destas, por deus??