Acabo de ver uma senhora que, por acaso, é professora primária. Estava ela guiando os nossos futuros primeiros-ministros, cientistas e génios em geral quando se apodera dela um grande mal das professoras primárias: a macacoa!
Não sei se têm esse conceito mas eu divido as professoras primárias em dois grandes grupos: as professoras calmas, meiguinhas, que falam sempre docemente com os seus meninos e os guiam através do carinho e as outras, as loucas desgrenhadas que falam aos guinchos estridentes e que guiam os alunos como um rebanho de gado: aos berros e ao chicote. Não sei porquê (talvez pelos cabelos desgrenhados, a maquiagem exagerada e o discurso histérico?) julgo que esta senhora pertence ao segundo grupo. E mais certo disso fiquei quando a senhora afirma que os seus alunos estão sossegados na sala de aula sem a supervisão de um adulto, enquanto ela está deitada numa maca de hospital de seios desnudados enquanto um jovem e bem-parecido enfermeiro lhe faz um ECG! Custa-me a acreditar. Porquê? Bem, porque são crianças!! Do 4º ano, logo devem ter uns 10 anos! Quantos grupos de crianças com 10 anos vocês conhecem que ficam sossegados numa sala de aula sem a presença do professor? Pois. Mas a senhora professora assegura-me que sim! E isso, numa espécie de visão do Eli Stone, transporta-me à minha infância...
Estou agora na antiga escola primária. Invade-me o cheiro a madeira corroída pelas traças misturado com o pó que nunca se conseguia limpar. Sinto a madeira polida pelos anos e anos de uso daquelas carteiras do tempo da outra senhora. Nas paredes temos mapas de Portugal e do corpo humano, alguns trabalhos e um enorme crucifixo com um Cristo de olhar esgazeado que me metia sempre medo. Aliás, ainda me assusta hoje! E lá está Ela. O seu cabelo desmazelado ergue-se em direcção ao tecto e tem a forma de um enorme ananás, os lábios pintados num vermelho escarlate gritante, os olhos delineados com um negro profundo, gorda com enormes mamas que apoia (com alívio!) em cima da sua enorme secretária. Está possessa e guincha como um porco prestes a ser sangrado. Enormes perdigotos saltam da sua boca em direcção ao menino que se encolhe à sua frente! Levanta-se e dirige-se ao canto da sala... NÃO! Paramos todos de respirar, o ar fica pesado, uma menina soluça na fila da frente. A gorda dirige-se ao armário do canto e agarra, triunfante!, no objecto do seu desejo, do seu prazer! A Régua... um cabo robusto e grosso subtilmente fálico que ela agarra com deleite que culmina numa enorme bolacha perfurada. Ela vira-se lentamente com um sorriso raro nos lábios e, num breve instante consigo vê-la lamber os lábios... Arrasta-a a sua enorme e flácida carcaça em direcção ao menino que, instintivamente estica um braço enquanto fecha os olhos e encolhe o resto do corpo. Ela agarra a mão dele gentilmente, num gesto quase carinhoso, eleva a Régua e....
Volto a realidade, na minha sala de tratamentos. A Professora discorre sobre como os seus alunos já a conhecem, como ela os "educou" e como eles são meninos aplicados e disciplinados. Sinto um arrepio na espinha e dou por mim a esconder as minhas mãos atrás das costas.
