terça-feira, 30 de março de 2010

Taquicárdia.

Estava tudo calmo no serviço. Estou sozinho por causa da greve e, também por causa dela não há muita gente a vir. Preparava-me para fazer um pequeno curativo numa bebé quando ouço um dos médicos:
"-MIGUEL, MIGUEL! Temos um miúdo que ingeriu uma caixa de valium!!"
O rapaz terá uns 7 anos e dormita, choramingando, no colo da mãe que se desfaz num pranto.
O meu coração dispara e, com ele os meus movimentos apressam-se. Portas e gavetas abrem e fecham com estrondo enquanto reúno o material que vou precisar. Sinto a minha face tensa e não falo. Concentro-me no rapaz e na minha bancada de trabalho. Uma sonda nasogástrica já está colocada, a lavagem gástrica já está. O puto vomita. Ainda bem. Preparo o carvão que vai impedir que o estômago absorva ainda mais do medicamento e penso: preciso de uma veia. As auxiliares aparecem e peço o material para picar o rapaz. Um catéter, compressas com álcool, adesivo, um balão de soro e o sistema. A mãe cede ao stress e afasta-se. Apercebo-me que o miúdo está cada vez mais sonolento.
Tento picar uma veia. Ele sente a dor e afasta-se. Perdi a veia, rebentou. A mãe descarrega em mim a ansiedade. "ACALME-SE!" grito-lhe, e penso que talvez tenha exagerado no tom mas a situação é urgente. Ela acalma-se e volta ao choro compulsivo. Uma auxiliar agarra firmemente no braço do menino. Pico outra vez e ele foge. Calma. Está feito! Adesivo, soro a correr, o rapaz vai para a pediatria. Respiro. Passaram-se talvez uma dezena de minutos.
Há hora que vos escrevo tudo acalmou. Revejo a cena e recordo tudo. A cara do rapaz e da mãe, os movimentos das minhas mãos, as características do vómito, o cheiro, a expressão de desconforto do menino quando sentiu um tubo a entrar pelo nariz, a veia antes de a picar. Revejo agora tudo em câmara lenta, como se de um filme se tratasse. Na verdade, a adrenalina faz-nos captar tão mais informação em situações de stress. O filme acabou mas o meu coração ainda bate acelerado. É por isto que adoro trabalhar em urgência.

Loucura!

Que história fantástica de perseverança e coragem! Um pinguim sonhava voar. Pensava ele que, se os pinguins são pássaros e se os pássaros voam, então ele teria de voar e sentia-se injustiçado pelo mundo. E tentou de todas as maneiras mas voar não era algo que a sua anatomia lhe permitisse. Pediu então ajuda aos seu melhores amigos: um polvo azul meigo e disponível e a sua inseparável companheira, uma flor amarela com braços e perninhas fininhas que tinha um cachorro-quente de estimação.
Os três amigos juntaram-se para tentar cumprir o sonho do pinguim preto-e-branco e chegaram a uma solução: sopraram uma enorme bola de sabão que envolveu o pinguim e o levou pelos céus. O pinguim estava radiante! E lá foi ele a voar pelos céus. Mas o vento levou-o para longe e o polvo, a flor andante e p cachorro-quente lá foram atrás dele. Pediram ajuda à borboleta que esvoaçava por ali mas ela não pode ajudar. As abelhas também tentaram mas o pinguim era muito pesado. E ele lá foi, a pairar. Até que surgiu uma árvore de grandes galhos, que dava o seu passeio matinal e, sem querer furou a bola se sabão e fez cair o pinguim. O polvo azul, a flor amarela que anda e o seu fiel cachorro-quente apressaram-se a ir ver se o seu amigo estava bem. O Pinguim estava radiante, tinha voado!! E soube que, embora não pudesse mais voar, estava feliz com a sua condição...
Não, não é nenhuma trip de ácidos nem nenhuma esquizofrenia. Mas é como se fosse...)

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Canção-Fétiche do momento.



Que grande banda!! E nem sequer é real!!

Projectos-de-Enfermeiro.

Quando eu era aluno de enfermagem, o que mais me fascinava e ansiava eram os estágios! A adrenalina de estar "onde tudo acontece", mexer nos materiais, observar os doentes, aplicar técnicas (por mais simples que fossem!), escrever nos processos clínicos, ter dúvidas e ir pesquisar e assim aprender! E como aprendia melhor no hospital do que na sala de aula. Tudo faz mais sentido, tudo encaixa melhor. E lembro-me perfeitamente da minha primeira injecção intramuscular, da minha primeira algaliação, entubação nasogástrica, da primeira vez que coloquei um soro, da primeira vez que toquei num cadáver, da primeira vez que assisti a um parto, da primeira vez que recebi um bebé na sala de partos e o limpei e cuidei dele e o pus aos berros! Lembro-me dos Enfermeiros que me levaram nessas curtas mas marcantes viagens. Uns pelas melhores razões, outros pelas piores. Mas recordo-os, não os seus nomes mas as suas caras e as situações que me ocorreram junto deles.
Eis que, alguns (não tantos assim!) anos volvidos, me vejo nesse papel de acompanhar estágios de alunos de enfermagem! Sim senhor, estou feito um homenzinho. Enfº Miguel, enfermeiro-de-referência (é assim que se denomina quem acompanha os alunos)... o que não deixa de ser estranho! Mas gosto! Em primeiro lugar obriga-me a ir rever matérias há muito enterradas, obriga a que estejamos muito concentrados no nosso trabalho e a fazer as coisas como deve ser! Depois porque gosto de falar, de discutir, de avançar através do debate. Confesso que gosto de partilhar as minhas experiências e de ver como elas podem servir para alguém mais novo evoluir.
Mas acima de tudo gosto de ver o brilho nos olhos, a excitação mal-contida, a alegria de um aluno quando, pela primeira vez, lhe é permitido picar uma veia, colocar um soro, algaliar. Nesse momento eu sei que, de uma forma ou de outra, eu farei parte da história académica daquele projecto-de-enfermeiro.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cuidado: este texto contém baba, muita baba!

Hoje é Dia do Pai. O meu filhote fez-me um bolo de chocolate com cobertura de natas com a frase "Feliz Dia do Pai" escrita com topping de morango. Fiquei muito mas muito contente! Brincámos aos palhaços, ás escondidas, aos sustos, com os carrinhos, fizemos uma tenda com um cobertor e as almofadas do sofá. Depois tive de vir para o trabalho e ele disse "Não quero que vás trabalhar papá...", "Mas tem de ser filho. O pai tem de ganhar dinheiro para poder comprar a tua comida, a roupa, os brinquedos.", "Então vou trabalhar contigo...". Brinco com ele mais um pouco e saio.
E venho no carro a recordar o sorriso dele, a sua alegria inocente e a sua vontade de estar comigo! A sua energia, criatividade e imaginação contagiam-me! A luz do seu sorriso é indescritível! "Orgulho" é o sentimento que melhor define o que sinto mas não é suficiente. Cada vitória dele é a minha vitória, cada palavra nova, cada salto mais alto ou mais longe, cada desenho, cada construção de lego ou de blocos de madeira são as minhas conquistas também!
A Mariana fez um vídeo delicioso onde o Gabriel me mostra o bolo que, tão orgulhosamente fez!, e faz uma pequena dedicatória (além de dar umas lambidelas no dito bolo!). Já vi esse vídeo dezenas de vezes hoje. Amo aquele miúdo incondicionalmente!
Por tudo isto simplesmente não percebo quando ouço histórias, como hoje ouvi, de pais que abandonam ou pura e simplesmente ignoram a existência de um filho. São os pai merdosos.
(Não seria justo não falar da Mariana já que, obviamente, foi dela a ideia do bolo e do vídeo! É a mulher da minha vida, uma esposa incrível e uma mãe fantástica! )

quarta-feira, 17 de março de 2010

Só pra Homens!

Há momentos na vida de um Homem que são definitivos. Marcam a diferença entre Homens de barba rija e meninos de coro. Definem toda uma vida. Ontem tive um desses momentos...

Era um dia normal, solarengo e divertido. Ao final da tarde fui correr como normalmente faço. O objectivo eram 10 km, sem pressas. Aquecimento, alongamentos, iPod a bombar e siga! Sentia-me bem, as pernas leves e soltas, o sol deu tréguas e havia uma leve brisa que ajudava a refrescar. Sabia que ia fazer uma bela corrida! Ao final de 2 km, ao chegar ao cimo de uma pequena colina e descendo em direcção ao vale, pareceu-me ouvir ténuamente um chamamento.... Miguel... Miguel.... Não liguei e segui em frente. Ao km 3º um chamamento inequívoco de alguém meu conhecido e que prima por aparecer nas alturas mais incovenientes. "Eh pá... não vês que agora não posso! Irra!!" e ele soprou e bufou, ameaçou e foi-se embora.
Km 4: cólica! O Sr. Intestino tinha urgência em colocar conversa em dia. "Miguel! Já sabes que eu não sou do tipo de ser colocado em espera..."
"Mas o que é que tu queres?! Vês por aí algum sítio em que possamos conversar em privado?!?! NÃO VÊS POIS NÃO??!" e segui no meu passo certo e firme em direcção ao objectivo inicial. Mas o Sr. Intestino cumpre as suas promessas e voltou logo depois à carga! Eu corri, aumentei o passo, apertei o que me foi possível apertar e tudo o que se ouviu dele foram alguns bufos furiosos. Fiquei feliz por estar a correr ao ar livre! "MIGUEL!! FALTAM-TE 4 KM! Não vais aguentar, nunca na vidinha pá!!"
"AH!! ISSO É O QUE VEREMOS!" e corri furiosamente. Ele lançou mais uma dos seus terríveis ataques abdominais e eu aguentei, estoicamente e como pude, os seus ataques! Suava em bica, mais pelo esforço de conter a diarreia verbal do Sr. Intestino do que pelo esforço da corrida... Faltavam dois quilómetros, pensava que ele tinha desistido da sua intenção de interromper a minha corrida quando ele lançou o seu ataque mais violento. Todas as minhas entranhas se revolveram e envolveram. Senti que perdia todo o controlo sobre os esfincteres que continham a verborreia intestinal. Procurei como um louco por um local que lhe agradasse... NADA!! "NÃO VÊS QUE NÃO HÁ ONDE CONVERSARMOS?? ISTO É UMA ZONA RESIDENCIAL, PORRA!!!", "Quero lá saber..." foi a sua resposta.
Respirei fundo, apelei a todas as minhas energias e aumentei o passo. O último quilómetro foi uma tortura. A sua voz na minha mente, eu concentrado nos músculos das pernas e na música, aumentei o volume para o máximo. "Pernas e música, pernas e música, pernas e música..." pensava enquanto me aproximava da minha casa. Lá estava o portão!!
"Miguel, vou sair! Vou mesmo sair!!!"
"ESPERA UM POUCO PÁ! JÁ FALAMOS, SÓ MAIS UNS METROS..." o tom era de súplica nesta altura. As minhas pernas já não tocavam no chão, a estrada já não existia, a dor foi-se. Só existia a força para o conter, a sua voz na minha mente e o portão da minha casa. Cheguei finalmente, sei que saltei o muro mas nem me lembro como o fiz, irrompi pela casa, a Mariana assustou-se e o Gabriel riu-se.
"MIGUEL VOU FALAR!!" mesmo a tempo, cheguei... "PODES FALAR AGORAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!"
(Para que conste, fiz o objectivo, 10 km, no tempo mais baixo até agora e num ritmo muito bom! Obrigado pelo incentivo Sr. Intestino!)

Génios.

Hoje, durante mais uma corridinha, relembrei um dos álbuns que mais marcou a minha juventude e, por consequência, o meu primeiro verdadeiro Ídolo. "Nevermind" dos Nirvana marcou toda uma época e toda uma geração. Tudo nele era (é!) revolta, raiva, melancolia, desesperança, desespero e o título do álbum resume todo o sentimento de um homem: Kurt Cobain. Li algures que um filme vai retratar a sua curta vida. Acho bem, vou ver. E hoje, ao ouvir novamente músicas que estavam arrumadas numa gaveta na minha mente, os sentimentos que elas me causavam há quase 20 anos (!) voltaram! E então percebi: nunca serei um génio. A melancolia não mora em mim.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Palavras para quê?

Miguel e Gabriel, Praia de Sesimbra, final de uma tarde solarenga.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Prenúncio.

Cada vez mais me apercebo que, do todos os sentidos que são estimulados por aquilo que faço, aquilo que vejo, aquilo que toco, o cheiro é de longe o que mais me marca. O cheiro a fezes e a urina, o cheiro do sangue, o cheiro do pus, o cheiro das feridas infectadas. E também o cheiro do éter (claro!), do betadine, dos desinfectantes das mãos, da carne cortada pelo canivete laser, do café que me mantém acordado numa noite como esta.
Mas há outro cheiro que acabei de sentir e do qual nunca me libertarei. Acabei de sair do quarto de uma doente. Paliativa, sem retorno. O quarto está ocupado por um cheiro intenso, não muito forte, mas presente. Fezes não, a senhora está limpa. Urina também não. Nem vómito, nem feridas. O cheiro não abandona o quarto através da janela aberta. Conheço este cheiro, não o sei definir mas sei quem ele anuncia.
Terei companhia esta noite?
(o tom tem sido mórbido nos últimos textos mas a vida, a morte?, tem sido particularmente cínica nos últimos dias)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Curtir a vida.

Eu tenho o prazer de trabalhar com colegas da minha faixa etária. Naturalmente que teremos alguns interesses em comum mas, acima de tudo partilhamos a jovialidade com que encaramos o dia-a-dia dentro de um hospital. Contudo, há um aspecto que nos separa: o compromisso. Enquanto eu tenho um compromisso com a minha mulher e com os meus filhos, a maioria dos meus colegas tem apenas um ligeiro compromisso com um(a) namorado(a) o que, convenhamos, não é bem a mesma coisa. Eu costumo dizer que a única coisa que se perde com a chegada dos filhos é a espontaniedade. Isto no sentido em que não podemos simplesmente decidir que vamos viajar amanhã sem ter qualquer outro tipo de preocupação!
Acontece que os meus colegas, solteiros e maus rapazes, têm uma ideia completamente contrária à minha e, alguns (admito que inconscientemente) até criticam de uma forma mais ou menos subtil esta minha escolha de casar e ter filhos. E isso nota-se em algumas expressões ou suposições que não correspondem exactamente à verdade. Partem do princípio de que "não curtiste a vida", ou que "ter mais um filho piorar ainda mais a tua qualidade de vida" ou ainda "se algum dia te divorciasses irias curtir tudo o que não curtiste até agora". E isto são só alguns exemplos! Parece-me evidente que, para eles o factor "curtir" é decisivo na sua filosofia de vida. Claro que "curtir" é sair todas as noites e passar fins-de-semanas com amigos na mais perfeita descontracção. Nada contra.
Embora não concorde com eles e lhes tente fazer ver que as escolhas de cada um são isso mesmo, de cada um, não tento sequer descrever-lhes o que é "curtir" um filho. Porque isso não se descreve, sente-se! E, mais uma vez, cada um sente à sua maneira.

terça-feira, 9 de março de 2010

E eu sou um gajo que cora facilmente!

Eu utilizava um urinol de um WC de uma grande superfície comercial. O Gabriel ao meu lado.
-Papá? 'Tás a fazer xixi?
-Sim filhote. Também queres?
-Não... quero ver a tua pilinha!
(sorrio e quando me preparo para dizer algo...)
-QUERO MEXER NA TUA PILINHAAAAAAAAA!
(sinto o calor a percorrer-me o corpo e a cara prestes a explodir! Digo...)
-Oh filho, mexe na tua que também é gira.
(depois calo-me, lavo as mãos rapidamente e retiro-me do WC com os olhares de todos cravados nas minhas costas e penso...)
-Eu e a minha grande boca.

segunda-feira, 8 de março de 2010

E só para reforçar o texto anterior, sobre invejas e guerras femininas e de como as mulheres que hoje são muito amiguinhas hoje, amanhã são umas cabras ressabiadas e violentas, hoje encontrei isto! Será que as unhas de gel e os sapatos de salto alto afectam a sanidade mental destas tipas?

Ora então, Um Feliz Dia da Mulher a Todas!!

Neste Dia da Mulher optei, num altruísta acto de solidariedade com as Mulheres de todo o mundo, por escrever algo relacionado com a Mulher. Uma singela homenagem, vá. E assim, imbuído do espírito que consagra este dia, hoje remeto-me ao tema: Porque Raio São as Mulheres Tão Cabras Entre Elas No Local de Trabalho?
Trabalhando eu num meio onde a mulheres são a larga maioria, tendo trabalhado durante anos numa equipa onde eu era o único homem e tendo já alguma experiência na chefia de uma equipa de 14 mulheres julgo conhecer bem esta realidade! Pois que é conhecido de todos que, em trabalho onde há muitas mulheres há sempre problemas! E são muitas delas que o dizem. E eu também. Da minha experiência, o que se passa é que existe muita inveja entre elas. Inveja do horário da outra, da roupa da outra, do telemóvel da outra, do carro, da maquiagem, das unhas, do cabelo da outra. Se uma delas se arranja é uma oferecida, se pelo contrário é demasiado discreta é sonsa! Se é simpática com os (poucos) homens do serviço é uma oferecida mas se não fala com ninguém tem a mania que é boa!! Enfim, o meu local de trabalho é um terreno minado de intrigas e falatório, de alianças e traições, de amizades fingidas e inimizades fidagais onde qualquer homem tem de conhecer bem o terreno onde pisa, sob pena de se tornar num dano colateral do fogo cruzado entre as várias facções em batalha! E nem sempre são só duas!!
Havia na minha turma da faculdade, um grupinho de 5 raparigas que andavam sempre juntas. Eram "irmãs" inseparáveis, segundo as próprias e estudavam juntas, ajudavam-se mutuamente, estavam sempre lá para aquela menos afortunada. E nós, os gajos, apostávamos sobre quando a guerra iria instalar-se... Aconteceu no último ano com a perspectiva do final de curso e das notas de conclusão de cada uma! Pois que uma delas usou, digamos, técnicas de diplomacia feminina (e fica ao vosso critério perceber o que isto quer dizer...) para subir uma ou outra nota junto de um ou outro professor mais, digamos, vulnerável à persuasão feminina. As outras uniram-se contra esta e esta aliou-se a outras e, no fim, não restou pedra sobre pedra!
E, não há muito tempo, assisti a uma mulher mais velha e mais diferenciada a humilhar uma estagiária apenas porque o Chefe elogiou o trabalho desta última! E aqui temos a principal causa de inveja entre as mulheres: os homens! Seja o Chefe ou apenas um homem que trabalhe com elas! Calculo que, com a escassez do género masculino nos locais de trabalho, o sentimento territorial e de posse das fêmeas face aos poucos machos que existem esteja exacerbado! E elas tornam-se umas verdadeiras leoas a proteger o que é "seu"! Porque é disto que se trata: dos homens "delas"! E só há uma coisa que pode quebrar os laços entre duas "melhores amigas" e essa coisa é um homem!!
Neste dia da Mulher gostava de apelar a todas para manterem estas intrigas e guerrinhas! É que para nós, a pequena maioria masculina, é um verdadeiro manancial de riso e brincadeira! E não há nada mais divertido que lançar contra-informação que abale o (precário) equilíbrio que existe no campo de batalha!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tinha alinhavado um belo texto, simultâneamente ternurento e engraçado para revelar o sexo do bebé que ainda cresce (e bem!) dentro do ventre da minha bela e gravídica esposa mas enfim... prefiro gritar aos sete ventos...
É UM RAPAZ!!!!!!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Momentos Ally McBeal ou Na Volta Isto é Uma Esquizofrenia.

Lembram-se da Ally McBeal? Eu adorava aquela série, aqueles laivos de loucura esquizóide e non-sense! Mas o que mais gostava eram aqueles momentos em que Ally ou alguma das outras personagens tinham aqueles memoráveis momentos what-if? em que o mundo era uma canção com os personagens divinamente coreografados ou uma momento de realidade alternativa onde, em vez de se retirar após ser insultada, Ally espeta um grande murro nas trombas de alguém! Eis que finalmente reconheço perante o mundo que sofro do Síndroma Ally MacBeal. Triste, mas verdade.
Já descrevi um desses momentos aqui mas hoje ocorreu-me um outro. Descia no elevador do hospital quando este para e entra uma enfermeira e uma auxiliar acompanhando um doente acamado. A porta do elevador fecha-se e.... O HORROR, o elevador encrava entre pisos. Dentro dele estava eu, duas visitantes, uma enfermeirinha novinha com aspecto de ser recém-formada em pânico, uma auxiliar petrificada e um doente com aspecto de estar mais-lá-do-que-cá. Olhei para a cama do doente e percebi: nada de material de reanimação! A minha colega gaguejou que o doente estava mal e está a caminho dos Cuidados Intensivos. O filme fez-se na minha mente....

"-Oh não!! O doente parou!! E AGORA?

(salto para cima do doente e inicio manobras de reanimação) Vai miúda! Iniciar respiração boca-a-boca! Nada desse esgar de nojo, é uma vida humana pela qual somos responsáveis! (continuo a "bombar" no doente) Sra. Auxiliar, pegue no meu telefone e ligue para o nº do hospital que encontrará na lista. A menina assustada aí ao fundo, carregue no botão de alarme e não o largue! E você meu caro doente, hoje não é dia de morrer... não no meu turno!!(as portas abrem-se e enquanto a enfermeira empurra a cama eu mantenho as manobras. Quem observa a cena entoa cânticos de motivação: MIGUEL, MIGUEL, MIGUEL!! Chegamos às portas dos Cuidados Intensivos, o doente reanima-se...)

-Obrigado Sr. Enfermeiro... salvou-me a vida!!

-Obrigado Enfermeiro Miguel... (diz a enfermeira)

(dirijo-me de volta ao elevador e todos louvam a minha acção) Não foi nada! É só o meu trabalho!!

O elevador reinicia. As portas abrem-se. Passaram-se cerca de 2 minutos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os tempos até podem mudar...

Hoje, enquanto passeava com o Gabriel no parque, observava um grupo de adolescentes que ali se juntara. Seriam uns 20, entre rapazes e raparigas. Um deles tinha as calças cheias de lama, provavelmente de uma das poças de lama espalhadas pela relva do parque. Alguns deles incentivavam-no a ir sujar as miúdas sentando-se em cima delas e ele ia. Elas afastavam-se com os gritinhos típicos destas raparigas e com um sonoro "PARVO!" mas uma estava claramente a pedi-las! Se eu vi, ele melhor ainda e, quando dei por eles andavam a rebolar-se agarrados na lama! "Enfim, miúdos parvos..." pensei.
Mas, eis que me ocorre o seguinte: eu também já fui adolescente! E olhei melhor para aquele grupo. E estavam lá todas as figuras de que me lembro, dos meus dias de teen. O palhaço (aquele que andava na lama) que diverte o resto do grupo, o intelectual de óculos e um pouco marginal à acção, o bonitão rodeado de miúdas, o freak todo vestido de preto e com os phones enfiados nos ouvidos, a gorda que é amigo de todos mas que nenhum rapaz cobiça e a sua melhor amiga, a boazona convencida que julga ter todos os rapazes na mão, as três miúdas que nunca se largam nem ao telemóvel, os jogadores de futebol, os dreads, os skaters. E tentei lembrar-me das profundas reflexões metafísicas que escrevia no diário, das profundas conversas á volta do significado de "Metamorfose" do Kafka, do cortejo romanceado às raparigas, das festas na piscina com DJ e nas observações da lua dentro do meu descapotável. Mas logo me apercebi que estas lembranças vinham de tantas e tantas séries sobre adolescentes norte-americanos! Na verdade só me lembrei das borbulhas na cara e nas estúpidas técnicas de engate que incluíam bilhetinhos escritos com traduções rascas das letras do Kurt Cobain, de ser expulso das aulas por estar constantemente a rir feito parvo e a gozar com os colegas e a imitar os relinchos de um cavalo, de entrar no WC das mulheres e ser corrido à vassourada pela empregada da limpeza, das cenas porno-softcore nos corredores do liceu com a miúda que já toda a gente tinha apalpado, de ignorar essa miúda depois, de tossir como um doente cada vez que tentava fumar um cigarro e de manter a pose com ele aceso sempre que passava uma rapariga, das ridículas botas bicudas "à cowboy" que usava, das calças rasgadas e nojentas, de usar sempre os mesmos ténis "All Star" verdes mesmo quando chovia a potes e de ter estado de luto durante dias após o Cobain ter decidido provar uma bala directamente do cano da arma, de andar a tocar a todas as campainhas da terra durante a noite, de tocar o sino da igreja a rebate de madrugada, de entrar no cemitério cagado de medo só para impressionar e de não ter a mínima ideia de como satisfazer uma mulher e achar que era um verdadeiro Eros.
Depois disto só posso concluir uma coisa: os adolescentes são parvos por definição. Seja em que época for!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Papa-quilómetros!

Seis meses passaram desde a minha primeira corrida, iniciada com a firme resolução de manter esse hábito e a forma física. A primeira corrida durou 30 minutos nos quais percorri cerca de 2,5 km! E andei dorido durante 3 dias! Hoje sou capaz de correr, mais ou menos nos mesmos 30 minutos, cerca de 8 km!! A evolução foi notória. Mas a grande diferença é que sou capaz de o fazer durante 3 dias consecutivos sem me sentir particularmente cansado!
Enfim, hoje fui correr e um fulano qualquer gritou: "E SE FOSSES PRÓ TRABALHO??" ao que eu respondi (baixinho...) "E se fosses pró c......lho!". Enfim, se repararem no bonequinho histérico à vossa direita verão que já percorri um total de mais de 260 km. É bonzinho.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ao Anónimo: não publico o seu comentário. É demasiado pessoal. Foi um murro no estômago e as palavras ficaram gravadas e, estou certo, surgir-me-ão na mente e lembrar-me-ão que alguém sofre muito nessa batalha. Note, por favor que a repugnância que o texto possa transmitir não é, nunca, por quem sofre mas sim pelo cancro. É uma coisa visceral, que é difícil eliminar da situação. Pelo menos para mim. Lamento que este texto o tenha tocado dessa forma tão dolorosa e saiba que sempre achei os que lutam contra o cancro, seja ele qual for, admiráveis. Seja qual for a sua luta, coragem.

A Face da Morte.

Ontem fiz um penso a um senhor que me recordou algumas histórias menos felizes do meu trabalho. Menos felizes para os doentes. Trabalhar com doentes é um terreno fértil em histórias infelizes, sofridas, angustiantes, dolorosas. E nenhum outro serviço tem mais concentração destas histórias por doente que o serviço de Oncologia.
O cancro é, por definição, a doença mais filha da puta que alguém criou. Não discrimina sexo, raça, idade ou órgão do corpo humano. É sádico e narcisista porque, no inicio tratam-se apenas de algumas células que se revoltam contra o resto do corpo e depois trata de cavalgar em conquista de tudo o que encontrar no seu caminho. É insidioso, só se revelando quando já está prestes a tomar o poder e silencioso na sua marcha. Mina caminhos alternativos enviando uma pequena parte das suas tropas para terrenos longe da sua origem, metastisa-se. E só mostra a sua verdadeira face quando é impossível de ser combatido. E que face horrenda é essa.
Ontem recebi um senhor na urgência. Muito embora a idade inscrita na ficha fosse 42 anos, a sua aparência indicava o dobro disso. Muito magro, sem forças, a pele amarelada, os dedos afilados. Se dúvidas não tinha sobre que tipo de doença afectava aquele homem, mais certo estive quando ele se aproximou e eu fui envolvido pelo odor que já antecipava. Podre. Estava perante um campo de batalha. E o cancro saiu vitorioso. Será apenas uma questão de tempo. Restava-me descobrir onde ele estava e destapar-lhe a face, encará-lo. O homem baixou as calças e mostrou-me: no pénis.
Por mais que veja e me depare com o cancro julgo que nunca serei capaz de o encarar indiferente. As suas mil faces são todas terríveis e inesquecíveis. Neste caso falar de um pénis é um eufemismo. Não havia pénis. Apenas um amontoado de tecidos mortos, podres, duros. Uma entidade que sabemos ser estranha ao corpo mas que a ele se agarra e não mais larga. Neste caso, uma espécie de couve-flor putrefacta. E cada vez que lhe tocava e o sentia, enquanto limpava, cortava, arrancava, o meu braço tremia. Um arrepio percorria o meu braço desde os dedos que tocavam o invasor até ao ombro. Como se ele sentisse terreno fértil para crescer. Como se ele sentisse. E o cheiro cada vez mais intenso.
Encontrei um doente com um cancro no esófago internado numa enfermaria onde trabalhei. O cancro tinha fechado o caminho até ao estômago, o doente era alimentado pelas veias. A mesma magreza (aqui extrema), a mesma pele amarelada, os mesmos olhos cansados. Aqui a face do vilão estava escondida mas não oculta. Outra vez o cheiro. Cada vez que o doente tentava verbalizar algo, um indescritível cheiro a podre invadia o quarto. A fragilidade do doente exigia que estivessemos muito próximos para tentar entender os seus pedidos mas aquele cheiro afastava-nos, repudiava-nos violentamente. Era como se o cancro reclamasse para si aquele corpo e nos afastasse á pancada. Lamento não ter percebido o doente, lamento não o ter olhado nos olhos quando ele tentava falar-me, lamento não ter sido capaz de vencer as minhas entranhas que se revolviam ao sentir aquele cheiro. Tentei aproximar-me o mais possível mas isso não era suficiente. Até que, um dia, o doente não falou. Inspirou fundo e vomitou. O inenarrável odor que invadiu o quarto fez-me fechar os olho, suster a respiração. As lágrimas vertiam como se tivesse sido atingido com gás pimenta. Quando finalmente recuperei, o doente descansava. Para sempre. O cancro venceu mais uma vez.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os "jeitosos".

Acho sempre imensa piada aos homens que não são "jeitosos". "Jeitosos" no sentido de "O meu marido não é nada jeitoso em casa! Não sabe fazer nada!". São homens que não cozinham, não limpam o pó, não passam a ferro, não dão banho aos filhos nem lhes mudam as fraldas, não fazem as camas, não aspiram. Se, de alguma forma ainda que arcaica e obtusa, todas estas actividades estão conotadas com a mulher, o que dizer dos homens que não são "jeitosos" para funções de macho tais como sintonizar a TV, pintar a casa, arranjar a electricidade, mudar as luzes, pendurar quadros, tratar da contabilidade, pagar as contas, mudar o óleo do carro e levá-lo à revisão, fazer o IRS, pregar e aparafusar coisas em geral? Eu digo-vos o que acho destes homens: são espertos!
Ainda hoje uma senhora me falava de como o seu marido, reformado, não a ajuda nada em casa, logo a ela que ainda trabalha! Segundo esta senhora o marido não lhe adianta o jantar porque, coitado, não se orienta na cozinha e não gosta de mexer em comida crua com as mãos. Também não se preocupa em tratar da contabilidade do lar porque, coitado, nunca se deu bem com contas. Não limpa o jardim dos cocós dos seus cães porque, coitado, o cheiro dá-lhe vómitos insuportáveis. Sendo mecânico na reforma, não arranja os seus próprios carros porque, coitado, passou quarenta anos a fazer aquilo e não quer voltar ao passado!! Disse-me então a senhora que, naturalmente já nem lhe pede para fazer o que quer que seja porque ele, ou demora muito a fazer ou muito simplesmente, faz mal! Coitado...! Mas este homem não é mais que um exemplo de muitos que também não são "jeitosos". Como aqueles que não dão banho aos bebés porque eles escorregam e têm medo de os deixar cair, ou aqueles que não mudam as fraldas aos filhos porque não suportam o nauseabundo cheiro das fezes dos seus santos filhos! Há ainda aqueles que não lavam a loiça porque, azar dos azares, cada vez que o fazem há sempre uma terrina ou travessa que lhes escorrega e se desfaz em pedaços no chão e os outros que não põem a máquina a lavar a roupa porque, segundo eles, tem muitos botões! Falamos dos mesmos homens que são capazes de viajar pelos intrincados menus da TV Cabo e funcionar com dois comandos ao mesmo tempo e ainda se entretêm a configurar e desconfigurar as opções do computador e da Internet! Depois há aqueles (e eu ADORO estes!) que não comem laranja se tiverem de a descascar ou não comem peixe se tiverem de tirar as espinhas ou não bebem leite se este não for daquele "do dia" que vem numa embalagem de plástico branca (juro que não estou a inventar!). Não passam a roupa a ferro porque esta fica sempre toda amarfanhada e acabam sempre por queimar uma ou duas peças, não cozinham nem sequer uma omelete porque não sabem funcionar com o fogão e, pasme-se, nem se aproximam da Bimby porque é muito complicada!!!
Na verdade, todos estes homens, e de certeza que todos conhecem alguém assim, são extremamente inteligentes. Porque, ao manterem a eterna incompetência nestas tarefas, sabem que as suas respectivas companheiras vão, mais cedo ou mais tarde, desistir de lhes pedir ou impor tarefas sabendo que eles não serão capazes de as cumprir convenientemente! Trata-se de um jogo de preseverança e paciência que trará os seus frutos a longo prazo. E como eu os percebo! Afinal, o que há de melhor na vida do que estar sossegado a fazer zapping ou a navegar sem destino na Internet enquanto uma parvinha qualquer cozinha para nós e, entretanto vai entretendo os miúdos, dá-lhes banho, passa a roupa a ferro e ainda paga as contas do cabo, não vá suceder a tragédia de perder-mos o jogo? Nada, meus amigos nada! Claro que eu só posso sonhar com este tipo de partilha de funções do tipo "ela cozinha e eu sento-me para jantar". Não. No que diz respeito a tratar dos putos não posso, por razões profissinais óbvias, afirmar que não sei, que tenho medo de os magoar, que não suporto o cheiro. E depois porque cada vez mais acho que, isto de viver com um homem é muito semelhante a trabalhar com animais selvagens! É preciso amestrá-los, treiná-los. Saber quando lhes dar uma festinha e quando lhes pregar uma palmada no nariz! E, querem lá saber, a minha mulher bem podia ganhar a vida no circo a domar leões vindos directamente da selva!!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Glourious Basterds!



Já não se toca guitarra assim... ultimamente tenho voltado a ouvir os meus "velhos clássicos" em repeat no meu Ipod. Estes, Nirvana, Pixies, Cure, Pearl Jam, Ben Harper (os primeiros albuns) e concluo: nenhuma música feita hoje me marcará tanto como estes gloriosos malucos!

(e sim, simulo que toco guitarra e/ou bateria quando os ouço!)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Leis? Qué isso??

Somos um país amador. No sentido em que nada do que fazemos acontece de uma forma verdadeiramente planeada. Por muito que se planeie e re-planeie e se torne a planear, nenhum plano traçado é cumprido até ao final sem interferências. E isto acontece, entre muitas outras coisas, porque toda a gente quer mandar e toda a gente acha que o plano que um outro alguém delineou não está como deve ser e então, toca de alterar e mudar as regras a meio do jogo! Isto é particularmente grave para quem deve desempenhar as suas funções e vê o seu trabalho tornar-se obsoleto uma e outra vez. Já os chefes, coordenadores, directores, administradores, supervisores e outros interessam-se em mostrar-se, nem que para isso tenham que inventar. Não se trata de servir uma instituição mas sim de servir-se dela. E isso é particularmente grave quando se atropelam direitos legalmente instituídos. Neste caso, as Licenças de Parentalidade.
Uma amiga contou-me recentemente como a supervisora de equipa do banco onde trabalha afirmava, em reunião de serviço, que uma mulher com filhos, que falta para prestar assistência aos mesmos, que tem direito a horas de amamentação ou que se encontra em gozo de licença de maternidade, não deve ter direitos aos mesmos prémios de desempenho que os restantes. Porque está sempre a faltar, porque passa menos horas no serviço, porque a sua atenção não está na empresa mas sim na família! Esta senhora, como tantos aliás, esquece-se que os prémios estão relacionados à produtividade e não ao tempo. Mas, acima de tudo, é revoltante porque se trata de uma discriminação com base num direito que está legalmente instituído!! Claro que a senhora em questão não tem filhos... Chamo a atenção para o problema por ela levantado: o tempo! Em Portugal interessa sair tarde. Mesmo que nada façamos, temos de sair tarde porque só assim somos valorizados. Chegar a horas e sair a horas é mal visto porque, lá está, não estamos a "vestir a camisola" da empresa!
Uma outra amiga, que tem dois filhos, limita-se a fazer algo muito simples: entra à hora determinada e sai há hora determinada. E é a mais produtiva do seu sector! Não obstante, é alvo de constantes críticas dos seus colegas que saem depois do horário! Talvez seja porque ela não vai com eles ao café ao meio da manhã, aos almoços de duas horas e aos lanchinhos a meio da tarde... E quando um dos miúdos fica doente!! Cai o carmo e a trindade!
Numa das instituições onde trabalho, o gozo da licença parental alargada (30 dias no final da licença da mãe) é, ostensivamente mal-vista pelas chefias. Porque no tempo deles não havia nada disto, porque já gozaram 10 dias quando o bebé nasceu, porque o pai não tem nada que ficar com o bebé! Imaginem o falatório que foi quando eu gozei setenta e dois (!!) dias de licença quando o Gabriel nasceu!! Além de não ser nada comum o homem gozar a maior parte dos dias que pertencem à mãe foram, convenhamos, cerca de 5 meses que estive em casa partilhados entre dias de nascimento, assistência à família, férias e licença de "maternidade". Ouvi todo o tipo de bocas acerca de como iria dar de mamar ou sobre como me estava a "baldar" ao serviço. E ainda hoje se fala disso. Eu só sei que foram os melhores meses da minha vida!
Num país onde o "parecer" importa muito mais que o "ser" é normal que o trabalho efectivo não seja valorizado. Mas o facto de se discriminar alguém por fazer valer um direito reconhecido na lei demonstra que somos não só amadores, mas acima de tudo, uns merdas! E qualquer país civilizado reconhece que a família é o pilar de qualquer sociedade. Lembro que os direitos associados a Lei da Parentalidade visam beneficiar AS CRIANÇAS e não os pais...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A minha amiga Maria.

Esta semana reencontrei uma velha amiga: A Maria! Sim, com A maiúsculo, porque esta é a verdadeira Maria! Conheço-a há muitos anos, com ela cresci e aprendi a ler, ela me contava histórias de gente conhecida e desconhecida (uma verdadeira coscuvilheira, a Maria) mas, acima de tudo, a Maria povoa como nenhuma outra o meu imaginário de adolescente que descobria o interesse pelo sexo. Com ela aprendi tudo sobre sexo (nas suas mais variadas vertentes!), sobre gravidezes inesperadas, encontros e desencontros fortuitos, dúvidas, sustos e traições. Tudo isto do ponto de vista das mulheres o que, penso, enriqueceu bastante o meu conhecimento acerca delas!! Após muitos anos de afastamento eis que a reencontro! Constato que mudou pouco mas mesmo assim perdeu o brilho com que a recordava. Talvez não por culpa dela mas sim minha. Hoje, a minha visão de adulto consegue filtrar toda a luz que, inocentemente, via nela. Hoje farto-me de rir com a Revista "Maria"!
Quando encontrei uma delas, perdida no meio das revistas cor-de-rosa que sempre se encontram pelos hospitais não resisti. Procurei apressadamente a secção "Consultório Sexual" (noto que agora existem páginas rosa "para ela" e azuis "para ele"), páginas que invocam em mim imagens da minha adolescência sexual! E exulto quando descubro que nada mudou! As mesma perguntas parvas, as situações imbecis, caricatas, impossíveis de acontecer com pessoas reais! Situações descritas por pessoas inocentes num tom quase infantil. Tão inocentes e infantis que nem se apercebem que relatam situações que bem poderiam fazer parte de um qualquer filme porno! Há quem insista que são textos imaginados pela redacção da revista, que é impossível que alguém normal tenha aquele tipo de dúvidas e que, acima de tudo, as exponha numa revista de tiragem nacional. Mas acredito que sim, que são pessoas reais com dúvidas reais. Basta ver os cromos do "Big Brother" ou do "Ídolos" ou de qualquer outro reality show para ficar convencido! Mas quase tão hilariante como a questão colocada é a explicação do "consultor sexual" da redacção. O tom é inocente, quase pueril e paternalista. Como se explicasse a uma criança que encontra o vibrador dos pais e brinca alegremente com ele que, na verdade, aquele objecto tão engraçado não é nenhum brinquedo de criança. Vejamos este pequeno exemplo:


Em resumo: a senhora, de livre vontade, acedeu aos pedidos do marido. Teve prazer mas não quer repetir porque não achou romântico. A resposta da redacção inclui "preconceitos sociais", blá, blá, blá, blá, "praticam com ternura", blá, blá, blá, "odeiam". E quanto à atitude paternalista com que a "psicóloga aconselha" (reparem que é "psicóloga e não "psicólogo"): "a leitora (...) parece ter conseguido usufruir do prazer que a estimulação anal proporciona". WTF!! Ela afirma que teve prazer, sem dúvidas!!

Bom, eis o meu (não solicitado) aconselhamento: minha cara leitora, ninguém a obrigou a ter sexo anal. Seria mau se o seu marido a tivesse forçado ou tivesse utilizado a velha técnica do "Oooops! Escorregou, desculpa... foi sem querer!". Mas não. Ele pediu e a leitora acedeu. E, como a própria afirma, teve prazer! Agora queixa-se que o seu marido quer mais. Bom, quanto a isso... oferecer esse tipo de experiência a um homem, ter e dar-lhe prazer e depois recusar!! Isso é o nosso Suplício de Tântalo!! É cruel e não se faz, minha senhora... Ah, porque não é romântico e parece animalesco! Aquela treta que a psicóloga escreve "alguns casais praticam-no com ternura..."? Desde quando é que levar no cu é romântico?!?! Que o diga o Tomás Taveira...



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ferozes Felinos Felizes!

DOIS FEROZES FELINOS À SOLTA NA COSTA DA CAPARICA!!! Um enorme leão, bem parecido e de pêlo lustroso, e uma pequena e fofinha cria de tigre (mas não menos feroz) passearam-se alegremente pelo estradão junto ao mar, na Costa da Caparica. Não se sabe de onde vieram mas foram, decerto, a atracção principal daquela tarde solarenga, sendo o alvo de todas as atenções de todos aqueles que se passeavam naquele local. O sentimentos das gentes foi de confusão no início pois, se eram numerosos as bruxinhas, as carochinhas, os palhacinhos, os spidermanzinhos, os Noddyzinhos e os piratazinhos, a presença de uma cria de tigre e de um leão adulto (principalmente este!) não é visão comum por estas bandas. O leão (talvez devido à sua corpulência?) chegou a ser confundido com um urso, tendo-se ouvido alguns "Ólhó urso!" logo contrariados por "Ora essa, não se vê logo qué um leão?! Olha para a cauda!" Estes dois simpáticos animais passearem-se alegremente durante algumas horas, ora saltitando entres as enormes pedras que formam o paredão praticando assim as suas manobras de caça e evasão, ora simulando perseguições entre os dois e jogos de caça com emboscadas de parte a parte. Algumas pessoas mais destemidas aproximaram-se para tirar fotografias com os felinos e até para dar festinhas, principalmente na queriducha cria mas também no leão adulto! Pode afirmar-se sem dúvidas que estes dois fizeram alguns fãs!
Depois divertiram-se fazendo acrobacias verdadeiramente felínicas no parque infantil situado ao lado do estradão, colhendo aí a simpatia das crianças e arrancando algumas gargalhadas dos adultos presentes. Os simpáticos e enormes gatinhos acederam a deixar fotografar-se para o "Cheirinho a éter..." para que todos possam admirar as suas belas e luzidias pelagens...



(Eu e o meu filhote Gabriel divertimo-nos à brava! De facto, um filho pode dar-nos a coragem de fazer coisas que nunca faríamos sozinhos!!)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Para o António C.

Bem-vindo pá!!

(sem palavras)

Entre o processo Casa Pia, a face oculta, o polvo e a palhaçada á volta do Orçamento de Estado apraz-me dizer apenas isto: estamos entregues à bicharada!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma nova perspectiva.

O tema que estamos prestes a abordar gera bastante controvérsia e até alguma polémica, principalmente entre o público feminino: falo dos WC públicos! Esta é uma reflexão relativamente recente para mim uma vez que, embora seja utente mais ou menos frequente dos WC públicos a utilização que deles faço é, digamos, pouco íntima. Pouco íntima porque não implica contacto físico com as porcelanas... Na verdade, a utilização dada pelo público masculino aos WC públicos resume-se a isto: entramos a correr, despertamos as calças, agarramos na anatomia e.... AHHHHHHHHHHH! É o alívio. Mas, de há alguns meses para cá tenho vindo a ter uma experiência diferente, experiência essa que resulta de uma diferente forma de utilização desses espaços. É que o Gabriel deixou de usar fraldas.

Subitamente, após o sobejamente conhecido (pelos papás) apelo "Quero fazer xixi!" eis que a realidade dos WC públicos me é desvendada com a força de um murro nas trombas: AQUILO É NOJENTO!!!! Mas que m.... será possível que tanta javardice seja proveniente de seres humanos suficientemente civilizados para saberem o conceito de "centro comercial"? As pingas na sanita, razão de tanto debate entre Marcianos e Venusianas têm agora um diferente significado. Claro que continuo a achar que as reclamações domésticas das mulheres relativamente àquela insignificante pinguinha que cai no tampo da sanita após o último abano da extremidade são apenas um pretexto para nos moer o cérebro mas, CARAMBA!! Uma coisa é urinar tudo para a sanita e cair uma pinguinha no tampo, outra completamente diferente é urinar tudo no tampo e deixar cair a pinguinha na sanita!! E depois, há gajos que mijam no tampo, no chão, no autoclismo e no tecto. Em tudo menos no buraco da sanita. F*****-se!! É a mesma merda que falhar um penalty, com dois metros e tal de baliza conseguem acertar em dez centímetros de poste!! Depois há aqueles que fazem pintura com o , dando a ideia que o andaram a arrastar por todo o lado após se terem esvaziado de toda a merda que lhes ia dentro....

Felizmente o meu Gabi é um gajo!! E um gajo mija de pé. Assim, e apesar de tudo, essa nojice pegada acabou por ser um bom motivo para ensinar o miúdo a fazer xixi de pé! Pezinhos em cima do tampo da sanita, calcinhas em baixo e OOOOOPS!! Já está! Depois é passar um papelinho para limpar as tais pinguinhas (que a criança ainda não domina todo o seu pequeno corpinho). Neste momento ele já é capaz chegar com a pilinha onde é preciso! Mas ainda ontem, quando eu precisei de usar um urinol público, dei por mim a advertir: "Não toques em nada sem o papá dizer".
Mas se for um cocózinho... o que tem de ser tem muita força!!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Porque nem só o CR espatifa Ferraris...

Lição do dia: não façam filmagens enquanto conduzem...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Powersong.

A powersong é um conceito introduzido pela Nike e pela Apple no sistema Nike+. Na verdade trata-se de uma música de motivação, aquela música que nos dá aquele empurrãozinho para se correr mais uns metros. Pode qualquer música que se encontre gravada no iPod e só tem que ser predefinida no sistema. Depois é só carregar no botão quando estivermos nas lonas!
Não canso de me impressionar com a energia que vem da música. Da maneira como ele parece renovar a nossa força e nos empurrar as pernas por mais uns metros. Durante esses minutos todo o corpo está "ligado" a uma enorme fonte de energia e as pernas parecem correr ao ritmo da batida. A minha actual powersong é forte na batida, agressiva nas guitarras e o vocalista grita que se desunha!! Sintam a energia...


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O que é que a Noite tem?

Num hospital o Tempo avança de outra maneira. Poderíamos até dizer que estamos noutra dimensão de Tempo. Porque, aqui o Tempo não pára, não descansa, não dá tréguas. O Tempo avança e empurra-nos com ele. São as luzes que nunca se apagam completamente. Sempre há uma luz, num qualquer canto, a marcar presença. A velar, a vigiar, a lembrar-nos que está ali. Aqui, também a Noite é diferente. Quando o resto do mundo se apaga e adormece, aqui outra vida se levanta. E transformações acontecem.
O que é que a noite tem? O que é que a noite arrasta? Os doentes, deitados nas suas camas, transformam-se. Aquele velhote querido que deambula pelos corredores, escrevendo cartas de amor às enfermeiras com a sua caligrafia trémula e num português que já não se usa, aquele velhote que, durante o dia conta com orgulho os seus feitos amorosos aos enfermeiros já não está lá. No seu lugar está um velho corpo que se contorce na cama e tenta fugir dali. Uma velha carcaça que nos cospe e insulta, que defeca junto à cama, que arranca a roupa e grita. Faz-se o costume. As amarras ainda existem no séc. XXI, estão nos punhos dele e uma injecção adormece-o. Os fantasmas foram-se.
Aquele ex-combatente do Ultramar, negro, que deu os olhos, uma perna e meio braço em troca da liberdade. Aquele negro afável que não entende o que dizemos, que fica na cama ouvindo o seu rádio e diz "obrigado" a todas as nossas solicitações. A noite chega e com ela os berros, os lamúrios, as preces murmuradas em crioulo têm um sombra ainda maior. Aproximo-me da sua cabeceira e ele está de olhos fechados. A dormir? Ou preso num mundo de dor que teima em o perseguir? Ouço um som, um baque. Vou até ao seu quarto e a cama está vazia. De um canto escuro surge um vulto que se arrasta. Pelo chão, só tem meio braço e uma perna e arrasta-se. Com os olhos fechados e dirige-se a mim. Assusto-me. Mas é só o negro velho. Pego nele e sinto que estou a pegar num animal selvagem qualquer. Contorce-se e grita. Adormece horas depois.
Aquela mulher que entrou ontem. Um AVC levou-lhe metade do corpo. Para ela só existe a direita e ignora a esquerda. Consegue exprimir-se razoavelmente e está orientada durante o dia .Sabe onde está, como se chama, em que ano estamos. Diz-me que tem fome mas não consegue comer. A sua garganta já não lhe obedece. O leite que lhe dou pela sonda nasogástrica não a satisfaz. Calculo que eu próprio não ficaria satisfeito se a comida me fosse colocada directamente no estômago. Explico-lhe e ela parece resignada. Chega a noite e a senhora altera-se. Encontro-a com a perna direita pendurada fora da cama. Mas o resto do seu corpo traiu o seu plano de fuga. Diz que o seu marido a chama da cozinha, que precisa de fazer o jantar. Julga que está de novo em sua casa, no seu quarto. Não faço nada de especial, não há nada a fazer e fico mais descansado porque sei que a sua metade-morta nunca a deixará sair daquela cama. Nem de nenhuma outra.
O que é que a noite tem?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Aqui há talento...

Vi ontem na RTP1 uma pequena reportagem sobre uma nova rede social cibernética que se destina a conectar os portugueses mais talentosos espalhados pelo mundo. Até aqui tudo bem muito embora esta coisa de diferenciar um grupo de portugueses tendo como critério o seu "talento" um pouco pretenciosa. Mas adiante.
A reportagem segue, os "talentosos" falam, os mentores, impulsionadores e patrocinadores congratulam-se. Eis senão quando, no meio de tanto elogio à portugalidade, reparo na música de fundo. Tentava eu lembrar-me qual a banda portuguesa que produzia tão enérgicos e motivadores acordes de guitarra. Estava mesmo debaixo da língua e... EUREKA!!! Dou-me conta que é uma banda que representa Portugal como nenhuma outra os... Placebo.
Hoje pesquiso no Google esse tão luso sítio na rede e digito: star tracker. Star Tracker? Cujo o o endereço é www(dot)thestartracker(dot)com? Deve ser engano... isto está tudo em inglês!! Mas depois vejo, em jeito de subtítulo: "Global Portuguese Talent". E mais abaixo: "we connect portuguese talent through an invite only network". É caso para dizer... FODA-SE (falando em português correcto)!! Então é uma rede que visa reunir os talentos portugueses espalhados pelo mundo para que possam trocar informações que os ajudem mutuamente a ter sucesso e só se entra por convite? Então e nós, os burrinhos? Não podemos ter acesso ás mentes brilhantes lusas? Olha, lá teremos que nos amanhar com o Facebook! Sim, porque era o que faltava, haver misturas entre classes. , isso é muito século XX.
E ainda por cima está tudo em inglês. Não se percebe um ca******lho...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desculpem lá...

... mas devido ao imenso spam que tenho recebido na caixa de comentários vejo-me forçado a activar essa coisa chata que é a verificação de palavras dos comentários.

O que quero ser quando for grande!

Se há programa que me dá prazer quando o vejo, esse programa é o "Top Gear", que passa no Discovery Channel. Eu, que não percebo nada de carros, gosto de carros. Da sua aparência, da velocidade, da potência, do barulho dos motores! Os pormenores técnicos aborrecem-me. Não sei bem o que é o binário, não percebo nada de transmissões e nem quero saber o que é o bujão do óleo! Mas gosto de ver o Top Gear. Pelos super-carros que testam, pelas dicas práticas sobre os carros mais acessíveis, pelas loucas corridas que fazem com os carros que lhes emprestam (!), pelos desafios a que se propõem desde atravessar África em "chaços" velhos e decrépitos, uma corrida entre um carro e um trenó puxado por cães até ao pólo norte, uma corrida através de Londres em hora de ponta entre um enorme jipe Mercedes, um bicicleta, um barco (pelo Tamisa) e os transportes públicos! Mas gosto do programa acima de tudo por causa do bom-humor constante, da galhofa constante entre os apresentadores, pelas excelentes tiradas do enorme James Clarkson! É gente que percebe de carros, que gosta de carros e que se diverte à brava a trabalhar!! Este texto não é tanto sobre o Top Gear mas sim sobre aquele tipo de trabalho que apetece fazer. Sempre que vejo o Top Gear não deixo de sentir uma ponta de inveja daqueles 3 divertidos "cromos dos automóveis". Porque têm a oportunidade de conduzir grandes bombas, porque se fartam de viajar, porque inventam desafios perfeitamente idiotas só ao alcance de crianças em ponto grande! E como se divertem!
Sinto o mesmo em relação aos jogadores de futebol. Caramba, esses anormais ganham milhões a fazer uma coisa que a maioria dos mortais faz apenas como divertimento! E ainda temos de pagar pela utilização do campo! Por isso não percebo tenho dificuldade em tolerar a incompetência de certos jogadores. ELES SÓ FAZEM AQUILO!! Treinam duas vezes por dia durante duas ou três horas, têm o resto do dia livre e fartam-se de ganhar dinheiro. E nem é preciso ser um CR7/9!.
De há uns tempos para cá tenho reflectido nisto de ter um trabalho em que, na prática o que é preciso é não crescer e cultivar a criança dentro de nós. Gosto do trabalho do Nuno Markl e o que ele se limita a fazer é pegar em coisas quotidianas, suas ou de outros, acontecimentos banais que ocorrem na vida de todos e abordár todos esses temas de uma perspectiva diferente e divertida. No fundo, o homem é pago para contar piadas. E isso deve ser bem divertido! E aqueles fulanos que testam os videojogos antes de eles serem lançados para o mercado? São pagos para jogar Playstation!
Numa conversa com um grande amigo especulávamos sobre a criação de um negócio que fosse uma alternativa aos doentes. Como ele é um gourmet perfeccionista e com o gosto da experimentação e inovação na cozinha sugeri a criação de um restaurante. Seria a combinação perfeita: ele seria o responsável pela cozinha e pela gestão das economias, encomendas, pessoal, etc. (ele é um tipo muito, mas muito responsável) e eu seria a referência do espaço. Aquela pessoa que recebe os clientes, que os conhece pelo nome, que repara como a esposa do Sr. Engenheiro mudou as nuances do seu cabelo. Alguém bem-falante e comunicativo, simpático e agradável. Isso sim, era um trabalho que não me importava nada de fazer!
Por vezes imagino-me a fazer algo bem diferente do que faço e já consegui encontrar algumas actividades que me agradariam:
-Logo à partida, começar a cobrar por cada visita aqui ao blog (brincadeira!! Nunca faria isso e, além do mais, ninguém pagaria por isto!!).
- Escrever um best-seller internacional e viver dos rendimentos.
- Criar o meu filho para ser o próximo CR (mas inteligente)/Federer/Tiger Woods (sem as amantes)/Schumacher e viver dos rendimentos dele.
- Patentear uma invenção que todos utillizassem e viver dos rendimentos.
-Ser vencedor do Euromilhões e viver dos rendimentos.
Acho que perceberam a ideia.

É como andar de bicicleta.

Nas urgências uma doente pediu-me que lhe desapertasse o soutien (estava a incomodar porque a senhora tinha um dor nas costas, nada de ideias...). Enfiei-lhe a mão direita por baixo da roupa e ZÁS!! Desaperto-lhe o soutien à primeira apenas com os três primeiros dedos da mão direita!!!
Realmente, quem sabe nunca esquece...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Basta um Sorriso.

Reli o post anterior, acerca do Rex. Na verdade esse texto ficou tão aquém daquilo que eu tinha pensado que resolvi voltar ao tema. O meu filhote! Aquilo que eu pretendia descrever vai tão além daquilo que escrevi... o que é facto é que não encontro palavras para descrever as emoções que aquele miúdo causa em mim. Hoje passámos a tarde toda a brincar num fantástico parque verde com estruturas para as crianças. Escorregas, paredes de escalada e estruturas de cordas para trepar. E pinheiros e relva. Levámos uma bola para jogar. E jogámos! E andámos no excelente escorrega que era comprido e grande ao ponto de eu lá caber dentro e me divertir a escorregar! E, quando pensava que o Gabriel ia ter receio de escorregar sozinho, eis que o puto se manda lá para dentro, feliz e divertido! Ele correu atrás de mim e a fugir de mim, subiu e desceu escadas, aprendeu comigo a fazer aquela espécie de cambalhota, quando apoiamos a nossa barriga num ferro e depois rodamos o corpo usando esse ferro como eixo, pediu-me ajuda para subir para o cimo da parede de escalada e depois atirou-se para os meus braços. E ria-se! Muito, aquelas gargalhadas que só as crianças são capazes de produzir, límpidas, cristalinas e sinceras. Pelo meio destas brincadeiras surgiu o Rex, claro! E não deixou de me surpreender quando, ao subir as escadas em direcção ao escorrega pediu, simulando uma voz de cansaço de quem atravessou um deserto: "Rex, ajuda-me...". E o Rex ajudou. Depois o Rex escondia-se atrás das árvores e saltava ao caminho dele, rugindo com as garras em riste!! Quando anoiteceu eu e o Rex estávamos exaustos! Mas ele não! Chorou que não queria ir embora mas foi. Limpou as lágrimas e deu-me a mão (a mim ou ao Rex?) e quando entrámos no carro disse que tinha adorado a brincadeira. Arranquei e ele adormeceu.
Por vezes esqueço-me da idade do meu filhote: 2 anos e (quase) 10 meses! Caramba! Nem 3 anos ainda e já tão independente, tão desembaraçado fisicamente e tão fluente no discurso. A sua imaginação não tem limites, a sua energia é inesgotável, é rebelde e tem personalidade, não é grande fã de beijinhos e abraços mas consegue ser tão meigo que nos abraça e beija quando não o esperamos! O seu sorriso ilumina a milha alma, se ela existir...
Releio e vejo que as palavras continuam a não descrever exactamente aquilo que sinto.
(isto está perigosamente parecido com um babyblog...)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Rex.

O Rex é um dinossauro. É um dinossauro porreiraço, gentil e companheiro. Um compincha das brincadeiras do Gabriel. O Rex tanto pode jogar à bola, como à apanhada ou às escondidas. O jogo preferido deles é uma mistura entre escondidas e apanhada onde o Rex se esconde e o Gabriel procura. Quando o Gabriel encontra o Rex, este ruge e corre atrás dele! É uma diversão. Por vezes é o Gabriel que persegue o Rex, munido das suas espadas imaginárias ou de outras munições que nascem no seu bolso e nunca acabam. O Rex é um grande amigo do Gabi. O Rex sou eu.
Isto do meu alter-ego (apesar de ter sido criado pelo meu filho) ser um dinossauro tem muito que se lhe diga. Logo à partida, a voz! Um dinossauro que se preze deve ter uma voz rouca e potente, uma espécie de rugido perceptível, e isso dá conta de qualquer garganta. Ora, como o Gabi gosta particularmente de falar com o Rex durante as viagens de carro, não é de estranhar que além de me doerem as costas também esteja rouco!
Mas o que mais me fascina nesta brincadeira é o facto de eu e o Rex partilharmos em simultâneo o mesmo corpo. Quer isto dizer que o Gabriel tanto pode estar a falar com o Rex como com o Pai! Por exemplo: -REX! REX! Esta é a espada dos dinossauros! Foi o pai que deu! (a propósito de um sabre de pirata que lhe ofereci esta semana). Ou então, quando ele chama pelo Rex e eu respondo com voz de Pai e ele replica "NÃO QUERO A TI! QUERO O REX!!".
E aí eu pergunto:
-Onde está o Rex filho?
-Está atrás de ti, Pai!
-Atrás de mim?
-SIM! Ele é grande e tem uma boca grande!
-E quem é o Rex, Gabi?
-És tu!!
Dizem que a imaginação é sinal de inteligência.

Porreiro pá!

Chego ao trabalho e descubro que bloquearam o acesso ao Facebook. Começou a retaliação por causa da greve!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Verdades Absolutas acerca de ser Pai

Se houver uma poça de lama ou semelhante nas imediação do nosso filho-em-queda, é certo que é lá que a queda se dará.

Verdades Absolutas acerca de ser Pai

Se gritarmos "OLHA QUE VAIS CAIR!!" ao nosso filho enquanto ele corre desenfreadamente, é certinho que ele se vai espetar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mas que originais que somos!

Dei-me hoje conta que a televisão portuguesa está na vanguarda da produção de ficção. Fiquei siderado com a originalidade quer da SIC quer da sempre vanguardista TVI. Falo de duas produções de nome "Lua Vermelha" e "Destino Imortal". Reparem no conceito destas duas séries: vampiros adolescentes!!! FANTÁSTICO!
Confessem lá, confessem que nunca vos tinha passado esta ideia pela cabeça! Que mentes, que criatividade, que on-the-edge é a televisão portuguesa. Vampiros adolescentes que serão representados por modelos-actores e actores pós-"Morangos com Açúcar", já que os vampiros são seres de uma beleza estonteante e cheios de glamour. Haverá uma história de amor que cruzará um vampiro e uma humana, conflitos entre vampiros bonzinhos e gangs de vampiros mauzões mas os vampiros estão perfeitamente integrados na sociedade humana, frequentam as nossas escolas e, pasme-se este conceito, andam em plena luz do dia!!
Já estão a ver este conceito a ser plagiado descaradamente pelos americanos, originando grandes franchisings cinematográficos de nomes do tipo Crepúsculo, Lua Nova, O Diário do Vampiro e outros sem piada nenhuma!
(Na verdade, quer a SIC quer a TVI são TV-vampiro. É o tipo que se alimenta das ideias de outras.)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sobre o direito civil de alguns portugueses.

Na minha opinião, toda esta historia do casamento gay e adopcão por casais homossexuais nem devia sequer ser discutida pois trata-se de um direito fundamental de qualquer individuo. Contudo não posso deixar de chamar a atencão para uma opinião brilhantemente fundamentada e elaborada acerca deste assunto.
Sejam a favor ou contra não deixem de ler.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Usado como novo.

Por vezes aparecem-nos nos Internamentos uns velhotes castiços! Doentes mas sempre bem dispostos. A Rosinha dos Limões (é assim que a chamo e entro no quarto dela a cantar a canção homónima!) é uma dessas velhotas. 94 anos cheios de energia que a doença veio roubar. Hoje, enquanto lhe dávamos banho, a minha colega comentou:
-A Dona Rosa tem um pipi muito bonito! Bem feitinho, pequenininho. Mesmo giro!
-Diz filha? Ouço mal sabes...
-ESTAVA A DIZER QUE TEM UM PIPI TODO BONITO!
-... ó filhinha... está assim porque teve pouco uso. Antes estivesse estragado e tivesse sido usado.
Ora toma.

O Sonho Mau que não foi.

Ontem tive um sonho mau, muito mau. Um pesadelo. Sonhei que um casal se tinha divorciado e desentendido. A sua filha ficou no meio da guerra entre dois adultos. No meu sonho a menina não queria ver o pai. Gritava e esperneava e recusava ficar com ele. O pai afirmava que e menina estava a ser manipulada pela mãe, esta recusava e a menina dizia que o pai lhe mexia no pipi e que ela não gostava. O sonho continuava no tribunal e, entre acusações e ataques entre os progenitores, o juiz decidiu que a menina tinha que ficar com o pai e ordenou à GNR que fosse buscar a menina. E os agentes iam e depois escreviam nos seus relatórios que a menina chorava e gritava e que não queria. E diziam aos seus colegas (off the record) que isso lhes cortava o coração mas era a lei.
No meu sonho mau isso não resultou. O juiz decidiu então, depois de ouvir psicólogos e pedo-psiquiatras, que a menina sofre de um síndrome de alienação parental. Mas todos os especialistas lhe disseram que esse síndrome não existe. Não consta das tabelas de doença da OMS e que ele não devia basear uma decisão judicial nesse facto. Mas, todos sabemos como os sonhos são estranhos, o juiz decidiu retirar a menina a ambos os pais e mandou que fosse internada num orfanato. Mas não um orfanato qualquer. Um orfanato que ele próprio escolheu.
Realmente os sonhos são muito estranhos por vezes. Sonhei que esse orfanato faz parte de uma extensa rede de orfanatos da Igreja Evangélica (subsidiados pelo estado) que levam os meninos às suas igrejas, para serem evangelizados. Dizem os responsáveis que as crianças não são obrigadas, que escolhem. E volto a sonhar que foi o juiz que escolheu esta instituição, sem qualquer outra consulta.
Mãe e pai da menina só podem ver a filha uma hora por semana, numa sala despida e com a presença de duas funcionárias. Não podem tirar fotografias nem levar brinquedos. Se não fosse um sonho eu diria que se tratava de uma prisão. Mas não, no sonho vejo um orfanato. No meu sonho mau, a menina não tem previsão para voltar a ser entregue a um dos pais. Está afastada dos seus pais, da sua casa, dos avós, dos amigos, da escola, do seu mundo sem que haja um final definido para o tratamento determinado pelo juiz. O juiz entregou essa decisão ao orfanato. Também lhe entregou a custódia da menina e a responsabilidade pela sua reabilitação. Neste sonho mau a menina pertence-lhes.
Hoje acordei angustiado pelo meu sonho mas depois ocorreu-me. Isto não foi um sonho! Isto é real, vi ontem na RTP1 logo depois do Telejornal, no programa Linha da Frente. Aconteceu no States, onde a realidade nos ultrapassa? Não. Em Portugal, em Fronteira. A realidade ultrapassa largamente a ficção...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Farinha do mesmo saco.

Farinha do mesmo saco. Os homens são todos farinha do mesmo saco. Pelo menos é o que tenho ouvido dizer, da parte de algumas mulheres. Que tipo de mulheres? As traídas! E é impressionante o que uma mulher atraiçoada pelo marido é capaz de verbalizar. Para este tipo de mulher todos nós somos demónios traidores, mesmo quando não traímos! Se não estamos com outra mulher, temos planos para isso! E como é que eu sou capaz de afirmar isto? Fácil! São elas que mo dizem!
Nunca me hei-de esquecer do que uma funcionária de um hospital me disse quando soube que eu estava já casado e já com alguns anos de duração... "Isso não dura muito. Um jovem como você, que passa mais tempo em hospitais do que em casa... não tarda nada está metido com alguma doida dessas que praí andam. Se é que já não anda! Tantos anos a comer o mesmo bife com batatas fritas, qualquer homem enjoa." Reparem que a dita senhora elaborou este brilhante e elaborado raciocínio apenas na posse de alguns factos: que eu sou novo, trabalho muito e gosto de variar o bife que ando a comer! Sendo que o elemento aglutinador desta tese é o facto de eu ser um homem! E isso é suficiente.
Na minha faixa etária é muito comum encontrar mulheres divorciadas. São aos magotes! E como o seu discurso é semelhante! "Homens... todos iguais. Um marido de uma amiga arranjou uma brasileira na net. Achas normal? Já o porco do meu ex-marido também arranjou uma porca qualquer pela internet." Aqui os lugares comuns são: trocamo-las sempre por brasileiras que encontramos pela internet. Sendo bastante comum encontrar-me a escrever num dos computadores do serviço (como agora, por exemplo!) algumas delas tentam perceber se eu estou a falar com alguma "gaja"!
Mas o cúmulo dos cúmulos acontece quando essas generalizações são feita por alguma familiar. Neste caso uma mulher da minha família que se encaixa no grupo das traídas. E dizia ela, falando para a minha mulher como se eu não estivesse na sala: "Homens é tudo farinha do mesmo saco! E piora com os filhos! Então quando vem o segundo... parece que ficam loucos! E com a avançar dos trinta começar a pensar mais neles e nas suas necessidades... parvalhões. Lembras-te da P.? Aquela que tina uma relação de sonho, saiam, viajavam, ela dava-lhe imenso espaço e confiava nele a 100%? Pois é. Ele arranjou outra. A autora de um blog que ele seguia... metem-se na internet e depois dá nisto!" Depois, virando-se para mim: "Vocês são todos farinha do mesmo saco!"
Vejamos então o perfil: trinta anos, dois filhos, usa muito a internet, frequenta redes sociais como blogues, por exemplo, trabalha muito fora de casa e, claro, ser homem. Estou tramado.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais um momento perfeitamente escusado de crítica literária.

Sempre fui, abertamente, um defensor do Saramago. Fiquei do seu lado na polémica pré-lançamento de "Caim" e considerei que saiu vencedor no debate com a Igreja. O que eu admiro em Saramago, mais do que a escrita, são as premissas que originam os seus romances e a argúcia com que ele faz uma certa crítica social nos seus livros. Não os li todos, mas li bastantes para apreciar a sua obra. "Caim" é um flop. Uma mera forma de ganhar uns trocos para pagar os cuidados da velhice. Uma obra escrita à pressa.
Mas, pior que tudo isso, afinal o homem pode fazer "render o peixe" da maneira que entender, é que "Caim" trai todo o espírito saramaguiano na medida em que, em vez de ser uma crítica bem elaborada e estruturada e com um ponto de vista diferente mas legítimo (como o foi "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" que conta uma história sobejamente conhecido através de um ponto de vista diferente mas perfeitamente legítimo), trata-se antes de um exercício de sobranceria e arrogância do autor sendo mesmo ofensivo em algumas partes.
Em "Caim", Saramago aproveita o desterro a que Caim foi votado por Deus após assassinar o ser irmão Abel e imagina uma viagem que o leva a testemunhar alguns dos actos mais sanguinários descritos na Bíblia, desde o dilúvio do qual só sobreviveram Noé e a sua família e animais, passando pela destruição da torre de Babel e pelo genocídio ocorrido em Sodoma. Acontece que estes eventos não ocorreram na mesma época em que viveu Caim! Calculo que Saramago seja um grande fã da série "Lost" porque acontece a Caim exactamente aquilo que acontece às personagens perdidas na ilha durante toda a 5ª temporada (quem não viu que se informe porque eu não quero estragar a expectativa a ninguém)! Depois há muito sexo com sémen espalhado por várias partes do corpo da mulher, há violência gratuita sempre vinda da parte de Deus, que a propósito, é um sacana sem lei da pior espécie, um déspota que retira prazer do sofrimento humano e até os anjos são meros funcionários manietados por esse crápula, discordando dele à boca pequena.
Eu não sou de todo cristão, nem católico, nem de outra religião qualquer mas respeito. E, agora sim, depois de lida a obra, a Igreja tem argumentos para atacar o velho sabichão do Saramago. Em primeiro lugar porque a narrativa do livro é imensamente rebuscada e depois porque, enquanto obra de relevo, "Caim" é muito fraquinho.
Ó Saramago, não havia necessidade.... (mas, mérito seja reconhecido, safaste-te bem nas vendas durante o Natal, hmmm?)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Será a Festa do Pijama?

Minha gente. Mesmo para ir ao hospital porque se está doente tem de haver em nós uma réstia de dignidade. E ir de pijama para as urgências anula uma dignidade já fragilizada pelo facto de estarmos pálidos, despenteados, com os olhos encovados, a irmos constantemente ao gregório e a cagar fininho. A tendência natural dos profissionais ao avistar um doente de pijaminha é a de desconfiar. Alguém que sai de casa com um pijaminha cor-de-rosinha-com-ursinhos-carinhosos só pode querer chamar a atenção! Ou então é louco! Logo dois dos estereótipos menos aceites em contexto de urgência! A não ser que vos tenha dado um enfarte fulminante ou uma queda com perda de massa encefálica... vistam-se! E, façam o que fizerem, não vão para o hospital com aquelas pantufinhas-fofinhas-e-quentinhas-em-forma-de-cãozinho-de-olhar-meigo. É... deprimente. Também há a variante chic destes doentes. Os que usam chinelinho de pele e pijama com roupão de seda ou cetim! Meus amigos, não importa se é um pijama com griffe Louis Vouitton ou D&G. Um pijama é e será sempre um pijama.
O mesmo se aplica aquelas pessoas que passam o fim-de-semana de pijama vestido. Mas há coisa menos dignificante do que vir despejar o lixo de pijama? Não, não há. Mas qual é o problema em vestir uma roupa normal? Nem que seja um fato-de-treino! Um pijama é roupa-para-dormir. Dormir. Não para despejar o lixo ou passear o cão, para almoçar e estar a abobrar no sofá! Já pensaram que ninguém dorme com a roupa que enverga durante o dia? Eu pelo menos não!
Para mim, o conjunto pijama-felpudo/roupão-fofinho é das coisas mais deprimente e menos apelativas que há. Admito que há pijamas bem giros e que até são bastante atraentes mas lamento constatar que aqueles que aparecem no hospital são sempre ou rosa com ursinhos, ou azuis com gatinhos ou amarelinhos canário! E todos nas versões tecido-fofinho-mas-extremamente-sintético! Juntem-lhe as tais pantufas e voilá! São oficialmente os doentes-pateta!!!
Eu não uso pijama. Boxers e t-shirt. E não vou assim para as urgências.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Verdadeira Causa da Extinção dos Dinossauros.








(Ou, o que fazer com um filho quando chove a potes lá fora...)