segunda-feira, 10 de maio de 2010

Santa Paciência!

Quem atravessa a Ponte 25 de Abril em direcção a Almada não pode deixar de notar o enorme cartaz com a foto de Bento XI e o agradecimento em letras garrafais: "Obrigado Santo Padre!". Eu pergunto-me: obrigado porque? A resposta mais fácil e brejeira será: pelas tolerâncias. Mas só alguém muito desatento ou despreocupado fica contente com as folguitas abençoadas. E não estamos em tempo de folga e de gastar dinheiro. E quanto dinheiro se vai gastar com a presença do Ratzinger? Muito. Entre os gastos com a segurança do senhor, com os reboques dos carros estacionados no seu itinerário e a limpeza e obras para que as cidades fiquem mais bonitas, devem ser uns milhões! O que mais me choca (e já aqui falei disso) é a colocação de fragatas da Marinha de Guerra no Tejo e de mísseis do Exército em Fátima! Alguém acha que, a haver um atentado ele vai ocorrer por mar ou ar? É estúpido e típico de um país que gosta de mostrar o que não tem, que gosta de passar por rico, que aprecia a grandiosidade inútil em vez da eficiente discrição. Tudo isto num país cujo estado é laico...
Por isso, agradecer o quê? A inutilidade da sua acção no panorama mundial? O envolvimento inegável (ainda que na forma de encobrimento) em abusos sexuais de menores que ocorreram (ocorrem?) durante décadas? O conservadorismo e radicalismo como tem conduzido o Vaticano? É este endeusamento de um homem, um alemão de 80 anos que foi criado e formatado pela Juventude Hitleriana e que, muito embora isso até fosse normal para as crianças alemãs daquele tempo, não se pode negar a doutrina a que ele foi sujeito que me irrita. Ele é que devia agradecer ao povo português pela recepção, pelo seguimento cego que os católicos ainda lhe devotam, pelos gastos desnecessários que a sua visita acarreta. Mas são assim os portugueses e os católicos... se consideram alguém como superior a si mesmos rebaixam-se e submetem-se. É isso o Fado.
Voltando à foto gigante do Ratzinger: o homem tem um ar maquiavélico... brrrr!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bom negócio!

Encontrei este anúncio na net e acho que podem estar interessados. Bons negócios!

E, por falar em elogio...

... já repararam que o bonequinho está eufórico? Pois é, 524 km dá pra isso...

Concepções erróneas de quem não pensa...*

A conversa decorria entre duas mulheres desimpedidas (nem marido nem filhos) na sala de trabalho do hospital. O tema era, claro está, homens! Pareciam concordar nas características do macho: bonito mas não modelo, bem formado, bom emprego, bom na cama e... sem filhos. Uma delas sai-se com esta afirmação: "E aqueles homens, pais-babados a correr e a saltar com os filhos nos parques e nos jardins? Cortem-me os pulsos... até podem ser giros mas os filhos cortam todo o interesse!!!". E, na verdade apeteceu-me cortar-lhe os pulsos. Literalmente.
A descrição das brincadeiras no parque com o filho serviu-me na perfeição. Francamente! Mas o que estas mulheres parecem não perceber é o seguinte: anda um homem a correr e a exercitar-se para poder aguentar o ritmo do filho, deixa de se cansar tão facilmente, corre e salta e rebola pela relva, joga ás apanhadas e escondidas, á bola e anda de bicicleta, trepa às árvores, dá cambalhotas e com isso torna-se num verdadeiro atleta, perde uns consideráveis quilos que tinha a mais, tonifica o corpinho e tem energia para, além de acompanhar o filho, manter-se activo no resto das actividades diárias!
Quer-me parecer que quem mais perde são elas...
(*ou, um exercício mental de pura imodéstia e auto-elogio.)

domingo, 2 de maio de 2010

Ele é nosso doente há anos. Um ex-combatente endinheirado, bon-vivant, amigo dos copos e petiscos. Diabético, com insuficiência cardíaca e com um fígado já a queixar-se dos excessos comensais, saía e entrava do serviço regularmente. Vinha ter connosco quando estava à rasca mas, mesmo ainda antes de sair das portas do serviço já ia a combinar um petisco ou uma mariscada com um qualquer companheiro! Uma vez disse-me, em resposta a um aviso meu: "Sr. Enfermeiro, já vivi o que tinha a viver, os meus filhos estão bem, deixo-lhes muito dinheiro. Restam-me os momentos com os meus amigos. Deixem-me viver bem o que me resta!". E hoje cá está ele, deitado numa cama, pálido, com dificuldade em respirar, o coração a falhar. A hora dele chegou.
É um velho conhecido do nosso serviço, alguém que conhecemos no seu auge, independente, lúcido, divertido, camarada. Um colega dizia-me ontem que esperava que a sua morte não acontecesse num dos seus turnos. Os olhos do meu colega não mentiam. Hoje uma auxiliar chorou junto á cama, mão na mão com ele. Na verdade, este doente marcou algumas pessoas daqui. E eu?
Eu sabia que este era o desfecho que o esperava quando o recebi. Cansado, velho e quebrado. Desorientado e agressivo, estava longe do homem alto, garboso e imponente que tinha sido. Vi-o a afundar-se naquela cama e estou aqui hoje vendo-o em períodos de apneia cada vez maiores. E sinto-me como uma parede emocional. Em contraponto aos meus colegas não me sinto triste ou revoltado, nem sequer angustiado com a sua morte. Sinto por ele o mesmo que por outros doentes menos conhecidos. Uma tristeza pelo sofrimento por que sei que eles estão a passar, mas não pela pessoa em si. E esta aparente frieza de emoções preocupa-me por vezes pois preocupo-me com os meus doentes. Apenas não sou capaz de chorar por eles, chorar a sua morte, a perda.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Eu tenho dois alunos...

...que em nada são iguais! E tem sido este o meu maior desafio na orientação desses miúdos (19 e 20 anos!). Enquanto um deles é reservado, inseguro e com alguma falta de auto-estima mas, no entanto, trabalhador e aplicado, o outro é expansivo e perspicaz e trabalha muito no improviso, entendendo muito bem os sinais que recebe! Os dois propõem situações bem diferentes mas igualmente desafiadoras e a abordagem tem de ser necessariamente diferente para cada um deles.
Na verdade eu preocupo-me com eles, com os seus resultados. Em parte porque o resultado deles ao final das 8 semanas de estágio reflecte aquilo que eu fui capaz de lhes oferecer mas também porque considero que este é um estágio em que eles têm todas as condições de evoluir. Cada um deles tem um doente atribuído e é responsável pelos cuidados a esse doente, o que dá "pano para mangas" e colaboram comigo nos restantes doentes do serviço. Isso faz-me evoluir também na medida em que eles me dão uma outra visão sobre os cuidados. Porque aprendem hoje novos paradigmas e classificações, porque me fazem relembrar os conhecimentos-base que sustentam a nossa prática e porque me obrigam a ir estudar para me manter ao nível que eles exigem.
Esta coisa de ser orientador, apesar de nos oferecer algum trabalho ao qual não estamos habituados, é muito interessante de se fazer. A ideia não é sermos professores, não no sentido clássico do termo! Essa função fica para os docentes da escola. A nós cabe-nos fazer a ponte entre o teórico e o prático, a operacionalização do que vem descrito nos livros que na maior parte das vezes, não é exequível! Nós lidamos com a situação real, em que o teórico nem sempre funciona como está descrito nos manuais. Nós podemos colocar os alunos em situações problemáticas reais e eles podem lidar com todas as limitações que uma situação real nos coloca. Nós podemos colocar os alunos a pensar. Porque a Escola não nos ensina a pensar, antes a memorizar.
Que os meus alunos tenham sucesso neste estágio é o que desejo mas, mais que isso, desejo que no próximo estágio eles sejam ainda melhores graças ao que aprenderam neste!

Flagelo Feminino.

Na minha linha de trabalho deparo-me muitas vezes com um flagelo feminino que não é devidamente valorizado. Uma trágica situação feminina ao nível da burka, da não-emancipação da mulher, da desvalorização social feminina: refiro-me obviamente às unhas fracturadas!
Recebo muitas mulheres em desespero por terem partido ou arrancado (total ou parcialmente) acidentalmente uma das suas arranjadas unhas. E fico com o coração partido... É que não é sensação mais cortante que receber uma histérica mulher em brados lancinantes pela terrível alteração da sua imagem corporal. É algo que não escolhe idade nem condição social, não distingue entre beleza e fealdade, entre elegantes e matrafonas. Simplesmente acontece.
Este é um problema que me toca particularmente porque eu gosto de unhas arranjadas nas mulheres. De preferência naturais, com uma cor apenas e não muito mais compridas que a extremidade dos dedos. Discretas portanto. Uma bela unha natural bem tratada e saudável é bem mais excitante que a espanpanante unhaca de gel!! O problema da unhaca de gel é que veio democratizar e, eu diria, até descredibilizar a unha atraente como símbolo de uma mulher elegante. O que é que isto quer dizer? Que agora qualquer matrafona me aparece com uma unhaca de 10 cm onde mandam desenhar verdadeiros vitrais manuelinos. E são estas matrafonas que partem as unhas e que entram por aqui aos urros! Porque as usam demasiado compridas e porque, normalmente têm empregos primários na área da prestação de serviços de limpeza, alimentação, jardinagem, etc. O que não quer dizer que não possam usar unha arranjada mas... há coisas que não combinam! Hoje, por exemplo tive duas clientes com problemas do foro ungueal: uma era desdentada e outra cheirava mal! Não bate a bota com a perdigota! Existem aquela com enooooormes unhas gritantes de cor, cabelo apanhado, enooormes argolas nas orelhas, tops apertados que revelam a lingerie, gangas gastas e apertadas até ao osso e botas pretas de cano alto e stilletto de 15 cm: também não resulta! Urge avisar essas mulheres que há coisas que não são para elas e que as unhas não são fresas para lavrar a terra e, logo, não precisam de tanto comprimento.
E este é o verdadeiro flagelo! Porque a unha arranjada não é um mero acessório de moda! É antes um símbolo de classe, de elegância, de beleza que nem todas as mulheres sabem ou podem aspirar a ter...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Papa Bélico.

Leio hoje no sempre insuspeito e imparcial Correio da Manhã que o Santíssimo Padre Bento XI, a.k.a. Cardeal Ratzinger, estará protegido em Fátima por várias baterias de misseis terra-ar do Exército e em Lisboa por fragatas da Marinha que estarão no rio Tejo.
Ora, isto faz-me muita confusão mental pois misturar cerimónias religiosas com artilharia pesada é algo que não bate... é como comer sardinha assada e beber coca-cola! Não resulta. Para quem tem por missão a conciliação entre os povos e transmite uma mensagem de paz... Que ele ande lá no Papamobile com vidros blindados até percebo, porque maluquinhos há em todo lado e sempre são uns milhares para vigiar, agora MISSEIS?!?! Não tarda vamos começar a ter cristãos-bomba que, em vez das tradicionais velas de cera vão para Fátima com velas de dinamite.
Parece que a Protecção Divina andas pelas ruas da amargura e já não dá garantias...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Elogio à Mediocridade.

Quando toda a gente fala do "Achas Que Sabes Dançar?" e dos seus cromos, eu não consigo deixar de pensar (uma e outra vez, sempre que há um "realtity show" ou um concurso de busca de talentos) que neste país se premeia a mediocridade.

Hoje, no programa da manhã da SIC, entrevistava-se um dos cromos do programa de dança. No casting ele fez figura de urso, fez perder o tempo do júri e dos concorrentes que realmente sabiam dançar , foi naturalmente eliminado mas saiu de lá convencido que era o melhor. E, no entanto, lá andava ele a arrastar-se pelo chão do estúdio da SIC para gáudio do público e dos apresentadores.

Entristece-me que alimentem as ilusões dessas pessoas que algum trauma psiquiátrico devem ter, entristece-me que alguém se divirta com as figuras tristes dos outros mas, acima de tudo, entristece-me que se faça o Elogio da Incompetência. Alguém vê entrevistas de gente que persegue o seu sonho desde criança, que é de facto bom naquilo que faz e que trabalha todos os dias mas que não tem oportunidades para mostrar o seu talento? Não. O que interessa é que sejamos o entretém da malta. Isto explica em parte o fracasso deste país: o Elogio à Mediocridade.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Depois do Luto...

...pela abrupta perda do meu companheiro de corrida, o meu iPod, posso agora falar sobre o contexto em que se deu o trágico acidente! A Nike organiza treinos livres de corrida, com a presença de monitores e de atletas profissionais. Depois de alguns meses em Lisboa chegou a vez da margem sul! O encontro foi no Almada Fórum, na loja The Athlete's Foot, onde pudemos escolher os ténis que gostaríamos de experimentar no treino! Assim uma espécie de test-drive dos topo-de-gama da Nike Running!
Seguimos depois para o Parque da Paz (um enorme parque verde no coração de Almada, mesmo ao pé do Almada Fórum e da A2) já em passo de corrida. Bom tempo, ténis fantásticos nos pés (quero!!) e um ritmo de corrida bem lançado e... eis que subitamente o grupo está reduzido a umas 7 pessoas, num total de 20!!! Enfim, as pessoas tendem a ter expectativas optimistas acerca da sua forma física e a maioria resolveu que estaria pronta para o grupo intermédio (eram três: iniciados, intermédio e profissionais) quando eram, na verdade meros iniciados!! Ainda pensei ir com os pro's mas pensei que 8 meses de corrida ainda não são suficiente para aguentar o ritmo de um profissional como o Rui Silva!!
No final ofereceram águinha fresca, Isostar e fruta e fiz ainda uma análise biomecânica da minha passada em corrida. Fiquei contente por saber que a minha é uma passada neutra, logo menos propensa a lesões!!

Mas deixo as imagens falarem por mim!!
Inscrição e escolha dos ténis a experimentar!

Admirando o meu belo... par de ténis novos!!

Em plena rotação!

Estica! Esticaa!!

No próximo sábado, dia 1 de Maio, mais um treino! Apareçam!

sábado, 24 de abril de 2010

Triste...

Perdi o meu iPod.... a minha companhia de tantos quilómetros e tantas corridas... o meu confidente silencioso... o meu principal motivador quando o corpo já não queria mais...

Agora preciso de um novo companheiro. Alguém tem um iPod Nano que não use e que queira vender? Alguém me quer devolver a felicidade?

Anyone?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Existe uma Resposta Correcta?

Como é que se diz a alguém "A sua mãe vai morrer. Pode ser hoje ou na próxima semana, mas vai morrer nos próximos dias."? Assim, de uma forma crua e desprovida de "amortecedores" emocionais ou de uma maneira subtil, indirecta, subentendida?
Nos últimos dias tenho acompanhado a evolução de uma senhora de oitenta-e-muitos com um tumor cerebral. Ele tem sido uma companhia incómoda mas inofensiva nos últimos anos mas resolveu manifestar-se. A evolução destes casos costuma ter uma história e um desfecho conhecidos. Esta senhora é a matriarca de uma família diferenciada, educada, brasonada. E, desde o início os filhos indagam acerca da evolução deste caso. E nós, enfermeiros, lá vamos dizendo que é sempre impossível fazer previsões e que até pode acontecer uma recuperação mas que, a nossa experiência nos diz que o final estará próximo. E eles, dia após dia, turno após turno lá perguntam "E como está a minha mãe hoje?". E ela lá está, deitada, edemaciada, entubada, com bombas e monitores á volta da cama, a respiração cada vez mais difícil. Volto a explicar, como tantas vezes antes, que o prognóstico não é bom, que devem preparar-se para o pior. "E as análises estão boas? Não fazem outra TAC?" e eu explico que neste momento as nossas preocupações se situam ao nível do conforto, alimentação e controlo da dor da senhora. Se eles compreenderam a mensagem? Não me parece. Desisto e remeto-os para o médico enquanto eles insistem em saber os resultados das últimas análises. E é cada vez mais claro que estas pessoas não estão preparadas para a perda que lhes surge no caminho.
Um caso semelhante, uma esposa que ansiosamente esperava pelo regresso do marido da luta com uma dessas doenças que, mais cedo ou mais tarde acabam por ganhar o duelo. O homem estava mal, muito mal mesmo e o ar que se respirava no quarto estava impregnado de morte. A mesma questão de sempre "O que estão a fazer para salvar o meu marido", "Ele abriu os olhos", A mão dele chamou-me" numa ansiedade regada a lágrimas e desespero. O senhor estava agónico há dias e era penoso para todos vê-lo assim. Menos para ela, aparentemente. "Compreenda que o seu marido está a sofrer. Olhe para ele, olhe. Não há nada mais que possamos fazer..." e sou interrompido pelo filho de ambos, sempre calado e reservado "O que o Enfermeiro quer dizer Mãe, é que o pai vai morrer esta noite. Não é isso Sr. Enfermeiro?", "Nesta noite, amanhã de manhã quem sabe? Mas sim, o senhor vai morrer." Foi a primeira vez que disse essa frase a alguém de forma tão directa. O senhor morreu comigo nessa noite.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Apologia do Vício.

Há algum tempo atrás deparei-me com este texto, extremamente bem escrito e fundamentado e que faz a apologia dos fumadores. Saliento desde já que não sou nem pretendo ser um fundamentalista anti-tabaco, que de fanatismos está o mundo farto e já não há pachorra! No entanto...
Não posso dizer que nunca fumei. Fi-lo aliás, numa época da nossa juventude em que todos o fazemos por umas ou outras razões: porque dá estilo, um ar rebelde e revoltado, porque queremos impressionar alguém. Mas foi coisa que não durou. A Lei do Tabaco aprovada há não muitos anos atrás veio repor alguma justiça na utilização de espaços públicos. Antes dela era virtualmente impossível comer um pastel de nata e beber um café sem assassinar uns milhões de células pulmonares e fumar, passivamente, o equivalente a vários cigarros. Porque, antes desta súbita demonização do tabaco, havia um certo sentimento de "se-não-estás-bem-muda-te" por parte dos fumadores em relação aos não-fumadores. Lembro-me de estar a receber ou a passar o turno no hospital envolto numa fumarada pior do que a do vulcão islandês! E nessa altura já era proibido fumar nos hospitais!! Mas havia sempre a "sala de fumo" e um sentimento de impunidade e, já agora, de "ai que chato este gajo que não deixa fumar um cigarrinho descansados"! Hoje o ar é limpo nos hospitais e outros locais públicos e todos podemos escolher bares e cafés livres ou não de fumo. E assim é que se está bem pois ninguém se pode queixar de discriminação!
Abordada que está a questão do fumo em espaços públicos, chega a hora de desconstruir uma certa ideia instalada de que "o que faço em minha casa só a mim diz respeito!". Porque o acto de fumar acarreta com ele consequências graves, não só para o indivíduo que fuma mas também para a Sociedade. Está mais que estudado e divulgado o efeito do tabaco na saúde de quem fuma. E também está calculado o que se gasta com os tratamentos de doenças relacionadas com o consumo de tabaco. Os fumadores dirão que descontam para a Seg. Social mas isso também os não fumadores e se, como se costuma dizer, vícios não se pagam a ninguém penso que não devemos pagar os tratamentos decorrentes desses vícios. E, acreditem, o que se desconta numa vida de trabalho não chega para pagar esses tratamentos! "Morrer ou ficar gravemente doente também posso ficar se, ao sair de casa for atropelado!", este argumento, muitas vezes usados pelos fumadores, rebate-se apenas pelo facto de o atropelamento, neste exemplo, ser algo acidental enquanto que uma doença pulmonar num fumador será tudo menos acidental! Que direito terá um fumador com uma doença pulmonar grave a um transplante pulmonar? Se foi alguém que durante anos assassinou os seus pulmões? O mesmo se aplica a outros vícios, como o álcool. Que direito terá alguém que bebeu durante décadas a um fígado novo, se em consciência destruiu o seu próprio fígado?
Penso que aqui o problema se coloca ao nível social, mais uma vez. É que, por razões históricas, drogas como o tabaco e o álcool são consumidos livremente mesmo sabendo-se dos seus malefícios. Pergunta: se o ópio, a heroína, a coca, o haxixe tivessem o mesmo percurso histórico seriam hoje drogas socialmente aceites? E se fossem liberalizadas e o seu cultivo e distribuição fossem regulamentados e taxados (como é o tabaco), existiria a criminalidade associada ao consumo? Nas épocas em que álcool e tabaco foram proibidos (Lei Seca, por exemplo) o preço e taxa de consumo subiram consideravelmente! Mas isso seria uma outra discussão...
Enfim, são apenas considerações e perguntas retóricas mas que podem servir para que os fumadores compreendam que, por muito que afirmem que esse é um problema que só a eles lhes diz respeito, o certo é que isso não é exactamente verdade!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vendas Agressivas.

"Adoro esses ratos de esgoto
Que disfarçam ao pilar
Como se fossem mafiosos convictos
Habituados a controlar"

Reconhecem estas palavras? O Reininho é que sabe! Cada vez que ouço este belo poema musicado pelos GNR não consigo deixar de me lembrar de um grupo de profissionais que saltita pelos hospitais: os Delegados de Informação Médica! E como me irritam esses seres...

Elas são normalmente bonitas e elegantes ou, no mínimo com boa presença e Eles sempre no seu fato impecavelmente engomado e sapatos engraxados. Na verdade, o pomposo nome Delegado de Informação Médica é sinónimo de Vendedor. Porque, na prática é isso que eles fazem, tentam vender um produto. É uma profissão tão honrada como qualquer outra. O que me irrita nestes vendedores, como aliás nos outros vendedores porta-a-porta, é a sua insistência e a sua postura de... fuinhas. A melhor imagem que encontro é a das suricatas. Sabem, aquele bichinho tipo rato do deserto que espera pela melhor oportunidade para ir arranjar comida? É mais ou menos.

Na prática: numa Urgência os médicos devem estar a observar doentes. Certo. Não devem pois ser incomodados por alguém que lhes queira impingir algo! Certo. A Administração proíbe que os Vendedores visitem os Médicos na Urgência. Certo. Os vendedores contornam a Urgência e vigiam, quais abutres, a saída interior da Urgência que dá acesso à zona reservada a profissionais. Na verdade, é a táctica de "incomodar até à exaustão". Já nas enfermarias têm de ser corridos dos corredores várias vezes, incomodando quem tenta trabalhar e só se retiram quando chegam à fala com o médico. Saliento que existem normas que estes seres devem cumprir mas isso...

Mas o pior é que não se trata de convencer os médicos que o produto deles é o melhor. É antes COMPRAR o médico! E isso foi claramente exposto pelo famoso "congresso" na Tailândia onde os Drs. andavam a brincar aos piratas! Expliquem-me como é que o acto de trazer o jantar aos médicos todas as noites (com o devido cartão da empresa colado nas caixas) contribui para o facto de o médico perceber a eficácia do medicamento em causa? Que lhes entreguem toneladas de tralha publicitaria como canetas, blocos de notas, tapetes para ratos, calendários de mesa, agendas, pen usb, sacos térmicos, clips, marcadores, etc., etc., etc., só me preocupa porque isso vai tudo parar ao lixo sem ser separado! Mas quando uma empresa farmacêutica descobre que um médico tem o carro na oficina e prontamente se oferece para lhe "emprestar" um carro ou quando outra empresa desse tipo oferece a uma médica electrodomésticos para a sua nova casa, algo se passa.

Mas pronto. É o mundo em que vivemos. O que me irrita mesmo é aquela postura fuinha, manipuladora, pretensamente submissa que serve mais a vendedores de aspiradores e de banha-da-cobra do que a Delegados. Mas um vendedor será sempre um Vendedor.

terça-feira, 20 de abril de 2010

S.O.S.

SOCORRO!
SOCORRO!
A minha existência, inteligência, sanidade mental e o meu TEMPO (oh! precioso tempo!) estão a ser sugadas por projectos-de-enfermeiros ansiosos, apelativos, inseguros!!!
HEEEEEEELPPP!!!
(suspiro)
(agora que já desabafei e respirei um pouco vou voltar para a sala e tentar, tentar digo-vos eu!, ajudar a que eles aprendam alguma coisinha...)

domingo, 18 de abril de 2010

O que sabemos quando temos 20 anos?*

Em conversa com uns das minhas alunas descubro que a Enfermagem foi uma das opções num leque que também incluía a Arquitetura. Ou seja, como ela própria admitiu, havia uma vasta área de interesses e calhou Enfermagem! O que me desespera é como miúdos de 20 anos se enfiam num curso que está entupidíssimo, onde não há emprego para todos, onde as privadas dominam e que não tem futuro como carreira! Que me desculpem os meus colegas mas temo que a Enfermagem venha a tornar-se cada vez mais aquilo que era nos anos 50 (meros aplicadores de técnicas sem autonomia) do que aquele futuro brilhante e independente que nos pintam no curso. A diferença está no facto de que hoje nos obrigam a estudar durante 4 anos.
Visões fatalistas à parte, o certo é que esta aluna de quem vos falo tem a noção exacta da situação dos enfermeiros em Portugal e, mesmo assim, insiste em completar o curso. Calculo que sinta o mesmo que senti quando iniciei o meu próprio curso: "Quando chegar a minha vez as coisas estarão melhores e eu farei tudo para que isso aconteça!". Optimismo ou ingenuidade? Decidam vocês. Eu, no que me diz respeito se soubesse o que sei hoje (céus, como detesto esta expressão!) teria escolhido outra vida, outro emprego, outra área de trabalho. Mas, enfim, a vida empurra-nos e pressiona e somos forçados a tomar decisões importantes demasiado cedo! Afinal, o que sabemos da vida aos vinte anos? Dos nossos interesses profissionais, daquilo em que gostaríamos de trabalhar o resto da vida? Nada. Eu, pelo menos, não sabia!
E hoje? Hoje não desgosto do meu trabalho mas consigo imaginar-me a fazer outras coisas... No futuro pretendo dar aos meus filhos as ferramentas que lhes permitam escolher com a maior consciência possível das sua opção: tempo e uma visão o mais global possível daquilo que é o mundo no seu tempo. Se eu posso mudar de vida? Posso. E mais cedo do que muitos imaginam.
*Ou, "A minha desilusão com a Enfermagem."

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Memórias...

Acabo de ver uma senhora que, por acaso, é professora primária. Estava ela guiando os nossos futuros primeiros-ministros, cientistas e génios em geral quando se apodera dela um grande mal das professoras primárias: a macacoa!
Não sei se têm esse conceito mas eu divido as professoras primárias em dois grandes grupos: as professoras calmas, meiguinhas, que falam sempre docemente com os seus meninos e os guiam através do carinho e as outras, as loucas desgrenhadas que falam aos guinchos estridentes e que guiam os alunos como um rebanho de gado: aos berros e ao chicote. Não sei porquê (talvez pelos cabelos desgrenhados, a maquiagem exagerada e o discurso histérico?) julgo que esta senhora pertence ao segundo grupo. E mais certo disso fiquei quando a senhora afirma que os seus alunos estão sossegados na sala de aula sem a supervisão de um adulto, enquanto ela está deitada numa maca de hospital de seios desnudados enquanto um jovem e bem-parecido enfermeiro lhe faz um ECG! Custa-me a acreditar. Porquê? Bem, porque são crianças!! Do 4º ano, logo devem ter uns 10 anos! Quantos grupos de crianças com 10 anos vocês conhecem que ficam sossegados numa sala de aula sem a presença do professor? Pois. Mas a senhora professora assegura-me que sim! E isso, numa espécie de visão do Eli Stone, transporta-me à minha infância...
Estou agora na antiga escola primária. Invade-me o cheiro a madeira corroída pelas traças misturado com o pó que nunca se conseguia limpar. Sinto a madeira polida pelos anos e anos de uso daquelas carteiras do tempo da outra senhora. Nas paredes temos mapas de Portugal e do corpo humano, alguns trabalhos e um enorme crucifixo com um Cristo de olhar esgazeado que me metia sempre medo. Aliás, ainda me assusta hoje! E lá está Ela. O seu cabelo desmazelado ergue-se em direcção ao tecto e tem a forma de um enorme ananás, os lábios pintados num vermelho escarlate gritante, os olhos delineados com um negro profundo, gorda com enormes mamas que apoia (com alívio!) em cima da sua enorme secretária. Está possessa e guincha como um porco prestes a ser sangrado. Enormes perdigotos saltam da sua boca em direcção ao menino que se encolhe à sua frente! Levanta-se e dirige-se ao canto da sala... NÃO! Paramos todos de respirar, o ar fica pesado, uma menina soluça na fila da frente. A gorda dirige-se ao armário do canto e agarra, triunfante!, no objecto do seu desejo, do seu prazer! A Régua... um cabo robusto e grosso subtilmente fálico que ela agarra com deleite que culmina numa enorme bolacha perfurada. Ela vira-se lentamente com um sorriso raro nos lábios e, num breve instante consigo vê-la lamber os lábios... Arrasta-a a sua enorme e flácida carcaça em direcção ao menino que, instintivamente estica um braço enquanto fecha os olhos e encolhe o resto do corpo. Ela agarra a mão dele gentilmente, num gesto quase carinhoso, eleva a Régua e....
Volto a realidade, na minha sala de tratamentos. A Professora discorre sobre como os seus alunos já a conhecem, como ela os "educou" e como eles são meninos aplicados e disciplinados. Sinto um arrepio na espinha e dou por mim a esconder as minhas mãos atrás das costas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Chamem-lhe o que quiserem

...mas o certo é que estou com uma espécie de "bloqueio criativo" típico dos artistas. Enfim, está tudo bem, o Gabriel está fervilhante de energia, a Mariana e a sua barriga nem tanto e o David está a desenvolver bem na sua piscina de água quente com serviço personalizado. Tenho tido ideias para belos textos, ideias que seria normalmente capaz de desenvolver com alguma facilidade mas, na hora da verdade... NADA! Não me sai nada desta cabecinha oca.
Continuo a correr, cada vez mais, cada dia com mais prazer! Parece que ultimamente só me interesso por isso, além claro dos dias com a família, pela corrida. Aqueles cerca de 50 minutos que passo na estrada são uma espécie de "zona sagrada" onde sou só eu, a estrada e os meus pensamentos. E não sei se são as endorfinas mas tenho pensamentos bem marados nessa altura! E, numa dessas alturas percebi: existe algo, uma certa energia negativa com quem me tenho degladiado nos últimos dias. Uma sombra, uma sensação fria no estômago, uma ânsia. Enfim, algo que eu reconheço de fases menos boas da minha vida. Se algo está mal? Não, pelo contrário tenho vivido dos dias mais alegres da minha vida mas julgo que se trata de uma ansiedade por antecipação. Por algo que só acontecerá dentro de alguns meses (e não, não é o nascimento do David) e que coloca toda a minha (nossa) vida em jogo. É algo que todos ansiamos.
No plano profissional, same old same old, os mesmos problemas, as mesmas pessoas, as mesmas rotinas. Sinto que o barco vai abanar em breve mas tenho-me preparado. Contudo, misteriosos caminhos, eis que me dão a responsabilidade de orientar dois alunos em estágio até ao próximo mês de Junho! Nada mau, nada mau! Além de quebrar a rotina talvez forneça histórias giras para escrever aqui no blog!
Resumindo, meus amigos: está tudo bem, o puto ainda não nasceu (semana 28 e a contar!) e não estou deprimido. Há apenas uma porcaria qualquer que me empena as engrenagens! See you soon...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Procrastinando...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Em branco.

Clico no link para o Internet Explorer.

Favoritos.

Painel do Blogger.

Cheirinho a Éter: nova mensagem.
...
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...
...
...
...
...

Frustrado olho para o fino cursor negro que pisca irritantemente no enorme espaço branco.
Em branco.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tenho andado desaparecido não é? Pois.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Livro Amarelo.

Não deixo de encarar o Livro Amarelo como um excelente indicador do nível de literacia e de formação cívica dos cidadãos que esta instituição serve. As pessoas não sabem escrever. A ortografia é deplorável e pobre, a caligrafia pueril (estou a ser simpático) e a construção do texto é inexistente. São pessoas de uma condição sócio-económica baixa.
Contudo, essa condição não é desculpa para o comportamento de alguns (muitos) utentes. Agressivos, ofensivos, ameaçadores. Lamento mas não tenho pachorra para isso. O que me enerva é que, enquanto essas bestas me chamam todos os nomes e mais algum e me ameaçam verbal e fisicamente e depois vão escrever (?) no livro amarelo, eu e os meus colegas temos que refrear os nossos impulsos mais primitivos de lhes fazer engolir os dentes todos (os que os têm) e de lhes pregar com os cornos numa parede, pois isso seria o fim da nossa carreira.
Se chamar a polícia é manifestamente exagerado numa situação dessas e os desgraçados dos agentes da autoridade já têm muito para onde se virar, não seria mal-pensado a criação de um livro amarelo dos profissionais onde pudéssemos explanar as nossas reclamações que, à semelhança das queixas dos utentes que são enviadas para o Ministério da Saúde, fossem remetidas ao Ministério Público nem que fosse só para chatear as bestas que prejudicam o funcionamento das nossas instituições. Teriam que responder À reclamação e ser ouvidas e, no decorrer do processo, talvez perdessem um ou dois dias de trabalho. Talvez assim pensassem duas vezes antes de insultar e ameaçar quem zela pela saúde da população.
Obrigado e bom-dia.

Taquicárdia.

Estava tudo calmo no serviço. Estou sozinho por causa da greve e, também por causa dela não há muita gente a vir. Preparava-me para fazer um pequeno curativo numa bebé quando ouço um dos médicos:
"-MIGUEL, MIGUEL! Temos um miúdo que ingeriu uma caixa de valium!!"
O rapaz terá uns 7 anos e dormita, choramingando, no colo da mãe que se desfaz num pranto.
O meu coração dispara e, com ele os meus movimentos apressam-se. Portas e gavetas abrem e fecham com estrondo enquanto reúno o material que vou precisar. Sinto a minha face tensa e não falo. Concentro-me no rapaz e na minha bancada de trabalho. Uma sonda nasogástrica já está colocada, a lavagem gástrica já está. O puto vomita. Ainda bem. Preparo o carvão que vai impedir que o estômago absorva ainda mais do medicamento e penso: preciso de uma veia. As auxiliares aparecem e peço o material para picar o rapaz. Um catéter, compressas com álcool, adesivo, um balão de soro e o sistema. A mãe cede ao stress e afasta-se. Apercebo-me que o miúdo está cada vez mais sonolento.
Tento picar uma veia. Ele sente a dor e afasta-se. Perdi a veia, rebentou. A mãe descarrega em mim a ansiedade. "ACALME-SE!" grito-lhe, e penso que talvez tenha exagerado no tom mas a situação é urgente. Ela acalma-se e volta ao choro compulsivo. Uma auxiliar agarra firmemente no braço do menino. Pico outra vez e ele foge. Calma. Está feito! Adesivo, soro a correr, o rapaz vai para a pediatria. Respiro. Passaram-se talvez uma dezena de minutos.
Há hora que vos escrevo tudo acalmou. Revejo a cena e recordo tudo. A cara do rapaz e da mãe, os movimentos das minhas mãos, as características do vómito, o cheiro, a expressão de desconforto do menino quando sentiu um tubo a entrar pelo nariz, a veia antes de a picar. Revejo agora tudo em câmara lenta, como se de um filme se tratasse. Na verdade, a adrenalina faz-nos captar tão mais informação em situações de stress. O filme acabou mas o meu coração ainda bate acelerado. É por isto que adoro trabalhar em urgência.

Loucura!

Que história fantástica de perseverança e coragem! Um pinguim sonhava voar. Pensava ele que, se os pinguins são pássaros e se os pássaros voam, então ele teria de voar e sentia-se injustiçado pelo mundo. E tentou de todas as maneiras mas voar não era algo que a sua anatomia lhe permitisse. Pediu então ajuda aos seu melhores amigos: um polvo azul meigo e disponível e a sua inseparável companheira, uma flor amarela com braços e perninhas fininhas que tinha um cachorro-quente de estimação.
Os três amigos juntaram-se para tentar cumprir o sonho do pinguim preto-e-branco e chegaram a uma solução: sopraram uma enorme bola de sabão que envolveu o pinguim e o levou pelos céus. O pinguim estava radiante! E lá foi ele a voar pelos céus. Mas o vento levou-o para longe e o polvo, a flor andante e p cachorro-quente lá foram atrás dele. Pediram ajuda à borboleta que esvoaçava por ali mas ela não pode ajudar. As abelhas também tentaram mas o pinguim era muito pesado. E ele lá foi, a pairar. Até que surgiu uma árvore de grandes galhos, que dava o seu passeio matinal e, sem querer furou a bola se sabão e fez cair o pinguim. O polvo azul, a flor amarela que anda e o seu fiel cachorro-quente apressaram-se a ir ver se o seu amigo estava bem. O Pinguim estava radiante, tinha voado!! E soube que, embora não pudesse mais voar, estava feliz com a sua condição...
Não, não é nenhuma trip de ácidos nem nenhuma esquizofrenia. Mas é como se fosse...)

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Canção-Fétiche do momento.



Que grande banda!! E nem sequer é real!!

Projectos-de-Enfermeiro.

Quando eu era aluno de enfermagem, o que mais me fascinava e ansiava eram os estágios! A adrenalina de estar "onde tudo acontece", mexer nos materiais, observar os doentes, aplicar técnicas (por mais simples que fossem!), escrever nos processos clínicos, ter dúvidas e ir pesquisar e assim aprender! E como aprendia melhor no hospital do que na sala de aula. Tudo faz mais sentido, tudo encaixa melhor. E lembro-me perfeitamente da minha primeira injecção intramuscular, da minha primeira algaliação, entubação nasogástrica, da primeira vez que coloquei um soro, da primeira vez que toquei num cadáver, da primeira vez que assisti a um parto, da primeira vez que recebi um bebé na sala de partos e o limpei e cuidei dele e o pus aos berros! Lembro-me dos Enfermeiros que me levaram nessas curtas mas marcantes viagens. Uns pelas melhores razões, outros pelas piores. Mas recordo-os, não os seus nomes mas as suas caras e as situações que me ocorreram junto deles.
Eis que, alguns (não tantos assim!) anos volvidos, me vejo nesse papel de acompanhar estágios de alunos de enfermagem! Sim senhor, estou feito um homenzinho. Enfº Miguel, enfermeiro-de-referência (é assim que se denomina quem acompanha os alunos)... o que não deixa de ser estranho! Mas gosto! Em primeiro lugar obriga-me a ir rever matérias há muito enterradas, obriga a que estejamos muito concentrados no nosso trabalho e a fazer as coisas como deve ser! Depois porque gosto de falar, de discutir, de avançar através do debate. Confesso que gosto de partilhar as minhas experiências e de ver como elas podem servir para alguém mais novo evoluir.
Mas acima de tudo gosto de ver o brilho nos olhos, a excitação mal-contida, a alegria de um aluno quando, pela primeira vez, lhe é permitido picar uma veia, colocar um soro, algaliar. Nesse momento eu sei que, de uma forma ou de outra, eu farei parte da história académica daquele projecto-de-enfermeiro.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cuidado: este texto contém baba, muita baba!

Hoje é Dia do Pai. O meu filhote fez-me um bolo de chocolate com cobertura de natas com a frase "Feliz Dia do Pai" escrita com topping de morango. Fiquei muito mas muito contente! Brincámos aos palhaços, ás escondidas, aos sustos, com os carrinhos, fizemos uma tenda com um cobertor e as almofadas do sofá. Depois tive de vir para o trabalho e ele disse "Não quero que vás trabalhar papá...", "Mas tem de ser filho. O pai tem de ganhar dinheiro para poder comprar a tua comida, a roupa, os brinquedos.", "Então vou trabalhar contigo...". Brinco com ele mais um pouco e saio.
E venho no carro a recordar o sorriso dele, a sua alegria inocente e a sua vontade de estar comigo! A sua energia, criatividade e imaginação contagiam-me! A luz do seu sorriso é indescritível! "Orgulho" é o sentimento que melhor define o que sinto mas não é suficiente. Cada vitória dele é a minha vitória, cada palavra nova, cada salto mais alto ou mais longe, cada desenho, cada construção de lego ou de blocos de madeira são as minhas conquistas também!
A Mariana fez um vídeo delicioso onde o Gabriel me mostra o bolo que, tão orgulhosamente fez!, e faz uma pequena dedicatória (além de dar umas lambidelas no dito bolo!). Já vi esse vídeo dezenas de vezes hoje. Amo aquele miúdo incondicionalmente!
Por tudo isto simplesmente não percebo quando ouço histórias, como hoje ouvi, de pais que abandonam ou pura e simplesmente ignoram a existência de um filho. São os pai merdosos.
(Não seria justo não falar da Mariana já que, obviamente, foi dela a ideia do bolo e do vídeo! É a mulher da minha vida, uma esposa incrível e uma mãe fantástica! )

quarta-feira, 17 de março de 2010

Só pra Homens!

Há momentos na vida de um Homem que são definitivos. Marcam a diferença entre Homens de barba rija e meninos de coro. Definem toda uma vida. Ontem tive um desses momentos...

Era um dia normal, solarengo e divertido. Ao final da tarde fui correr como normalmente faço. O objectivo eram 10 km, sem pressas. Aquecimento, alongamentos, iPod a bombar e siga! Sentia-me bem, as pernas leves e soltas, o sol deu tréguas e havia uma leve brisa que ajudava a refrescar. Sabia que ia fazer uma bela corrida! Ao final de 2 km, ao chegar ao cimo de uma pequena colina e descendo em direcção ao vale, pareceu-me ouvir ténuamente um chamamento.... Miguel... Miguel.... Não liguei e segui em frente. Ao km 3º um chamamento inequívoco de alguém meu conhecido e que prima por aparecer nas alturas mais incovenientes. "Eh pá... não vês que agora não posso! Irra!!" e ele soprou e bufou, ameaçou e foi-se embora.
Km 4: cólica! O Sr. Intestino tinha urgência em colocar conversa em dia. "Miguel! Já sabes que eu não sou do tipo de ser colocado em espera..."
"Mas o que é que tu queres?! Vês por aí algum sítio em que possamos conversar em privado?!?! NÃO VÊS POIS NÃO??!" e segui no meu passo certo e firme em direcção ao objectivo inicial. Mas o Sr. Intestino cumpre as suas promessas e voltou logo depois à carga! Eu corri, aumentei o passo, apertei o que me foi possível apertar e tudo o que se ouviu dele foram alguns bufos furiosos. Fiquei feliz por estar a correr ao ar livre! "MIGUEL!! FALTAM-TE 4 KM! Não vais aguentar, nunca na vidinha pá!!"
"AH!! ISSO É O QUE VEREMOS!" e corri furiosamente. Ele lançou mais uma dos seus terríveis ataques abdominais e eu aguentei, estoicamente e como pude, os seus ataques! Suava em bica, mais pelo esforço de conter a diarreia verbal do Sr. Intestino do que pelo esforço da corrida... Faltavam dois quilómetros, pensava que ele tinha desistido da sua intenção de interromper a minha corrida quando ele lançou o seu ataque mais violento. Todas as minhas entranhas se revolveram e envolveram. Senti que perdia todo o controlo sobre os esfincteres que continham a verborreia intestinal. Procurei como um louco por um local que lhe agradasse... NADA!! "NÃO VÊS QUE NÃO HÁ ONDE CONVERSARMOS?? ISTO É UMA ZONA RESIDENCIAL, PORRA!!!", "Quero lá saber..." foi a sua resposta.
Respirei fundo, apelei a todas as minhas energias e aumentei o passo. O último quilómetro foi uma tortura. A sua voz na minha mente, eu concentrado nos músculos das pernas e na música, aumentei o volume para o máximo. "Pernas e música, pernas e música, pernas e música..." pensava enquanto me aproximava da minha casa. Lá estava o portão!!
"Miguel, vou sair! Vou mesmo sair!!!"
"ESPERA UM POUCO PÁ! JÁ FALAMOS, SÓ MAIS UNS METROS..." o tom era de súplica nesta altura. As minhas pernas já não tocavam no chão, a estrada já não existia, a dor foi-se. Só existia a força para o conter, a sua voz na minha mente e o portão da minha casa. Cheguei finalmente, sei que saltei o muro mas nem me lembro como o fiz, irrompi pela casa, a Mariana assustou-se e o Gabriel riu-se.
"MIGUEL VOU FALAR!!" mesmo a tempo, cheguei... "PODES FALAR AGORAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!"
(Para que conste, fiz o objectivo, 10 km, no tempo mais baixo até agora e num ritmo muito bom! Obrigado pelo incentivo Sr. Intestino!)

Génios.

Hoje, durante mais uma corridinha, relembrei um dos álbuns que mais marcou a minha juventude e, por consequência, o meu primeiro verdadeiro Ídolo. "Nevermind" dos Nirvana marcou toda uma época e toda uma geração. Tudo nele era (é!) revolta, raiva, melancolia, desesperança, desespero e o título do álbum resume todo o sentimento de um homem: Kurt Cobain. Li algures que um filme vai retratar a sua curta vida. Acho bem, vou ver. E hoje, ao ouvir novamente músicas que estavam arrumadas numa gaveta na minha mente, os sentimentos que elas me causavam há quase 20 anos (!) voltaram! E então percebi: nunca serei um génio. A melancolia não mora em mim.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Palavras para quê?

Miguel e Gabriel, Praia de Sesimbra, final de uma tarde solarenga.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Prenúncio.

Cada vez mais me apercebo que, do todos os sentidos que são estimulados por aquilo que faço, aquilo que vejo, aquilo que toco, o cheiro é de longe o que mais me marca. O cheiro a fezes e a urina, o cheiro do sangue, o cheiro do pus, o cheiro das feridas infectadas. E também o cheiro do éter (claro!), do betadine, dos desinfectantes das mãos, da carne cortada pelo canivete laser, do café que me mantém acordado numa noite como esta.
Mas há outro cheiro que acabei de sentir e do qual nunca me libertarei. Acabei de sair do quarto de uma doente. Paliativa, sem retorno. O quarto está ocupado por um cheiro intenso, não muito forte, mas presente. Fezes não, a senhora está limpa. Urina também não. Nem vómito, nem feridas. O cheiro não abandona o quarto através da janela aberta. Conheço este cheiro, não o sei definir mas sei quem ele anuncia.
Terei companhia esta noite?
(o tom tem sido mórbido nos últimos textos mas a vida, a morte?, tem sido particularmente cínica nos últimos dias)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Curtir a vida.

Eu tenho o prazer de trabalhar com colegas da minha faixa etária. Naturalmente que teremos alguns interesses em comum mas, acima de tudo partilhamos a jovialidade com que encaramos o dia-a-dia dentro de um hospital. Contudo, há um aspecto que nos separa: o compromisso. Enquanto eu tenho um compromisso com a minha mulher e com os meus filhos, a maioria dos meus colegas tem apenas um ligeiro compromisso com um(a) namorado(a) o que, convenhamos, não é bem a mesma coisa. Eu costumo dizer que a única coisa que se perde com a chegada dos filhos é a espontaniedade. Isto no sentido em que não podemos simplesmente decidir que vamos viajar amanhã sem ter qualquer outro tipo de preocupação!
Acontece que os meus colegas, solteiros e maus rapazes, têm uma ideia completamente contrária à minha e, alguns (admito que inconscientemente) até criticam de uma forma mais ou menos subtil esta minha escolha de casar e ter filhos. E isso nota-se em algumas expressões ou suposições que não correspondem exactamente à verdade. Partem do princípio de que "não curtiste a vida", ou que "ter mais um filho piorar ainda mais a tua qualidade de vida" ou ainda "se algum dia te divorciasses irias curtir tudo o que não curtiste até agora". E isto são só alguns exemplos! Parece-me evidente que, para eles o factor "curtir" é decisivo na sua filosofia de vida. Claro que "curtir" é sair todas as noites e passar fins-de-semanas com amigos na mais perfeita descontracção. Nada contra.
Embora não concorde com eles e lhes tente fazer ver que as escolhas de cada um são isso mesmo, de cada um, não tento sequer descrever-lhes o que é "curtir" um filho. Porque isso não se descreve, sente-se! E, mais uma vez, cada um sente à sua maneira.

terça-feira, 9 de março de 2010

E eu sou um gajo que cora facilmente!

Eu utilizava um urinol de um WC de uma grande superfície comercial. O Gabriel ao meu lado.
-Papá? 'Tás a fazer xixi?
-Sim filhote. Também queres?
-Não... quero ver a tua pilinha!
(sorrio e quando me preparo para dizer algo...)
-QUERO MEXER NA TUA PILINHAAAAAAAAA!
(sinto o calor a percorrer-me o corpo e a cara prestes a explodir! Digo...)
-Oh filho, mexe na tua que também é gira.
(depois calo-me, lavo as mãos rapidamente e retiro-me do WC com os olhares de todos cravados nas minhas costas e penso...)
-Eu e a minha grande boca.

segunda-feira, 8 de março de 2010

E só para reforçar o texto anterior, sobre invejas e guerras femininas e de como as mulheres que hoje são muito amiguinhas hoje, amanhã são umas cabras ressabiadas e violentas, hoje encontrei isto! Será que as unhas de gel e os sapatos de salto alto afectam a sanidade mental destas tipas?

Ora então, Um Feliz Dia da Mulher a Todas!!

Neste Dia da Mulher optei, num altruísta acto de solidariedade com as Mulheres de todo o mundo, por escrever algo relacionado com a Mulher. Uma singela homenagem, vá. E assim, imbuído do espírito que consagra este dia, hoje remeto-me ao tema: Porque Raio São as Mulheres Tão Cabras Entre Elas No Local de Trabalho?
Trabalhando eu num meio onde a mulheres são a larga maioria, tendo trabalhado durante anos numa equipa onde eu era o único homem e tendo já alguma experiência na chefia de uma equipa de 14 mulheres julgo conhecer bem esta realidade! Pois que é conhecido de todos que, em trabalho onde há muitas mulheres há sempre problemas! E são muitas delas que o dizem. E eu também. Da minha experiência, o que se passa é que existe muita inveja entre elas. Inveja do horário da outra, da roupa da outra, do telemóvel da outra, do carro, da maquiagem, das unhas, do cabelo da outra. Se uma delas se arranja é uma oferecida, se pelo contrário é demasiado discreta é sonsa! Se é simpática com os (poucos) homens do serviço é uma oferecida mas se não fala com ninguém tem a mania que é boa!! Enfim, o meu local de trabalho é um terreno minado de intrigas e falatório, de alianças e traições, de amizades fingidas e inimizades fidagais onde qualquer homem tem de conhecer bem o terreno onde pisa, sob pena de se tornar num dano colateral do fogo cruzado entre as várias facções em batalha! E nem sempre são só duas!!
Havia na minha turma da faculdade, um grupinho de 5 raparigas que andavam sempre juntas. Eram "irmãs" inseparáveis, segundo as próprias e estudavam juntas, ajudavam-se mutuamente, estavam sempre lá para aquela menos afortunada. E nós, os gajos, apostávamos sobre quando a guerra iria instalar-se... Aconteceu no último ano com a perspectiva do final de curso e das notas de conclusão de cada uma! Pois que uma delas usou, digamos, técnicas de diplomacia feminina (e fica ao vosso critério perceber o que isto quer dizer...) para subir uma ou outra nota junto de um ou outro professor mais, digamos, vulnerável à persuasão feminina. As outras uniram-se contra esta e esta aliou-se a outras e, no fim, não restou pedra sobre pedra!
E, não há muito tempo, assisti a uma mulher mais velha e mais diferenciada a humilhar uma estagiária apenas porque o Chefe elogiou o trabalho desta última! E aqui temos a principal causa de inveja entre as mulheres: os homens! Seja o Chefe ou apenas um homem que trabalhe com elas! Calculo que, com a escassez do género masculino nos locais de trabalho, o sentimento territorial e de posse das fêmeas face aos poucos machos que existem esteja exacerbado! E elas tornam-se umas verdadeiras leoas a proteger o que é "seu"! Porque é disto que se trata: dos homens "delas"! E só há uma coisa que pode quebrar os laços entre duas "melhores amigas" e essa coisa é um homem!!
Neste dia da Mulher gostava de apelar a todas para manterem estas intrigas e guerrinhas! É que para nós, a pequena maioria masculina, é um verdadeiro manancial de riso e brincadeira! E não há nada mais divertido que lançar contra-informação que abale o (precário) equilíbrio que existe no campo de batalha!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tinha alinhavado um belo texto, simultâneamente ternurento e engraçado para revelar o sexo do bebé que ainda cresce (e bem!) dentro do ventre da minha bela e gravídica esposa mas enfim... prefiro gritar aos sete ventos...
É UM RAPAZ!!!!!!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Momentos Ally McBeal ou Na Volta Isto é Uma Esquizofrenia.

Lembram-se da Ally McBeal? Eu adorava aquela série, aqueles laivos de loucura esquizóide e non-sense! Mas o que mais gostava eram aqueles momentos em que Ally ou alguma das outras personagens tinham aqueles memoráveis momentos what-if? em que o mundo era uma canção com os personagens divinamente coreografados ou uma momento de realidade alternativa onde, em vez de se retirar após ser insultada, Ally espeta um grande murro nas trombas de alguém! Eis que finalmente reconheço perante o mundo que sofro do Síndroma Ally MacBeal. Triste, mas verdade.
Já descrevi um desses momentos aqui mas hoje ocorreu-me um outro. Descia no elevador do hospital quando este para e entra uma enfermeira e uma auxiliar acompanhando um doente acamado. A porta do elevador fecha-se e.... O HORROR, o elevador encrava entre pisos. Dentro dele estava eu, duas visitantes, uma enfermeirinha novinha com aspecto de ser recém-formada em pânico, uma auxiliar petrificada e um doente com aspecto de estar mais-lá-do-que-cá. Olhei para a cama do doente e percebi: nada de material de reanimação! A minha colega gaguejou que o doente estava mal e está a caminho dos Cuidados Intensivos. O filme fez-se na minha mente....

"-Oh não!! O doente parou!! E AGORA?

(salto para cima do doente e inicio manobras de reanimação) Vai miúda! Iniciar respiração boca-a-boca! Nada desse esgar de nojo, é uma vida humana pela qual somos responsáveis! (continuo a "bombar" no doente) Sra. Auxiliar, pegue no meu telefone e ligue para o nº do hospital que encontrará na lista. A menina assustada aí ao fundo, carregue no botão de alarme e não o largue! E você meu caro doente, hoje não é dia de morrer... não no meu turno!!(as portas abrem-se e enquanto a enfermeira empurra a cama eu mantenho as manobras. Quem observa a cena entoa cânticos de motivação: MIGUEL, MIGUEL, MIGUEL!! Chegamos às portas dos Cuidados Intensivos, o doente reanima-se...)

-Obrigado Sr. Enfermeiro... salvou-me a vida!!

-Obrigado Enfermeiro Miguel... (diz a enfermeira)

(dirijo-me de volta ao elevador e todos louvam a minha acção) Não foi nada! É só o meu trabalho!!

O elevador reinicia. As portas abrem-se. Passaram-se cerca de 2 minutos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os tempos até podem mudar...

Hoje, enquanto passeava com o Gabriel no parque, observava um grupo de adolescentes que ali se juntara. Seriam uns 20, entre rapazes e raparigas. Um deles tinha as calças cheias de lama, provavelmente de uma das poças de lama espalhadas pela relva do parque. Alguns deles incentivavam-no a ir sujar as miúdas sentando-se em cima delas e ele ia. Elas afastavam-se com os gritinhos típicos destas raparigas e com um sonoro "PARVO!" mas uma estava claramente a pedi-las! Se eu vi, ele melhor ainda e, quando dei por eles andavam a rebolar-se agarrados na lama! "Enfim, miúdos parvos..." pensei.
Mas, eis que me ocorre o seguinte: eu também já fui adolescente! E olhei melhor para aquele grupo. E estavam lá todas as figuras de que me lembro, dos meus dias de teen. O palhaço (aquele que andava na lama) que diverte o resto do grupo, o intelectual de óculos e um pouco marginal à acção, o bonitão rodeado de miúdas, o freak todo vestido de preto e com os phones enfiados nos ouvidos, a gorda que é amigo de todos mas que nenhum rapaz cobiça e a sua melhor amiga, a boazona convencida que julga ter todos os rapazes na mão, as três miúdas que nunca se largam nem ao telemóvel, os jogadores de futebol, os dreads, os skaters. E tentei lembrar-me das profundas reflexões metafísicas que escrevia no diário, das profundas conversas á volta do significado de "Metamorfose" do Kafka, do cortejo romanceado às raparigas, das festas na piscina com DJ e nas observações da lua dentro do meu descapotável. Mas logo me apercebi que estas lembranças vinham de tantas e tantas séries sobre adolescentes norte-americanos! Na verdade só me lembrei das borbulhas na cara e nas estúpidas técnicas de engate que incluíam bilhetinhos escritos com traduções rascas das letras do Kurt Cobain, de ser expulso das aulas por estar constantemente a rir feito parvo e a gozar com os colegas e a imitar os relinchos de um cavalo, de entrar no WC das mulheres e ser corrido à vassourada pela empregada da limpeza, das cenas porno-softcore nos corredores do liceu com a miúda que já toda a gente tinha apalpado, de ignorar essa miúda depois, de tossir como um doente cada vez que tentava fumar um cigarro e de manter a pose com ele aceso sempre que passava uma rapariga, das ridículas botas bicudas "à cowboy" que usava, das calças rasgadas e nojentas, de usar sempre os mesmos ténis "All Star" verdes mesmo quando chovia a potes e de ter estado de luto durante dias após o Cobain ter decidido provar uma bala directamente do cano da arma, de andar a tocar a todas as campainhas da terra durante a noite, de tocar o sino da igreja a rebate de madrugada, de entrar no cemitério cagado de medo só para impressionar e de não ter a mínima ideia de como satisfazer uma mulher e achar que era um verdadeiro Eros.
Depois disto só posso concluir uma coisa: os adolescentes são parvos por definição. Seja em que época for!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Papa-quilómetros!

Seis meses passaram desde a minha primeira corrida, iniciada com a firme resolução de manter esse hábito e a forma física. A primeira corrida durou 30 minutos nos quais percorri cerca de 2,5 km! E andei dorido durante 3 dias! Hoje sou capaz de correr, mais ou menos nos mesmos 30 minutos, cerca de 8 km!! A evolução foi notória. Mas a grande diferença é que sou capaz de o fazer durante 3 dias consecutivos sem me sentir particularmente cansado!
Enfim, hoje fui correr e um fulano qualquer gritou: "E SE FOSSES PRÓ TRABALHO??" ao que eu respondi (baixinho...) "E se fosses pró c......lho!". Enfim, se repararem no bonequinho histérico à vossa direita verão que já percorri um total de mais de 260 km. É bonzinho.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ao Anónimo: não publico o seu comentário. É demasiado pessoal. Foi um murro no estômago e as palavras ficaram gravadas e, estou certo, surgir-me-ão na mente e lembrar-me-ão que alguém sofre muito nessa batalha. Note, por favor que a repugnância que o texto possa transmitir não é, nunca, por quem sofre mas sim pelo cancro. É uma coisa visceral, que é difícil eliminar da situação. Pelo menos para mim. Lamento que este texto o tenha tocado dessa forma tão dolorosa e saiba que sempre achei os que lutam contra o cancro, seja ele qual for, admiráveis. Seja qual for a sua luta, coragem.

A Face da Morte.

Ontem fiz um penso a um senhor que me recordou algumas histórias menos felizes do meu trabalho. Menos felizes para os doentes. Trabalhar com doentes é um terreno fértil em histórias infelizes, sofridas, angustiantes, dolorosas. E nenhum outro serviço tem mais concentração destas histórias por doente que o serviço de Oncologia.
O cancro é, por definição, a doença mais filha da puta que alguém criou. Não discrimina sexo, raça, idade ou órgão do corpo humano. É sádico e narcisista porque, no inicio tratam-se apenas de algumas células que se revoltam contra o resto do corpo e depois trata de cavalgar em conquista de tudo o que encontrar no seu caminho. É insidioso, só se revelando quando já está prestes a tomar o poder e silencioso na sua marcha. Mina caminhos alternativos enviando uma pequena parte das suas tropas para terrenos longe da sua origem, metastisa-se. E só mostra a sua verdadeira face quando é impossível de ser combatido. E que face horrenda é essa.
Ontem recebi um senhor na urgência. Muito embora a idade inscrita na ficha fosse 42 anos, a sua aparência indicava o dobro disso. Muito magro, sem forças, a pele amarelada, os dedos afilados. Se dúvidas não tinha sobre que tipo de doença afectava aquele homem, mais certo estive quando ele se aproximou e eu fui envolvido pelo odor que já antecipava. Podre. Estava perante um campo de batalha. E o cancro saiu vitorioso. Será apenas uma questão de tempo. Restava-me descobrir onde ele estava e destapar-lhe a face, encará-lo. O homem baixou as calças e mostrou-me: no pénis.
Por mais que veja e me depare com o cancro julgo que nunca serei capaz de o encarar indiferente. As suas mil faces são todas terríveis e inesquecíveis. Neste caso falar de um pénis é um eufemismo. Não havia pénis. Apenas um amontoado de tecidos mortos, podres, duros. Uma entidade que sabemos ser estranha ao corpo mas que a ele se agarra e não mais larga. Neste caso, uma espécie de couve-flor putrefacta. E cada vez que lhe tocava e o sentia, enquanto limpava, cortava, arrancava, o meu braço tremia. Um arrepio percorria o meu braço desde os dedos que tocavam o invasor até ao ombro. Como se ele sentisse terreno fértil para crescer. Como se ele sentisse. E o cheiro cada vez mais intenso.
Encontrei um doente com um cancro no esófago internado numa enfermaria onde trabalhei. O cancro tinha fechado o caminho até ao estômago, o doente era alimentado pelas veias. A mesma magreza (aqui extrema), a mesma pele amarelada, os mesmos olhos cansados. Aqui a face do vilão estava escondida mas não oculta. Outra vez o cheiro. Cada vez que o doente tentava verbalizar algo, um indescritível cheiro a podre invadia o quarto. A fragilidade do doente exigia que estivessemos muito próximos para tentar entender os seus pedidos mas aquele cheiro afastava-nos, repudiava-nos violentamente. Era como se o cancro reclamasse para si aquele corpo e nos afastasse á pancada. Lamento não ter percebido o doente, lamento não o ter olhado nos olhos quando ele tentava falar-me, lamento não ter sido capaz de vencer as minhas entranhas que se revolviam ao sentir aquele cheiro. Tentei aproximar-me o mais possível mas isso não era suficiente. Até que, um dia, o doente não falou. Inspirou fundo e vomitou. O inenarrável odor que invadiu o quarto fez-me fechar os olho, suster a respiração. As lágrimas vertiam como se tivesse sido atingido com gás pimenta. Quando finalmente recuperei, o doente descansava. Para sempre. O cancro venceu mais uma vez.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os "jeitosos".

Acho sempre imensa piada aos homens que não são "jeitosos". "Jeitosos" no sentido de "O meu marido não é nada jeitoso em casa! Não sabe fazer nada!". São homens que não cozinham, não limpam o pó, não passam a ferro, não dão banho aos filhos nem lhes mudam as fraldas, não fazem as camas, não aspiram. Se, de alguma forma ainda que arcaica e obtusa, todas estas actividades estão conotadas com a mulher, o que dizer dos homens que não são "jeitosos" para funções de macho tais como sintonizar a TV, pintar a casa, arranjar a electricidade, mudar as luzes, pendurar quadros, tratar da contabilidade, pagar as contas, mudar o óleo do carro e levá-lo à revisão, fazer o IRS, pregar e aparafusar coisas em geral? Eu digo-vos o que acho destes homens: são espertos!
Ainda hoje uma senhora me falava de como o seu marido, reformado, não a ajuda nada em casa, logo a ela que ainda trabalha! Segundo esta senhora o marido não lhe adianta o jantar porque, coitado, não se orienta na cozinha e não gosta de mexer em comida crua com as mãos. Também não se preocupa em tratar da contabilidade do lar porque, coitado, nunca se deu bem com contas. Não limpa o jardim dos cocós dos seus cães porque, coitado, o cheiro dá-lhe vómitos insuportáveis. Sendo mecânico na reforma, não arranja os seus próprios carros porque, coitado, passou quarenta anos a fazer aquilo e não quer voltar ao passado!! Disse-me então a senhora que, naturalmente já nem lhe pede para fazer o que quer que seja porque ele, ou demora muito a fazer ou muito simplesmente, faz mal! Coitado...! Mas este homem não é mais que um exemplo de muitos que também não são "jeitosos". Como aqueles que não dão banho aos bebés porque eles escorregam e têm medo de os deixar cair, ou aqueles que não mudam as fraldas aos filhos porque não suportam o nauseabundo cheiro das fezes dos seus santos filhos! Há ainda aqueles que não lavam a loiça porque, azar dos azares, cada vez que o fazem há sempre uma terrina ou travessa que lhes escorrega e se desfaz em pedaços no chão e os outros que não põem a máquina a lavar a roupa porque, segundo eles, tem muitos botões! Falamos dos mesmos homens que são capazes de viajar pelos intrincados menus da TV Cabo e funcionar com dois comandos ao mesmo tempo e ainda se entretêm a configurar e desconfigurar as opções do computador e da Internet! Depois há aqueles (e eu ADORO estes!) que não comem laranja se tiverem de a descascar ou não comem peixe se tiverem de tirar as espinhas ou não bebem leite se este não for daquele "do dia" que vem numa embalagem de plástico branca (juro que não estou a inventar!). Não passam a roupa a ferro porque esta fica sempre toda amarfanhada e acabam sempre por queimar uma ou duas peças, não cozinham nem sequer uma omelete porque não sabem funcionar com o fogão e, pasme-se, nem se aproximam da Bimby porque é muito complicada!!!
Na verdade, todos estes homens, e de certeza que todos conhecem alguém assim, são extremamente inteligentes. Porque, ao manterem a eterna incompetência nestas tarefas, sabem que as suas respectivas companheiras vão, mais cedo ou mais tarde, desistir de lhes pedir ou impor tarefas sabendo que eles não serão capazes de as cumprir convenientemente! Trata-se de um jogo de preseverança e paciência que trará os seus frutos a longo prazo. E como eu os percebo! Afinal, o que há de melhor na vida do que estar sossegado a fazer zapping ou a navegar sem destino na Internet enquanto uma parvinha qualquer cozinha para nós e, entretanto vai entretendo os miúdos, dá-lhes banho, passa a roupa a ferro e ainda paga as contas do cabo, não vá suceder a tragédia de perder-mos o jogo? Nada, meus amigos nada! Claro que eu só posso sonhar com este tipo de partilha de funções do tipo "ela cozinha e eu sento-me para jantar". Não. No que diz respeito a tratar dos putos não posso, por razões profissinais óbvias, afirmar que não sei, que tenho medo de os magoar, que não suporto o cheiro. E depois porque cada vez mais acho que, isto de viver com um homem é muito semelhante a trabalhar com animais selvagens! É preciso amestrá-los, treiná-los. Saber quando lhes dar uma festinha e quando lhes pregar uma palmada no nariz! E, querem lá saber, a minha mulher bem podia ganhar a vida no circo a domar leões vindos directamente da selva!!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Glourious Basterds!



Já não se toca guitarra assim... ultimamente tenho voltado a ouvir os meus "velhos clássicos" em repeat no meu Ipod. Estes, Nirvana, Pixies, Cure, Pearl Jam, Ben Harper (os primeiros albuns) e concluo: nenhuma música feita hoje me marcará tanto como estes gloriosos malucos!

(e sim, simulo que toco guitarra e/ou bateria quando os ouço!)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Leis? Qué isso??

Somos um país amador. No sentido em que nada do que fazemos acontece de uma forma verdadeiramente planeada. Por muito que se planeie e re-planeie e se torne a planear, nenhum plano traçado é cumprido até ao final sem interferências. E isto acontece, entre muitas outras coisas, porque toda a gente quer mandar e toda a gente acha que o plano que um outro alguém delineou não está como deve ser e então, toca de alterar e mudar as regras a meio do jogo! Isto é particularmente grave para quem deve desempenhar as suas funções e vê o seu trabalho tornar-se obsoleto uma e outra vez. Já os chefes, coordenadores, directores, administradores, supervisores e outros interessam-se em mostrar-se, nem que para isso tenham que inventar. Não se trata de servir uma instituição mas sim de servir-se dela. E isso é particularmente grave quando se atropelam direitos legalmente instituídos. Neste caso, as Licenças de Parentalidade.
Uma amiga contou-me recentemente como a supervisora de equipa do banco onde trabalha afirmava, em reunião de serviço, que uma mulher com filhos, que falta para prestar assistência aos mesmos, que tem direito a horas de amamentação ou que se encontra em gozo de licença de maternidade, não deve ter direitos aos mesmos prémios de desempenho que os restantes. Porque está sempre a faltar, porque passa menos horas no serviço, porque a sua atenção não está na empresa mas sim na família! Esta senhora, como tantos aliás, esquece-se que os prémios estão relacionados à produtividade e não ao tempo. Mas, acima de tudo, é revoltante porque se trata de uma discriminação com base num direito que está legalmente instituído!! Claro que a senhora em questão não tem filhos... Chamo a atenção para o problema por ela levantado: o tempo! Em Portugal interessa sair tarde. Mesmo que nada façamos, temos de sair tarde porque só assim somos valorizados. Chegar a horas e sair a horas é mal visto porque, lá está, não estamos a "vestir a camisola" da empresa!
Uma outra amiga, que tem dois filhos, limita-se a fazer algo muito simples: entra à hora determinada e sai há hora determinada. E é a mais produtiva do seu sector! Não obstante, é alvo de constantes críticas dos seus colegas que saem depois do horário! Talvez seja porque ela não vai com eles ao café ao meio da manhã, aos almoços de duas horas e aos lanchinhos a meio da tarde... E quando um dos miúdos fica doente!! Cai o carmo e a trindade!
Numa das instituições onde trabalho, o gozo da licença parental alargada (30 dias no final da licença da mãe) é, ostensivamente mal-vista pelas chefias. Porque no tempo deles não havia nada disto, porque já gozaram 10 dias quando o bebé nasceu, porque o pai não tem nada que ficar com o bebé! Imaginem o falatório que foi quando eu gozei setenta e dois (!!) dias de licença quando o Gabriel nasceu!! Além de não ser nada comum o homem gozar a maior parte dos dias que pertencem à mãe foram, convenhamos, cerca de 5 meses que estive em casa partilhados entre dias de nascimento, assistência à família, férias e licença de "maternidade". Ouvi todo o tipo de bocas acerca de como iria dar de mamar ou sobre como me estava a "baldar" ao serviço. E ainda hoje se fala disso. Eu só sei que foram os melhores meses da minha vida!
Num país onde o "parecer" importa muito mais que o "ser" é normal que o trabalho efectivo não seja valorizado. Mas o facto de se discriminar alguém por fazer valer um direito reconhecido na lei demonstra que somos não só amadores, mas acima de tudo, uns merdas! E qualquer país civilizado reconhece que a família é o pilar de qualquer sociedade. Lembro que os direitos associados a Lei da Parentalidade visam beneficiar AS CRIANÇAS e não os pais...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A minha amiga Maria.

Esta semana reencontrei uma velha amiga: A Maria! Sim, com A maiúsculo, porque esta é a verdadeira Maria! Conheço-a há muitos anos, com ela cresci e aprendi a ler, ela me contava histórias de gente conhecida e desconhecida (uma verdadeira coscuvilheira, a Maria) mas, acima de tudo, a Maria povoa como nenhuma outra o meu imaginário de adolescente que descobria o interesse pelo sexo. Com ela aprendi tudo sobre sexo (nas suas mais variadas vertentes!), sobre gravidezes inesperadas, encontros e desencontros fortuitos, dúvidas, sustos e traições. Tudo isto do ponto de vista das mulheres o que, penso, enriqueceu bastante o meu conhecimento acerca delas!! Após muitos anos de afastamento eis que a reencontro! Constato que mudou pouco mas mesmo assim perdeu o brilho com que a recordava. Talvez não por culpa dela mas sim minha. Hoje, a minha visão de adulto consegue filtrar toda a luz que, inocentemente, via nela. Hoje farto-me de rir com a Revista "Maria"!
Quando encontrei uma delas, perdida no meio das revistas cor-de-rosa que sempre se encontram pelos hospitais não resisti. Procurei apressadamente a secção "Consultório Sexual" (noto que agora existem páginas rosa "para ela" e azuis "para ele"), páginas que invocam em mim imagens da minha adolescência sexual! E exulto quando descubro que nada mudou! As mesma perguntas parvas, as situações imbecis, caricatas, impossíveis de acontecer com pessoas reais! Situações descritas por pessoas inocentes num tom quase infantil. Tão inocentes e infantis que nem se apercebem que relatam situações que bem poderiam fazer parte de um qualquer filme porno! Há quem insista que são textos imaginados pela redacção da revista, que é impossível que alguém normal tenha aquele tipo de dúvidas e que, acima de tudo, as exponha numa revista de tiragem nacional. Mas acredito que sim, que são pessoas reais com dúvidas reais. Basta ver os cromos do "Big Brother" ou do "Ídolos" ou de qualquer outro reality show para ficar convencido! Mas quase tão hilariante como a questão colocada é a explicação do "consultor sexual" da redacção. O tom é inocente, quase pueril e paternalista. Como se explicasse a uma criança que encontra o vibrador dos pais e brinca alegremente com ele que, na verdade, aquele objecto tão engraçado não é nenhum brinquedo de criança. Vejamos este pequeno exemplo:


Em resumo: a senhora, de livre vontade, acedeu aos pedidos do marido. Teve prazer mas não quer repetir porque não achou romântico. A resposta da redacção inclui "preconceitos sociais", blá, blá, blá, blá, "praticam com ternura", blá, blá, blá, "odeiam". E quanto à atitude paternalista com que a "psicóloga aconselha" (reparem que é "psicóloga e não "psicólogo"): "a leitora (...) parece ter conseguido usufruir do prazer que a estimulação anal proporciona". WTF!! Ela afirma que teve prazer, sem dúvidas!!

Bom, eis o meu (não solicitado) aconselhamento: minha cara leitora, ninguém a obrigou a ter sexo anal. Seria mau se o seu marido a tivesse forçado ou tivesse utilizado a velha técnica do "Oooops! Escorregou, desculpa... foi sem querer!". Mas não. Ele pediu e a leitora acedeu. E, como a própria afirma, teve prazer! Agora queixa-se que o seu marido quer mais. Bom, quanto a isso... oferecer esse tipo de experiência a um homem, ter e dar-lhe prazer e depois recusar!! Isso é o nosso Suplício de Tântalo!! É cruel e não se faz, minha senhora... Ah, porque não é romântico e parece animalesco! Aquela treta que a psicóloga escreve "alguns casais praticam-no com ternura..."? Desde quando é que levar no cu é romântico?!?! Que o diga o Tomás Taveira...



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ferozes Felinos Felizes!

DOIS FEROZES FELINOS À SOLTA NA COSTA DA CAPARICA!!! Um enorme leão, bem parecido e de pêlo lustroso, e uma pequena e fofinha cria de tigre (mas não menos feroz) passearam-se alegremente pelo estradão junto ao mar, na Costa da Caparica. Não se sabe de onde vieram mas foram, decerto, a atracção principal daquela tarde solarenga, sendo o alvo de todas as atenções de todos aqueles que se passeavam naquele local. O sentimentos das gentes foi de confusão no início pois, se eram numerosos as bruxinhas, as carochinhas, os palhacinhos, os spidermanzinhos, os Noddyzinhos e os piratazinhos, a presença de uma cria de tigre e de um leão adulto (principalmente este!) não é visão comum por estas bandas. O leão (talvez devido à sua corpulência?) chegou a ser confundido com um urso, tendo-se ouvido alguns "Ólhó urso!" logo contrariados por "Ora essa, não se vê logo qué um leão?! Olha para a cauda!" Estes dois simpáticos animais passearem-se alegremente durante algumas horas, ora saltitando entres as enormes pedras que formam o paredão praticando assim as suas manobras de caça e evasão, ora simulando perseguições entre os dois e jogos de caça com emboscadas de parte a parte. Algumas pessoas mais destemidas aproximaram-se para tirar fotografias com os felinos e até para dar festinhas, principalmente na queriducha cria mas também no leão adulto! Pode afirmar-se sem dúvidas que estes dois fizeram alguns fãs!
Depois divertiram-se fazendo acrobacias verdadeiramente felínicas no parque infantil situado ao lado do estradão, colhendo aí a simpatia das crianças e arrancando algumas gargalhadas dos adultos presentes. Os simpáticos e enormes gatinhos acederam a deixar fotografar-se para o "Cheirinho a éter..." para que todos possam admirar as suas belas e luzidias pelagens...



(Eu e o meu filhote Gabriel divertimo-nos à brava! De facto, um filho pode dar-nos a coragem de fazer coisas que nunca faríamos sozinhos!!)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Para o António C.

Bem-vindo pá!!