segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Suas malucas!

Descobri este vídeo através da Pólo Norte e dele retiro algumas conclusões:
-Afinal quando elas nos pedem flores estão a desejar que nós colhamos uma e apenas uma flor. A delas.
-Constato neste filme que elas são capazes dos piores fingimentos orgásmicos! É impressionante! Por momentos acreditei que estavam realmente a... ehhh, será que já alguma vez fui enganado?
- Meus amigos, quando elas falam em romantismo e espontaniedade... é treta! Pelos vistos, os melhores são os que investigam e estudam a maneira de as melhor satisfazer. Eu, pela minha parte, vou já rever os meus conhecimentos da anatomo-fisiologia da mulher!

Vejam! Vejam e retirem as vossas próprias conclusões...

domingo, 12 de setembro de 2010

Cenas Medievais no Séc. XXI

Acabo de ver na TV uma cena no mínimo medieval, até porque se passava dentro das muralhas de um castelo. Tratava-se de uma espécie de matilha de animais selvagens que urravam, gritavam, exultavam enquanto assassinavam um outro ser vivo que não representava qualquer tipo de ameaça ou perigo. Esta cena tinha centenas de espectadores que aplaudiam e incluía crianças. E voltou-se a matar um touro, desta vez em Monsaraz.
Será que esta gente não vê a violência que se passa em frente aos seus olhos? Será que são estúpidos ou apenas absolutamente insensíveis? Será que os que mataram o touro amarrado e incapaz de se defender, ainda por cima a coberto de uma lona, o que só torna esse crime apenas mais cobarde, serão apenas uns sacaninhas com sede de sangue ou violentos psicopatas? Que pais são aqueles que levam os seus filhos, crianças, a um lugar onde centenas de pessoas vibram, aplaudem , incitam à violência, ao sangue, à cobardia que culmina com um assassínio cobarde de um animal majestoso que nunca se rende? Como explicam eles às crianças que aquilo é nobre, é lindo, é tradição? Tradição? Num país que se pretende civilizado?
Também me choca que se entupa os tribunais com processos de legalização, de excepção, que protejam e permitam estes crimes, que se ocupe a polícia com a deslocação ao local da morte para a identificação dos mentecaptos que assassinaram o touro cobardemente e com a burocracia exigida para apenas se arquivar mais um crime. Mas aqui os culpados estão identificados: todos os presentes no recinto. Que eu saiba, tanto é culpado quem prime o gatilho como quem protege, ajuda e de alguma forma contribui para o facto. Não me venham dizer que é uma tradição com 100 anos porque há 100 anos as mulheres não podiam votar, 90% (estou a ser optimista) da população não sabia ler e Portugal foi uma monarquia quase até ao final do ano!
É um crime, não uma tradição. É a banalização da morte e da violência, ao vivo e a cores. É a desculpabilização de comportamentos psicopatas a coberto de uma norma social perfeitamente desactualizada. E Espanha, terra dos touros e toureiros, já começou a acabar com isso.
Além de tudo isto, como é possível aplaudir-se um homem que entra numa arena com collants e jaqueta apertadinhos e com brilhantes e pom-pons dependurados. É um bocado rabeta, digo eu!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Divórcio.

Ontem um colega teve esta observação: "Estás divorciado da profissão, não estás?". E isso fez-me pensar: na realidade, estou.
Contextualizando, o que se passa é que o meu nível de investimento académico na enfermagem é zero, nenhum, vazio. Entenda-se por "investimento académico" a frequência de cursos, pós-graduações, mestrados, especialidades. Que, na minha opinião são, na área da enfermagem, absolutamente cosméticos. Ou seja, ficam muito lindos no currículo mas não servem para nada! Do ponto de vista da progressão e diferenciação na carreira não servem de nada. Acabando-se os "hospitais do estado" que dão lugar aos "hospitais-empresa", os enfermeiros ficam todos ao mesmo nível, sendo que são nivelados por baixo. Não interessa se sou especialista porque a administração do hospital não escolhe por competências mas sim por compadrio, cor política, ou, na maioria dos casos, escolhe para Enfermeiro-Chefe, ou Supervisor ou Coordenador, aquele profissional que garanta não por em causa a política economicista do Administrador e engendre esquemas que permitam produzir mais com menos enfermeiros. Isso significa mais trabalho para menos enfermeiros. Neste contexto, de que vale investir na formação académica?
A realização pessoal, dirão provavelmente muitos de vós. A questão aqui é a seguinte: eu não ando a trabalhar para aquecer, nem porque gosto de trabalhar e muito menos porque sou apaixonado pela prestação de cuidados de enfermagem! Não. Eu trabalho porque tenho responsabilidades familiares e considero uma parvoíce prejudicar a família (em tempo e em economias) em prol de uma formação que, na prática não me dará retorno nenhum! Para que tenham um exemplo do que falo: um colega meu, mais novo, encontra-se actualmente a fazer uma especialidade em enfermagem para que aumente as suas probabilidades de entrar como contratado num hospital (ele é "recibo verde") mas a trabalhar como enfermeiro de nível 1. Ou seja, um generalista em início de carreira! Isto é a promoção do "currículo a metro" e o enriquecimento das escolas de enfermagem que, cada vez mais, abrem cursos de especialidade que depois vendem a preço de ouro a enfermeiros desempregados ou em situação precária, acenando-lhes com a hipótese (sublinho, a hipótese) de poderem ser contratados (a termo certo, claro) por um hospital qualquer que lhes vai pagar o base do início de carreira. E eu não trabalho para sustentar pançudos.
Num outro nível, o dos cursos de pequena duração ou "workshops" temos outro grande embuste. Existe por aí uma instituição que ministra curso tais como enfermagem forense e enfermagem podológica! Mesmo para os leigos penso que isto deve soar ridículo! Na prática, há pessoas que pagam (e bem!) e despendem o seu tempo a tornarem-se nos CSI Nurse (atenção que não há enfermeiros envolvidos em investigações forenses nem se prevê que algum dia haja!) ou então a aprender a limar as unhas dos pés! Ridículo. A Enfermagem actual em Portugal é ridícula.
Mas este divórcio da profissão e dos seus representantes não significa o divórcio dos meus parceiros de trabalho do dia-a-dia. Há excelentes enfermeiros em Portugal. Profissionais de excelência que a Profissão não valoriza e que a opinião pública não reconhece. E, este divórcio, não significa também o divórcio dos doentes. E é aqui que reside o meu investimento (ainda que indirecto) na profissão. Ao nível dos cuidados directos aos doentes através da revisão bibliográfica de conhecimentos já apagados, da pesquisa de novas técnicas de tratamento e abordagem aos doentes, através da discussão com os colegas e com outros profissionais (sim, os médicos) que têm muito para nos ensinar. Mas isso não entra no currículo, não é valorizado. Mas enfim, considerando que o currículo vale zero e, zero x zero = zero, acho que vou manter a minha linha de evolução académica!
Agora vou trabalhar que não me pagam para estar a escrever divagações desiludidas e sem piada para um público que até se está nas tintas para o enfermeiros!!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Músicas de arrepiar a espinha!

Não sou muito de criar "rubricas" ou temas fixos no blog até porque depois não as cumpro! Mas acredito neste "Músicas de arrepiar a espinha!". De cada vez que vou treinar levo o iPod e ouço música. Não presto atenção à maioria das canções que se vão sucedendo mas, em todos os treinos lá aparece "aquela" canção que me faz arrepiar. Primeiro a "espinha", depois os braços. O ritmo da passada aumenta e a frequência cardíaca também! E a primeira "Música de arrepiar a espinha!" do blog é esta...

Disfrutem!


Outra Dimensão.

Às 7:30h de hoje já levava cerca de uma hora de corrida. Se no início da corrida era ainda noite junto à Baía do Seixal (óptimo spot para correr!) e esporádicos os carros e pessoas que se viam na rua, perto do final do treino já a zona fervilhava de movimento. E digo fervilhava porque foi essa a sensação que tive, enquanto corria ligeiro e fresco junto ao rio e observava o movimento à minha volta. E, facto curioso, embora fosse eu que corresse não era eu o mais acelerado! Enquanto corria mais rápido do que todos naquele largo passeio e ia ultrapassando mulheres de salto alto e fato "executivo", homens de fato e gravata, mulheres arrastando os seus filhos, pessoas a escreverem furiosamente SMS ou berrando já ao telemóvel não pude deixar de sentir que, na verdade era eu que ia mais lento.
Nas paragens do autocarro só via semblantes fechados, zangados, vazios. Pessoas andando para trás e para a frente, abanando uma perna, olhando de esguelha para o companheiro do lado, denunciando assim a sua pressa, a sua impaciência. E olhavam para mim, com o olhar carregado de um sentimento de quase ofensa pela minha passagem. E eu seguia, leve e feliz, com o cheiro do rio comigo, com a mistura entre o fresco da brisa da manhã e o quente dos primeiros raios de sol que despontavam, com a música nos ouvidos que me isolava quase hermeticamente do resto do mundo. Quase numa outra dimensão.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

The Land of the Free and the Home of the... idiots.

Falam eles de fundamentalismo.

Isto é serviço público meus amigos, serviço público!

Às senhoras (sim, que são as mulheres que mais sofrem deste "mal") que "tentam suicidar-se" através da ingestão de medicamentos prescritos por um qualquer médico: não resulta, ok? Tomar uma caixa de comprimidos para dormir o sono eterno não resulta, normalmente por duas grandes razões:
1º. A maioria dos fármacos prescritos para tomar no domicílio não são suficientemente fortes para provocar a morte.
2º. Mesmo que o sejam, o processo é lento o suficiente para permitir a intervenção médica e impedir males maiores.
Dito isto, sugiro alguns métodos mais eficazes, embora mais sujos e menos agradáveis à vista, mas que não dão trabalho nenhum para além da inevitável recolha e limpeza. A saber:
-Tiro no céu da boca.
-Salto da Ponte 25 de Abril ou similar.
-Enforcamento (em local isolado e sem assistência).
-"Pega de caras" a um comboio em andamento.
-Trapézio em cabo de alta tensão.
-Salto de paraquedas sem o respectivo paraquedas.
-Bungee-jumping sem elástico.
...
Enfim, sejam criativos!
PS: Já tinha aqui descrito a pachorra que tenho para estes "doentes" com "depressões", não tinha?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Processo Kafka-Pia.

Foram condenados TODOS os arguidos no processo Casa-Pia. No entanto é normal ouvir no trabalho, no café, na rua opiniões de pessoas que muito simplesmente acreditam que Carlos Cruz é inocente. E só Carlos Cruz tem este benefício da dúvida, fruto de anos e anos de simpatia distribuída através da televisão. Mas, o que deve ser alvo de reflexão não é o facto de se acreditar na culpa ou inocência de Carlos Cruz. Não, o que deve ser alvo de reflexão é o facto de que essa dúvida surge apenas porque os portugueses não acreditam na Justiça. Eu, pelo menos, não acredito.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os Convivas da Távola Redonda.

Que a comida (o "cumer" como se diz na minha terra natal) ocupe um lugar central na vida dos portugueses, tudo bem. Que os portugueses consigam centrar toda uma celebração em torno de uma mesa farta, também tudo bem. Que os portugueses acordem a pensar no almoço e discutam acerca de qual a ementa do jantar durante esse mesmo almoço, menos mal. Que os portugueses vão de férias com a cozinha às costas e que passem essas mesmas férias a cozinhar, nada a opor. Que a expressão "Come-se muito bem nesse restaurante." signifique realmente "As travessas estão a transbordar comida em quantidades que ninguém normal é capaz de deglutir." e que "Fui a um casamento em que fomos muito mal servidos." queira dizer "Só havia dois pratos, um de carne e um de peixe, para além das entradas, enchidos, carnes frias, sopa e sobremesas.", ok. Mas, o que não me entra é que se façam quilómetros só para se comer num determinado restaurante! A sério, a ideia de me deslocar a um determinado sítio tendo como único móbil um determinado restaurante soa-me ridícula. É como dizer "Olha, vou a Paris almoçar num restaurantezinho onde servem uns "escargots" divinais e muito bem servidos. Diz que fica ali ao lado de um mamarracho de metal gigante, uma torre qualquer, mas diz que aquilo é grande, mesmo junto ao rio. O restaurante é mesmo ao lado, não tem nada que saber!". Mas, ò ignorância a minha... "escargots"? Ainda se fossem uns caracóis do Barbas... Nada disso, o portuga não se desloca a um qualquer restaurantezeco da moda que sirva um prato diferente, uma iguaria ou algo exótico. Vegetariano? Chinês? Indiano? Era só o que faltava! Nada disso, tem que ser um restaurante que sirva carrrrrne sangrante e em doses industriais. Cozido, ensopado, na chapa, na tábua, na pedra. Tudo bem servido e, claro, bem regado!
Nas minhas últimas férias conheci duas famílias. E, garanto-vos, que o tema principal das conversas não fugia muito dos tópicos: comida, restaurantes, roteiros gastronómicos, o inqualificavelmente magnífico naco na pedra mirandês, os secretos de porco preto divinais daquele restaurante em Estremoz, o leitão da bairrada que, afinal, é ainda melhor ali prós lados de Lamego, os queijinhos, o presunto, as azeitonas. Quando souberam que eu já conhecia Évora a primeira coisa que perguntaram foi: "E um sítio bom para comer?". Não há pachorra.
Não é que eu não goste de comer e beber, bem e muito. O que me intriga é o facto de esse ser o principal motivo de uma viagem, o tema central de um programa. Porque, em não tendo referências gastronómicas na zona escolhemos o restaurante ou a ementa que nos parecer melhor e comemos. Porque comida é comida e, em último caso, come-se qualquer coisa em qualquer sítio.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

De como os momentos sublimes surgem quando menos esperamos.

O local são as Docas, em Lisboa, 6 e 30 da manhã. Ao chegar ainda lá estavam algumas centenas deles, espalhados pelas pedras da calçada, pelos passeios, ainda a abanar-se freneticamente dentro de pequenos covis semi-iluminados. E era só um de mim, de calções, t-shirt, sapatilhas de corrida. E eis o encontro de duas espécies que raramente se cruzam.
Se eu já estava à espera de os encontrar, já eles olharam-me com estranheza, surpresa e algum gozo pelo meio, através dos seus olhares esgazeados. Um fulano a correr, às 6 e 30 da matina pelo meio de uma pequena multidão numa das zonas mais movimentadas da noite de Lisboa é algo demasiado inédito para aqueles cérebrozinhos cansados processarem, lá me deixaram passar no território deles (era noite ainda, logo era deles).
Ultrapassada a multidão, o rio Tejo tornou-se meu companheiro, ouvia o seu murmúrio nos silêncios que o meu iPod me oferecia entre canções demasiado barulhentas e agressivas para aquela hora da manhã (e daí, talvez a multidão que deixara para trás discordasse de mim!) mas absolutamente necessárias para manter a motivação. Disse olá ao Padrão dos Descobrimentos e adeus à Torre de Belém, passei pela Estação de Comboio de Algés e os poucos e sonolentos passageiros que aguardavam olharam-me com desprezo. Como se a minha corrida matinal fosse uma ofensa ao cansaço que ostentavam nas suas faces. Voltei para trás, reencontrei o Rio e, com ele o Sol que nascia. Se há momentos sublimes então aquele foi um deles. Só eu, o Rio, o Sol e a Ponte que nos guardava. E assim ficámos, os quatro, a correr sem pensar em mais nada. Cheguei às Docas, os "nocturnos" tinham sido espantados pelo Sol. Respirei o ar ainda fresco. Olhei o Rio, o Sol, a Ponte uma vez mais e fui trabalhar. São agora 8 da matina.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Boys and their toys...

Alguém me explica o demente apelo sentido pelos homens por tudo o que é brinquedos tecnológicos? Aquelas coisas com touchscreens, gigabites, apps, wi-fi, dolby-surroud, panorama mode, sweep mode, twilight shot, android, super amoled, megapixeis, etc, etc, etc (sim, acabei de escrever montes de expressões típicas dos gadgets masculinos e juro que não inventei nenhum!)? Alguém? Um psicólogo, psiquiatra, vidente?
Sinceramente. É estúpido que alguém como eu, razoável nos seus gastos, que privilegia a utilidade e versatilidade das coisas que compra e minimamente inteligente para perceber que não vale a pena comprar um telemóvel com 58379 aplicações quando, na verdade só vou fazer e receber chamadas, ande agora embeiçado por um desses novos touchscreens com acesso à internet e câmara fotográfica de 5 Mpixeis, com GPS integrado, função de ultra-realidade (não sei o que é mas parece tãããão fixe!!!) e identificação por imagem (espectáculo! Imaginem-me quando descobrir o que isso é...), agenda electrónica, microsoft office móvel e mais umas quantas funções perfeitamente irrelevantes. Mas é tãããããão lindo. E tem tantas coisinhas giras e botõeszinhos no ecrã e luzinhas que piscam...
ALGUÉM ME DÁ UMA BOFETADA????
É provavelmente o que vou receber assim que a Mariana ler este texto.

Por vezes sinto que trabalho numa Estação de Serviço.

E ontem foi um desses dias! Sinceramente, já não me lembrava de passar tanto tempo (praticamente toda a manhã, até à hora do almoço!) a dar banhos aos doentes. A hora dos banhos, ou "higienes" como os enfermeiros gostam de lhes chamar, é sempre um momento muito agitado na vida de qualquer enfermaria. Na enfermaria onde eu trabalho, sendo que a maioria dos doentes são velhinhos acamados ou com muitas dificuldades de mobilização. E surdos que nem portas, a maioria deles. Em primeiro lugar, os banhos na cama ou "higienes no leito"...
-Dª FRANCISCA VAMOS COMEÇAR. FECHE OS OLHOS!
-HÃÃÃÃ?
-FECHE OS OLHINHOS!
(agarro numa esponja cheia de água e esfrego a face, braços e peito do doentes. A minha auxiliar seca tudo, do outro lado da cama. Passamos para as pernas e pés.)
-Dª FRANCISCA, AGORA VAMOS LAVAR A PATARECA*. TEM A FRALDA SUJA?
-HÃÃÃÃ?
-FEZ CHICHI E COCÓ?
(a velhota encolhe os ombros. abrimos a fralda e espremo a esponja em cima do pitó* da senhora. esfrego. A auxiliar limpa.)
-AGORA VAI VIRAR-SE DE LADO ALI PARA A CARLINHA (a auxiliar). NÃO TENHA MEDO.
(digo sempre isto porque o doente fica de lado, bem à beirinha da cama e, invariavelmente, têm uma medo terrível de cair. Esfrego as costas, limpo-as e aplico o creme hidratante. No final afasto os lençóis molhados e empurro-os para baixo do doente. Coloco um lençol seco na metade da cama que está livre)
-PRONTO. VIRE-SE PARA MIM...
-AII, QUE EU CAIO!
-NÃO CAI NADA MULHER, QUE EU NÃO DEIXO!
(a auxiliar retira os lençóis molhados, limpa a outra metade da cama e puxa o novo lençol seco. Está pronto!) Agora multipliquem estes discursos berrados por mais dois ou três enfermeiro e juntem-lhes os gritos de medo ou de dor de muitos doentes e talvez percebam a animação que é este momento!
Quando os doentes conseguem ir à casa-de-banho prefiro dar-lhes uma boa chuveirada...
-SR. MANEL! A ÁGUA ESTÁ BOA ASSIM?
-TÁ QUENTE!
-E AGORA?
-TÁ FRIA! NÃO... ASSIM TÁ BOA!
(afastado do doente, aponto-lhe o chuveiro assim tipo mangueirada! Se lhe der o chuveiro para a mão é certinho que vou tomar banho também.)
-VÁ! ESFREGUE BEM A CARA. E O PEITO. LAVE-SE BEM "POR BAIXO". TOCA A LAVAR OS TINTINS*...
-HÃÃÃÃ?
-OS TINTINS HOMEM!
-HÃÃÃ?
-OS TOMATES!!!!
-AHHHH.
-AGORA SEGURE AQUI NO CHUVEIRO ENQUANTO EU ESFREGO AS COSTAS E OS PÉS.
(erro crasso, de principiante. A água salta para as paredes e tectos e espelhos. já estou todo encharcado quando emendo a minha falha!!)
-PRONTO, PRONTO, JÁ ACABÁMOS....
Uma animação a hora dos banhos.
Uffffff.
*termos largamente utilizados para definir "vagina" e "testículos" (consoante o caso) que, admitamos, são uns termos muito sérios. Já "tomates", enfim quando se está já com os pés todos molhados dizemos qualquer coisa para despachar o serviço!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lucilinha.

Por vezes recebemos uns velhinhos patuscos lá no serviço. Vão e voltam mas, nos últimos meses temos tido o privilégio de partilhar alguns momentos com a Dª Lucília, ou como nós lhe chamamos, a Lucilinha.
A Lucilinha é uma velhota de oitenta-e-muitos-anos que veio ao hospital para uma intervenção simples. Sem filhos, rapidamente se percebeu que ninguém a voltaria a levar para casa. O processo de assistência social demora a ter um fim e, entretanto, a Lucilinha vai ficando connosco. Alta, deixa adivinhar um porte altivo de juventude com o seu rosto fino de nariz comprido e queixo proeminente onde agora crescem uns tufos de pelos rijos que vamos cortando de vez em quando. No início falava connosco. Em mim via o seu falecido Alfredo, companheiro de sempre, e dava-me beijinhos (que picavam, com aqueles pêlos no queixo!) ou, à falta de melhor na foto do meu cartão de identificação! Falava, é certo, mas completamente fora da realidade! Mas era giro porque ela era uma espécie de cupido lá do sítio: se dois enfermeiros de sexo diferente faziam o turno juntos, eram automaticamente, marido e mulher! Depois foi-se apagando a memória e, hoje, a Lucilinha já não fala. Mas não pensem que ela está mal...
A Lucilinha já não fala, quando a colocamos na cama fica sossegadinha, abre a boca para comer e não se coíbe de sujar as fraldas as vezes que forem necessárias! Mas o seu ohar é distante. Distante, mas não vazio. É como se estivesse a viver na sua própria realidade com pequenos fios apenas que a prendem a esta realidade. Mas a Lucilinha, que já não pode com o rabo, gosta de passear. Pela manhã, depois do banho, prendêmo-la (sim, literalmente, prendêmo-la com um colete especial para não cair) a uma cadeira de rodas e... lá vai a Lucilinha! Gostava de colocar aqui um vídeo mas, enfim... privacidade e essas coisas... mas talvez consiga desenhar uma imagem nas vossas cabeças com as minhas palavras!
Imaginem uma velhota, magra e alta, sentada numa cadeira de rodas. O olhar vago, perdido algures na parede mais distante do corredor, as mão entrelaçadas ao peito. E lá vai ela! Dando aos pézinhos, puxando a cadeira com os seus pés, a Lucilinha vai para onde quer! Para o seu quarto, para o corredor, para a nossa sala de trabalho, para o quarto de outros doentes. Até já se prendeu numa arrecadação! A Licilinha não é exigente e vai para onde a dirigirmos. Quando está num quarto alheio, admirando a paisagem pela janela (faz isso muitas vezes) enquanto os ocupantes daquele quarto resmungam pela intrusão, é só empurrá-la para fora do quarto e, uma vez no corredor, dar-lhe impulso. A velhota levanta os pés e aproveita a velocidade!
Mas o mais engraçado acerca destas deambulações da Lucinha ocorre quando ela encontra um obstáculo. Imaginem aqueles carrinhos de brincar de corda. Depois de dar corda, dirigimo-lo para uma parede e deixamo-lo e, o carrinho ali fica, a lançar-se contra a parede até se lhe acabar a corda! Com a Lucilinha é a mesma coisa! Ela avança e torna a avançar contra a parede, porta, armário ou qualquer outra coisa até o obstáculo ceder (nunca aconteceu) ou até um de nós a ir ajudar a mudar de rumo! A corda nunca acaba à Lucilinha.
A Lucilinha não fala, não sorri, não esbraceja mas talvez, só talvez ela não esteja assim tão infeliz como a sua face parece denunciar...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vejo defeitos nas virtudes dos outros.

Pequeno enquadramento pré-texto: como devem calcular, ninguém que corra 1000 km em menos de um ano (e nem é assim uma marca tããão especial, diga-se!), que o faça regularmente pelo menos 3 vezes por semana e que alie a isso algum trabalho de musculação mantém a sua fisionomia intacta. Posto isto...
Facto: perdi cerca de 10 quilos nos últimos meses. Quem trabalha ou convive comigo não se cansa de se admirar com a minha nova silhueta. Mas, convenhamos, pago tudo em suor e mialgias! Além disso abdiquei de minha antiga alimentação rica em açúcar, gorduras e molhangas carregadas de colesterol! Admito: tornei-me numa daquelas pessoas saudáveiszinhas e aborrecidas que consultam a tabela nutricional dos produtos antes de os comprar e que deixou de comer bolos de pastelaria. Aquelas pessoas que retiram todas as gordurinhas da carne que consome, que agora é maioritariamente branca, que não coloca açúcar no café, que come sempre saladinhas e sopas ás refeições, que come fruta e iogurtes magros a meio da manhã e da tarde, que aboliu completamente a manteiga dos Açores do frigorífico lá de casa, que bebe leite simples sem açucar, que anda sempre com barras de cereais light na mala, que come pão uma única vez ao dia e esse pão é integral ou de sementes. Além disso levanto-me cedo nas folgas e vou correr pelos caminhos de Portugal, faço abdominais, flexões, barras, pranchas, alongamentos. Sou detestável, eu sei.
Mas, por outro lado, eu sou a prova viva de uma teoria que venho defendendo ao longos dos anos. E a premissa é a seguinte: "Emagrecer? Fechem a boca e mexam o !". Simples, profético acho eu! Constato então, com alguma surpresa, que os meus visíveis resultados não servem de motivação para os meus pares que se queixam da gordurinha acumulada, da falta de stamina, do cansaço crónico, da lassidão dos seus tecidos. A julgar pelas observações de alguns colegas "Isso da corrida está a tornar-se patológico.", "Q'horror! Mas agora só comes fruta e iogurtes magros?", "Ai! Está muito magro. Gostava mais quando tinhas barriguinha!", dizem eles, o problema sou eu! Eu é que sou louco por me levantar ás 7 da manhã, num dia de folga, e sair para correr! Eu é que sou louco por renegar ao culto do açúcar refinado, eu é que não vejo que na verdade, os 10 quilos que queimei sem piedade e sem saudade eram afinal o que me dava charme e fazia de mim uma pessoa interessante! Assim com a barriguinha, que era amorosa.
Quando os tento fazer ver que se eu, com dois empregos e dois filhos pequenos, consigo então melhor o fará quem apesar dos dois empregos, não tem filhos. Quando digo que é uma questão de vontade e que, na maioria das vezes não tenho vontade nenhuma e que preferia estar a escrever no blog, a resposta é "não consigo". Quando explico que a dieta equilibrada (porque é disso que se trata, de uma dieta equilibrada que todos devíamos ter em atenção e não uma louca dieta restritiva) é cumprida porque, convenhamos, não vou "mandar ao ar" o esforço de correr 10, 13, 16, 18 km (que custa!) só porque me apetece comer um Big Mac, a reacção é "não consigo", então só posso concluir que eu é que sou um anormal! E as pessoas sentem-se mal na minha companhia... sou execrável, de facto!
Que as pessoas queiram a saúde e a beleza comprimidas numa pequena cápsula fornecida em blísteres de 20 cada, eu percebo. Que as pessoas acreditem nisso e que arranjem pretextos para minimizar o feito de quem, de facto conseguiu melhorar a sua saúde e a sua aparência já me custa a aceitar...
PS: tudo bem que agora ando com um ego sobredimensionado mas, caramba!, como gosto de me ver ao espelho!

domingo, 22 de agosto de 2010

Exultem comigo!!

Chamo a vossa atenção para o "virtual runner me" ali à direita do ecrã...



1000 km já perCORRIDOS!!!!



Obrigado, obrigado!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mulheres-Ferrari.

Apareceu uma dessas mulheres lá na piscina do hotel onde passámos as nossas humildes férias familiares. Podia gastar aqui vários parágrafos a descrevê-la com os mais variados adjectivos e com longas e indecentemente gráficas passagens acerca dos seus atributos físicos mas, enfim, a Mariana lê isto de quando em vês e convenhamos, era capaz de não ser agradável! Digamos então que era uma mulher apelativa. Apelativa no sentido em que não passava despercebida a ninguém que estivesse naquela mesma piscina, fossem homens ou mulheres. Uma daquelas mulheres que, por diferentes razões tanto é assunto para os atarantados machos como para as invejosas femêas!
Na piscina estava sempre só ou com uma amiga, não mais, e não havia sinais de homem a rondar o território. Considerando que ela tinha a sua toalha a não mais de 3 metros da minha, pude escutar (acidentalmente, claro!) que estava só, que não tinha relação nenhuma de momento e que não estava preocupada com isso. À primeira vista isto pode parecer estranho. Afinal, uma mulher daquelas não pode estar sem companheiro! Mas, por incrível que pareça, isso não me soou nada estranho. Passo a explicar...
Através da simples observação ( e apenas de soslaio sublinho, já que estava apenas concentrado em vigiar os putos!) pude facilmente constatar que aquele corpo era trabalhado. Confirmei isso mesmo quando a vi a sair do ginásio dois dias consecutivos. Depois, estava rodeada de cremes, sprays, bálsamos, gel que aplicava no corpo, nas mãos, nos pés, no cabelo a cada 5 minutos e depois de sair da banho. Entretanto, cruzando-me com ela no restaurante, foi impossível de não reparar nas roupas inversamente proporcionais aos tamanho dos enormes saltos altos! Era absolutamente impossível para qualquer pessoa não reparar nela. E daí vem o título deste texto.
Quais os sentimentos dos homens face a este tipo de mulher? Logo à partida aquela sensação de "esta-mulher-é-areia-demais-para-a-minha-camioneta" e depois, aqueles com mais confiança "olha!-o-não-está-garantido!". Este é o tipo de mulher que é perseguida como troféu para exibir aos amigos, para esfregar na cara dos outros machos, tipo "olha que gaja tão boa que ando a papar!". É um bocado como os Ferraris: todos os homens gostariam de, um dia, dar uma voltinha num enorme, potente e vistoso Ferrari, toda a gente pára na estrada para o ver passar e todos o rodeiam quando está estacionado! Mas, a esmagadora maioria não quer (nem pode!) ter um na garagem! É que, se uma voltinha num Ferrari deve ser uma adrenalina do caraças e até nem nos importaríamos de gastar algum dinheiro em gasolina, a manutenção de um desses cavalinhos italianos a longo prazo é muito, muito cara! E nem todos têm disponibilidad€€€€€ para uma máquina dessas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ainda reflectindo...

... acerca do que é ser rico constato que, entre estar com os miúdos, passar as tardes na piscina com o Gabriel, embalar o David, aproveitar as manhãs para passear, continuar a correr e ainda namorar aos bocadinhos com a Mariana, não sobra muita oportunidade para escrever! Portanto, talvez o facto de ser rico não fosse muito bom para a saúde deste blog uma vez que 99% da minha escrita é produzida em pequenas pausas do meu trabalho. Logo, sem trabalho...

Enfim, na próxima semana vou tentar (tentar, não prometo, ok?) escrever qualquer coisinha a partir daqui...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma visão romântica e talvez um pouco ingénua do que eu faria se fosse estratosféricamente rico.

Voltei esta semana ao trabalho. Na segunda para ser mais exacto. E, uma vez mais, confirmei aquilo que já tinha sentido quando passei 5 meses em casa após o nascimento do Gabriel: eu não gosto de trabalhar! Aliás, considero que o trabalho é uma enormíssima perda de tempo de vida apenas justificado pelo incompreensível facto que, sem ele, o trabalho, é impossível viver a vida! E isso é uma tremenda injustiça para quem gosta de viver. Neste mês que passei com a família renovei a minha já forte convicção de que seria muitíssimo feliz se fosse o único vencedor de um jackpot do Euromilhões! O dinheiro pode não trazer per se a felicidade mas, caramba!, que dá uma ajuda do caraças, lá isso deve dar!
Quando afirmei isto mesmo perante um colega de trabalho a resposta foi: "Eu gosto de trabalhar. Não imagino a vida sem trabalhar!". E esta é uma opinião mais recorrente do que eu esperava. Mas porque raios há-de alguém de gostar de cumprir uma rotina "acordar ás 6h-estar no trabalho das 9 ás 17-perder tempo no trânsito e nos transportes-prepara o jantar dos miúdos, banhos e afins-ver mais um episódio da novela-dormir- acordar ás 6"? E aquelas que afirmam que seriam vencidas pelo tédio? Na minha opinião: sadomasoquistas e curtos de vista!!!
Mas haverá coisa melhor que acordar de manhã (mais cedo ou mais tarde), tomar um bom pequeno almoço com a família e depois encarar o dia como algo inacabado e sempre possível de mudar a qualquer momento? E viajar? Eu vejo todo o tempo livre proporcionado pela imensa riqueza como um pretexto para viajar, conhecer o mundo, Viver! E talvez uma vida só não chegue para conhecer todo o mundo, quanto mais apenas um mês por ano! Acordar em Lisboa e ir almoçar a Paris, Londres, Roma, Barcelona... só porque nos apetece! Ou então, perseguir o Verão! Seria verão o ano todo! Mesmo que tivesse uma ocupação profissional qualquer, nunca seria algo convencional, com horários, reuniões, telefones a tocar o tempo todo. Dar a cara a alguma fundação ou coisa do género!
Não é que eu valorize o dinheiro por si mesmo, pelo contrário, nem sequer sou muito "agarrado" ao dinheiro! Mas o certo é que o dinheiro nos proporciona oportunidades para viver novas experiências. E, afinal, o que se leva desta breve passagem pela vida? As casas ficam cá, os carros também, as quintas, as propriedades, as jóias, as obras de arte, tudo isso fica cá! Tudo isso pode e é eventualmente transaccionado! Mas as experiências, as memórias, as emoções, as alegrias, os risos dos putos junto à piscina ou num iate ao largo de uma ilha no pacífico enquanto saltam para a água, as emoções causadas pelas obras de arte espalhadas pelo mundo, pelos castelos da Europa, pelas cidades perdidas na América do Sul, pelo deserto em África, pela neve no Norte. Tudo aquilo que é indefinível por palavras e a que temos acesso apenas pelas revistas de viagens. Tudo isso fica connosco e define-nos como pessoas. Tudo isso é a verdadeira riqueza. Não desejo grandes mansões e super-carros, não gostava de ser rico dessa maneira. Mas gostava de ter dinheiro para encher o cofre de emoções!
O que vale é que, a partir de amanhã, estou de féria outra vez!

domingo, 25 de julho de 2010

A Vida não é Justa.

Amanhã o David faz (já!) um mês de vida. Amanhã regresso ao trabalho. A vida não é justa, de facto! Mas hoje foi um dos dias mais divertidos que vivi nestes dias de licença de paternidade: acordámos cedinho (como sempre, aliás!) e tomámos juntos o pequeno almoço, saímos ainda pela fresca e fomos visitar o Museu da Electricidade e o Gabriel adorou ver toda a maquinaria e fazer as experiências propostas pelo Museu para descobrir e entender a electricidade! Eu e a Mariana conversámos acerca da beleza do edifício (antiga Central do Tejo) e deliciámo-nos com as fotos, aqueles pedaços de história plenos de beleza. Passeámos um pouco junto ao rio Tejo. Depois, fomos ao brunch no Magnólia Caffé e enchemos a pança! Depois do almoço regressámos a casa e eu fiquei de mau-humor porque não dormi a sesta como deve ser (somos três crianças cá em casa!) mas acabámos o dia enfiados na piscina, eu o Gabi e a Mariana, com o David a dormir na sombrinha do nosso jardim. Apanhei sol enquanto lia "As Cinzas de Ângela".
Depois de um dia destes não devia ser permitido voltar ao trabalho! Nem amanhã nem durante os próximos 3 meses!