sexta-feira, 11 de junho de 2010

Star-Blogger!

PARABÉNS! PARABÉNS! PARABÉNS!!

Apetece-me gritar aos sete ventos pela ascensão da minha blogger-amiga Ana C. à categoria de STAR-BLOGGER!!! Que o "Vontade de Regresso" é um blog interessante, bem escrito, intimista sem ser chato, divertido e que usa muito a palavra "cócó" (que é uma palavra, convenhamos, que deve ser sempre usada em qualquer super-blog), já todos sabíamos! O que faltava então para que fosse um star-blog? O bate-boca virtual, a peixeirada internética, o arrancar de cabelos e arranhar de faces e braços que qualquer star-blogger teve que ultrapassar para atingir um nível superior aos restantes de nós, meros "wannabes"! Anacê, amiga, conseguiste!
Foi assim que aconteceu... uma tipa qualquer fez comentários "inofensivos" acerca da forma de escrever da minha compincha de escrita! A Ana C. (que por acaso até já tem obra editada!) respondeu delicadamente. então a rapariguita foi carpir para o seu bloguezeco, e inventou novas identidades só para chatear com os seus comentários. Assim tipo as moscas que nunca nos largam do nariz, portanto. Como não havia um mata-moscas virtual para esborrachar ali mesmo o insecto inoportuno, a Anacê lá teve que escrever mais um texto a ver se a coisa acabava por ali. Mas acho que as coisas não vão ficar assim... ehehehehe!!
De qualquer das formas como é que as Pipocas e as Kittys e as outras star-bloggers deste bloguniverso ficaram famosas e até têm patrocínios? Não foi, de certeza pela sua escrita (aqui para nós que ninguém nos lê, as gajas não dão uma para a caixa mas andam sempre a falar mal umas das outras e a malta gosta de uma boa codrilhice!). De qualquer das formas, alguns bons blogs deste mundo também já tiveram a sua cat-fight, como este blog, e este e ainda este.
Por isso, é com incontido sentimento de inveja que desejo todas as blog-felicidades e muitas trocas de palavras azedas à Anacê, neste seu novo e superior estatuto. À outra, digo só isto: deves voar mesmo alto pá, que eu nunca tinha ouvido falar de tá personagem! Mas, enfim, o Nietzsche também não jogava com o baralho todo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Motivos Motivacionais ou Não esperem grandes rasgos fashionistas desta casa.

A reboque deste texto, dei por mim a reflectir no tamanho do meu próprio roupeiro (ou guarda- roupa, ou ainda guarda-fatos como dizem os nortenhos!) e, oh surpresa!, constato que na verdade é apenas meio-roupeiro! Toda a minha roupa cabe em meio roupeiro e é facilmente quantificável: meia-dúzia (se tanto!) de jeans, um pouco mais de meia-dúzia de t-shirts informais e coloridas, algumas camisolas de malha leve, dois casacos de inverno e um de meia-estação, duas camisas que uso quando o Papa vem a Portugal, duas ou três calças "desportivas" (fato-de-treino vá.) e dois casacos de desporto (daqueles giros com capuz!), alguns calções "bolsos de lado" para o verão, duas gavetas com muita roupa interior, dois ou três sapatos (botas!) de inverno, ténis, uns sapatos pretos formais (curiosidade: que usei no meu casamento) qie calcei umas... 3 vezes!, um fato completo (serve para casamentos e funerais!). That's all folks!! Portanto, quem me conhece está habituado a ver-me repetir outfits muitas vezes e sempre no mesmo padrão: ténis-jeans-t-shirt/camisola de malha - casaco OU chinelo havaiano de meter-o-dedo - calção até ao joelho - t-shirt.
O meu trabalho impõe um dress-code muito restrito: calça branca-camisa/túnica/bata branca. Como tenho dois empregos passo muitos dias inteiros dentro do hospital pelo que aquilo é mais uma segunda pele do que uma farda de trabalho. O que leva a que a minha roupa-roupa (é assim que designo a roupa normal!) sirva apenas um propósito, o de esconder as minhas partes pudendas do público em geral! De que me serve ter muita roupa se depois não a posso usar ou se a uso em períodos de tempo muito restritos e que, ainda por cima!, são passados dentro do carro? Esta realidade moldou então a minha forma de comprar roupa. Vejamos, o primeiro requisito da peça de roupa a comprar deve ser... prática! Depois, polivalente para poder enquadrar-se com o resto do restrito grupo de roupas do Miguel e, por fim, barata porque para servir para vestir cerca de duas horas por dia e andar amarrotada nos assentos do carro não pode ser nada de muito caro! E a coisa faz-se. No dia-a-dia lá vai andando a farpela do costume, o pior chega quando acontece uma ocasião onde se exige uma indumentária mais... elaborada! E estou a pensar naquelas 2 vezes ao ano em que saio à noite.
Na última vez que saí à noite andei à procura de um outfit diferente. E corri, corri, corri lojas e centros comerciais à procura do ideal. E vi coisas giras, experimentei coisas engraçadas mas, caramba!, custavam os olhos da cara!!! Como sou um gajo assim pró larguinho de costas, a roupa mais clássica da Zara (sim, Zara que ainda vai sendo acessível!) não me entra já que é feita para metrossexuais anorécticos e não para Homens-como-deve-ser, na H&M a mesma merda pelo que acabei por desistir ao fim de umas longas duas horas de procura (duas horas é suficiente, certo?). E voltei à minha formatação original: prático/polivalente/barato. E adivinhem lá o que o menino acabou por comprar? Apenas e só uma camisola de malha leve (mas é de lã merino, que devem ser uma ovelhas chiques. E lá foi ele com os jeans menos gastos que tinha no roupeiro, uns sapatos pretos (assim pró desportivo!) que comprou em saldo na Bata, a dita camisolinha e um casaco preto que um amigo emprestou (deprimente esta parte...).
Não é que eu não goste de me vestir bem, que gosto. Não é que não seja vaidoso, que sou. Não é que não fique super distintamente giro num fato clássico, que fico. É apenas uma questão de falta de motivação. E de t€€mpo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

São cada vez mais.

O que leva um filho a agredir o seu pai? Esse pai foi um sacana, ausente, agressivo, bêbado? Uma fria parede sentimental? Um abusador? Ou foi o filho que, muito simplesmente, tem a agressividade inscrita no código genético? Foi falha grave na educação do filho? Foi fruto da socialização do filho com bandidos? O que foi?
Não sei. Mas corta-me o coração atender velhos de 70, 80 anos agredidos (em muitos casos com lesões que evidenciam a violência da agressão) pelos filhos. A razão? Na maioria dos casos: dinheiro. E à volta disto reflicto, eu que tenho filhos e que os amo acima de tudo o resto.

É lixado!

Então anda aqui um gajo a defender o direito à União Civil entre Pessoas do Mesmo Sexo (já nem lhe chamo "casamento", parece que há beatas(os) que desmaiam...), a apregoar da seriedade com que deve ser encarado esse direito fundamental de todos, a argumentar contra as atrofiadas mentes de muitos portugueses e... ESTES PANELEIROS APARECEM NESTAS LINDAS FIGURAS??

E se fossem os dois levar no cú, hmm? F*****-se.

Foto retirada daqui, sem qualquer autorização da autora do blog!

Throttle-family!

Mas quem é que, no seu perfeito juízo, dá 2o-e-tal euros por uma t-shirt? Eu não. Eu compro as minhas nos outlet's da Pull&Bear, Springfield e afins, que isso de pagar mais do que... 10 € vá!, por uma t-shirt já me dá comichão nos bolsos. O que é uma t-shirt? Em que contexto se usa uma t-shirt? Uma t-shirt é uma peça de roupa leve e fresca pensada para usar quando está calor. E no verão está calor. E as t-shirts Trottleman são grossas e pesadas e quentes! "Ahhh, é por isso que são caras... porque o tecido é bom!", dir-me-ão alguns indefectíveis da marca. Não é.
Este fim-de-semana encontrei a verdadeira Throttlefamily! Ele, t-shirtzinha azul-bebé com um ThrottleToiro desenhado, calções caqui Docker's-like e sapatinho de vela, sem meia. Moreno, cabelinho escuro cortadinho e penteado para o lado (também chamado "cabelhinho à fodasse") e com uma proeminente barriguinha. Ela, t-shirtinha azul-escura com um ThrottleCãozinho desenhado, calcas direitas caqui e sapatinho de vela azul. Baixinha e com enormes seios e volumosos glúteos. A criança, aparentemente 3 aninhos, adivinhem o que trazia vestido? Não adivinham? Surpresa! Mini t-shirt com um ThrottleToirinho desenhado, calções caqui e sapatos de vela, sem meia! Detecto aqui um padrão?
Não me intrepetem mal, eu gosto de t-shirts com desenhos, mas aquela marca tem uns desenhos tão... como definir... mete-nojo! Não sei, há algo que não bate bem com aqueles desenhos, Pretendem ser infantis mas as linhas são muito direitinhas. Lá está, direitinhas! É roupa para gente direitinha. Há um leve pretenciosismo brasonado associado a elas. E depois, eu não uso a mesma marca de roupa que é ostentada por gente que usa sapatos sem meias!
GANDA CHULÉ PÁ!!!
Entretanto apercebi-me de algo... os pais eram os dois morenos, cabelo escuro e olhos castanhos e o puto era branquinho, ruivo e com uns cintilantes olhos azuis... isto é um ThrottleMistério...
PS: eu tenho UMA t-shirt dessa marca mas é a única com humor inteligente que já encontrei. Ah! E quase nem se vê a marca.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Coisas com histórias!

**** Disclaimer: qualquer semelhança com um baby-blog é pura coincidência.
Há uns dias retirava a roupa da máquina de lavar. A Mariana resgatou do sótão as roupinhas de bebé do Gabriel e está a prepará-las para o David! Uma das vantagens de ter filhos do mesmo sexo!
Enquanto retirava aquelas roupinhas pequenas, coloridas e ilustradas com bonecos queriduchos e engraçados dei por mim a recordar momentos passados com o Gabriel, quando era um bebé de poucos meses. E lá estava a 1ª roupa que vestiu, ainda na maternidade, os babygrows com animais estampados que ele não parava de mirar, as meias pequeninas, as pequenas calças de homenzinho, e as pequenas camisolinhas com molas nos ombros. E a cada uma delas que saía da máquina quase que conseguia ver o Gabriel com elas vestidas, a dormir, a rir, a chorar. Consegui relembrar a sua carinha-de-anjo enquanto dormia, o quanto adorava o aconchego das pequenas toalhas depois dos banhos, a sua satisfação depois de "bolsar" o resto de leite que já não cabia na barriguinha. Voltei a sentir o seu cheiro-de-bebé, a ouvir o seu choro-de-bebé e o seu riso-de-bebé! Sim. O meu filhote já não é um bebé, como ele próprio afirma!
Montámos juntos o berço onde ele dormiu até começar a andar! Pareceu-me estranho estar de novo a montar um berço quando tinha a sensação que ainda ontem o tinha desmontado! Mas foi há mais de um ano! E ele subiu lá para dentro com uma facilidade estranhei e o berço pareceu-me pequeno. Ainda ontem o Gabriel chorava para que o tirassem daquelas grades, punha-se em pé agarrado a elas e sorria para nós! Ainda ontem ele caiu dali quando tentava sair sozinho e ainda ontem lhe tirámos as grades de protecção e depois, uma caminha nova! Ainda ontem ele era tão pequeno e agora já não cabe ali dentro!
Essas roupinhas cheias de história serão agora do David, o meu "mainovo"! Ele terá certamente as suas próprias roupas, a sua própria história, mas aquelas roupinhas serão sempre pedaços de recordações dos meus dois filhos. E aquele berço também, e alguns brinquedos, e tantas outras coisas! As coisas, em si mesmas, não têm valor e algumas delas já foram para filhos de amigos e para instituições de caridade, mas as recordações essas, não tem valor.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Gabriel já sabe contar*

Enquanto preparava o Gabriel para dormir ouvi um som, tipo breve ventania...
"Pai. Dei três "puns"..." disse ele enquanto espetava 4 dedinhos de uma mão.
"Isso não são três filhote, são quatro." respondi tentando que ele corrigisse os dedos da mão.
E então ele deu outro "pum".
Ou, "Cheirinho a... Matemática"!

O Invejoso Fado Portuga.

No milionário mundo do futebol são figuras principais dois portugueses: CR e Mourinho. Na minha opinião são os dois os melhores na sua área. Cristiano Ronaldo (a sua forma de falar e de vestir e a sua vaidade não têm nada a ver com isto) é o melhor jogador do mundo.Messi é divinal, consegue fintar uma equipa dentro de uam cabine telefónica mas o futebol não é só isso. CR finta, corre, sprinta, defenfe, marca com o pé direito, com o esquerdo, com a cabeça e ainda "saca" daqueles livres directos que deixam o guarda-redes pregado no relvado! É o mais completo jogador de futebol da actualidade e é português.
José Mourinho é um profissional por excelência. Faz do futebol uma ciência e eleva-o a outro patamar. Estou convencido que, em muitos casos, Mourinho conhece melhor as equipas adversárias do que os treinadores que as orientam! E isso faz dele o melhor! E por ter dado o que deu ao FCP estará sempre no Olimpo dos Portistas independentemente da forma pouco elegante como saiu do clube. E é português.
Agora, expliquem-me porque me deparo sempre com tantos ataques a estes dois Portugueses? Mas alguém acredita que, num mundo onde se exigem resultados e desses resultados se retiram milhares de milhões de euros, quer CR quer Mourinho são apenas produtos de marketing? Não. Estes dois portugueses estão onde estão porque trabalham, porque investem na sua forma, porque se dedicam ao máximo e porque nunca estão satisfeitos. Egos à parte, são dois Portugueses que elevam o nome e a imagem deste triste rectângulo solarengo. E olhem que bem precisamos! Mas é este o nosso Fado: maldizer os nossos e enaltecer qualquer vulgaridade que venha do estrangeiro.
É a inveja senhores, a inveja.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sandro.

Quando a miúda entrou na minha sala, agarrada à barriga de grávida redondinha e empinada nada faria prever o que se passou a seguir. Queixava-se de uma dor no fundo da barriga e tinha vindo da consulta do obstetra esta tarde e o médico tenha feito o "toque". Disse-me que estava de 32 semanas de gravidez e que não tinha ainda rompido as águas. A dor erá incómoda e ia e voltava "ás vezes". Suspeitei de contracções reactivas ao tal "toque". O médico concordou comigo e encaminhou a miúda (18 anos) para o Urgência Obstétrica. Quando os bombeiros chegaram, a bombeira de serviço estava renitente a levar a doente porque temia que o parto se desse pelo caminho. "Ouve! Garanto que o bebé não nasce contigo! Se nascer eu serei o padrinho!!" disse-lhe em tom de brincadeira. E lá seguiram, bombeira e grávida.
Minutos depois a bombeira irrompe pela sala "RÁPIDO, RÁPIDO, O BEBÉ VAI NASCER!!!". Uma hesitação breve para processar esta informação e saio a correr atrás dela! Entro no cúbiculo da ambulância e deparo-me com o chão cheio de sangue, o bombeiro siderado, a grávida a chorar e um bebé já com os bracinhos e o tronco deste lado do mundo! Ele está calado, não respira, está roxo e envolvivo pelas membranas da gravidez. Acelera o coração e, enquanto grito por umas luvas e as calço, recordo os conhecimentos há tanto tempo arrumados acerca de reanimação de recém-nascidos. Acto contínuo puxo o resto do pequenote para fora da mãe e aperto-o com força, esfrego-lhe as costas vigorosamente. Ele chora! Respira, ganha cor, berra como se tivesse interrompido o seu soninho. A bombeira emociona-se, mas ainda não acabámos. Precisamos de cortar o cordão umbilical. Não há pinças na ambulância. Peço ao bombeiro que as venha buscar à minha sala, ao meu colega. Pinçamos o cordão, corto-o. Pego no miúdo ao colo e ele abre os braços. Sei que é apenas um reflexo do recém-nascido, que é normal mas prefiro interpretá-lo como uma saudação, um "obrigado". Coloco-o no colo da mãe.
"Como se vai chamar o menino?"
"Sandro."
Que tenhas uma boa vida Sandro!
(não deixo nunca de me surpreender com a frieza que me invade es situações de stress, como já o descrevi aqui. Mas agora a excitação tomou conta de mim! Foi o meu primeiro parto!)

Fait-divers com interesse zero.

O "Cheirinho a éter..." é cada vez mais visitado por baby-bloggers. Somos, portanto, um blog baby-friendly.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Bem-aventurada a mulher que dá Homens a este mundo!

No caso da Elisabete Martins (olá vizinha! Quinta do Conde rules, yeah!!) o problema que se coloca encontra-se ao nível da pontaria.

"O que me lixa a mim, que tenho 4 rapazes, não é o tampo estar para baixo ou para cima. Não! São as pintas gordas de mijo que deixam espalhadas nas bordas da sanita ou melhor no adereço. Irra! Não consigo que eles deixem tudo limpo. Que porcos! Que me diz a este problemazinho, meu caro?"
Vizinha, antes de mais permita-me que a congratule pelos seus 4 Homens! Como se sentiria se eles urinassem sentados? Como explicaria o vexame a que eles seriam submetidos se esse comportamento fosse descoberto pelos seus pares? É a própria que define esta questão como um "problemazinho" e, em boa verdade, é disso que se trata. Somos criados, socializados, aculturados de uma determinada forma. Contudo, há impulsos ancestrais que não conseguimos reprimir. Para um homem, urinar de pé é um desses impulsos. À orgulhosa mãe de tão promissoras crianças cabe o papel de valorizar esse comportamento, mesmo que isso implique um ligeiro, quase inexistente, incómodo. Certamente que os meninos não deixam lagos amarelos pela casa e, mais uma vez, fazendo uso das suas palavras, tratam-se apenas de "pintas de mijo". Nada de mais para uma mãe que, com 4 homenzinhos cheios de energia a pular pela casa, tem certamente outros assuntos com que se preocupar.
Contudo, não é demais cultivar o cavalheirismo deles e incentivar a que passem um pedaço de papel higiénico pela sanita, se acaso ocorrer uma falha de mira e se falharem o alvo! Deixemos crescer as crianças!




Desconstruindo argumentos fraquinhos.

Da Naná chega esta questão, ainda relacionada com a palavra começada por "S":

"Miguel, estava eu na sanita, quando me chegou esta dúvida existencial... quando te dá uma real cag... sentas-te, certo?! Nessa altura não fazes um xixizinho?? E fazes sentado ou não fazes???!!! Isso diminui a macheza ou não??? Gostava de saber a tua posição sobre isso!...Eu só me tenho a queixar do seguinte: como trabalho nas obras, sou sempre a minoria, mas há sempre dois wc's: um masculino e outro feminino. E ainda gostava de saber porque raios os homens gostam de vir "arrear o calhau" no wc feminino... pró xixizinho a deles serve... mas pró cocózinho, é a nossa que procuram! Será que é por termos o tampo da sanita baixado e assim não dá trabalho a baixar??"
Caríssima Naná. Esse foi um argumento esgrimido também por uma amiga aquando de uma acesa discussão sobre o tema. Lamento mas o argumento é fraquinho! Fraquinho mesmo. Quando um gajo vai cagar, um gajo vai cagar e senta-se. Logicamente se a bexiga quer funcionar então que funcione! E, neste contexto de "cagar/mijar" não é um atropelo à masculinidade na medida em que a mijinha aqui é algo puramente acessório. É como tomar café e pedir um daqueles mini pastelinhos de nata. Pedir um café com um desses pastelinhos a acompanhar, tudo bem, é um complemento ao café, ao almoço que até nem era grande coisa. Já chegar a um café e dizer "Ó faxavor! É um desses mini pastelinhos de nata, pouco queimado e com canela." isoladamente não funciona e, à semelhança de mijar sentado, também diz muito acerca do homem que o faz!
Sobre essa questão de os homens do trabalho da Naná preferirem o WC feminino para aliviarem a carga, a explicação é simples. Trata-se de um momento em que o homem, aproveitando aquele momento de prazer e libertação de tensões, tenta interiorizar uma pequena parte do íntimo feminino. A disposição do espaço, a textura do papel higiénico, o odor libertado pelo ambientador escolhido, o ambiente intrinsecamente feminino que ali domina. O Homem-das-Obras, o mais directo descendente do Homem-das-Cavernas, é um ser essencialmente empírico e intuitivo. O seu raciocínio está treinado para elaborar frases simples mas carregadas de duplo sentido, tais como: "És como um helicóptero! Gira e boa!", apenas para dar um exemplo. Por isso, para esses homens satisfazer essa necessidade humana básica que é evacuar reveste-se de um sentido pedagógico quando realizada no WC feminino.
Sempre aqui para vós,
Miguel.

NÃÃÃÃÃÃO!

COMO FUGIR A TANTOS SPOILERS SOBRE O FINAL DE "LOST"???? Não quero ler, não quero ler, não quero ler, não quero saber....

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um número redondinho.

200. São já duzentos os seres lindos-de-morrer-a-transbordar-sensualidade que seguem isto! É curioso porque com o aumento dos seguidores diminuem os comentários... estaremos perante um caso de elevação do autor deste blog a guru dos tempos modernos? Serão os textos aqui escritos de tal forma eloquentes e complexos que os comentários que merecem são apenas um acenar afirmativo com a cabeça e um "hmmmmm" introspectivo que só os filósofos conseguem arrancar a quem os segue? Hmmmmmm...
Enfim (e a ideia nem sequer é original) estamos abertos a sugestões acerca do tema a que deve ser submetido o texto comemorativo dos 200 seguidores do "Cheirinho...". Talvez assim voltem os tempos áureos dos muitos comentários a que estava habituado. Enfim, a crise chega a todo o lado!

(Adenda: houve um que se foi. Engraçadinho.... mas a proposta mantém-se.)

The "S" Word.

Eis que voltamos ao tema que, cada vez mais me convenço, será o eterno dilema irresolúvel entre Homens e Mulheres. A diferença que pode fazer quebrar a mais sólida das relações, o factor que destabiliza qualquer compromisso. Numa conversa entre amigos (e amigas!) constato que a palavra que começa por "S" (temo só de a escrever) é sempre, mas sempre!, tema de aceso debate entre as Venusianas e os Marcianos. Refiro-me, como já será óbvio para todos à palavra s.... sanita! Sexo? Não. Sanita mesmo. Nunca um pedaço de tão alva porcelana causou tantas altercações no seio de um casal.
Logo à partida, muitas mulheres gostariam de alterar um comportamento masculino básico como é o acto de urinar de pé! Porque isso é muito mais que um comportamento de eliminação de resíduos! É antes um momento íntimo do Homem com o seu melhor Amigo, com uma parte muito importante do seu ser, com a sua virilidade! O que é que o comportamento de urinar sentado diz do homem que o pratica? Reparem que escrevo "homem" com "h" minúsculo numa clara analogia com a virilidade de tal... homem, vá. Urinar de pé é mais do que simplesmente "prático", é uma afirmação de masculinidade ancestral e arrisco até a dizer que os homens que se sentavam para mijar foram eliminados pela evolução humana. Porquê? Simples, estavam assim mais desprevenidos a ataques de animais ferozes e morriam com mais facilidade. Darwin dixit! Quase consigo imaginar um garboso e robusto homem das cavernas vigiando o território inóspito enquanto dá uma mijinha! Numa mão a rudimentar lança de sílex e na outra o garante da reprodução da espécie! Diz-me uma amiga que, nos jardins-de-infância de hoje incentivam os putos a urinar sentadinhos... sobre isto apraz-me dizer: MASQUÉSTAMERDA???
A questão da tampa-levantada vs tampa-baixada será sempre uma questão por resolver. Queixam-se então as senhoras que nós, homens que urinam orgulhosamente de pé, nunca baixamos o tampo da sanita. Deviam antes considerar qual a razão pela qual a levantamos. Levantamo-la para limitar qualquer acidente de mira que possa ocorrer. Ou seja, fazêmo-lo em consideração a elas, mulheres, num acto de clássico cavalheirismo. E como somos retribuídos? Com queixinhas. Por outro lado, algum homem alguma vez se queixou porque quando foi mijar a tampa da sanita estava em baixo? Não. Limitamo-nos a levantá-la e a fazer o nosso servicinho! Sinceramente, parece ocorrer aqui um claro caso de perseguição feminina.
Enfim, estou convicto que este será uma questão para ser resolvida nas gerações vindouras, muito embora me pareça que será difícil. Pela parte que me toca, enquanto pai orgulhoso de dois Homens, farei ponto de honra que eles mantenham orgulhosamente esse comportamento tão definidor dos Homens que somos e da nossa indubitável masculinidade: mijar de pé!
Tenho dito.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Miss Fotogenia.

Ao contrário de Barney Stinson eu tenho uma má relação com as máquinas fotográficas. Enfim, é rara a foto que me faz justiça! Ou fico com os olhos semi-cerrados como se estivesse fortemente etilizado ou como se tivesse fumado erva da má, ou fico com a boca aberta ao ponto de me vislumbrarem o estômago ou então sou apanhado naquele milésimo de segundo em que a minha posição corporal pode ser interpretada de maneiras mais... brejeiras!
Nas fotos de grupo, em jantares e saídas com amigos fico sempre com aquele ar de campónio-que-nunca-saiu-à-rua-e-agora-está-livre e, quem não me conhece pode ficar com a impressão que na verdade, aquele parvinho que parece tão desfasado do resto do grupo tem uma ligeira oligofrenia. Já para as fotos de casamento não me apanharam desprevenido! Tive meses e meses para me preparar e treinar o meu melhor sorriso para depois aplicar nas sempre duras fotos do casório. Se correu bem? Não. O sorriso está lá mas parece que estou a ter uma espécie de ataque de tétano tal é a rigidez dos maxilares e, a bem dizer, do resto do corpo que, na maioria delas parece gritar de tanta tensão e de tamanha rigidez! Confesso que no final do dia já me doíam os queixos... o que salvou as fotos desse dia tão marcante é que a Mariana tem uma relação muito especial com a câmara e parece brilhar na película roubando assim o olhar a tudo o resto que lá esteja impresso!!
Tirar fotos para documentos é outro dilema. Posar para a foto não é uma das minha virtudes e, das duas uma, ou fico com um ar demasiado sério e agressivo tipo presidiário ou terrorista procurado pelo FBI, ou pelo contrário fico com um ar descredibilizante de pateta-alegre. Sinceramente, prefiro o primeiro... A chatice está no facto de o fotógrafo nunca estar contente com a face que lhe apresento. "Levante o queixo... mais! Tá bom. Olhe ligeiramente para a direita... rode a cabeça não é só os olhos! Agora sorria... mais.... mais.... tá bom... menos, menos!! Oh..." e zás! tira a foto e manda imprimir porque está farto do meu ar parvo! Claro que acabo sempre por ter fotos com ar de esgazeado, ou de demente, ou de criminoso. A foto do meu cartão da ordem parece retirada de um qualquer noticiário onde se mostram fotos de islâmicos suspeitos de um atentado qualquer!
Na verdade minhas melhores fotos são os chamados "instantâneos" ou "momentos kodak" em que alguém dispara uma máquina sem aviso prévio! Por isso, eu até podia mostrar aqui algumas das minhas fotos mas, na verdade o ar de atrasado mental que as fotos me dão não faria jus aos textos de tão elevada eloquência que por aqui vou deixando...
SAY CHEEEEEEEESE!!!!
(também não resulta.... bah!)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sinto-me... revoltado.

Perdoem-me voltar a isto mas há cada vez menos pachorra para estas merdas! PUTA QUE PARIU OS CIGANOS!!! Não há um turno, UM, em que não haja qualquer tipo de atrito com esta gente. Gentinha mal-cheirosa, feia, desdentada, manipuladora, agressiva, criminosa, aldrabona, burra, ignorante, tacanha, histérica. Como numa matilha de animais selvagens juntam-se e urram, uivam e berram aos quatro ventos as suas desgraças que são sempre maiores que as dos outros. Fazem da ameaça o seu principal argumento, não aceitam nada que vá contra aquilo que eles entendem que deve ser. Trabalho num sítio implantado mesmo no meio de uma área de influência cigana. Cruzo-me com eles na rua, no café, à saída e à entrada do hospital. Já não os posso ver, sinceramente. Aquelas roupas pretas e encardidas de sujidade metem-me nojo, as mulheres casadas gordas, desdentadas e de corpo disforme repugnam-me, as solteiras, magras e com ar de puta étnica irritam-me, aos putos mal-educados, mimados e arruaceiros dá-me vontade de dar chapadas, os gipsy-teens arrogantes com ares de mafiosos controladores, não posso com eles e os velhos patriarcas armados ao quero-posso-e-mando não me inspiram propriamente sentimentos de ternura típica da terceira idade.
Podia aqui descrever imensas situações de conflito causadas por este grupo de gentalha inútil mas não vale a pena. Já tirei a raiva do sistema.
Que me desculpem a meia-dúzia de ciganos decentes que decerto existirá... eu não conheço é nenhum.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mamem a jarda "Movimentos Pró-Família Medievais e Homofóbicos"!

O Presidente da República acaba de assinar a Lei do Casamento Homossexual. Não poderia ser de outra maneira. Em primeiro lugar porque se trata de um direito fundamental de qualquer cidadão, o direito à plena partilha da sua vida com quem escolher. Em segundo lugar porque este assunto ocupou demasiado tempo da nossa vida política quando, na verdade é um assunto que nem sequer devia ser discutido porque, lá está tratava-se de um atropelo à liberdade fundamentado em argumentos no mínimo medievais. Logo, o PR não devia nem podia vetar a lei sob pena de levantar uma nuvem política mais cerrada que a nuvem do vulcão islandês cujonomeéimpossíveldepronunciar.
Estes argumentos são tão válidos hoje como eram quando Cavaco recebeu o diploma. Então porquê esticar o prazo quase até ao fim? Pois. Foi só Sua Santidade virar costas e toca a aprovar leis do demo... Onde é que já se viu, deixarem casar os paneleiros?!?! Só mesmo num estado laico como Portugal.

E eu nem sequer gostava de correr!

Quando comecei nesta história das corridas não esperava encontrar-me onde estou hoje! Andava num ginásio condicionado por um horário e não via grandes resultados. Depois, por acaso, comprei uns ténis Nike e descobri o sistema Nike+. Larguei o ginásio e comecei a correr.
A primeira corrida durou cerca de 2 km e estava exausto no fim! Caramba, eu nem gostava de correr e andava, feito artista, a correr pelas ruas circundantes á minha casa! Mas mantive-me firme nos meus propósitos: precisava de ficar em forma e de emagrecer! Ficar em forma porque o Gabriel ADORA correr, correr, correr e quando se cansa... repousa um pouco (uns 30 seg.!) e volta ás corridas e eu já não tinha "peito" para aguentar o ritmo e emagrecer porque, muito embora eu nunca tenha sido gordo, havia uma inestética barriguinha incómoda que teimava em não desaparecer! E digo "havia" porque ela foi-se! Hoje, cerca de 7 meses depois da minha primeira corrida perdi cerca de 6 quilos e corri já cerca de 570 km! Hoje a minha distância confortável são os 10 km que percorro sem sobressaltos e de forma confortável.
A corrida funciona hoje como um momento de escape. São cerca de 50 min em que sou apenas eu, o meu iPod e a estrada. E a estrada nunca se queixa! A estrada fica com todas as nossas frustrações e revoltas, o nosso stress e as nossas angustias. E está sempre lá para nós! Hoje olho para a estrada de uma maneira diferente, já não é apenas uma faixa que liga A a B. Hoje olho para a estrada e descubro muitas vezes novos percursos para correr e, a correr encontro coisas que nunca vi de dentro do carro. Corro pelos trilhos interiores da mata que contorno todos os dias no meu carro e não raras vezes há coelhos selvagens que correm à minha frente por uns metros para depois se esconderem nos arbustos. Corro por um trilho que fica entre a autoestrada A2 e a linha do comboio da ponte e ali, naquela faixa de terreno que não pertence a ninguém estou tão perto mas tão longe dos carros que aceleram e do barulho do comboio nos carris. Descobri que quando corremos tornamo-nos parte da paisagem. E percebi ainda que as distâncias somos nós que as fazemos! Que fazemos demasiados km de carro, que 5 km é já ali e que aquele sítio que julgávamos tão distante fica apenas a 3 km!
Mas, durante este mês descobri que a corrida não tem de ser um exercício solitário. Nos treinos Nike Running conheci outros corredores, a esmagadora maioria muito mais experientes que eu e facilmente entrei no grupo. Porque falamos a mesma linguagem, porque partilhamos experiências semelhantes e, de repente eis que dividimos as pessoas entre os que correm e os que não correm! Descobri que se pode partilhar uma corrida e que se corre mais e melhor quando alguém "puxa" por nós. E que não há limite de atletas no jogo das corridas! Na corrida não somos nós contra eles, sou eu contra mim próprio, contra as minhas limitações e com as minhas capacidades. Aqui não há erros de arbitragem, não há túneis, não há apitos dourados. Aqui ganha quem correr mais.
No próximo dia 30 vou participar na Corrida Novas Oportunidades. São os meus primeiros 10 km em prova. Objectivos? Dar o meu melhor e perceber qual é o meu lugar numa competição. Correr para ver! A longo prazo gostaria de correr a Meia-Maratona de Lisboa de 2011. Uns (ainda) inacessíveis 21 km! Mas, por outro lado, ainda só há sete meses eu achava que nunca correria os 10 km...
(Treino Nike Runnig de 15 de Maio de 2010, Praia da Cabana do Pescador, Costa da Caparica)



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Divagações não particularmente articuladas sobre a Igreja, o Papa e o poder da sugestão.

Como podem facilmente constatar pelo "cartoon" que serve de cabeçalho a esta página (Bill Watterson, és genial!) a minha relação com Deus é pautada por algum cepticismo. Não negando a Sua existência no essencial, não posso afirmar que sou um ateu empedernido e irredutível. Já houve tempos em que sim, em que era completamente descrente. O meu problema não é com Deus (enfim, chamo-lhe Deus por conveniência cultural mas poderia usar outro termo qualquer) mas sim com a sua Igreja. Quer-me parecer que, a existir um Deus, uma entidade superior que tudo rege e tudo domina, ele deve estar muito desiludido com a Igreja que, supostamente, ele próprio mandou fundar através do seu filho, Jesus. A primeira questão com que me deparo prende-se com o facto de Deus não ter mão nos seus cordeiros o que não abona muito em favor da sua publicitada omnipresença e omnipotência. Que Jesus tenha existido não me choca. Num tempo marcado pelo misticismo, pela ignorância, pela pobreza, pela doença e pela morte, era fácil a qualquer homem que dominasse a arte das palavras arregimentar seguidores, principalmente se esse homem não pedisse nada em troca a não ser Amor e Misericórdia. Os milagres? Enfim, quem conta um conto acrescenta um ponto e todos sabemos que o poder da sugestão é enorme. O resto é a história de um homem perseguido pelos poderes instalados por ser uma ameaça aos seus interesses. Nenhum filme ilustra melhor esta história que "A Paixão de Cristo". Esse é um filme não sobre Cristo em si mas acerca dos Homens através dele, de Jesus. E o que fizeram os Homens? Humilharam, bateram, torturaram. Quantos estavam, declaradamente ao lado de Jesus na hora da sua morte? Meia-dúzia deles. Eu saí da sala de cinema agoniado. Não pela violência gráfica montada por Mel Gibson mas antes pela visão das atrocidades cometidas pelos Homens que, sendo ficcionadas, têm sido repetidas ao longo da História.

O meu problema com a Igreja Católica é que ela, enquanto organização, não reflecte os valores que prega. Esta organização tem toda uma hierarquia rígida, regras apertadas e funciona com base em dogmas. E dogmas, por definição, não se discutem. Não existe ali espaço para a discussão, para o debate, para o crescimento com base no diálogo. Por muito que me digam que se fala e se dialoga muito o que eu vejo é que sim, há diálogo desde que a conclusão fique dentro dos limites impostos e da doutrina vigente. Todo o pensamento que está contaminado por uma determinada doutrina é limitado. Depois existem ainda as influencias mais ou menos conhecidas da Igreja em Governos, Empresas, na Política e na Economia. Enfim, a Igreja tem uma história rica em episódios de violência, traição, tortura, guerra, assassínio em massa. Sendo construída por homens e conduzida por homens, a Igreja é imperfeita tal como eles. Tal como nós.

Tenho acompanhado esta visita papal com o olhar dos críticos, confesso. Não condeno nem critico a fé dos milhares de peregrinos que têm seguido este Papa. O mesmo Papa que, quando designado foi tão criticado por muitos dos que agora o veneram. "Porque tem uma face fechada,. Porque não ri. Porque não beija o chão quando sai do avião. Porque usa sapatos Prada. Porque pertenceu à Juventude Hitleriana. Porque é muito conservador." Hoje ouvi uma senhora com ar embevecido de quem está em êxtase espiritual afirmar o seguinte: "Isto é lindo! Tudo é lindo! Eu não gostava deste Papa, não se ria, não era simpático. Mas hoje estive mesmo ao pé dele! Ele é lindo, é um grande Papa! Estou aqui (em Fátima) desde dia 11. Dormi aqui, não tenho vontade de sair daqui, não sinto a chuva! Estive ao pé deste Papa e ele tocou-me com o olhar." De facto, o poder da sugestão, aliado a um elemento cénico e gráfico muito forte, pode mudar muito as opiniões das massas. E operar milagres.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Afinal...


... o Marylin Manson também tem mamas.

Separados à nascença...


Marylin Manson com mamas.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Padeira que era Exorcista em part-time.

Todo este ambiente de fé e crença no Altíssimo (cada vez que ouço este adjectivo só me lembro do Bruno Nogueira...) relembrou-me da minha infância, carregadinha de símbolos e locais do Cristianismo. Mas nenhum episódio dentro deste espírito é mais estranho do que um em particular que, por mero acaso se passou numa i... padaria!
Não era bem uma padaria, apenas um pequeno cubículo no rés-do-chão de uma habitação normal de igreja que distribuía o pão trazido pelo padeiro. Mesmo em frente À minha casa. A Dona Aninhas era (é, que a senhora ainda não morreu!) que voluntariosamente se ofereceu para me curar de um mal que me tinha acometido há vários dias e que não havia meio de me largar. Era um areijo levado do Diabo! Ora, para quem não saiba, o "areijo" é uma infecção da mucosa dos lábios que ocorre por desidratação destes mas que é perfeitamente inofensiva, desde que tomadas as medidas de higiene adequadas. A D. Aninhas estava convencida que era um areijo diabólico e disso conseguiu convencer a minha mãe que me entregou nas mãos daquela senhora para um ritual que só pode ser descrito de uma forma: exorcismo. Amador, é certo mas exorcismo ainda assim.
E assim, sem mais nem menos, dou por mim fechado no cubículo do pão, num ambiente bruxeleante onde a única luz era uma pequena vela onde existia ainda uma daquelas figuras de Nª Sra. de Fátima fluorescentes! Eu tinha uma dessas no meu quarto e tinha arrepios de medo só de olhar para ela, brilhando naquele verde berrante e só conseguia adormecer quando espetava com ela debaixo da cama. A D. Aninhas saca da faca do pão, com a lâmina curva de cortar a dura côdea do pão de centeio e aponta-a para mim! Julgo que pensei em dar-lhe um pontapé e fugir, pensando que ela me ia erradicar o mal à facada mas não. Começou a rezar e a desenhar cruzes na atmosfera, mesmo em frente ao meu nariz...
"Pai nosso que estais no céu.... Avé maria cheia de graça.... Hossana nas alturas... cordeiro de deus...." Ela bichanava as orações enquanto brandia a faca, de olhos fechados. Sempre me impressionou nas missas o facto de os fiéis bichanarem as orações! E que fechem os olhos também. Para mim era bom porque, em não sabendo as orações de cor sempre podia cerrar os olhos cerimoniosamente de ir fazendo "bchhh bchhh bchhh" e no final "Amén", mais uma benzedura e pronto! Ela bichanava e eu lembro-me de estar cheio de fome porque o ritual tinha que ser feito com não-sei-quantas horas de jejum e logo pela manhã. O cheiro do pão fresquinho que moldaava a atmosfera não ajudava a que me mantivesse concentrado nas orações e a pensar "Sai do meu corpo Diabo, sai do meu corpo!" conforme as instruções da exorcista-padeira. Portanto olhava para a Virgem Glam-Rock-Fluorescente e tentava encontrar concentração aí mas, nessa altura dava uma série de ET's na TV em que eles eram assim, verdes, e ficava logo com receio de ser atacado. Com as bolinhas de água, os pães de mistura, as carcaças, o pão de milho e a broa de centeio ali, à mão de semear, a minha barriga comandava a minha mente! E a senhora lá continuava "Pai nosso bchh bchhh bchhh... Avé Maria bchh bchh bchhh..." e eu com uma larica do caraças. Juro que a Virgem se riu maquiavelicamente para mim e a imagem de Cristo pregada na cruz, na parede, me fez um "thumbs-up"!
A D. Aninhas abrandou o ritmo e eu fechei os olhos com força e forcei-me por simular um despertar calmo de um transe intenso "Sai do meu corpo Diabo, sai do meu corpo!", bichanei de forma perceptível. A senhora libertou-me, visivelmente satisfeita com o seu trabalho. Tomei o pequeno-almoço e depois pedi à minha mãe para me comprar uma pomada.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Santa Paciência!

Quem atravessa a Ponte 25 de Abril em direcção a Almada não pode deixar de notar o enorme cartaz com a foto de Bento XI e o agradecimento em letras garrafais: "Obrigado Santo Padre!". Eu pergunto-me: obrigado porque? A resposta mais fácil e brejeira será: pelas tolerâncias. Mas só alguém muito desatento ou despreocupado fica contente com as folguitas abençoadas. E não estamos em tempo de folga e de gastar dinheiro. E quanto dinheiro se vai gastar com a presença do Ratzinger? Muito. Entre os gastos com a segurança do senhor, com os reboques dos carros estacionados no seu itinerário e a limpeza e obras para que as cidades fiquem mais bonitas, devem ser uns milhões! O que mais me choca (e já aqui falei disso) é a colocação de fragatas da Marinha de Guerra no Tejo e de mísseis do Exército em Fátima! Alguém acha que, a haver um atentado ele vai ocorrer por mar ou ar? É estúpido e típico de um país que gosta de mostrar o que não tem, que gosta de passar por rico, que aprecia a grandiosidade inútil em vez da eficiente discrição. Tudo isto num país cujo estado é laico...
Por isso, agradecer o quê? A inutilidade da sua acção no panorama mundial? O envolvimento inegável (ainda que na forma de encobrimento) em abusos sexuais de menores que ocorreram (ocorrem?) durante décadas? O conservadorismo e radicalismo como tem conduzido o Vaticano? É este endeusamento de um homem, um alemão de 80 anos que foi criado e formatado pela Juventude Hitleriana e que, muito embora isso até fosse normal para as crianças alemãs daquele tempo, não se pode negar a doutrina a que ele foi sujeito que me irrita. Ele é que devia agradecer ao povo português pela recepção, pelo seguimento cego que os católicos ainda lhe devotam, pelos gastos desnecessários que a sua visita acarreta. Mas são assim os portugueses e os católicos... se consideram alguém como superior a si mesmos rebaixam-se e submetem-se. É isso o Fado.
Voltando à foto gigante do Ratzinger: o homem tem um ar maquiavélico... brrrr!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bom negócio!

Encontrei este anúncio na net e acho que podem estar interessados. Bons negócios!

E, por falar em elogio...

... já repararam que o bonequinho está eufórico? Pois é, 524 km dá pra isso...

Concepções erróneas de quem não pensa...*

A conversa decorria entre duas mulheres desimpedidas (nem marido nem filhos) na sala de trabalho do hospital. O tema era, claro está, homens! Pareciam concordar nas características do macho: bonito mas não modelo, bem formado, bom emprego, bom na cama e... sem filhos. Uma delas sai-se com esta afirmação: "E aqueles homens, pais-babados a correr e a saltar com os filhos nos parques e nos jardins? Cortem-me os pulsos... até podem ser giros mas os filhos cortam todo o interesse!!!". E, na verdade apeteceu-me cortar-lhe os pulsos. Literalmente.
A descrição das brincadeiras no parque com o filho serviu-me na perfeição. Francamente! Mas o que estas mulheres parecem não perceber é o seguinte: anda um homem a correr e a exercitar-se para poder aguentar o ritmo do filho, deixa de se cansar tão facilmente, corre e salta e rebola pela relva, joga ás apanhadas e escondidas, á bola e anda de bicicleta, trepa às árvores, dá cambalhotas e com isso torna-se num verdadeiro atleta, perde uns consideráveis quilos que tinha a mais, tonifica o corpinho e tem energia para, além de acompanhar o filho, manter-se activo no resto das actividades diárias!
Quer-me parecer que quem mais perde são elas...
(*ou, um exercício mental de pura imodéstia e auto-elogio.)

domingo, 2 de maio de 2010

Ele é nosso doente há anos. Um ex-combatente endinheirado, bon-vivant, amigo dos copos e petiscos. Diabético, com insuficiência cardíaca e com um fígado já a queixar-se dos excessos comensais, saía e entrava do serviço regularmente. Vinha ter connosco quando estava à rasca mas, mesmo ainda antes de sair das portas do serviço já ia a combinar um petisco ou uma mariscada com um qualquer companheiro! Uma vez disse-me, em resposta a um aviso meu: "Sr. Enfermeiro, já vivi o que tinha a viver, os meus filhos estão bem, deixo-lhes muito dinheiro. Restam-me os momentos com os meus amigos. Deixem-me viver bem o que me resta!". E hoje cá está ele, deitado numa cama, pálido, com dificuldade em respirar, o coração a falhar. A hora dele chegou.
É um velho conhecido do nosso serviço, alguém que conhecemos no seu auge, independente, lúcido, divertido, camarada. Um colega dizia-me ontem que esperava que a sua morte não acontecesse num dos seus turnos. Os olhos do meu colega não mentiam. Hoje uma auxiliar chorou junto á cama, mão na mão com ele. Na verdade, este doente marcou algumas pessoas daqui. E eu?
Eu sabia que este era o desfecho que o esperava quando o recebi. Cansado, velho e quebrado. Desorientado e agressivo, estava longe do homem alto, garboso e imponente que tinha sido. Vi-o a afundar-se naquela cama e estou aqui hoje vendo-o em períodos de apneia cada vez maiores. E sinto-me como uma parede emocional. Em contraponto aos meus colegas não me sinto triste ou revoltado, nem sequer angustiado com a sua morte. Sinto por ele o mesmo que por outros doentes menos conhecidos. Uma tristeza pelo sofrimento por que sei que eles estão a passar, mas não pela pessoa em si. E esta aparente frieza de emoções preocupa-me por vezes pois preocupo-me com os meus doentes. Apenas não sou capaz de chorar por eles, chorar a sua morte, a perda.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Eu tenho dois alunos...

...que em nada são iguais! E tem sido este o meu maior desafio na orientação desses miúdos (19 e 20 anos!). Enquanto um deles é reservado, inseguro e com alguma falta de auto-estima mas, no entanto, trabalhador e aplicado, o outro é expansivo e perspicaz e trabalha muito no improviso, entendendo muito bem os sinais que recebe! Os dois propõem situações bem diferentes mas igualmente desafiadoras e a abordagem tem de ser necessariamente diferente para cada um deles.
Na verdade eu preocupo-me com eles, com os seus resultados. Em parte porque o resultado deles ao final das 8 semanas de estágio reflecte aquilo que eu fui capaz de lhes oferecer mas também porque considero que este é um estágio em que eles têm todas as condições de evoluir. Cada um deles tem um doente atribuído e é responsável pelos cuidados a esse doente, o que dá "pano para mangas" e colaboram comigo nos restantes doentes do serviço. Isso faz-me evoluir também na medida em que eles me dão uma outra visão sobre os cuidados. Porque aprendem hoje novos paradigmas e classificações, porque me fazem relembrar os conhecimentos-base que sustentam a nossa prática e porque me obrigam a ir estudar para me manter ao nível que eles exigem.
Esta coisa de ser orientador, apesar de nos oferecer algum trabalho ao qual não estamos habituados, é muito interessante de se fazer. A ideia não é sermos professores, não no sentido clássico do termo! Essa função fica para os docentes da escola. A nós cabe-nos fazer a ponte entre o teórico e o prático, a operacionalização do que vem descrito nos livros que na maior parte das vezes, não é exequível! Nós lidamos com a situação real, em que o teórico nem sempre funciona como está descrito nos manuais. Nós podemos colocar os alunos em situações problemáticas reais e eles podem lidar com todas as limitações que uma situação real nos coloca. Nós podemos colocar os alunos a pensar. Porque a Escola não nos ensina a pensar, antes a memorizar.
Que os meus alunos tenham sucesso neste estágio é o que desejo mas, mais que isso, desejo que no próximo estágio eles sejam ainda melhores graças ao que aprenderam neste!

Flagelo Feminino.

Na minha linha de trabalho deparo-me muitas vezes com um flagelo feminino que não é devidamente valorizado. Uma trágica situação feminina ao nível da burka, da não-emancipação da mulher, da desvalorização social feminina: refiro-me obviamente às unhas fracturadas!
Recebo muitas mulheres em desespero por terem partido ou arrancado (total ou parcialmente) acidentalmente uma das suas arranjadas unhas. E fico com o coração partido... É que não é sensação mais cortante que receber uma histérica mulher em brados lancinantes pela terrível alteração da sua imagem corporal. É algo que não escolhe idade nem condição social, não distingue entre beleza e fealdade, entre elegantes e matrafonas. Simplesmente acontece.
Este é um problema que me toca particularmente porque eu gosto de unhas arranjadas nas mulheres. De preferência naturais, com uma cor apenas e não muito mais compridas que a extremidade dos dedos. Discretas portanto. Uma bela unha natural bem tratada e saudável é bem mais excitante que a espanpanante unhaca de gel!! O problema da unhaca de gel é que veio democratizar e, eu diria, até descredibilizar a unha atraente como símbolo de uma mulher elegante. O que é que isto quer dizer? Que agora qualquer matrafona me aparece com uma unhaca de 10 cm onde mandam desenhar verdadeiros vitrais manuelinos. E são estas matrafonas que partem as unhas e que entram por aqui aos urros! Porque as usam demasiado compridas e porque, normalmente têm empregos primários na área da prestação de serviços de limpeza, alimentação, jardinagem, etc. O que não quer dizer que não possam usar unha arranjada mas... há coisas que não combinam! Hoje, por exemplo tive duas clientes com problemas do foro ungueal: uma era desdentada e outra cheirava mal! Não bate a bota com a perdigota! Existem aquela com enooooormes unhas gritantes de cor, cabelo apanhado, enooormes argolas nas orelhas, tops apertados que revelam a lingerie, gangas gastas e apertadas até ao osso e botas pretas de cano alto e stilletto de 15 cm: também não resulta! Urge avisar essas mulheres que há coisas que não são para elas e que as unhas não são fresas para lavrar a terra e, logo, não precisam de tanto comprimento.
E este é o verdadeiro flagelo! Porque a unha arranjada não é um mero acessório de moda! É antes um símbolo de classe, de elegância, de beleza que nem todas as mulheres sabem ou podem aspirar a ter...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Papa Bélico.

Leio hoje no sempre insuspeito e imparcial Correio da Manhã que o Santíssimo Padre Bento XI, a.k.a. Cardeal Ratzinger, estará protegido em Fátima por várias baterias de misseis terra-ar do Exército e em Lisboa por fragatas da Marinha que estarão no rio Tejo.
Ora, isto faz-me muita confusão mental pois misturar cerimónias religiosas com artilharia pesada é algo que não bate... é como comer sardinha assada e beber coca-cola! Não resulta. Para quem tem por missão a conciliação entre os povos e transmite uma mensagem de paz... Que ele ande lá no Papamobile com vidros blindados até percebo, porque maluquinhos há em todo lado e sempre são uns milhares para vigiar, agora MISSEIS?!?! Não tarda vamos começar a ter cristãos-bomba que, em vez das tradicionais velas de cera vão para Fátima com velas de dinamite.
Parece que a Protecção Divina andas pelas ruas da amargura e já não dá garantias...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Elogio à Mediocridade.

Quando toda a gente fala do "Achas Que Sabes Dançar?" e dos seus cromos, eu não consigo deixar de pensar (uma e outra vez, sempre que há um "realtity show" ou um concurso de busca de talentos) que neste país se premeia a mediocridade.

Hoje, no programa da manhã da SIC, entrevistava-se um dos cromos do programa de dança. No casting ele fez figura de urso, fez perder o tempo do júri e dos concorrentes que realmente sabiam dançar , foi naturalmente eliminado mas saiu de lá convencido que era o melhor. E, no entanto, lá andava ele a arrastar-se pelo chão do estúdio da SIC para gáudio do público e dos apresentadores.

Entristece-me que alimentem as ilusões dessas pessoas que algum trauma psiquiátrico devem ter, entristece-me que alguém se divirta com as figuras tristes dos outros mas, acima de tudo, entristece-me que se faça o Elogio da Incompetência. Alguém vê entrevistas de gente que persegue o seu sonho desde criança, que é de facto bom naquilo que faz e que trabalha todos os dias mas que não tem oportunidades para mostrar o seu talento? Não. O que interessa é que sejamos o entretém da malta. Isto explica em parte o fracasso deste país: o Elogio à Mediocridade.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Depois do Luto...

...pela abrupta perda do meu companheiro de corrida, o meu iPod, posso agora falar sobre o contexto em que se deu o trágico acidente! A Nike organiza treinos livres de corrida, com a presença de monitores e de atletas profissionais. Depois de alguns meses em Lisboa chegou a vez da margem sul! O encontro foi no Almada Fórum, na loja The Athlete's Foot, onde pudemos escolher os ténis que gostaríamos de experimentar no treino! Assim uma espécie de test-drive dos topo-de-gama da Nike Running!
Seguimos depois para o Parque da Paz (um enorme parque verde no coração de Almada, mesmo ao pé do Almada Fórum e da A2) já em passo de corrida. Bom tempo, ténis fantásticos nos pés (quero!!) e um ritmo de corrida bem lançado e... eis que subitamente o grupo está reduzido a umas 7 pessoas, num total de 20!!! Enfim, as pessoas tendem a ter expectativas optimistas acerca da sua forma física e a maioria resolveu que estaria pronta para o grupo intermédio (eram três: iniciados, intermédio e profissionais) quando eram, na verdade meros iniciados!! Ainda pensei ir com os pro's mas pensei que 8 meses de corrida ainda não são suficiente para aguentar o ritmo de um profissional como o Rui Silva!!
No final ofereceram águinha fresca, Isostar e fruta e fiz ainda uma análise biomecânica da minha passada em corrida. Fiquei contente por saber que a minha é uma passada neutra, logo menos propensa a lesões!!

Mas deixo as imagens falarem por mim!!
Inscrição e escolha dos ténis a experimentar!

Admirando o meu belo... par de ténis novos!!

Em plena rotação!

Estica! Esticaa!!

No próximo sábado, dia 1 de Maio, mais um treino! Apareçam!

sábado, 24 de abril de 2010

Triste...

Perdi o meu iPod.... a minha companhia de tantos quilómetros e tantas corridas... o meu confidente silencioso... o meu principal motivador quando o corpo já não queria mais...

Agora preciso de um novo companheiro. Alguém tem um iPod Nano que não use e que queira vender? Alguém me quer devolver a felicidade?

Anyone?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Existe uma Resposta Correcta?

Como é que se diz a alguém "A sua mãe vai morrer. Pode ser hoje ou na próxima semana, mas vai morrer nos próximos dias."? Assim, de uma forma crua e desprovida de "amortecedores" emocionais ou de uma maneira subtil, indirecta, subentendida?
Nos últimos dias tenho acompanhado a evolução de uma senhora de oitenta-e-muitos com um tumor cerebral. Ele tem sido uma companhia incómoda mas inofensiva nos últimos anos mas resolveu manifestar-se. A evolução destes casos costuma ter uma história e um desfecho conhecidos. Esta senhora é a matriarca de uma família diferenciada, educada, brasonada. E, desde o início os filhos indagam acerca da evolução deste caso. E nós, enfermeiros, lá vamos dizendo que é sempre impossível fazer previsões e que até pode acontecer uma recuperação mas que, a nossa experiência nos diz que o final estará próximo. E eles, dia após dia, turno após turno lá perguntam "E como está a minha mãe hoje?". E ela lá está, deitada, edemaciada, entubada, com bombas e monitores á volta da cama, a respiração cada vez mais difícil. Volto a explicar, como tantas vezes antes, que o prognóstico não é bom, que devem preparar-se para o pior. "E as análises estão boas? Não fazem outra TAC?" e eu explico que neste momento as nossas preocupações se situam ao nível do conforto, alimentação e controlo da dor da senhora. Se eles compreenderam a mensagem? Não me parece. Desisto e remeto-os para o médico enquanto eles insistem em saber os resultados das últimas análises. E é cada vez mais claro que estas pessoas não estão preparadas para a perda que lhes surge no caminho.
Um caso semelhante, uma esposa que ansiosamente esperava pelo regresso do marido da luta com uma dessas doenças que, mais cedo ou mais tarde acabam por ganhar o duelo. O homem estava mal, muito mal mesmo e o ar que se respirava no quarto estava impregnado de morte. A mesma questão de sempre "O que estão a fazer para salvar o meu marido", "Ele abriu os olhos", A mão dele chamou-me" numa ansiedade regada a lágrimas e desespero. O senhor estava agónico há dias e era penoso para todos vê-lo assim. Menos para ela, aparentemente. "Compreenda que o seu marido está a sofrer. Olhe para ele, olhe. Não há nada mais que possamos fazer..." e sou interrompido pelo filho de ambos, sempre calado e reservado "O que o Enfermeiro quer dizer Mãe, é que o pai vai morrer esta noite. Não é isso Sr. Enfermeiro?", "Nesta noite, amanhã de manhã quem sabe? Mas sim, o senhor vai morrer." Foi a primeira vez que disse essa frase a alguém de forma tão directa. O senhor morreu comigo nessa noite.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Apologia do Vício.

Há algum tempo atrás deparei-me com este texto, extremamente bem escrito e fundamentado e que faz a apologia dos fumadores. Saliento desde já que não sou nem pretendo ser um fundamentalista anti-tabaco, que de fanatismos está o mundo farto e já não há pachorra! No entanto...
Não posso dizer que nunca fumei. Fi-lo aliás, numa época da nossa juventude em que todos o fazemos por umas ou outras razões: porque dá estilo, um ar rebelde e revoltado, porque queremos impressionar alguém. Mas foi coisa que não durou. A Lei do Tabaco aprovada há não muitos anos atrás veio repor alguma justiça na utilização de espaços públicos. Antes dela era virtualmente impossível comer um pastel de nata e beber um café sem assassinar uns milhões de células pulmonares e fumar, passivamente, o equivalente a vários cigarros. Porque, antes desta súbita demonização do tabaco, havia um certo sentimento de "se-não-estás-bem-muda-te" por parte dos fumadores em relação aos não-fumadores. Lembro-me de estar a receber ou a passar o turno no hospital envolto numa fumarada pior do que a do vulcão islandês! E nessa altura já era proibido fumar nos hospitais!! Mas havia sempre a "sala de fumo" e um sentimento de impunidade e, já agora, de "ai que chato este gajo que não deixa fumar um cigarrinho descansados"! Hoje o ar é limpo nos hospitais e outros locais públicos e todos podemos escolher bares e cafés livres ou não de fumo. E assim é que se está bem pois ninguém se pode queixar de discriminação!
Abordada que está a questão do fumo em espaços públicos, chega a hora de desconstruir uma certa ideia instalada de que "o que faço em minha casa só a mim diz respeito!". Porque o acto de fumar acarreta com ele consequências graves, não só para o indivíduo que fuma mas também para a Sociedade. Está mais que estudado e divulgado o efeito do tabaco na saúde de quem fuma. E também está calculado o que se gasta com os tratamentos de doenças relacionadas com o consumo de tabaco. Os fumadores dirão que descontam para a Seg. Social mas isso também os não fumadores e se, como se costuma dizer, vícios não se pagam a ninguém penso que não devemos pagar os tratamentos decorrentes desses vícios. E, acreditem, o que se desconta numa vida de trabalho não chega para pagar esses tratamentos! "Morrer ou ficar gravemente doente também posso ficar se, ao sair de casa for atropelado!", este argumento, muitas vezes usados pelos fumadores, rebate-se apenas pelo facto de o atropelamento, neste exemplo, ser algo acidental enquanto que uma doença pulmonar num fumador será tudo menos acidental! Que direito terá um fumador com uma doença pulmonar grave a um transplante pulmonar? Se foi alguém que durante anos assassinou os seus pulmões? O mesmo se aplica a outros vícios, como o álcool. Que direito terá alguém que bebeu durante décadas a um fígado novo, se em consciência destruiu o seu próprio fígado?
Penso que aqui o problema se coloca ao nível social, mais uma vez. É que, por razões históricas, drogas como o tabaco e o álcool são consumidos livremente mesmo sabendo-se dos seus malefícios. Pergunta: se o ópio, a heroína, a coca, o haxixe tivessem o mesmo percurso histórico seriam hoje drogas socialmente aceites? E se fossem liberalizadas e o seu cultivo e distribuição fossem regulamentados e taxados (como é o tabaco), existiria a criminalidade associada ao consumo? Nas épocas em que álcool e tabaco foram proibidos (Lei Seca, por exemplo) o preço e taxa de consumo subiram consideravelmente! Mas isso seria uma outra discussão...
Enfim, são apenas considerações e perguntas retóricas mas que podem servir para que os fumadores compreendam que, por muito que afirmem que esse é um problema que só a eles lhes diz respeito, o certo é que isso não é exactamente verdade!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vendas Agressivas.

"Adoro esses ratos de esgoto
Que disfarçam ao pilar
Como se fossem mafiosos convictos
Habituados a controlar"

Reconhecem estas palavras? O Reininho é que sabe! Cada vez que ouço este belo poema musicado pelos GNR não consigo deixar de me lembrar de um grupo de profissionais que saltita pelos hospitais: os Delegados de Informação Médica! E como me irritam esses seres...

Elas são normalmente bonitas e elegantes ou, no mínimo com boa presença e Eles sempre no seu fato impecavelmente engomado e sapatos engraxados. Na verdade, o pomposo nome Delegado de Informação Médica é sinónimo de Vendedor. Porque, na prática é isso que eles fazem, tentam vender um produto. É uma profissão tão honrada como qualquer outra. O que me irrita nestes vendedores, como aliás nos outros vendedores porta-a-porta, é a sua insistência e a sua postura de... fuinhas. A melhor imagem que encontro é a das suricatas. Sabem, aquele bichinho tipo rato do deserto que espera pela melhor oportunidade para ir arranjar comida? É mais ou menos.

Na prática: numa Urgência os médicos devem estar a observar doentes. Certo. Não devem pois ser incomodados por alguém que lhes queira impingir algo! Certo. A Administração proíbe que os Vendedores visitem os Médicos na Urgência. Certo. Os vendedores contornam a Urgência e vigiam, quais abutres, a saída interior da Urgência que dá acesso à zona reservada a profissionais. Na verdade, é a táctica de "incomodar até à exaustão". Já nas enfermarias têm de ser corridos dos corredores várias vezes, incomodando quem tenta trabalhar e só se retiram quando chegam à fala com o médico. Saliento que existem normas que estes seres devem cumprir mas isso...

Mas o pior é que não se trata de convencer os médicos que o produto deles é o melhor. É antes COMPRAR o médico! E isso foi claramente exposto pelo famoso "congresso" na Tailândia onde os Drs. andavam a brincar aos piratas! Expliquem-me como é que o acto de trazer o jantar aos médicos todas as noites (com o devido cartão da empresa colado nas caixas) contribui para o facto de o médico perceber a eficácia do medicamento em causa? Que lhes entreguem toneladas de tralha publicitaria como canetas, blocos de notas, tapetes para ratos, calendários de mesa, agendas, pen usb, sacos térmicos, clips, marcadores, etc., etc., etc., só me preocupa porque isso vai tudo parar ao lixo sem ser separado! Mas quando uma empresa farmacêutica descobre que um médico tem o carro na oficina e prontamente se oferece para lhe "emprestar" um carro ou quando outra empresa desse tipo oferece a uma médica electrodomésticos para a sua nova casa, algo se passa.

Mas pronto. É o mundo em que vivemos. O que me irrita mesmo é aquela postura fuinha, manipuladora, pretensamente submissa que serve mais a vendedores de aspiradores e de banha-da-cobra do que a Delegados. Mas um vendedor será sempre um Vendedor.

terça-feira, 20 de abril de 2010

S.O.S.

SOCORRO!
SOCORRO!
A minha existência, inteligência, sanidade mental e o meu TEMPO (oh! precioso tempo!) estão a ser sugadas por projectos-de-enfermeiros ansiosos, apelativos, inseguros!!!
HEEEEEEELPPP!!!
(suspiro)
(agora que já desabafei e respirei um pouco vou voltar para a sala e tentar, tentar digo-vos eu!, ajudar a que eles aprendam alguma coisinha...)

domingo, 18 de abril de 2010

O que sabemos quando temos 20 anos?*

Em conversa com uns das minhas alunas descubro que a Enfermagem foi uma das opções num leque que também incluía a Arquitetura. Ou seja, como ela própria admitiu, havia uma vasta área de interesses e calhou Enfermagem! O que me desespera é como miúdos de 20 anos se enfiam num curso que está entupidíssimo, onde não há emprego para todos, onde as privadas dominam e que não tem futuro como carreira! Que me desculpem os meus colegas mas temo que a Enfermagem venha a tornar-se cada vez mais aquilo que era nos anos 50 (meros aplicadores de técnicas sem autonomia) do que aquele futuro brilhante e independente que nos pintam no curso. A diferença está no facto de que hoje nos obrigam a estudar durante 4 anos.
Visões fatalistas à parte, o certo é que esta aluna de quem vos falo tem a noção exacta da situação dos enfermeiros em Portugal e, mesmo assim, insiste em completar o curso. Calculo que sinta o mesmo que senti quando iniciei o meu próprio curso: "Quando chegar a minha vez as coisas estarão melhores e eu farei tudo para que isso aconteça!". Optimismo ou ingenuidade? Decidam vocês. Eu, no que me diz respeito se soubesse o que sei hoje (céus, como detesto esta expressão!) teria escolhido outra vida, outro emprego, outra área de trabalho. Mas, enfim, a vida empurra-nos e pressiona e somos forçados a tomar decisões importantes demasiado cedo! Afinal, o que sabemos da vida aos vinte anos? Dos nossos interesses profissionais, daquilo em que gostaríamos de trabalhar o resto da vida? Nada. Eu, pelo menos, não sabia!
E hoje? Hoje não desgosto do meu trabalho mas consigo imaginar-me a fazer outras coisas... No futuro pretendo dar aos meus filhos as ferramentas que lhes permitam escolher com a maior consciência possível das sua opção: tempo e uma visão o mais global possível daquilo que é o mundo no seu tempo. Se eu posso mudar de vida? Posso. E mais cedo do que muitos imaginam.
*Ou, "A minha desilusão com a Enfermagem."

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Memórias...

Acabo de ver uma senhora que, por acaso, é professora primária. Estava ela guiando os nossos futuros primeiros-ministros, cientistas e génios em geral quando se apodera dela um grande mal das professoras primárias: a macacoa!
Não sei se têm esse conceito mas eu divido as professoras primárias em dois grandes grupos: as professoras calmas, meiguinhas, que falam sempre docemente com os seus meninos e os guiam através do carinho e as outras, as loucas desgrenhadas que falam aos guinchos estridentes e que guiam os alunos como um rebanho de gado: aos berros e ao chicote. Não sei porquê (talvez pelos cabelos desgrenhados, a maquiagem exagerada e o discurso histérico?) julgo que esta senhora pertence ao segundo grupo. E mais certo disso fiquei quando a senhora afirma que os seus alunos estão sossegados na sala de aula sem a supervisão de um adulto, enquanto ela está deitada numa maca de hospital de seios desnudados enquanto um jovem e bem-parecido enfermeiro lhe faz um ECG! Custa-me a acreditar. Porquê? Bem, porque são crianças!! Do 4º ano, logo devem ter uns 10 anos! Quantos grupos de crianças com 10 anos vocês conhecem que ficam sossegados numa sala de aula sem a presença do professor? Pois. Mas a senhora professora assegura-me que sim! E isso, numa espécie de visão do Eli Stone, transporta-me à minha infância...
Estou agora na antiga escola primária. Invade-me o cheiro a madeira corroída pelas traças misturado com o pó que nunca se conseguia limpar. Sinto a madeira polida pelos anos e anos de uso daquelas carteiras do tempo da outra senhora. Nas paredes temos mapas de Portugal e do corpo humano, alguns trabalhos e um enorme crucifixo com um Cristo de olhar esgazeado que me metia sempre medo. Aliás, ainda me assusta hoje! E lá está Ela. O seu cabelo desmazelado ergue-se em direcção ao tecto e tem a forma de um enorme ananás, os lábios pintados num vermelho escarlate gritante, os olhos delineados com um negro profundo, gorda com enormes mamas que apoia (com alívio!) em cima da sua enorme secretária. Está possessa e guincha como um porco prestes a ser sangrado. Enormes perdigotos saltam da sua boca em direcção ao menino que se encolhe à sua frente! Levanta-se e dirige-se ao canto da sala... NÃO! Paramos todos de respirar, o ar fica pesado, uma menina soluça na fila da frente. A gorda dirige-se ao armário do canto e agarra, triunfante!, no objecto do seu desejo, do seu prazer! A Régua... um cabo robusto e grosso subtilmente fálico que ela agarra com deleite que culmina numa enorme bolacha perfurada. Ela vira-se lentamente com um sorriso raro nos lábios e, num breve instante consigo vê-la lamber os lábios... Arrasta-a a sua enorme e flácida carcaça em direcção ao menino que, instintivamente estica um braço enquanto fecha os olhos e encolhe o resto do corpo. Ela agarra a mão dele gentilmente, num gesto quase carinhoso, eleva a Régua e....
Volto a realidade, na minha sala de tratamentos. A Professora discorre sobre como os seus alunos já a conhecem, como ela os "educou" e como eles são meninos aplicados e disciplinados. Sinto um arrepio na espinha e dou por mim a esconder as minhas mãos atrás das costas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Chamem-lhe o que quiserem

...mas o certo é que estou com uma espécie de "bloqueio criativo" típico dos artistas. Enfim, está tudo bem, o Gabriel está fervilhante de energia, a Mariana e a sua barriga nem tanto e o David está a desenvolver bem na sua piscina de água quente com serviço personalizado. Tenho tido ideias para belos textos, ideias que seria normalmente capaz de desenvolver com alguma facilidade mas, na hora da verdade... NADA! Não me sai nada desta cabecinha oca.
Continuo a correr, cada vez mais, cada dia com mais prazer! Parece que ultimamente só me interesso por isso, além claro dos dias com a família, pela corrida. Aqueles cerca de 50 minutos que passo na estrada são uma espécie de "zona sagrada" onde sou só eu, a estrada e os meus pensamentos. E não sei se são as endorfinas mas tenho pensamentos bem marados nessa altura! E, numa dessas alturas percebi: existe algo, uma certa energia negativa com quem me tenho degladiado nos últimos dias. Uma sombra, uma sensação fria no estômago, uma ânsia. Enfim, algo que eu reconheço de fases menos boas da minha vida. Se algo está mal? Não, pelo contrário tenho vivido dos dias mais alegres da minha vida mas julgo que se trata de uma ansiedade por antecipação. Por algo que só acontecerá dentro de alguns meses (e não, não é o nascimento do David) e que coloca toda a minha (nossa) vida em jogo. É algo que todos ansiamos.
No plano profissional, same old same old, os mesmos problemas, as mesmas pessoas, as mesmas rotinas. Sinto que o barco vai abanar em breve mas tenho-me preparado. Contudo, misteriosos caminhos, eis que me dão a responsabilidade de orientar dois alunos em estágio até ao próximo mês de Junho! Nada mau, nada mau! Além de quebrar a rotina talvez forneça histórias giras para escrever aqui no blog!
Resumindo, meus amigos: está tudo bem, o puto ainda não nasceu (semana 28 e a contar!) e não estou deprimido. Há apenas uma porcaria qualquer que me empena as engrenagens! See you soon...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Procrastinando...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Em branco.

Clico no link para o Internet Explorer.

Favoritos.

Painel do Blogger.

Cheirinho a Éter: nova mensagem.
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Frustrado olho para o fino cursor negro que pisca irritantemente no enorme espaço branco.
Em branco.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tenho andado desaparecido não é? Pois.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Livro Amarelo.

Não deixo de encarar o Livro Amarelo como um excelente indicador do nível de literacia e de formação cívica dos cidadãos que esta instituição serve. As pessoas não sabem escrever. A ortografia é deplorável e pobre, a caligrafia pueril (estou a ser simpático) e a construção do texto é inexistente. São pessoas de uma condição sócio-económica baixa.
Contudo, essa condição não é desculpa para o comportamento de alguns (muitos) utentes. Agressivos, ofensivos, ameaçadores. Lamento mas não tenho pachorra para isso. O que me enerva é que, enquanto essas bestas me chamam todos os nomes e mais algum e me ameaçam verbal e fisicamente e depois vão escrever (?) no livro amarelo, eu e os meus colegas temos que refrear os nossos impulsos mais primitivos de lhes fazer engolir os dentes todos (os que os têm) e de lhes pregar com os cornos numa parede, pois isso seria o fim da nossa carreira.
Se chamar a polícia é manifestamente exagerado numa situação dessas e os desgraçados dos agentes da autoridade já têm muito para onde se virar, não seria mal-pensado a criação de um livro amarelo dos profissionais onde pudéssemos explanar as nossas reclamações que, à semelhança das queixas dos utentes que são enviadas para o Ministério da Saúde, fossem remetidas ao Ministério Público nem que fosse só para chatear as bestas que prejudicam o funcionamento das nossas instituições. Teriam que responder À reclamação e ser ouvidas e, no decorrer do processo, talvez perdessem um ou dois dias de trabalho. Talvez assim pensassem duas vezes antes de insultar e ameaçar quem zela pela saúde da população.
Obrigado e bom-dia.