quarta-feira, 30 de junho de 2010

Crónicas da Licença Parental.

Isto de estar em casa com dois filhos pequenos tem muito que se lhe diga. E a chave aqui está em três palavrinhas: "dois", "filhos", "pequenos". Pois é, com o Gabriel foi muito fácil! Um bebé pequeno que se limitava a dormir, comer, evacuar dava imenso tempo para tudo. Desde passear pelos jardins, visitar os colegas de trabalho, tomar um cafézinho com amigos, ver aquele filme ou aqueles episódios das séries em atraso. Afinal, perdia-se ali uma meia horita a dar o biberão ao pequenote e depois sobravam duas ou três horas de pura e perfeita liberdade. Se a liberdade existe é nessas horas em que o bebé dorme e a esposa está no trabalho! Foram os melhores quatro meses da minha vida: sem trabalhar, folgado, passeando por aí e com o ordenado por inteiro ao fim do mês! Hoje, esse bebé sossegado e comilão é um menino com três anos, enérgico, brincalhão, apelativo mas, ainda comilão! O meu filho não pára. Correr, jogar ás escondidas, brincar com os carrinhos ou, o melhor de tudo, brincar na piscina! Com quem? Com o pai. Hoje passámos a tarde enfiados, de molho na piscina e as brincadeiras sucederam-se...
-Pai, agora eras um crocodilo. Agora eras um tubarão e eu um golfinho. Não! Agora eu era um dragão azul com asas e estava morto e tu eras um caçador de dragões que atirava-me água mágica e eu vivia! Pai, pai! Agora tu deitas na bóia e eu vou para cima de ti e tu és um cavalinho! Agora vamos atirar a bola! Agora brinca com os barquinhos. Tu eras uma montanha e os carrinhos vão subir-te!!!
Tudo isto e ainda mais numa pequena piscina redonda com três metros e qualquer-coisa de diâmetro... Entretanto o David dormia, esparramado, na sua espreguiçadeira, completamente alheado da chinfrineira que o seu pai e irmão faziam a poucos metros! Nas pausas para preparar as refeições, para ajudar a Mariana com os cuidados ao recém-nascido, mudar fraldinhas e dar banho a um e a outro o Gabriel salta, pula, ri-se, faz caretas e brinca ao faz-de-conta, dá abraços fortes e beijinhos a mim, à mãe, ao irmão e a quem mais lhe aparecesse pela frente. Ao deitar leio uma história mas ele pede sempre outra e mais outra. E a última chega quando ele deita a sua cabecinha no meu braço...
Meus amigos, estaria menos cansado se tivesse trabalhado todo o dia com doentes mas, honestamente, gostava que esta licença durasse os próximos... vá, dez anos!!!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Ilusionista Estúpido.

Contra a Coreia correu tudo bem. É um jogo num milhão. Contra o Brasil teve medo de ganhar. Este treinador transmite sempre um temor latente... mas aos seus próprios jogadores! Contra a Espanha consegue DESTRUIR a equipa ao substituir o Hugo Almeida, o único jogador a segurar a defesa espanhola e deixa em campo um Simão completamente apagado do jogo! Continua sem ganhar nada, continuará o estado de graça? Aposto que vai voltar para debaixo do kilt do Alex Fergusson...
Como eu tinha dito, valeram-nos os jogadores que tentaram sempre e deram o máximo por um treinador que não os merecia!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma Nova Etapa.

Sim. O desenho que deixei no post anterior foi a forma que encontrei de vos informar do nascimento do David! Obrigado a todos pelas felicitações!
O David é um belo rapaz que nasceu no Sábado, 26 de Junho de 2010, com uns belos 3, 400 kg e 51 cm! Cabeludo e (aparentemente) sossegado. A mamã Mariana foi uma valente e aguentou com coragem, força e até algum sentido de humor o trabalho de parto! Hoje foi dia de regresso a casa com o nosso pequeno. O Gabriel está bastante contente com o irmão, teve uma atitude muito ternurenta e de acolhimento mas, ao mesmo tempo, nota-se toda a excitação que o domina nestes dias! Estamos todos muito excitados com esta nova fase das nossas vidas.
No dia em que o David veio para a sua casa, o sol recebeu-o quente e forte, num bonito dia de verão. Enquanto conduzia o carro de regresso a casa um pensamento fugiu-me para a voz:
-E agora começa uma nova etapa da vida desta família...
Espero regressar com mais histórias do David e do Gabriel, já que vou ficar em casa durante o próximo mês mas quer-me parecer que andarei mais cansado assim do que se fosse trabalhar... até breve!

sábado, 26 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Guerra Eterna.

Tenho um interesse enorme pelo universo feminino. A curiosidade leva-me a isso. E cada vez mas me convenço que, de facto, homens e mulheres funcionam em dois cumprimentos de onda completamente diferentes e fascina-me que sejam capazes de apenas trocar duas palavras, quanto mais viver e criar filhos em conjunto! As mulheres fascinam-me nas mais variadas maneiras. E, por isso, a maioria dos blogs que sigo regularmente são escritos por mulheres. Os homens têm menos interesse, na sua maioria!
E eis que me deparo com este fantástico texto acerca de como as mulheres podem ser... burras!!! A minha parte preferida: "descobri recentemente numa apresentação mais ou menos científica que, quase sempre que vemos um homem calado e ficamos intrigadas sobre o que é que ele está a pensar, na realidade ele não está a pensar em nada. Todas aquelas conversas românticas em que tentávamos descobrir a alma complexa que o homem parecia ter dificuldade em expressar, com a célebre pergunta "em que é que estás a pensar?", na realidade foram em vão. Ele estava mesmo a pensar "em nada" e nós estávamos a ser as chatas que não os deixávamos cumprir essa árdua tarefa.". Genial digo-vos eu, GE-NI-AL!!! Leiam o resto e deliciem-se! E, para complementar este fantástico vídeo acerca do diferente funcionamento entre os cérebros masculino e feminino.



Mulherio profundo e complexo, agora já podem deixar de ser umas chatas ok? Ok.

38 Semanas e 5 Dias.

Quando é que nasce? Hoje à noite, de madrugada amanhã, depois, para a semana. Quem sabe? Apenas ele. Por mim, já ontem era tarde! É estranho como pode alguém ansiar por uma mudança tão drástica na sua rotina. Quer queiremos, quer não, o certo é que hoje o Gabriel é bastante independente no que diz respeito à comida, já não usa fralda, pode ou não dormir a sesta, pode ficar a brincar no quarto ou na sala enquanto nós fazemos outra coisa qualquer, expressa-se muito bem, dorme toda a noite e é um companheirão! Com ele já não temos as amarras dos sonos, das papas, dos banhos, dos leites. Já não temos a preocupação extrema com a mala do bebé, os peluches, as chupetas, as fraldas será que chegam?, a roupinha para mudar se ele se sujar, estará mais frio?, mais quente?, e onde vamos comer?. As noites vão passar a ser intervaladas por choro de fome, de frio, de cólicas. O dia vai ser pautado pela rotina do bebé, os sonos, o biberão, o banho, as fraldas. Vamos estar todos muito mais limitados! Eu, que continuo a gostar de dormir e fico rabugento após noites más, vou levantar-me contra a vontade e vou acordar a levar cotoveladas acompanhadas de um "é a tua vez" e vou virar-me para o lado na esperança que ela se levante. Não vou ser bem sucedido. Vou ter menos tempo para o blog, o facebook, as corridas e os treinos. Vou regressar a casa cheio de pressa.
E, apesar de tudo isto, das noites más e da falta de tempo, do cansaço e da rabugice, de ter de abdicar de algum (muito!) do tempo que dedico aos meus guilty pleasures (como o blog, o facebook e as séries de tv!), mal posso esperar que o David nasça. Porque este nome, David, é por enquanto algo etéreo, intangível, e só fará sentido quando o vir pela primeira vez. Quando abracei o Gabriel pela primeira vez, aquele nome ganhou um corpo, uma dimensão e pensei: "Tu és o Gabriel e mais nenhum nome te ficaria bem." Porque quero pegar nele e sentir a sua pele, o seu cheiro-de-bebé. Quero olhar para ele e sentir-me pleno. Os meus filhos fazem-me sentir isso, a plenitude. Quero observar a reacção do Gabi à chegada do irmão, que ele aguarda com curiosidade. Quero assistir ao desenvolvimento da relação deles, enquanto irmãos. Quero adormecer, no sofá, com o Gabriel ao meu lado e o David no meu peito...
Na verdade, os filhos são uma espécie de medicamento contra a esquizofrenia porque transformam a nossa realidade em algo melhor! Por isso eu peço: filhote, vê se te despachas a nascer porque o papá está ansioso sim?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Há para todos os gostos!

Os livros são objectos que me acompanharam desde que me lembro de ter memória! Lembro-me claramente do fascínio que os livros do meu pai exerciam sobre mim, mesmo sem lhes tocar! Lembro-me de olhar, curioso para as suas lombadas e de os retirar da prateleira e observar as capas e contra-capas mesmo antes ainda de os saber ler. Lembro-me de como me sentia crescido por gostar de livros! Vim, mais tarde, a ler alguns desses livros. Aliás, a primeira vez que li "Os Filhos da Droga" foi numa edição que era do meu pai. Emprestei esse livro a um colega do secundário que nunca mo devolveu. Na infância, depois de aprender a ler, lembro-me da Biblioteca Itinerante da Calouste Gulbenkian, uma carrinha vermelha cheia de livros que podíamos levar emprestados durante 15 dias. E foi assim que li a maior parte dos livros da série "Uma Aventura..."! Lembro-me do meu primeiro livro "a sério", um enorme romance de aventura com páginas cheias de letras e sem ilustrações: "A Ilha do Tesouro"! E lembro-me de como gostava de ir à Biblioteca Municipal, quando estudava no secundário na cidade!
Portanto, com mais ou menos frequência, sempre estive acompanhado de um ou outro livro! Nos últimos tempos (re)descobrimos o prazer de ir a uma biblioteca! Com o Gabriel a consumir cada vez mais histórias infantis pareceu-nos a melhor alternativa a ter que comprar mais e mais livros infantis. E hoje a biblioteca é já um lugar familiar para ele. A bibliotecária já nos conhece, ele sente-se à vontade e vai brincar para a zona infantil onde pode construir puzzles ou brincar com os legos. E nós podemos percorrer as lombadas dos livros infantis (e são muitos!) e escolher quais os mais interessantes. E já descobrimos pequenas pérolas da literatura infantil que nem sonhávamos que existiam! É bom poder levar um livro sem o compromisso de termos de o comprar! Assim podemos saboreá-lo melhor, descobrir os seus pormenores a cada leitura, conhecer as personagens. A colecção para adultos também é bastante completa, assim haja vontade de ler! Descobri na colecção desta pequena biblioteca municipal alguns dos livros que gostaria de ler mas que ainda não tinha tido a oportunidade de comprar. Hoje estou a ler "As Cinzas de Ângela", uma dica literária já com algum tempo da minha amiga Ana C.! Mas há mais!
Na nossa casa há livros em quase todas as divisões, desde a cozinha ao WC! Por muito que eu seja fã dos novos formatos digitais de música e há muito que deixei de comprar o formato físico do CD musical, o livro será sempre um livro e julgo que nunca vou conseguir ler uma obra que esteja apenas num ecran! Mesmo que se imprima as letras, as frases, os capítulos em páginas em branco, isso não tem a mesma magia que se encontra num livro! Seja uma grande obra literária ou um romance de cordel, seja uma biografia ou uma história de ficção, seja um complexo e denso romance ou uma leve comédia, há sempre um livro para cada ocasião!
(Por acaso, os blogs são daquelas excepções que faço e que consigo ler directamente do ecran!)

domingo, 20 de junho de 2010

Tudo isto é triste, tudo isto é fado.

Nas entrevistas espontâneas feitas pelos jornalistas a alguns dos populares que aguardavam a sua vez para entrar no Salão da Câmara Municipal de Lisboa encontrei um padrão de resposta, comum a todas as estações televisivas:
Jornalista: "Gosta dos livros de Saramago?"
Populares: "Bem, gostar, gostar não sei porque nunca li nenhum... mas admirava o homem pela sua frontalidade!"
E respostas semelhantes foram obtidas em tantas outras ocasiões, até que...
Jornalista: "Temos aqui um casal que pretende exprimir a sua opinião. Vamos dar então a palavra ao Sr. Aníbal Silva e a sua esposa. Vêm de onde?
Aníbal: "Olhe, interrompemos as nossas férias em Boliqueime apenas para vir aqui."
Jornalista: "É admirador da obra do escritor?"
Aníbal: "Olhe, nunca li. Sou um homem muito ocupado sabe..."
Jornalista: "Do Homem então?"
Aníbal: "Não. Nunca gostei dele sabe, mas agora que ele está morto há algumas coisas que gostaria de lhe dizer. Assim cara-a-cara, que não sou homem de deixar assuntos mal resolvidos!!"
Jornalista: "Obrigado e bom dia."
O Sr. Aníbal acaba de perder toda a legitimidade enquanto representante máximo de Portugal e dos Portugueses. Se Saramago fosse vivo era bem capaz de se mudar para Espanha! E é isto. É triste. É fado.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Encontro (Hipotético).

Deus (D.): Olha, olha! Quem morre sempre aparece!!!
Saramago (S.): Por Fidel! Mas... tu não... não podes existir!! És apenas um produto das políticas manipuladoras de direita!
D: Pois, pois...
S: Ehhh pá... agora é que fiquei sem palavras...
D: Mais um dos meus milagres para juntar à multiplicação do pão! Apenas um Deus maior podia deixar o verborreico Saramago sem palavras! Ehehehe!
S: E agora?
D: Agora? Bom, agora estás lixado. Sabes as tuas acusações de um Deus tirano, sanguinário, manipulador, violento e sádico? Tudo verdade. Tu é que sabes ò Zé!
S: eu sabia... nunca me enganaste! Acaba lá com isso então. Faz o que tens a fazer!
D: Casmurro e orgulhoso até depois de morto hem? Mas esqueces um pormenor: isto não tem fim, é a eternidade pá!
S: Eu não acredito na eternidade...
D: Lá estás tu com essas merdas! Também não acreditavas que eu existisse...
S: Foda-se.
D: Pois é...
S: então... e o Diabo?
D: Quem?
S: O Diabo, Satã, o Contrário porra!
D: Ó Zé... sou só eu.
S: Não!
D: Sim, só eu. Nem Diabo, nem S.Pedro (e nem mais nenhum santo já agora) nem anjos, nem arcanjos, nem querubins... só eu neste vazio branco em que nos encontramos agora...
S: Ouve lá? Porque é que te pareces com o Malkovich?
D: Essa porcaria do anúncio Nespresso... eu pareço-me com tudo e com nada.
S: E então? Avançamos para o meu castigo ou quê?
D: tem lá calma camarada! Afinal, temos o tempo todo do mundo...
S: Quer dizer então que estás sozinho, é isso?
D: É...
S: Deve ser chato...
D: Pois.
S: Mas como é que isso é possível pá?
D: enfim... sabes aqueles milhões de seguidores e aduladores que tanto ofendeste lá na terra? Tudo uma cambada de chatos pá! "Meu Deus isto, meu Deus aquilo, perdoai-nos e não nos castigues e blá,blá, blá...", achas que os quero aqui à minha volta a engraxar? Ainda por cima só me deixam ficar mal com histórias como a inquisição e a Opus Dei e agora essa merda da pedofilia... Não. Normalmente fico com a malta mais interessante que vai aparecendo!
S: E eu?
D: Tu és um gajo interessante Zé! Aposto que teremos décadas de debates bem renhidos acerca do bem e do mal, do sentido da vida e da morte, da natureza humana e de onde estará o erro de programação que cometi na construção de Adão e Eva. Nunca descobri onde falhei...
S: Somos imperfeitos, é isso.
D: Olha! Isso sei eu! Mas onde, onde é que falhei pá...
S: Então o meu castigo é ficar a debater questões profundas e complexas contigo?
D: Sim.
S: Para poderes melhorar a Humanidade?
D: Esses já não têm remédio...
S: Então, vamos a isso?
D: Vamos. Mas, quando escreveres qualquer coisa para eu ler, vê se pontuas os textos sim? É que foi difícil comó caraças ler os teus livros ao longos destes anos!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dicas Literárias!

Acabei dois livros quase em simultâneo, coisa rara! Durante muito tempo digeri lentamente a história de Leni Riefenstahl, a cineasta de Hitler. O livro, uma biografia não-autorizada resultante de um longo e profundo trabalho de investigação, revela uma mulher ambiciosa, calculista, manipuladora, sem- escrúpulos. Desde cedo que Leni desejou a fama. Primeiro através do bailado, tendo um breve sucesso, foi no cinema que atingiu a glória. Na Alemanha pré-Hitler, Leni seduziu realizadores, produtores e actores na tentativa de se tornar uma estrela. Manipulou críticas da imprensa a seu favor, rodeou-se dor melhores profissionais da cinema alemão de então (muitos deles judeus) e, finalmente, à boleia de um papel feito à sua medida por um realizador visionário da época, tornou-se conhecida de toda a Alemanha.
Escreve a Hitler antes da sua ascensão ao poder e torna-se sua amiga e fiel seguidora. É nomeada a sua realizadora pessoal e realiza os filmes dos Congressos de Nuremberga, "A Vitória da Fé" e "O Triunfo da Vontade" e torna-se a responsável por toda a estética e imagética nazi que perdura até hoje. As imagens das paradas e dos discursos inflamados de Hitler que sempre aparecem nos documentários sobre o tema são da sua responsabilidade. Atinge a glória mundial (patrocinada pelo III Reich) com o documentário "Olympia" acerca dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Resumindo: uma mulher sedenta de fama consegue manipular, enganar, falsear todos à sua volta (incluindo à cúpula máxima do Terceiro Reich!), nega e olha para o lado quando milhares de pessoas eram assassinadas, presencia pelo menos um massacre de judeus na Polónia, usa ciganos dos campos de concentração como figurantes num filme e, depois da guerra, consegue sair praticamente isenta de culpa! Aquilo que fez enquanto cineasta pode ter sido inovador e aberto caminho a uma nova abordagem mas o seu trabalha assentou sobre milhões de cadáveres judeus. Judeus como a sua mãe, apesar de ela ter falseado o seu registo de nascimento quando Hitler tomou o poder e declarou guerra aos judeus. Para mim, Leni é a "mãe de todas as cabras" e foi, talvez a mais cabra das mulheres que alguma vez pisou esta terra. Morreu em 2003 com 101 anos. Vazo ruim não quebra mesmo!
Dean Karnazes é um ultra-maratonista viciado na dor e na adrenalina. Aos 30 anos, descobre nas corridas de longa distância um escape à sua vida suburbana e rotineira. Num impulso corre durante 50 km na noite do seu 30º aniversário. Daí para a frente a sua vida divide-se: trabalha numa empresa durante o dia e corre maratonas durante a noite! 180 km em menos de 24 horas, 320 km durante o fim-se-semana! Uma maratona (42 km) no pólo-sul com -52º ou 80 km sob o mortífero sol do verão do Death Valley. Impressionante pelas distâncias percorridas a pé, quase sem paragens, o livro é uma viagem aos limites do corpo humano mas, acima disso, às capacidades da mente humana para se elevar acima dos limites físicos. É uma lição de humildade e de como o sentido da vida se encontra nas coisas simples da vida. E este homem encontrou o sentido da sua vida na estrada, no ultrapassar dos seus limites, na libertação da mente. Talvez só os corredores o entendam como lição mas não deixa de ser boa leitura!
E assim se fecham mais dois livritos!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Impotência.

Uma mulher entra na urgência com uma bebé ao colo: "Não sei o que se passa com a minha filha, está assim há dez minutos..." o tom é preocupado mas não particularmente alarmado. A menina, 11 meses, 7 quilos de gente, estava pálida e contorcia-se estranhamente. A minha colega resgata a menina dos braços da mãe. Convulsões. Há dez minutos. Alarme.
40º de temperatura, paracetamol, compressas de água fria, diazepam para tentar parar as convulsões... a menina acalma, respira melhor, a temperatura baixa. A mãe chora. Chamamos os bombeiros para transportar esta menina para a pediatria. Eles chegam e com eles voltam as convulsões. Mais frequentes, mais violentas, mais preocupantes. Não há nada mais que possamos fazer, estamos de mãos atadas. A médica telefona para o INEM que responde que não vai enviar ninguém, os bombeiros que façam o transporte mesmo assim. A médica volta, ansiosa, atrapalhada. Um dos bombeiros liga para o INEM de volta e discute com o outro lado da linha, bera e insulta. Mas desta vez justificam-se os insultos. 20 minutos de convulsões.
A menina não dá sinais de melhorar, pelo contrário. Começamos a ter sinais de compromisso neurológico. As nossas mãos acariciam aquele bebé na esperança que o toque, a nossa energia resolva aquele problema. Não resolve. Isto não é um filme, é a vida real. 30 minutos. Começo a ficar agitado, não há nada que possa fazer. Não temos mais nada a oferecer. Penso no que faria se fosse um adulto. Percorro os algoritmos de emergência para trás e para a frente mas nada acontece. Mesmo que tivesse o material necessário não sei as doses pediátricas... a médica também não. Desaparece. 40 minutos. A minha prioridade é proteger aquele catéter que conseguimos colocar dentro de uma veiazinha. Aquele cano de látex pode significar a diferença entre a luz e as trevas. Alguém começa aos berros do outro lado da porta. Querem ser atendidos. Parece que é um penso. O sangue ferve-me e grito quase histericamente com a administrativa quando ela me pede ajuda. A minha prioridade não é dar satisfações a uma família de três animais porcos enquanto aquela menina se debate pela vida. Peço desculpa à funcionária mais tarde e ela diz-me, num encolher de ombros: "Sabe com são os ciganos..." 50 minutos.
Chega finalmente a equipa do INEM. Reconheço o meu colega, trabalhámos juntos noutras urgências. Prepara o tão ansiado medicamento sedativo, observo-o enquanto empurra o líquido transparente por aquela linha de vida que lhe colocámos antes. A menina acalma, para de se contorcer e, finalmente, parece dormir descansada. Mas a sua luta não ficou por aqui....
O problema de se trabalhar em Urgências Básicas, ou SAP's é que se apanha qualquer coisa pela porta adentro, sem qualquer tipo de apoio...

O Ilusionista.

Existem aquelas pessoas que são (profissionalmente falando, claro) efectivamente boas, que provam que são boas para lá de qualquer equívoco. Depois existem a massa de profissionais normais, medianos, melhores ou piores executantes mas aceitáveis. E, claro, os maus! E, de quando em vez, lá emerge um profissional da enorme massa de vulgaridade que por aí anda e torna-se numa figura de relevância nacional! Porquê? Eu chamo-lhe ilusionismo.
Essa pessoa dá a ilusão de ser fora-de-série. Por uma razão ou por outra, ou ainda por um contexto único e irrepetível, esse profissional ganha fama e reputação. E todos sabemos que fama e reputação é meio caminho andado para o sucesso, mesmo que seja apenas ilusão. O segredo está em saber manter essa ilusão. E Carlos Queirós é um ilusionista, eu diria mesmo um mágico! A única coisa que ele conquistou foram os Mundiais Sub-20 em 89 e 91. O mérito é dele, certamente mas não esqueçamos quem eram os seus jogadores na altura: Figo, Rui Costa, F. Couto, V. Baía, só para citar alguns exemplos. Depois disso a carreira de Queirós é uma sucessão de ilusionismo. À boleia dos putos-maravilha que vieram a tornar-se em alguns dos melhores jogadores do Mundo nos melhores clubes da Europa, Queirós constrói um título, um Cartão-de-Apresentação pomposo: o de treinador que descobriu e abriu as portas a todos esses jogadores de topo! O que, não podendo ser refutado, também não pode ser comprovado! Lá está: ilusionismo!
A sua carreira é feita de falhanços, a saber:
-Falhou o Mundial de 94
-Falhou o campeonato com o Sporting
-Foi para os EUA e depois para o Japão, dois dos melhores campeonatos do mundo (not!)
-Seleccionador dos Emirados Árabes Unidos, não ganhou nada
-Consultor técnico (???) de Moçambique
-Seleccionador da África do Sul, apurou-se para o Mundial 2002 (e só!)
-Adjunto no Manchester United, de Sir Alex Fergusson, apenas um dos melhores treinadores de sempre, é normal que tenha ganho títulos
-Falhou REDONDAMENTE no Real Madrid com uma constelação de estrelas do futebol!
-Regressa a Manchester, para a sombra e segurança de Sir Alex
-Seleccionador de Portugal com um apuramento sofrível e sofrido num grupo mais do eu acessível.
Ilusionismo, meus caros!
Eu não gostava do Scolari mas, honra lhe seja feita, foi o melhor seleccionador de sempre de Portugal. Os nossos maiores feitos foram com ele. Queirós terá o seu mérito como estudioso do futebol, teórico, coleccionador de dados estatísticos. Tudo funções de adjunto. Ele será talvez o melhor treinador-adjunto do Mundo mas, ainda assim, adjunto! Queirós não tem perfil, não tem força, não tem carisma, não tem brilho. Queirós é baço, talvez por ter estado sempre à sombra de um treinador-maior. Esta selecção está construída à sua imagem: baça, apagada, linear, previsível. CARAMBA! Nós temos o melhor jogador do mundo! Que incompetente de merda consegue, pura e simplesmente, anular o melhor jogador do mundo dentro da sua própria equipa? Ronaldo deve estar, a esta altura a rogar pragas por não ser brasileiro, argentino, alemão ou inglês. Em qualquer uma destas equipas, Ronaldo explodira de facto. Mas não com Queirós. Queirós não sabe liderar homens, não sabe o que fazer com tantas variáveis que acontecem durante um jogo. Se o futebol fosse teórico, Queirós seria o melhor. Se fosse um debate de ideias, tácticas, estatísticas Queirós não daria hipótese. Mas o futebol é um jogo de homens, de suor, de sangue, de paixão. E Queirós não tem nada disso.
Sim, estou f*********do comó c********lho com o resultado do primeiro jogo... Não correm, não lutam, não arriscam. Uma equipa estéril. E nem sequer culpo os jogadores!

domingo, 13 de junho de 2010

Ketchup?

Caro Cristiano Ronaldo,
És, para mim, o mais completo jogador do mundo, logo o melhor! O que fazes dentro de um campo de futebol é mágico, divino, fantástico. Muito embora as coisas não sejam assim na selecção, temos de concordar que a selecção não é um Real nem um Manchster e que o Queirós percebe menos de bola do que o meu filho.
Considerando que é pura poesia o que fazes com uma bola nos pés (ou na cabeça, ou no peito!) já a poesia que tentas fazer com as palavras...
"Os golos são como o ketchup, quando vem chega todo de uma vez."???!?!
Ó CR7/9.... porqué no te callas?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Star-Blogger!

PARABÉNS! PARABÉNS! PARABÉNS!!

Apetece-me gritar aos sete ventos pela ascensão da minha blogger-amiga Ana C. à categoria de STAR-BLOGGER!!! Que o "Vontade de Regresso" é um blog interessante, bem escrito, intimista sem ser chato, divertido e que usa muito a palavra "cócó" (que é uma palavra, convenhamos, que deve ser sempre usada em qualquer super-blog), já todos sabíamos! O que faltava então para que fosse um star-blog? O bate-boca virtual, a peixeirada internética, o arrancar de cabelos e arranhar de faces e braços que qualquer star-blogger teve que ultrapassar para atingir um nível superior aos restantes de nós, meros "wannabes"! Anacê, amiga, conseguiste!
Foi assim que aconteceu... uma tipa qualquer fez comentários "inofensivos" acerca da forma de escrever da minha compincha de escrita! A Ana C. (que por acaso até já tem obra editada!) respondeu delicadamente. então a rapariguita foi carpir para o seu bloguezeco, e inventou novas identidades só para chatear com os seus comentários. Assim tipo as moscas que nunca nos largam do nariz, portanto. Como não havia um mata-moscas virtual para esborrachar ali mesmo o insecto inoportuno, a Anacê lá teve que escrever mais um texto a ver se a coisa acabava por ali. Mas acho que as coisas não vão ficar assim... ehehehehe!!
De qualquer das formas como é que as Pipocas e as Kittys e as outras star-bloggers deste bloguniverso ficaram famosas e até têm patrocínios? Não foi, de certeza pela sua escrita (aqui para nós que ninguém nos lê, as gajas não dão uma para a caixa mas andam sempre a falar mal umas das outras e a malta gosta de uma boa codrilhice!). De qualquer das formas, alguns bons blogs deste mundo também já tiveram a sua cat-fight, como este blog, e este e ainda este.
Por isso, é com incontido sentimento de inveja que desejo todas as blog-felicidades e muitas trocas de palavras azedas à Anacê, neste seu novo e superior estatuto. À outra, digo só isto: deves voar mesmo alto pá, que eu nunca tinha ouvido falar de tá personagem! Mas, enfim, o Nietzsche também não jogava com o baralho todo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Motivos Motivacionais ou Não esperem grandes rasgos fashionistas desta casa.

A reboque deste texto, dei por mim a reflectir no tamanho do meu próprio roupeiro (ou guarda- roupa, ou ainda guarda-fatos como dizem os nortenhos!) e, oh surpresa!, constato que na verdade é apenas meio-roupeiro! Toda a minha roupa cabe em meio roupeiro e é facilmente quantificável: meia-dúzia (se tanto!) de jeans, um pouco mais de meia-dúzia de t-shirts informais e coloridas, algumas camisolas de malha leve, dois casacos de inverno e um de meia-estação, duas camisas que uso quando o Papa vem a Portugal, duas ou três calças "desportivas" (fato-de-treino vá.) e dois casacos de desporto (daqueles giros com capuz!), alguns calções "bolsos de lado" para o verão, duas gavetas com muita roupa interior, dois ou três sapatos (botas!) de inverno, ténis, uns sapatos pretos formais (curiosidade: que usei no meu casamento) qie calcei umas... 3 vezes!, um fato completo (serve para casamentos e funerais!). That's all folks!! Portanto, quem me conhece está habituado a ver-me repetir outfits muitas vezes e sempre no mesmo padrão: ténis-jeans-t-shirt/camisola de malha - casaco OU chinelo havaiano de meter-o-dedo - calção até ao joelho - t-shirt.
O meu trabalho impõe um dress-code muito restrito: calça branca-camisa/túnica/bata branca. Como tenho dois empregos passo muitos dias inteiros dentro do hospital pelo que aquilo é mais uma segunda pele do que uma farda de trabalho. O que leva a que a minha roupa-roupa (é assim que designo a roupa normal!) sirva apenas um propósito, o de esconder as minhas partes pudendas do público em geral! De que me serve ter muita roupa se depois não a posso usar ou se a uso em períodos de tempo muito restritos e que, ainda por cima!, são passados dentro do carro? Esta realidade moldou então a minha forma de comprar roupa. Vejamos, o primeiro requisito da peça de roupa a comprar deve ser... prática! Depois, polivalente para poder enquadrar-se com o resto do restrito grupo de roupas do Miguel e, por fim, barata porque para servir para vestir cerca de duas horas por dia e andar amarrotada nos assentos do carro não pode ser nada de muito caro! E a coisa faz-se. No dia-a-dia lá vai andando a farpela do costume, o pior chega quando acontece uma ocasião onde se exige uma indumentária mais... elaborada! E estou a pensar naquelas 2 vezes ao ano em que saio à noite.
Na última vez que saí à noite andei à procura de um outfit diferente. E corri, corri, corri lojas e centros comerciais à procura do ideal. E vi coisas giras, experimentei coisas engraçadas mas, caramba!, custavam os olhos da cara!!! Como sou um gajo assim pró larguinho de costas, a roupa mais clássica da Zara (sim, Zara que ainda vai sendo acessível!) não me entra já que é feita para metrossexuais anorécticos e não para Homens-como-deve-ser, na H&M a mesma merda pelo que acabei por desistir ao fim de umas longas duas horas de procura (duas horas é suficiente, certo?). E voltei à minha formatação original: prático/polivalente/barato. E adivinhem lá o que o menino acabou por comprar? Apenas e só uma camisola de malha leve (mas é de lã merino, que devem ser uma ovelhas chiques. E lá foi ele com os jeans menos gastos que tinha no roupeiro, uns sapatos pretos (assim pró desportivo!) que comprou em saldo na Bata, a dita camisolinha e um casaco preto que um amigo emprestou (deprimente esta parte...).
Não é que eu não goste de me vestir bem, que gosto. Não é que não seja vaidoso, que sou. Não é que não fique super distintamente giro num fato clássico, que fico. É apenas uma questão de falta de motivação. E de t€€mpo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

São cada vez mais.

O que leva um filho a agredir o seu pai? Esse pai foi um sacana, ausente, agressivo, bêbado? Uma fria parede sentimental? Um abusador? Ou foi o filho que, muito simplesmente, tem a agressividade inscrita no código genético? Foi falha grave na educação do filho? Foi fruto da socialização do filho com bandidos? O que foi?
Não sei. Mas corta-me o coração atender velhos de 70, 80 anos agredidos (em muitos casos com lesões que evidenciam a violência da agressão) pelos filhos. A razão? Na maioria dos casos: dinheiro. E à volta disto reflicto, eu que tenho filhos e que os amo acima de tudo o resto.

É lixado!

Então anda aqui um gajo a defender o direito à União Civil entre Pessoas do Mesmo Sexo (já nem lhe chamo "casamento", parece que há beatas(os) que desmaiam...), a apregoar da seriedade com que deve ser encarado esse direito fundamental de todos, a argumentar contra as atrofiadas mentes de muitos portugueses e... ESTES PANELEIROS APARECEM NESTAS LINDAS FIGURAS??

E se fossem os dois levar no cú, hmm? F*****-se.

Foto retirada daqui, sem qualquer autorização da autora do blog!

Throttle-family!

Mas quem é que, no seu perfeito juízo, dá 2o-e-tal euros por uma t-shirt? Eu não. Eu compro as minhas nos outlet's da Pull&Bear, Springfield e afins, que isso de pagar mais do que... 10 € vá!, por uma t-shirt já me dá comichão nos bolsos. O que é uma t-shirt? Em que contexto se usa uma t-shirt? Uma t-shirt é uma peça de roupa leve e fresca pensada para usar quando está calor. E no verão está calor. E as t-shirts Trottleman são grossas e pesadas e quentes! "Ahhh, é por isso que são caras... porque o tecido é bom!", dir-me-ão alguns indefectíveis da marca. Não é.
Este fim-de-semana encontrei a verdadeira Throttlefamily! Ele, t-shirtzinha azul-bebé com um ThrottleToiro desenhado, calções caqui Docker's-like e sapatinho de vela, sem meia. Moreno, cabelinho escuro cortadinho e penteado para o lado (também chamado "cabelhinho à fodasse") e com uma proeminente barriguinha. Ela, t-shirtinha azul-escura com um ThrottleCãozinho desenhado, calcas direitas caqui e sapatinho de vela azul. Baixinha e com enormes seios e volumosos glúteos. A criança, aparentemente 3 aninhos, adivinhem o que trazia vestido? Não adivinham? Surpresa! Mini t-shirt com um ThrottleToirinho desenhado, calções caqui e sapatos de vela, sem meia! Detecto aqui um padrão?
Não me intrepetem mal, eu gosto de t-shirts com desenhos, mas aquela marca tem uns desenhos tão... como definir... mete-nojo! Não sei, há algo que não bate bem com aqueles desenhos, Pretendem ser infantis mas as linhas são muito direitinhas. Lá está, direitinhas! É roupa para gente direitinha. Há um leve pretenciosismo brasonado associado a elas. E depois, eu não uso a mesma marca de roupa que é ostentada por gente que usa sapatos sem meias!
GANDA CHULÉ PÁ!!!
Entretanto apercebi-me de algo... os pais eram os dois morenos, cabelo escuro e olhos castanhos e o puto era branquinho, ruivo e com uns cintilantes olhos azuis... isto é um ThrottleMistério...
PS: eu tenho UMA t-shirt dessa marca mas é a única com humor inteligente que já encontrei. Ah! E quase nem se vê a marca.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Coisas com histórias!

**** Disclaimer: qualquer semelhança com um baby-blog é pura coincidência.
Há uns dias retirava a roupa da máquina de lavar. A Mariana resgatou do sótão as roupinhas de bebé do Gabriel e está a prepará-las para o David! Uma das vantagens de ter filhos do mesmo sexo!
Enquanto retirava aquelas roupinhas pequenas, coloridas e ilustradas com bonecos queriduchos e engraçados dei por mim a recordar momentos passados com o Gabriel, quando era um bebé de poucos meses. E lá estava a 1ª roupa que vestiu, ainda na maternidade, os babygrows com animais estampados que ele não parava de mirar, as meias pequeninas, as pequenas calças de homenzinho, e as pequenas camisolinhas com molas nos ombros. E a cada uma delas que saía da máquina quase que conseguia ver o Gabriel com elas vestidas, a dormir, a rir, a chorar. Consegui relembrar a sua carinha-de-anjo enquanto dormia, o quanto adorava o aconchego das pequenas toalhas depois dos banhos, a sua satisfação depois de "bolsar" o resto de leite que já não cabia na barriguinha. Voltei a sentir o seu cheiro-de-bebé, a ouvir o seu choro-de-bebé e o seu riso-de-bebé! Sim. O meu filhote já não é um bebé, como ele próprio afirma!
Montámos juntos o berço onde ele dormiu até começar a andar! Pareceu-me estranho estar de novo a montar um berço quando tinha a sensação que ainda ontem o tinha desmontado! Mas foi há mais de um ano! E ele subiu lá para dentro com uma facilidade estranhei e o berço pareceu-me pequeno. Ainda ontem o Gabriel chorava para que o tirassem daquelas grades, punha-se em pé agarrado a elas e sorria para nós! Ainda ontem ele caiu dali quando tentava sair sozinho e ainda ontem lhe tirámos as grades de protecção e depois, uma caminha nova! Ainda ontem ele era tão pequeno e agora já não cabe ali dentro!
Essas roupinhas cheias de história serão agora do David, o meu "mainovo"! Ele terá certamente as suas próprias roupas, a sua própria história, mas aquelas roupinhas serão sempre pedaços de recordações dos meus dois filhos. E aquele berço também, e alguns brinquedos, e tantas outras coisas! As coisas, em si mesmas, não têm valor e algumas delas já foram para filhos de amigos e para instituições de caridade, mas as recordações essas, não tem valor.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Gabriel já sabe contar*

Enquanto preparava o Gabriel para dormir ouvi um som, tipo breve ventania...
"Pai. Dei três "puns"..." disse ele enquanto espetava 4 dedinhos de uma mão.
"Isso não são três filhote, são quatro." respondi tentando que ele corrigisse os dedos da mão.
E então ele deu outro "pum".
Ou, "Cheirinho a... Matemática"!

O Invejoso Fado Portuga.

No milionário mundo do futebol são figuras principais dois portugueses: CR e Mourinho. Na minha opinião são os dois os melhores na sua área. Cristiano Ronaldo (a sua forma de falar e de vestir e a sua vaidade não têm nada a ver com isto) é o melhor jogador do mundo.Messi é divinal, consegue fintar uma equipa dentro de uam cabine telefónica mas o futebol não é só isso. CR finta, corre, sprinta, defenfe, marca com o pé direito, com o esquerdo, com a cabeça e ainda "saca" daqueles livres directos que deixam o guarda-redes pregado no relvado! É o mais completo jogador de futebol da actualidade e é português.
José Mourinho é um profissional por excelência. Faz do futebol uma ciência e eleva-o a outro patamar. Estou convencido que, em muitos casos, Mourinho conhece melhor as equipas adversárias do que os treinadores que as orientam! E isso faz dele o melhor! E por ter dado o que deu ao FCP estará sempre no Olimpo dos Portistas independentemente da forma pouco elegante como saiu do clube. E é português.
Agora, expliquem-me porque me deparo sempre com tantos ataques a estes dois Portugueses? Mas alguém acredita que, num mundo onde se exigem resultados e desses resultados se retiram milhares de milhões de euros, quer CR quer Mourinho são apenas produtos de marketing? Não. Estes dois portugueses estão onde estão porque trabalham, porque investem na sua forma, porque se dedicam ao máximo e porque nunca estão satisfeitos. Egos à parte, são dois Portugueses que elevam o nome e a imagem deste triste rectângulo solarengo. E olhem que bem precisamos! Mas é este o nosso Fado: maldizer os nossos e enaltecer qualquer vulgaridade que venha do estrangeiro.
É a inveja senhores, a inveja.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sandro.

Quando a miúda entrou na minha sala, agarrada à barriga de grávida redondinha e empinada nada faria prever o que se passou a seguir. Queixava-se de uma dor no fundo da barriga e tinha vindo da consulta do obstetra esta tarde e o médico tenha feito o "toque". Disse-me que estava de 32 semanas de gravidez e que não tinha ainda rompido as águas. A dor erá incómoda e ia e voltava "ás vezes". Suspeitei de contracções reactivas ao tal "toque". O médico concordou comigo e encaminhou a miúda (18 anos) para o Urgência Obstétrica. Quando os bombeiros chegaram, a bombeira de serviço estava renitente a levar a doente porque temia que o parto se desse pelo caminho. "Ouve! Garanto que o bebé não nasce contigo! Se nascer eu serei o padrinho!!" disse-lhe em tom de brincadeira. E lá seguiram, bombeira e grávida.
Minutos depois a bombeira irrompe pela sala "RÁPIDO, RÁPIDO, O BEBÉ VAI NASCER!!!". Uma hesitação breve para processar esta informação e saio a correr atrás dela! Entro no cúbiculo da ambulância e deparo-me com o chão cheio de sangue, o bombeiro siderado, a grávida a chorar e um bebé já com os bracinhos e o tronco deste lado do mundo! Ele está calado, não respira, está roxo e envolvivo pelas membranas da gravidez. Acelera o coração e, enquanto grito por umas luvas e as calço, recordo os conhecimentos há tanto tempo arrumados acerca de reanimação de recém-nascidos. Acto contínuo puxo o resto do pequenote para fora da mãe e aperto-o com força, esfrego-lhe as costas vigorosamente. Ele chora! Respira, ganha cor, berra como se tivesse interrompido o seu soninho. A bombeira emociona-se, mas ainda não acabámos. Precisamos de cortar o cordão umbilical. Não há pinças na ambulância. Peço ao bombeiro que as venha buscar à minha sala, ao meu colega. Pinçamos o cordão, corto-o. Pego no miúdo ao colo e ele abre os braços. Sei que é apenas um reflexo do recém-nascido, que é normal mas prefiro interpretá-lo como uma saudação, um "obrigado". Coloco-o no colo da mãe.
"Como se vai chamar o menino?"
"Sandro."
Que tenhas uma boa vida Sandro!
(não deixo nunca de me surpreender com a frieza que me invade es situações de stress, como já o descrevi aqui. Mas agora a excitação tomou conta de mim! Foi o meu primeiro parto!)

Fait-divers com interesse zero.

O "Cheirinho a éter..." é cada vez mais visitado por baby-bloggers. Somos, portanto, um blog baby-friendly.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Bem-aventurada a mulher que dá Homens a este mundo!

No caso da Elisabete Martins (olá vizinha! Quinta do Conde rules, yeah!!) o problema que se coloca encontra-se ao nível da pontaria.

"O que me lixa a mim, que tenho 4 rapazes, não é o tampo estar para baixo ou para cima. Não! São as pintas gordas de mijo que deixam espalhadas nas bordas da sanita ou melhor no adereço. Irra! Não consigo que eles deixem tudo limpo. Que porcos! Que me diz a este problemazinho, meu caro?"
Vizinha, antes de mais permita-me que a congratule pelos seus 4 Homens! Como se sentiria se eles urinassem sentados? Como explicaria o vexame a que eles seriam submetidos se esse comportamento fosse descoberto pelos seus pares? É a própria que define esta questão como um "problemazinho" e, em boa verdade, é disso que se trata. Somos criados, socializados, aculturados de uma determinada forma. Contudo, há impulsos ancestrais que não conseguimos reprimir. Para um homem, urinar de pé é um desses impulsos. À orgulhosa mãe de tão promissoras crianças cabe o papel de valorizar esse comportamento, mesmo que isso implique um ligeiro, quase inexistente, incómodo. Certamente que os meninos não deixam lagos amarelos pela casa e, mais uma vez, fazendo uso das suas palavras, tratam-se apenas de "pintas de mijo". Nada de mais para uma mãe que, com 4 homenzinhos cheios de energia a pular pela casa, tem certamente outros assuntos com que se preocupar.
Contudo, não é demais cultivar o cavalheirismo deles e incentivar a que passem um pedaço de papel higiénico pela sanita, se acaso ocorrer uma falha de mira e se falharem o alvo! Deixemos crescer as crianças!




Desconstruindo argumentos fraquinhos.

Da Naná chega esta questão, ainda relacionada com a palavra começada por "S":

"Miguel, estava eu na sanita, quando me chegou esta dúvida existencial... quando te dá uma real cag... sentas-te, certo?! Nessa altura não fazes um xixizinho?? E fazes sentado ou não fazes???!!! Isso diminui a macheza ou não??? Gostava de saber a tua posição sobre isso!...Eu só me tenho a queixar do seguinte: como trabalho nas obras, sou sempre a minoria, mas há sempre dois wc's: um masculino e outro feminino. E ainda gostava de saber porque raios os homens gostam de vir "arrear o calhau" no wc feminino... pró xixizinho a deles serve... mas pró cocózinho, é a nossa que procuram! Será que é por termos o tampo da sanita baixado e assim não dá trabalho a baixar??"
Caríssima Naná. Esse foi um argumento esgrimido também por uma amiga aquando de uma acesa discussão sobre o tema. Lamento mas o argumento é fraquinho! Fraquinho mesmo. Quando um gajo vai cagar, um gajo vai cagar e senta-se. Logicamente se a bexiga quer funcionar então que funcione! E, neste contexto de "cagar/mijar" não é um atropelo à masculinidade na medida em que a mijinha aqui é algo puramente acessório. É como tomar café e pedir um daqueles mini pastelinhos de nata. Pedir um café com um desses pastelinhos a acompanhar, tudo bem, é um complemento ao café, ao almoço que até nem era grande coisa. Já chegar a um café e dizer "Ó faxavor! É um desses mini pastelinhos de nata, pouco queimado e com canela." isoladamente não funciona e, à semelhança de mijar sentado, também diz muito acerca do homem que o faz!
Sobre essa questão de os homens do trabalho da Naná preferirem o WC feminino para aliviarem a carga, a explicação é simples. Trata-se de um momento em que o homem, aproveitando aquele momento de prazer e libertação de tensões, tenta interiorizar uma pequena parte do íntimo feminino. A disposição do espaço, a textura do papel higiénico, o odor libertado pelo ambientador escolhido, o ambiente intrinsecamente feminino que ali domina. O Homem-das-Obras, o mais directo descendente do Homem-das-Cavernas, é um ser essencialmente empírico e intuitivo. O seu raciocínio está treinado para elaborar frases simples mas carregadas de duplo sentido, tais como: "És como um helicóptero! Gira e boa!", apenas para dar um exemplo. Por isso, para esses homens satisfazer essa necessidade humana básica que é evacuar reveste-se de um sentido pedagógico quando realizada no WC feminino.
Sempre aqui para vós,
Miguel.

NÃÃÃÃÃÃO!

COMO FUGIR A TANTOS SPOILERS SOBRE O FINAL DE "LOST"???? Não quero ler, não quero ler, não quero ler, não quero saber....

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um número redondinho.

200. São já duzentos os seres lindos-de-morrer-a-transbordar-sensualidade que seguem isto! É curioso porque com o aumento dos seguidores diminuem os comentários... estaremos perante um caso de elevação do autor deste blog a guru dos tempos modernos? Serão os textos aqui escritos de tal forma eloquentes e complexos que os comentários que merecem são apenas um acenar afirmativo com a cabeça e um "hmmmmm" introspectivo que só os filósofos conseguem arrancar a quem os segue? Hmmmmmm...
Enfim (e a ideia nem sequer é original) estamos abertos a sugestões acerca do tema a que deve ser submetido o texto comemorativo dos 200 seguidores do "Cheirinho...". Talvez assim voltem os tempos áureos dos muitos comentários a que estava habituado. Enfim, a crise chega a todo o lado!

(Adenda: houve um que se foi. Engraçadinho.... mas a proposta mantém-se.)

The "S" Word.

Eis que voltamos ao tema que, cada vez mais me convenço, será o eterno dilema irresolúvel entre Homens e Mulheres. A diferença que pode fazer quebrar a mais sólida das relações, o factor que destabiliza qualquer compromisso. Numa conversa entre amigos (e amigas!) constato que a palavra que começa por "S" (temo só de a escrever) é sempre, mas sempre!, tema de aceso debate entre as Venusianas e os Marcianos. Refiro-me, como já será óbvio para todos à palavra s.... sanita! Sexo? Não. Sanita mesmo. Nunca um pedaço de tão alva porcelana causou tantas altercações no seio de um casal.
Logo à partida, muitas mulheres gostariam de alterar um comportamento masculino básico como é o acto de urinar de pé! Porque isso é muito mais que um comportamento de eliminação de resíduos! É antes um momento íntimo do Homem com o seu melhor Amigo, com uma parte muito importante do seu ser, com a sua virilidade! O que é que o comportamento de urinar sentado diz do homem que o pratica? Reparem que escrevo "homem" com "h" minúsculo numa clara analogia com a virilidade de tal... homem, vá. Urinar de pé é mais do que simplesmente "prático", é uma afirmação de masculinidade ancestral e arrisco até a dizer que os homens que se sentavam para mijar foram eliminados pela evolução humana. Porquê? Simples, estavam assim mais desprevenidos a ataques de animais ferozes e morriam com mais facilidade. Darwin dixit! Quase consigo imaginar um garboso e robusto homem das cavernas vigiando o território inóspito enquanto dá uma mijinha! Numa mão a rudimentar lança de sílex e na outra o garante da reprodução da espécie! Diz-me uma amiga que, nos jardins-de-infância de hoje incentivam os putos a urinar sentadinhos... sobre isto apraz-me dizer: MASQUÉSTAMERDA???
A questão da tampa-levantada vs tampa-baixada será sempre uma questão por resolver. Queixam-se então as senhoras que nós, homens que urinam orgulhosamente de pé, nunca baixamos o tampo da sanita. Deviam antes considerar qual a razão pela qual a levantamos. Levantamo-la para limitar qualquer acidente de mira que possa ocorrer. Ou seja, fazêmo-lo em consideração a elas, mulheres, num acto de clássico cavalheirismo. E como somos retribuídos? Com queixinhas. Por outro lado, algum homem alguma vez se queixou porque quando foi mijar a tampa da sanita estava em baixo? Não. Limitamo-nos a levantá-la e a fazer o nosso servicinho! Sinceramente, parece ocorrer aqui um claro caso de perseguição feminina.
Enfim, estou convicto que este será uma questão para ser resolvida nas gerações vindouras, muito embora me pareça que será difícil. Pela parte que me toca, enquanto pai orgulhoso de dois Homens, farei ponto de honra que eles mantenham orgulhosamente esse comportamento tão definidor dos Homens que somos e da nossa indubitável masculinidade: mijar de pé!
Tenho dito.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Miss Fotogenia.

Ao contrário de Barney Stinson eu tenho uma má relação com as máquinas fotográficas. Enfim, é rara a foto que me faz justiça! Ou fico com os olhos semi-cerrados como se estivesse fortemente etilizado ou como se tivesse fumado erva da má, ou fico com a boca aberta ao ponto de me vislumbrarem o estômago ou então sou apanhado naquele milésimo de segundo em que a minha posição corporal pode ser interpretada de maneiras mais... brejeiras!
Nas fotos de grupo, em jantares e saídas com amigos fico sempre com aquele ar de campónio-que-nunca-saiu-à-rua-e-agora-está-livre e, quem não me conhece pode ficar com a impressão que na verdade, aquele parvinho que parece tão desfasado do resto do grupo tem uma ligeira oligofrenia. Já para as fotos de casamento não me apanharam desprevenido! Tive meses e meses para me preparar e treinar o meu melhor sorriso para depois aplicar nas sempre duras fotos do casório. Se correu bem? Não. O sorriso está lá mas parece que estou a ter uma espécie de ataque de tétano tal é a rigidez dos maxilares e, a bem dizer, do resto do corpo que, na maioria delas parece gritar de tanta tensão e de tamanha rigidez! Confesso que no final do dia já me doíam os queixos... o que salvou as fotos desse dia tão marcante é que a Mariana tem uma relação muito especial com a câmara e parece brilhar na película roubando assim o olhar a tudo o resto que lá esteja impresso!!
Tirar fotos para documentos é outro dilema. Posar para a foto não é uma das minha virtudes e, das duas uma, ou fico com um ar demasiado sério e agressivo tipo presidiário ou terrorista procurado pelo FBI, ou pelo contrário fico com um ar descredibilizante de pateta-alegre. Sinceramente, prefiro o primeiro... A chatice está no facto de o fotógrafo nunca estar contente com a face que lhe apresento. "Levante o queixo... mais! Tá bom. Olhe ligeiramente para a direita... rode a cabeça não é só os olhos! Agora sorria... mais.... mais.... tá bom... menos, menos!! Oh..." e zás! tira a foto e manda imprimir porque está farto do meu ar parvo! Claro que acabo sempre por ter fotos com ar de esgazeado, ou de demente, ou de criminoso. A foto do meu cartão da ordem parece retirada de um qualquer noticiário onde se mostram fotos de islâmicos suspeitos de um atentado qualquer!
Na verdade minhas melhores fotos são os chamados "instantâneos" ou "momentos kodak" em que alguém dispara uma máquina sem aviso prévio! Por isso, eu até podia mostrar aqui algumas das minhas fotos mas, na verdade o ar de atrasado mental que as fotos me dão não faria jus aos textos de tão elevada eloquência que por aqui vou deixando...
SAY CHEEEEEEEESE!!!!
(também não resulta.... bah!)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sinto-me... revoltado.

Perdoem-me voltar a isto mas há cada vez menos pachorra para estas merdas! PUTA QUE PARIU OS CIGANOS!!! Não há um turno, UM, em que não haja qualquer tipo de atrito com esta gente. Gentinha mal-cheirosa, feia, desdentada, manipuladora, agressiva, criminosa, aldrabona, burra, ignorante, tacanha, histérica. Como numa matilha de animais selvagens juntam-se e urram, uivam e berram aos quatro ventos as suas desgraças que são sempre maiores que as dos outros. Fazem da ameaça o seu principal argumento, não aceitam nada que vá contra aquilo que eles entendem que deve ser. Trabalho num sítio implantado mesmo no meio de uma área de influência cigana. Cruzo-me com eles na rua, no café, à saída e à entrada do hospital. Já não os posso ver, sinceramente. Aquelas roupas pretas e encardidas de sujidade metem-me nojo, as mulheres casadas gordas, desdentadas e de corpo disforme repugnam-me, as solteiras, magras e com ar de puta étnica irritam-me, aos putos mal-educados, mimados e arruaceiros dá-me vontade de dar chapadas, os gipsy-teens arrogantes com ares de mafiosos controladores, não posso com eles e os velhos patriarcas armados ao quero-posso-e-mando não me inspiram propriamente sentimentos de ternura típica da terceira idade.
Podia aqui descrever imensas situações de conflito causadas por este grupo de gentalha inútil mas não vale a pena. Já tirei a raiva do sistema.
Que me desculpem a meia-dúzia de ciganos decentes que decerto existirá... eu não conheço é nenhum.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mamem a jarda "Movimentos Pró-Família Medievais e Homofóbicos"!

O Presidente da República acaba de assinar a Lei do Casamento Homossexual. Não poderia ser de outra maneira. Em primeiro lugar porque se trata de um direito fundamental de qualquer cidadão, o direito à plena partilha da sua vida com quem escolher. Em segundo lugar porque este assunto ocupou demasiado tempo da nossa vida política quando, na verdade é um assunto que nem sequer devia ser discutido porque, lá está tratava-se de um atropelo à liberdade fundamentado em argumentos no mínimo medievais. Logo, o PR não devia nem podia vetar a lei sob pena de levantar uma nuvem política mais cerrada que a nuvem do vulcão islandês cujonomeéimpossíveldepronunciar.
Estes argumentos são tão válidos hoje como eram quando Cavaco recebeu o diploma. Então porquê esticar o prazo quase até ao fim? Pois. Foi só Sua Santidade virar costas e toca a aprovar leis do demo... Onde é que já se viu, deixarem casar os paneleiros?!?! Só mesmo num estado laico como Portugal.

E eu nem sequer gostava de correr!

Quando comecei nesta história das corridas não esperava encontrar-me onde estou hoje! Andava num ginásio condicionado por um horário e não via grandes resultados. Depois, por acaso, comprei uns ténis Nike e descobri o sistema Nike+. Larguei o ginásio e comecei a correr.
A primeira corrida durou cerca de 2 km e estava exausto no fim! Caramba, eu nem gostava de correr e andava, feito artista, a correr pelas ruas circundantes á minha casa! Mas mantive-me firme nos meus propósitos: precisava de ficar em forma e de emagrecer! Ficar em forma porque o Gabriel ADORA correr, correr, correr e quando se cansa... repousa um pouco (uns 30 seg.!) e volta ás corridas e eu já não tinha "peito" para aguentar o ritmo e emagrecer porque, muito embora eu nunca tenha sido gordo, havia uma inestética barriguinha incómoda que teimava em não desaparecer! E digo "havia" porque ela foi-se! Hoje, cerca de 7 meses depois da minha primeira corrida perdi cerca de 6 quilos e corri já cerca de 570 km! Hoje a minha distância confortável são os 10 km que percorro sem sobressaltos e de forma confortável.
A corrida funciona hoje como um momento de escape. São cerca de 50 min em que sou apenas eu, o meu iPod e a estrada. E a estrada nunca se queixa! A estrada fica com todas as nossas frustrações e revoltas, o nosso stress e as nossas angustias. E está sempre lá para nós! Hoje olho para a estrada de uma maneira diferente, já não é apenas uma faixa que liga A a B. Hoje olho para a estrada e descubro muitas vezes novos percursos para correr e, a correr encontro coisas que nunca vi de dentro do carro. Corro pelos trilhos interiores da mata que contorno todos os dias no meu carro e não raras vezes há coelhos selvagens que correm à minha frente por uns metros para depois se esconderem nos arbustos. Corro por um trilho que fica entre a autoestrada A2 e a linha do comboio da ponte e ali, naquela faixa de terreno que não pertence a ninguém estou tão perto mas tão longe dos carros que aceleram e do barulho do comboio nos carris. Descobri que quando corremos tornamo-nos parte da paisagem. E percebi ainda que as distâncias somos nós que as fazemos! Que fazemos demasiados km de carro, que 5 km é já ali e que aquele sítio que julgávamos tão distante fica apenas a 3 km!
Mas, durante este mês descobri que a corrida não tem de ser um exercício solitário. Nos treinos Nike Running conheci outros corredores, a esmagadora maioria muito mais experientes que eu e facilmente entrei no grupo. Porque falamos a mesma linguagem, porque partilhamos experiências semelhantes e, de repente eis que dividimos as pessoas entre os que correm e os que não correm! Descobri que se pode partilhar uma corrida e que se corre mais e melhor quando alguém "puxa" por nós. E que não há limite de atletas no jogo das corridas! Na corrida não somos nós contra eles, sou eu contra mim próprio, contra as minhas limitações e com as minhas capacidades. Aqui não há erros de arbitragem, não há túneis, não há apitos dourados. Aqui ganha quem correr mais.
No próximo dia 30 vou participar na Corrida Novas Oportunidades. São os meus primeiros 10 km em prova. Objectivos? Dar o meu melhor e perceber qual é o meu lugar numa competição. Correr para ver! A longo prazo gostaria de correr a Meia-Maratona de Lisboa de 2011. Uns (ainda) inacessíveis 21 km! Mas, por outro lado, ainda só há sete meses eu achava que nunca correria os 10 km...
(Treino Nike Runnig de 15 de Maio de 2010, Praia da Cabana do Pescador, Costa da Caparica)



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Divagações não particularmente articuladas sobre a Igreja, o Papa e o poder da sugestão.

Como podem facilmente constatar pelo "cartoon" que serve de cabeçalho a esta página (Bill Watterson, és genial!) a minha relação com Deus é pautada por algum cepticismo. Não negando a Sua existência no essencial, não posso afirmar que sou um ateu empedernido e irredutível. Já houve tempos em que sim, em que era completamente descrente. O meu problema não é com Deus (enfim, chamo-lhe Deus por conveniência cultural mas poderia usar outro termo qualquer) mas sim com a sua Igreja. Quer-me parecer que, a existir um Deus, uma entidade superior que tudo rege e tudo domina, ele deve estar muito desiludido com a Igreja que, supostamente, ele próprio mandou fundar através do seu filho, Jesus. A primeira questão com que me deparo prende-se com o facto de Deus não ter mão nos seus cordeiros o que não abona muito em favor da sua publicitada omnipresença e omnipotência. Que Jesus tenha existido não me choca. Num tempo marcado pelo misticismo, pela ignorância, pela pobreza, pela doença e pela morte, era fácil a qualquer homem que dominasse a arte das palavras arregimentar seguidores, principalmente se esse homem não pedisse nada em troca a não ser Amor e Misericórdia. Os milagres? Enfim, quem conta um conto acrescenta um ponto e todos sabemos que o poder da sugestão é enorme. O resto é a história de um homem perseguido pelos poderes instalados por ser uma ameaça aos seus interesses. Nenhum filme ilustra melhor esta história que "A Paixão de Cristo". Esse é um filme não sobre Cristo em si mas acerca dos Homens através dele, de Jesus. E o que fizeram os Homens? Humilharam, bateram, torturaram. Quantos estavam, declaradamente ao lado de Jesus na hora da sua morte? Meia-dúzia deles. Eu saí da sala de cinema agoniado. Não pela violência gráfica montada por Mel Gibson mas antes pela visão das atrocidades cometidas pelos Homens que, sendo ficcionadas, têm sido repetidas ao longo da História.

O meu problema com a Igreja Católica é que ela, enquanto organização, não reflecte os valores que prega. Esta organização tem toda uma hierarquia rígida, regras apertadas e funciona com base em dogmas. E dogmas, por definição, não se discutem. Não existe ali espaço para a discussão, para o debate, para o crescimento com base no diálogo. Por muito que me digam que se fala e se dialoga muito o que eu vejo é que sim, há diálogo desde que a conclusão fique dentro dos limites impostos e da doutrina vigente. Todo o pensamento que está contaminado por uma determinada doutrina é limitado. Depois existem ainda as influencias mais ou menos conhecidas da Igreja em Governos, Empresas, na Política e na Economia. Enfim, a Igreja tem uma história rica em episódios de violência, traição, tortura, guerra, assassínio em massa. Sendo construída por homens e conduzida por homens, a Igreja é imperfeita tal como eles. Tal como nós.

Tenho acompanhado esta visita papal com o olhar dos críticos, confesso. Não condeno nem critico a fé dos milhares de peregrinos que têm seguido este Papa. O mesmo Papa que, quando designado foi tão criticado por muitos dos que agora o veneram. "Porque tem uma face fechada,. Porque não ri. Porque não beija o chão quando sai do avião. Porque usa sapatos Prada. Porque pertenceu à Juventude Hitleriana. Porque é muito conservador." Hoje ouvi uma senhora com ar embevecido de quem está em êxtase espiritual afirmar o seguinte: "Isto é lindo! Tudo é lindo! Eu não gostava deste Papa, não se ria, não era simpático. Mas hoje estive mesmo ao pé dele! Ele é lindo, é um grande Papa! Estou aqui (em Fátima) desde dia 11. Dormi aqui, não tenho vontade de sair daqui, não sinto a chuva! Estive ao pé deste Papa e ele tocou-me com o olhar." De facto, o poder da sugestão, aliado a um elemento cénico e gráfico muito forte, pode mudar muito as opiniões das massas. E operar milagres.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Afinal...


... o Marylin Manson também tem mamas.

Separados à nascença...


Marylin Manson com mamas.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Padeira que era Exorcista em part-time.

Todo este ambiente de fé e crença no Altíssimo (cada vez que ouço este adjectivo só me lembro do Bruno Nogueira...) relembrou-me da minha infância, carregadinha de símbolos e locais do Cristianismo. Mas nenhum episódio dentro deste espírito é mais estranho do que um em particular que, por mero acaso se passou numa i... padaria!
Não era bem uma padaria, apenas um pequeno cubículo no rés-do-chão de uma habitação normal de igreja que distribuía o pão trazido pelo padeiro. Mesmo em frente À minha casa. A Dona Aninhas era (é, que a senhora ainda não morreu!) que voluntariosamente se ofereceu para me curar de um mal que me tinha acometido há vários dias e que não havia meio de me largar. Era um areijo levado do Diabo! Ora, para quem não saiba, o "areijo" é uma infecção da mucosa dos lábios que ocorre por desidratação destes mas que é perfeitamente inofensiva, desde que tomadas as medidas de higiene adequadas. A D. Aninhas estava convencida que era um areijo diabólico e disso conseguiu convencer a minha mãe que me entregou nas mãos daquela senhora para um ritual que só pode ser descrito de uma forma: exorcismo. Amador, é certo mas exorcismo ainda assim.
E assim, sem mais nem menos, dou por mim fechado no cubículo do pão, num ambiente bruxeleante onde a única luz era uma pequena vela onde existia ainda uma daquelas figuras de Nª Sra. de Fátima fluorescentes! Eu tinha uma dessas no meu quarto e tinha arrepios de medo só de olhar para ela, brilhando naquele verde berrante e só conseguia adormecer quando espetava com ela debaixo da cama. A D. Aninhas saca da faca do pão, com a lâmina curva de cortar a dura côdea do pão de centeio e aponta-a para mim! Julgo que pensei em dar-lhe um pontapé e fugir, pensando que ela me ia erradicar o mal à facada mas não. Começou a rezar e a desenhar cruzes na atmosfera, mesmo em frente ao meu nariz...
"Pai nosso que estais no céu.... Avé maria cheia de graça.... Hossana nas alturas... cordeiro de deus...." Ela bichanava as orações enquanto brandia a faca, de olhos fechados. Sempre me impressionou nas missas o facto de os fiéis bichanarem as orações! E que fechem os olhos também. Para mim era bom porque, em não sabendo as orações de cor sempre podia cerrar os olhos cerimoniosamente de ir fazendo "bchhh bchhh bchhh" e no final "Amén", mais uma benzedura e pronto! Ela bichanava e eu lembro-me de estar cheio de fome porque o ritual tinha que ser feito com não-sei-quantas horas de jejum e logo pela manhã. O cheiro do pão fresquinho que moldaava a atmosfera não ajudava a que me mantivesse concentrado nas orações e a pensar "Sai do meu corpo Diabo, sai do meu corpo!" conforme as instruções da exorcista-padeira. Portanto olhava para a Virgem Glam-Rock-Fluorescente e tentava encontrar concentração aí mas, nessa altura dava uma série de ET's na TV em que eles eram assim, verdes, e ficava logo com receio de ser atacado. Com as bolinhas de água, os pães de mistura, as carcaças, o pão de milho e a broa de centeio ali, à mão de semear, a minha barriga comandava a minha mente! E a senhora lá continuava "Pai nosso bchh bchhh bchhh... Avé Maria bchh bchh bchhh..." e eu com uma larica do caraças. Juro que a Virgem se riu maquiavelicamente para mim e a imagem de Cristo pregada na cruz, na parede, me fez um "thumbs-up"!
A D. Aninhas abrandou o ritmo e eu fechei os olhos com força e forcei-me por simular um despertar calmo de um transe intenso "Sai do meu corpo Diabo, sai do meu corpo!", bichanei de forma perceptível. A senhora libertou-me, visivelmente satisfeita com o seu trabalho. Tomei o pequeno-almoço e depois pedi à minha mãe para me comprar uma pomada.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Santa Paciência!

Quem atravessa a Ponte 25 de Abril em direcção a Almada não pode deixar de notar o enorme cartaz com a foto de Bento XI e o agradecimento em letras garrafais: "Obrigado Santo Padre!". Eu pergunto-me: obrigado porque? A resposta mais fácil e brejeira será: pelas tolerâncias. Mas só alguém muito desatento ou despreocupado fica contente com as folguitas abençoadas. E não estamos em tempo de folga e de gastar dinheiro. E quanto dinheiro se vai gastar com a presença do Ratzinger? Muito. Entre os gastos com a segurança do senhor, com os reboques dos carros estacionados no seu itinerário e a limpeza e obras para que as cidades fiquem mais bonitas, devem ser uns milhões! O que mais me choca (e já aqui falei disso) é a colocação de fragatas da Marinha de Guerra no Tejo e de mísseis do Exército em Fátima! Alguém acha que, a haver um atentado ele vai ocorrer por mar ou ar? É estúpido e típico de um país que gosta de mostrar o que não tem, que gosta de passar por rico, que aprecia a grandiosidade inútil em vez da eficiente discrição. Tudo isto num país cujo estado é laico...
Por isso, agradecer o quê? A inutilidade da sua acção no panorama mundial? O envolvimento inegável (ainda que na forma de encobrimento) em abusos sexuais de menores que ocorreram (ocorrem?) durante décadas? O conservadorismo e radicalismo como tem conduzido o Vaticano? É este endeusamento de um homem, um alemão de 80 anos que foi criado e formatado pela Juventude Hitleriana e que, muito embora isso até fosse normal para as crianças alemãs daquele tempo, não se pode negar a doutrina a que ele foi sujeito que me irrita. Ele é que devia agradecer ao povo português pela recepção, pelo seguimento cego que os católicos ainda lhe devotam, pelos gastos desnecessários que a sua visita acarreta. Mas são assim os portugueses e os católicos... se consideram alguém como superior a si mesmos rebaixam-se e submetem-se. É isso o Fado.
Voltando à foto gigante do Ratzinger: o homem tem um ar maquiavélico... brrrr!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bom negócio!

Encontrei este anúncio na net e acho que podem estar interessados. Bons negócios!

E, por falar em elogio...

... já repararam que o bonequinho está eufórico? Pois é, 524 km dá pra isso...

Concepções erróneas de quem não pensa...*

A conversa decorria entre duas mulheres desimpedidas (nem marido nem filhos) na sala de trabalho do hospital. O tema era, claro está, homens! Pareciam concordar nas características do macho: bonito mas não modelo, bem formado, bom emprego, bom na cama e... sem filhos. Uma delas sai-se com esta afirmação: "E aqueles homens, pais-babados a correr e a saltar com os filhos nos parques e nos jardins? Cortem-me os pulsos... até podem ser giros mas os filhos cortam todo o interesse!!!". E, na verdade apeteceu-me cortar-lhe os pulsos. Literalmente.
A descrição das brincadeiras no parque com o filho serviu-me na perfeição. Francamente! Mas o que estas mulheres parecem não perceber é o seguinte: anda um homem a correr e a exercitar-se para poder aguentar o ritmo do filho, deixa de se cansar tão facilmente, corre e salta e rebola pela relva, joga ás apanhadas e escondidas, á bola e anda de bicicleta, trepa às árvores, dá cambalhotas e com isso torna-se num verdadeiro atleta, perde uns consideráveis quilos que tinha a mais, tonifica o corpinho e tem energia para, além de acompanhar o filho, manter-se activo no resto das actividades diárias!
Quer-me parecer que quem mais perde são elas...
(*ou, um exercício mental de pura imodéstia e auto-elogio.)

domingo, 2 de maio de 2010

Ele é nosso doente há anos. Um ex-combatente endinheirado, bon-vivant, amigo dos copos e petiscos. Diabético, com insuficiência cardíaca e com um fígado já a queixar-se dos excessos comensais, saía e entrava do serviço regularmente. Vinha ter connosco quando estava à rasca mas, mesmo ainda antes de sair das portas do serviço já ia a combinar um petisco ou uma mariscada com um qualquer companheiro! Uma vez disse-me, em resposta a um aviso meu: "Sr. Enfermeiro, já vivi o que tinha a viver, os meus filhos estão bem, deixo-lhes muito dinheiro. Restam-me os momentos com os meus amigos. Deixem-me viver bem o que me resta!". E hoje cá está ele, deitado numa cama, pálido, com dificuldade em respirar, o coração a falhar. A hora dele chegou.
É um velho conhecido do nosso serviço, alguém que conhecemos no seu auge, independente, lúcido, divertido, camarada. Um colega dizia-me ontem que esperava que a sua morte não acontecesse num dos seus turnos. Os olhos do meu colega não mentiam. Hoje uma auxiliar chorou junto á cama, mão na mão com ele. Na verdade, este doente marcou algumas pessoas daqui. E eu?
Eu sabia que este era o desfecho que o esperava quando o recebi. Cansado, velho e quebrado. Desorientado e agressivo, estava longe do homem alto, garboso e imponente que tinha sido. Vi-o a afundar-se naquela cama e estou aqui hoje vendo-o em períodos de apneia cada vez maiores. E sinto-me como uma parede emocional. Em contraponto aos meus colegas não me sinto triste ou revoltado, nem sequer angustiado com a sua morte. Sinto por ele o mesmo que por outros doentes menos conhecidos. Uma tristeza pelo sofrimento por que sei que eles estão a passar, mas não pela pessoa em si. E esta aparente frieza de emoções preocupa-me por vezes pois preocupo-me com os meus doentes. Apenas não sou capaz de chorar por eles, chorar a sua morte, a perda.