terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Dura Realidade.

O texto anterior ficou a "marinar" propositadamente. Sabia que a sua crueza iria chocar muitas pessoas, como chocou. Na caixa dos comentários, como em opiniões de colegas que lêem este blog foram comuns os sentimentos de indignação, de ofensa, de falta de sentimento ético (seja lá o que isso for!). Mas a verdade é que eu sabia disso, dos sentimentos menos nobres que esse relato iria causar nos leitores. Mas, lamento desiludir, ele reflecte a mais pura das realidades. Alguns comentários faziam o paralelo entre tratar de papéis e tratar de doentes. Que não é a mesma coisa, que os papéis podem esperar e os doentes não. Sim, é verdade. Mas não é menos verdade que a morte, o sofrimento, a dor são o nosso objecto de trabalho e, logo estão banalizados. O primeiro morto que eu cuidei, que toquei, que lavei, a quem tirei os tubos, que identifiquei, que coloquei no saco ficou cá gravado. Ainda hoje recordo a face, o corpo marcado pela doença e pelo calvário que passou na cama. E recordo ainda hoje, como um murro no estômago, a maneira como esse homem foi colocado na "maca-fúnebre". O que me passou pela cabeça, há mais de 10 anos atrás foi que tratavam aquela pessoa como se uma caraça de um porco abatido se tratasse!
A morte é banal, na nossa linha de trabalho. Ao contrário da maioria dos "empurra-papéis", nós temos que lidar diariamente com a nossa mortalidade e com a sua fealdade. Eu, de cada vez que recebo um novo doente,velho, acamado, esburacado, deparo-me com uma possibilidade do meu futuro. Lamento informar, mas a morte não é bonita nem agradável nem tão pouco romântica como no cinema. E sim, para nós é apenas mais um dia de trabalho, mais uma tarefa no turno, mais papéis para preencher, mais cuidados fora da rotina. Agora, o facto de ser uma situação triste não implica que nós estejamos tristes, sensibilizados, sintonizados com esse sentimento. Há mortes que nós sentimos, outras nem por isso. Mas uma coisa é certa: quem ousar pensar em encarar estas situações com a atitude pesarosa típica dos velórios bem pode desistir de ser enfermeiro.
Porque a Enfermagem está longe de ser uma profissão romântica...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

-Oh merda! Já está com aquela respiração de peixe!
-Foda-se... pode ser que se aguente até de manhã. Não queria nada ter de andar a lavar e ensacar o morto ás tantas da madrugada.
-Achas o quê? Quatro da manhã?
-Não pá! Ou morre agora ou então que se aguente aí até às 7. Preciso mesmo de ter uma noite descansada.
-Podíamos lavá-lo já e -lo no saco agora! Era só fechar depois!
(risos)
-Ehhh pá, que mau! Muito mau!!
-Coitado do homem...
-Coitado mesmo. Ao que um gajo chega...

Esta conversa aconteceu. Aliás, acabou de acontecer. E ainda fico impressionado com a dureza das palavras que, por vezes, saem da minha boca. Na verdade, julgo que nenhum de nós, que as proferimos as sentimos verdadeiramente. Serão talvez um escape perante o inevitável, o sofrimento de um Homem, a morte de alguém e o caminho de sofrimento que esse alguém tem de percorrer. É a impotência, a pequenez, a nossa insignificância, o apodrecer dos corpos outrora jovens. É enfrentar o nosso futuro mais negro todos os dias, uma e outra vez. É projectar-mo-nos naquela cama, com aquela dificuldade, com aquele corpo esburacado pela pressão dos nossos próprios ossos já despidos de qualquer músculo. Foda-se! Eu não quero morrer assim! E se algum dia me encontrarem assim, naquela decrepitude, a chafurdar na própria merda, a cheirar a podre, a lutar para meter ar nos pulmões peço-vos: acabem com o meu sofrimento! Não me importa de que maneira, mas sejam rápidos e eficazes. Chama-se misericórdia e há poucos que a pratiquem.

Por exemplo, as muletas verbais.

As "muletas verbais" são aqueles auxiliares de discurso muito usados por pessoas cujo vocabulário é tão pobre que se agarram à única palavra que dominam para colorir aquilo que dizem. Já todos ouvimos o uso excessivo e nem sempre adequado de "portantos" e "nomeadamentes" que poluem qualquer tentativa de produção de um discurso fluido. Eu também tenho as minhas "muletas" mas não tanto ao nível da repetição de vocábulos. Como vim a descobrir durante uma filmagem de uma aula que dei, no âmbito do Curso de Formação de Formadores, eu é mais "pausas sonoras", breves (e não tão breves!) "ahhhh" ou "hmmmm" que preenchem os momentos em que organizo o meu raciocínio, construo o meu discurso. Não é bonito, não é bonito...
Mas, ultimamente tenho detectado que uma nova "muleta" ganha cada vez mais espaço nas minhas conversas. E isso é irritante, tão mais irritante como a consciência que ganho da sua existência e da minha incapacidade para a evitar. Por exemplo, cada vez que inicio o meu discurso advirto-me para não a usar. Ainda ontem , por exemplo, estava a falar com um colega e contei pelo menos umas três ocasiões em que a usei. Olha, por exemplo a falar com a família de uma doente estava capaz de me bater, de tantas vezes que a usei! Mas, por exemplo, se a conversa tiver lugar num ambiente mais profissional e for mais técnica já não uso a muleta! É estranho. Por exemplo, nas passagens de turno ou em debates profissionais não ocorre. Mas mesmo, mesmo mau é quando, por exemplo, eu vou, por exemplo, dar um exemplo qualquer para ilustrar o discurso! Por exemplo, imaginemos que estou a falar das corridas, por exemplo, e descrevo o treino, as distâncias, a dieta a seguir. Por exemplo, isto é tudo por exemplo!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Abraço no Masculino!

Num outro dia enquanto passeava com a família encontrei um colega de outras paragens profissionais que já não via algum tempo.
-Grande Tiago! Como é que isso vai?
-Miguel, ganda maluco! Já não te via há uns tempos!
Aperto de mão, abraço, algumas palavras e adeus, adeus qualquer dia temos de combinar um cafézinho! E, no final de tudo a Mariana exclama: "Mas que raio de maneira de abraçar tão estranha que vocês usam para se cumprimentar...". Passo então a explicar.
Abraços desses directos, braços entrelaçados no pescoço, peito com peito, beijinho no rosto não se usam entre homens. Estão reservados para mulher com mulher ou homem com mulher ou ainda pai com filho! Homem com homem não funciona assim. O primeiro passo é o cumprimento de mão, o vulgarmente designado "bacalhau"! Pode ser na forma clássica mas, normalmente ocorre na forma modificada, a mão elevada à altura do peito com o polegar a apontar para nós que é atirada contra a mão, igualmente colocada, do nosso companheiro! Depois de bem encaixadas, as mão puxam o nosso compincha em direcção a nós sendo que o contacto físico se dá braço com braço e o nosso ombro contra o ombro contrário do outro. Este movimento impede contacto físico excessivo, contacto esse que poria em causa toda a "coolness" do movimento além de que, demasiado contacto de dois peitos masculinos pode ser um bocado rabeta! Posto isso, a mão livre serve para dar fortes palmadas na omoplata do companheiro. Atenção que é na omoplata! Mais uma vez, esta localização impede que o braço envolva as costas do outro eliminando o factor "rebetice" e permite que as palmadas sejam vigorosas e sonoras. Sim, porque um abraço entre dois machos quer-se sonoro e viril. Terminadas as palmadas, que serão tão fortes como forem as do outro, desfaz-se rapidamente a posição de contacto para que não haja mal-entendidos. Ficar a conversar com as mãos dadas também faz disparar o "alerta rabeta". E pronto, não estou à espera que as mulheres que lêem este blog entendam este ritual tão importante nas relações macho-macho, mas pelo menos ficam esclarecidas!
Não precisam de agradecer.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Porque quem não se sente não é filho de boa gente.

Ainda na linha da desilusão, do desencanto, do divórcio com a profissão...
É engraçado como por vezes o Universo parece convergir. Ambas as instituições onde trabalho estão a passar por uma fase de "convulsão administrativa" que vai deixar marcas profundas em todos os seus funcionários menos nos administradores que causam as referidas convulsões. Se, num dos Hospitais o meu lugar está assegurado, no outro nem por isso. Mas, na verdade o que me faz reflectir e me entristece é a forma como esses cortes, reorganizações, remodelações são pensadas e conduzidas: sem nenhum tipo de escrúpulo para o trabalhador!
Nos últimos dias tenho-me sentido como apenas uma fracção de um algarismo qualquer presente num qualquer papel, gráfico, apresentação. Nem sequer um número. Nada. Porque é isso que nós somos, quando vistos da perspectiva do Administrador sentado na sua poltrona reclinável de pele! Não peço sequer que saibam o meu nome, ou o dos meus colegas mas que reflictam que todos nós (enfermeiros, auxiliares, empregadas da limpeza) contribuímos para o sucesso daquela instituição. Que nós SOMOS a instituição. E que merecíamos mais do que uma carta registada com aviso de recepção a dizer: "Dentro do estipulado legalmente, informamos que a sua colaboração com a nossa instituição cessa no próximo dia..."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Facebook Status

Miguel foi correr de madrugada. Perdeu a chave do carro. Encontrou-a. Miguel tem uma sorte do cara****!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A culpa é de quem lhes dá audiências!

Não gosto da TVI. Por princípio, é um canal que não vejo. Porque os programas são populistas, fracos, pouco inteligentes. Porque aposta na promoção da mediocridade e do voyeurismo. Porque não educa, não ensina. Tem uma abordagem pela negativa, pelo sensacionalismo, pelo "diz-que-disse". A melhor maneira que encontro para a descrever é esta: sinto que estou constantemente a ver as velhas de uma aldeia qualquer do Portugal profundo a falar da vida deste e daquele! E o Jornal Nacional é pouco mais que sofrível, os filmes são de série Z ou pior e as novelas, bem, as novelas...
Mas esta notícia é deprimente. Até para os padrões da TVI! O que não vem descrito na versão on-line do jornal faz toda a diferença: falta dizer que a TVI passou a entrevista ao criminoso dando a perceber que ele estaria no estrangeiro quando, na verdade ele estava nos estúdios em Oeiras! Ou seja, a TVI protegeu e escondeu um criminoso! Já é mau permitir o tipo de visibilidade típico de uma TV líder de audiências mas, ainda pior é ser cúmplice no crime de proteger e dar guarida a um criminoso! Não tenhamos dúvidas, foi este o caso! E, logo aqui encontro duas grandes razões para o atraso de vida que se verifica em Portugal: em primeiro lugar, o facto de uma TV nacional (ainda que privada) tenha sido cúmplice num crime e que ninguém ache isso estranho e, em segundo lugar que a TVI seja líder de audiências em Portugal. E isso explica muito acerca do povo português.

Direito de resposta!

Podem parar de armar o "sexo superior" porque 90% das meninas também têm que ir ler umas coisinhas!!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Musicas de Arrepiar a Espinha!

E hoje, na rubrica "Músicas de Arrepiar a Espinha!", apresento uma canção lindíssima de um grupo australiano cujo álbum "Conditions" é algo de maravilhoso. Chama-se "Soldier On", dos Temper Trap. A parte mesmo arrepiante, mas arrepiante mesmo, chega cerca do minuto 3:50. Ouçam uns dos mais belos 6 minutos que já foram feitos. É garantido!

"Keep your heart close to the ground..."



E toda esta emoção e arrepios na espinha logo ao km 2!! Fantástico!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Suas malucas!

Descobri este vídeo através da Pólo Norte e dele retiro algumas conclusões:
-Afinal quando elas nos pedem flores estão a desejar que nós colhamos uma e apenas uma flor. A delas.
-Constato neste filme que elas são capazes dos piores fingimentos orgásmicos! É impressionante! Por momentos acreditei que estavam realmente a... ehhh, será que já alguma vez fui enganado?
- Meus amigos, quando elas falam em romantismo e espontaniedade... é treta! Pelos vistos, os melhores são os que investigam e estudam a maneira de as melhor satisfazer. Eu, pela minha parte, vou já rever os meus conhecimentos da anatomo-fisiologia da mulher!

Vejam! Vejam e retirem as vossas próprias conclusões...

domingo, 12 de setembro de 2010

Cenas Medievais no Séc. XXI

Acabo de ver na TV uma cena no mínimo medieval, até porque se passava dentro das muralhas de um castelo. Tratava-se de uma espécie de matilha de animais selvagens que urravam, gritavam, exultavam enquanto assassinavam um outro ser vivo que não representava qualquer tipo de ameaça ou perigo. Esta cena tinha centenas de espectadores que aplaudiam e incluía crianças. E voltou-se a matar um touro, desta vez em Monsaraz.
Será que esta gente não vê a violência que se passa em frente aos seus olhos? Será que são estúpidos ou apenas absolutamente insensíveis? Será que os que mataram o touro amarrado e incapaz de se defender, ainda por cima a coberto de uma lona, o que só torna esse crime apenas mais cobarde, serão apenas uns sacaninhas com sede de sangue ou violentos psicopatas? Que pais são aqueles que levam os seus filhos, crianças, a um lugar onde centenas de pessoas vibram, aplaudem , incitam à violência, ao sangue, à cobardia que culmina com um assassínio cobarde de um animal majestoso que nunca se rende? Como explicam eles às crianças que aquilo é nobre, é lindo, é tradição? Tradição? Num país que se pretende civilizado?
Também me choca que se entupa os tribunais com processos de legalização, de excepção, que protejam e permitam estes crimes, que se ocupe a polícia com a deslocação ao local da morte para a identificação dos mentecaptos que assassinaram o touro cobardemente e com a burocracia exigida para apenas se arquivar mais um crime. Mas aqui os culpados estão identificados: todos os presentes no recinto. Que eu saiba, tanto é culpado quem prime o gatilho como quem protege, ajuda e de alguma forma contribui para o facto. Não me venham dizer que é uma tradição com 100 anos porque há 100 anos as mulheres não podiam votar, 90% (estou a ser optimista) da população não sabia ler e Portugal foi uma monarquia quase até ao final do ano!
É um crime, não uma tradição. É a banalização da morte e da violência, ao vivo e a cores. É a desculpabilização de comportamentos psicopatas a coberto de uma norma social perfeitamente desactualizada. E Espanha, terra dos touros e toureiros, já começou a acabar com isso.
Além de tudo isto, como é possível aplaudir-se um homem que entra numa arena com collants e jaqueta apertadinhos e com brilhantes e pom-pons dependurados. É um bocado rabeta, digo eu!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Divórcio.

Ontem um colega teve esta observação: "Estás divorciado da profissão, não estás?". E isso fez-me pensar: na realidade, estou.
Contextualizando, o que se passa é que o meu nível de investimento académico na enfermagem é zero, nenhum, vazio. Entenda-se por "investimento académico" a frequência de cursos, pós-graduações, mestrados, especialidades. Que, na minha opinião são, na área da enfermagem, absolutamente cosméticos. Ou seja, ficam muito lindos no currículo mas não servem para nada! Do ponto de vista da progressão e diferenciação na carreira não servem de nada. Acabando-se os "hospitais do estado" que dão lugar aos "hospitais-empresa", os enfermeiros ficam todos ao mesmo nível, sendo que são nivelados por baixo. Não interessa se sou especialista porque a administração do hospital não escolhe por competências mas sim por compadrio, cor política, ou, na maioria dos casos, escolhe para Enfermeiro-Chefe, ou Supervisor ou Coordenador, aquele profissional que garanta não por em causa a política economicista do Administrador e engendre esquemas que permitam produzir mais com menos enfermeiros. Isso significa mais trabalho para menos enfermeiros. Neste contexto, de que vale investir na formação académica?
A realização pessoal, dirão provavelmente muitos de vós. A questão aqui é a seguinte: eu não ando a trabalhar para aquecer, nem porque gosto de trabalhar e muito menos porque sou apaixonado pela prestação de cuidados de enfermagem! Não. Eu trabalho porque tenho responsabilidades familiares e considero uma parvoíce prejudicar a família (em tempo e em economias) em prol de uma formação que, na prática não me dará retorno nenhum! Para que tenham um exemplo do que falo: um colega meu, mais novo, encontra-se actualmente a fazer uma especialidade em enfermagem para que aumente as suas probabilidades de entrar como contratado num hospital (ele é "recibo verde") mas a trabalhar como enfermeiro de nível 1. Ou seja, um generalista em início de carreira! Isto é a promoção do "currículo a metro" e o enriquecimento das escolas de enfermagem que, cada vez mais, abrem cursos de especialidade que depois vendem a preço de ouro a enfermeiros desempregados ou em situação precária, acenando-lhes com a hipótese (sublinho, a hipótese) de poderem ser contratados (a termo certo, claro) por um hospital qualquer que lhes vai pagar o base do início de carreira. E eu não trabalho para sustentar pançudos.
Num outro nível, o dos cursos de pequena duração ou "workshops" temos outro grande embuste. Existe por aí uma instituição que ministra curso tais como enfermagem forense e enfermagem podológica! Mesmo para os leigos penso que isto deve soar ridículo! Na prática, há pessoas que pagam (e bem!) e despendem o seu tempo a tornarem-se nos CSI Nurse (atenção que não há enfermeiros envolvidos em investigações forenses nem se prevê que algum dia haja!) ou então a aprender a limar as unhas dos pés! Ridículo. A Enfermagem actual em Portugal é ridícula.
Mas este divórcio da profissão e dos seus representantes não significa o divórcio dos meus parceiros de trabalho do dia-a-dia. Há excelentes enfermeiros em Portugal. Profissionais de excelência que a Profissão não valoriza e que a opinião pública não reconhece. E, este divórcio, não significa também o divórcio dos doentes. E é aqui que reside o meu investimento (ainda que indirecto) na profissão. Ao nível dos cuidados directos aos doentes através da revisão bibliográfica de conhecimentos já apagados, da pesquisa de novas técnicas de tratamento e abordagem aos doentes, através da discussão com os colegas e com outros profissionais (sim, os médicos) que têm muito para nos ensinar. Mas isso não entra no currículo, não é valorizado. Mas enfim, considerando que o currículo vale zero e, zero x zero = zero, acho que vou manter a minha linha de evolução académica!
Agora vou trabalhar que não me pagam para estar a escrever divagações desiludidas e sem piada para um público que até se está nas tintas para o enfermeiros!!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Músicas de arrepiar a espinha!

Não sou muito de criar "rubricas" ou temas fixos no blog até porque depois não as cumpro! Mas acredito neste "Músicas de arrepiar a espinha!". De cada vez que vou treinar levo o iPod e ouço música. Não presto atenção à maioria das canções que se vão sucedendo mas, em todos os treinos lá aparece "aquela" canção que me faz arrepiar. Primeiro a "espinha", depois os braços. O ritmo da passada aumenta e a frequência cardíaca também! E a primeira "Música de arrepiar a espinha!" do blog é esta...

Disfrutem!


Outra Dimensão.

Às 7:30h de hoje já levava cerca de uma hora de corrida. Se no início da corrida era ainda noite junto à Baía do Seixal (óptimo spot para correr!) e esporádicos os carros e pessoas que se viam na rua, perto do final do treino já a zona fervilhava de movimento. E digo fervilhava porque foi essa a sensação que tive, enquanto corria ligeiro e fresco junto ao rio e observava o movimento à minha volta. E, facto curioso, embora fosse eu que corresse não era eu o mais acelerado! Enquanto corria mais rápido do que todos naquele largo passeio e ia ultrapassando mulheres de salto alto e fato "executivo", homens de fato e gravata, mulheres arrastando os seus filhos, pessoas a escreverem furiosamente SMS ou berrando já ao telemóvel não pude deixar de sentir que, na verdade era eu que ia mais lento.
Nas paragens do autocarro só via semblantes fechados, zangados, vazios. Pessoas andando para trás e para a frente, abanando uma perna, olhando de esguelha para o companheiro do lado, denunciando assim a sua pressa, a sua impaciência. E olhavam para mim, com o olhar carregado de um sentimento de quase ofensa pela minha passagem. E eu seguia, leve e feliz, com o cheiro do rio comigo, com a mistura entre o fresco da brisa da manhã e o quente dos primeiros raios de sol que despontavam, com a música nos ouvidos que me isolava quase hermeticamente do resto do mundo. Quase numa outra dimensão.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

The Land of the Free and the Home of the... idiots.

Falam eles de fundamentalismo.

Isto é serviço público meus amigos, serviço público!

Às senhoras (sim, que são as mulheres que mais sofrem deste "mal") que "tentam suicidar-se" através da ingestão de medicamentos prescritos por um qualquer médico: não resulta, ok? Tomar uma caixa de comprimidos para dormir o sono eterno não resulta, normalmente por duas grandes razões:
1º. A maioria dos fármacos prescritos para tomar no domicílio não são suficientemente fortes para provocar a morte.
2º. Mesmo que o sejam, o processo é lento o suficiente para permitir a intervenção médica e impedir males maiores.
Dito isto, sugiro alguns métodos mais eficazes, embora mais sujos e menos agradáveis à vista, mas que não dão trabalho nenhum para além da inevitável recolha e limpeza. A saber:
-Tiro no céu da boca.
-Salto da Ponte 25 de Abril ou similar.
-Enforcamento (em local isolado e sem assistência).
-"Pega de caras" a um comboio em andamento.
-Trapézio em cabo de alta tensão.
-Salto de paraquedas sem o respectivo paraquedas.
-Bungee-jumping sem elástico.
...
Enfim, sejam criativos!
PS: Já tinha aqui descrito a pachorra que tenho para estes "doentes" com "depressões", não tinha?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Processo Kafka-Pia.

Foram condenados TODOS os arguidos no processo Casa-Pia. No entanto é normal ouvir no trabalho, no café, na rua opiniões de pessoas que muito simplesmente acreditam que Carlos Cruz é inocente. E só Carlos Cruz tem este benefício da dúvida, fruto de anos e anos de simpatia distribuída através da televisão. Mas, o que deve ser alvo de reflexão não é o facto de se acreditar na culpa ou inocência de Carlos Cruz. Não, o que deve ser alvo de reflexão é o facto de que essa dúvida surge apenas porque os portugueses não acreditam na Justiça. Eu, pelo menos, não acredito.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os Convivas da Távola Redonda.

Que a comida (o "cumer" como se diz na minha terra natal) ocupe um lugar central na vida dos portugueses, tudo bem. Que os portugueses consigam centrar toda uma celebração em torno de uma mesa farta, também tudo bem. Que os portugueses acordem a pensar no almoço e discutam acerca de qual a ementa do jantar durante esse mesmo almoço, menos mal. Que os portugueses vão de férias com a cozinha às costas e que passem essas mesmas férias a cozinhar, nada a opor. Que a expressão "Come-se muito bem nesse restaurante." signifique realmente "As travessas estão a transbordar comida em quantidades que ninguém normal é capaz de deglutir." e que "Fui a um casamento em que fomos muito mal servidos." queira dizer "Só havia dois pratos, um de carne e um de peixe, para além das entradas, enchidos, carnes frias, sopa e sobremesas.", ok. Mas, o que não me entra é que se façam quilómetros só para se comer num determinado restaurante! A sério, a ideia de me deslocar a um determinado sítio tendo como único móbil um determinado restaurante soa-me ridícula. É como dizer "Olha, vou a Paris almoçar num restaurantezinho onde servem uns "escargots" divinais e muito bem servidos. Diz que fica ali ao lado de um mamarracho de metal gigante, uma torre qualquer, mas diz que aquilo é grande, mesmo junto ao rio. O restaurante é mesmo ao lado, não tem nada que saber!". Mas, ò ignorância a minha... "escargots"? Ainda se fossem uns caracóis do Barbas... Nada disso, o portuga não se desloca a um qualquer restaurantezeco da moda que sirva um prato diferente, uma iguaria ou algo exótico. Vegetariano? Chinês? Indiano? Era só o que faltava! Nada disso, tem que ser um restaurante que sirva carrrrrne sangrante e em doses industriais. Cozido, ensopado, na chapa, na tábua, na pedra. Tudo bem servido e, claro, bem regado!
Nas minhas últimas férias conheci duas famílias. E, garanto-vos, que o tema principal das conversas não fugia muito dos tópicos: comida, restaurantes, roteiros gastronómicos, o inqualificavelmente magnífico naco na pedra mirandês, os secretos de porco preto divinais daquele restaurante em Estremoz, o leitão da bairrada que, afinal, é ainda melhor ali prós lados de Lamego, os queijinhos, o presunto, as azeitonas. Quando souberam que eu já conhecia Évora a primeira coisa que perguntaram foi: "E um sítio bom para comer?". Não há pachorra.
Não é que eu não goste de comer e beber, bem e muito. O que me intriga é o facto de esse ser o principal motivo de uma viagem, o tema central de um programa. Porque, em não tendo referências gastronómicas na zona escolhemos o restaurante ou a ementa que nos parecer melhor e comemos. Porque comida é comida e, em último caso, come-se qualquer coisa em qualquer sítio.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

De como os momentos sublimes surgem quando menos esperamos.

O local são as Docas, em Lisboa, 6 e 30 da manhã. Ao chegar ainda lá estavam algumas centenas deles, espalhados pelas pedras da calçada, pelos passeios, ainda a abanar-se freneticamente dentro de pequenos covis semi-iluminados. E era só um de mim, de calções, t-shirt, sapatilhas de corrida. E eis o encontro de duas espécies que raramente se cruzam.
Se eu já estava à espera de os encontrar, já eles olharam-me com estranheza, surpresa e algum gozo pelo meio, através dos seus olhares esgazeados. Um fulano a correr, às 6 e 30 da matina pelo meio de uma pequena multidão numa das zonas mais movimentadas da noite de Lisboa é algo demasiado inédito para aqueles cérebrozinhos cansados processarem, lá me deixaram passar no território deles (era noite ainda, logo era deles).
Ultrapassada a multidão, o rio Tejo tornou-se meu companheiro, ouvia o seu murmúrio nos silêncios que o meu iPod me oferecia entre canções demasiado barulhentas e agressivas para aquela hora da manhã (e daí, talvez a multidão que deixara para trás discordasse de mim!) mas absolutamente necessárias para manter a motivação. Disse olá ao Padrão dos Descobrimentos e adeus à Torre de Belém, passei pela Estação de Comboio de Algés e os poucos e sonolentos passageiros que aguardavam olharam-me com desprezo. Como se a minha corrida matinal fosse uma ofensa ao cansaço que ostentavam nas suas faces. Voltei para trás, reencontrei o Rio e, com ele o Sol que nascia. Se há momentos sublimes então aquele foi um deles. Só eu, o Rio, o Sol e a Ponte que nos guardava. E assim ficámos, os quatro, a correr sem pensar em mais nada. Cheguei às Docas, os "nocturnos" tinham sido espantados pelo Sol. Respirei o ar ainda fresco. Olhei o Rio, o Sol, a Ponte uma vez mais e fui trabalhar. São agora 8 da matina.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Boys and their toys...

Alguém me explica o demente apelo sentido pelos homens por tudo o que é brinquedos tecnológicos? Aquelas coisas com touchscreens, gigabites, apps, wi-fi, dolby-surroud, panorama mode, sweep mode, twilight shot, android, super amoled, megapixeis, etc, etc, etc (sim, acabei de escrever montes de expressões típicas dos gadgets masculinos e juro que não inventei nenhum!)? Alguém? Um psicólogo, psiquiatra, vidente?
Sinceramente. É estúpido que alguém como eu, razoável nos seus gastos, que privilegia a utilidade e versatilidade das coisas que compra e minimamente inteligente para perceber que não vale a pena comprar um telemóvel com 58379 aplicações quando, na verdade só vou fazer e receber chamadas, ande agora embeiçado por um desses novos touchscreens com acesso à internet e câmara fotográfica de 5 Mpixeis, com GPS integrado, função de ultra-realidade (não sei o que é mas parece tãããão fixe!!!) e identificação por imagem (espectáculo! Imaginem-me quando descobrir o que isso é...), agenda electrónica, microsoft office móvel e mais umas quantas funções perfeitamente irrelevantes. Mas é tãããããão lindo. E tem tantas coisinhas giras e botõeszinhos no ecrã e luzinhas que piscam...
ALGUÉM ME DÁ UMA BOFETADA????
É provavelmente o que vou receber assim que a Mariana ler este texto.

Por vezes sinto que trabalho numa Estação de Serviço.

E ontem foi um desses dias! Sinceramente, já não me lembrava de passar tanto tempo (praticamente toda a manhã, até à hora do almoço!) a dar banhos aos doentes. A hora dos banhos, ou "higienes" como os enfermeiros gostam de lhes chamar, é sempre um momento muito agitado na vida de qualquer enfermaria. Na enfermaria onde eu trabalho, sendo que a maioria dos doentes são velhinhos acamados ou com muitas dificuldades de mobilização. E surdos que nem portas, a maioria deles. Em primeiro lugar, os banhos na cama ou "higienes no leito"...
-Dª FRANCISCA VAMOS COMEÇAR. FECHE OS OLHOS!
-HÃÃÃÃ?
-FECHE OS OLHINHOS!
(agarro numa esponja cheia de água e esfrego a face, braços e peito do doentes. A minha auxiliar seca tudo, do outro lado da cama. Passamos para as pernas e pés.)
-Dª FRANCISCA, AGORA VAMOS LAVAR A PATARECA*. TEM A FRALDA SUJA?
-HÃÃÃÃ?
-FEZ CHICHI E COCÓ?
(a velhota encolhe os ombros. abrimos a fralda e espremo a esponja em cima do pitó* da senhora. esfrego. A auxiliar limpa.)
-AGORA VAI VIRAR-SE DE LADO ALI PARA A CARLINHA (a auxiliar). NÃO TENHA MEDO.
(digo sempre isto porque o doente fica de lado, bem à beirinha da cama e, invariavelmente, têm uma medo terrível de cair. Esfrego as costas, limpo-as e aplico o creme hidratante. No final afasto os lençóis molhados e empurro-os para baixo do doente. Coloco um lençol seco na metade da cama que está livre)
-PRONTO. VIRE-SE PARA MIM...
-AII, QUE EU CAIO!
-NÃO CAI NADA MULHER, QUE EU NÃO DEIXO!
(a auxiliar retira os lençóis molhados, limpa a outra metade da cama e puxa o novo lençol seco. Está pronto!) Agora multipliquem estes discursos berrados por mais dois ou três enfermeiro e juntem-lhes os gritos de medo ou de dor de muitos doentes e talvez percebam a animação que é este momento!
Quando os doentes conseguem ir à casa-de-banho prefiro dar-lhes uma boa chuveirada...
-SR. MANEL! A ÁGUA ESTÁ BOA ASSIM?
-TÁ QUENTE!
-E AGORA?
-TÁ FRIA! NÃO... ASSIM TÁ BOA!
(afastado do doente, aponto-lhe o chuveiro assim tipo mangueirada! Se lhe der o chuveiro para a mão é certinho que vou tomar banho também.)
-VÁ! ESFREGUE BEM A CARA. E O PEITO. LAVE-SE BEM "POR BAIXO". TOCA A LAVAR OS TINTINS*...
-HÃÃÃÃ?
-OS TINTINS HOMEM!
-HÃÃÃ?
-OS TOMATES!!!!
-AHHHH.
-AGORA SEGURE AQUI NO CHUVEIRO ENQUANTO EU ESFREGO AS COSTAS E OS PÉS.
(erro crasso, de principiante. A água salta para as paredes e tectos e espelhos. já estou todo encharcado quando emendo a minha falha!!)
-PRONTO, PRONTO, JÁ ACABÁMOS....
Uma animação a hora dos banhos.
Uffffff.
*termos largamente utilizados para definir "vagina" e "testículos" (consoante o caso) que, admitamos, são uns termos muito sérios. Já "tomates", enfim quando se está já com os pés todos molhados dizemos qualquer coisa para despachar o serviço!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lucilinha.

Por vezes recebemos uns velhinhos patuscos lá no serviço. Vão e voltam mas, nos últimos meses temos tido o privilégio de partilhar alguns momentos com a Dª Lucília, ou como nós lhe chamamos, a Lucilinha.
A Lucilinha é uma velhota de oitenta-e-muitos-anos que veio ao hospital para uma intervenção simples. Sem filhos, rapidamente se percebeu que ninguém a voltaria a levar para casa. O processo de assistência social demora a ter um fim e, entretanto, a Lucilinha vai ficando connosco. Alta, deixa adivinhar um porte altivo de juventude com o seu rosto fino de nariz comprido e queixo proeminente onde agora crescem uns tufos de pelos rijos que vamos cortando de vez em quando. No início falava connosco. Em mim via o seu falecido Alfredo, companheiro de sempre, e dava-me beijinhos (que picavam, com aqueles pêlos no queixo!) ou, à falta de melhor na foto do meu cartão de identificação! Falava, é certo, mas completamente fora da realidade! Mas era giro porque ela era uma espécie de cupido lá do sítio: se dois enfermeiros de sexo diferente faziam o turno juntos, eram automaticamente, marido e mulher! Depois foi-se apagando a memória e, hoje, a Lucilinha já não fala. Mas não pensem que ela está mal...
A Lucilinha já não fala, quando a colocamos na cama fica sossegadinha, abre a boca para comer e não se coíbe de sujar as fraldas as vezes que forem necessárias! Mas o seu ohar é distante. Distante, mas não vazio. É como se estivesse a viver na sua própria realidade com pequenos fios apenas que a prendem a esta realidade. Mas a Lucilinha, que já não pode com o rabo, gosta de passear. Pela manhã, depois do banho, prendêmo-la (sim, literalmente, prendêmo-la com um colete especial para não cair) a uma cadeira de rodas e... lá vai a Lucilinha! Gostava de colocar aqui um vídeo mas, enfim... privacidade e essas coisas... mas talvez consiga desenhar uma imagem nas vossas cabeças com as minhas palavras!
Imaginem uma velhota, magra e alta, sentada numa cadeira de rodas. O olhar vago, perdido algures na parede mais distante do corredor, as mão entrelaçadas ao peito. E lá vai ela! Dando aos pézinhos, puxando a cadeira com os seus pés, a Lucilinha vai para onde quer! Para o seu quarto, para o corredor, para a nossa sala de trabalho, para o quarto de outros doentes. Até já se prendeu numa arrecadação! A Licilinha não é exigente e vai para onde a dirigirmos. Quando está num quarto alheio, admirando a paisagem pela janela (faz isso muitas vezes) enquanto os ocupantes daquele quarto resmungam pela intrusão, é só empurrá-la para fora do quarto e, uma vez no corredor, dar-lhe impulso. A velhota levanta os pés e aproveita a velocidade!
Mas o mais engraçado acerca destas deambulações da Lucinha ocorre quando ela encontra um obstáculo. Imaginem aqueles carrinhos de brincar de corda. Depois de dar corda, dirigimo-lo para uma parede e deixamo-lo e, o carrinho ali fica, a lançar-se contra a parede até se lhe acabar a corda! Com a Lucilinha é a mesma coisa! Ela avança e torna a avançar contra a parede, porta, armário ou qualquer outra coisa até o obstáculo ceder (nunca aconteceu) ou até um de nós a ir ajudar a mudar de rumo! A corda nunca acaba à Lucilinha.
A Lucilinha não fala, não sorri, não esbraceja mas talvez, só talvez ela não esteja assim tão infeliz como a sua face parece denunciar...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vejo defeitos nas virtudes dos outros.

Pequeno enquadramento pré-texto: como devem calcular, ninguém que corra 1000 km em menos de um ano (e nem é assim uma marca tããão especial, diga-se!), que o faça regularmente pelo menos 3 vezes por semana e que alie a isso algum trabalho de musculação mantém a sua fisionomia intacta. Posto isto...
Facto: perdi cerca de 10 quilos nos últimos meses. Quem trabalha ou convive comigo não se cansa de se admirar com a minha nova silhueta. Mas, convenhamos, pago tudo em suor e mialgias! Além disso abdiquei de minha antiga alimentação rica em açúcar, gorduras e molhangas carregadas de colesterol! Admito: tornei-me numa daquelas pessoas saudáveiszinhas e aborrecidas que consultam a tabela nutricional dos produtos antes de os comprar e que deixou de comer bolos de pastelaria. Aquelas pessoas que retiram todas as gordurinhas da carne que consome, que agora é maioritariamente branca, que não coloca açúcar no café, que come sempre saladinhas e sopas ás refeições, que come fruta e iogurtes magros a meio da manhã e da tarde, que aboliu completamente a manteiga dos Açores do frigorífico lá de casa, que bebe leite simples sem açucar, que anda sempre com barras de cereais light na mala, que come pão uma única vez ao dia e esse pão é integral ou de sementes. Além disso levanto-me cedo nas folgas e vou correr pelos caminhos de Portugal, faço abdominais, flexões, barras, pranchas, alongamentos. Sou detestável, eu sei.
Mas, por outro lado, eu sou a prova viva de uma teoria que venho defendendo ao longos dos anos. E a premissa é a seguinte: "Emagrecer? Fechem a boca e mexam o !". Simples, profético acho eu! Constato então, com alguma surpresa, que os meus visíveis resultados não servem de motivação para os meus pares que se queixam da gordurinha acumulada, da falta de stamina, do cansaço crónico, da lassidão dos seus tecidos. A julgar pelas observações de alguns colegas "Isso da corrida está a tornar-se patológico.", "Q'horror! Mas agora só comes fruta e iogurtes magros?", "Ai! Está muito magro. Gostava mais quando tinhas barriguinha!", dizem eles, o problema sou eu! Eu é que sou louco por me levantar ás 7 da manhã, num dia de folga, e sair para correr! Eu é que sou louco por renegar ao culto do açúcar refinado, eu é que não vejo que na verdade, os 10 quilos que queimei sem piedade e sem saudade eram afinal o que me dava charme e fazia de mim uma pessoa interessante! Assim com a barriguinha, que era amorosa.
Quando os tento fazer ver que se eu, com dois empregos e dois filhos pequenos, consigo então melhor o fará quem apesar dos dois empregos, não tem filhos. Quando digo que é uma questão de vontade e que, na maioria das vezes não tenho vontade nenhuma e que preferia estar a escrever no blog, a resposta é "não consigo". Quando explico que a dieta equilibrada (porque é disso que se trata, de uma dieta equilibrada que todos devíamos ter em atenção e não uma louca dieta restritiva) é cumprida porque, convenhamos, não vou "mandar ao ar" o esforço de correr 10, 13, 16, 18 km (que custa!) só porque me apetece comer um Big Mac, a reacção é "não consigo", então só posso concluir que eu é que sou um anormal! E as pessoas sentem-se mal na minha companhia... sou execrável, de facto!
Que as pessoas queiram a saúde e a beleza comprimidas numa pequena cápsula fornecida em blísteres de 20 cada, eu percebo. Que as pessoas acreditem nisso e que arranjem pretextos para minimizar o feito de quem, de facto conseguiu melhorar a sua saúde e a sua aparência já me custa a aceitar...
PS: tudo bem que agora ando com um ego sobredimensionado mas, caramba!, como gosto de me ver ao espelho!

domingo, 22 de agosto de 2010

Exultem comigo!!

Chamo a vossa atenção para o "virtual runner me" ali à direita do ecrã...



1000 km já perCORRIDOS!!!!



Obrigado, obrigado!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mulheres-Ferrari.

Apareceu uma dessas mulheres lá na piscina do hotel onde passámos as nossas humildes férias familiares. Podia gastar aqui vários parágrafos a descrevê-la com os mais variados adjectivos e com longas e indecentemente gráficas passagens acerca dos seus atributos físicos mas, enfim, a Mariana lê isto de quando em vês e convenhamos, era capaz de não ser agradável! Digamos então que era uma mulher apelativa. Apelativa no sentido em que não passava despercebida a ninguém que estivesse naquela mesma piscina, fossem homens ou mulheres. Uma daquelas mulheres que, por diferentes razões tanto é assunto para os atarantados machos como para as invejosas femêas!
Na piscina estava sempre só ou com uma amiga, não mais, e não havia sinais de homem a rondar o território. Considerando que ela tinha a sua toalha a não mais de 3 metros da minha, pude escutar (acidentalmente, claro!) que estava só, que não tinha relação nenhuma de momento e que não estava preocupada com isso. À primeira vista isto pode parecer estranho. Afinal, uma mulher daquelas não pode estar sem companheiro! Mas, por incrível que pareça, isso não me soou nada estranho. Passo a explicar...
Através da simples observação ( e apenas de soslaio sublinho, já que estava apenas concentrado em vigiar os putos!) pude facilmente constatar que aquele corpo era trabalhado. Confirmei isso mesmo quando a vi a sair do ginásio dois dias consecutivos. Depois, estava rodeada de cremes, sprays, bálsamos, gel que aplicava no corpo, nas mãos, nos pés, no cabelo a cada 5 minutos e depois de sair da banho. Entretanto, cruzando-me com ela no restaurante, foi impossível de não reparar nas roupas inversamente proporcionais aos tamanho dos enormes saltos altos! Era absolutamente impossível para qualquer pessoa não reparar nela. E daí vem o título deste texto.
Quais os sentimentos dos homens face a este tipo de mulher? Logo à partida aquela sensação de "esta-mulher-é-areia-demais-para-a-minha-camioneta" e depois, aqueles com mais confiança "olha!-o-não-está-garantido!". Este é o tipo de mulher que é perseguida como troféu para exibir aos amigos, para esfregar na cara dos outros machos, tipo "olha que gaja tão boa que ando a papar!". É um bocado como os Ferraris: todos os homens gostariam de, um dia, dar uma voltinha num enorme, potente e vistoso Ferrari, toda a gente pára na estrada para o ver passar e todos o rodeiam quando está estacionado! Mas, a esmagadora maioria não quer (nem pode!) ter um na garagem! É que, se uma voltinha num Ferrari deve ser uma adrenalina do caraças e até nem nos importaríamos de gastar algum dinheiro em gasolina, a manutenção de um desses cavalinhos italianos a longo prazo é muito, muito cara! E nem todos têm disponibilidad€€€€€ para uma máquina dessas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ainda reflectindo...

... acerca do que é ser rico constato que, entre estar com os miúdos, passar as tardes na piscina com o Gabriel, embalar o David, aproveitar as manhãs para passear, continuar a correr e ainda namorar aos bocadinhos com a Mariana, não sobra muita oportunidade para escrever! Portanto, talvez o facto de ser rico não fosse muito bom para a saúde deste blog uma vez que 99% da minha escrita é produzida em pequenas pausas do meu trabalho. Logo, sem trabalho...

Enfim, na próxima semana vou tentar (tentar, não prometo, ok?) escrever qualquer coisinha a partir daqui...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma visão romântica e talvez um pouco ingénua do que eu faria se fosse estratosféricamente rico.

Voltei esta semana ao trabalho. Na segunda para ser mais exacto. E, uma vez mais, confirmei aquilo que já tinha sentido quando passei 5 meses em casa após o nascimento do Gabriel: eu não gosto de trabalhar! Aliás, considero que o trabalho é uma enormíssima perda de tempo de vida apenas justificado pelo incompreensível facto que, sem ele, o trabalho, é impossível viver a vida! E isso é uma tremenda injustiça para quem gosta de viver. Neste mês que passei com a família renovei a minha já forte convicção de que seria muitíssimo feliz se fosse o único vencedor de um jackpot do Euromilhões! O dinheiro pode não trazer per se a felicidade mas, caramba!, que dá uma ajuda do caraças, lá isso deve dar!
Quando afirmei isto mesmo perante um colega de trabalho a resposta foi: "Eu gosto de trabalhar. Não imagino a vida sem trabalhar!". E esta é uma opinião mais recorrente do que eu esperava. Mas porque raios há-de alguém de gostar de cumprir uma rotina "acordar ás 6h-estar no trabalho das 9 ás 17-perder tempo no trânsito e nos transportes-prepara o jantar dos miúdos, banhos e afins-ver mais um episódio da novela-dormir- acordar ás 6"? E aquelas que afirmam que seriam vencidas pelo tédio? Na minha opinião: sadomasoquistas e curtos de vista!!!
Mas haverá coisa melhor que acordar de manhã (mais cedo ou mais tarde), tomar um bom pequeno almoço com a família e depois encarar o dia como algo inacabado e sempre possível de mudar a qualquer momento? E viajar? Eu vejo todo o tempo livre proporcionado pela imensa riqueza como um pretexto para viajar, conhecer o mundo, Viver! E talvez uma vida só não chegue para conhecer todo o mundo, quanto mais apenas um mês por ano! Acordar em Lisboa e ir almoçar a Paris, Londres, Roma, Barcelona... só porque nos apetece! Ou então, perseguir o Verão! Seria verão o ano todo! Mesmo que tivesse uma ocupação profissional qualquer, nunca seria algo convencional, com horários, reuniões, telefones a tocar o tempo todo. Dar a cara a alguma fundação ou coisa do género!
Não é que eu valorize o dinheiro por si mesmo, pelo contrário, nem sequer sou muito "agarrado" ao dinheiro! Mas o certo é que o dinheiro nos proporciona oportunidades para viver novas experiências. E, afinal, o que se leva desta breve passagem pela vida? As casas ficam cá, os carros também, as quintas, as propriedades, as jóias, as obras de arte, tudo isso fica cá! Tudo isso pode e é eventualmente transaccionado! Mas as experiências, as memórias, as emoções, as alegrias, os risos dos putos junto à piscina ou num iate ao largo de uma ilha no pacífico enquanto saltam para a água, as emoções causadas pelas obras de arte espalhadas pelo mundo, pelos castelos da Europa, pelas cidades perdidas na América do Sul, pelo deserto em África, pela neve no Norte. Tudo aquilo que é indefinível por palavras e a que temos acesso apenas pelas revistas de viagens. Tudo isso fica connosco e define-nos como pessoas. Tudo isso é a verdadeira riqueza. Não desejo grandes mansões e super-carros, não gostava de ser rico dessa maneira. Mas gostava de ter dinheiro para encher o cofre de emoções!
O que vale é que, a partir de amanhã, estou de féria outra vez!

domingo, 25 de julho de 2010

A Vida não é Justa.

Amanhã o David faz (já!) um mês de vida. Amanhã regresso ao trabalho. A vida não é justa, de facto! Mas hoje foi um dos dias mais divertidos que vivi nestes dias de licença de paternidade: acordámos cedinho (como sempre, aliás!) e tomámos juntos o pequeno almoço, saímos ainda pela fresca e fomos visitar o Museu da Electricidade e o Gabriel adorou ver toda a maquinaria e fazer as experiências propostas pelo Museu para descobrir e entender a electricidade! Eu e a Mariana conversámos acerca da beleza do edifício (antiga Central do Tejo) e deliciámo-nos com as fotos, aqueles pedaços de história plenos de beleza. Passeámos um pouco junto ao rio Tejo. Depois, fomos ao brunch no Magnólia Caffé e enchemos a pança! Depois do almoço regressámos a casa e eu fiquei de mau-humor porque não dormi a sesta como deve ser (somos três crianças cá em casa!) mas acabámos o dia enfiados na piscina, eu o Gabi e a Mariana, com o David a dormir na sombrinha do nosso jardim. Apanhei sol enquanto lia "As Cinzas de Ângela".
Depois de um dia destes não devia ser permitido voltar ao trabalho! Nem amanhã nem durante os próximos 3 meses!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E não fazem sentido um sem o outro...

Era uma dúvida que insistia em aparecer assim, do nada e sem razão nenhuma: quando o David nascer qual vai ser a minha relação com ele? Será a mesma que tenho com o Gabriel? Será mais ou menos intensa? Haverá diferença entre os dois? Algumas pessoas acharam que estas eram dúvidas no mínimo estúpidas e outras pareceram quase ofendidas com a ideia que se pode diferenciar um filho do outro! Para meu espanto, a minha mãe confessou-me um dia que sentiu as mesmas dúvidas quando o meu irmão nasceu (somos dois, eu sou o mais velho). Bom, a resposta é: sim e não!
Sim porque o meu sentimento, ou melhor, a intensidade dos meus sentimentos é a mesma quer se trate do Gabriel e do David. Obviamente, o David é ainda demasiado pequeno mas o amor que sinto por ele está perfeitamente identificado e é exactamente o mesmo que sentia pelo Gabriel quando ele nasceu! Mas, ao mesmo tempo, diferente! É difícil de encontrar palavras para definir isto (e talvez os pais com mais de um filho me possam ajudar nisto!) mas o certo é que, sendo igualmente intenso e presente o amor, a ternura, a afeição que sinto pelos meus filhos, o certo é que a "mistura de sentimentos" (chamemos-lhe isso!) é diferente. É como se comparássemos dois gelados, daqueles com muitos ingredientes todos misturados, da Olá! São os dois igualmente deliciosos mas com sabores diferentes! Tanto retiramos prazer de um e de outro e acabamos sempre por comer uma colherada de um e de outro!! E sim, acabei de comparar os meus filhos com gelados!!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Da Plenitude.

No último domingo resolvemos fazer um programa diferente e aproveitar o facto que aos domingos, até às 14h, todos os Museus Nacionais têm entrada gratuita (quem dá informações porreiras, quem é?) e fomos visitar o Museu dos Coches. Bem giro com montes de "carros dos príncipes e das princesas" como disse o Gabriel. Visita feita, estávamos confortavelmente sentados numa sombra nos Jardins de Belém, o David dormindo placidamente no seu carrinho e o Gabriel roendo uma maça enquanto observava os pombos que por ali andavam, estudando a melhor táctica para agarrar uma deles. Comíamos todos a respectiva maça em silêncio e eu observava a minha família, recém-aumentada. Pensamentos soltos, divagações vagas e dispersas e eis que um pensamento me foge pela garganta:
-Estou cheio de filhos! - exclamo em voz alta para logo me aperceber que, de facto, não eram estas as melhores palavras para traduzir os meus sentimentos.
- Desculpa? - pergunta a Mariana um pouco surpresa com aquela exclamação - Mas ainda agora nasceu o David e já estás assim?
- O que quero dizer é que estou "enfartado" de filhos! - disse agora em tom de brincadeira. - Na verdade sinto que esta família está completa agora!
Analisando agora o que realmente senti naquele momento, na sombra de uma árvore num lindo jardim sob a lindíssima luz de Lisboa (haverá luz mais bela do que a de Lisboa na Europa?), olhando os meus filhos, um dormindo em paz e o outro perseguindo os pombos e desprendendo o riso ao vê-los fugir e ao lado da minha lindíssima e calma mulher, o que senti foi a Plenitude. Senti que a nossa família está agora completa, que ela não faria sentido sem o David e que estávamos preparados todos para o receber. Foi só um breve momento, mas muito, muito intenso!
PS: o David está muito bem, obrigado! Engorda 400 g por semana e dorme muito bem, de dia e de noite (se acreditasse em Deus agradecer-lhe-ia neste momento!). O Gabriel está cada vez mais crescido, mais perspicaz, mais teimoso! Não o queria de nenhuma outra maneira! O pais estão babados.)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Atenção: este é, temporariamente, um babyblog!

Poderia parecer óbvio que o David seria agora o tema principal de escrita aqui no blog. Tudo bem, ele é calminho, dá boas noites, mama bem, aumentou de peso e é lindo. Mas, com a Mariana mais dedicada a ele, por razões óbvias, eu desenvolvi um novo nível de relação com o Gabriel e é sobre ele que me apetece escrever!
O tempo que passamos juntos juntos tem vindo a dar-me a oportunidade de conhecer ainda melhor o meu filho. E apercebo-me de novos traços de personalidade que se revelam. E ainda, se muitos acham que somos fisicamente parecidos eu revejo-me em muitas das atitudes do meu primogénito. Para quem acredita nessas coisas da astrologia, somos os dois Carneiro. Teimosos, orgulhosos, competitivos. E estas são as três principais características que o Gabriel me revela todos os dias. E, não me interpretem mal, enche-me de orgulho que ele seja perseverante mas preocupa-me qual o ângulo da minha abordagem perante isso. Por exemplo, a competição. Já aqui revelei que o Gabriel gosta de correr. Neste momento, para além de gostar da corrida, ele gosta de ganhar a corrida! E fica muito frustrado quando perde. Muito mesmo! E estamos a falar de um menino que é filho de alguém que não gostava de perder, nem a feijões, alguém que partiu raquetes de ténis, tacos de bilhar, que se envolveu fisicamente com adversários... por isso essa nem sequer é uma característica que me surpreenda. Um amigo meu, ao assistir a uma disputa entre os nossos filhos e depois do Gabriel ter chorado por não ter atingido o seu objectivo, afirmou: "És mesmo filho do teu pai!". Mas essas caracteristicas trouxeram-me alguns dissabores em diversas situações e gostava que elas fossem "polidas" no caso do Gabriel. É teimoso o rapaz e as palmadas não resultam, muito pelo contrário! É preferível usar o método do "castigo cronometrado": fica sentado numa pequena cadeira na sala durante um ou dois minutos a pensar nas suas atitudes. Na verdade, é apenas um estratagema para ele respirar e acalmar para que possa depois perceber o que estava errado na sua atitude! Ele não é muito de birras mas, caramba!, quando elas saem...! E depois é orgulhoso o suficiente para, após o seu "tempo de pausa" vir conversar connosco acerca do castigo que acabou de merecer!
Por outro lado, existe um lado muito bom nesta teimosia e orgulho! Gosta de fazer bem! Um desenho pode sempre ser alvo de melhoramento, gosta de aprender palavras novas e usa-as no contexto correcto e repete a nova palavra as vezes que forem necessárias para que a diga correctamente! Não se importa de ser corrigido, gosta de conversar com adultos. Tudo isto faz com que ele tenha um discurso bastante mais evoluído que a maioria dos miúdos da sua idade. A nível físico está muito bem desenvolvido porque, lá está, gosta de competir, de aprender, de correr mais rápido, saltar mais alto, de fazer mais. Hoje perdeu o medo de mergulhar a cabeça na água da piscina e, depois do primeiro "pirolito" quis tentar mais, uma e outra vez!
Ele é um Carneiro, teimoso, orgulhoso, competitivo com tudo o que de bom e menos bom que isso acarreta e cabe-me a mim, Pai, dirigir essas características para que ele possa ser um Homem melhor, no futuro. De resto, o meu filho mais velho enche-me de orgulho!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mais ou menos como a mãe do filho do CR7/9...


...o David também deseja permanecer no anonimato.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

E agora vocês exclamam: "E eu com isso?!?!"

Uma amiga comenta no meu facebook: "mas como consegues tu correr 10 km com um recém-nascido em casa?". A resposta vem em várias alíneas:
a) porque o David é sossegado e (por enquanto!) dá boas noites.
b) porque a minha mulher é uma santa que só me acorda durante a noite se precisar de ajuda.
c) porque tenho o sono de um calhau transmontano, só acordo ao abanão.
d) porque posso.
mas, acima de todas as outras...
e) porque PRECISO!!!
As cabras das endorfinas dão cabo de mim se não for correr! Cortam-me toda a energia e vontade de me mexer e obrigam-me a percorrer as ruas da vila onde vivo até ter acumulado os tais 10 km para me devolverem o bom-humor!
E é isto.
Agora vou ali cair morto.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Crónicas da Licença Parental.

Isto de estar em casa com dois filhos pequenos tem muito que se lhe diga. E a chave aqui está em três palavrinhas: "dois", "filhos", "pequenos". Pois é, com o Gabriel foi muito fácil! Um bebé pequeno que se limitava a dormir, comer, evacuar dava imenso tempo para tudo. Desde passear pelos jardins, visitar os colegas de trabalho, tomar um cafézinho com amigos, ver aquele filme ou aqueles episódios das séries em atraso. Afinal, perdia-se ali uma meia horita a dar o biberão ao pequenote e depois sobravam duas ou três horas de pura e perfeita liberdade. Se a liberdade existe é nessas horas em que o bebé dorme e a esposa está no trabalho! Foram os melhores quatro meses da minha vida: sem trabalhar, folgado, passeando por aí e com o ordenado por inteiro ao fim do mês! Hoje, esse bebé sossegado e comilão é um menino com três anos, enérgico, brincalhão, apelativo mas, ainda comilão! O meu filho não pára. Correr, jogar ás escondidas, brincar com os carrinhos ou, o melhor de tudo, brincar na piscina! Com quem? Com o pai. Hoje passámos a tarde enfiados, de molho na piscina e as brincadeiras sucederam-se...
-Pai, agora eras um crocodilo. Agora eras um tubarão e eu um golfinho. Não! Agora eu era um dragão azul com asas e estava morto e tu eras um caçador de dragões que atirava-me água mágica e eu vivia! Pai, pai! Agora tu deitas na bóia e eu vou para cima de ti e tu és um cavalinho! Agora vamos atirar a bola! Agora brinca com os barquinhos. Tu eras uma montanha e os carrinhos vão subir-te!!!
Tudo isto e ainda mais numa pequena piscina redonda com três metros e qualquer-coisa de diâmetro... Entretanto o David dormia, esparramado, na sua espreguiçadeira, completamente alheado da chinfrineira que o seu pai e irmão faziam a poucos metros! Nas pausas para preparar as refeições, para ajudar a Mariana com os cuidados ao recém-nascido, mudar fraldinhas e dar banho a um e a outro o Gabriel salta, pula, ri-se, faz caretas e brinca ao faz-de-conta, dá abraços fortes e beijinhos a mim, à mãe, ao irmão e a quem mais lhe aparecesse pela frente. Ao deitar leio uma história mas ele pede sempre outra e mais outra. E a última chega quando ele deita a sua cabecinha no meu braço...
Meus amigos, estaria menos cansado se tivesse trabalhado todo o dia com doentes mas, honestamente, gostava que esta licença durasse os próximos... vá, dez anos!!!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Ilusionista Estúpido.

Contra a Coreia correu tudo bem. É um jogo num milhão. Contra o Brasil teve medo de ganhar. Este treinador transmite sempre um temor latente... mas aos seus próprios jogadores! Contra a Espanha consegue DESTRUIR a equipa ao substituir o Hugo Almeida, o único jogador a segurar a defesa espanhola e deixa em campo um Simão completamente apagado do jogo! Continua sem ganhar nada, continuará o estado de graça? Aposto que vai voltar para debaixo do kilt do Alex Fergusson...
Como eu tinha dito, valeram-nos os jogadores que tentaram sempre e deram o máximo por um treinador que não os merecia!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma Nova Etapa.

Sim. O desenho que deixei no post anterior foi a forma que encontrei de vos informar do nascimento do David! Obrigado a todos pelas felicitações!
O David é um belo rapaz que nasceu no Sábado, 26 de Junho de 2010, com uns belos 3, 400 kg e 51 cm! Cabeludo e (aparentemente) sossegado. A mamã Mariana foi uma valente e aguentou com coragem, força e até algum sentido de humor o trabalho de parto! Hoje foi dia de regresso a casa com o nosso pequeno. O Gabriel está bastante contente com o irmão, teve uma atitude muito ternurenta e de acolhimento mas, ao mesmo tempo, nota-se toda a excitação que o domina nestes dias! Estamos todos muito excitados com esta nova fase das nossas vidas.
No dia em que o David veio para a sua casa, o sol recebeu-o quente e forte, num bonito dia de verão. Enquanto conduzia o carro de regresso a casa um pensamento fugiu-me para a voz:
-E agora começa uma nova etapa da vida desta família...
Espero regressar com mais histórias do David e do Gabriel, já que vou ficar em casa durante o próximo mês mas quer-me parecer que andarei mais cansado assim do que se fosse trabalhar... até breve!

sábado, 26 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Guerra Eterna.

Tenho um interesse enorme pelo universo feminino. A curiosidade leva-me a isso. E cada vez mas me convenço que, de facto, homens e mulheres funcionam em dois cumprimentos de onda completamente diferentes e fascina-me que sejam capazes de apenas trocar duas palavras, quanto mais viver e criar filhos em conjunto! As mulheres fascinam-me nas mais variadas maneiras. E, por isso, a maioria dos blogs que sigo regularmente são escritos por mulheres. Os homens têm menos interesse, na sua maioria!
E eis que me deparo com este fantástico texto acerca de como as mulheres podem ser... burras!!! A minha parte preferida: "descobri recentemente numa apresentação mais ou menos científica que, quase sempre que vemos um homem calado e ficamos intrigadas sobre o que é que ele está a pensar, na realidade ele não está a pensar em nada. Todas aquelas conversas românticas em que tentávamos descobrir a alma complexa que o homem parecia ter dificuldade em expressar, com a célebre pergunta "em que é que estás a pensar?", na realidade foram em vão. Ele estava mesmo a pensar "em nada" e nós estávamos a ser as chatas que não os deixávamos cumprir essa árdua tarefa.". Genial digo-vos eu, GE-NI-AL!!! Leiam o resto e deliciem-se! E, para complementar este fantástico vídeo acerca do diferente funcionamento entre os cérebros masculino e feminino.



Mulherio profundo e complexo, agora já podem deixar de ser umas chatas ok? Ok.

38 Semanas e 5 Dias.

Quando é que nasce? Hoje à noite, de madrugada amanhã, depois, para a semana. Quem sabe? Apenas ele. Por mim, já ontem era tarde! É estranho como pode alguém ansiar por uma mudança tão drástica na sua rotina. Quer queiremos, quer não, o certo é que hoje o Gabriel é bastante independente no que diz respeito à comida, já não usa fralda, pode ou não dormir a sesta, pode ficar a brincar no quarto ou na sala enquanto nós fazemos outra coisa qualquer, expressa-se muito bem, dorme toda a noite e é um companheirão! Com ele já não temos as amarras dos sonos, das papas, dos banhos, dos leites. Já não temos a preocupação extrema com a mala do bebé, os peluches, as chupetas, as fraldas será que chegam?, a roupinha para mudar se ele se sujar, estará mais frio?, mais quente?, e onde vamos comer?. As noites vão passar a ser intervaladas por choro de fome, de frio, de cólicas. O dia vai ser pautado pela rotina do bebé, os sonos, o biberão, o banho, as fraldas. Vamos estar todos muito mais limitados! Eu, que continuo a gostar de dormir e fico rabugento após noites más, vou levantar-me contra a vontade e vou acordar a levar cotoveladas acompanhadas de um "é a tua vez" e vou virar-me para o lado na esperança que ela se levante. Não vou ser bem sucedido. Vou ter menos tempo para o blog, o facebook, as corridas e os treinos. Vou regressar a casa cheio de pressa.
E, apesar de tudo isto, das noites más e da falta de tempo, do cansaço e da rabugice, de ter de abdicar de algum (muito!) do tempo que dedico aos meus guilty pleasures (como o blog, o facebook e as séries de tv!), mal posso esperar que o David nasça. Porque este nome, David, é por enquanto algo etéreo, intangível, e só fará sentido quando o vir pela primeira vez. Quando abracei o Gabriel pela primeira vez, aquele nome ganhou um corpo, uma dimensão e pensei: "Tu és o Gabriel e mais nenhum nome te ficaria bem." Porque quero pegar nele e sentir a sua pele, o seu cheiro-de-bebé. Quero olhar para ele e sentir-me pleno. Os meus filhos fazem-me sentir isso, a plenitude. Quero observar a reacção do Gabi à chegada do irmão, que ele aguarda com curiosidade. Quero assistir ao desenvolvimento da relação deles, enquanto irmãos. Quero adormecer, no sofá, com o Gabriel ao meu lado e o David no meu peito...
Na verdade, os filhos são uma espécie de medicamento contra a esquizofrenia porque transformam a nossa realidade em algo melhor! Por isso eu peço: filhote, vê se te despachas a nascer porque o papá está ansioso sim?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Há para todos os gostos!

Os livros são objectos que me acompanharam desde que me lembro de ter memória! Lembro-me claramente do fascínio que os livros do meu pai exerciam sobre mim, mesmo sem lhes tocar! Lembro-me de olhar, curioso para as suas lombadas e de os retirar da prateleira e observar as capas e contra-capas mesmo antes ainda de os saber ler. Lembro-me de como me sentia crescido por gostar de livros! Vim, mais tarde, a ler alguns desses livros. Aliás, a primeira vez que li "Os Filhos da Droga" foi numa edição que era do meu pai. Emprestei esse livro a um colega do secundário que nunca mo devolveu. Na infância, depois de aprender a ler, lembro-me da Biblioteca Itinerante da Calouste Gulbenkian, uma carrinha vermelha cheia de livros que podíamos levar emprestados durante 15 dias. E foi assim que li a maior parte dos livros da série "Uma Aventura..."! Lembro-me do meu primeiro livro "a sério", um enorme romance de aventura com páginas cheias de letras e sem ilustrações: "A Ilha do Tesouro"! E lembro-me de como gostava de ir à Biblioteca Municipal, quando estudava no secundário na cidade!
Portanto, com mais ou menos frequência, sempre estive acompanhado de um ou outro livro! Nos últimos tempos (re)descobrimos o prazer de ir a uma biblioteca! Com o Gabriel a consumir cada vez mais histórias infantis pareceu-nos a melhor alternativa a ter que comprar mais e mais livros infantis. E hoje a biblioteca é já um lugar familiar para ele. A bibliotecária já nos conhece, ele sente-se à vontade e vai brincar para a zona infantil onde pode construir puzzles ou brincar com os legos. E nós podemos percorrer as lombadas dos livros infantis (e são muitos!) e escolher quais os mais interessantes. E já descobrimos pequenas pérolas da literatura infantil que nem sonhávamos que existiam! É bom poder levar um livro sem o compromisso de termos de o comprar! Assim podemos saboreá-lo melhor, descobrir os seus pormenores a cada leitura, conhecer as personagens. A colecção para adultos também é bastante completa, assim haja vontade de ler! Descobri na colecção desta pequena biblioteca municipal alguns dos livros que gostaria de ler mas que ainda não tinha tido a oportunidade de comprar. Hoje estou a ler "As Cinzas de Ângela", uma dica literária já com algum tempo da minha amiga Ana C.! Mas há mais!
Na nossa casa há livros em quase todas as divisões, desde a cozinha ao WC! Por muito que eu seja fã dos novos formatos digitais de música e há muito que deixei de comprar o formato físico do CD musical, o livro será sempre um livro e julgo que nunca vou conseguir ler uma obra que esteja apenas num ecran! Mesmo que se imprima as letras, as frases, os capítulos em páginas em branco, isso não tem a mesma magia que se encontra num livro! Seja uma grande obra literária ou um romance de cordel, seja uma biografia ou uma história de ficção, seja um complexo e denso romance ou uma leve comédia, há sempre um livro para cada ocasião!
(Por acaso, os blogs são daquelas excepções que faço e que consigo ler directamente do ecran!)

domingo, 20 de junho de 2010

Tudo isto é triste, tudo isto é fado.

Nas entrevistas espontâneas feitas pelos jornalistas a alguns dos populares que aguardavam a sua vez para entrar no Salão da Câmara Municipal de Lisboa encontrei um padrão de resposta, comum a todas as estações televisivas:
Jornalista: "Gosta dos livros de Saramago?"
Populares: "Bem, gostar, gostar não sei porque nunca li nenhum... mas admirava o homem pela sua frontalidade!"
E respostas semelhantes foram obtidas em tantas outras ocasiões, até que...
Jornalista: "Temos aqui um casal que pretende exprimir a sua opinião. Vamos dar então a palavra ao Sr. Aníbal Silva e a sua esposa. Vêm de onde?
Aníbal: "Olhe, interrompemos as nossas férias em Boliqueime apenas para vir aqui."
Jornalista: "É admirador da obra do escritor?"
Aníbal: "Olhe, nunca li. Sou um homem muito ocupado sabe..."
Jornalista: "Do Homem então?"
Aníbal: "Não. Nunca gostei dele sabe, mas agora que ele está morto há algumas coisas que gostaria de lhe dizer. Assim cara-a-cara, que não sou homem de deixar assuntos mal resolvidos!!"
Jornalista: "Obrigado e bom dia."
O Sr. Aníbal acaba de perder toda a legitimidade enquanto representante máximo de Portugal e dos Portugueses. Se Saramago fosse vivo era bem capaz de se mudar para Espanha! E é isto. É triste. É fado.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Encontro (Hipotético).

Deus (D.): Olha, olha! Quem morre sempre aparece!!!
Saramago (S.): Por Fidel! Mas... tu não... não podes existir!! És apenas um produto das políticas manipuladoras de direita!
D: Pois, pois...
S: Ehhh pá... agora é que fiquei sem palavras...
D: Mais um dos meus milagres para juntar à multiplicação do pão! Apenas um Deus maior podia deixar o verborreico Saramago sem palavras! Ehehehe!
S: E agora?
D: Agora? Bom, agora estás lixado. Sabes as tuas acusações de um Deus tirano, sanguinário, manipulador, violento e sádico? Tudo verdade. Tu é que sabes ò Zé!
S: eu sabia... nunca me enganaste! Acaba lá com isso então. Faz o que tens a fazer!
D: Casmurro e orgulhoso até depois de morto hem? Mas esqueces um pormenor: isto não tem fim, é a eternidade pá!
S: Eu não acredito na eternidade...
D: Lá estás tu com essas merdas! Também não acreditavas que eu existisse...
S: Foda-se.
D: Pois é...
S: então... e o Diabo?
D: Quem?
S: O Diabo, Satã, o Contrário porra!
D: Ó Zé... sou só eu.
S: Não!
D: Sim, só eu. Nem Diabo, nem S.Pedro (e nem mais nenhum santo já agora) nem anjos, nem arcanjos, nem querubins... só eu neste vazio branco em que nos encontramos agora...
S: Ouve lá? Porque é que te pareces com o Malkovich?
D: Essa porcaria do anúncio Nespresso... eu pareço-me com tudo e com nada.
S: E então? Avançamos para o meu castigo ou quê?
D: tem lá calma camarada! Afinal, temos o tempo todo do mundo...
S: Quer dizer então que estás sozinho, é isso?
D: É...
S: Deve ser chato...
D: Pois.
S: Mas como é que isso é possível pá?
D: enfim... sabes aqueles milhões de seguidores e aduladores que tanto ofendeste lá na terra? Tudo uma cambada de chatos pá! "Meu Deus isto, meu Deus aquilo, perdoai-nos e não nos castigues e blá,blá, blá...", achas que os quero aqui à minha volta a engraxar? Ainda por cima só me deixam ficar mal com histórias como a inquisição e a Opus Dei e agora essa merda da pedofilia... Não. Normalmente fico com a malta mais interessante que vai aparecendo!
S: E eu?
D: Tu és um gajo interessante Zé! Aposto que teremos décadas de debates bem renhidos acerca do bem e do mal, do sentido da vida e da morte, da natureza humana e de onde estará o erro de programação que cometi na construção de Adão e Eva. Nunca descobri onde falhei...
S: Somos imperfeitos, é isso.
D: Olha! Isso sei eu! Mas onde, onde é que falhei pá...
S: Então o meu castigo é ficar a debater questões profundas e complexas contigo?
D: Sim.
S: Para poderes melhorar a Humanidade?
D: Esses já não têm remédio...
S: Então, vamos a isso?
D: Vamos. Mas, quando escreveres qualquer coisa para eu ler, vê se pontuas os textos sim? É que foi difícil comó caraças ler os teus livros ao longos destes anos!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dicas Literárias!

Acabei dois livros quase em simultâneo, coisa rara! Durante muito tempo digeri lentamente a história de Leni Riefenstahl, a cineasta de Hitler. O livro, uma biografia não-autorizada resultante de um longo e profundo trabalho de investigação, revela uma mulher ambiciosa, calculista, manipuladora, sem- escrúpulos. Desde cedo que Leni desejou a fama. Primeiro através do bailado, tendo um breve sucesso, foi no cinema que atingiu a glória. Na Alemanha pré-Hitler, Leni seduziu realizadores, produtores e actores na tentativa de se tornar uma estrela. Manipulou críticas da imprensa a seu favor, rodeou-se dor melhores profissionais da cinema alemão de então (muitos deles judeus) e, finalmente, à boleia de um papel feito à sua medida por um realizador visionário da época, tornou-se conhecida de toda a Alemanha.
Escreve a Hitler antes da sua ascensão ao poder e torna-se sua amiga e fiel seguidora. É nomeada a sua realizadora pessoal e realiza os filmes dos Congressos de Nuremberga, "A Vitória da Fé" e "O Triunfo da Vontade" e torna-se a responsável por toda a estética e imagética nazi que perdura até hoje. As imagens das paradas e dos discursos inflamados de Hitler que sempre aparecem nos documentários sobre o tema são da sua responsabilidade. Atinge a glória mundial (patrocinada pelo III Reich) com o documentário "Olympia" acerca dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Resumindo: uma mulher sedenta de fama consegue manipular, enganar, falsear todos à sua volta (incluindo à cúpula máxima do Terceiro Reich!), nega e olha para o lado quando milhares de pessoas eram assassinadas, presencia pelo menos um massacre de judeus na Polónia, usa ciganos dos campos de concentração como figurantes num filme e, depois da guerra, consegue sair praticamente isenta de culpa! Aquilo que fez enquanto cineasta pode ter sido inovador e aberto caminho a uma nova abordagem mas o seu trabalha assentou sobre milhões de cadáveres judeus. Judeus como a sua mãe, apesar de ela ter falseado o seu registo de nascimento quando Hitler tomou o poder e declarou guerra aos judeus. Para mim, Leni é a "mãe de todas as cabras" e foi, talvez a mais cabra das mulheres que alguma vez pisou esta terra. Morreu em 2003 com 101 anos. Vazo ruim não quebra mesmo!
Dean Karnazes é um ultra-maratonista viciado na dor e na adrenalina. Aos 30 anos, descobre nas corridas de longa distância um escape à sua vida suburbana e rotineira. Num impulso corre durante 50 km na noite do seu 30º aniversário. Daí para a frente a sua vida divide-se: trabalha numa empresa durante o dia e corre maratonas durante a noite! 180 km em menos de 24 horas, 320 km durante o fim-se-semana! Uma maratona (42 km) no pólo-sul com -52º ou 80 km sob o mortífero sol do verão do Death Valley. Impressionante pelas distâncias percorridas a pé, quase sem paragens, o livro é uma viagem aos limites do corpo humano mas, acima disso, às capacidades da mente humana para se elevar acima dos limites físicos. É uma lição de humildade e de como o sentido da vida se encontra nas coisas simples da vida. E este homem encontrou o sentido da sua vida na estrada, no ultrapassar dos seus limites, na libertação da mente. Talvez só os corredores o entendam como lição mas não deixa de ser boa leitura!
E assim se fecham mais dois livritos!