quarta-feira, 30 de março de 2011

Lausanne.

Estive em Lausanne a semana passada, a tratar da vidinha. Cidade simpática, ordenadinha e limpinha ou não estive plantada do país dos certinhos. O Lago Léman dá-lhe um certo ar mediterrânico o que é de alguma forma acolhedor para quem viveu os seus melhores anos junto ao mar. Mas o que me surpreendeu foram... os cães!

Sacanas de bichos civilizados! Nos jardins podem andar sem trelas, num espacinho reservado para eles, andam todos à solta a cheirar os rabos dos seus parceiros caninos e nem sequer por uma vez os vi engalfinhados! Fui correr junto ao lago e lá andavam eles a passear junto aos donos ignorando completamente o atleta que, neste caso, está habituado a que lhe ladrem e corram junto dele com ar agressivo. Os cães entram nas lojas e nos cafés e ficam bem sossegados debaixos das mesas ou junto aos pés do dono.

Imaginei-me imediatamente com o Gastão... no jardim iria mijar em cima de todos os que etivessem deitados na relva, ia correr que nem um alucinado, iria cheirar insistentemente os cús dos outros, correr que nem um louco ás voltas na relva. E não iria voltar à minha chamada. Nos cafés o mais certo seria apoiar as patas da frente na mesa e tentar roubar a comida e, mais uma vez, marcar a sua presença com uma belas mijadelas na porta e nos pés da mesa. Enfim, um cão bem português!

Sim, fiquei tão impressionado com os cães suíços que o facto de ter sido contratado ao fim da primeira entrevista é algo que fica completamente em segundo plano...

segunda-feira, 28 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Raptado.

Já passou mais de um mês desde o último texto que aqui escrevi. Para dizer a verdade, acho que esse último nem sequer contou! Se por um lado estou constantemente a lembrar-me do "Cheirinho a éter..." e de todas as pessoas que se dão ao trabalho de o seguir, não é menos verdade que, gosto de escrever o melhor que sei para todos os que gostam deste espaço. Não tenhamos enganos, este não é um espaço de mim para mim, é um espaço de mim para quem aqui vem e me acarinha.
Dito isto, a verdade é que ando completamente assoberbado pela jornada que entretanto se iniciou. O meu pensamento concentra-se em muitas coisas, assuntos mutáveis, planos sempre abertos. A minha energia gasta-se entre planear a ida, preocupar-me com o que fazer com as nossas coisas, e ainda ter vontade de vir trabalhar. O que não é fácil. Com a perspectiva de partir tudo o que está mal, o que corre mal parece ser ainda pior. Concentro-me em tentar que isso não interfira no meu desempenho. Por outro lado tenho investido muito do meu tempo no aperfeiçoamento do meu Francês (e com óptimos resultados, deixem-me gabar!) e como é desgastante passar 4 a 5 horas a marrar a gramática francesa 3 vezes por semana...
Entretanto aproxima-se um momento vital para o sucesso: uma entrevista. Pois é! Tenho já marcada uma entrevista de emprego para o final deste mês. No hospital que eu escolhi e onde gostaria de trabalhar, no serviço que eu mais gosto de fazer (Urgências, o que mais!). Estou super expectante mas também confiante que tudo vai correr bem. Por outro lado, isso significa também que vão haver decisões a tomar, trabalho a desenvolver, contactos a fazer, planificações a re-orientar.
Por tudo isto não tenho energia suficiente para escrever para vós. A minha mente foi "raptada" por todo este processo. As situações de que este blog se alimenta continuam a ocorrer mas, simplesmente, eu estou noutra frequência. Neste momento a minha vida só tem interesse para mim mesmo! Mas voltarei, é uma promessa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu tive um sonho...

... muito estranho!
Aparentemente estava a apresentar-me para uma entrevista de emprego na Suíça, o ambiente muito sombrio, chuva e nuvens muito negras. Saio de um táxi e fico em frente a um edifício velho e sujo. Sou atendido por um fulano feio e seboso e digo que venho para a entrevista. Aparentemente não é ali, o taxista enganou-me. Mas enfim, aparece a responsável pelos Recursos Humanos do hospital que, sorte!, tem o seu escritório ali. Fico siderado quando me aparece esta fulana, com o seu sorrisinho cínico e a sua voz meiga. Diz-me que não é ali e saímos do edifício. Ela entra no carro e diz: "Siga-me" arrancando a toda a velocidade. Eu corro atrás do carro e, estranheza total, consigo acompanhar o ritmo porque há muito trânsito. Chegamos ao hospital que é um palheiro nojento com gente a gemer pelo chão. Apresenta-me a um fulano português qualquer que aparece na TV mas que não consigo identificar. Está ali para um tratamento facial. Depois sou entrevistado no quarto da senhora.
Eis que, de repente estou em... Paris?. Aparece-me um fulano qualquer a falar francês e subo para um escritório com vista para um parque. Estou a ser entrevistado mas, de repente, já não percebo nada de francês, já não entendo a língua e muito menos sou capaz de a falar! Vejo no parque uma velha amiga que entretanto emigrou para Barcelona a passear um carrinho de bebé. Nos jardins do parque há Pierrots a dançar...
Alguém aí que interprete sonhos? Aparentemente estou todo queimadinho...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sem espaço para tudo.

A minha mente está ocupada com um milhão de coisas, inúmeras equações cheias de variáveis estranhas e de resultados incertos. Não há espaço para tudo.
Mas, dito isto, as coisas estão a correr bem!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Porquêêêê?

Após algumas visitas para uma eventual compra da minha casa, a resposta começa a salientar um padrão. É mais ou menos isto: "Miguel, gostamos da casa mas o banco não nãs dá crédito suficiente... lamentamos." ONDE ESTÁ O CRÉDITO FÁCIL, INDISCRIMINADO E DESREGRADO QUANDO PRECISAMOS DELE??
Ora bolas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Prazer na ponta dos dedos!

"Not so fast, you're hurting me..."

AH AH AH AH AH AH AH AH AH!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Regra dos 4.

Sinto-me mal. Realmente mal. Afinal já há quanto tempo não surge por aqui um texto realmente inspirado, realmente engraçado, irónico, tocante, mórbido? Há algum. Aqui há uns dias vi a "TED Talk" com a fulana que escreveu o "Eat, Pray, Love", que não li mas que parece que foi sucesso com direito a filme e tudo. Mas enfim, a senhora falava de bloqueios mentais e de como ultrapassar o medo de falhar no livro que terá a missão espinhosa de ser "o livro a seguir ao universal e aclamado sucesso". Obviamente não sofro desse mal porque best-sellers não são uma coisa que me apoquente mas, por outro lado os bloqueios têm sido frequentes. E acho que isso está relacionado com A Regra dos 4.
Este blog vive essencialmente das minhas experiências pessoais, das minhas interacções com os doentes. Vive das minhas interpretações, dos sentimentos que me invadem nesta ou naquela situação, da descrição das minhas vivências (engraçadas ou nem por isso) nos corredores dos hospitais. Acontece que esta é a altura em que se aplica A Regra dos 4. Nesta altura já ando cansado dos serviços, dos hospitais, dos percursos, dos colegas, dos chefes, das rotinas e dos doentes. Por esta altura já não há pachorra para as discussões, os debates, as queixas. Já estou "no automático", "não estou para me chatear", "cumpro os serviços mínimos". Estou numa de sair o mais rápido possível do serviço. Estou mais irascível, menos tolerante, dói-me a mente só de pensar no trabalho. É a Regra dos 4: 4 anos estive no meu primeiro trabalho e depois mudei; 3 anos e meio estive noutro lado até me chatear com aquilo, estou à mais de 4 anos na Urgência onde trabalho actualmente e vou para os 4 anos no Hospital.
Percebem a ideia geral por trás da Regra dos 4? É isso mesmo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Palácio.

Pessoal!!
Um magnífico palácio com vastos e frondosos jardins por uma verdadeira pechincha!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eis que o tempo escoa rapidamente...

Lembram-se do meu rafeiro adorável? Pois é malta, continuo sem candidatos à altura para a sua adopção... vá lá, toca a procurar, a divulgar a insistir! É que já só faltam 263 dias...

OBRIGADO!

O Estranho Caso das Esposas Irritantes.

A cena repete-se no tempo mudando apenas os intervenientes. Um homem, normalmente em pleno gozo da sua reforma, apresenta-se na nossa triagem:
-Então bom dia! Explique lá o motivo que o traz à urgência.
(a mulher responde) -Olhe Sr. Enfermeiro, ele tem-se sentido muito mal nestes últimos dias, tonto e mal-disposto e não come bem e também não dorme.
-Peço desculpa pela minha pergunta, mas o senhor não fala? Tem algum problema que não lhe permite ser ele mesmo a descrever as suas queixas?
(nesta altura o homem responde com um tímido "Não" mas é logo abafado pela esposa)
-Sabe sr. enfermeiro, ele não sabe queixar-se, não sabe o que tem.
-Mas a senhora sabe? Afinal quem é que está doente? Parece-me que é ele...
-Pois é mas ele não sabe!
Esta última frase é dita no tom inconfundível de "quem manda lá em casa sou eu e por isso eu é que sei o que ele tem" e o marido já olha para a mulher com aquele não menos inconfundível olhar de "chiça mulher, cala-te lá de uma vez por todas! Rais' parta o dia em que me casei contigo, iiiiirra!". E, acto contínuo peço à senhora que aguarde na sala de espera enquanto eu falo com o doente sem ter uma terceira pessoa a traduzir. O que acontece a seguir é ainda mais hilariante (ou irritante, depende do dia em que me encontro!): a mulher prostra-se atrás da porta a ouvir a conversa e interrompe sempre que julga necessário, alvitrando as mais sapientes sentenças "ele a mim não me disse isso, olhe que ele sofre do coração, tem a diabetes alta" entre outras coisas! No final de tudo interroga o já farto dela -marido "disseste que te doía o braço, falaste da próstata, viram-te a tensão, falaste da operação aos testículos em 1940?" ao que o marido responde com um "Siiiiiiiiim mulher..." enquanto rola declaradamente os olhos. Não satisfeita, a mulher dirige-se a mim para aplicar a mesma técnica de tortura por perguntas até à exaustão!
Hoje, a um desses desgraçados, pedi que fosse urinar para um copo para que pudéssemos analisar a urina. O olhar dele quando a mulher, alto e bom som em plena sala de espera repleta de pessoas lhe perguntou "Precisas de ajuda?" foi impagável! Juro que, por um momento, aquele homem teve um impulso homicida!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O futuro ao virar da esquina.

Finalmente começou! Estou entusiasmadíssimo com este ano de 2011. Neste momento preparo o meu Curriculum e tento escolher as palavras e o tom certo para escrever a minha Carta de Apresentação, os documentos que serão o meu "Cartão de Visita", digamos. Entretanto preciso de um profissional que os traduza (alguém conhece alguém?) porque eu, embora fale francês não sou tradutor e convém que essas traduções estejam "limpinhas" para os potencias empregadores.
Depois disso, reactivar contactos feitos em 2008 (o ano em que nasceu a ideia e quando não pude ir, por razões contratuais com o meu actual empregador...), pedir ajuda a amigos que já lá trabalham e pesquisar na internet...
Entretanto, resolver o "Dossier Gastão" (continuamos sem encontrar nenhuma família disponível para ele. Por favor ajudem a divulgar...), tentar vender / alugar a casa, tentar vender / doar os móveis e electrodomésticos (vão passando pelo "Asas para voar!")...
O que é estranho é que passei os últimos 3 anos a ansiar por Janeiro de 2011 e agora, que ele chegou, 10 meses não parecem assim tanto tempo! Por isso não estranhem alguma ausência de textos por aqui... mas a minha mente vai andar ocupada com muitas coisas daqui para a frente!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Por outro lado, 2011...

... será sempre um ano determinante para o resto da minha vida e a da minha família. É o ano da definição do nosso futuro, o ano do sonho! Mas isso será determinado lá mais para a frente, para o meio do ano. Por agora acabo 2010 a trabalhar e a trabalhar recebo 2011. e que isso seja o augúrio que trabalho não me faltará em 2011!

Correndo através de 2010!

Mais do que resoluções, prefiro rever o ano que acaba e relevar coisas importantes. E 2010 foi um ano de viragem no meu estilo de vida: cumpri 1335,91 km em corridas por essas estradas fora!
Nada mau para um tipo com dois empregos!

2010 fina-se a passos largos.

Tenho cá para mim que esta Festa do Revelhão é um bocado exagerada. Pois sim, que festa é festa e é sempre bom beber uns copos e passar a noite a dançar com os amigos mas detenhamo-nos nas razões pelas quais festejamos: o fim do ano no calendário.
Na verdade, para a maioria dos mortais que vibra com a passagem do ano, a única coisa que vai mudar é mesmo o calendário e, no meu caso, também a agenda. No dia 1 está tudo igual. Ok, haverá uma ressaca mas no essencial está tudo na mesma. A nossa conta bancária não aumentou (excepto se ganharam o Euromilhões), não estamos nem mais novos nem mais bonitos, continuaremos a trabalhar no mesmo sítio, o ordenado não aumentou. O Governo continua a ser um grupo de sacanas, a economia arrasta-se, e o desemprego aumenta. Mas, por incrível que pareça, até vai haver grandes mudanças no da 1 de Janeiro de 2011! Os impostos vão aumentar assim como os transportes e as portagens, só para citar alguns, e os ordenados vão diminuir e os subsídios vão desaparecer.
Por isso maltinha, festejem! Festejem a bom festejar e saúdem 2011 com todas as vossas forças. Afinal, 2011 vai trazer-nos a todos muito sexo... porque em 2011 vamos ser fodidos de todas as maneiras e feitios!
5, 4, 3, 2, 1...
VIVA 2011!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Olha, olha, esta agora...

Já se percebeu que, na maioria dos casos, quem comenta nos blogs sob o cognome "Anónimo" é gente estúpida. Estúpida no sentido intelectual da coisa, gente que não estava presente quando Deus-nosso-senhor-todo-poderoso distribuiu a inteligência. Depois, claro, só escrevem é merda.

Portanto, houve um/uma anónimo que comentou o texto imediatamente anterior a este e que afirmou que era ele/ela que me pagava o ordenado por eu ser funcionário público. Quanto a isto só tenho uma coisa a dizer: não seja estúpido senhor/senhora! Se os anónimos deste país pagam impostos, não é menos verdade que eu e todos os outros funcionários públicos também pagamos os nossos, e bem! Se há classe que não foge ao fisco, esses somos nós. O que eu pago de impostos é o equivalente ao orçamento mensal de uma grande percentagem de famílias portuguesas. Por isso, se aqui há alguém que paga alguma coisa a uma outra pessoa, esse alguém serei eu e os outros funcionários públicos que trabalham comigo (já para não falar dos outros!) que pagamos aos anónimos deste país. Pagamos, com os nossos impostos, quando eles estão doentes e não trabalham, pagamos os abonos dos seus filhos (os dos nossos foram cortados), pagamos os seus subsídios de desemprego quando as empresas onde eles trabalham vão à falência, pagamos o seu crédito malparado, etc, etc, etc.

Por isso não me venham dizer que pagam o meu ordenado, argumento que ouço diariamente aliás, o que se só prova que este país está cheio de gente estúpida! E, no caso em particular que dá origem a esta reflexão, o seu comentário está escrito em "linguagem SMS" o que também não abona nada em favor da inteligência de quem escreve.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Rabujice Pós-Natal.

F****-se! São agora 14:30 e já vou com 22h e 30 min de trabalho consecutivo! E o Natal que correu tão bem...
A Urgência, pasme-se, está cheia. E já começaram as reclamações e os insultos, os desabafos de "Só neste País...". Pois bem, porquê só neste país é que as pessoas enchem as urgências? Por duas razões muito simples: em primeiro lugar porque não têm alternativa e, em segundo lugar, porque não querem tomar responsabilidade pela saúde dos seus filhos!
Que merda! Devia haver um Exame de Admissão à Paternidade onde os futuros papás estudassem e debatessem as questões complexas que estão associadas a um filho. Entre elas seriam abordadas as questões relacionadas com a saúde dos putos. Deviam aprender que não se vem ao Hospital assim que o bebé se apresenta com febre e, se o fizerem, ao menos que lhe dêm uma colherada de Ben-u-ron! Deviam aprender que as dosagens dos fármacos aumentam com a idade (ou melhor, o peso) dos meninos. Deviam saber que o melhor remédio para os vómitos é a paciencia (a deles! não a da criança). Deviam saber as medidas iniciais de combate à febre, a dieta para as diarreias. Deviam saber lidar com os "galos" que os miúdos fazem quando caem e batem com a cabeça. Enfim, deviam saber tantas e tantas coisas...
E o que me faz sorrir é que, o mesmo Pai que me bombardeia com os Direitos que lhe assistem e com as complicações que podem ocorrer ao seu filho (informação essa que recolheu, orgulhosamente, na Internet) não aplicou um segundo sequer da sua aturada investigação a aprender como deve um pai lidar com a febre antes de recorrer aos serviços de saúde.
Que eu me lembre, a minha Mãe sempre cuidou destes problemas comuns das crianças nesta altura do ano, as febres, os vómitos, as diarreias, o ranho em barda, em casa. Com muita dedicação e paciência. E Ben-u-rons com fartura aliados ás mezinhas típicas para estas coisas. Mas também, a minha mãe tinha que percorrer muitos quilómetros para ir ao médico, não havia carro e os transportes públicos também não abundavam... creio que a civilização tem o condão de estupidificar as pessoas.
Enfim, é isto. Na minha opinião, a Maternidade/Paternidade não devia ser democrática. Não no sentido em que devia ser possível regular quem e em que altura esse "quem" tem as condições mínimas para ser Pai. Primeiro frequentava um curso, depois propunha-se a exame e finalmente lá tinha o Diploma que lhe dava acesso ao feto, num processo muito académico! Para muitos esta opinião é uma estupidez, uma parvoíce, uma ofensa, admito! Mas, julgando pela amostra de Pais que me é oportunisticamente oferecida dia após dias, ano após ano durante os últimos cinco anos, é uma opinião bem fundamentada.
PS: continuação de boas festas.
ADENDA das 15.15: Uma mulher acaba de me berrar aos ouvidos que "isto tá tudo mal, é uma vergonha!!" ao que eu respondi que sim senhora, isto é uma vergonha e a senhora tem ao seu dispor meios de reclamação que chegarão ás entidades competentes. Resposta: "isso não resolve nada!". E eu pergunto: e berrar aos ouvidos de um desgraçado que está a fazer o seu trabalho o melhor que sabe e pode, resolve alguma coisa? Principalmente porque esse desgraçado não tem poder decisor algum? Vão mas é....

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Isso é tão... 2009!

Para aqueles que não concordaram comigo neste texto, penso que a minha opinião não ficou suficientemente vincada. Depois vi este anuncio e pensei: "É mesmo isto!". Trata-se de Alma, meus caros, trata-se de Classe, Elegância, Maturidade...


sábado, 18 de dezembro de 2010

A Última Folha.

É cíclico. Todos os anos o meu ano acaba no final de Dezembro. O meu ano acaba no momento em que é publicada a escala de Janeiro do ano seguinte. E é nessa altura que eu revisto o ano que acaba. Desfolho a agenda, velha, dobrada, riscada e rabiscada e relembro o que de bom e de mau se passou no ano que se prepara para findar. O que salta à vista em primeiro lugar é o padrão sequencial de cinco letras maiúsculas: M T D N F. Todos os dias da agenda têm uma destas letras escrita. Manhã, Tarde, Descanso, Noite, Folga. Muitos M e T, menos N e ainda menos D e F! Depois uma cruz em cima da letra originalmente escrita e, ao lado, uma nova letra registada. A guerra das trocas dá nisto. No mesmo dia duas letras, em muitos dias, demasiados dias. As combinações são MT, TN, MN. Turnos duplos, foi-se a folga! Reparo que me fartei de trabalhar no ano que termina agora! Enfim, já nem me apercebo disso, a rotina é traiçoeira mas a Agenda não engana.
Depois, entremeando esta alfabeto com cinco letras, os compromissos fora do trabalho. Maioritariamente "consulta Gabriel", "vacinas David", "exame Mariana" e menos, muito menos "almoço com X", "jantar com amigos", "festa de aniversário do Z". Este ano apareceu um outro evento bastante recorrente na agenda "meia-maratona da ponte", "corrida do tejo", "meia de Lisboa", com o inevitável assinalar dos dias antes da prova para receber o dorsal.
Por isso, a minha agenda é uma extensão de mim, da minha vida. Trata-se de um instrumento indispensável para organizar o meu dia, a minha semana, o meu mês. É uma espécie de Tetris em papel onde o objectivo é encaixar todos os eventos por forma a que não haja sobreposições. A diferença é que, aqui, as peças não desaparecem e acumulam-se. Por esta altura, é raro lembrar-me de algum compromisso que não esteja devidamente assinalado na agenda. Se não está escrito é porque não existe! E também não combino nada sem consultar a agenda que se torna, assim, numa espécie de oráculo que orienta a minha vida. Sou um escravo da minha agenda!
Por isso, a cada ano que acaba uma nova Agenda toma o lugar da velha, na mesma medida em que um novo ano toma o lugar do antigo. Como o novo ano, a nova agenda é mais bonita que a antiga, mais limpa, mais leve, mais apetecível enquanto a velha agenda está gasta, riscada, cansada, pesada, acabada assim como o novo ano. Mas todos os anos a nova agenda se torna na velha agenda...
Gosto de desfolhar as folhas da velha agenda e recordar as coisas boas. As férias, os feriados, os fim-de-semana fora de casa, as corridas, a praia. Mas também olho com atenção para o desfilar de turnos trabalhados consecutivamente, os duplos turnos, os fim-de-semana enfiados no hospital, os turnos "extra" trabalhados para além das horas contratadas. E todos os anos sonho com uma agenda que tivesse mas D e mais F, uma agenda mais leve, menos rabiscada, menos preenchida com trabalho e mais com festa dos miúdos, jogos dos miúdos, fim-de-semana no campo, semana de praia, almoço com os amigos, jantar-cinema-discoteca, corrida, meia maratona, maratona, concerto, teatro, viagem para Nova York, etc, etc, etc. Será assim o próximo ano?
Amanhã entro na última folha da minha velha agenda e a nova já tem o primeiro mês preenchido: M T D N F...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Isso fica "buéda" mal...

Se há coisa que me irrita actualmente é a "adolescencialização" (que belo vocábulo!) de muitos dos trintões que conheço, fenómeno esse que parece alastrar a uma determinada franja da malta nascida nos 70's. É malta trintona que já tinha idade para ter juízo mas que opta por se aproximar da geração que está agora nos 20 anos.
Isso traduz-se nos mais variados comportamentos mas o que me irrita mais são essencialmente estes:
-escrever SMS constantemente, produzir conversas inteiras através de SMS. Não me venham com a conversa que "sai mais barato". Um trintão que se preze liga, combina um café e conversa o que tem a conversar.
-pior que isso, escrever SMS com "axo", bjx", "kero", "cudos" e todos esses neologismos típicos de uma geração que não é a nossa.
-ainda pior que isso, falar no mesmo registo dos putos e utilizar incessantemente vocábulos como "bué" (o horror!), "buéda" (a catástrofe!), "", "LOL", "men", "props" e por aí a fora.
- andar feito "pitinha aos saltos" a vibrar com este ou aquele grupo musical. Além se ser completamente fora de tempo, fica mal. E, convenhamos "30 Seconds to Mars"? P'amordedeus!
- Tentar aproximar-se dos filhos tentando ser "o melhor amigo", entrando no contexto e registo deles. Esta é a piorzinha de todas. Não é suposto sermos o "melhor amigo" dos nossos filhos. Somos pais e isso implica um fosso geracional que ser quer saudável.
Mas isto sou só eu a pensar...