Quando inicialmente coloquei a hipótese de sair do país, passaram-se dias de angustias, dúvidas, receios de estar a pensar nas coisas de um ângulo errado, de não estar a pesar todos os factores, da estratégia ser fraca. Depois de tomar, definitivamente essa decisão nada mais me poderia mudar de ideias. Durante a troca de correspondência com o Hospital para a minha candidatura nada abalou a minha fé que seria contratado. Mas assim que pus pé em solo suíço foi assolado por dúvidas e anseios. Que não pertenço ali, que talvez não seja o melhor passo para o futuro dos miúdos, que a cidade não me acolhe como me acolhe Lisboa. No momento em que entei no Hospital tive a firme certeza que estava no sítio onde sempre deveria ter estado.
Ontem recebi os documentos a preencher para a redacção do contrato bem como a lista de documentos que lhes devo enviar. É a concretização inequívoca de um desejo, a conquista do projecto sonhado. E eis-me aqui, preenchendo formulários e questionários, fazendo contas a ordenados recebidos, impostos e despesas, procurando casa na Internet e, ainda assim preso entre um sentimento de alegria, concretização e antecipação da saída e um outro sentimento indefinível, pequeno mas presente que me aperta o peito e que tento conscientemente afastar de mim...
Na verdade, este processo não é para fracos de espírito.