quinta-feira, 12 de maio de 2011

É uma Casinha portuguesa, concerteza!

Por incrível que pareça há por aí muita gente que precisa de fazer pela vida. Tudo bem, não se trata de um sonho tão nobre e tão atractivo como ir estudar para Bruges, para o prestigiado College of Europe, para tirar um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies (com este nome até eu quero ir, que raio!) e levar o gatinho, mas por outro lado a maior parte das pessoas tem sonhos menos elaborados, menos sonantes e que não ficam tão bem em reportagens televisivas como, sei lá, encontrar uma fonte de rendimento porque se ficou sem emprego,não anda aí a aproveitar-se da boa vondade das pessoas, leiloando artigos que lhe são oferecidos e colocando o botãozinho "DONATE" na lista de links.

Então, resolvi sair da apatia criativa que sobre mim se abateu nos últimos meses para mostrar solidariedade para com uma amiga e para vos falar do blog dela. Um blog que vive do trabalho e da criatividade da autora, colorido, divertido e com propostas diferentes. Falo da Casinha da Matilde, visitem!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E assim se vira à Direita num país de brandos costumes.

Como as crises revelam o pior que há nas pessoas.

As conversas de café giram em torno do FMI e da crise. E parece salientar-se um denominador comum no que toca a identificar bodes expiatórios quando já não há argumentos para classificar a actuação de Sócrates: os imigrantes. Os pretos, brasileiros, ucranianos. E isto choca-me. Porque se toma o todo pela parte. Se é verdade que os brasileiros são associados ao crime nocturno, não é menos verdade que a maioria será gente honesta e trabalhadora; se os ucranianos, russos, moldavos estão associados à máfia, a maioria será gente explorada por essa mesma máfia em vez de membros activos da mesma; os pretos, mais antigos, ajudaram a construir este país e julgo que a sua fatia na distribuição da culpa da crise em que nos encontramos não será a maior.

Choca-me mais ainda quando estas pessoas pertencem a um dos povos com mais representatividade em países estrangeiros! Afinal, há sempre um português em qualquer parte do mundo. "Ah, mas os portugueses são gente séria que vai para fora para trabalhar, não é para roubar." como se todos os outros povos viessem para Portugal para roubar a nossa imensa riqueza. Mas, na hipótese de eu estar enganado e se os pretos, brazucas e russos vieram para Portugal para roubar então já chegaram atrasados. Os ladrões, os verdadeiros, são portugueses. Afinal, não podemos deixar os nossos créditos em mãos alheias.


PS: como futuro imigrante não posso concordar com esta visão de quem larga o seu país para procurar o futuro num outro, com melhores condições que o nosso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Guerra de Siglas

FMI acaba com TGV.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O problema está sempre no empreiteiro.

Cá está, eis que finalmente se concretiza algo que só os menos atentos julgavam impossível: é chegada a hora do FMI, ou do FEEF, o que na prática é a mesma coisa. Mas afinal que mecanismo é este?

Daquilo que tive oportunidade de ler o processo é parecido ao empréstimo bancário para a construção de uma casa (neste caso, da reconstrução da "casa dos tugas"!): o FMI/FEEF (insisto nesta dupla designação, não vá o Professor Aníbal ler este artigo e ficar zangado) vai libertando o dinheiro em várias fases. Uma primeira fase dá dinheiro para construir das fundações até à primeira "placa" da casa. Nesta fase, lá vem o avaliador do FMI/FEEF verificar a obra e, sim senhor, liberta mais dinheiro para a construção até à segunda "placa", momento em que volta o senhor dos euros verificar a obra e dizer, sim senhor, tomem lá dinheiro para terminar a barraca. E tudo seria simples, o banco empresta dinheiro que paga ao empreiteiro e o credor paga ao banco em suaves prestações até à véspera do seu funeral.

O problema nesta equação é, precisamente o empreiteiro ou seja o sujeito a quem nós entregamos o dinheiro para as obras. No caso em análise esse empreiteiro é o Sr. Engº José Sócrates. Logo à partida, há fortes suspeitas que o senhor se tenha indevidamente apropriado do título de Engº e logo, parece evidente que não deve ser muito competente neste negócio da construção de imóveis. E depois, os imóveis que o senhor projectou numa aldeia qualquer lá no norte também não abonam muito a favor da criatividade e eficácia do senhor. Mas nós, ao bom estilo português lá nos deixámos embalar no discurso meloso e na imagem de vitalidade e mudança e, pimba!, entrega-mos-lhe as rédeas do nosso projecto.

O fulaninho afinal não era empreiteiro nenhum e entrou o no esquema da distribuição do dinheiro por vários sub-empreiteiros em quem confiava. Falhou prazos, ultrapassou orçamentos, utilizou materiais do chinês e deixou a obra por acabar e o projecto finou-se. Culpou os sub-empreiteiros, claro! Ele foi só responsável pelo cimento e pilares e não pode ser responsável se os tipos da confragem falharam, se as loiças do WC não apareceram ou se a cozinha tem as portas empenadas! Nós ficámos agarrados a nada e a Banca mandou-nos à fava, fechou a torneira dos euros, subiu os juros do empréstimo por causa do nosso imcumprimento e certificou-se que mais ninguém nos emprestava ou, se emprestarem que o façam com juros típicos de uma qualquer D. Branca.

Lá vem então o FMI/FEEF. Mas como a obra está a meio e está tudo encravado já não há outro empreiteiro que pegue na obra do senhor Sócrates (que até, muito humildemente, se demitiu do cargo de empreiteiro mas sem antes garantir que vai concorrer ao cargo novamente) o dinheiro vai ser entregue ao mesmo empreiteiro que queimou todo o dinheiro, que falhou prazos, que estoirou orçamentos! Porra. Parece que há aí um novo empreiteiro que se prepara para assumir a obra, um tal de Sr. Passos-Coelho mas que também não deve ser muito bom porque diz que o seu trabalho nos últimos anos tem sido mais atrás da secretária, a fazer projectos e assim, e não percebe nada de construção.

O problema, no meio disto tudo, é dos empreiteiros. É isso e quando aparecerem os senhores do Cobrador do Fraque para reaver o seu investimento. Com juros.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Montanha-Russa de emoções.

Quando inicialmente coloquei a hipótese de sair do país, passaram-se dias de angustias, dúvidas, receios de estar a pensar nas coisas de um ângulo errado, de não estar a pesar todos os factores, da estratégia ser fraca. Depois de tomar, definitivamente essa decisão nada mais me poderia mudar de ideias. Durante a troca de correspondência com o Hospital para a minha candidatura nada abalou a minha fé que seria contratado. Mas assim que pus pé em solo suíço foi assolado por dúvidas e anseios. Que não pertenço ali, que talvez não seja o melhor passo para o futuro dos miúdos, que a cidade não me acolhe como me acolhe Lisboa. No momento em que entei no Hospital tive a firme certeza que estava no sítio onde sempre deveria ter estado.

Ontem recebi os documentos a preencher para a redacção do contrato bem como a lista de documentos que lhes devo enviar. É a concretização inequívoca de um desejo, a conquista do projecto sonhado. E eis-me aqui, preenchendo formulários e questionários, fazendo contas a ordenados recebidos, impostos e despesas, procurando casa na Internet e, ainda assim preso entre um sentimento de alegria, concretização e antecipação da saída e um outro sentimento indefinível, pequeno mas presente que me aperta o peito e que tento conscientemente afastar de mim...


Na verdade, este processo não é para fracos de espírito.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Acontecimento de uma vida...

... este campeonato de futebol! Por uma vez na vida apenas se consegue ver um Clube aviar 5 golos sem resposta ao seu maior rival! E mais raro ainda é ver um Clube fechar as contas do Título em casa desse mesmo rival, na volta do Campeonato. Eu sou Portista porque tinha de ser, está escrito no ADN da nossa família. mas também o podia ser por escolha óbvia. Afinal tenho 32 anos e nesse mesmo período o FC Porto venceu 19 (!!) campeonatos. "Ah e tal, o Pinto da Costa e os árbitros e a fruta..." os argumentos dos aziados, ainda com a nossa superioridade entalada num lugar escuro e estreito, não colam: internacionalmente somos o melhor Clube português com 2 Ligas dos Campeões, 1 Taça Uefa, 1 Taça Intercontinental, 1 Supertaça Europeia e um dos clubes europeus com mais presenças na fase de grupos da Champions. Mas só isso não chega, não num pais com 6 milhões de benfiquistas e com uma imprensa que faz capas com declarações idiotas dos vários treinadores vermelhos e relega para um canto os feitos europeus do meu clube.

Mas nós somos O FC Porto, o melhor clube nacional, o mais organizado, o mais competitivo e hoje, hoje não há como desviar as atenções do que é evidente. O FC Porto veio a Lisboa demonstrar o seu poder, em casa do benfica. O benfica super-equipa, campeão antecipado, antecipado vencedor da Liga dos Campeões, o imbatível, o intransponível, o "ninguém pára o benfica". Se o Porto tivesse sido campeão noutro estádio qualquer estou certo que a primeira página de "A Bola" e "Record", traria a fronha do Jesus afirmando uma qualquer alarvidade sobre a superioridade do benfica. Mas, azar do caralho! O benfica foi atropelado no seu estádio! Levou um banho de bola como na primeira volta, podiam ter levado mais 2 ou 3, não fosse o Falcao estar desinspirado e perderam. E, vergonha suprema, entregaram as faixas ao seu maior rival no seu estádio! Nunca esquecerei esse momento! É nestes momentos que se os Grandes se agigantam. No ano passado a situação era a inversa. O benfica poderia ter sido campeão no Dragão. Não foi.

Vi o jogo no café da esquina da minha rua. Tenho quase a certeza que era o único Portista na sala. E que gozo meu deu ver os semblantes cada vez mais carregados perante a evidente superioridade do Porto. Que gozo meu deu os disparates verbalizados por aquela gentinha, esmagada pela antecipação da humilhação que os esperava no final do jogo. Limitei-me a sorrir para dentro, contive os meus festejos, não queria ferir orgulhos e havia muitos ânimos exaltados. Quando se apagaram as luzes do aviário soltei um "palhaços" num murmúrio demasiado alto que foi ouvido na mesa ao lado que vociferou contra mim.

Mas esse apagão foi muito mais que uma vergonha, do que uma atitude que todo o mundo hoje já viu e já comentou, que toda a Europa condena. Foi a metáfora daquilo que aconteceu ao benfica que foi apagado pelo FC Porto ao longo da época e naquele jogo em particular. Foi talvez o prenúncio das trevas (obrigado pela analogia ao Pinto da Costa) que se vão abater naquele estádio até ao final da época e, quem sabe...

Mas podem apagar as luzes de todos os estádios porque o brilho do azul-e-branco é sempre mais forte!!!


POOOOOOOOORTOOOO!!!

quinta-feira, 31 de março de 2011

A inevitável comparação.

Correndo o risco de parecer estar a "cuspir no prato" a verdade é que as condições que encontrei no hospital onde irei trabalhar, em Lausanne, estão a anos-luz da realidade portuguesa de qualquer hospital, público ou privado. Em infra-estruturas, equipamento e quantidade de pessoal. Se já estava motivado antes de conhecer o sítio, hoje estou ainda mais motivado e ansioso por começar a trabalhar nessa nova realidade. De maneira que, de uma forma que me parece legítima até porque já se vê a porta aberta par um novo futuro, não foi propriamente com a maior das vontades que regressei ao trabalho em Portugal, nas condições e com os meios que são conhecidos.

E eis que hoje, logo no meu primeiro dia de regresso ao trabalho nas urgências recebo a visita de uma "auditoria" por parte de alguns membros da "Comissão de Controlo de Infecção e Gestão de Riscos". Não haveria nada de estranho não fosse o facto de me ter encontrado perante 3 senhoras (enfermeira, técnica "qualquer-coisa" ambiental, e uma engenheira qualquer) que me massacraram a molécula cerebral com a distribuição dos sacos do lixo por cores: preto para lixo urbano, branco para produtos contaminados e vermelho para resíduos orgânicos contaminados. As senhoras passaram o tempo a vasculhar o lixo! Literalmente! "Aqui neste saco branco está um (UM!!) papel de limpar as mãos que devia estar no preto. Neste contentor de agulhar está uma lanceta para glicémia que devia estar no saco branco. Este caixote branco ao pé da torneira devia estar perto" numa atitude mais punitiva que pedagógica. Estes "técnicos do lixo" como eu lhes chamo estão preocupados com pormenores, com um aspecto que todos os técnicos estão carecas de saber. Afinal não é nada mais nada menos que separação de lixo! Mas as críticas surgem sem ter em conta o ambiente em que são feitas, com a inadequação do espaço de trabalho, com a falta de material, recursos ultrapassados e falta de pessoal.

Na verdade, esta atitude sempre me incomodou mas sempre a encarei com um encolher de ombros. Neste momento, depois de ter tido um vislumbre de uma outra galáxia de trabalho, estas coisas vão custar a engolir. Afinal, quem é que quer comer delícias-de-mar quando já se provou lagosta da boa? Vão ser longos dias de trabalho a partir de agora...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ipsis Verbis.

Não sou um tipo particularmente adepto do vernáculo mas admito que tenho os meus momentos putaquepariu. Aliás, esta expressão "putaquepariu" é mesmo a que mais vezes sai disparada pela minha boca antes mesmo que tenha tempo de a travar. Asseguro-vos que foram as agruras da vida que me ensinaram expressões tão pouco elegantes porque, aos meus pais, nunca os ouvi largar semelhantes impropérios na minha presença. Ora acontece que o Gabriel está na "fase esponja" aquela em que é capaz de absorver e debitar ipsis verbis tudo aquilo que ouve os pais afirmar. E tem tendência a preferir as coisas mais giras e gritá-las nas situações mais adequadas, ou seja quando tem público (leia-se amigos, visitas e nos corredores dos supermercados). Assim, optei por libertar as minhas frustrações no trânsito, nas filas do supermercado e a ver a bola com adaptações, digamos "infantis" da linguagem mais brejeira dos adultos. E agradeci a todos os santinhos quando ele, a brincar no parque, caiu e gritou... FÓNIX! FRUTA QUE FLORIU!!!

Lausanne.

Estive em Lausanne a semana passada, a tratar da vidinha. Cidade simpática, ordenadinha e limpinha ou não estive plantada do país dos certinhos. O Lago Léman dá-lhe um certo ar mediterrânico o que é de alguma forma acolhedor para quem viveu os seus melhores anos junto ao mar. Mas o que me surpreendeu foram... os cães!

Sacanas de bichos civilizados! Nos jardins podem andar sem trelas, num espacinho reservado para eles, andam todos à solta a cheirar os rabos dos seus parceiros caninos e nem sequer por uma vez os vi engalfinhados! Fui correr junto ao lago e lá andavam eles a passear junto aos donos ignorando completamente o atleta que, neste caso, está habituado a que lhe ladrem e corram junto dele com ar agressivo. Os cães entram nas lojas e nos cafés e ficam bem sossegados debaixos das mesas ou junto aos pés do dono.

Imaginei-me imediatamente com o Gastão... no jardim iria mijar em cima de todos os que etivessem deitados na relva, ia correr que nem um alucinado, iria cheirar insistentemente os cús dos outros, correr que nem um louco ás voltas na relva. E não iria voltar à minha chamada. Nos cafés o mais certo seria apoiar as patas da frente na mesa e tentar roubar a comida e, mais uma vez, marcar a sua presença com uma belas mijadelas na porta e nos pés da mesa. Enfim, um cão bem português!

Sim, fiquei tão impressionado com os cães suíços que o facto de ter sido contratado ao fim da primeira entrevista é algo que fica completamente em segundo plano...

segunda-feira, 28 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Raptado.

Já passou mais de um mês desde o último texto que aqui escrevi. Para dizer a verdade, acho que esse último nem sequer contou! Se por um lado estou constantemente a lembrar-me do "Cheirinho a éter..." e de todas as pessoas que se dão ao trabalho de o seguir, não é menos verdade que, gosto de escrever o melhor que sei para todos os que gostam deste espaço. Não tenhamos enganos, este não é um espaço de mim para mim, é um espaço de mim para quem aqui vem e me acarinha.
Dito isto, a verdade é que ando completamente assoberbado pela jornada que entretanto se iniciou. O meu pensamento concentra-se em muitas coisas, assuntos mutáveis, planos sempre abertos. A minha energia gasta-se entre planear a ida, preocupar-me com o que fazer com as nossas coisas, e ainda ter vontade de vir trabalhar. O que não é fácil. Com a perspectiva de partir tudo o que está mal, o que corre mal parece ser ainda pior. Concentro-me em tentar que isso não interfira no meu desempenho. Por outro lado tenho investido muito do meu tempo no aperfeiçoamento do meu Francês (e com óptimos resultados, deixem-me gabar!) e como é desgastante passar 4 a 5 horas a marrar a gramática francesa 3 vezes por semana...
Entretanto aproxima-se um momento vital para o sucesso: uma entrevista. Pois é! Tenho já marcada uma entrevista de emprego para o final deste mês. No hospital que eu escolhi e onde gostaria de trabalhar, no serviço que eu mais gosto de fazer (Urgências, o que mais!). Estou super expectante mas também confiante que tudo vai correr bem. Por outro lado, isso significa também que vão haver decisões a tomar, trabalho a desenvolver, contactos a fazer, planificações a re-orientar.
Por tudo isto não tenho energia suficiente para escrever para vós. A minha mente foi "raptada" por todo este processo. As situações de que este blog se alimenta continuam a ocorrer mas, simplesmente, eu estou noutra frequência. Neste momento a minha vida só tem interesse para mim mesmo! Mas voltarei, é uma promessa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu tive um sonho...

... muito estranho!
Aparentemente estava a apresentar-me para uma entrevista de emprego na Suíça, o ambiente muito sombrio, chuva e nuvens muito negras. Saio de um táxi e fico em frente a um edifício velho e sujo. Sou atendido por um fulano feio e seboso e digo que venho para a entrevista. Aparentemente não é ali, o taxista enganou-me. Mas enfim, aparece a responsável pelos Recursos Humanos do hospital que, sorte!, tem o seu escritório ali. Fico siderado quando me aparece esta fulana, com o seu sorrisinho cínico e a sua voz meiga. Diz-me que não é ali e saímos do edifício. Ela entra no carro e diz: "Siga-me" arrancando a toda a velocidade. Eu corro atrás do carro e, estranheza total, consigo acompanhar o ritmo porque há muito trânsito. Chegamos ao hospital que é um palheiro nojento com gente a gemer pelo chão. Apresenta-me a um fulano português qualquer que aparece na TV mas que não consigo identificar. Está ali para um tratamento facial. Depois sou entrevistado no quarto da senhora.
Eis que, de repente estou em... Paris?. Aparece-me um fulano qualquer a falar francês e subo para um escritório com vista para um parque. Estou a ser entrevistado mas, de repente, já não percebo nada de francês, já não entendo a língua e muito menos sou capaz de a falar! Vejo no parque uma velha amiga que entretanto emigrou para Barcelona a passear um carrinho de bebé. Nos jardins do parque há Pierrots a dançar...
Alguém aí que interprete sonhos? Aparentemente estou todo queimadinho...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sem espaço para tudo.

A minha mente está ocupada com um milhão de coisas, inúmeras equações cheias de variáveis estranhas e de resultados incertos. Não há espaço para tudo.
Mas, dito isto, as coisas estão a correr bem!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Porquêêêê?

Após algumas visitas para uma eventual compra da minha casa, a resposta começa a salientar um padrão. É mais ou menos isto: "Miguel, gostamos da casa mas o banco não nãs dá crédito suficiente... lamentamos." ONDE ESTÁ O CRÉDITO FÁCIL, INDISCRIMINADO E DESREGRADO QUANDO PRECISAMOS DELE??
Ora bolas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Prazer na ponta dos dedos!

"Not so fast, you're hurting me..."

AH AH AH AH AH AH AH AH AH!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Regra dos 4.

Sinto-me mal. Realmente mal. Afinal já há quanto tempo não surge por aqui um texto realmente inspirado, realmente engraçado, irónico, tocante, mórbido? Há algum. Aqui há uns dias vi a "TED Talk" com a fulana que escreveu o "Eat, Pray, Love", que não li mas que parece que foi sucesso com direito a filme e tudo. Mas enfim, a senhora falava de bloqueios mentais e de como ultrapassar o medo de falhar no livro que terá a missão espinhosa de ser "o livro a seguir ao universal e aclamado sucesso". Obviamente não sofro desse mal porque best-sellers não são uma coisa que me apoquente mas, por outro lado os bloqueios têm sido frequentes. E acho que isso está relacionado com A Regra dos 4.
Este blog vive essencialmente das minhas experiências pessoais, das minhas interacções com os doentes. Vive das minhas interpretações, dos sentimentos que me invadem nesta ou naquela situação, da descrição das minhas vivências (engraçadas ou nem por isso) nos corredores dos hospitais. Acontece que esta é a altura em que se aplica A Regra dos 4. Nesta altura já ando cansado dos serviços, dos hospitais, dos percursos, dos colegas, dos chefes, das rotinas e dos doentes. Por esta altura já não há pachorra para as discussões, os debates, as queixas. Já estou "no automático", "não estou para me chatear", "cumpro os serviços mínimos". Estou numa de sair o mais rápido possível do serviço. Estou mais irascível, menos tolerante, dói-me a mente só de pensar no trabalho. É a Regra dos 4: 4 anos estive no meu primeiro trabalho e depois mudei; 3 anos e meio estive noutro lado até me chatear com aquilo, estou à mais de 4 anos na Urgência onde trabalho actualmente e vou para os 4 anos no Hospital.
Percebem a ideia geral por trás da Regra dos 4? É isso mesmo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Palácio.

Pessoal!!
Um magnífico palácio com vastos e frondosos jardins por uma verdadeira pechincha!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eis que o tempo escoa rapidamente...

Lembram-se do meu rafeiro adorável? Pois é malta, continuo sem candidatos à altura para a sua adopção... vá lá, toca a procurar, a divulgar a insistir! É que já só faltam 263 dias...

OBRIGADO!

O Estranho Caso das Esposas Irritantes.

A cena repete-se no tempo mudando apenas os intervenientes. Um homem, normalmente em pleno gozo da sua reforma, apresenta-se na nossa triagem:
-Então bom dia! Explique lá o motivo que o traz à urgência.
(a mulher responde) -Olhe Sr. Enfermeiro, ele tem-se sentido muito mal nestes últimos dias, tonto e mal-disposto e não come bem e também não dorme.
-Peço desculpa pela minha pergunta, mas o senhor não fala? Tem algum problema que não lhe permite ser ele mesmo a descrever as suas queixas?
(nesta altura o homem responde com um tímido "Não" mas é logo abafado pela esposa)
-Sabe sr. enfermeiro, ele não sabe queixar-se, não sabe o que tem.
-Mas a senhora sabe? Afinal quem é que está doente? Parece-me que é ele...
-Pois é mas ele não sabe!
Esta última frase é dita no tom inconfundível de "quem manda lá em casa sou eu e por isso eu é que sei o que ele tem" e o marido já olha para a mulher com aquele não menos inconfundível olhar de "chiça mulher, cala-te lá de uma vez por todas! Rais' parta o dia em que me casei contigo, iiiiirra!". E, acto contínuo peço à senhora que aguarde na sala de espera enquanto eu falo com o doente sem ter uma terceira pessoa a traduzir. O que acontece a seguir é ainda mais hilariante (ou irritante, depende do dia em que me encontro!): a mulher prostra-se atrás da porta a ouvir a conversa e interrompe sempre que julga necessário, alvitrando as mais sapientes sentenças "ele a mim não me disse isso, olhe que ele sofre do coração, tem a diabetes alta" entre outras coisas! No final de tudo interroga o já farto dela -marido "disseste que te doía o braço, falaste da próstata, viram-te a tensão, falaste da operação aos testículos em 1940?" ao que o marido responde com um "Siiiiiiiiim mulher..." enquanto rola declaradamente os olhos. Não satisfeita, a mulher dirige-se a mim para aplicar a mesma técnica de tortura por perguntas até à exaustão!
Hoje, a um desses desgraçados, pedi que fosse urinar para um copo para que pudéssemos analisar a urina. O olhar dele quando a mulher, alto e bom som em plena sala de espera repleta de pessoas lhe perguntou "Precisas de ajuda?" foi impagável! Juro que, por um momento, aquele homem teve um impulso homicida!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O futuro ao virar da esquina.

Finalmente começou! Estou entusiasmadíssimo com este ano de 2011. Neste momento preparo o meu Curriculum e tento escolher as palavras e o tom certo para escrever a minha Carta de Apresentação, os documentos que serão o meu "Cartão de Visita", digamos. Entretanto preciso de um profissional que os traduza (alguém conhece alguém?) porque eu, embora fale francês não sou tradutor e convém que essas traduções estejam "limpinhas" para os potencias empregadores.
Depois disso, reactivar contactos feitos em 2008 (o ano em que nasceu a ideia e quando não pude ir, por razões contratuais com o meu actual empregador...), pedir ajuda a amigos que já lá trabalham e pesquisar na internet...
Entretanto, resolver o "Dossier Gastão" (continuamos sem encontrar nenhuma família disponível para ele. Por favor ajudem a divulgar...), tentar vender / alugar a casa, tentar vender / doar os móveis e electrodomésticos (vão passando pelo "Asas para voar!")...
O que é estranho é que passei os últimos 3 anos a ansiar por Janeiro de 2011 e agora, que ele chegou, 10 meses não parecem assim tanto tempo! Por isso não estranhem alguma ausência de textos por aqui... mas a minha mente vai andar ocupada com muitas coisas daqui para a frente!