quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A culpa é dos queridos que mudam a casa!

Malditos queridos! Aquilo é um tremenda duma publicidade enganosa! "Ai q'horror, que decoração horrível e tremenda falta de gosto! Ai que detesto o lambrim do corredor e aquele vidro fosco tão anos oitenta!" E lá vem uma tia que sabe conjugar umas cores e muda aquilo tudo para uma divisão de catálogo de revista de decoração de interiores! E depois vêm os malucos das obras e fazem aquilo parecer fácil e barato e ao alcance de qualquer um! BAH!
E depois, que ideia é aquela de remodelarem UMA divisão? Se essa divisão está feia, imaginamos o resto da casa! Vou então jantar à novíssima sala de decoração neo-classico-moderna dos queridos e apetece-me, digamos, cagar. Saio da sala e... entro numa outra dimensão infernal onde o corredor tem azulejos azuis-e-brancos até meio da parede e o WC tem as porcelanas verde-couve! "AHHHHHHHHHHH", grito e saio a correr. Não dá. E outra coisa. Se alguém, um qualquer habitante de uma qualquer casa não consegue manter organizada uma divisão normalíssima imagino o que (não) farão com uma sala/quarto/cozinha tão "capa de revista". Giro, giro seria um programa "Um mês depois do Querido!" Mas o pior, o piorzinho desse programa é a vontade que causa em nós de mudar a nossa vulgaríssima casa. A capacidade que eles têm de nos fazer pensar que moramos numa espelunca desorganizada e sem graça nenhuma. E, ainda pior, de nos fazer acreditar que somos capazes de fazer o mesmo que eles. Não somos.
Assim, imbuído do espírito "Querido Mudei a Casa" lá fui eu envernizar o telheiro de madeira do jardim e pintar o portão da entrada. O envernizamento correu bem, até porque foi a Mariana que tratou disso. Eu limitei-me a pintar as tábuas a direito e ao final da primeira já estava a ter alucinações após snifar um bocado do "Bondex" de carvalho. Quanto ao portão... fui comprar tinta e pincéis e fiz-me ao trabalho! Trincha e rolo em punho e, pimba, ao final da manhã tinha o trabalho quase pronto. Olho para a minha obra-prima e, que raios!, tenho o portão de um branco-alvo pintado cravejado de pequenos insectos pretos colados na tinta fresca! Os c****ões dos insectos debatem-se para se soltar da armadilha e dão-me cabo do trabalho. Por cada um que tiro tenho que retocar a pintura e logo outro se enfia na tinta. Cabrões dos mosquitos! Isto não aparece nos queridos, que os insectos atacam a tinta fresca como se fosse um monte de merda fresquinho! Disso não falam eles! E depois, trabalho acabado mas cravejado de insectos negros que parecem reproduzirem-se na própria tinta, vai de lavar os pincéis, trinchas, rolo. Aparentemente existem vários tipos de tinta. A tinta das paredes sai facilmente com água. Descobri da pior maneira que a tinta dos metais não. Então, logo a água e tento lavar os objectos, nada acontece. Para ajudar aperto o rolo com as mãos e, pior um pouco, fico com as mãos brancas de tinta que não sai com água! Pareço estar a usar luvas de cerimónia brancas. De repente lembro-me: diluente! Vou buscar a lata que está na dispensa (pinto-a de branco com as minhas mãos entretanto) e vai de despejar aquilo nas unhas. Nada acontece a não ser uma breve visão de um elefante rosa a passar na rua. Talvez tenha inalado um pouco de diluente a mais... Fica tudo branco, cada vez mais branco, as mãos brancas, os braços salpicados de manchas brancas. E aquilo não sai por nada! MAS PORQUE É QUE OS QUERIDOS NÃO AVISAM AS PESSOAS QUE HÁ VÁRIOS TIPOS DE DILUENTE?? Aparentemente, para limpar tinta sintética é necessário um diluente sintético. Lógico? O ca******lho!
Tenho a impressão que o portão vai ficar só com uma demão...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Adoro este programa (provavelmente pelas razões erradas!)

Hoje tive a oportunidade de, finalmente, ver um pouco do programa Biggest Loser. E foi engraçado! Apesar de ter as minhas dúvidas acerca das motivações dos concorrentes, uma vez que a única maneira de mexerem aqueles gigantescos rabos e fazerem dieta são 250 mil notas de dólar. Se o (mau) estilo de vida que levavam antes estava perfeitamente identificado e todos eles têm a perfeita noção do seu problema (caso contrário nunca teriam concorrido ao programa!) e se, mesmo assim continuavam a emborcar massas com queijo e donuts recheados como se fossem paquidermes porque não procuraram ajuda antes? A Mariana diz que eu sou um porco insensível e que a razão de eles quererem entrar no concurso é o facto de estarem acompanhados. Seja.
E então lá estavam eles, arrastando-se na passadeira ao final de 30 segundos, a destilar água que daria para encher uma pequena piscina, a chorar ao final de 5 minutos de exercício de aquecimento, a vomitar, a desmaiar, a querer desistir. E até aqui tudo bem! Se eu não sou grande fã de reality shows pela simples razão que eles se baseiam normalmente na incompetência dos seus participantes, na sua desgraça, nos seus podres, este pelo menos é honesto e tem uma mensagem simples e verdadeira: queres perder peso meu paquidérmico amigo? Só tens um caminho a seguir: o da abnegação! Aqui se vê que, com o empenho necessário a todos os grandes desafios, é possível perder 20, 30, 40 kg e que não há fórmulas milagrosas. É simples: malhar o corpinho e fechar a boquinha! E nisso, este programa não engana ninguém. Acreditem, eu vi no mesmo dia o fim de uma temporada e o início de outra e muito sinceramente não queria acreditar! Malta com mais de 130 kg a descer para os 80?! Isso é de louvar e de premiar. E aqui está outra razão de peso (piadinha eheheh) para ver este programa: na verdade todos os concorrentes ganham! Perdem peso de uma forma dura mas saudável! Que eles consigam manter esse estilo de vida, isso é outra história...
Mas para mim, a verdadeira razão que me prendeu ao aparelho foi outra. Se um dos instrutores é um "pãozinho sem sal", um fulaninho em forma mas com um arzinho perfeitamente... inócuo, já a instrutora...! Jilian é enérgica, berra com os gordos, faz ameaças físicas, faz pressão psicológica, agride-os verbalmente, expõem as suas fragilidades e confronta-os com elas! Ela tem uma voz rouca que fica ainda mais rouca quando berra! Ela sobe para cima dos concorrentes, para cima das máquinas, ela sua com eles! Fez-me lembrar quando fiz a minha recruta, quando havia sempre alguém a berrar-me aos ouvidos, a gritar-me para correr, para saltar, para rastejar! E eu emagreci bastante durante um mês de recruta! A diferença é que nenhum dos meus instrutores tinha esta aparência...

E isso é que foi uma pena.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ora aí está coisa para exigir um manual de instruções!

Quando a minha mulher me pediu para "comprar um shampoo" parecia ser tarefa fácil! Era isso ou ir para a fila do fiambre e do queijo. Mas enfim, shampoo é coisa fácil. Pensava eu...
Eis que chego ao local dos shampoos do Continente (malditos!) e descubro que, afinal não existem ali só shampoo. Há gel duche, acondicionador, máscara, desembaraçador. Máscara? Para cabelos? Ora aí está um conceito que gostava que alguém do sexo feminino me explicasse! Máscara... sinceramente. Então deparo-me com uma infinita prateleira de shampoos com uma variedade de cores absolutamente psicadélica que, juro que comecei a ouvir os Greatful Dead e a ver borboletas gigantes a voar na minha direcção! Qual escolher? Receei ter de os cheirar a todos pois temia ter ali mesmo um grande mal epiléptico. Raciocínio masculino: exclusão de partes! Eliminamos já as embalagens cor-de-rosa e amarelas ou com qualquer aplicação mais brilhante. Aquele que causa orgasmos nas gajas também não porque com orgasmos fingidos daquela maneira eu não me entendo. Marca que ocupe toda a prateleira, de cima a baixo, também sai já de cena porque isso significa demasiadas hipóteses e o meu cérebro já estava perfeitamente apoplético. Reduzi então as hipóteses de escolha apenas a shampoos com... embalagens brancas! "Head&Shoulders" e "Pantene" são duas marcas que não enganam! Ora, como não havia o "Head&Shoulders" Mentol (ahhhh, adoro aquele fresquinho no couro cabeludo logo pela manhã) optei por um "Pantene Classic", cabelos normais. A esposa pediu um shampoo, foi um shampoo que comprei!
Depois dirigi-me à diminuta secção de produtos para homem e comprei o meu fiel desodorizante "Dove For Men" juntamente com o gel de banho da mesma linha e fui-me embora. Simples, rápido, eficaz.

Em tempo de vindimas...

De todas as castas de uvas que conheço a minha preferida é, de longe!, a uva "colhão-de-galo".

domingo, 10 de outubro de 2010

A Minha Terra é Onde Me Sinto Bem.

Estivemos dois dias na "terra". Mas o que é a "terra"? Não sei. Para muitos a "terra" é o sítio onde nasceram, onde os pais nasceram. É um sítio com o qual têm uma ligação emocional muito forte seja pelas tradições, pela família, pelas Festas de Verão, pelas vindimas, pela matança do porco, pela apanha da fruta, pela paisagem, pelos cheiros, pela comida. Eu vim da "terra" com 18 anos. Tendo 31, a maior parte da minha vida ainda está ligada à "terra". Mas não a mais importante.
No Sábado pela manhã fui correr. Estradas e caminhos velhos conhecidos, percorridos principalmente na altura em que jogava futebol (juvenil) na equipa da terra e ia na carrinha dos clube buscar e levar os atletas dos pontos mais distantes da aldeia e até das aldeias vizinhas. Os velhos caminhos, o fresco do orvalho da manhã, o verde de perder de vista e os montes, uns atrás dos outros, as aldeias sempre diferentes mas todas iguais. E na verdade senti-me estranho a tudo aquilo. Nasci ali, cresci ali mas não me sinto dali. Como as gentes que me olhavam como um olhar ao mesmo tempo curioso e estranho. Talvez fosse do azul-choque dos ténis, do verde florescente da camisola, tão contrastantes com o verde escuro da paisagem, do castanho da terra, tudo ainda mais escurecido pelo tempo chuvoso e cinzento.
Hoje, ao regressar a casa senti uma estranha emoção de acolhimento ao entrar em Lisboa. Senti-me mesmo em casa, por estranho que pareça, no meio dos carros, do rebuliço, o Aeroporto, Campo Grande, O Zoo, Monsanto, a Ponte 25 de Abril. Já aqui tinha escrito, algures, que Lisboa tem uma luz especial, mais brilhante que em qualquer outro sítio que eu conheça e sinto que, por muito que vá partir, que queira partir, Lisboa acolher-me-á sempre bem!
Mas o certo é que vou partir, outra vez. E estou entusiasmado, excitado, apressado, angustiado pelo arrastar do tempo. Para um novo país, uma nova língua, um novo clima. Mal posso esperar. Raízes? Sim, ténuamente na "terra", muitas em Lisboa, bastantes em Portugal. Mas não as suficientes para me impedirem de partir. Um primo, nascido e criado em Paris, dizia-me que por muito mundo que conhecesse gostaria de passar os seus últimos dias precisamente em Paris. Eu, no que me toca, gostava de passar os meus últimos dias numa qualquer ilha paradisíaca, no meio de palmeiras e cocktails! Ou em Paris, ou em Nova Iorque, ou em Lisboa, ou num resort de luxo no Allgarve! Velho, enrugado, chato mas cheio de estilo!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Vida é feita disto!

Desde que criei o Asas para Voar!, tenho tido uma nova e giríssima experiência de contacto com os leitores do Cheirinho a Éter... Na verdade é muito comum receber comentários e mails de potenciais compradores de um artigo do site que começam da seguinte forma: "Miguel, sou um seguidor do Cheirinho a éter desde o início / desde que ouvi o programa na rádio..." e depois descrevem como se riram ou choraram com este ou aquele texto, como descobriram uma música ou um livro por minha sugestão, como descobriram o Parque da Paz em Almada, enfim... E isso deixa-me muito contente! Para além disso, vou ter a oportunidade de conhecer alguns desses lindíssimos seres humanos quando lhes for entregar os seus novos "brinquedos" e isso, para mim é um privilégio.
O Asas para Voar! aproximou-me de alguma forma de alguns dos seguidores do Cheirinho a éter e é muito bom ler os votos de felicidade, os desejos de coragem e sorte, o carinho que vem dentro daquelas linhas electrónicas que são por vezes tão impessoais e frias. Algumas pessoas pedem-me para não acabar com o Cheirinho a éter depois de sair do país, para continuar a escrever. Isso, meus amigos, está mais que garantido pois se até agora tenho tido muito material para escrever, imagino a quantidade de novas emoções, aventuras, situações, ansiedades e felicidade que vão acontecer na nova etapa da nossa vida!
Obrigado a todos por estarem desse lado e por nos darem tanto carinho!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Feelgood Music.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Fundamentalistas.

Jurei a mim mesmo que não voltaria a este assunto. Mas caramba, assisto a discussões noutros blogs, nas caixas de comentários e continua a haver imbecis (assim mesmo, imbecis!) a lançar ataques e veneno mas, pior de tudo, a continuar o discurso de "se fosse eu...". Não vou aqui tentar justificar a minha (nossa) decisão, não vou aqui inciar o debate. Nem sequer publicarei qualquer comentário ofensivo. O que tenho a dizer é isto, e só isto: de todos (e foram muitos!) os comentários ofensivos, moralistas, paternalistas, especuladores, baixos, desonestos, intransigentes, canalhas que têm parado nesta e na outra caixa de comentários, todos de "protectores-de-animais-amo-os-bichinhos-mais-que-tudo" não houve UM, UMZINHO SEQUER que se tenha prontificado a ajudar efectivamente o desgraçado do cão e a resgatá-lo das garras desta família de facínoras abandonadores de cães desprotegidos.
E é assim. Conheço montes de gente desta que apregoa "quanto mais conheço as pessoas mais gosto dos animais", de voluntários dos canis e gatis desse Portugal. Gente que, embora goste de animais, não tem a racionalidade suficiente para perceber quando é melhor para esse animal seguir um rumo diferente. Conheço-as porque, nos últimos anos recebi cães e gatos na minha casa, alimentei-os, cuidei deles, arranjei os estragos que fizeram no meu sótão, limpei a merda e a urina que fizeram no meu soalho. Animais abandonados, maltratados, esfomeados. E ouvi montes de histórias de pessoas malvadas que não quiseram ficar com o bichinho e que, vendo bem as coisas, não tinham a mínima hipótese de os mantes. Gente que tem 7, 8, 10 cães ou gatos em casa. Gente que, sob a capa do altruísmo, é de um egoísmo atroz porque se aproveitam dos bichinhos para despejar as suas frustrações emocionais. Gente que não sabe amar e que finge amar os gatinhos e os cãezinhos. A mesma gente que, tendo os contactos para me poder ajudar, a mesma gente que recorreu a mim para dar guarida a este e áquele cão ou gato, a gente que teve a minha ajuda incondicional, foi a mesma gente que me condenou e fechou a porta no momento em que lhes pedi ajuda. E senti o mesmo que a I. tão bem explica neste texto (obrigado a ela pelo apoio, mesmo que me cheire que ela não deve ser fã da nossa decisão mas tem a decência de não condenar!), aquele sentimento de que somos uns sacanas sem-moral. Já tive um outro cão, chama-se Kenai, um enorme Serra-da-Estrela que cresceu e se tornou agressivo para o meu filho. Que fazer? Abandonar e viver com a consciência pesada? Colocar num canil, um cão que só socializava comigo? Abater? Pois hoje o Kenai está com uma família que tem muito mais espaço que eu, muito mais disponibilidade que eu. Um novo dono que o escova todos os dias, que conversa com ele, que brinca com ele. A última vez que fui visitar essa família, o Kenai não se aproximou de mim. Preferiu deitar-se aos pés do seu novo dono, numa posição de afecto e protecção. E eu estou muito feliz por ele.
Porque, por vezes, demasiadas vezes, o Amor, o verdadeiro Amor exige sacrifícios pessoais para que aquele que amamos possa ser feliz. E quem não percebe isto não sabe Amar. Nem as pessoas e muito menos os animais.

domingo, 3 de outubro de 2010

Para fim de conversa.

Como era de prever, começaram as mensagens de protesto, desagrado, ódio relativamente à decisão de não levarmos connosco o Gastão na nossa viagem. Quem lê este blog, quem me conhece através dele, sabe que sou um defensor dos animais como outro qualquer. Sabe que sou contra as touradas e que abomino o abandono de animais. Para os que me criticam em tenho algo a dizer: não pensem que é fácil para mim essa decisão. Não vos pesa mais a vós do que a mim. Lembrem-se que fui eu que o adoptei, o tirei da rua, que o tratei, com quem brinquei, com quem o meu filho brinca. Não foi nenhum de vós, críticos. E lembrem-se que seria muito mais fácil para mim deixá-lo num canil, na rua ou até mandar abater o Gastão. Mas não, não é nada disso que se trata. Trata-se apenas de encontrar uma família que cuide dele. E nós queremos manter a nossa parte de responsabilidade por ele, se não presencial, através do suporte das despesas que ele possa trazer até ao final da sua vida.
Podem especular sobre o que poderíamos ou não fazer, sobre estratégias a adoptar, sobre o que quiserem mas não esqueçam nunca que planeámos isto nos últimos 2 anos (!) e que ele é a nossa prioridade número um. Muitas lágrimas foram já choradas debatendo esta situação. Por isso, já que são tão amiguinhos dos animais, poupem as energias que gastam a escrever textos cheios de veneno e ataques. Já sabemos que não nos querem bem, que somos umas bestas. Mas o Gastão continua a precisar de ajuda. Sendo ele um animal e sendo vós arautos defensores dos animais... é fazer as contas.
Obrigado e bom dia.

sábado, 2 de outubro de 2010

Livros a metro!!

Verdadeiras pechinchas literárias!! Aqui.

Prenúncio?

Ontem, dia 1 de Outubro de 2010, fui colocado num novo serviço. Uma nova equipa para me integrar, novas rotinas para apreender, um novo espaço físico. Fiquei triste porque a equipa onde trabalhava antes era uma equipa jovem, coesa, ritmada, e levou algum tempo a construir. Agora sou "o gajo novo" com algo a provar. Se não competência, que essa (felizmente) precede-me dentro daquele hospital, tenho a provar que sou um colega digno de entrar nesta nova equipa. As primeiras impressões que tenho dela, da equipa, é que é bastante fechada e com alguma dificuldade em acolher estranhos. Logo se verá.
O que é curioso é que esta mudança se dá exactamente um ano antes de uma outra, muito maior e com muitas mais consequências na minha vida e na da minha família. Mas por essa aguardo com a maior das motivações!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Asas para voar!

Eis que chega o momento de revelar algo que trago preso na garganta há dois anos...

A vida dá voltas e voltas e, por vezes damos por nós em lugares que nunca julgámos possíveis. Uns lugares bons, outros maus. Nunca julguei possível que a Mariana, fisioterapeuta, nunca encontrasse um emprego digno desse nome. Nunca julguei possível que fosse capaz de trabalhar em dois empregos para suportar as despesas familiares. Nunca julguei possível olhar para o futuro dos meus filhos e não ver luz, só negro. Mas é aqui que me encontro hoje. E será que vejo um futuro onde a minha mulher possa trabalhar, ganhar o seu próprio dinheiro e a realização profissional? Será que vejo um futuro onde eu possa trabalhar em apenas um sítio sem perder a estabilidade económica? Será que vejo um futuro onde os meus filhos possam estudar, viver a juventude e encontrar um emprego digno? Não neste país!
Em 2008 surgiu a oportunidade de uma vida, a de trabalhar no estrangeiro. Neste caso em Lausanne, na Suíça. Nem era só um trabalho, era um projecto a longo prazo que envolvia trabalho, formação, progressão na carreira. Por obrigações contratuais com um dos meus empregadores não me foi possível aceitar. Mas a porta ficou entreaberta e eis que chega a altura de partir. Não é já... é daqui por um ano. 365 dias em que temos de resolver a nossa vida em Portugal, vender os nossos pertences, organizar a logística que uma mudança destas acarreta, e preparar o início da nossa vida lá, encontrar casa, escolas para os miúdos, aprender a língua (no meu caso, só melhorar!) e todas as pequenas coisas que, acumuladas dão um trabalhão do caraças! E 365 dias, um ano, não é assim tanto tempo como parece. E algumas coisas só avançam quando outras estiverem resolvidas.
Mas há coisas que podemos ir adiantando para que seja mais fácil o momento da partida. E é aqui que vocês entram. É preciso cortar amarras, largar lastro para que este balão voe mais alto. Vamos tentar vender (quase) todos os nossos pertences, desde a casa até à loiça de cozinha para que possamos partir apenas com o essencial para o novo recomeço. É um projecto enorme e não vai ser fácil mas, conto com todos os meus amigos: os reais e os virtuais. Criei um blog onde colocarei os artigos que serão postos à venda, por uma verdadeira pechincha, e que poderão ser empregues nas vossas casas, em casas de férias, casas para alugar, quintas, quintais, cozinhas rústicas. Não peço que comprem mas peço que passem a palavra!
Não queremos ir para Brugges mas queremos Asas Para Voar!

(É engraçado que eu revele isto logo após o anúncio de novas medidas de austeridade pelo Governo mas isto já estava pleneado há muito. Esse anúncio só me motiva mais ainda a ir embora...)

Da Realização Pessoal.

A vida é feita destas coisas. Nunca gostei de correr, não percebia o objectivo. Todo o desporto que não envolvesse uma bola não era para mim. Mas depois, os 30 anos mudaram tudo! E no último domingo, 26 de Setembro, cumpri a minha primeira meia-maratona! São 21 km de prazer e sofrimento, muitas vezes em simultâneo! A esmagadora maioria das pessoas não tem a noção real do que são 21 km, até porque de carro se demora 15 minutos a percorrer essa distância. 21 km parece "já ali", mas não é! É partir do tabuleiro da Vasco da Gama, correr até Sta. Apolónia e regressar parando em frente ao Centro Comercial Vasco da Gama no Parque das Nações! Correu tudo bem até ao km 14. Depois "quebrei" um bocado e arrastei-me até ao km 18. Fui ultrapassado por imensos atletas e estava a "ferver"!! Sentia-me lento e pesado e só queria que acabasse! Se estivesse na mesma situação à 10 anos atrás teria arrancado em fúria atrás de quem me ultrapassasse e teria acabado por "rebentar". Mas não, aguentei-me e só pensava "Mais á frente vou ultrapassar esta malta toda! Eles vão rebentar no último km!".
Ao km 18, não sei se foi da energia de uma banana que entretanto enfiara pela goela ou da vontade de acabar com a corrida, recebi uma garrafa de água que despejei na mona e arrisquei! Aumentei a passada o mais que consegui, ultrapassei um e outro concorrente e depois outro! E de cada um que ficava para trás mais eu corria! Sentia o coração a rebentar no peito, as pernas a pedirem clemência, os joelhos deixaram de existir, mas eu corri. E nos últimos metros gritava "FORÇA! VAI! ESTÁ QUASE! CORAGEM!" a todos os que deixava para trás! Mas isso era mais para mim próprio do que para os outros. A meta apareceu, elevei os braços e cheguei! E como me senti realizado! A equação é simples: são 21 km a percorrer no mínimo de tempo possível e, mesmo assim, já não me sentia assim tão contente comigo mesmo há muito tempo! E assim, ao final de cerca de 1 h e 43 min, bem colocado no primeiro 1/4 da tabela classificativa, cumpri um dos meus objectivos para este ano! Em Dezembro há mais!!

(Depois da chegada, conversando com alguns companheiros de viagem!)



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Há sempre duas faces (ou mais) em todas as histórias.

Naquela altura eu era um jovem enfermeiro com apenas alguns meses de experiência. Trabalhava numa grande Urgência de um hospital de Lisboa, daquelas com 6 e 7 horas de espera. Estava destacado para a Equipa de Reanimação, um grupo de 3 enfermeiros nomeado para acorrer às situações de morte eminente do doente. O "besouro", uma campainha de som rouco, tocou. Era a hora de correr para a sala de reanimação. Os bombeiros tinham trazido uma senhora, vítima de acidente de mota. Surpreendentemente não apresentava ferimentos graves visíveis. Alguns hematomas e escoriações. Mas estava pálida, o olhar vazio. Os médicos chegaram logo depois de nós. A doente sangrava profusamente pelo nariz e pela boca. Mau sinal, muito mau sinal... fractura da base do crânio, lesão cerebral grave e potencialmente fatal. Os monitores mostravam tensões arteriais baixas, pulsos fracos, a linha do electrocardiograma era frágil e prenunciava uma paragem. A minha função consistiu unicamente em tentar parar aquela hemorragia nasal. Apenas isso e não fui capaz. Coloquei compressas atrás de compressas, e esses compressas logo ficavam ensopadas de sangue. Colocava mais compressas e essas ficavam púrpuras em segundos. Era tanto sangue... mas a senhora não tinha ferimentos.
Os monitores apitaram todos, estridentes, histéricos. Os médicos e os enfermeiros mais experientes iniciaram as manobras de suporte de vida, básico e avançado. E eu continuava a colocar compressas que logo se ensopavam em sangue. Eles comprimiam o peito dela, introduziam soros e fármacos para ajudar o coração. Nada resultou. A linha do monitor cardíaco ficou plana. E o alarme contínuo. Alguém desligou o aparelho. Os médicos saíram.
O silêncio tomou conta da sala até que um bombeiro explicou o que se passara. A senhora tinha 41 anos e era de uma família rica. Festejava naquele dia o aniversário de casamento na sua quinta. Oferecera uma mota ao marido e foram dar uma volta. Num cruzamento, um ligeiro toque com um carro desequilibrara o marido e ela caiu e bateu com a cabeça. Foi o suficiente. Tinha três filhos. Dezassete, treze e sete anos. Estavam todos na sala de espera. O chefe da equipa de enfermagem ordenou: "Limpem a senhora. Levem-na para a sala de exames. Deixei-na sem tubos, sem soros, sem monitores. E vistam-na com uma bata. Depois mandem entrar a família..."
Limpei o corpo, retirei tubos e agulhas, vesti-a. Continuava a sangrar pelo nariz por isso tive de deixar compressas nas narinas. Fiz o melhor que pude. Depois entrou o marido, sozinho. Sentou-se junto à senhora e chorou. Abraçou-a e chorou. Beijou-a e chorou. Por esta altura as minhas colegas choravam também, a um canto. e eu sentia-me claustrofóbico, o ar parecia demasiado pesado para respirar e queria sair dali. Mas nenhum de nós, enfermeiros, abandonou a sala. O homem recompôs-se e mandou entrar os filhos. Os dois mais velhos choravam serenamente. A pequena, 7 anos, perguntou: "Mamã? Estás a dormir mamã...". Saímos todos, os enfermeiros, era demasiado. Deixámos a família a sós.
Naquele turno e nos próximos, uma sombra de tristeza escureceu o ambiente, as conversas, os humores. Mas outros doentes entram e morrem a toda a hora. Nós estamos lá para eles, prontos, preparados, motivados. Aquela senhora foi especial para todos nós e ainda hoje falamos dela.
A enfermagem não é uma profissão romântica.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Dura Realidade.

O texto anterior ficou a "marinar" propositadamente. Sabia que a sua crueza iria chocar muitas pessoas, como chocou. Na caixa dos comentários, como em opiniões de colegas que lêem este blog foram comuns os sentimentos de indignação, de ofensa, de falta de sentimento ético (seja lá o que isso for!). Mas a verdade é que eu sabia disso, dos sentimentos menos nobres que esse relato iria causar nos leitores. Mas, lamento desiludir, ele reflecte a mais pura das realidades. Alguns comentários faziam o paralelo entre tratar de papéis e tratar de doentes. Que não é a mesma coisa, que os papéis podem esperar e os doentes não. Sim, é verdade. Mas não é menos verdade que a morte, o sofrimento, a dor são o nosso objecto de trabalho e, logo estão banalizados. O primeiro morto que eu cuidei, que toquei, que lavei, a quem tirei os tubos, que identifiquei, que coloquei no saco ficou cá gravado. Ainda hoje recordo a face, o corpo marcado pela doença e pelo calvário que passou na cama. E recordo ainda hoje, como um murro no estômago, a maneira como esse homem foi colocado na "maca-fúnebre". O que me passou pela cabeça, há mais de 10 anos atrás foi que tratavam aquela pessoa como se uma caraça de um porco abatido se tratasse!
A morte é banal, na nossa linha de trabalho. Ao contrário da maioria dos "empurra-papéis", nós temos que lidar diariamente com a nossa mortalidade e com a sua fealdade. Eu, de cada vez que recebo um novo doente,velho, acamado, esburacado, deparo-me com uma possibilidade do meu futuro. Lamento informar, mas a morte não é bonita nem agradável nem tão pouco romântica como no cinema. E sim, para nós é apenas mais um dia de trabalho, mais uma tarefa no turno, mais papéis para preencher, mais cuidados fora da rotina. Agora, o facto de ser uma situação triste não implica que nós estejamos tristes, sensibilizados, sintonizados com esse sentimento. Há mortes que nós sentimos, outras nem por isso. Mas uma coisa é certa: quem ousar pensar em encarar estas situações com a atitude pesarosa típica dos velórios bem pode desistir de ser enfermeiro.
Porque a Enfermagem está longe de ser uma profissão romântica...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

-Oh merda! Já está com aquela respiração de peixe!
-Foda-se... pode ser que se aguente até de manhã. Não queria nada ter de andar a lavar e ensacar o morto ás tantas da madrugada.
-Achas o quê? Quatro da manhã?
-Não pá! Ou morre agora ou então que se aguente aí até às 7. Preciso mesmo de ter uma noite descansada.
-Podíamos lavá-lo já e -lo no saco agora! Era só fechar depois!
(risos)
-Ehhh pá, que mau! Muito mau!!
-Coitado do homem...
-Coitado mesmo. Ao que um gajo chega...

Esta conversa aconteceu. Aliás, acabou de acontecer. E ainda fico impressionado com a dureza das palavras que, por vezes, saem da minha boca. Na verdade, julgo que nenhum de nós, que as proferimos as sentimos verdadeiramente. Serão talvez um escape perante o inevitável, o sofrimento de um Homem, a morte de alguém e o caminho de sofrimento que esse alguém tem de percorrer. É a impotência, a pequenez, a nossa insignificância, o apodrecer dos corpos outrora jovens. É enfrentar o nosso futuro mais negro todos os dias, uma e outra vez. É projectar-mo-nos naquela cama, com aquela dificuldade, com aquele corpo esburacado pela pressão dos nossos próprios ossos já despidos de qualquer músculo. Foda-se! Eu não quero morrer assim! E se algum dia me encontrarem assim, naquela decrepitude, a chafurdar na própria merda, a cheirar a podre, a lutar para meter ar nos pulmões peço-vos: acabem com o meu sofrimento! Não me importa de que maneira, mas sejam rápidos e eficazes. Chama-se misericórdia e há poucos que a pratiquem.

Por exemplo, as muletas verbais.

As "muletas verbais" são aqueles auxiliares de discurso muito usados por pessoas cujo vocabulário é tão pobre que se agarram à única palavra que dominam para colorir aquilo que dizem. Já todos ouvimos o uso excessivo e nem sempre adequado de "portantos" e "nomeadamentes" que poluem qualquer tentativa de produção de um discurso fluido. Eu também tenho as minhas "muletas" mas não tanto ao nível da repetição de vocábulos. Como vim a descobrir durante uma filmagem de uma aula que dei, no âmbito do Curso de Formação de Formadores, eu é mais "pausas sonoras", breves (e não tão breves!) "ahhhh" ou "hmmmm" que preenchem os momentos em que organizo o meu raciocínio, construo o meu discurso. Não é bonito, não é bonito...
Mas, ultimamente tenho detectado que uma nova "muleta" ganha cada vez mais espaço nas minhas conversas. E isso é irritante, tão mais irritante como a consciência que ganho da sua existência e da minha incapacidade para a evitar. Por exemplo, cada vez que inicio o meu discurso advirto-me para não a usar. Ainda ontem , por exemplo, estava a falar com um colega e contei pelo menos umas três ocasiões em que a usei. Olha, por exemplo a falar com a família de uma doente estava capaz de me bater, de tantas vezes que a usei! Mas, por exemplo, se a conversa tiver lugar num ambiente mais profissional e for mais técnica já não uso a muleta! É estranho. Por exemplo, nas passagens de turno ou em debates profissionais não ocorre. Mas mesmo, mesmo mau é quando, por exemplo, eu vou, por exemplo, dar um exemplo qualquer para ilustrar o discurso! Por exemplo, imaginemos que estou a falar das corridas, por exemplo, e descrevo o treino, as distâncias, a dieta a seguir. Por exemplo, isto é tudo por exemplo!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Abraço no Masculino!

Num outro dia enquanto passeava com a família encontrei um colega de outras paragens profissionais que já não via algum tempo.
-Grande Tiago! Como é que isso vai?
-Miguel, ganda maluco! Já não te via há uns tempos!
Aperto de mão, abraço, algumas palavras e adeus, adeus qualquer dia temos de combinar um cafézinho! E, no final de tudo a Mariana exclama: "Mas que raio de maneira de abraçar tão estranha que vocês usam para se cumprimentar...". Passo então a explicar.
Abraços desses directos, braços entrelaçados no pescoço, peito com peito, beijinho no rosto não se usam entre homens. Estão reservados para mulher com mulher ou homem com mulher ou ainda pai com filho! Homem com homem não funciona assim. O primeiro passo é o cumprimento de mão, o vulgarmente designado "bacalhau"! Pode ser na forma clássica mas, normalmente ocorre na forma modificada, a mão elevada à altura do peito com o polegar a apontar para nós que é atirada contra a mão, igualmente colocada, do nosso companheiro! Depois de bem encaixadas, as mão puxam o nosso compincha em direcção a nós sendo que o contacto físico se dá braço com braço e o nosso ombro contra o ombro contrário do outro. Este movimento impede contacto físico excessivo, contacto esse que poria em causa toda a "coolness" do movimento além de que, demasiado contacto de dois peitos masculinos pode ser um bocado rabeta! Posto isso, a mão livre serve para dar fortes palmadas na omoplata do companheiro. Atenção que é na omoplata! Mais uma vez, esta localização impede que o braço envolva as costas do outro eliminando o factor "rebetice" e permite que as palmadas sejam vigorosas e sonoras. Sim, porque um abraço entre dois machos quer-se sonoro e viril. Terminadas as palmadas, que serão tão fortes como forem as do outro, desfaz-se rapidamente a posição de contacto para que não haja mal-entendidos. Ficar a conversar com as mãos dadas também faz disparar o "alerta rabeta". E pronto, não estou à espera que as mulheres que lêem este blog entendam este ritual tão importante nas relações macho-macho, mas pelo menos ficam esclarecidas!
Não precisam de agradecer.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Porque quem não se sente não é filho de boa gente.

Ainda na linha da desilusão, do desencanto, do divórcio com a profissão...
É engraçado como por vezes o Universo parece convergir. Ambas as instituições onde trabalho estão a passar por uma fase de "convulsão administrativa" que vai deixar marcas profundas em todos os seus funcionários menos nos administradores que causam as referidas convulsões. Se, num dos Hospitais o meu lugar está assegurado, no outro nem por isso. Mas, na verdade o que me faz reflectir e me entristece é a forma como esses cortes, reorganizações, remodelações são pensadas e conduzidas: sem nenhum tipo de escrúpulo para o trabalhador!
Nos últimos dias tenho-me sentido como apenas uma fracção de um algarismo qualquer presente num qualquer papel, gráfico, apresentação. Nem sequer um número. Nada. Porque é isso que nós somos, quando vistos da perspectiva do Administrador sentado na sua poltrona reclinável de pele! Não peço sequer que saibam o meu nome, ou o dos meus colegas mas que reflictam que todos nós (enfermeiros, auxiliares, empregadas da limpeza) contribuímos para o sucesso daquela instituição. Que nós SOMOS a instituição. E que merecíamos mais do que uma carta registada com aviso de recepção a dizer: "Dentro do estipulado legalmente, informamos que a sua colaboração com a nossa instituição cessa no próximo dia..."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Facebook Status

Miguel foi correr de madrugada. Perdeu a chave do carro. Encontrou-a. Miguel tem uma sorte do cara****!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A culpa é de quem lhes dá audiências!

Não gosto da TVI. Por princípio, é um canal que não vejo. Porque os programas são populistas, fracos, pouco inteligentes. Porque aposta na promoção da mediocridade e do voyeurismo. Porque não educa, não ensina. Tem uma abordagem pela negativa, pelo sensacionalismo, pelo "diz-que-disse". A melhor maneira que encontro para a descrever é esta: sinto que estou constantemente a ver as velhas de uma aldeia qualquer do Portugal profundo a falar da vida deste e daquele! E o Jornal Nacional é pouco mais que sofrível, os filmes são de série Z ou pior e as novelas, bem, as novelas...
Mas esta notícia é deprimente. Até para os padrões da TVI! O que não vem descrito na versão on-line do jornal faz toda a diferença: falta dizer que a TVI passou a entrevista ao criminoso dando a perceber que ele estaria no estrangeiro quando, na verdade ele estava nos estúdios em Oeiras! Ou seja, a TVI protegeu e escondeu um criminoso! Já é mau permitir o tipo de visibilidade típico de uma TV líder de audiências mas, ainda pior é ser cúmplice no crime de proteger e dar guarida a um criminoso! Não tenhamos dúvidas, foi este o caso! E, logo aqui encontro duas grandes razões para o atraso de vida que se verifica em Portugal: em primeiro lugar, o facto de uma TV nacional (ainda que privada) tenha sido cúmplice num crime e que ninguém ache isso estranho e, em segundo lugar que a TVI seja líder de audiências em Portugal. E isso explica muito acerca do povo português.

Direito de resposta!

Podem parar de armar o "sexo superior" porque 90% das meninas também têm que ir ler umas coisinhas!!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Musicas de Arrepiar a Espinha!

E hoje, na rubrica "Músicas de Arrepiar a Espinha!", apresento uma canção lindíssima de um grupo australiano cujo álbum "Conditions" é algo de maravilhoso. Chama-se "Soldier On", dos Temper Trap. A parte mesmo arrepiante, mas arrepiante mesmo, chega cerca do minuto 3:50. Ouçam uns dos mais belos 6 minutos que já foram feitos. É garantido!

"Keep your heart close to the ground..."



E toda esta emoção e arrepios na espinha logo ao km 2!! Fantástico!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Suas malucas!

Descobri este vídeo através da Pólo Norte e dele retiro algumas conclusões:
-Afinal quando elas nos pedem flores estão a desejar que nós colhamos uma e apenas uma flor. A delas.
-Constato neste filme que elas são capazes dos piores fingimentos orgásmicos! É impressionante! Por momentos acreditei que estavam realmente a... ehhh, será que já alguma vez fui enganado?
- Meus amigos, quando elas falam em romantismo e espontaniedade... é treta! Pelos vistos, os melhores são os que investigam e estudam a maneira de as melhor satisfazer. Eu, pela minha parte, vou já rever os meus conhecimentos da anatomo-fisiologia da mulher!

Vejam! Vejam e retirem as vossas próprias conclusões...

domingo, 12 de setembro de 2010

Cenas Medievais no Séc. XXI

Acabo de ver na TV uma cena no mínimo medieval, até porque se passava dentro das muralhas de um castelo. Tratava-se de uma espécie de matilha de animais selvagens que urravam, gritavam, exultavam enquanto assassinavam um outro ser vivo que não representava qualquer tipo de ameaça ou perigo. Esta cena tinha centenas de espectadores que aplaudiam e incluía crianças. E voltou-se a matar um touro, desta vez em Monsaraz.
Será que esta gente não vê a violência que se passa em frente aos seus olhos? Será que são estúpidos ou apenas absolutamente insensíveis? Será que os que mataram o touro amarrado e incapaz de se defender, ainda por cima a coberto de uma lona, o que só torna esse crime apenas mais cobarde, serão apenas uns sacaninhas com sede de sangue ou violentos psicopatas? Que pais são aqueles que levam os seus filhos, crianças, a um lugar onde centenas de pessoas vibram, aplaudem , incitam à violência, ao sangue, à cobardia que culmina com um assassínio cobarde de um animal majestoso que nunca se rende? Como explicam eles às crianças que aquilo é nobre, é lindo, é tradição? Tradição? Num país que se pretende civilizado?
Também me choca que se entupa os tribunais com processos de legalização, de excepção, que protejam e permitam estes crimes, que se ocupe a polícia com a deslocação ao local da morte para a identificação dos mentecaptos que assassinaram o touro cobardemente e com a burocracia exigida para apenas se arquivar mais um crime. Mas aqui os culpados estão identificados: todos os presentes no recinto. Que eu saiba, tanto é culpado quem prime o gatilho como quem protege, ajuda e de alguma forma contribui para o facto. Não me venham dizer que é uma tradição com 100 anos porque há 100 anos as mulheres não podiam votar, 90% (estou a ser optimista) da população não sabia ler e Portugal foi uma monarquia quase até ao final do ano!
É um crime, não uma tradição. É a banalização da morte e da violência, ao vivo e a cores. É a desculpabilização de comportamentos psicopatas a coberto de uma norma social perfeitamente desactualizada. E Espanha, terra dos touros e toureiros, já começou a acabar com isso.
Além de tudo isto, como é possível aplaudir-se um homem que entra numa arena com collants e jaqueta apertadinhos e com brilhantes e pom-pons dependurados. É um bocado rabeta, digo eu!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Divórcio.

Ontem um colega teve esta observação: "Estás divorciado da profissão, não estás?". E isso fez-me pensar: na realidade, estou.
Contextualizando, o que se passa é que o meu nível de investimento académico na enfermagem é zero, nenhum, vazio. Entenda-se por "investimento académico" a frequência de cursos, pós-graduações, mestrados, especialidades. Que, na minha opinião são, na área da enfermagem, absolutamente cosméticos. Ou seja, ficam muito lindos no currículo mas não servem para nada! Do ponto de vista da progressão e diferenciação na carreira não servem de nada. Acabando-se os "hospitais do estado" que dão lugar aos "hospitais-empresa", os enfermeiros ficam todos ao mesmo nível, sendo que são nivelados por baixo. Não interessa se sou especialista porque a administração do hospital não escolhe por competências mas sim por compadrio, cor política, ou, na maioria dos casos, escolhe para Enfermeiro-Chefe, ou Supervisor ou Coordenador, aquele profissional que garanta não por em causa a política economicista do Administrador e engendre esquemas que permitam produzir mais com menos enfermeiros. Isso significa mais trabalho para menos enfermeiros. Neste contexto, de que vale investir na formação académica?
A realização pessoal, dirão provavelmente muitos de vós. A questão aqui é a seguinte: eu não ando a trabalhar para aquecer, nem porque gosto de trabalhar e muito menos porque sou apaixonado pela prestação de cuidados de enfermagem! Não. Eu trabalho porque tenho responsabilidades familiares e considero uma parvoíce prejudicar a família (em tempo e em economias) em prol de uma formação que, na prática não me dará retorno nenhum! Para que tenham um exemplo do que falo: um colega meu, mais novo, encontra-se actualmente a fazer uma especialidade em enfermagem para que aumente as suas probabilidades de entrar como contratado num hospital (ele é "recibo verde") mas a trabalhar como enfermeiro de nível 1. Ou seja, um generalista em início de carreira! Isto é a promoção do "currículo a metro" e o enriquecimento das escolas de enfermagem que, cada vez mais, abrem cursos de especialidade que depois vendem a preço de ouro a enfermeiros desempregados ou em situação precária, acenando-lhes com a hipótese (sublinho, a hipótese) de poderem ser contratados (a termo certo, claro) por um hospital qualquer que lhes vai pagar o base do início de carreira. E eu não trabalho para sustentar pançudos.
Num outro nível, o dos cursos de pequena duração ou "workshops" temos outro grande embuste. Existe por aí uma instituição que ministra curso tais como enfermagem forense e enfermagem podológica! Mesmo para os leigos penso que isto deve soar ridículo! Na prática, há pessoas que pagam (e bem!) e despendem o seu tempo a tornarem-se nos CSI Nurse (atenção que não há enfermeiros envolvidos em investigações forenses nem se prevê que algum dia haja!) ou então a aprender a limar as unhas dos pés! Ridículo. A Enfermagem actual em Portugal é ridícula.
Mas este divórcio da profissão e dos seus representantes não significa o divórcio dos meus parceiros de trabalho do dia-a-dia. Há excelentes enfermeiros em Portugal. Profissionais de excelência que a Profissão não valoriza e que a opinião pública não reconhece. E, este divórcio, não significa também o divórcio dos doentes. E é aqui que reside o meu investimento (ainda que indirecto) na profissão. Ao nível dos cuidados directos aos doentes através da revisão bibliográfica de conhecimentos já apagados, da pesquisa de novas técnicas de tratamento e abordagem aos doentes, através da discussão com os colegas e com outros profissionais (sim, os médicos) que têm muito para nos ensinar. Mas isso não entra no currículo, não é valorizado. Mas enfim, considerando que o currículo vale zero e, zero x zero = zero, acho que vou manter a minha linha de evolução académica!
Agora vou trabalhar que não me pagam para estar a escrever divagações desiludidas e sem piada para um público que até se está nas tintas para o enfermeiros!!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Músicas de arrepiar a espinha!

Não sou muito de criar "rubricas" ou temas fixos no blog até porque depois não as cumpro! Mas acredito neste "Músicas de arrepiar a espinha!". De cada vez que vou treinar levo o iPod e ouço música. Não presto atenção à maioria das canções que se vão sucedendo mas, em todos os treinos lá aparece "aquela" canção que me faz arrepiar. Primeiro a "espinha", depois os braços. O ritmo da passada aumenta e a frequência cardíaca também! E a primeira "Música de arrepiar a espinha!" do blog é esta...

Disfrutem!


Outra Dimensão.

Às 7:30h de hoje já levava cerca de uma hora de corrida. Se no início da corrida era ainda noite junto à Baía do Seixal (óptimo spot para correr!) e esporádicos os carros e pessoas que se viam na rua, perto do final do treino já a zona fervilhava de movimento. E digo fervilhava porque foi essa a sensação que tive, enquanto corria ligeiro e fresco junto ao rio e observava o movimento à minha volta. E, facto curioso, embora fosse eu que corresse não era eu o mais acelerado! Enquanto corria mais rápido do que todos naquele largo passeio e ia ultrapassando mulheres de salto alto e fato "executivo", homens de fato e gravata, mulheres arrastando os seus filhos, pessoas a escreverem furiosamente SMS ou berrando já ao telemóvel não pude deixar de sentir que, na verdade era eu que ia mais lento.
Nas paragens do autocarro só via semblantes fechados, zangados, vazios. Pessoas andando para trás e para a frente, abanando uma perna, olhando de esguelha para o companheiro do lado, denunciando assim a sua pressa, a sua impaciência. E olhavam para mim, com o olhar carregado de um sentimento de quase ofensa pela minha passagem. E eu seguia, leve e feliz, com o cheiro do rio comigo, com a mistura entre o fresco da brisa da manhã e o quente dos primeiros raios de sol que despontavam, com a música nos ouvidos que me isolava quase hermeticamente do resto do mundo. Quase numa outra dimensão.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

The Land of the Free and the Home of the... idiots.

Falam eles de fundamentalismo.

Isto é serviço público meus amigos, serviço público!

Às senhoras (sim, que são as mulheres que mais sofrem deste "mal") que "tentam suicidar-se" através da ingestão de medicamentos prescritos por um qualquer médico: não resulta, ok? Tomar uma caixa de comprimidos para dormir o sono eterno não resulta, normalmente por duas grandes razões:
1º. A maioria dos fármacos prescritos para tomar no domicílio não são suficientemente fortes para provocar a morte.
2º. Mesmo que o sejam, o processo é lento o suficiente para permitir a intervenção médica e impedir males maiores.
Dito isto, sugiro alguns métodos mais eficazes, embora mais sujos e menos agradáveis à vista, mas que não dão trabalho nenhum para além da inevitável recolha e limpeza. A saber:
-Tiro no céu da boca.
-Salto da Ponte 25 de Abril ou similar.
-Enforcamento (em local isolado e sem assistência).
-"Pega de caras" a um comboio em andamento.
-Trapézio em cabo de alta tensão.
-Salto de paraquedas sem o respectivo paraquedas.
-Bungee-jumping sem elástico.
...
Enfim, sejam criativos!
PS: Já tinha aqui descrito a pachorra que tenho para estes "doentes" com "depressões", não tinha?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Processo Kafka-Pia.

Foram condenados TODOS os arguidos no processo Casa-Pia. No entanto é normal ouvir no trabalho, no café, na rua opiniões de pessoas que muito simplesmente acreditam que Carlos Cruz é inocente. E só Carlos Cruz tem este benefício da dúvida, fruto de anos e anos de simpatia distribuída através da televisão. Mas, o que deve ser alvo de reflexão não é o facto de se acreditar na culpa ou inocência de Carlos Cruz. Não, o que deve ser alvo de reflexão é o facto de que essa dúvida surge apenas porque os portugueses não acreditam na Justiça. Eu, pelo menos, não acredito.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os Convivas da Távola Redonda.

Que a comida (o "cumer" como se diz na minha terra natal) ocupe um lugar central na vida dos portugueses, tudo bem. Que os portugueses consigam centrar toda uma celebração em torno de uma mesa farta, também tudo bem. Que os portugueses acordem a pensar no almoço e discutam acerca de qual a ementa do jantar durante esse mesmo almoço, menos mal. Que os portugueses vão de férias com a cozinha às costas e que passem essas mesmas férias a cozinhar, nada a opor. Que a expressão "Come-se muito bem nesse restaurante." signifique realmente "As travessas estão a transbordar comida em quantidades que ninguém normal é capaz de deglutir." e que "Fui a um casamento em que fomos muito mal servidos." queira dizer "Só havia dois pratos, um de carne e um de peixe, para além das entradas, enchidos, carnes frias, sopa e sobremesas.", ok. Mas, o que não me entra é que se façam quilómetros só para se comer num determinado restaurante! A sério, a ideia de me deslocar a um determinado sítio tendo como único móbil um determinado restaurante soa-me ridícula. É como dizer "Olha, vou a Paris almoçar num restaurantezinho onde servem uns "escargots" divinais e muito bem servidos. Diz que fica ali ao lado de um mamarracho de metal gigante, uma torre qualquer, mas diz que aquilo é grande, mesmo junto ao rio. O restaurante é mesmo ao lado, não tem nada que saber!". Mas, ò ignorância a minha... "escargots"? Ainda se fossem uns caracóis do Barbas... Nada disso, o portuga não se desloca a um qualquer restaurantezeco da moda que sirva um prato diferente, uma iguaria ou algo exótico. Vegetariano? Chinês? Indiano? Era só o que faltava! Nada disso, tem que ser um restaurante que sirva carrrrrne sangrante e em doses industriais. Cozido, ensopado, na chapa, na tábua, na pedra. Tudo bem servido e, claro, bem regado!
Nas minhas últimas férias conheci duas famílias. E, garanto-vos, que o tema principal das conversas não fugia muito dos tópicos: comida, restaurantes, roteiros gastronómicos, o inqualificavelmente magnífico naco na pedra mirandês, os secretos de porco preto divinais daquele restaurante em Estremoz, o leitão da bairrada que, afinal, é ainda melhor ali prós lados de Lamego, os queijinhos, o presunto, as azeitonas. Quando souberam que eu já conhecia Évora a primeira coisa que perguntaram foi: "E um sítio bom para comer?". Não há pachorra.
Não é que eu não goste de comer e beber, bem e muito. O que me intriga é o facto de esse ser o principal motivo de uma viagem, o tema central de um programa. Porque, em não tendo referências gastronómicas na zona escolhemos o restaurante ou a ementa que nos parecer melhor e comemos. Porque comida é comida e, em último caso, come-se qualquer coisa em qualquer sítio.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

De como os momentos sublimes surgem quando menos esperamos.

O local são as Docas, em Lisboa, 6 e 30 da manhã. Ao chegar ainda lá estavam algumas centenas deles, espalhados pelas pedras da calçada, pelos passeios, ainda a abanar-se freneticamente dentro de pequenos covis semi-iluminados. E era só um de mim, de calções, t-shirt, sapatilhas de corrida. E eis o encontro de duas espécies que raramente se cruzam.
Se eu já estava à espera de os encontrar, já eles olharam-me com estranheza, surpresa e algum gozo pelo meio, através dos seus olhares esgazeados. Um fulano a correr, às 6 e 30 da matina pelo meio de uma pequena multidão numa das zonas mais movimentadas da noite de Lisboa é algo demasiado inédito para aqueles cérebrozinhos cansados processarem, lá me deixaram passar no território deles (era noite ainda, logo era deles).
Ultrapassada a multidão, o rio Tejo tornou-se meu companheiro, ouvia o seu murmúrio nos silêncios que o meu iPod me oferecia entre canções demasiado barulhentas e agressivas para aquela hora da manhã (e daí, talvez a multidão que deixara para trás discordasse de mim!) mas absolutamente necessárias para manter a motivação. Disse olá ao Padrão dos Descobrimentos e adeus à Torre de Belém, passei pela Estação de Comboio de Algés e os poucos e sonolentos passageiros que aguardavam olharam-me com desprezo. Como se a minha corrida matinal fosse uma ofensa ao cansaço que ostentavam nas suas faces. Voltei para trás, reencontrei o Rio e, com ele o Sol que nascia. Se há momentos sublimes então aquele foi um deles. Só eu, o Rio, o Sol e a Ponte que nos guardava. E assim ficámos, os quatro, a correr sem pensar em mais nada. Cheguei às Docas, os "nocturnos" tinham sido espantados pelo Sol. Respirei o ar ainda fresco. Olhei o Rio, o Sol, a Ponte uma vez mais e fui trabalhar. São agora 8 da matina.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Boys and their toys...

Alguém me explica o demente apelo sentido pelos homens por tudo o que é brinquedos tecnológicos? Aquelas coisas com touchscreens, gigabites, apps, wi-fi, dolby-surroud, panorama mode, sweep mode, twilight shot, android, super amoled, megapixeis, etc, etc, etc (sim, acabei de escrever montes de expressões típicas dos gadgets masculinos e juro que não inventei nenhum!)? Alguém? Um psicólogo, psiquiatra, vidente?
Sinceramente. É estúpido que alguém como eu, razoável nos seus gastos, que privilegia a utilidade e versatilidade das coisas que compra e minimamente inteligente para perceber que não vale a pena comprar um telemóvel com 58379 aplicações quando, na verdade só vou fazer e receber chamadas, ande agora embeiçado por um desses novos touchscreens com acesso à internet e câmara fotográfica de 5 Mpixeis, com GPS integrado, função de ultra-realidade (não sei o que é mas parece tãããão fixe!!!) e identificação por imagem (espectáculo! Imaginem-me quando descobrir o que isso é...), agenda electrónica, microsoft office móvel e mais umas quantas funções perfeitamente irrelevantes. Mas é tãããããão lindo. E tem tantas coisinhas giras e botõeszinhos no ecrã e luzinhas que piscam...
ALGUÉM ME DÁ UMA BOFETADA????
É provavelmente o que vou receber assim que a Mariana ler este texto.

Por vezes sinto que trabalho numa Estação de Serviço.

E ontem foi um desses dias! Sinceramente, já não me lembrava de passar tanto tempo (praticamente toda a manhã, até à hora do almoço!) a dar banhos aos doentes. A hora dos banhos, ou "higienes" como os enfermeiros gostam de lhes chamar, é sempre um momento muito agitado na vida de qualquer enfermaria. Na enfermaria onde eu trabalho, sendo que a maioria dos doentes são velhinhos acamados ou com muitas dificuldades de mobilização. E surdos que nem portas, a maioria deles. Em primeiro lugar, os banhos na cama ou "higienes no leito"...
-Dª FRANCISCA VAMOS COMEÇAR. FECHE OS OLHOS!
-HÃÃÃÃ?
-FECHE OS OLHINHOS!
(agarro numa esponja cheia de água e esfrego a face, braços e peito do doentes. A minha auxiliar seca tudo, do outro lado da cama. Passamos para as pernas e pés.)
-Dª FRANCISCA, AGORA VAMOS LAVAR A PATARECA*. TEM A FRALDA SUJA?
-HÃÃÃÃ?
-FEZ CHICHI E COCÓ?
(a velhota encolhe os ombros. abrimos a fralda e espremo a esponja em cima do pitó* da senhora. esfrego. A auxiliar limpa.)
-AGORA VAI VIRAR-SE DE LADO ALI PARA A CARLINHA (a auxiliar). NÃO TENHA MEDO.
(digo sempre isto porque o doente fica de lado, bem à beirinha da cama e, invariavelmente, têm uma medo terrível de cair. Esfrego as costas, limpo-as e aplico o creme hidratante. No final afasto os lençóis molhados e empurro-os para baixo do doente. Coloco um lençol seco na metade da cama que está livre)
-PRONTO. VIRE-SE PARA MIM...
-AII, QUE EU CAIO!
-NÃO CAI NADA MULHER, QUE EU NÃO DEIXO!
(a auxiliar retira os lençóis molhados, limpa a outra metade da cama e puxa o novo lençol seco. Está pronto!) Agora multipliquem estes discursos berrados por mais dois ou três enfermeiro e juntem-lhes os gritos de medo ou de dor de muitos doentes e talvez percebam a animação que é este momento!
Quando os doentes conseguem ir à casa-de-banho prefiro dar-lhes uma boa chuveirada...
-SR. MANEL! A ÁGUA ESTÁ BOA ASSIM?
-TÁ QUENTE!
-E AGORA?
-TÁ FRIA! NÃO... ASSIM TÁ BOA!
(afastado do doente, aponto-lhe o chuveiro assim tipo mangueirada! Se lhe der o chuveiro para a mão é certinho que vou tomar banho também.)
-VÁ! ESFREGUE BEM A CARA. E O PEITO. LAVE-SE BEM "POR BAIXO". TOCA A LAVAR OS TINTINS*...
-HÃÃÃÃ?
-OS TINTINS HOMEM!
-HÃÃÃ?
-OS TOMATES!!!!
-AHHHH.
-AGORA SEGURE AQUI NO CHUVEIRO ENQUANTO EU ESFREGO AS COSTAS E OS PÉS.
(erro crasso, de principiante. A água salta para as paredes e tectos e espelhos. já estou todo encharcado quando emendo a minha falha!!)
-PRONTO, PRONTO, JÁ ACABÁMOS....
Uma animação a hora dos banhos.
Uffffff.
*termos largamente utilizados para definir "vagina" e "testículos" (consoante o caso) que, admitamos, são uns termos muito sérios. Já "tomates", enfim quando se está já com os pés todos molhados dizemos qualquer coisa para despachar o serviço!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lucilinha.

Por vezes recebemos uns velhinhos patuscos lá no serviço. Vão e voltam mas, nos últimos meses temos tido o privilégio de partilhar alguns momentos com a Dª Lucília, ou como nós lhe chamamos, a Lucilinha.
A Lucilinha é uma velhota de oitenta-e-muitos-anos que veio ao hospital para uma intervenção simples. Sem filhos, rapidamente se percebeu que ninguém a voltaria a levar para casa. O processo de assistência social demora a ter um fim e, entretanto, a Lucilinha vai ficando connosco. Alta, deixa adivinhar um porte altivo de juventude com o seu rosto fino de nariz comprido e queixo proeminente onde agora crescem uns tufos de pelos rijos que vamos cortando de vez em quando. No início falava connosco. Em mim via o seu falecido Alfredo, companheiro de sempre, e dava-me beijinhos (que picavam, com aqueles pêlos no queixo!) ou, à falta de melhor na foto do meu cartão de identificação! Falava, é certo, mas completamente fora da realidade! Mas era giro porque ela era uma espécie de cupido lá do sítio: se dois enfermeiros de sexo diferente faziam o turno juntos, eram automaticamente, marido e mulher! Depois foi-se apagando a memória e, hoje, a Lucilinha já não fala. Mas não pensem que ela está mal...
A Lucilinha já não fala, quando a colocamos na cama fica sossegadinha, abre a boca para comer e não se coíbe de sujar as fraldas as vezes que forem necessárias! Mas o seu ohar é distante. Distante, mas não vazio. É como se estivesse a viver na sua própria realidade com pequenos fios apenas que a prendem a esta realidade. Mas a Lucilinha, que já não pode com o rabo, gosta de passear. Pela manhã, depois do banho, prendêmo-la (sim, literalmente, prendêmo-la com um colete especial para não cair) a uma cadeira de rodas e... lá vai a Lucilinha! Gostava de colocar aqui um vídeo mas, enfim... privacidade e essas coisas... mas talvez consiga desenhar uma imagem nas vossas cabeças com as minhas palavras!
Imaginem uma velhota, magra e alta, sentada numa cadeira de rodas. O olhar vago, perdido algures na parede mais distante do corredor, as mão entrelaçadas ao peito. E lá vai ela! Dando aos pézinhos, puxando a cadeira com os seus pés, a Lucilinha vai para onde quer! Para o seu quarto, para o corredor, para a nossa sala de trabalho, para o quarto de outros doentes. Até já se prendeu numa arrecadação! A Licilinha não é exigente e vai para onde a dirigirmos. Quando está num quarto alheio, admirando a paisagem pela janela (faz isso muitas vezes) enquanto os ocupantes daquele quarto resmungam pela intrusão, é só empurrá-la para fora do quarto e, uma vez no corredor, dar-lhe impulso. A velhota levanta os pés e aproveita a velocidade!
Mas o mais engraçado acerca destas deambulações da Lucinha ocorre quando ela encontra um obstáculo. Imaginem aqueles carrinhos de brincar de corda. Depois de dar corda, dirigimo-lo para uma parede e deixamo-lo e, o carrinho ali fica, a lançar-se contra a parede até se lhe acabar a corda! Com a Lucilinha é a mesma coisa! Ela avança e torna a avançar contra a parede, porta, armário ou qualquer outra coisa até o obstáculo ceder (nunca aconteceu) ou até um de nós a ir ajudar a mudar de rumo! A corda nunca acaba à Lucilinha.
A Lucilinha não fala, não sorri, não esbraceja mas talvez, só talvez ela não esteja assim tão infeliz como a sua face parece denunciar...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vejo defeitos nas virtudes dos outros.

Pequeno enquadramento pré-texto: como devem calcular, ninguém que corra 1000 km em menos de um ano (e nem é assim uma marca tããão especial, diga-se!), que o faça regularmente pelo menos 3 vezes por semana e que alie a isso algum trabalho de musculação mantém a sua fisionomia intacta. Posto isto...
Facto: perdi cerca de 10 quilos nos últimos meses. Quem trabalha ou convive comigo não se cansa de se admirar com a minha nova silhueta. Mas, convenhamos, pago tudo em suor e mialgias! Além disso abdiquei de minha antiga alimentação rica em açúcar, gorduras e molhangas carregadas de colesterol! Admito: tornei-me numa daquelas pessoas saudáveiszinhas e aborrecidas que consultam a tabela nutricional dos produtos antes de os comprar e que deixou de comer bolos de pastelaria. Aquelas pessoas que retiram todas as gordurinhas da carne que consome, que agora é maioritariamente branca, que não coloca açúcar no café, que come sempre saladinhas e sopas ás refeições, que come fruta e iogurtes magros a meio da manhã e da tarde, que aboliu completamente a manteiga dos Açores do frigorífico lá de casa, que bebe leite simples sem açucar, que anda sempre com barras de cereais light na mala, que come pão uma única vez ao dia e esse pão é integral ou de sementes. Além disso levanto-me cedo nas folgas e vou correr pelos caminhos de Portugal, faço abdominais, flexões, barras, pranchas, alongamentos. Sou detestável, eu sei.
Mas, por outro lado, eu sou a prova viva de uma teoria que venho defendendo ao longos dos anos. E a premissa é a seguinte: "Emagrecer? Fechem a boca e mexam o !". Simples, profético acho eu! Constato então, com alguma surpresa, que os meus visíveis resultados não servem de motivação para os meus pares que se queixam da gordurinha acumulada, da falta de stamina, do cansaço crónico, da lassidão dos seus tecidos. A julgar pelas observações de alguns colegas "Isso da corrida está a tornar-se patológico.", "Q'horror! Mas agora só comes fruta e iogurtes magros?", "Ai! Está muito magro. Gostava mais quando tinhas barriguinha!", dizem eles, o problema sou eu! Eu é que sou louco por me levantar ás 7 da manhã, num dia de folga, e sair para correr! Eu é que sou louco por renegar ao culto do açúcar refinado, eu é que não vejo que na verdade, os 10 quilos que queimei sem piedade e sem saudade eram afinal o que me dava charme e fazia de mim uma pessoa interessante! Assim com a barriguinha, que era amorosa.
Quando os tento fazer ver que se eu, com dois empregos e dois filhos pequenos, consigo então melhor o fará quem apesar dos dois empregos, não tem filhos. Quando digo que é uma questão de vontade e que, na maioria das vezes não tenho vontade nenhuma e que preferia estar a escrever no blog, a resposta é "não consigo". Quando explico que a dieta equilibrada (porque é disso que se trata, de uma dieta equilibrada que todos devíamos ter em atenção e não uma louca dieta restritiva) é cumprida porque, convenhamos, não vou "mandar ao ar" o esforço de correr 10, 13, 16, 18 km (que custa!) só porque me apetece comer um Big Mac, a reacção é "não consigo", então só posso concluir que eu é que sou um anormal! E as pessoas sentem-se mal na minha companhia... sou execrável, de facto!
Que as pessoas queiram a saúde e a beleza comprimidas numa pequena cápsula fornecida em blísteres de 20 cada, eu percebo. Que as pessoas acreditem nisso e que arranjem pretextos para minimizar o feito de quem, de facto conseguiu melhorar a sua saúde e a sua aparência já me custa a aceitar...
PS: tudo bem que agora ando com um ego sobredimensionado mas, caramba!, como gosto de me ver ao espelho!

domingo, 22 de agosto de 2010

Exultem comigo!!

Chamo a vossa atenção para o "virtual runner me" ali à direita do ecrã...



1000 km já perCORRIDOS!!!!



Obrigado, obrigado!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mulheres-Ferrari.

Apareceu uma dessas mulheres lá na piscina do hotel onde passámos as nossas humildes férias familiares. Podia gastar aqui vários parágrafos a descrevê-la com os mais variados adjectivos e com longas e indecentemente gráficas passagens acerca dos seus atributos físicos mas, enfim, a Mariana lê isto de quando em vês e convenhamos, era capaz de não ser agradável! Digamos então que era uma mulher apelativa. Apelativa no sentido em que não passava despercebida a ninguém que estivesse naquela mesma piscina, fossem homens ou mulheres. Uma daquelas mulheres que, por diferentes razões tanto é assunto para os atarantados machos como para as invejosas femêas!
Na piscina estava sempre só ou com uma amiga, não mais, e não havia sinais de homem a rondar o território. Considerando que ela tinha a sua toalha a não mais de 3 metros da minha, pude escutar (acidentalmente, claro!) que estava só, que não tinha relação nenhuma de momento e que não estava preocupada com isso. À primeira vista isto pode parecer estranho. Afinal, uma mulher daquelas não pode estar sem companheiro! Mas, por incrível que pareça, isso não me soou nada estranho. Passo a explicar...
Através da simples observação ( e apenas de soslaio sublinho, já que estava apenas concentrado em vigiar os putos!) pude facilmente constatar que aquele corpo era trabalhado. Confirmei isso mesmo quando a vi a sair do ginásio dois dias consecutivos. Depois, estava rodeada de cremes, sprays, bálsamos, gel que aplicava no corpo, nas mãos, nos pés, no cabelo a cada 5 minutos e depois de sair da banho. Entretanto, cruzando-me com ela no restaurante, foi impossível de não reparar nas roupas inversamente proporcionais aos tamanho dos enormes saltos altos! Era absolutamente impossível para qualquer pessoa não reparar nela. E daí vem o título deste texto.
Quais os sentimentos dos homens face a este tipo de mulher? Logo à partida aquela sensação de "esta-mulher-é-areia-demais-para-a-minha-camioneta" e depois, aqueles com mais confiança "olha!-o-não-está-garantido!". Este é o tipo de mulher que é perseguida como troféu para exibir aos amigos, para esfregar na cara dos outros machos, tipo "olha que gaja tão boa que ando a papar!". É um bocado como os Ferraris: todos os homens gostariam de, um dia, dar uma voltinha num enorme, potente e vistoso Ferrari, toda a gente pára na estrada para o ver passar e todos o rodeiam quando está estacionado! Mas, a esmagadora maioria não quer (nem pode!) ter um na garagem! É que, se uma voltinha num Ferrari deve ser uma adrenalina do caraças e até nem nos importaríamos de gastar algum dinheiro em gasolina, a manutenção de um desses cavalinhos italianos a longo prazo é muito, muito cara! E nem todos têm disponibilidad€€€€€ para uma máquina dessas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ainda reflectindo...

... acerca do que é ser rico constato que, entre estar com os miúdos, passar as tardes na piscina com o Gabriel, embalar o David, aproveitar as manhãs para passear, continuar a correr e ainda namorar aos bocadinhos com a Mariana, não sobra muita oportunidade para escrever! Portanto, talvez o facto de ser rico não fosse muito bom para a saúde deste blog uma vez que 99% da minha escrita é produzida em pequenas pausas do meu trabalho. Logo, sem trabalho...

Enfim, na próxima semana vou tentar (tentar, não prometo, ok?) escrever qualquer coisinha a partir daqui...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma visão romântica e talvez um pouco ingénua do que eu faria se fosse estratosféricamente rico.

Voltei esta semana ao trabalho. Na segunda para ser mais exacto. E, uma vez mais, confirmei aquilo que já tinha sentido quando passei 5 meses em casa após o nascimento do Gabriel: eu não gosto de trabalhar! Aliás, considero que o trabalho é uma enormíssima perda de tempo de vida apenas justificado pelo incompreensível facto que, sem ele, o trabalho, é impossível viver a vida! E isso é uma tremenda injustiça para quem gosta de viver. Neste mês que passei com a família renovei a minha já forte convicção de que seria muitíssimo feliz se fosse o único vencedor de um jackpot do Euromilhões! O dinheiro pode não trazer per se a felicidade mas, caramba!, que dá uma ajuda do caraças, lá isso deve dar!
Quando afirmei isto mesmo perante um colega de trabalho a resposta foi: "Eu gosto de trabalhar. Não imagino a vida sem trabalhar!". E esta é uma opinião mais recorrente do que eu esperava. Mas porque raios há-de alguém de gostar de cumprir uma rotina "acordar ás 6h-estar no trabalho das 9 ás 17-perder tempo no trânsito e nos transportes-prepara o jantar dos miúdos, banhos e afins-ver mais um episódio da novela-dormir- acordar ás 6"? E aquelas que afirmam que seriam vencidas pelo tédio? Na minha opinião: sadomasoquistas e curtos de vista!!!
Mas haverá coisa melhor que acordar de manhã (mais cedo ou mais tarde), tomar um bom pequeno almoço com a família e depois encarar o dia como algo inacabado e sempre possível de mudar a qualquer momento? E viajar? Eu vejo todo o tempo livre proporcionado pela imensa riqueza como um pretexto para viajar, conhecer o mundo, Viver! E talvez uma vida só não chegue para conhecer todo o mundo, quanto mais apenas um mês por ano! Acordar em Lisboa e ir almoçar a Paris, Londres, Roma, Barcelona... só porque nos apetece! Ou então, perseguir o Verão! Seria verão o ano todo! Mesmo que tivesse uma ocupação profissional qualquer, nunca seria algo convencional, com horários, reuniões, telefones a tocar o tempo todo. Dar a cara a alguma fundação ou coisa do género!
Não é que eu valorize o dinheiro por si mesmo, pelo contrário, nem sequer sou muito "agarrado" ao dinheiro! Mas o certo é que o dinheiro nos proporciona oportunidades para viver novas experiências. E, afinal, o que se leva desta breve passagem pela vida? As casas ficam cá, os carros também, as quintas, as propriedades, as jóias, as obras de arte, tudo isso fica cá! Tudo isso pode e é eventualmente transaccionado! Mas as experiências, as memórias, as emoções, as alegrias, os risos dos putos junto à piscina ou num iate ao largo de uma ilha no pacífico enquanto saltam para a água, as emoções causadas pelas obras de arte espalhadas pelo mundo, pelos castelos da Europa, pelas cidades perdidas na América do Sul, pelo deserto em África, pela neve no Norte. Tudo aquilo que é indefinível por palavras e a que temos acesso apenas pelas revistas de viagens. Tudo isso fica connosco e define-nos como pessoas. Tudo isso é a verdadeira riqueza. Não desejo grandes mansões e super-carros, não gostava de ser rico dessa maneira. Mas gostava de ter dinheiro para encher o cofre de emoções!
O que vale é que, a partir de amanhã, estou de féria outra vez!

domingo, 25 de julho de 2010

A Vida não é Justa.

Amanhã o David faz (já!) um mês de vida. Amanhã regresso ao trabalho. A vida não é justa, de facto! Mas hoje foi um dos dias mais divertidos que vivi nestes dias de licença de paternidade: acordámos cedinho (como sempre, aliás!) e tomámos juntos o pequeno almoço, saímos ainda pela fresca e fomos visitar o Museu da Electricidade e o Gabriel adorou ver toda a maquinaria e fazer as experiências propostas pelo Museu para descobrir e entender a electricidade! Eu e a Mariana conversámos acerca da beleza do edifício (antiga Central do Tejo) e deliciámo-nos com as fotos, aqueles pedaços de história plenos de beleza. Passeámos um pouco junto ao rio Tejo. Depois, fomos ao brunch no Magnólia Caffé e enchemos a pança! Depois do almoço regressámos a casa e eu fiquei de mau-humor porque não dormi a sesta como deve ser (somos três crianças cá em casa!) mas acabámos o dia enfiados na piscina, eu o Gabi e a Mariana, com o David a dormir na sombrinha do nosso jardim. Apanhei sol enquanto lia "As Cinzas de Ângela".
Depois de um dia destes não devia ser permitido voltar ao trabalho! Nem amanhã nem durante os próximos 3 meses!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E não fazem sentido um sem o outro...

Era uma dúvida que insistia em aparecer assim, do nada e sem razão nenhuma: quando o David nascer qual vai ser a minha relação com ele? Será a mesma que tenho com o Gabriel? Será mais ou menos intensa? Haverá diferença entre os dois? Algumas pessoas acharam que estas eram dúvidas no mínimo estúpidas e outras pareceram quase ofendidas com a ideia que se pode diferenciar um filho do outro! Para meu espanto, a minha mãe confessou-me um dia que sentiu as mesmas dúvidas quando o meu irmão nasceu (somos dois, eu sou o mais velho). Bom, a resposta é: sim e não!
Sim porque o meu sentimento, ou melhor, a intensidade dos meus sentimentos é a mesma quer se trate do Gabriel e do David. Obviamente, o David é ainda demasiado pequeno mas o amor que sinto por ele está perfeitamente identificado e é exactamente o mesmo que sentia pelo Gabriel quando ele nasceu! Mas, ao mesmo tempo, diferente! É difícil de encontrar palavras para definir isto (e talvez os pais com mais de um filho me possam ajudar nisto!) mas o certo é que, sendo igualmente intenso e presente o amor, a ternura, a afeição que sinto pelos meus filhos, o certo é que a "mistura de sentimentos" (chamemos-lhe isso!) é diferente. É como se comparássemos dois gelados, daqueles com muitos ingredientes todos misturados, da Olá! São os dois igualmente deliciosos mas com sabores diferentes! Tanto retiramos prazer de um e de outro e acabamos sempre por comer uma colherada de um e de outro!! E sim, acabei de comparar os meus filhos com gelados!!