Temos por garantidas as melhores coisas da vida. Nesta altura de férias, em que é comum passar-se algum tempo em hotéis, com mais ou menos estrelas, reconheci finalmente o que mais prazer me dá nos hotéis para além do pequeno-almoço pronto a comer, a piscina e o respectivo bar e o encontrar o quarto arrumado quando o deixámos tão caótico como se uma granada lá tivesse rebentado. E meus amigos, o que mais prazer me dá nos hotéis é... encontrar a sanita impecavelmente limpa e bem-cheirosa tooodos os dias!
Existe lá prazer mais básico, subconsciente e primário do que cagar numa sanita limpa? A pele sensível e branca do rabo em contacto com a alva porcelana, o cheiro fresco e limpo que emana do WC Pato, a sensação fresca do contacto do rabo desnudo com o frio do tampo, primeiro aquele arrepio do frio agridoce e depois aquela fusão perfeita entre as nádegas e a sanita onde, ao fim de algum tempo já não se sabe bem onde começa um e acaba o outro... ah, o prazer! E assim devia ser, um direito básico do Homem a uma sanita limpa, cheirosa, brilhante, resplandecente todos os dias, até ao fim dos dias.
Mas enfim, a crua realidade dá-nos chapadas firmes todos os dias. As nossas sanitas não são limpas todos os dias e, crueldade suprema, a vida ensina-nos que não são fadas nem duendes que tratam de dar ao nosso rabo o contacto com a porcelana que ele merece. Não, temos de ser nós próprios a tratar disso. E nós tratamos. Com mais ou menos à vontade, mais ou menos asco, mais ou menos náusea, nós tratamos da nossa sanita. Como eu tratei ainda hoje.
E agora, findo o jantar e tomado o belo café laxante vejo-me diante deste dilema, encurralado entre duas questões que se excluem mutuamente. Preso entre a perspectiva animadora e gulosa de sentar o meu belo rabo de pele branca naquela alva porcelana resplandecente e aí mesmo satisfazer um dos prazeres mais básicos de todos os Homens e, por outro lado, cagar aquilo tudo outra vez!
Era tão mais fácil se existissem umas fadas-madrinhas...