quinta-feira, 25 de junho de 2009

Rugas.

Todos nós envelhecemos. Uns melhor, outros pior. Por razões profissionais sou diariamente confrontado com a maneira menos boa de envelhecer, a via da doença, da incapacidade, da dependência de terceiros para a realização das actividades mais básicas do ser humano. Logicamente, a velhice faz-se notar e anuncia-se desde cedo através de muitos sinais, sendo que o mais evidente é o processo de envelhecimento da pele que desidrata, perde elasticidade e forma, descai e deforma-se. A gravidade não perdoa.
Contudo, este post vais debruçar-se sobre uma parte do corpo que fica especialmente horrível e feia com o envelhecimento: o pénis. Pénis, pila, picha, pichota, gaita, chamem-lhe o que quiserem mas eu gosto do termo picha. Hoje vamos falar de pichas enrugadas. Ora bem, sendo a picha um órgão que tem a propriedade de se deformar ao longo da vida do homem, lógico que com tanto estica e encolhe, tanta manipulação (manual e outras) tanto traumatismo resultante da sua utilização, ela tem um envelhecimento muito mais... como dizer... feio do que o resto do corpo. Acreditem, se muitas vezes ouvimos dizer "Oh, que velhinha tão bonita!", "As rugas ficam-lhe bem" ou "Que velhinho adorável", nenhuma destas expressões se aplica a uma picha enrugada. Quando temos de a agarrar (a de um doente, bem compreendido) firmemente para algaliar, ela foge-nos por entre as mãos como aquele brinquedo da Loja do Papagaio sem Penas (se não sabem qual é vão à loja). É que, a determinada altura, aquilo é um amontoado de pele enrugada sobreposta sobre um pedaço de carne do tamanho de um amendoim. Depois, quando se introduz o tubinho no buraquinho da uretra, sentimos montes de resistência por causa de uma próstata do tamanho de uma bola de futebol, resistências essas que nos obrigam a procurar o "caminho" certo mexendo a picha do doente para todos os lados, como se estivéssemos agarrados a um joystick de um simulador qualquer (agora que penso nisso joy=prazer, alegria e stick: pau, bastão... olha, olha!).
Depois há o banho. Por baixo de todas aquelas peles amontoa-se porcaria que não é brincadeira! Uma substância pastosa e branca (que não é o que vocês estão a pensar) que tenda a acumular-se por baixo da glande (a cabeça, portanto). Por muito bem que o deixemos limpo no banho anterior, no dia seguinte lá está aquilo empastado. Acho que deve ser um processo de auto-destruição. A cor também não ajuda, pois tendem a ser de um púrpura desmaiado, algo entre o vermelho, o magenta e o roxo. Não é bonito. Ao contrário, os testículos, os tomates portanto, tendem a aumentar. Não em volume mas em comprimento. Quantas vezes, ao ajudarmos um doente a tirar as calças para ir para o banho, não nos apercebemos que este tem os seus tintins (carinhoso, não acham) ao nível dos joelhos? Pois, mais uma vez, a gravidade.
Por isso, quando me colocaram a hipótese de ir trabalhar em Urologia, todas estas imagens que agora vos descrevo e outras me assolaram a mente. Posso ter que levar com substâncias purulentas e malcheirosas o dia todo mas sempre é melhor que passar o dia agarrado a pichas enrugadas e feiosas.

4 comentários:

Ana C. disse...

Muito obrigada por esta pérola literária pérfida e podre :)
Fico contente por saber que em alguma coisa os gajos sofrem mais do que as gajas. O que são umas mamas descaídas ao pé de um pénis enrugado e auto-destrutivo acompanhado de uma salada de tomateira madura até aos joelhos?
AH AH AH AH
Vai lá para urologia e continua a escrever ;)

miriam_ferreira disse...

Miguel, és um verdadeiro poeta!!!
Não sei depois disto encaro bem a ideia de envelhecer junto do meu marido ... se bem que, por essa altura, também eu devo estar com umas mamas dignas dos melhores provas de bungee jumping. Nessa altura o aumento das dioptrias vai ser um dado adquirido e o Alzheimer vai permitir-me lembrar-me apenas do "antigamente", ou assim espero!!!
Tenho-te a confessar que desde que sigo o teu blog ( por altura do " O meu blog dava um programa de rádio") tenho um certo, como hei-de dizer ... medo de ter de recorrer a um Hospital. E nem sequer me estou a referir à doença que me pode lá levar!!!
Não te gabo a sorte de teres que lidar diariamente com coisas nojenta de que nos podemos lembrar, mas rio-me a bandeiras despregadas com a maneira como lidas com isso.
Continua a dar-nos ideia do dia a dia de um Hospital, nada como a "Anatomia de Grey", é na realidade.

Ana. disse...

Eu nem sei para que é que vou para o ginásio!!
Para exercitar os abdominais à fartazana, basta vir aqui ler a tuas crónicas "hospitaleiras"!!

Ó pá, o que eu me rio contigo! És absolutamente impagável e genuíno!!

Nunca mais vou olhar para uma pila da mesma maneira!! (Se bem que cá em casa a gravidade ainda não entrou em acção - com a graça do Senhor!!)

Kudos para ti!!
;)

Lúcia disse...

Por causa deste post, ontem no banho dei por mim a olhar para a dita do meu marido, em repouso e se aos 31 anos aquilo não tem nada de bonito em estado de repouso, não quero imaginar aos 80... é que com essa idade, já não passa do estado de repouso e se lhe juntar umas rugas o tom purpura e os tomates até ao joelho, ainda que me reste alguma líbido, acho que desaparece no momento em que olhar " para aquilo ", lol.