domingo, 19 de junho de 2011

Divorciado.

Casei-me com ela em 98. Nunca foi uma relação fácil nem sequer consensual. Duas visões completamente diferentes do mundo. Posso afirmar que foi um casamento por conveniência e em 13 anos de vida conjunta, nunca me senti verdadeiramente confortável naquela situação. Mas enfim, a vida corre, o tempo escoa e fui ficando. Primeiro por medo de um futuro fora daquela rotina, depois por obrigação.
Não me esqueço da angústia que senti no dia do casamento, um sentimento forte e físico que me deixou doente. As mão tremiam, o peito apertava, a testa suada. Mas não havia como voltar atrás. Respirei fundo, enchi-me de coragem e fui em frente! Os primeiros meses foram intensos em sentimentos de ansiedade, repulsa, tristeza, depressão. Mas com os anos, um homem a tudo se habitua. Fiquei, mas sempre com aquele sentimento de que não pertencia ali. Nos momentos menos bons jurava que iria abandonar logo que pudesse. Tentei convencer-me que, com o passar dos anos, iria habituar-me ás condições daquela relação, iria encarrilhar e entrar na rotina mas o passar dos anos, da idade só me veio trazer mais certezas, mais vontade de sair e de mudar. Senti-me cada vez mais preso, mas agrilhoado, diminuido, oprimido.
Tentei sair em 2008 mas não consegui, a Lei estava contra mim. Em 2009 também. Voltava para ela contrariado, o coração apertado, o sangue a ferver, a vontade de partir tudo e fugir. Muitos foram os que me perguntavam porque queria abandonar uma relação de tantos anos, segura, consolidada. Menos os que me encorajaram. Estava furioso com tudo mas respirei e acalmei. Criei este blog e isso ajudou. Vivi estes últimos 3 anos na sombra mas agora acabou.
Casei com a tropa em 98. Treze anos depois estou, finalmente, livre!

Metáforas à parte: entrei para o Exército em 98, estava desempregado e vi ali uma saída. Sempre tinha dito que não queria nada com fardas... Tirei o curso de Enfermagem lá dentro, pago pelo exército e isso colocou-me perante um contrato obrigatório de 8 anos. Ao longo dos anos nunca senti que aquela farda me servisse, senti-me sempre um estranho áquela organização. Para se ser militar tem que se acreditar na organização e na ideologia. Eu nunca acreditei, ainda hoje não acredito. Senti-me muitas vezes frustrado e humilhado mas enfim, é a tropa. Cumpri a minha obrigação e agora é hora de partir noutra aventura. Não posso afirmar que foi uma perda de tempo. Se não tem sido essa a minha opção, não seria nunca quem sou hoje. Aprendi muito e cresci muito nestes 13 anos de exército mas raramente pelas melhores razões. Poderão dizer que o Exército me pagou o curso e me deu emprego e isso é verdade, mas acreditem que o que cobram depois implica juros muito altos: a nossa individualidade e a nossa liberdade. Para muitos isso vale pouco mas não para mim. Se algum militar me está a ler neste momento poderá ou não compreender o que digo. A maioria não compreende e sente-se traído por mim, por ter abandonado a "família militar". É uma pena, mas é compreensível à luz da doutrina militar.
Milhares de vezes imaginei este texto, este dia, o dia em que me veria dono do meu futuro novamente. Não espero que compreendam, todos vós que não conhecem a instituição militar por dentro, mas tinha que escrever isto numa espécie de comunicado ao mundo: estou, finalmente, LIVRE!

7 comentários:

S* disse...

E acho que assim serás mais feliz.

joao disse...

felicitaçoes e agora, sorte na nova aventura..lausanne é fantastica:)

Cindy disse...

Ufa, em 2 sentidos!
Comecei a ler o texto assustada...
ainda bem que te libertaste de um sítio que não gostavas.
Boa sorte para hoje e sempre!
Beijo

Anónimo disse...

Conheço muito bem essa instituição - mesmo a das soquinhas verdes e confortáveis e neste momento só posso dizer uma coisa - PARABÈNS PELA CORAGEM E MUITA SORTE NO FUTURO!
A instituição k nos rouba a liberdade, mas não a personalidade está cheia de "frutas podres" e oportunistas k vivem com o o nosso suor! Não vale a pena! se calhar é injusto dizer a instituição, mas as chefias k por lá andam! Parasitas e sanguessugas k gerem a quinta a seu belo prazer e nada lhes aconteçe!!!
MUITA SORTE PARA O FUTURO!!!!!!!

Nuvem disse...

Fico muito feliz!!!
Por estares livre desse casamento por conveniência (nunca são bons para ninguém), pelo projecto de futuro e por estares feliz!!!
beijinhos de quem sempre passa aqui, mas raramente tem tempo para comentar (a vida dá muitas voltas e uma mãe solteira com 2 trabalhos tem pouco tempo livre)
beijinhos

Naná disse...

É caso para dizer: parabéns pelo divórcio!

Aislin disse...

eu também por lá estive... foi um casamento muito curto.9 meses apenas. Não me arrependo de ter entrado, mas às vezes questiono-me se fiz bem em sair. Mas pronto.. das escolhas que tinha de fazer, preferi optar pela minha saúde mental... Parabéns (se bem que com um mês de atraso) pelo divórcio! Tudo de bom! Beijinhos