segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Rabujice Pós-Natal.

F****-se! São agora 14:30 e já vou com 22h e 30 min de trabalho consecutivo! E o Natal que correu tão bem...
A Urgência, pasme-se, está cheia. E já começaram as reclamações e os insultos, os desabafos de "Só neste País...". Pois bem, porquê só neste país é que as pessoas enchem as urgências? Por duas razões muito simples: em primeiro lugar porque não têm alternativa e, em segundo lugar, porque não querem tomar responsabilidade pela saúde dos seus filhos!
Que merda! Devia haver um Exame de Admissão à Paternidade onde os futuros papás estudassem e debatessem as questões complexas que estão associadas a um filho. Entre elas seriam abordadas as questões relacionadas com a saúde dos putos. Deviam aprender que não se vem ao Hospital assim que o bebé se apresenta com febre e, se o fizerem, ao menos que lhe dêm uma colherada de Ben-u-ron! Deviam aprender que as dosagens dos fármacos aumentam com a idade (ou melhor, o peso) dos meninos. Deviam saber que o melhor remédio para os vómitos é a paciencia (a deles! não a da criança). Deviam saber as medidas iniciais de combate à febre, a dieta para as diarreias. Deviam saber lidar com os "galos" que os miúdos fazem quando caem e batem com a cabeça. Enfim, deviam saber tantas e tantas coisas...
E o que me faz sorrir é que, o mesmo Pai que me bombardeia com os Direitos que lhe assistem e com as complicações que podem ocorrer ao seu filho (informação essa que recolheu, orgulhosamente, na Internet) não aplicou um segundo sequer da sua aturada investigação a aprender como deve um pai lidar com a febre antes de recorrer aos serviços de saúde.
Que eu me lembre, a minha Mãe sempre cuidou destes problemas comuns das crianças nesta altura do ano, as febres, os vómitos, as diarreias, o ranho em barda, em casa. Com muita dedicação e paciência. E Ben-u-rons com fartura aliados ás mezinhas típicas para estas coisas. Mas também, a minha mãe tinha que percorrer muitos quilómetros para ir ao médico, não havia carro e os transportes públicos também não abundavam... creio que a civilização tem o condão de estupidificar as pessoas.
Enfim, é isto. Na minha opinião, a Maternidade/Paternidade não devia ser democrática. Não no sentido em que devia ser possível regular quem e em que altura esse "quem" tem as condições mínimas para ser Pai. Primeiro frequentava um curso, depois propunha-se a exame e finalmente lá tinha o Diploma que lhe dava acesso ao feto, num processo muito académico! Para muitos esta opinião é uma estupidez, uma parvoíce, uma ofensa, admito! Mas, julgando pela amostra de Pais que me é oportunisticamente oferecida dia após dias, ano após ano durante os últimos cinco anos, é uma opinião bem fundamentada.
PS: continuação de boas festas.
ADENDA das 15.15: Uma mulher acaba de me berrar aos ouvidos que "isto tá tudo mal, é uma vergonha!!" ao que eu respondi que sim senhora, isto é uma vergonha e a senhora tem ao seu dispor meios de reclamação que chegarão ás entidades competentes. Resposta: "isso não resolve nada!". E eu pergunto: e berrar aos ouvidos de um desgraçado que está a fazer o seu trabalho o melhor que sabe e pode, resolve alguma coisa? Principalmente porque esse desgraçado não tem poder decisor algum? Vão mas é....

11 comentários:

Melissinha disse...

EITA QUE O HOMEM VOLTOU EM FÚRIA!

:)

PS - não te esqueças que há muita gente que vai às urgências porque precisam de atestado médico para o trabalho, porque simplesmente não há alternativas. Triste, porém verdade.

Miguel disse...

Triste porém verdade, estamos de acordo. Mas isso não lhes dá o direito de insultar quem está a trabalhar. Aguenta e não chora, Taveira dixit.

saudosa disse...

Tanto que concordei consigo num post anterior, mas não posso deixar de apontar alguns "defeitos" neste seu raciocínio...

Sou mãe recente, e também a mim me acusam de não saber lidar com as maleitas da minha jovem filha... porque simplesmente não sei e não tenho como saber, pois a minha própria mãe (que me poderia passar muita informação) já morreu, e no SNS - Médico de Família, as coisas vão-me sendo ditas às "mijinhas"!!!

Quando frequentava o curso de preparação para o parto, bem que eu coloquei a grande questão: e quando nos inscrevemos no curso de preparação da maternidade!!!

Ainda propus à Enfermeira com quem fiz o CPP que arrancasse com uma acção de formação para aprendermos isso mesmo que aqui referiu... mas até agora nada...

É por isso que estou aqui numa grande dúvida, se no estado em que está a minha filha a devo levar ou não às urgências, porque no Centro de Saúde não consigo consulta...

Melissinha disse...

Saudosa, liga ao Saúde24. São espectaculares. Também não tenho mãe e safou-me a muitas idas às urgências.

Anónimo disse...

em 3 anos so fui as urgencias uma vez com a minha filha, felizmente..mas não foi por n saber cuidar duma diarreia em casa, mas sim pk para obter a medicação ( sim era necessaria pk era uma gastro ) tem ke ser o medico a passar a receita e alem disso somos nos ke pAgamos os ordenados dos medicos etc..por isso é um direito nosso e n somos obrigadas a saber medicina ou enfermagem, já agora tb ganhavamos o vosso ordenado..mas n é assim pois n=??sei ke ha pessoas ke exageram nas idas ao hospital, mas mesmo assim..o pessoal está lá para fazer o seu trabalho sejamos nós exagerados ou não..e hoje em dia a urgencia é um consultorio medico, pk n há dinheiro ke estique para ir ao privado :/ pior é atender, combinar com os amiguinhos nas urgencias e lhes arranjar especialistas de borla, isso sim é ke o devia indignar..

Superman;) disse...

Bonito bonito é fazer turnos na urgência de um hospital privado... O nível de estupidez das pessoas eleva-se de uma maneira surreal...
E então os médicos que prolongam a estadia dos doentes por lá durante horas e horas?? Será porque até o oxigénio se paga em fracções de 15 minutos:p. é bonito, não é:p?? E os doentes não reclamam e não questionam o que lhes estão a fazer, só querem saber que estão num hospital privado e têm que ser bem tratados porque pagam...

mãe pimpolha disse...

Eu trabalho numa urgência pediátrica. Começo já a desabafar ou mais vale gritar para dentro de um buraco?
Feliz ano.
Beijocas

I. disse...

Vinha dizer o mesmo que a Melissinha. A minha entidade patronal, que é o Estado, apenas confia nos médicos pagos por si para me livrarem do dever de trabalhar por deoença. A minha entidade patronal, todavia, não me deu médico de família, pelo que faço eu se estiver doente? Por enquanto vou ao Hospital da Luz e pago 20 aérios, só para não estar o dia todo num hospital por causa de uma gripezeca. Mas e quando nos tirarem a adse? Sei lá eu. A tendência é para piorar, pelo que aguenta e não chora para ti também ;P
(sim, há pais muito histéricos. saúde 24 é do melhor, meus sobrinhos nunca foram ao hospital sem serem encaminhados por eles)~

E ó anónima, apareça-me lá no meu serviço com essa conversa de que me paga o meu ordenado que leva uma corrida em osso que até se benze todinha. Deves. às tantas nem declara metade do que ganha. Tá bem abelha.

Glória disse...

sem comentários ao post de "anónima"... um bem haja a todos os funcionários das urgências e afins. As pessoas reclamam mas o que fariam se esta classe trabalhadora desistisse? Lembrem-se das greves de enfermeiros e reclamem menos. São eles que dão a cara ao publico nos hospitais apesar de nada poderem fazer para mudar o sistema. Gostam de ser respeitados no vosso local de trabalho (isto para quem trabalha...) respeitem os outros também! É complicado qnd se está doente ou se tem um filho doente ganhar calma, mas berros e reclamações para o ar não trazem a saude de volta... Um feliz 2011!

P.S.- frizo, não sou funcionária publica. E mea culpa, algumas vezes já mandei para o ar um "estamos em Portugal"ou coisas do género!

Ass. Glória

Anónimo disse...

Só sei que voces são uns herois :)  Passam pelos cursos mais dificeis de todos e tem uma vida super cansativa onde qualquer erro pode ser fatal… Obrigada por tudo o que fazem.
Ah, e adoro o blog.

D'havaiana e d'bisturi disse...

Assino por baixo... As pessoas reclamam porque ficam horas na sala de espera à espera de serem atendidas mas quando entram no gabinete rapidamente se esquecem e passam horas a reclamar porque esperaram e a contar tuuuuuuudo o que lhes vem á cabeça quando a pergunta foi só "quando é que começou a febre?". E o tudo pode incluir TUDO. Quando as pessoas estão no gabinete esquecem-se que quanto mais tempo demorarem mais tempo os outros esperam.
É obvio que quem tem de saber medicina somos nós mas também devia ser obvio que numa urgência se tratam urgências. Ponto.
E devia ser obvio que as pessoas realmente doentes têm de passar em frente às outras. E que as pessoas realmente doentes merecem todo o tempo e toda a dedicação e todos os exames e tudo o que o SNS lhes puder oferecer. Mesmo que isso aumente o tempo de espera.
E sim, a mim faziam-me um favor se em vez de reclamarem comigo o fizessem no livro amarelo. Reclamem senhores. Do tempo de espera, da falta de enfermeiros e médicos, da falta de condições ...
Mas poupem-me das reclamações do tipo " agora deve estar tudo a jantar" e/ou "queres ver que a parvalhona da médica agora foi à casa de banho?".
Sim senhores utentes, nós também temos de comer e de beber e, eventualmente, de fazer xixi nos intervalos.
Mas é só a minha opinião, não se zanguem senhores anónimos que me pagam o salário (ahahaha!).