sábado, 13 de dezembro de 2008

Cidadão do Mundo.

"Não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo"
Sócrates
(Não... o nosso Sócrates não tem capacidades suficientes para uma afirmação lapidar como esta. Foi mesmo o grego original que disse isto.)
Li esta frase pela primeira vez aí há uns 10, 11 anos atrás, nuns azulejos da estação do Metro da Cidade Universitária, em Lisboa. E ela ficou cá, latente, e de vez em quando esta frase surgia-me do nada, por nada. Fiquei marcado pela sapiência contida em tanta simplicidade. A ideia de alguém, no início da Civilização, quando não se sabia nada para lá da nossa aldeia, onde as viagens mais curtas levavam dias e ir para outro país e voltar levava anos (caramba, nem havia a noção de país...) definir tão bem os nossos dias, de globalização, de aldeia global, onde estamos a milhares de km de distância em poucas horas e onde falamos com alguém do outro lado do mundo em tempo real, sempre foi para mim, fascinante!
Alguém que visita este espaço, aliás que foi pioneira neste espaço e foi das primeiras a descobri-lo, deixou um comentário dizendo que este era um blog internacional por ter ligações com blogs de pessoas que estão no estrangeiro. Pois é, gosto de ler blogs de portugueses fora desta realidade e leio pessoas que escrevem desde o México, a Finlândia, a Austria, a Holanda, a Suíça. Interessa-me porque também eu quero seguir esse caminho. Portugal é demasiado pequeno (e não me refiro às suas áreas) para os nossos sonhos, os nossos projectos, as nossas vidas.
Intriga-me como é que um povo que "deu novos mundos ao mundo", que foi em tempos a nação mais importante do Mundo, que se deu ao luxo de assinar um tratado onde assumia que era dono de mais de metade do mundo, que foi em tempos a placa giratória de todos os negócios da europa, se deixou chegar a esta pequenez económica, social e acima de tudo, de espírito.
Por isso quero saír. Para um sítio onde eu possa trabalhar com qualidade e ser pago condizentemente com as minhas funções, onde a minha esposa, companheira de sempre e de todos os dias possa trabalhar, ela que é uma profissional da saúde qualificada, diferenciada e dedicada e se vâ obrigada a ficar em casa por falta de trabalho digno, para um sítio onde eu não tenha de trabalhar em 2 ou mais locais em prejuízo do tempo da minha família, só para pagar as despesas mensais, um local onde o meu filho tenha oportunidade de crescer com qualidade, com a presença dos pais e onde tenha reais oportunidades daqui a vinte anos. O que nós perseguimos, enquanto família, é apenas e só qualidade de vida.
Não quero enriquecer, vir de férias a Portugal ostentar o meu carro topo de gama de matrícula estrangeira e construir uma mansão de vinte quartos que só vê gente um mês por ano. Sei que a vida lá fora também não é fácil, que a crise está por todo o lado (mas em alguns lados mais que em outros..) mas se vamos todos, em família... siga!!!
Além de tudo isto, adoro conhecer pessoas com outras culturas, falar a aprender novas línguas, ver novas cidades e novos sistemas. Depois, a minha mais-que-tudo também gosta de viajar e de todas estas coisas que acabei de descrever logo, "junta-se a fome com a vontade de comer!"
Nunca me esquecerei do fascínio que senti na primeira cidade estrangeira que visitei: Colónia, na Alemanha. A limpeza das ruas, a pontualidade dos transportes, a dimensão dos jardins, a cordialidade das pessoas, nem efusivas nem antipáticas, o 1º Mundo, pensei eu. Andei o mês seguinte a falar disso aos meus amigos que só diziam: "Sim.... na Alemenha não funciona assim.... já sabemos."
E pronto, é por isto que talvez o meu blog tenha algumas hiperligações para outros de "lá de fora" mas isso meus caros, é inveja...
Sim, a inveja é um sentimento muito feio.

7 comentários:

Laidita disse...

Essa frase está presente na minha vida há muito tempo. Tantas vezes a li como se fosse a primeira.
Aproveita para seguir o teu rumo, se é o rumo de toda a familia. Mesmo que um dia voltes, a tua experiência de vida estará enriquecida.

margarida disse...

São todas essas razões que nos fazem (a mim e ao meu namorado) saber que não queremos Portugal para o futuro. Embora eu tenha que voltar para acabar o que comecei, há uma mão cheia de países que nos deliciam..
Adoro Portugal, mas não dignifica quem trabalha, quem se esforça, aliás, nem vale a pena uma pessoa esforçar-se porque só vai ficar para trás.. Enfim, muitas razões!
Inveja da boa não faz mal, chama-se sonhar.
Espero que encontre o seu destino.

rosemary disse...

Eu sinto exactamente a mesma coisa. A mesma vontade de experimentar novas realidades, de falar diferentes linguas, de viver numa sociedade civilizada e com oportunidades que não encontramos cá dentro.
Neste momento, adorava fazer um estágio na Inglaterra. Se conheceres alguém da área da saúde lá, avisa-me ok?!
Bjs*

socasmoinhosebicicletas disse...

Olá!!! Vim retribuir a simpática visita! :-) E já agora aproveito para comentar este post, enquanto recém emigrada.
Se a vontade de sair é grande e ainda por cima partilhada pela cara-metade, se ainda para mais o que procuram é, acima de tudo, uma qualidade de vida superior à que têm e uma educação de qualidade para o filhote, então não hesitem, nem por um segundo. Algumas pessoas amigas, ao receberem a notícia da minha decisão, exaltaram a minha coragem por deixar tudo e todos para trás. Coragem era ter continuado aí, a assistir impávida e serena ao barco a afundar. Amo muito o meu país, por isso me custa tanto vê-lo, há anos, a ser gerido por idiotas. A distância e as saudades da família e do impagável aconchego português, hoje combate-se facilmente com tudo o que não havia há 40 anos: internet, voos frequentes e de preços acessíveis, chamadas telefónicas de preços modestos com pacotes especiais para os estrangeiros, low cost, etc.
"Não quero enriquecer, vir de férias a Portugal ostentar o meu carro topo de gama de matrícula estrangeira e construir uma mansão de vinte quartos que só vê gente uma mês por ano". Também eu não estou cá para isso, de todo. Vim para não sentir a instabilidade e a angústia que me atormentavam em Portugal. Tudo o que descreve é possível de concretizar. É só uma questão de traçar objectivos. Não sei se conhece este blog, mas, em todo o caso, aqui fica o link para que possam ler testemunhos, que decerto vos inspirarão.
Boa sorte e muita força!

http://www.mindthisgap.blogspot.com

PS - E peço imensa desculpa pela extensão do comentário.

banita disse...

Concordo com a "holandesa emprestada", se o desejo de sair é grande e partilhado, a minha resposta é: aproveita e ponham-se a caminho! Atenção à educação do filhote, escolas em Português (se for esse o vosso desejo), infelizmente não há em todos os países...
Eu, talvez por estar num terceiro mundo, quero voltar para Portugal, não digo que seja mal tenha uma oportunidade, gostava de viver noutro País da Europa ou nos States, mas um dia... eu QUERO voltar!
Também não será para ostentar sinais exteriores de riqueza, mas interiores pelo facto de ter morado noutro(s) País(es), esses, concerteza!
Quando encontrares esse País perfeito que descreveste... avisa, seremos vizinhos!

banita disse...

E não te preocupes, essa inveja, é da boa, é saudável!
Ah e não venhas para o México... não há crise aqui, mas é um atraso de vida...

Bypassone disse...

Miguel, tal como te disse noutro comentário, manda tudo às urtigas e.. força. Eu vivo em Zürich há 9 anos, a Suiça não é um mar de rosas, há muitas coisas que ao princípio nos são extremamente dificeis de compreender e aceitar, mas quando penso em como estava antes de "dar o salto"... Bem, digamos que não dá para enriquecer, viajo a Portugal com descontos nas férias, fico em casa de familiares e conduzo popó emprestado quando lá estou, mas pelo menos posso dizer que não devo nada a ninguém e não me falta de nada, coisa que no meu país.... Bem, acho que já percebeste. Cumprimentos