domingo, 12 de setembro de 2010

Cenas Medievais no Séc. XXI

Acabo de ver na TV uma cena no mínimo medieval, até porque se passava dentro das muralhas de um castelo. Tratava-se de uma espécie de matilha de animais selvagens que urravam, gritavam, exultavam enquanto assassinavam um outro ser vivo que não representava qualquer tipo de ameaça ou perigo. Esta cena tinha centenas de espectadores que aplaudiam e incluía crianças. E voltou-se a matar um touro, desta vez em Monsaraz.
Será que esta gente não vê a violência que se passa em frente aos seus olhos? Será que são estúpidos ou apenas absolutamente insensíveis? Será que os que mataram o touro amarrado e incapaz de se defender, ainda por cima a coberto de uma lona, o que só torna esse crime apenas mais cobarde, serão apenas uns sacaninhas com sede de sangue ou violentos psicopatas? Que pais são aqueles que levam os seus filhos, crianças, a um lugar onde centenas de pessoas vibram, aplaudem , incitam à violência, ao sangue, à cobardia que culmina com um assassínio cobarde de um animal majestoso que nunca se rende? Como explicam eles às crianças que aquilo é nobre, é lindo, é tradição? Tradição? Num país que se pretende civilizado?
Também me choca que se entupa os tribunais com processos de legalização, de excepção, que protejam e permitam estes crimes, que se ocupe a polícia com a deslocação ao local da morte para a identificação dos mentecaptos que assassinaram o touro cobardemente e com a burocracia exigida para apenas se arquivar mais um crime. Mas aqui os culpados estão identificados: todos os presentes no recinto. Que eu saiba, tanto é culpado quem prime o gatilho como quem protege, ajuda e de alguma forma contribui para o facto. Não me venham dizer que é uma tradição com 100 anos porque há 100 anos as mulheres não podiam votar, 90% (estou a ser optimista) da população não sabia ler e Portugal foi uma monarquia quase até ao final do ano!
É um crime, não uma tradição. É a banalização da morte e da violência, ao vivo e a cores. É a desculpabilização de comportamentos psicopatas a coberto de uma norma social perfeitamente desactualizada. E Espanha, terra dos touros e toureiros, já começou a acabar com isso.
Além de tudo isto, como é possível aplaudir-se um homem que entra numa arena com collants e jaqueta apertadinhos e com brilhantes e pom-pons dependurados. É um bocado rabeta, digo eu!

5 comentários:

Luh disse...

Não,é de macho ahaha x)

Sou 201% contra essa palhaçada por todos os motivos que referiste e mais alguns que possam eventualmente surgir.
Mete-me um nojo que nem calculas.

I. disse...

Um horror. Só neste país, onde a crueldade contra animais não é sancionada por qualquer lei. Em contrapartida, os animais que brutalmente chacinaram o bicho, esses podem andar por aí de cabeça levantada. Não é normal :(

Aislin disse...

Esta "tradição", que de tradição não tem nada, é completamente absurda e digna de quem não têm cérebro.
Sou completamente contra mas tenho a esperança de que um dia me deixem entrar na arena (até posso ir de fatiota que não me importa) e tourear alguns toureiros.
Isso sim, é que seria uma festa do caraças!

Enf. Estagiário disse...

São tão maricas que até os cornos ao touro cortam, haviam de o deixar ir lá para dentro, solto e em pontas, para verem o que era bom para a tosse.
O que eu me ria se o touro os furasse a todos.

Madalena Sousa disse...

Apoiado! Ainda há pouco tempo se falou de um toureiro ferido... é que não tive mesmo pena nenhuma do homem. A parte má é que provavelmente não aprendeu a lição.
Orgulho-me de ser da primeira cidade portuguesa que acabou com essa tradição (apesar de não ser muito comum ver-se lá touradas - mas bastava uma por ano para haver motivo para acabar) e fechou a praça de touros - Viana do Castelo!