quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nova Velha Infância.

A minha mulher guardou consigo uma velha cassete de música infantil que ouvia até à exaustão (da cassete e do leitor!!) nos seus verdes anos. Eu, que não conhecia a dita cassete, fiquei absolutamente rendido quando, já adulto a ouvi pela primeira vez. Uma sobrinha, agora com 8 anos, ouvia-a ininterruptamente aqui há uns anos atrás até que a dita cassete se finou tendo, contudo cumprido a sua função. Ao compilar a colecção de "música para criança" do Gabriel essa obra era a referência. Mas não havia já cassete. Procurámos saber se havia alguma edição em CD. Não há. Ao fim de algum trabalho de pesquisa na internet encontrei um ficheiro com esse álbum em particular!! Agora é o nosso CD preferido.
Na minha opinião, esta obra devia figurar em lugar de destaque em todas as FNAC's do país. Pelas letras, principalmente, mas também pela melodia. São músicas cativantes, de letras esplendorosamente bem conseguidas, escritas em bom português, com as palavras certas nos lugares certos. Contam histórias com principio, meio e fim em apenas alguns minutos. Histórias divertidas mas com uma moral, uma lição. Por muito simples que seja. E cria um imaginário rico e que pode servir de base para outros mundos. E, apesar de editada em 1977 (antes do meu nascimento!), continua a cativar os miúdos (e os graúdos, asseguro-vos), como a minha sobrinha e agora o meu filho. O Gabriel gosta muito de ouvir o CD e já tem músicas da sua preferência. Diverte-se a dançar e já tenta reproduzir as letras d'"A Mudança do Macaco Zacarias"!
O autor? José Barata Moura. Filósofo, escritor, cantor. Reitor da Universidade de Lisboa entre 1998 e 2006. "Joana Come a Papa" e "Olha a Bola Manel" são da sua autoria e isso atesta a sua importância no panorama cultural nacional. Quem de nós não conhece estas músicas, e outras, que saíram da sua imaginação? Numa era em que cada vez mais a Língua Portuguesa é maltratada, devíamos ouvir mais vezes as pueris cantorias deste senhor pois ficaríamos mais ricos, vocabularmente falando! A Mariana conheceu-o. Está num Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, numa fase já decadente da sua vida. Não sabemos se morreu entretanto mas a sua obra assegurará a sua longevidade. Pelo menos na minha casa!!
Agora comparem esta imbecilidade,



Com esta melodia simples, uma canção feita com onomatopeias de animais!!

Ou com esta fantástica crítica social, que se aplica ainda hoje e, provavelmente se aplicará sempre!!

Notam as diferenças?

7 comentários:

Ginguba disse...

Cresci com as músicas deste senhor num programa de televisão que eu não perdia-o Fungágá da Bicharada.
Que bom foi agora recordar!
Músicas adoráveis que ainda hoje gosto de ouvir!
Os programas e canções infantis de hoje são de facto muito pobres quando comparados com os de José Barata Moura!
Parabéns pelo blog. Gosto muito

XuXu disse...

A minha filha com 6 tb creceu com as musicas do Fungagá da Bicharada.
O avô tinha os vinis e passou tudo para CD e quando a miuda fez um ano ofereceu-lhe os CDs...
ainda hoje os ouve, e realmente 1000 vezes melhor que "Quémer LERENJAS E BENENAS" ...
E vivam os tempos da nossa juventude, não é por ser nossa, mas era outra coisa ;)

Maria M. disse...

Miguel... aDORo este "cheirinho a éter"...acompanho-te há já algum tempo e deixa-me dizer-te que tu não nasceste para ser enfermeiro! tu nasceste para escrever num blog!!!!

parabéns e obrigada por me ires fazendo rir e muitas vezes pensar em coisas que nem sempre estão bem presentes em mim!

força aí! um abraço

A do giz disse...

Eu lembro-me de cantarolar algumas músicas do género da loja do mestre André, mas também não ligava nenhuma a esse tipo de música. Quando a minha mãe me teve era muito novinha então eu gostava mais de ouvir e dançar as músicas "dela".

Convivo diariamente com duas crianças uma de 2 e outra de 3 anos. A de 3 ouve as musiquinhas do Panda (que já teve melhores dias) e a de 2 todos os dias ouve religiosamente uma cassete de infância dos pais, e as diferenças são notórias. A criança mais nova é muito mais avançada em termos de raciocínio e comunicação. Mas não se deve apenas a isso, os pais da criança mais velha cometeram um dos “erros” que muitos pais cometem, que é falar com os filhos como se fossem eles os bebes. Os “gugu dadás”não são grande ajuda para o crescimento de uma criança. Um dos truques cruciais para estimular o desenvolvimento cognitivo, da mesma, é, por exemplo, pensar alto para ela.

E em relação aos vídeos, o primeiro é mais uma das pérolas da língua portuguesa. A música é uma brilhante (ironicamente, claro) tradução de uma música Inglesa.

http://www.youtube.com/watch?v=OKEUAzzn-Ig

Miguel disse...

Maria M., obrigado! E, de facto, sinto que não nasci para ser enfermeiro...

LIKAS disse...

Meu Deus, mas o que é isto! Eu já tinha ouvido algures qualquer coisa com laranjas e bananas mas pensei que fosse uma daquelas musiquinhas ridiculas que surgem sabe-se lá onde, mas acabei por descobrir que é uma canção do Panda dirigida a crianças! Isto é chocante! É um descalabro total, ainda não tenho filhos mas se um dia tiver sei muito bem o que é que eles não vão ver nem ouvir!

tinóni disse...

Eu também cresci a ouvir José Barata Moura...e foi várias vezes ao meu infantário tocar e cantar...
anos mais tarde, foi reitor da universidade de lisboa..
espero que as minhas filhas também cresçam a ouvir estas e outras músicas dele..pelo menos conheço as letras todas de cor!!!