sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O meu tempo é precioso e não gosto de carneiradas.

Vamos a contas: uma semana de trabalho normal tem cerca de 40 horas. Se considerarmos que se sai de casa cerca das 7 e se volta cerca das 19, são 12 horas por dia que se passa longe da família, sendo que o resto do dia é dedicado às rotinas domésticas e estamos muitas vezes demasiado cansados para nos dedicarmos ao chamado "tempo de qualidade". Mas nós, Enfermeiros, como tantos outros profissionais não temos um trabalho em horário "normal". E a esmagadora maioria dos enfermeiros trabalha em regime de "duplo emprego".Tomemos o meu caso como exemplo: entre as duas instituições onde trabalho e o curso de hemodiálise em tenho uma carga horária a rondar as 80 (!) horas de trabalho semanal. É o dobro da maioria das pessoas. Mas não conto só com as horas de trabalho efectivo porque se deve incluir o tempo de deslocamento casa-trabalho. Num dia normal de trabalho saio de casa cerca das 6.30 e regresso perto da 1 da manhã. Ou saio ás 15 e volto no dia seguinte às 9. Excepcionalmente acontece trabalhar 24h consecutivas. Isto equivale a dizer que todo o meu tempo livre é ouro!
Por todas estas razões, que são comuns a milhares de enfermeiros, eu não percebo uma tradição instituída em praticamente todos os serviços em que já passei: os jantares "do serviço". Um jantar em que participa TODA a equipa desse serviço! É uma espécie de obrigação, como se fosse uma extensão da obrigação profissional e cujo o objectivo, tanto quanto julgo entender, é "conviver fora do ambiente do serviço". E eu pergunto: PARA QUÊ??? Eu já passo a esmagadora maioria do meu tempo com estas pessoas, almoço e janto carradas de vezes com eles, bebo cafés e tomo pequenos almoços com eles. Qual é a vantagem?? Alguma espécie de team-building? Não me parece porque a actividade consiste muito simplesmente em beber até cair para o lado. E depois, não gosto de "carneiradas". É certo e sabido que, quando há muita gente estaremos sempre condenados a não conviver com toda a gente e a conversar com quem nos calhar na lotaria da distribuição das cadeiras. Outra regra que não entendo: não é bem visto se levarmos a nossa família. Mas esta gente estará parva?? Então eu já sacrifico mais de 50% do tempo que lhes é devido, passo montes de noites fora de casa, passam-se dias sem que o meu filho me veja e ainda esperam que eu vá a jantarinhos parvos sozinho?! Enfim...
Eu janto com os meus amigos, com aqueles que eu escolho. Depois tenho dificuldade em lidar com tudo o que me seja imposto, fora das minhas estritas obrigações. E o curioso é que até vou aos jantares dos serviços de onde já saí, se me convidarem! Estranho? Nada disso. É que esses antigos colegas raramente os vejo...

10 comentários:

Anónimo disse...

Isto podia ter sido escrito por mim!!!
Assino por baixo!
A.A.

Melissinha disse...

pareces muitíssimo com o meu Hugo. Eu sou mais diplomática, prefiro fazer o frete a dizer que não.

Nuvem disse...

concordo perfeitamente.
Acho que os jantares de empresa ou serviço) deveriam ser extensíveis (obrigatórios) para a família.
Nós já convivemos com os colegas diariamente, passamos mais horas com eles que com a família..
um jantar desses era a oportunidade ideal para a nossa família estar connosco e conhecer os nossos colegas, haver um convívio.
Isso sim seria um reforçar de laços, pois seria um convívio diferente, saudável e em que a nossa família era envolvida na nossa vida profissional (nem que fosse para ver o bando de ... (escolher o que se prefere, imbecis, malucos, ...) com que trabalhamos todos os dias.
mas é complicado explicar isso ás chefias (e eu sou chefia há anos e não consigo que percebam...)
enfim...
boa sorte nesses jantares e... tenta sair mais cedo para estares com a família - é a única opção quando falta o bom senso :)

Naná disse...

Como eu te entendo...! Actualmente vou a jantares de serviço para voltar a estar com alguns colegas que se tornaram meus amigos quando trabalhámos juntos noutras obras e mesmo trabalhando na mesma empresa, estamos meses sem nos ver... mas de há uns tempos a esta parte passei a ir a alguns jantares de serviço apenas por mera obrigação, porque é de bom tom para a administração. E isso irrita-me!
Porque eu como, tal como tu, prefiro estar com a minha família e com os amigos de quem gosto (admito que sempre fui muito social e amiga da ramboiada...) e se já com esses é complicado ir jantar fora... o que será dizer ir por obrigação jantar com algumas pessoas com quem pagaríamos para não no sentarmos à mesa!

Ana C. disse...

Miguel nunca estive tão de acordo contigo e fico contente por confirmar que pensas como esse grande génio da humanidade: EU.

Only Words disse...

É vergonhosa a situação laboral dos enfermeiros neste país. Conheço alguns enfermeiros que são "obrigados" a trabalhar em mais do que uma instituição, não tendo tempo para rigorosamente mais nada, a não ser dormir à pressa. Além de não serem reconhecidos, são muito mal pagos. Entendo que não tenhas a mínima pachorra para jantares desses, mas não entendo é como os restantes colegas ainda alinham nessas reuniões "familiares", como se tivessem uma saudade imensa uns dos outros. Será que não têm ou não querem ter uma vida extra trabalho???

Miguel disse...

Nuvem, talvez não me tenha feito entender: eu não vou a esses jantares!

Nuvem disse...

LOL Miguel
e tens razão em não ir...
enquanto chefe de equipa só fui aos que me permitiram que englobasse familiares... ou aos de despedida.
Concordo quando falas de carneirada... ainda por cima esses jantares, pelo menos na empresa onde estou, só servem para lamber botas (e um pouco mais acima) de chefias sem moral e ética ... por isso prefiro a família mil vezes :)
bjs

Dive disse...

Como te entendo!!!

Lúcia disse...

Não sou enfermeira mas acontece-me a mesmissima coisa e sou quase sempre a ovelha negra que não vai. Não invento desculpas digo o q disseste aqui, q o meu tempo livre é para estar c a família e amigos... não acham mta graça mas n estou nem aí, nem aos almoços de natal da empresa vou, em 7 anos, fui a 2 por isso vês :)