sexta-feira, 29 de julho de 2011

É de cortar os pulsos com uma lâmina pequenina e romba.

Detesto, abomino mas acima de tudo não entendo o conceito do cartão "Viva Viagem" para os transportes na Grande Lisboa. Sinceramente, dá vontade de..... AHHHHHH.
Vejamos: trata-se de um cartão, um bilhete, uma merdinha de um rectângulo de papel magnetizado que supostamente (e aqui o "suponhamos" é muito importante) e segundo que é publicitado, facilita o usufruto dos transportes colectivos em Lisboa. Em teoria compra-se o tal papelinho (50 cents só o rectângulo!) e depois carrega-se com viagens e siga! Nada mais errado. Então, eu que raramente ando de transportes, chego ao "cacilheiro" e compro 2 viagens. Primeiro, entro na barcaça e saio no Cais do Sodré e dirijo-me à bilheteira do Metro e solicito o carregamento com mais duas viagens, desta vez para o dito metro. "Ah e tal não porque este bilhete já tem viagens do cacilheiro e assim é impossível e tem de comprar outro cartão e carregar com viagens do metro." Hmm? Diga? Então e não há alternativa? Sei lá, um bilhete que dê para todos os transportes? "Ehhhh, há um bilhete diário para turistas mas custa para lá de uma pequena fortuna." Ah pois é... Mais dois bilhetes (mais um euro em papel!) e já vão quatro rectângulos verdes (2 cacilheiro + 2 metro). E siga.
Entretanto ponho-me a pensar: "Peraí! Então se um gajo quiser ir na CP até Cascais ou ir no eléctrico até ao Castelo de S. Jorge... são mais 2€ em mais dois bilhetes num total de 6 (!) bilhetinhos verdes, todos igualinhos que ás tantas um indivíduo já não sabe qual é o do metro e qual o do barco e tem que passar todos na merda da máquina que lê os malditos?! Nãããã..." E procuro melhor e encontro o "Cartão Zapping". O que, dito assim, parece que é um cartão diferente. Não é. É a mesmíssima coisa, um rectângulo verde igual aos outros todos que se carrega com DINHEIRO e não com viagens! Genial. Portanto, os génios que imaginaram este esquema decidiram que existe diferença significativa e inconciliável entre VIAGENS e DINHEIRO!!! Génios é o que vos digo!
Mas como já estava farto de tantos bilhetes verdes (e feios ainda por cima) distribuídos por todos os bolsos (metro no bolso direito, barco no bolso esquerdo, carris no bolso de trás que aquilo são todos iguais e um homem tem que se orientar de alguma maneira!) vai de comprar mais dois papelinhos (1€ portanto e carregar com dinheiro, não com viagens, dinheiro. E siga. Na volta para a margem sul já que estávamos perto de um comboio fertagus e tínhamos o bendito cartão zapping, decidimos regressar de comboio. E a porcaria do cartão nada de ser aceite pela maquineta de validação. "Olhe, ófaxavor, senhor da bilheteira. Isto parece que há aqui sarilho porque a máquina não lê isto e eu ainda agora meti dinheiro no zapping." E ele responde: "Ah isso é zapping? Pois, dá em todos os transportes menos no comboio da ponte..."

P****** que pariu pá!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Perspectivo uma vasectomia.

Estou de férias. Quer dizer, afirmar que estou de férias é mentir. Estou em casa, digamos. E estou em casa ocupado a empacotar toda a casa e a agrupar os respectivos pacotes de tralha acumulada ao longo dos últimos anos em várias categorias: "levar", "vender", "dar", "lixo". Pelo meio dou asas ao trolha que há dentro de mim (fiz um pequeno estágio no Instituto do Balde de Massa mas chumbei categoricamente na categoria de "servente de pedreiro") e vou preparando a casa para as pinturas que irei levar a cabo nos próximos dias. Limpar paredes, aplicar massa nos furos e fendas, adesivo nas portas e cerâmicas para não pintar o que não devo. E isto tudo estaria muito bem não fosse o pequeno pormenor: OS PUTOS ESTÃO EM CASA!!! O que quer dizer que, na prática tudo o descrito acima é feito quando eles estão na sesta o que, convenhamos, faz com que tudo se processe muuuuito devagar.
Resumindo, estou escavacado! O Gabriel quer brincar com o pai, correr com o pai, jogar à apanhada com o pai, ás escondidas com o pai, todo o dia é tempo de brincar. Já o David, ahhhh o David, 12 meses de energia que não cessa nunca, ele anda pela casa, para cá e para lá e depois para lá e para cá, ele trepa para cima das cadeiras e daí para cima das mesas, para cima do sofá, para cima do móvel da sala e quase para cima da TV, ele trepa para estante aos quadradinhos do IKEA e enfia-se num dos quadradinhos feito bibelôt humano, e ele sobe escadas... para apenas voltar a descer depois de lá chegar acima! Sobe de depois desce, sobe e depois... desce. Sobe, fica um pouco no quarto e depois desce. E quando contrariado contorce-se, esperneia e deita-se no chão o sacaninha! Nem uma palavra sequer emite e já faz birras. Deixo-o o no chão a contorcer-se e ele, quando se apercebe que está a pregar aos peixes, levanta-se, procura-me e vai de iniciar a birra novamente! Entretanto as minhas brincadeiras com o Gabriel são constantemente interrompidas o que faz com que ele, para reclamar a sua parte de atenção, se transforme numa espécie de Homem-Aranha misturado com Superhomem arraçado de Hulk. Resultado: só se vê um vulto a voar e a seguir um estrondo que significa destruição! Inevitavelmente, são cada vez mais frequentes as brigas (físicas digo-vos eu!) entre os irmãos...
Juro por todos os santinhos, pelos putos arraçados de mafarricos que pulam, correm e gritam aqui por casa, que preferia trabalhar 16, 24 ou até 48 horas consecutivas. Estaria muito menos cansado! Garanto que me dói o mais pequeno músculo do meu corpo (aliás, não imaginam o sofrimento que está a ser escrever este texto!) e agora, a dormir, parecem dois anjinhos.... E toda esta experiência que relato é só metade, a outra metade é a parte da Mariana!

E pensar que ainda faltam 2 meses e meio até voltar ao trabalho...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

De pantanas!

Cada vez mais se aproxima a data de partida e cada vez tenho menos vontade de trabalhar porque estou demasiado preocupado com a desocupação da minha casa. Juro que tenho fortes enxaquecas cada vez que abro os armários da cozinha. MAS DE ONDE É QUE SURGIU TANTA TRALHA??? A sério que não fui eu que enfiei tudo aquilo lá para dentro, deve ter sido alguma entidade paranormal ou um duende ou um poltergeist qualquer. Copos e copos e pratos e travessas e panelas e frigideiras e tupperwaoores e tudo e tudo e tudo. Mais de 90 % das porcarias que lá estão nem sabia da sua existência. E AGORA O QUE FAÇO COM TUDO AQUILO?
A mesma coisa com os livros. Tanto livro e mais livro, romances, ficção, biografias, portugueses e estrangeiros e calhamaços da faculdade. E quando se pensa que estão todos, finalmente, dentro da caixa respectiva, PUMBA, lá aparece mais outro enfiado num canto qualquer! E por falar em caixas, julgo que devo ter alguma árvore de onde nascem caixas de cartão pois elas parecem amontoar-se, cheias e vazias, por toda a casa. Os roupeiros são outro pesadelo! Principalmente os dos miúdos. Como é que gente tão pequena pode ter assim tanta roupa? E brinquedos?? Ui, os brinquedos. São ás centenas e não dão jeitinho nenhum para arrumar
De repente lembrei-me que tenho CD's, objecto que já não utilizo vais para uns anos valentes. Mas pronto, têm valor sentimental e trazem memórias, arranja-se uma caixa pequena e enfiam-se lá os cêdêzitos e marca-se a caixa "CD's FRÀGIL"... menos mal, isso está resolvido. Mas o resto, o resto, meu deus! Pratos, copos, mesas, cadeiras, roupas, roupas de cama, camas e colchões, TV, armários, sofás, brinquedos, livros, toalhas de mesa, electrodomésticos, candeeiros, quadros e tapetes...
A nossa casa começa, lentamente, a esvaziar-se de coisas e a encher-se de caixas de cartão. Guardaremos apenas uma pequena percentagem de tudo o que temos em casa, apenas artigos pessoais e outros com algum valor sentimental. O resto organiza-se em dois lotes: para vender e para dar.
À atenção de Harry Potter, caso leia este blog: podes emprestar a varinha para eu aplicar um feitiço qualquer tipo avada kevadra ou accio ou assim, aqui nas tralhas de casa? Obrigado.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Long live Rock n'Roll!!!

Esta sempre foi uma banda que segui, desde o primeiro album. No início foi a curiosidade de ver como se saía um ex-membro dos Nirvana (banda que venerei para lá do razoável, na minha adolescência) mas depois foi a música. Confesso que estranhei ouvir a voz do ex-baterista dos Nirvana a cantar melodias tão leves, alegres, ritmadas quando estava à espera de ouvir depressão, desespero, raiva pela morte ainda tão recente de Kurt Cobain. Mas Cobain era grunge, era revolta e angústia e isto, isto meus amigos é Rock!
O seu último álbum é, para mim, perfeito. Podem dizer: "os mesmos sons de guitarra, bateria com fartura, o mesmo de sempre" mas não. Há ali algo. O som é puro, rude, cru. Foi um álbum gravado em fita e não em digital. Tudo ali é genuíno, orgânico, puro, original. E trouxe-me tantas sensações antigas, de miúdo vibrante com o barulho das guitarras, a batida da bateria e o ritmo do baixo!  Actualmente, nesta fase boa da minha vida em que me preparo para mudar, tenho a discografia dos Foo Fighters em loop no meu iPod! Nenhum outro som espelha tanto a minha felicidade, a boa onda, a excelente perspectiva. Nem Radiohead, nem Pixies, Cure muito menos.
Nunca fui a um grande festival de verão. Este ano vou ao Alive! ver estes senhores. E que ansioso estou!!! Para quem é fã: o "rockumentário": Foo Fighters - Back & Forth é muito bom.


E para preparar a noite de 7 de Julho, Passeio Marítimo de Algés...



YEAAAAAAAAAHH!!!

Apelo.

Quem conhecer alguém que faça transportes para o estrangeiro pode indicar-me o contacto? Tenho algumas caixas de tralha que preciso enviar para a Suíça.
Merci!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pancadinhas de Amor.

Esta semana, Festa de S. Pedro no Seixal! Por lá andámos divertidos com o mais velho a pedir para andar em tooooodas as diversões e o mais novo fascinado com as luzes e todo o barulho. Mas o mais divertido mesmo foi andar nos carrinhos de choque com o Gabriel! Céus! Há anos que não andava nos carrinhos de choque e já não me lembrava como aquilo é mesmo, mesmo divertido! Todo o ambiente é tão foleiro com os milhares de luzes coloridas, os néons fatelas, as pinturas a plagiarem rascamente tudo o que é marcas e imagens de referência e a música, aiiii a música!, tudo o que é hits orelhudos dos grupos "dos jovens" ornamentado pela batida mais básica das pistas de dança, o que faz com que nos pareça que estamos a ouvir sempre a mesma música, sem intervalos! Mas é isto mesmo a magia destas festas populares, o gosto duvidoso, a tentativa falhada de ser "cool", o exagero das músicas e das luzes. Mas voltando aos carrinhos de choque...
É incrível que o ambiente e as personagens da pista sejam os mesmos de que me lembro, de há 15 anos atrás! Os mesmos grupos de rapazes a contar os trocos para comprar fichas, os mesmos grupos de raparigas a fazerem-se difíceis. Na pista lá andam aos pares, dois rapazes num carro, duas raparigas no outro em que eles as perseguem e tentas abalroá-las o mais violentamente possível! Julgo existir aqui uma metáfora para a relação entre homens e mulheres mas nem sequer me atrevo a desenvolver... Aliás, parece-me que deve ser o único sítio do mundo onde uma pancada lateral (ou frontal!) certeira é uma maneira aceite de dizer "Gosto de ti miúda!". E lá andam elas, alegremente a serem abalroadas à bruta enquanto se fazem fortes e eles, sorriso maroto nos lábios a murmurar "Gostas assim, à força não gostas? Toma!"
Depois, os mesmos personagens de há 15 anos desfilam naquela passerela:
-O Arrumador-de-Carrinhos: o rei e senhor da pista. É o fulano, empregado, que tem como função arrumar os carrinhos abandonados no meio da pista. Mal encarado, não sorri nunca, cigarro no canto da boca. Toda a gente o respeita, ele é o mestre dos carrinhos. É o salvador das meninas cujo carro não anda lançando-se pelo frenesim de carros que correm em todas as direcções e pendura-se no para-choques agarrando-se à barra traseira do carro com um braço e conduzindo o carro com a mão livre, numa posição protectora para as donzelas em perigo. Passa-se se alguém bate contra a fila de carros que ele tão bem alinhou.
- Os Rufias-da-Pista: dois rapazes já no final da adolescência. Sentam-se não no banco do carro mas sim em cima dos encostos traseiros do mesmo. Conduzem como loucos tentando bater o mais violentemante possível contra os carros com as miúdas mais giras. São constantemente perseguidos pelo Arrmador-de-Carrinhos, que desafiam.
-As Miúdas-Mais-Giras-da-Pista: duas raparigas, giraças, conduzem de nariz empinado e não perdem nunca a postura por mais vezes que as atinjam. Acabam por ir-se embora, enfadadas porque já nenhum rapaz lhes liga.
- O Pintas: um gajo claramente já trintão mas que gosta de passar por adolescente. Nunca tira os óculos de sol, gira pela pista e não gosta de ser tocado. Sorri maliciosamente para as adolescentes que se agrupam nas laterais da pista. Passa a noite dentro do carrinho porque não quer ir para casa da mãezinha com quem partilha a cama.
- Homem-Trintão-Agarrado-a-Filho-Pequeno: diverte-se mais do que o filho. O pequeno vai muitas vezes com um ar aterrorizado. (ora aqui está um retrato que me parece demasiado familiar...).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Je suis, tu es, il est...

Nos últimos tempos tenho dedicado algum do meu tempo a estudar o Francês. Aliás, a minha companheira mais próxima nos últimos dias tem sido a Gramática Essencial do Francês que, neste caso, foi traduzida do Alemão! Confusos? Pois.
Mas enfim, ando perdido por entre o Imparfait, o Conditionnel, o Subjonctif e o Gérondif. De vez em quando encalho nas terminações e liaisons e não percebo porque é que aquele verbo está conjugado daquela forma. Farto-me de ler artigos sobre Portugal e sobre os Portugueses na Courrier International e isso é bom porque percebo qual a imagem que os estrangeiros têm acerca de nós! E tenho a enervante tendência de traduzir automaticamente para o francês (por vezes em voz alta!) tudo o que esteja a ler. Dou por mim a pensar "como é que se diz isto em francês" e a fazer contas de como se constrói o presente do conjuntivo: será o radical do presente com as terminações do imperfeito ou o radical da terceira pessoa do plural? Nem uma coisa nem outra, já estou a confundir esta merda toda outra vez...
Imgaino como serão os meus dias lá, a falar uma língua adoptada. Sinto que é muito cansativo falar numa língua que não é a nossa, o cérebro a trabalhar, a fazer as ligações todas e a procurar o que vai com o quê! E isto nota-se porque o Português é para nós como respirar, é inconsciente, fazêmo-lo sem nos dar-mos conta disso. Mas o que me preocupa é, para além de me fazer entender o melhor possível e não fazer figura de urso, não trocar presente com futuro e masculino com feminino, como é que raio é que me vou desemerdar num debate, discussão, troca de galhardetes? Porque em português é fácil: "tás é parvo!, isso querias tu agora, vai mazé trabalhar!, mas isso tem lá alguma lógica? Não percebes nada disto vai mazé prá escolinha e se não estás bem muda-te!", percebem a ideia não é? E depois ponho-me a tentar dizer isto tudo em Francês e... "tu es fou! tu voudrais ça maintenant, va travailler! mais il y a de logique? Tu ne sais rien retourne à l'école et si tu n'est pas d'accord tu peux te changer!". Isto não funciona...
Merde.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Hoje, pela primeira vez na vida, comprei um bilhete de avião só de ida. Ainda não sei bem o que sentir ou o que pensar...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Carreiras alternativas.

O post anterior não surge do nada, apenas porque me lembrei de compilar todos os esteriótipos associados ao emigra tuga. Nada disso. A verdade é que encontro imensa gente (mais do que consigo compreender) que ao saber que vou trabalhar para a Suíça me pergunta: "Mas vai trabalhar como enfermeiro ou..." deixando a pergunta no ar como que processando as alternativas. E isto mostra um grande preconceito face ao emigrante português! E eu lá respondo "Então...? Pois..." mas com muita vontade de responder algo do género:
"Nã! Enfermeiro? Era o que faltava! Ia lá eu quebrar com gerações de pedreiros, jardineiros, empregados da limpeza, empregados de cozinha, garçons, barmans e porteiros de hotel portugueses que dominam por terras helvéticas. Pfff."
Sem desprimor para nenhuma destas profissões (eu até tenho familiares muito próximos em 4 ou 5 destas profissões lá na Suíça!) até porque em algumas delas se ganha mais que na enfermagem!, mas isto só revela que na mente das pessoas se vais trabalhar para o estrangeiro deve ser para fazer este tipo de trabalhos.  

terça-feira, 21 de junho de 2011

Tentativa parva e provavelmente falhada de reunir todos os esteriótipos do emigrante português.

Hoje sonhei com o futuro próximo! Lá vinha eu em plena autoroute com as fenêtras abertas, na minha linda voiture rebaixada, vidros escuros e um enorme escorpião no vidro de trás. Na rádio o "Meu Querido Mês de Agosto" e os putos lá atrás, sentados no meio das malas, das geleiras, dos chocolates que comprei para a família toda. E no retrovisor um terço e a imagem de Nª Sra.
Eu venho com um enorme fio de ouro, o cabelo curtinho mas com uma melena que me tapa o pescoço. Agora só falo "françuguês": David vien ici e passa-me aí a viande; Gabriel tu vas tomber... eu não te disse que ias caír!!! Vimos passar o mês na nossa maison na aldeia, uma bela maison com 7 quartos, 2 salas, 2 cozinhas, varandas a toda a volta e escadas exteriores. Com a pressa e assim que passo a fronteira e entro em Portugal, toca a acelerar com fartura que aqui não há cá multas como em França e em Espanha e até passo alguns fogos rouge que ninguém viu! Ah, adoro Portugal...
Mas afinal Portugal é um país de merda! As autorroutes são más, as da Suíça são muito melhores! E os portugueses não sabem conduzir. Se fosse na Suíça não esperava tantas horas para ser atendido no banco e no hospital. Na rua não há pubelas e está cheio de lixo no chão. Por isso é que atirei o saco de lixo que trazia no carro desde Paris, afinal isto já está tudo tão sujo que não se nota. O que nos vale é o sol.
Na Suíça não há sol e os suíços são racistas. A comida é cara e não presta para nada. O que vale à Suíça são os francos e as autorroutes para portugal. E agora está na hora de partir, é carregar o carro com vinho, bacalhau, presunto, maças, batatas, cebolas, Vinho do Porto (que a madame minha patroa gosta muito!), chouriços que não há disso lá nas montanhas!
Au revoir e até ao meu regresso!

Falhei algum (esteriótipo)?

domingo, 19 de junho de 2011

Divorciado.

Casei-me com ela em 98. Nunca foi uma relação fácil nem sequer consensual. Duas visões completamente diferentes do mundo. Posso afirmar que foi um casamento por conveniência e em 13 anos de vida conjunta, nunca me senti verdadeiramente confortável naquela situação. Mas enfim, a vida corre, o tempo escoa e fui ficando. Primeiro por medo de um futuro fora daquela rotina, depois por obrigação.
Não me esqueço da angústia que senti no dia do casamento, um sentimento forte e físico que me deixou doente. As mão tremiam, o peito apertava, a testa suada. Mas não havia como voltar atrás. Respirei fundo, enchi-me de coragem e fui em frente! Os primeiros meses foram intensos em sentimentos de ansiedade, repulsa, tristeza, depressão. Mas com os anos, um homem a tudo se habitua. Fiquei, mas sempre com aquele sentimento de que não pertencia ali. Nos momentos menos bons jurava que iria abandonar logo que pudesse. Tentei convencer-me que, com o passar dos anos, iria habituar-me ás condições daquela relação, iria encarrilhar e entrar na rotina mas o passar dos anos, da idade só me veio trazer mais certezas, mais vontade de sair e de mudar. Senti-me cada vez mais preso, mas agrilhoado, diminuido, oprimido.
Tentei sair em 2008 mas não consegui, a Lei estava contra mim. Em 2009 também. Voltava para ela contrariado, o coração apertado, o sangue a ferver, a vontade de partir tudo e fugir. Muitos foram os que me perguntavam porque queria abandonar uma relação de tantos anos, segura, consolidada. Menos os que me encorajaram. Estava furioso com tudo mas respirei e acalmei. Criei este blog e isso ajudou. Vivi estes últimos 3 anos na sombra mas agora acabou.
Casei com a tropa em 98. Treze anos depois estou, finalmente, livre!

Metáforas à parte: entrei para o Exército em 98, estava desempregado e vi ali uma saída. Sempre tinha dito que não queria nada com fardas... Tirei o curso de Enfermagem lá dentro, pago pelo exército e isso colocou-me perante um contrato obrigatório de 8 anos. Ao longo dos anos nunca senti que aquela farda me servisse, senti-me sempre um estranho áquela organização. Para se ser militar tem que se acreditar na organização e na ideologia. Eu nunca acreditei, ainda hoje não acredito. Senti-me muitas vezes frustrado e humilhado mas enfim, é a tropa. Cumpri a minha obrigação e agora é hora de partir noutra aventura. Não posso afirmar que foi uma perda de tempo. Se não tem sido essa a minha opção, não seria nunca quem sou hoje. Aprendi muito e cresci muito nestes 13 anos de exército mas raramente pelas melhores razões. Poderão dizer que o Exército me pagou o curso e me deu emprego e isso é verdade, mas acreditem que o que cobram depois implica juros muito altos: a nossa individualidade e a nossa liberdade. Para muitos isso vale pouco mas não para mim. Se algum militar me está a ler neste momento poderá ou não compreender o que digo. A maioria não compreende e sente-se traído por mim, por ter abandonado a "família militar". É uma pena, mas é compreensível à luz da doutrina militar.
Milhares de vezes imaginei este texto, este dia, o dia em que me veria dono do meu futuro novamente. Não espero que compreendam, todos vós que não conhecem a instituição militar por dentro, mas tinha que escrever isto numa espécie de comunicado ao mundo: estou, finalmente, LIVRE!

DE BORLA!

Parece que está na moda oferecer alfaces e tomates mas nós ESTAMOS A OFERECER LIVROS! Conheçam as BORLAS que estão no Asas para voar!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Estou além.

A novidade ainda não é oficial, foi um passarinho que me soprou ao ouvido... A ansiedade continua cá, apaziguada pela informação informal que tudo se irá resolver dentro do esperado e dos prazos. Mas, tal como Tomé, eu só acredito quando tiver o papelinho na mão!

Deparo-me agora com uma situação que já não vivia há muito, uma espécie de limbo, uma zona intermédia entre o meu passado e o meu futuro. Por um lado tenho de continuar a trabalhar nos sítios de sempre mas por outro, a minha imaginação já não está cá. A minha mente está noutra dimensão, mais à frente no tempo, imaginando o que vai ser, o que vai acontecer, traçando cenários no novo hospital, no novo serviço, na nova casa, no novo país. Como será falar francês todo o dia, todos os dias, como serei recebido e integrado na nova equipa, como será a adaptação ao clima, como será a nossa nova casa? Preocupo-me principalmente com a integração do Gabriel na nova escola com uma língua diferente, com o facto do David ter que ir para uma creche. Penso em tudo o que terei que fazer de novo lá. E estou entusiasmadíssimo com tudo isso!

Mas também tenho montes de coisas para resolver por aqui. Mas com isso não sonho.

Já não estou cá, estou além!

Ui ui ui!

Novidade da boa na praça! Finalmente.

I'll be back... soon!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Desejem-me sorte, ok?

Ouço dizer muitas vezes que Portugal tem dos melhores legisladores do Mundo. Que as nossas leis são muito bem construídas, bem pensadas, melhor escritas. Então porque nos encontramos nesta situação, nesta Torre de Babel onde ninguém se entende? Muito simplesmente porque as leis são dobradas, torcidas, quebradas e ignoradas por quem tem o dever de as fazer cumprir. É por isso que quando vamos à Segurança Social ou às Finanças podemos obter várias respostas diferentes, tantas quantas o número de funcionários a quem coloquemos a questão. Porque as interpretações são dúbias, porque houve uma revisão da lei, porque sim, porque não estou para me incomodar com isso. E mesmo quando mostramos a lei e declamamos ipsis verbis o artigo ou alínea que nos interessa, mesmo assim recebemos como resposta "isso está errado". Temos a suprema arrogância de achar que as leis estão mal feitas, que não se adequam à realidade e, então fazemos como achamos melhor.

É assim com os pedidos de subsídio, na entrega de requerimentos, com as baixas médicas e com as licenças de maternidade. E é assim porque ninguém é verdadeiramente punido. E assim andam os papéis, empurrados de secretária em secretária, devolvidos à proveniência porque a linguagem está mal, porque o artigo está errado porque o papel é do Pingo Doce e o chefe exige que o documento venha impresso em papel Navigator topo de gama. E no final alguém decidiu negar o pedido porque sim. Contra a lei e os direitos de quem pede. Mas que se lixe o que está escrito, quem sabe disto sou eu e se não estiverem satisfeitos queixem-se.

E é por tudo isto que ando ansioso, frustrado, acagaçado. Porque entreguei o requerimento para sair da função pública no dia 6 de Abril e ainda não tenho resposta, porque sei por experiência própria que "eles" passam muitas vezes por cima dos nossos direitos levando-nos a batalhar por um direito que está descrito na lei e a perder tempo e dinheiro. E porque disso depende muita coisa, demasiadas coisas.

E assim peço-vos: desejem-me sorte!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Loucos, deveras!

"Esses Loucos que Correm" por Marciano Durán

Eu conheço-os.
Tenho-os visto muitas vezes.
São especiais.
Alguns saem de madrugada e empenham-se em ganhar ao sol.
Outros apanham o sol ao meio-dia, cansam-se à tarde ou tentam não ser atropelados por um camião à noite.
Estão loucos.
No verão correm, trotam, transpiram, desidratam-se e finalmente cansam-se... só para desfrutar do descanso
No inverno tapam-se, abrigam-se, reclamam, arrefecem, constipam-se e deixam que a chuva lhes molhe a cara

Eu vi-os
Passam rápido ao longo da alameda, devagar entre as árvores, serpenteiam caminhos de terra, trepam calçadas, fazem jogging na curva de uma estrada perdida, fogem das ondas da praia, atravessam pontes de madeira, pisam folhas secas, sobem montes, saltam charcos, atravessam parques, chateiam-se com os carros que não travam, fogem de um cão e correm, correm e correm.
Ouvem música que acompanha o ritmo dos seus pés, ouvem os padeiros e as gaivotas, ouvem os seus batimentos e a sua própria respiração, olham em frente, olham para os seus pés, sentem o cheiro do vento que passou por entre os eucaliptos, a brisa que saiu do laranjal, respiram o ar que vem dos pinheiros e abrandam ao passar em frente ao jasmim.

Eu já os vi.
Não estão bons da cabeça.
Eles usam ténis com ar e sapatilhas de marca, correm descalços ou gastam sapatos
Transpiram t-shirts, usam gorros e medem o seu próprio tempo.
Eles estão a tentar ganhar a alguém.
Trotam com o corpo solto, passam perto do cão branco, aceleram a seguir à coluna, procuram uma torneira para se refrescarem... e seguem.
Inscrevem-se em todas as corridas... mas não ganham nenhuma.
Começam a corrida na véspera, sonham que correm e levantam-se como as crianças no dia de Natal.
Preparam a roupa que descansa sobre uma cadeira, como fizeram na sua infância na véspera das férias.
No dia anterior à corrida comem massa e não bebem álcool, mas são recompensados com ousadia mal a competição termina.
Nunca consegui calcular-lhes a idade mas provavelmente têm entre 15 e 85 anos.
São homens e mulheres.
Não estão bem.

Começam em corridas de 8 ou 10 quilómetros e antes de começar sabem que não podem vencer, mesmo que faltem todos os outros.
Sentem a ansiedade antes de cada partida e alguns minutos antes do início eles precisam ir à casa de banho.
Ajustam o cronómetro e tentam localizar os quatro ou cinco a quem é preciso ganhar
São as suas referências da corrida: "Cinco que correm como eu."
Basta chegar à frente de um deles e será suficiente para dormir à noite como um sorriso.
Usufruem enquanto ultrapassam outro corredor... mas encorajam-no, dizendo-lhe que falta pouco e pedem-lhe para não abrandar.

Perguntam pelo abastecimento de água e ficam irritados porque não aparece.
Eles são loucos, sabem que têm nas suas casas a água que precisam, sem esperar pela entrega de uma criança que levanta um copo à medida que passam.
Queixam-se do sol que os mata ou da chuva que não os deixa ver.
Eles estão mal, eles sabem que há perto a sombra de um salgueiro ou o resguardo de um beiral.
Não as preparam... mas eles têm todas as desculpas para o momento em que atingem a meta.
Não as preparam... são parte deles.
O vento estava contra, não corria uma ponta de vento, as sapatilhas eram novas, o circuito estava mal medido, os que entraram à frente não deixaram passar, o aniversário de ontem à noite, a costura na meia sobre o pé direito, o joelho a trair-me outra vez, arranquei muito rápido, não deram água, no fim ia acelerar mas não quis.
Gostam de começar a correr e quando chegam levantam os braços , porque dizem que conseguiram.
Ganharam mais uma vez!
Eles não percebem que perderam para cem ou mil pessoas... mas insistem que voltaram a ganhar.
São invulgares.
Inventam uma meta em cada estrada.
Ganham a eles próprios, aos que insistem em olhar para eles desde a calçada, aos que os vêem na TV e aos que nem sequer sabem que existem loucos que correm.
Tremem-lhes as mãos enquanto furam a roupa para colocar os dorsais, simplesmente porque não estão bem.

Eu já os vi passar.
Doe-lhes as pernas, sentem cólicas, custa-lhes a respirar, sentem pontadas nas costas... mas seguem.
À medida que avançam na corrida sofrem cada vez mais desfigurando o rosto, o suor escorre pelas suas caras, as pontadas começam a repetir-se e, dois quilómetros antes da meta começam a perguntar o que estão ali a fazer.
Não seria melhor serem um dos sábios que batem palmas da calçada?
Estão loucos.
Eu conheço-os bem.

Quando chegam abraçam-se à sua mulher ou ao seu marido para esconder o puro amor à transpiração do seu rosto e do seu corpo.
Esperam-nos os seus filhos e atá algum neto ou mesmo o carinho de um avô que grita solidário quando eles passam a linha da meta.
Trazem uma placa à frente que pisca e diz: "Cheguei, missão cumprida!"
Apenas bebem água e molham a cabeça, quase se atiram para a relva para recuperar. mas depois param porque são saudados por aqueles que chegaram antes. Tentam atirar-se de novo mas param porque têm de saudar os que chegam depois deles.
Tentam empurrar uma parede com as duas mãos, levantam a perna desde o tornozelo e abraçam outro louco que chega mais suado que eles.
Tenho visto muitas vezes.
Estão mal da cabeça.
Eles olham com carinho e sem lástima o que chega dez minutos depois, respeitam o último e o penúltimo porque dizem que são respeitados pelo primeiro e pelo segundo.
Aproveitam os aplausos mesmo que venham no fim ganhando apenas à ambulância e ao tipo da moto.
Juntam-se em equipas e viajam 200 quilómetros para correr 10.
Compram todas as fotos que lhes tiram e não percebem que são iguais às da corrida anterior.
Penduram as medalhas pela casa para que quem os visite as veja e pergunte.

Estão mal.
"Esta é do último mês" dizem tentando usar o seu tom mais humilde.
"Esta é a primeira que ganhei" dizem eles, omitindo que as distribuíam a todos, incluindo o último a chegar e o polícia de trânsito.
Dois dias depois da corrida muito cedo já saltam por cima das poças, escalam as cordas, movem os braços ritmicamente, acenam aos ciclistas, batem as palmas das mãos com os colegas com quem se cruzam.
Dizem que poucas pessoas, hoje em dia, são capazes de ficar sozinhos - consigo mesmo - uma hora por dia.
Dizem que só mesmo os pescadores, nadadores e alguns mais.
Dizem que as pessoas não estão usufruindo tanto do silêncio.
Eles dizem que gostam dele.
Eles dizem que projectam e fazem balanços, que se arrependem e congratulam, que se questionam, preparam os seus dias enquanto correm e conversam sem medos com eles próprios.
Eles dizem que os outros inventam desculpas para lhes fazer companhia.

Eu já vi.
Alguns apenas caminham... mas um dia... quando ninguém está a olhar, animam-se e correm um bocadinho.
Em poucos meses começam a transformar-se e ficam tão loucos como eles.
Esticam-se, olham, rodam, respiram, suspiram e atiram-se.
Aceleram, abrandam e voltam a acelerar.
Eu acho que eles querem vencer a morte.
Eles dizem que querem vencer na vida.
Estão completamente loucos.

Uma bela e tocante homenagem a todos os que correm!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Matilha.

Anda tudo muito escandalizado com o vídeo da miúda a ser agredida enquanto alguém filmava. Obviamente que condeno todo e qualquer tipo de violência mas parece-me que se está a dar demasiada importância ao assunto. Afinal, segundo tudo o que tenho lido tratou-se de um "ajuste de contas" após a agredida ter insultado ou agredido o autor do vídeo, situação essa que indignou as suas amigas e que as levou a fazer justiça pelas próprias mãos.

Eu nunca andei à porrada com ninguém, não reajo a provocações e nunca senti necessidade de me defender fisicamente. Não gosto de violência, acho-a uma demonstração de inferioridade intelectual. Lembro-me perfeitamente de, num Verão durante as férias aparecer um "forasteiro" na terra, um desconhecido que logo conseguiu "sacar" uma das miúdas mais giras da terra. Isso foi muito mal aceite por um dos nossos, claramente cheio de ciúmes. E ele logo tratou de "mobilizar as tropas" para fazer a folha ao desconhecido. Os dias passaram e as sementes de maldizer logo floresceram para ódio e para sede de vingança. Ninguém sabia ao certo qual o motivo de vingança mas a vontade de andar ao soco era muita. Claro que nós seríamos talvez uns 10 contra um desconhecido...

Até que finalmente, numa noite já com algumas cervejas bebidas, o fulano apareceu no "nosso" café para namorar com a "nossa" miúda. E a tensão estalou quando um dos nossos provocou claramente o desconhecido que reagiu, legitimando assim o ataque da nossa matilha. Felizmente eu não sou de beber e, como já disse não gosto de violência. E coloquei-me ao lado do desconhecido e da sua miúda. Claro que me sujeitei a levar nas trombas juntamente com o outro mas o que aconteceu foi que a matilha desmobilizou. Rosnaram e ladraram mas foram-se embora. Fui ignorado durante uns dias mas depois aceitaram-me de volta. E quem não se lembra de ter assistido a uma "espera" à saída da escola onde um grupo se organizava para bater em alguém que tinha agredido ou insultado um dos seus elementos?

Acho que no caso do vídeo se passou algo semelhante: hormonas aos saltos, sentido de matilha (reparem que são duas contra uma) mas, acima de tudo, uma tremenda falta de educação! Aqueles miúdos não têm certamente um bom modelo em casa, não são "meninos de coro", nem os que bateram nem a que foi agredida. O facto de terem premeditado a situação, de terem incentivado a agressão e, ainda por cima a terem documentado e divulgado só demonstra que se tratam de miúdos estúpidos e muito mal educados. Reparem que os pais da agredida não apresentaram queixa e isso é sintomático. Enfim, é um mau exemplo mas acaba por ocorrer entre uma cambada de bestas acéfalas. O problema que se põe agora é: e se o nosso filho se vê numa destas situações? Sublinho que este exemplo não se tratou de bullying, uma vez que se tratou de uma resposta a uma agressão e como acredito que os bons pais não ensinam os seus filhos a insultar colegas de escola esse problema acaba por não se colocar, não nestas circunstâncias.

Se estivessemos num país decente e uma vez que a PSP já conseguiu identificar todos os envolvidos, a Justiça trataria de punir os agressores e reprimir este tipo de comportamento mas os bandidos que por aí andam (cada vez mais novos pelos vistos) já perceberam que isso é nos EUA.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

É uma Casinha portuguesa, concerteza!

Por incrível que pareça há por aí muita gente que precisa de fazer pela vida. Tudo bem, não se trata de um sonho tão nobre e tão atractivo como ir estudar para Bruges, para o prestigiado College of Europe, para tirar um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies (com este nome até eu quero ir, que raio!) e levar o gatinho, mas por outro lado a maior parte das pessoas tem sonhos menos elaborados, menos sonantes e que não ficam tão bem em reportagens televisivas como, sei lá, encontrar uma fonte de rendimento porque se ficou sem emprego,não anda aí a aproveitar-se da boa vondade das pessoas, leiloando artigos que lhe são oferecidos e colocando o botãozinho "DONATE" na lista de links.

Então, resolvi sair da apatia criativa que sobre mim se abateu nos últimos meses para mostrar solidariedade para com uma amiga e para vos falar do blog dela. Um blog que vive do trabalho e da criatividade da autora, colorido, divertido e com propostas diferentes. Falo da Casinha da Matilde, visitem!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E assim se vira à Direita num país de brandos costumes.

Como as crises revelam o pior que há nas pessoas.

As conversas de café giram em torno do FMI e da crise. E parece salientar-se um denominador comum no que toca a identificar bodes expiatórios quando já não há argumentos para classificar a actuação de Sócrates: os imigrantes. Os pretos, brasileiros, ucranianos. E isto choca-me. Porque se toma o todo pela parte. Se é verdade que os brasileiros são associados ao crime nocturno, não é menos verdade que a maioria será gente honesta e trabalhadora; se os ucranianos, russos, moldavos estão associados à máfia, a maioria será gente explorada por essa mesma máfia em vez de membros activos da mesma; os pretos, mais antigos, ajudaram a construir este país e julgo que a sua fatia na distribuição da culpa da crise em que nos encontramos não será a maior.

Choca-me mais ainda quando estas pessoas pertencem a um dos povos com mais representatividade em países estrangeiros! Afinal, há sempre um português em qualquer parte do mundo. "Ah, mas os portugueses são gente séria que vai para fora para trabalhar, não é para roubar." como se todos os outros povos viessem para Portugal para roubar a nossa imensa riqueza. Mas, na hipótese de eu estar enganado e se os pretos, brazucas e russos vieram para Portugal para roubar então já chegaram atrasados. Os ladrões, os verdadeiros, são portugueses. Afinal, não podemos deixar os nossos créditos em mãos alheias.


PS: como futuro imigrante não posso concordar com esta visão de quem larga o seu país para procurar o futuro num outro, com melhores condições que o nosso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Guerra de Siglas

FMI acaba com TGV.