terça-feira, 11 de outubro de 2011

A poeira assenta lentamente...

Depois de uma semana de integração "à séria" como nunca tinha visto (trabalho "zero", uma semana inteirinha dedicada à organização da instituição) eis que volto ao campo de batalha onde me sinto melhor: o Serviço de Urgência! Entretanto encontrei casa para a família (que não é assim tão pequena, mas também o preço... upa, upa...) que se vai juntar a mim no final desta semana (tenho estado sozinho num pequeno estúdio). Continuo sem internet em casa e, verdade seja dita, sem grande tempo nem disponibilidade para vir contar as aventuras desta mudança (não tão radical como parece), que são muitas! 

À bientôt!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tipo Telegrama

Oi! Estou moídinho mas vivo! Com todas as coisas que tenho para resolver por terras helvéticas não tenho tempo nem para comer em condicões! Foram tantas as aventuras só nas duas  últimas semanas em Portugal que já tenho historietas para alimentar o blog nos próximos meses.
Até um dia destes! 

(maldito teclado "franciü"...)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Uma bela maneira de ficar bem visto depois de ter impedido uma fila de supermercado!

Ontem fui às compras, naquela cadeia de supermercados da musiquinha irritante. Bom, estava na fila pronto a pagar tudo mas faltava-me um artigo que não encontrara em lado nenhum. Perguntei à menina da caixa: "Peço desculpa, mas já não têm aqueles bonequinhos "Um Bongo", uns que vêm embrulhadinhos num plástico? Costumam estar por aqui neste mostradores à entrada das caixas..." (nesta altura eu estava sozinho naquela fila de caixa) "Uns bonequinhos que vem numa caixinhas?" pergunta ela "Enfim, eles vêm nuns plásticos que estão dentro de uma caixa..." respondo, não certo de estarmos a falar da mesma coisa "Isso agora está ali na secção dos sumos.". Entretanto tinha chegado uma senhora à fila. "Importa-se que eu dê uma corridinha ali aos sumos?" pergunta à recém-chegada que não levanta objecções. Uma corrida rápida pelo corredor e volto à caixa "Não encontrei, deixe lá. Faça a minha conta." mas a menina da caixa chama o segurança "Ò sr. segurança sabe onde estão aquelas caixinha com bonequinhos "um Bongo"? Ali no corredor dos sumos?" Entretanto chegara mais uma cliente à fila... "Aguarde só um bocadinho..." reponde o segurança dirigindo-se ao local dos sumos. E eu já um pouco encavacado por estar a demorar a fila e toda a gente que esperava, três senhoras estavam já atrás de mim! O segurança volta com uma caixa: "Ora cá está!". "Mas não é isto! Isto tem os sumos e um boneco. Eu procuro uns saquinhos que trazem só o boneco.". "Nunca vi isso por aqui!" respondem a menina da caixa e o segurança enquanto uma das senhoras que esperava confirmava a minha versão. "Mas não interessa, eu levo a caixinha com os sumos, não há problema!" A menina faz a minha conta e enquanto eu pagava aparece o segurança com os tais saquinhos com os bonecos lá dentro! A menina da caixa diz-me "Se quiser podemos fazer uma devolução da caixa e leva só o boneco, como queria." mas eu estava já a sentir-me um pouco incomodado pelo tempo que já tinha ocupado ás senhoras que estavam na fila, à espera que eu acabasse "deixe lá, eu levo a caixa." mas a menina insistiu e fez a devolução. "Olhe que não lhe compensa levar só o boneco! Este custa 2.99€ e com os 9 sumos a caixa só custa 3.51€!". "Pois, não compensa! Leve mas é a caixa!" intrometiam-se já as senhoras que esperavam na fila, impacientes. "Pois, assim sendo levo a caixa." Finalmente tinha pago e preparava-me para sair mas achava que tinha de dar uma satisfação a quem tinha esperado...
"Eu peço imensa desculpa  minhas senhoras mas é que eu prometi ao meu filho que lhe levava um bonequinho destes (que ele gosta muito) e não podia chegar a casa de mãos a abanar."
E a resposta foi um longo e sonoro: "Ohhhhhhhhh!" (Julgo que ouvi um "Que querido!" lá pelo meio!) 

Faltam 10 dias.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Psst...

Psst... psst... vão dar um olhinho ao Asas para voar! ...

Obrigado!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Da total ausência da noção de espaço.

Uma das prioridades (ou A prioridade) assim que pise o solo helvético é encontrar uma casa para a família. Claro que estou careca de visitar os sites com as ofertas para aluguer de casas e já tinha constatado duas coisas essenciais: são poucas casas disponíveis; as disponíveis são caras. Definimos que, neste momento poderemos ficar-nos por uma casa apenas com 2 quartos. E então partimos à descoberta da casa ideal, muito embora ainda apenas virtualmente!
Mas, este fim-de-semana ao discutir o assunto com um amigo e enquanto lhe mostrava as ofertas e a sua localização relativa ao hospital onde vou trabalhar e considerando os transportes públicos disponíveis bem como as escolas para os putos e por aí fora, ele sai-se com esta observação: "Mas olha que a maioria destas casas são muito pequenas!", e eu "Pequenas? Pequenas como?", e ele "Então, lembras-te da minha anterior casa?" (claro que me lembro!) "Essa casa tinha uma área total de 60 m2." A casa em questão é mi-nús-cu-la. Eu olho para a lista de casas que tenho à minha frente: 58, 64, 76, 61, 55, 70, 63 m2...
ISSO É O TAMANHO DO MEU RÉS-DO-CHÃO!! Como é que vai ser a vida desta família de 4, dois dos quais rapazes pequenos que fazem tudo menos estar sossegados? Como será a vida numa cozinha do tamanho de uma cabine telefónica? Qual será a sensação de, durante o sono, colocar o braço de fora da cama e conseguir tocar nos meus filhos que dormem no quarto do lado? Como será estar sentado no sofá da sala com as pernas esticadas pelo corredor? E os meus filhos, com apenas um quarto para dois, julgo que terão uma convivência sã mas barulhenta! E convém lembrar que não haverá jardim para enxotar os putos... a não ser que os enxote para as escadas de serviço do prédio... Mas, acima de tudo o que mais me preocupa é a seguinte questão: como é a vida numa casa com apenas UMA casa-de-banho? Digamos que, ao acordar, o banho é apenas a segunda coisa que eu faço no WC...
Portanto, o espaço a e sua ocupação serão preciosos principalmente para quem, como eu está habituado a ter o espaço de uma vivenda (ainda que pequena) e que gosta de se sentir "à larga". Por isso viro-me para a cidade santa de Estocolmo e ajoelho-me rezando ao todo-poderoso deus IKEA, criador de todo o espaço útil de arrumação dos humanos e suas tralhas,  que me dê força e inspiração para sobreviver à gloriosa aventura que me espera. EXPEDIT! (é como dizer "ámen" mas no vocabulário IKEA.)

Faltam 23 dias.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Aicanervos!!!!

Eu realmente gostava de voltar a escrever coisas giras mas... é difícil quando se passa dia após dia em casa! Neste momento chegámos áquele momento em que continuam ainda muitas coisas por arrumar mas todas essas coisas nos fazem ainda muita falta no dia-a-dia.
Só me apetece começar a enfiar tudo nos caixotes...

Faltam 25 dias.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Closure.

"Resolveste a questão do cão? Com quem fica ele?"

Esta questão, colocada pela Marta num comentário ao post anterior, deu-me o pretexto perfeito para abordar uma questão muito sensível para mim: o "dossier" Gastão. Depois de muito hate mail e das mais variadas acusações de insensibilidade e canalhice porque estava a abandonar o meu cão e que não estava a fazer tudo ao meu alcance para o tentar levar comigo, não houve uma única pessoa por entre esses críticos que tenha fornecido uma solução, que se tenha voluntariado para resgatar o coitado do cão das garras de um dono insensível e cruel. Entretanto houve uma pessoa que me contactou e se comprometeu a adoptar o Gastão mas, na hora da verdade, desapareceu. Deixou de atender telefones, não respondeu a mensagens. Inicialmente pensei que talvez tivesse acontecido almas mas acabei por descobrir que essa pessoa está bem através do seu mural do Facebook que não está bloqueado (lição: cuidado com as redes sociais!). Obviamente que essa pessoa não estava obrigada a coisa nenhuma mas um aviso "afinal pensei melhor..." teria sido agradável.
Os meses foram passando e a situação arrastou-se até ao ponto em que começámos a pensar num plano B. E, neste caso, o plano B seria um Hotel para cães. O Gastão ficaria hospedado num hotel até que se encontrasse uma solução mais definitiva. E até já tínhamos tudo acordado com um desses hotéis. Contudo, Gastão é nome de sortudo (foi baptizado com o nome do pato da Disney que tem toda a sorte, o primo do Donald) e a situação acabou por se resolver da forma mais inesperada: a pessoa que me alugou a casa e que vem para cá viver já em Outubro perguntou, no dia em que veio visitar a casa, se o cão também estava incluído! Conversámos seriamente e ficou decidido: o Gastão fica com ela continuando assim na sua própria casa!
Apesar disso, não julguem que vamos deixar de nos preocupar com ele. Continuarei a sentir-me sempre responsável por ele até porque nunca se sabe o rumo que a nossa vida vai levar. Eu sou a prova viva disso mesmo.
Por isso, obrigado à Marta por ter perguntado e obrigado a todos aqueles que se preocuparam genuinamente com o Gastão (e eu sei que foram muitos os que nos tentaram ajudar). Aos outros, aos "defensores dos animais", fanáticos, fundamentalistas, adeptos do "gosto mais dos animais que das pessoas" __________________________ (a completar ao gosto de cada um).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Marcante... mas só por instantes!

Ontem suspendi a minha inscrição na Ordem dos Enfermeiros e entreguei a minha cédula profissional. Continuo a ser Enfermeiro mas agora não em Portugal. Não digo que não senti nada, senti uma leve sensação de desapontamento porque aquela Ordem, que nos devia representar e proteger, assiste num luxuoso cadeirão à fuga dos seus profissionais para outros países. Eles lá patrocinam estudos para relevar as razões desta emigração (razões essas que todos nós conhecemos, sem ser necessário um único estudo) mas não vi um único com acções para diminuir esta realidade.
Mas depois saí para a rua, senti o vento fresco na face e deixei de pensar no meu passado e olhei para o meu presente, imaginando o que pode ser o futuro!
Faltam 30 dias.

domingo, 28 de agosto de 2011

Marcar passo.

Estamos prontos. Depois de tudo o de mais importante estar tratado faltam apenas alguns aspectos mais acessórios a resolver antes de partir. O que quer dizer que neste momento encontro-me numa posição em que pouco mais me resta que esperar. E eu detesto esperar!
Com tudo bem encaminhado em Portugal, na Suíça apenas (este "apenas" entre aspas claro!) o meu posto de trabalho e um sítio para dormir estão assegurados, faltando ainda tudo o resto para que o resto da família se possa juntar a mim. E assim tenho passado muitas (muitas!) horas em frente ao computador a ler de tudo um pouco sobre a Suíça e os Suíços. Já percebi (finalmente) os princípios básicos da assistência na doença, não existe um Sistema Nacional de Saúde como em Portugal mas sim um sistema privado que é alimentado por Seguradoras. Todos têm de subscrever um seguro de saúde e existem várias modalidades de seguros (e vários preços claro!); o sistema bancário é muuuuito mais vasto que o nosso e muito mais complicado também! Para uma simples conta à ordem (que em Portugal é praticamente gratuita) é imensas modalidade e também se paga. Temos de estar muito atentos ao que contratamos com o banco e o simples acto de ir ao Multibanco (na Suíça não existe multibanco universal e cada banco tem a sua própria rede de caixas automáticas) pode sair muito caro se não estivermos atentos; os abonos de família são fixos e muito mais altos que em Portugal (cerca de 200 francos por criança); descobri um estudo que compara o nível de vida entre vários países da Europa e pude constatar que há aspectos em que é mais caro viver em Portugal que na Suíça (serviços de Internet e telefone por exemplo, são mais caros cá!) mas posso afirmar que globalmente o nível de vida na Suíça é cerca do dobro de Portugal. Se considerarmos que os ordenados na Suíça são cerca de QUATRO VEZES superiores...
Mas o que me fez realmente pensar acerca do meu futuro foi um artigo que encontrei, escrito por um francês especialista em recursos humanos e que se dedica essencialmente a estudar a integração dos emigrantes (franceses, mas não só) nas empresas suíças. Esse artigo enumera algumas regras/conselhos para uma boa integração na cultura empresarial (e pessoal) suíça. Saliento estes:

- No trabalho, treine-se para ter (e para inspirar) confiança nos colegas : na Suíça, contrariamente ao que se passa em França (e em Portugal, digo eu!!), as relações de trabalho são baseadas numa confiança recíproca entre empregador e empregado. Não utilizar formalismo excessivo, não demonstrar desconfiança, não ter uma atitude reinvidicativa, respeitar a hierarquia no local de trabalho.

- Adopte a "atitude suíça" face ao trabalho: evite os conflitos, pense "colectivo" e implique sempre a equipa nas decisões, não seja demasiado "familiar" com os colegas, cumpra as suas promessas.

- Atenue a sua cultura francesa, ela é um pouco barulhenta demais para os Suíços (também se aplica lindamente ao Tuga, não acham?): seja discreto, tente não se evidenciar em demasia, escute os outros. 

Estes "avisos" dão que pensar... mas sinceramente, depois de anos e anos a trabalhar ao sabor do vento e das loucuras dos chefes, acho que me vai fazer muito bem trabalhar com linhas directas e muito bem definidas! Faltam 33 dias.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Profissão: Dono-de-casa, desesperado. Ou A Falta que uma Mãe faz.

Facto: estou sozinho em casa com os dois miúdos há dois dias.
Estou acordado desde as 5 e 30 da matina, desde que.  o David reclamou o seu biberão e não mais quis dormir. O Gabriel acordou ás 7. Pequenos-almoços cerca das 8 e o resto do dia consistiu em: seguir o David para todo o lado, tentar que ele dormisse, sem sucesso, separar as guerras territoriais entre irmãos, tentar das alguma atenção ao Gabriel e sair com ele e a sua bicicleta (David no carrinho) para me arrepender logo depois. Almoço, nada de sestas que a vida não está para isso. Mais perseguições, mais gritos, berros e birras, quedas e empurrões. Já não sinto as costas porque o David já só quer colo. Final da tarde, a ausência de sesta começa a produzir os seus efeitos. Infelizmente não se traduzem em sono ou abrandamento da actividade. Pelo contrário, estão ligados à ficha! O jantar passou. nem sei bem como, mas sei que estou cheio de sopa pela roupa toda. Banhos, história, xixi e cama. O João Pestana deve estar de férias. O David parece que dormiu toda a tarde e está "on fire" no seu berço. Atira com a sua almofadinha de dormir e com a chucha e mistura riso com choro num padrão verdadeiramente esquizofrénico. O Gabriel tem medo dos monstros debaixo da cama e exige a minha presença ao seu lado. Ok, Ok. Vai tudo para o meu quarto, Gabriel na minha cama, David ao meu colo. Cedem finalmente. Desço as escadas e contemplo o cenário desolador: a cozinha tem ar de ter sido atacada à granada. Loiça suja por toda a banca, pacotes de leite abertos, o Cerelac na mesa. O chão está cheio de grãos de arroz, manchas vermelhas de ketchup e verdes da sopa. Há relva e folhas do jardim, os meus chinelos, as sandálias dos putos. Há brinquedos espalhados por toda a casa (donde surgiram tantos bonecos?!), cascas de maçã, uma embalagem de iogurte no sofá, guardanapos em cima da mesa da sala.
Acho que devia dar uma arrumadela rápida nisto mas estou demasiado cansado para isso. Parece que levei uma tareia. Vou tomar um café tentando não pisar  nenhum dos brinquedos espalhados pelo chão. É que eu ando sempre descalço pela casa. Além disso, o dia amanhã começa cedo. Aí por volta das 5 da manhã...

Mafarricos.

Dois dias em casa, só eu e os miúdos. Sinto-me como se tivesse sido espancado com um taco de basebol. Obrigado e desejem-me sorte para os próximos dias.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Dilemas, dilemas...

Temos por garantidas as melhores coisas da vida. Nesta altura de férias, em que é comum passar-se algum tempo em hotéis, com mais ou menos estrelas, reconheci finalmente o que mais prazer me dá nos hotéis para além do pequeno-almoço pronto a comer, a piscina e o respectivo bar e o encontrar o quarto arrumado quando o deixámos tão caótico como se uma granada lá tivesse rebentado. E meus amigos, o que mais prazer me dá nos hotéis é... encontrar a sanita impecavelmente limpa e bem-cheirosa tooodos os dias!
Existe lá prazer mais básico, subconsciente e primário do que cagar numa sanita limpa? A pele sensível e branca do rabo em contacto com a alva porcelana, o cheiro fresco e limpo que emana do WC Pato, a sensação fresca do contacto do rabo desnudo com o frio do tampo, primeiro aquele arrepio do frio agridoce e depois aquela fusão perfeita entre as nádegas e a sanita onde, ao fim de algum tempo já não se sabe bem onde começa um e acaba o outro... ah, o prazer! E assim devia ser, um direito básico do Homem a uma sanita limpa, cheirosa, brilhante, resplandecente todos os dias, até ao fim dos dias.
Mas enfim, a crua realidade dá-nos chapadas firmes todos os dias. As nossas sanitas não são limpas todos os dias e, crueldade suprema, a vida ensina-nos que não são fadas nem duendes que tratam de dar ao nosso rabo o contacto com a porcelana que ele merece. Não, temos de ser nós próprios a tratar disso. E nós tratamos. Com mais ou menos à vontade, mais ou menos asco, mais ou menos náusea, nós tratamos da nossa sanita. Como eu tratei ainda hoje.
E agora, findo o jantar e tomado o belo café laxante vejo-me diante deste dilema, encurralado entre duas questões que se excluem mutuamente. Preso entre a perspectiva animadora e gulosa de sentar o meu belo rabo de pele branca naquela alva porcelana resplandecente e aí mesmo satisfazer um dos prazeres mais básicos de todos os Homens e, por outro lado, cagar aquilo tudo outra vez!
Era tão mais fácil se existissem umas fadas-madrinhas...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Girls night out.

Foram assistir ao concerto onde deve ter ocorrido a maior concentração de trintonas/quarentonas adolescente-saudosistas. I wanna lay you down in a bed of roses... mas os espinhos são coisa para te dar cabo das costas!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

É de cortar os pulsos com uma lâmina pequenina e romba.

Detesto, abomino mas acima de tudo não entendo o conceito do cartão "Viva Viagem" para os transportes na Grande Lisboa. Sinceramente, dá vontade de..... AHHHHHH.
Vejamos: trata-se de um cartão, um bilhete, uma merdinha de um rectângulo de papel magnetizado que supostamente (e aqui o "suponhamos" é muito importante) e segundo que é publicitado, facilita o usufruto dos transportes colectivos em Lisboa. Em teoria compra-se o tal papelinho (50 cents só o rectângulo!) e depois carrega-se com viagens e siga! Nada mais errado. Então, eu que raramente ando de transportes, chego ao "cacilheiro" e compro 2 viagens. Primeiro, entro na barcaça e saio no Cais do Sodré e dirijo-me à bilheteira do Metro e solicito o carregamento com mais duas viagens, desta vez para o dito metro. "Ah e tal não porque este bilhete já tem viagens do cacilheiro e assim é impossível e tem de comprar outro cartão e carregar com viagens do metro." Hmm? Diga? Então e não há alternativa? Sei lá, um bilhete que dê para todos os transportes? "Ehhhh, há um bilhete diário para turistas mas custa para lá de uma pequena fortuna." Ah pois é... Mais dois bilhetes (mais um euro em papel!) e já vão quatro rectângulos verdes (2 cacilheiro + 2 metro). E siga.
Entretanto ponho-me a pensar: "Peraí! Então se um gajo quiser ir na CP até Cascais ou ir no eléctrico até ao Castelo de S. Jorge... são mais 2€ em mais dois bilhetes num total de 6 (!) bilhetinhos verdes, todos igualinhos que ás tantas um indivíduo já não sabe qual é o do metro e qual o do barco e tem que passar todos na merda da máquina que lê os malditos?! Nãããã..." E procuro melhor e encontro o "Cartão Zapping". O que, dito assim, parece que é um cartão diferente. Não é. É a mesmíssima coisa, um rectângulo verde igual aos outros todos que se carrega com DINHEIRO e não com viagens! Genial. Portanto, os génios que imaginaram este esquema decidiram que existe diferença significativa e inconciliável entre VIAGENS e DINHEIRO!!! Génios é o que vos digo!
Mas como já estava farto de tantos bilhetes verdes (e feios ainda por cima) distribuídos por todos os bolsos (metro no bolso direito, barco no bolso esquerdo, carris no bolso de trás que aquilo são todos iguais e um homem tem que se orientar de alguma maneira!) vai de comprar mais dois papelinhos (1€ portanto e carregar com dinheiro, não com viagens, dinheiro. E siga. Na volta para a margem sul já que estávamos perto de um comboio fertagus e tínhamos o bendito cartão zapping, decidimos regressar de comboio. E a porcaria do cartão nada de ser aceite pela maquineta de validação. "Olhe, ófaxavor, senhor da bilheteira. Isto parece que há aqui sarilho porque a máquina não lê isto e eu ainda agora meti dinheiro no zapping." E ele responde: "Ah isso é zapping? Pois, dá em todos os transportes menos no comboio da ponte..."

P****** que pariu pá!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Perspectivo uma vasectomia.

Estou de férias. Quer dizer, afirmar que estou de férias é mentir. Estou em casa, digamos. E estou em casa ocupado a empacotar toda a casa e a agrupar os respectivos pacotes de tralha acumulada ao longo dos últimos anos em várias categorias: "levar", "vender", "dar", "lixo". Pelo meio dou asas ao trolha que há dentro de mim (fiz um pequeno estágio no Instituto do Balde de Massa mas chumbei categoricamente na categoria de "servente de pedreiro") e vou preparando a casa para as pinturas que irei levar a cabo nos próximos dias. Limpar paredes, aplicar massa nos furos e fendas, adesivo nas portas e cerâmicas para não pintar o que não devo. E isto tudo estaria muito bem não fosse o pequeno pormenor: OS PUTOS ESTÃO EM CASA!!! O que quer dizer que, na prática tudo o descrito acima é feito quando eles estão na sesta o que, convenhamos, faz com que tudo se processe muuuuito devagar.
Resumindo, estou escavacado! O Gabriel quer brincar com o pai, correr com o pai, jogar à apanhada com o pai, ás escondidas com o pai, todo o dia é tempo de brincar. Já o David, ahhhh o David, 12 meses de energia que não cessa nunca, ele anda pela casa, para cá e para lá e depois para lá e para cá, ele trepa para cima das cadeiras e daí para cima das mesas, para cima do sofá, para cima do móvel da sala e quase para cima da TV, ele trepa para estante aos quadradinhos do IKEA e enfia-se num dos quadradinhos feito bibelôt humano, e ele sobe escadas... para apenas voltar a descer depois de lá chegar acima! Sobe de depois desce, sobe e depois... desce. Sobe, fica um pouco no quarto e depois desce. E quando contrariado contorce-se, esperneia e deita-se no chão o sacaninha! Nem uma palavra sequer emite e já faz birras. Deixo-o o no chão a contorcer-se e ele, quando se apercebe que está a pregar aos peixes, levanta-se, procura-me e vai de iniciar a birra novamente! Entretanto as minhas brincadeiras com o Gabriel são constantemente interrompidas o que faz com que ele, para reclamar a sua parte de atenção, se transforme numa espécie de Homem-Aranha misturado com Superhomem arraçado de Hulk. Resultado: só se vê um vulto a voar e a seguir um estrondo que significa destruição! Inevitavelmente, são cada vez mais frequentes as brigas (físicas digo-vos eu!) entre os irmãos...
Juro por todos os santinhos, pelos putos arraçados de mafarricos que pulam, correm e gritam aqui por casa, que preferia trabalhar 16, 24 ou até 48 horas consecutivas. Estaria muito menos cansado! Garanto que me dói o mais pequeno músculo do meu corpo (aliás, não imaginam o sofrimento que está a ser escrever este texto!) e agora, a dormir, parecem dois anjinhos.... E toda esta experiência que relato é só metade, a outra metade é a parte da Mariana!

E pensar que ainda faltam 2 meses e meio até voltar ao trabalho...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

De pantanas!

Cada vez mais se aproxima a data de partida e cada vez tenho menos vontade de trabalhar porque estou demasiado preocupado com a desocupação da minha casa. Juro que tenho fortes enxaquecas cada vez que abro os armários da cozinha. MAS DE ONDE É QUE SURGIU TANTA TRALHA??? A sério que não fui eu que enfiei tudo aquilo lá para dentro, deve ter sido alguma entidade paranormal ou um duende ou um poltergeist qualquer. Copos e copos e pratos e travessas e panelas e frigideiras e tupperwaoores e tudo e tudo e tudo. Mais de 90 % das porcarias que lá estão nem sabia da sua existência. E AGORA O QUE FAÇO COM TUDO AQUILO?
A mesma coisa com os livros. Tanto livro e mais livro, romances, ficção, biografias, portugueses e estrangeiros e calhamaços da faculdade. E quando se pensa que estão todos, finalmente, dentro da caixa respectiva, PUMBA, lá aparece mais outro enfiado num canto qualquer! E por falar em caixas, julgo que devo ter alguma árvore de onde nascem caixas de cartão pois elas parecem amontoar-se, cheias e vazias, por toda a casa. Os roupeiros são outro pesadelo! Principalmente os dos miúdos. Como é que gente tão pequena pode ter assim tanta roupa? E brinquedos?? Ui, os brinquedos. São ás centenas e não dão jeitinho nenhum para arrumar
De repente lembrei-me que tenho CD's, objecto que já não utilizo vais para uns anos valentes. Mas pronto, têm valor sentimental e trazem memórias, arranja-se uma caixa pequena e enfiam-se lá os cêdêzitos e marca-se a caixa "CD's FRÀGIL"... menos mal, isso está resolvido. Mas o resto, o resto, meu deus! Pratos, copos, mesas, cadeiras, roupas, roupas de cama, camas e colchões, TV, armários, sofás, brinquedos, livros, toalhas de mesa, electrodomésticos, candeeiros, quadros e tapetes...
A nossa casa começa, lentamente, a esvaziar-se de coisas e a encher-se de caixas de cartão. Guardaremos apenas uma pequena percentagem de tudo o que temos em casa, apenas artigos pessoais e outros com algum valor sentimental. O resto organiza-se em dois lotes: para vender e para dar.
À atenção de Harry Potter, caso leia este blog: podes emprestar a varinha para eu aplicar um feitiço qualquer tipo avada kevadra ou accio ou assim, aqui nas tralhas de casa? Obrigado.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Long live Rock n'Roll!!!

Esta sempre foi uma banda que segui, desde o primeiro album. No início foi a curiosidade de ver como se saía um ex-membro dos Nirvana (banda que venerei para lá do razoável, na minha adolescência) mas depois foi a música. Confesso que estranhei ouvir a voz do ex-baterista dos Nirvana a cantar melodias tão leves, alegres, ritmadas quando estava à espera de ouvir depressão, desespero, raiva pela morte ainda tão recente de Kurt Cobain. Mas Cobain era grunge, era revolta e angústia e isto, isto meus amigos é Rock!
O seu último álbum é, para mim, perfeito. Podem dizer: "os mesmos sons de guitarra, bateria com fartura, o mesmo de sempre" mas não. Há ali algo. O som é puro, rude, cru. Foi um álbum gravado em fita e não em digital. Tudo ali é genuíno, orgânico, puro, original. E trouxe-me tantas sensações antigas, de miúdo vibrante com o barulho das guitarras, a batida da bateria e o ritmo do baixo!  Actualmente, nesta fase boa da minha vida em que me preparo para mudar, tenho a discografia dos Foo Fighters em loop no meu iPod! Nenhum outro som espelha tanto a minha felicidade, a boa onda, a excelente perspectiva. Nem Radiohead, nem Pixies, Cure muito menos.
Nunca fui a um grande festival de verão. Este ano vou ao Alive! ver estes senhores. E que ansioso estou!!! Para quem é fã: o "rockumentário": Foo Fighters - Back & Forth é muito bom.


E para preparar a noite de 7 de Julho, Passeio Marítimo de Algés...



YEAAAAAAAAAHH!!!

Apelo.

Quem conhecer alguém que faça transportes para o estrangeiro pode indicar-me o contacto? Tenho algumas caixas de tralha que preciso enviar para a Suíça.
Merci!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pancadinhas de Amor.

Esta semana, Festa de S. Pedro no Seixal! Por lá andámos divertidos com o mais velho a pedir para andar em tooooodas as diversões e o mais novo fascinado com as luzes e todo o barulho. Mas o mais divertido mesmo foi andar nos carrinhos de choque com o Gabriel! Céus! Há anos que não andava nos carrinhos de choque e já não me lembrava como aquilo é mesmo, mesmo divertido! Todo o ambiente é tão foleiro com os milhares de luzes coloridas, os néons fatelas, as pinturas a plagiarem rascamente tudo o que é marcas e imagens de referência e a música, aiiii a música!, tudo o que é hits orelhudos dos grupos "dos jovens" ornamentado pela batida mais básica das pistas de dança, o que faz com que nos pareça que estamos a ouvir sempre a mesma música, sem intervalos! Mas é isto mesmo a magia destas festas populares, o gosto duvidoso, a tentativa falhada de ser "cool", o exagero das músicas e das luzes. Mas voltando aos carrinhos de choque...
É incrível que o ambiente e as personagens da pista sejam os mesmos de que me lembro, de há 15 anos atrás! Os mesmos grupos de rapazes a contar os trocos para comprar fichas, os mesmos grupos de raparigas a fazerem-se difíceis. Na pista lá andam aos pares, dois rapazes num carro, duas raparigas no outro em que eles as perseguem e tentas abalroá-las o mais violentamente possível! Julgo existir aqui uma metáfora para a relação entre homens e mulheres mas nem sequer me atrevo a desenvolver... Aliás, parece-me que deve ser o único sítio do mundo onde uma pancada lateral (ou frontal!) certeira é uma maneira aceite de dizer "Gosto de ti miúda!". E lá andam elas, alegremente a serem abalroadas à bruta enquanto se fazem fortes e eles, sorriso maroto nos lábios a murmurar "Gostas assim, à força não gostas? Toma!"
Depois, os mesmos personagens de há 15 anos desfilam naquela passerela:
-O Arrumador-de-Carrinhos: o rei e senhor da pista. É o fulano, empregado, que tem como função arrumar os carrinhos abandonados no meio da pista. Mal encarado, não sorri nunca, cigarro no canto da boca. Toda a gente o respeita, ele é o mestre dos carrinhos. É o salvador das meninas cujo carro não anda lançando-se pelo frenesim de carros que correm em todas as direcções e pendura-se no para-choques agarrando-se à barra traseira do carro com um braço e conduzindo o carro com a mão livre, numa posição protectora para as donzelas em perigo. Passa-se se alguém bate contra a fila de carros que ele tão bem alinhou.
- Os Rufias-da-Pista: dois rapazes já no final da adolescência. Sentam-se não no banco do carro mas sim em cima dos encostos traseiros do mesmo. Conduzem como loucos tentando bater o mais violentemante possível contra os carros com as miúdas mais giras. São constantemente perseguidos pelo Arrmador-de-Carrinhos, que desafiam.
-As Miúdas-Mais-Giras-da-Pista: duas raparigas, giraças, conduzem de nariz empinado e não perdem nunca a postura por mais vezes que as atinjam. Acabam por ir-se embora, enfadadas porque já nenhum rapaz lhes liga.
- O Pintas: um gajo claramente já trintão mas que gosta de passar por adolescente. Nunca tira os óculos de sol, gira pela pista e não gosta de ser tocado. Sorri maliciosamente para as adolescentes que se agrupam nas laterais da pista. Passa a noite dentro do carrinho porque não quer ir para casa da mãezinha com quem partilha a cama.
- Homem-Trintão-Agarrado-a-Filho-Pequeno: diverte-se mais do que o filho. O pequeno vai muitas vezes com um ar aterrorizado. (ora aqui está um retrato que me parece demasiado familiar...).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Je suis, tu es, il est...

Nos últimos tempos tenho dedicado algum do meu tempo a estudar o Francês. Aliás, a minha companheira mais próxima nos últimos dias tem sido a Gramática Essencial do Francês que, neste caso, foi traduzida do Alemão! Confusos? Pois.
Mas enfim, ando perdido por entre o Imparfait, o Conditionnel, o Subjonctif e o Gérondif. De vez em quando encalho nas terminações e liaisons e não percebo porque é que aquele verbo está conjugado daquela forma. Farto-me de ler artigos sobre Portugal e sobre os Portugueses na Courrier International e isso é bom porque percebo qual a imagem que os estrangeiros têm acerca de nós! E tenho a enervante tendência de traduzir automaticamente para o francês (por vezes em voz alta!) tudo o que esteja a ler. Dou por mim a pensar "como é que se diz isto em francês" e a fazer contas de como se constrói o presente do conjuntivo: será o radical do presente com as terminações do imperfeito ou o radical da terceira pessoa do plural? Nem uma coisa nem outra, já estou a confundir esta merda toda outra vez...
Imgaino como serão os meus dias lá, a falar uma língua adoptada. Sinto que é muito cansativo falar numa língua que não é a nossa, o cérebro a trabalhar, a fazer as ligações todas e a procurar o que vai com o quê! E isto nota-se porque o Português é para nós como respirar, é inconsciente, fazêmo-lo sem nos dar-mos conta disso. Mas o que me preocupa é, para além de me fazer entender o melhor possível e não fazer figura de urso, não trocar presente com futuro e masculino com feminino, como é que raio é que me vou desemerdar num debate, discussão, troca de galhardetes? Porque em português é fácil: "tás é parvo!, isso querias tu agora, vai mazé trabalhar!, mas isso tem lá alguma lógica? Não percebes nada disto vai mazé prá escolinha e se não estás bem muda-te!", percebem a ideia não é? E depois ponho-me a tentar dizer isto tudo em Francês e... "tu es fou! tu voudrais ça maintenant, va travailler! mais il y a de logique? Tu ne sais rien retourne à l'école et si tu n'est pas d'accord tu peux te changer!". Isto não funciona...
Merde.