terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cenário (muito) raro.

São 5 da manhã (quase) e ouvem-se os ponteiros do relógio. Para se ouvirem os ponteiros do relógio numa Urgência é preciso que esteja tudo muito calmo. E está. Há sete doentes na Urgência mas todos estáveis, a dormir. As lampadas à média luz e à minha frente dormitam 4 ou 5 colegas, mal instalados nas cadeiras azuis de escritório, cabeças poousadas nas mesas, embrulhados a lençóis, pernas estendidas, pés descalços. 
Visto assim nem parece o mesmo serviço dos casos graves, dos acidentes e das reanimações. Não parece o sítio onde há sempre movimento, o vai-vem dos enfermeiros, o entre a sai dos médicos, os pedidos e reclamações de doentes e famílias, as macas dos bombeiros que chegam, o telefone das reanimações que toca.
E, visto assim, até se torna um pouco estranho, melancólico até, que o ritmo destas horas de madrugada no Serviço de Urgência seja dado pelo som dos ponteiros do relógio. Mas é booooooom!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ópera ou Heavy-Metal?

Vi num dos episódios de "Grey's Anatomy" (sim, sim eu vejo uma série "de gaja" agora deixem lá isso) uma comparação entre uma ópera e uma cirurgia onde, em ambos os casos, tudo é cuidadosamente preparado e planeado tendo em vista um momento determinado em que a cortina se levanta para dar início ao espectáculo. De uma forma semelhante, o instrutor de um workshop sobre emergência e reanimação descreveu a reanimação ideal como uma orquestra: existe um maestro (o chamado "team-leader", normalmente o médico mais experiente no domínio dos cuidados de emergência) e depois os músicos, ou seja, os outros médicos, enfermeiros, auxiliares e todos os técnicos que possam intervir. Não é nada disso. Uma orquestra presume harmonia, tempo, organização, fluidez, sinfonia...
Esta semana participei numa das reanimações mais... digamos complicada, da minha carreira: senhora, 78 anos cai (atira-se?) do segundo andar (cerca de 10 m) e cai em cima de um carro estacionado na rua. O cenário de chegada é fácil de prever. O ritual do costume: os enfermeiros (eu portanto) são os primeiros a chegar, acendem as luzes da sala, ligam monitores e desfibrilhadores, preparam agulhas e seringas, tubos de sangue, compressas e ampolas de medicamentos. Os médicos vão chegando, assim como os técnicos de RX, os auxiliares. Sente-se a expectativa a aumentar à medida que se aproxima a hora de chegada anunciada e quase que só se ouve na sala o "tic-tac" do relógio que tudo vigia por cima da porta de entrada dos doentes. Sinto-me a aquecer por dentro mas não sei se é aquela blusa de papel verde a as luvas herméticas de latéx ou a adrenalina que sobe de intensidade. Tiro o dossier da gaveta e entretenho-me a organizar os papéis na secretária. Tudo o que é médico de um lado, o que é dos enfermeiros do outro e as requisições de análises e pedidos de sangue para transfusão previamente preenchidos e assinados. Ouve-se o helicóptero que aterra no tecto, mesmo por cima de nós...
A doente chega, os ânimos agitam-se, o cenário é pior que se pensava. Neste momento somos corredores à espera do sinal de partida, enquanto ouvimos o relatório do médico do helicóptero... terminou! Precipitámo-nos para cima da doente.
O líder grita ordens para o resto de nós: "vamos cortar as roupas da doente, transferimo-la para a nossa maca com a maca do heli e passamo-la depois para o nosso plano duro! Já!" nesta altura começo a cortar roupa e o meu colega procura uma veia para canalizar. Entendemo-nos bem nós os dois... a doente está pálida e fria e peço à auxiliar para nos trazer lençóis quentes. Cortamos tudo, os anestesistas monitorizam os sinais vitais, a coisa não está boa, tensão muito baixa, pulso muito alto, mau sinal, sinal de hemorragia. Temos acesso venoso mas não temos débito de sangue para analisar, um dos médicos está a tentar picar uma artéria mas não consegue, uma, duas vezes. A doente continua na maca do heli. "RAPAZES, É HORA DE PARAR COM AS BRINCADEIRAS E PASSAR A DOENTE PARA A NOSSA MACA, AGOORA!" Largamos tudo e fazemos como ele diz, rolamos a doente e a anestesista grita "A DOENTE PAROU, A DOENTE PAROU", massagem cardíaca iniciada. Instintivamente vou buscar os eléctrodos do desfibrilhador (aquelas pás que se vêm na TV já não se usam!) e colo-os no peito da doente, ligo o desfibrilhador, modo manual ligado, a máquina apita ao ritmo da massagem cardíaca "DESFIBRILHADOR PRONTO!" grito. Preparo-me para render o médico que massaga mas o líder diz-me: "vais buscar 4 unidas de sangue O negativo!", "4 unidades de O neg" respondo para confirmar que recebi a informação. E corro até ao depósito de sangue O neg que fica fora do serviço num corredor a caminho da morgue... estranha associação esta.
Chego com o sangue e... primeiro desafio! só utilizei a maquina que aquece o sangue enquanto o transfunde uma vez... foda-se já não me lembro.... na hora certa chega o chefe de equipa de enfermagem. Paramos um momento, olhamos para a máquina tentando isolar-nos do ambiente à nossa volta. Estudamos as tubagens e os encaixes e siga! O sangue começa a ser administrado "2 UNIDADES DE O NEG EM CURSO", "Seguimos para a TAC." Há sangue por todo o lado, na doente, nas máquinas, nas batas nas seringas.
Na TAC, transferimos a doente para a mesa da máquina depois de várias hesitações porque o fio é custo, porque o ventilador alarma, porque o sangue parou de correr. Enquanto a doente faz o vai-vem no túnel da TAC é tempo de um ponto de situação "a doente recebeu adrenalina, dormicum, propofol em curso assim como a noradrenalina. Há duas unidades de O neg em curso mais duas em stand-by...", "Ok. Precisamos de mais 4 unidades de sangue mais 4 de plasma fresco." É a nossa deixa. Cada vez que a máquina para entramos na sala para verificar que tudo corre como é devido mas é difícil identificar em que tudo corre o quê... merda! há ar no tubo do sangue e este não corre! Desconectamos tudo, tiramos o ar cá para fora e recomeçamos. Não corre, algo se passa. Trocamos tubos de sítio, paramos perfusões que fazem soar os alarmes, o ventilador não gosta de ter as tubagens dobradas mas lá encontramos o problema. A doente está pálida e fria.
Seguimos para os Cuidados Intensivos. Falta-me o dossier do doente e faltam-me dois sacos vazios de sangue (temos de os guardar durante 48 horas), alguém os deitou fora. Encontro papéis do dossier espalhados na sala da TAC e o resto do dossier está com um dos médicos. Chegamos á UCIinfusoras, tubos e sacos de soro, trocamos os fios dos monitores e entregamos a doente. Enquanto caminhamos de volta ao serviço, eu e o meu colega, apercebemo-nos que passaram duas horas! Ele tem a farda branca cheia de sangue e eu gozo com ele porque devia ter usado as quentes mas úteis batas verdes descartáveis. Estamos cansados mas com a noção que fizemos tudo certo, na hora certa.
Uma reanimação é como uma orquestra? Nã! É mais como o "mosh" num concentro de heavy-metal!


PS: a doente morreu mais tarde nesse mesmo dia...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pérolas Linguísticas.

Que há muitos portugueses na Suíça já se sabe. Agora que eram TANTOS não fazia ideia! A primeira vez que vim a Lausanne tive a impressão de estar em Lisboa: enquanto passeava nas ruas ouvia algumas línguas estrangeiras que interrompiam o Português! Ele há portugueses por todo o lado: nas ruas, nas obras, nos supermercados, no hospital, nos correios, nos transportes. E isso é fácil de perceber se se souber que vivem cerca de 15 mil portugueses em Lausanne, uma cidade com cerca de 100 mil habitantes.  Sinceramente, quem não trabalhar directamente com o público não precisa de saber falar francês. E isso explica a razão pela qual há tantos emigrantes que falam muito mal a língua do país que os acolhe. E esse sempre foi um tema pelo qual muito me interessei, a Linguagem dos emigras tugas, uma linguagem que só eles conhecem: o Françuguês
Ora eu, tendo crescido numa pequena aldeia onde uma grande parte da população está emigrada e tendo uma grande parte da família em Paris, desde muito cedo que conheço este dialecto dos emigras. O Françuguês é uma mistura de Francês e de Português, onde se utilizam indiferentemente palavras dos dois idiomas numa mesma frase, na mesma conversa e até onde se inventam novas palavras que não existem em nenhum dos dois idiomas. O Françuguês é então um dialecto que dá espaço à criatividade do lucotor e este é alguém que domina na perfeição os dois idiomas (ou isso ou não domina nenhum dos dois, mas esta é uma teoria controversa que não discutiremos). Ainda por esclarecer está a razão pela qual os Portugueses emigrados em países francófonos utilizam este dialecto entre eles, estejam eles em Portugal ou Lausanne, Paris, Genebra ou Limoges. Uma teoria recente atribui este facto a alterações profundas no campo cerebral destas pessoas, que evolui de tal forma que já não é capaz de falar apenas uma língua falando assim dois idiomas ao mesmo tempo.
Exemplos (permito-me a esta liberdade sublinhando o facto que não domino as regras de tão complexa linguagem) que tenho ouvido um pouco por toda a cidade:

- Sr. enfermeiro tenho um pouco de mal à lá téte.
-Venho de passar um fogo rouge.
-Vais ali nettoyer as etageiras que venho de suite.
-Já viste mon chef m'a dit que je não pode ser, je ne peut pas faltar mais vezes, o cabrão. (true story)
- Tu est oú? Espera que j'arrive.

Estes são apenas pequenos exemplos descritos por um leigo na matéria. Mas fiquei deveras siderado, impressionado, rendido com uma conversa que, inadvertidamente, ouvi no refeitório do hospital entre duas empregadas portuguesas. O discurso saltava livremente entre o Português e o Francês começando uma frase num dos idiomas e terminando no outro, palavras eram criadas e utilizadas numa liberdade criativa de fazer corar o maior dos poetas. Aquele discurso foi música para os meus ouvidos e o principal motor deste texto. A minha inspiração! A agilidade mental daquelas senhoras, cujo raciocínio saltitava entre o Português e o Francês tal como abelhinhas esvoaçam de flor em flor buscando o mel, não está ao alcance de todos. Exige prática, investimento, anos de estudo. Actualmente não sou capaz de tamanha proeza, ou falo um idioma ou o outro à vez, mas permito-me sonhar que um dia, talvez um dia. também seja capaz de dominar um dos Símbolos Sagrados dos emigras portugueses: o Françuguês.  

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Em Português nos entendemos!

Uma das diferenças que mais noto em termos de trabalho no dia-a-dia, relativamente a Portugal, é a alegria no trabalho. Não que andemos todos armados em palhaços a pregar partidas uns aos outros, mas que o ambiente seja um pouco mais que só trabalho e conversas de... trabalho! A verdade é que, na sua maioria, os colegas são amáveis, cordiais, prestáveis mas... frios, distantes, impessoais. Por vezes sinto falta de uma gargalhada alta e sincera, da galhofa inconsequente e barulhenta que é tão comum (ok, ok, ás vezes demasiado comum, admito) em Portugal. Por outro lado, exercer a fina arte da piada fácil, do trocadilho evidente, da ironia cáustica é muito mais difícil quando estamos numa Língua que enfim, não é a nossa, por melhor que a dominemos. O que é triste pois quando tenho a sorte de encontrar uma equipa mais galhofeira a maioria das piadas e graçolas, as deles e as minhas tentativas, ficam um bocado "lost in translation".
Por isso é sempre agradável quando me cruzo a trabalhar com outro enfermeiro português do serviço (somos 3). Jovem do Porto há 4 anos na Suíça, fala francês com aquele inigualável sotaque tripeiro e tem um sentido de humor carregado de vernáculo... Estávamos os dois de serviço quando entra um jovem, vinte-e-poucos, nome português, bêbado que nem um cacho, aparentemente inconsciente. Um outro colega, francês, toma conta do caso e volta frustradíssimo dizendo que o fulano não reagia a nada. O nosso colega português chama-me e diz: Queres ver que o gajo acorda já?
E eu "mas vais fazer o quê" pensando logo que ele ia fazer das boas...
Ele entra na Box e, sem aviso, grita ao ouvido do moço: ACORDA CARALHO!!!
O puto levanta-se de um salto e senta-se na cama esfregando os olhos para os abrir à força. Olha para nós, observa-nos por um pouco e depois diz, vos enrolada pelo àlcool:
- Ohhh, ohhh... Foooda-se, pensei qu'era o meu pai....
E com esta se deitou e voltou a adormecer!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cá está! Já andava para mudar a imagem do perfil há uns meses, desde que cheguei aliás. Na verdade, a foto antiga já não reflectia bem a actualidade deste blog. Porque foi tirada em Portugal, num lugar e num tempo onde já não me encontro. Curiosamente, também foi tirada num corredor! Devo ter uma tara por fotos em corredores...
Esta imagem (que, devo confessar, acho que ficou porreirinha!) também é tirada nos corredores das Urgências onde agora trabalho. Desde o primeiro dia que reparei num objecto que nunca tinha visto em Portugal e que, na verdade, reflecte a preocupação dos Suíços com a segurança: trata-se de um semi-globo espelhado que, fixo no tecto, permite que vejamos a circulação nos corredores vizinhos evitando assim acidentes. Mas para mim, sempre que me via reflecido naquele espelho via a minha nova vida, a minha nova experiência e o meu novo futuro. Na verdade, se bem que na imagem pareça que estou parado numa encruzilhada, o que sinto é que tenho muitos caminhos à minha frente! Posso ir em frente, virar à esquerda ou à direita... mas nunca voltar atrás!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A bem do País...

Descobri por acaso este vídeo e quero acreditar que a produção do mesmo quis fazer mais uma coleção de cromos assim ao estilo do "Ídolos". Também quero acreditar que este bando de anormais não é representativo dos universitários portugueses...

domingo, 15 de janeiro de 2012

A ver se mudo a foto do perfil...

O que é Nacional...

Nunca gostei de alinhar no coro do "o que vem do estrangeiro é que é bom". É certo que também não sou o mais patriota dos Portugueses mas, se há coisa boa nesta história da emigração é poder constatar que afinal de contas eles, os estrangeiros também não é só virtudes! 
Há imensas coisas em que a Suíça está muito atrasada em relação a Portugal. Exemplos: a internet é normalmente cara e muito mais lenta que em Portugal, as ofertas são fraquinhas e muito iguais umas ás outras; enquanto em Portugal existe um verdadeiro internet banking, por aqui dá para ver o saldo das contas e pagar a renda e pouco mais, nem sequer dá para pagar o telemóvel; Multibanco não existe: cada banco tem as suas próprias caixas automáticas que dão para levantar dinheiro e pouco mais; à hora do almoço está tudo fechado e depois das 18h esqueçam as compras; não há creches e ATL em número suficiente; não há casas em número suficiente e não há lugares de estacionamento. Para além de que se paga até o ar que se respira! Claro que depois temos todos os aspectos em que eles são, de facto, melhores que nós mas isso agora não interessa nada.
Mas tudo isto para chegar á comparação que agora, passados 3 meses já posso fazer...
Em termos de Serviço de Saúde a diferença entre Portugal e Suíça está apenas nos recursos. Enquanto em Portugal qualquer dia estamos a reutilizar fraldas descartáveis e a por os doentes a vigiarem-se uns aos outros, por estes lados há material e pessoal com fartura para trabalhar. Já a qualidade dos profissionais... garanto-vos que já vi de tudo por aqui desde pessoal altamente profissional até grandes abéculas que não desejo na minha cabeceira, se estiver doente. Também há lobbys, invejas, grupinhos, preferidos, injustiças e malta a lamber o cú ao chefe. E o chefe (neste caso "chefes" que só no meu serviço são 2 chefes e 5 adjuntos!) também se deixa levar em joguinhos de interesses e políticas. Mas na chamada "hora da verdade" já vi colegas a fazerem merda da grossa, a colocarem em risco o doente e a cagarem-se completamente para este último. Se não fosse a organização, a planificação, a fiscalização (como devem calcular, com tantos chefes a vigiar quase nada passa em claro!) e os recursos, ai, ai...
Em termos de trabalho nós, os Portugueses (é somos três aqui no serviço, com um quarto a caminho) náo ficamos atrás de ninguém! Era só por os Suíços a mandar em nós e garanto que seríamos um dos países mais ricos do Mundo! 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A brincar, a brincar...

Ora bem, isto hoje é aproveitar que o Espírito de Natal não quer ninguém doente nem magoado.
Então, dizia eu, hoje lá me apareceu uma velhotinha com um entorse num pé (têm sido ás carradas as entorses já que a neve chegou e aquilo é coisa gira e tal mas escorrega que se farta) e consulta práqui, Rx práli, lá regressou ao seu lar. Estando sozinha no hospital lá empurrei a cadeira da senhora até á recepção das Urgências e pedi que lhe chamassem um táxi. Estacionei-a junto do pinheiro de Natal que alegra um pouco aquele espaço e acabei por lhe dizer:
-Minha senhora, deixo-a aqui ao pé da Árvore de Natal. Olhe, aproveite e leve uma prendinha!
Convém esclarecer que a árvorezeca tinha montes de caixas (vazias, provavelmente caixas de transportar as fraldas) embrulhadas e com lindos laçarotes espalhadas junto a ela.
Até aqui tudo bem, adeus minha senhora bom natal e as melhoras, obrigadinho senhor enfermeiro para si e para os seus também. Volto para o meu local de trabalho e poucos minutos depois toca o telefone.
-Olhe, desculpe lá, mas foi o senhor que acabou de trazer uma senhora de cadeira de rodas aqui prá sala de espera?
-Fui, fui.
-Então e você foi-lhe dizer que ela podia levar um presente da árvore?!?
- Mas foi a brincar... aquelas caixas não tem nada... certo?
- Mas ela acaba de tirar um peluche da árvore! Eu disse-lhe que ela não podia tirar e ela disse-me que você lhe tinha dado autorização.

Nesta altura não consegui evitar uma gargalhada.

- Isto não tem piada! Você não pode dizer essas coisas aos doentes!
-Pronto, pronto... eu trago um peluche lá de casa...
-Não é preciso.

Realmente, estes suíços têm o sentido de humor de um calhau.

domingo, 18 de dezembro de 2011

De volta ao básico.

Neva em Lausanne. Dou por mim muitas vezes a questionar porque raio me sinto tão bem aqui. Nem o clima, nem a Língua (bem, por vezes torna-se cansativo falar Francês o dia inteiro!), nem as diferenças culturais me afectaram por aí além. Perguntam-me muitas vezes qual tem sido a maior dificuldade com que me tenho deparado por aqui e agora, quase três meses depois, a minha resposta é clara: o Síndrome "Big Brother".
Trata-se da observação constante por parte dos colegas, da vigilância informal por parte dos chefes, do escrutínio constante, de ter de provar todos os dias que sabemos o que estamos a fazer. Para alguém com pouca experiência a pressão pode ser positiva, mas para alguém que em Portugal tinha uma posição confortável e destacada na equipa, isto pode ter um efeito pernicioso. O da desmotivação. Por isso trato de fazer tudo bem, confirmar e reconfirmar todos os passinhos dados, ler e reler processos e as notas que eu próprio escrevi, estudar protocolos e directivas, rever técnicas e medicamentos. Coisas que seriam naturais em Portugal, automáticas, aqui são feitas como se tivesse acabado de me formar.
Esta exigência que me coloquei a mim próprio tem tido efeitos muito positivos. Volto ao básico para me tornar num melhor enfermeiro, mais ciente daquilo que faz, com mais informação para decidir. Mas são tantas coisas para ver, para consultar, para saber! É um trabalho de alguma forma frustrante porque não é visível. E é frustrante também porque vejo colegas que estando vários níveis abaixo, em comparação comigo, com a qualidade do meu trabalho (perdoem a imodéstia),  me olham de cima. É o problema de ser o "gajo novo".
Enfim. São agora 23:30 em Lausanne e estou no Hospital até ás 7 de amanhã. Em vez de estar aqui a debitar parvoíces vou mas é estudar!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quem arrisca às vezes f... lixa-se.

Ainda acerca da história de encontrar casa em Lausanne. Se por um lado é difícil encontrar casa, trocar de casa também não é propriamente um "dia de praia" (ei! acabei de patentear a versão portuguesa de "a walk in the park"). Na verdade os contratos são bastante fechados quanto à sua resiliação: temos que avisar o senhorio com 3 ou 4 meses de antecedência relativamente ao final do contrato ou então encontramos um substituto que esteja disposto a ficar com o apartamento, nas mesmíssimas condições que nós. Ora aqui o espertalhão teve o seguinte raciocínio: "bom, se há assim tanta falta de casas na cidade, se tanta gente procura durante tanto tempo, não deve ser difícil encontrar um substituto". E zumbas, toca a procurar casa nova!
Casa nova encontrada, publicidade à casa onde ainda estamos, internet, folhetos lá no hospital e tal e, mais de uma dezena de visitas depois... NÃO HÁ AINDA NINGUÉM INTERESSADO NESTA CASA!!!! Mas tá tudo louco? Então... então mas... uma casinha tão jeitosa? Oh meus amigos, é que hoje já é dia 14 e não me apetecia nada pagar duas rendas no mês que vem! Olha que bela maneira de começar 2012, a pagar...

Iiiirra!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Arrepio, arrepio, arrepio.

Ainda não me aconteceu ter um caso desses. Os meus colegas dizem-me que não é muito comum mas que, infelizmente, acontece. Na verdade, dei-me conta de que na verdade não estou a salvo de, um dia receber uma criança na Sala de Reanimação. Temos um canto da sala completamente preparado para cuidar de crianças, com todo o material em tamanho pediátrico e, na volta de controle de material que fazemos todos os dias também temos de controlar a zona pediátrica. E tocou-me o facto de haver pijaminhas de criança e pequenos "bodys" para recém-nascidos num local tão agressivo, frio e impessoal como aquele. Simplesmente nenhuma criança deveria ter de entrar num sítio como aquele e, acima de tudo, morrer num sítio como aquele.
Sim. Eu escrevi "morrer". E, de uma forma muito suíça (e muito bem, digo eu), existe uma norma institucional de "Como proceder em caso de morte de uma criança na Sala de Reanimação". Tudo muito esquematizado: limpar a criança, vestir-lhe um pijama, organizar a capela mortuária para receber o corpo, informar a família, acompanhar a família. Tudo muito certinho, o que fazer, quando fazer, onde fazer. E nós? Como lidar com a morte de uma criança? Como ajudar os pais a suportar tamanho sofrimento sem que, nós próprios soframos também?
Não estou preparado emocionalmente para lidar com algo assim. Que todos os dias me confronte com a minha própria mortalidade, pouco a pouco vou integrando essa ideia em mim. Que tenha de projectar a mortalidade dos meus filhos (arrepio) na morte violenta de uma criança... Cada vez que me calha fazer o controle da zona pediátrica, nesses dias é quando abraço os meus filhos da forma mais intensa, como se o meu abraço os pudesse proteger. De tudo. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sorte do Caraças, é o que é!

Desde que lhe disse que vinha para a Suíça, a minha cara compincha de escrita Ana C. me disse que achava os Suíços um bocado nazis. É capaz de ter razão.
Por estes lados é muito difícil encontrar casa para morar porque enfim, as casas disponíveis são poucas! E eles recusam absolutamente aumentar a periferia das cidades e ocupar os espaços "verdes", não há cá construção indiscriminada de mamarrachos no meio das montanhas! O que quer dizer que, ao contrário do que se passa em Lisboa, que o centro da cidade de Lausanne (e calculo que das outras cidades também) está cheio. Cheio e vivo! Porque, ao contrário do que se passa em Lisboa, as pessoas vivem no centro da cidade, há mercados e supermercados dentro das cidades, há pequenas lojas familiares, cabeleireiros, os correios, relojoarias, pastelarias, escolas e lojas de skis e a cidade não morre à noite e ao fim-de-semana porque, enfim, a malta mora a 30 km nas Amadoras, Alcochetes e Quintas do Conde periféricas.
O problema é... encontrar uma casa! Quer dizer, todos os dias surgem anúncios de casas para alugar mas aqui o processo de encontrar casa é um pouco diferente de em Portugal. Aqui nós candidatamo-nos à casa! Estranho? Pois. Consultamos os anúncios, visitamos a casa e se interessados, entregamos um dossier de candidatura na agência imobiliária responsável. E esse dossier contém: documentos de identificação, documentos da entidade patronal como contrato de trabalho e os 3 últimos recibos de vencimento, o visto de residência (para os estrangeiros), declaração do "tribunal de dívidas" do cantão onde consta que não devemos nada a ninguém e só fica a faltar uma árvore genealógica até a 10ª geração! Entregamos e... esperamos. O mais certo é não obtermos resposta o que quer dizer: azarito, a casa foi atribuída a um gajo qualquer que não tu!
Mas voltando à conversa dos Nazis: quais são os critérios de atribuição das casas? Ninguém sabe! É ao critério das imobiliárias e dos proprietários dos imóveis. Imagino que o salário auferido deve ser determinante e se houver suíços interessados esses também devem ter prioridade (é uma política cá da casa, dar prioridade aos nativos. E muito bem, digo eu!), o facto de haver crianças também é muitas vezes eliminatório, idem para animais. Mas toooooda a gente me diz que levaram entre 3 e 6 meses a encontrar casa em Lausanne. Pois eu devo ser um gajo com um charme do caraças!
Então não é que encontrei a casa onde estou actualmente ao final da minha 2ª semana de Suíça? "Milagre" exclamaram os meus colegas mais antigos, "sorte de principiante" alvitraram outros, "nunca mais te acontece" advertiram ainda uns terceiros. Pois bem, não estando contente com o meu actual apartamento, eis que me lanço no início de mais uma demanda de um apartamento mais conveniente. E sabem que mais? Ao fim de duas semanas de procura, eis que me ligam de uma imobiliária dizendo "Monsieur Miguel, o apartamento situado na avenida X foi-lhe atribuído". AHAHAHAHAHAHA!!
Um apartamento situado a 5 minutos a pé da escola do Gabriel, a 15 minutos a pé do meu trabalho, com autocarro para o centro da cidade à porta e 3 supermercados, os correios e o meu banco à porta!!!
Bem, se os suíços são um bocado nazis então a minha foto deve dar ares de um certo "arianismo" do alto do meu 1,78m e com os meus loiríssimos cabelos pretos e os meus olhos de um castanho azulado!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Aviso: isto é coisa que vicia!

Começa com um ritual que fazemos todas as manhãs: abrir as salas de Reanimação (onde recebemos situações muito graves, ou seja, perigo de vida imediato) e ligar as máquinas. Ouvir os seus estridentes sons de alarme, calibrar valores, fazer testes de função. E verificar o material, se está presente, se tudo funciona se as coisas certas estão nos lugares certos. E, ao verificar uma check-list onde tudo está esquematizado e listado e ao verificar os protocolos de actuação na Sala de Reanimação, temos a impressão que tudo deverá correr de uma forma planeada e ordenada. Não.
Toca o telefone de anúncio de situação de reanimação. É activado pelo INEM cá do sítio. É um som rouco e alto, uma espécie de alarme de radioactividade que se ouve nos filmes, e que ecoa por todo o serviço. Dois ou três enfermeiros precipitam-se para o atender mas aquele que finalmente responde à chamada entra numa espécie de transe: não diz nada e rabisca apressadamente cruzes e pequenas palavras num pequeno formulário. Finalmente desliga e, trocando de telefone, marca um número e diz algo do género: "Homem, 56 anos, encontrado inconsciente na sua casa, glasgow 3, intubado, instável, chegada dentro de 15 minutos" e desliga. O computador ao qual esse telefone está ligado mostra uma lista dos elementos aos quais a mensagem vai ser enviada: Médico do Serviço de Urgência, Médico dos Cuidados Intensivos, Chefe da Equipa de Enfermagem, Técnico de RX... À medida que essas pessoas vão atendo os seus telefones, os seus nomes passam de vermelho a verde no ecrã.
Cinco minutos antes da hora da chegada do paciente estamos todos dentro da sala, á espera. Sente-se a tensão a aumentar. Já preparei os meus medicamentos de urgência, o material de intubação, os tubos para onde vou colher sangue, as agulhas, os soros. O meu colega ligou o desfibrilhador, o ventilador e também está preparado. Os médicos aguardam, alinhados, em frente à porta de entrada. O doente chega, o pessoal do INEM cá do sítio transmite o que sabe e o que fez e o doente passa para a nossa maca. É o nosso doente agora, precipitamo-nos para ele, cada qual com sua missão. Eu tento picar uma veia para o sangue, para deixar um catéter lado a lado com um médico que tenta picar uma artéria. Empurramo-nos um pouco para tentar encontrar a melhor posição. Não dá, digo-lhe para se afastar um pouco, preciso de espaço. Ele sai de cena. Do outro lado da maca o meu colega já tem o doente ligado ao monitor que apita dando o ritmo cardíaco e também marcando o ritmo das nossas acções. À cabeça do doente, o médico mais experiente (o "Team-Leader) debita informações e indicações para o resto da equipa. Anuncio que tenho um acesso venoso e ele inicia a lenga-lenga da mediçação a dar: "x" miligramas disto, "y" microgramas daquilo, iniciar perfusão de "z" a "x" miligramas/hora. As pessoas atropelam-se na sala, uns que entram com novas informações, outros que saem para enviar o sangue para o laboratório, nós gravitamos à volta do doente, fios enrolados, tubos de soro que se cruzam. Doente estável, ligamos o carro de transporte (uma enorme coluna cheia de máquinas) à maca e lá vamos nós para a TAC, para o Bloco Operatório, para a Cardiologia de Intervenção, para os Cuidados Intensivos. Nos corredores as pessoas encolhem-se à nossa passagem, somos muito e as máquinas apitam e um Ser Humano com tubos enfiados em vários orifícios e ligado a 3 máquinas diferentes impressiona sempre!
Doente entregue no seu destino. Voltamos, arrumamos a sala e repomos o material utilizado, testamos as máquinas e deixamo-las prontas a utilizar. Apagamos as luzes e fechamos a porta atrás de nós. O telefone toca outra vez...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Não foi pêra doce não!

Ora bem, vamos a contas.

Então, no dia 25 de Setembro saí da minha casa na Quinta do Conde com a carrinha atulhada de tralha e fui para casa dos meus pais durante quatro dias para depois voltar para Lisboa apenas com duas malas com 78 kg de roupa e muita esperança no coração. Dois dias acampados em casa de um casal amigo (obrigado Vânia e Luís!) e no dia 1 de Outubro aterramos todos em Genebra às 19 e qualquer coisa (hora local) depois de termos ficado em terra em Lisboa após termos perdido o voo inicialmente marcado. No dia 2 entro no pequeno estúdio que já tinha reservado para mim e fico (com a minha parte das malas) em Lausanne enquanto a Mariana e os putos seguem para o norte da Suíça (380 km e 3 horas de caminho depois), onde se instalam aguardando (im)pacientemente que eu encontre casa para a família. Dia 3 de Outubro começo a trabalhar.
Entretanto, na segunda semana de Outubro acontece um milagre: encontro casa para a família, entrada dia 1 de Novembro (milagre porque é extremamente difícil encontrar casa. São tão poucas que os proprietários dão-se ao luxo de abrir candidaturas às casas: visitamos, entregamos um dossier de candidatura com 50 documentos e esperamos ser seleccionados). Dia 15 de Outubro uma amiga que vive em Lausanne vai de férias para Portugal e empresta-nos a casa até ao final do mês. Lá vem a Mariana com as tralhas e os putos de atrelado Suíça abaixo e lá vou eu com os meus dois pares de calças, as meias e os boxers ainda limpos para o apartamento da nossa amiga.   
Dia 1 de Novembro mudamos finalmente para a nossa casa com as nossas duas malas e os putos de atrelado mas a casa está vazia e então lá vamos á Conforama comprar um sofá e um colchão para nós, um primo da Mariana que mora perto arranjou-nos uma mesa e uns bancos, o meu pai enviou-me uma velha TV Sony e um colchão para o Gabi e o David dorme na cama de viagem (e que bem que dorme!). E lá ficamos nós, os dois e os putos, numa casa  com um sofá e um colchão no chão, uma mesa e cadeiras que não combinam e uma velha TV Sony numa casa que entoa de tanto vazia que está. Duas semanas depois chegam 27 caixas de cartão de Portugal com o resto das nossas coisas! E agora a casa já não entoa tanto porque há caixas de cartão espalhadas por todo o lado. Mas não podemos livrar-nos das caixas por duas razões: primeiro não temos roupeiros nem armários para arrumar as coisas e em segundo porque já estamos a procurar outra casa, já que esta é assim pró carota e está um bocadinho mal situada. E lá ficamos todos com o sofá, o colchão e a velha TV Sony e a casa cheia de caixas de cartão que o Gabriel se entretém a furar com uma caneta.
E assim andamos nós, vendo casas e sendo recusados até que finalmente nos ligam (ontem!) dizendo que ficámos com um apartamento situado a 5 minutos a pé da escola do Gabi, do banco, dos correios e dos 3 supermercados mais significativos do país (tipo Continente, Jumbo e Pingo Doce mas em versão pequena)! Fantástico! Sorte do caraças! O único ponto negativo é que, no espaço de 3 meses vai ser a nossa 6ª mudança de residência: nós e os putos, o sofá, o colchão, a velha TV Sony, as 27 caixas de cartão e mais um móvel de quarto que estava na rua mas em tão bom estado que agora está no meu quarto!
Mas creio que será a última nos espaço de alguns anos...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Lost in Translation

Desde o início que sabia que a língua (neste caso o Francês) ia ser um desafio vital nesta nova aventura. Na verdade já falo francês há muitos anos, o suficiente para manter uma conversa informal de uma forma compreensível e estruturada. Contudo o vocabulário técnico seria sempre um desafio. Mas não estava preparado para as reais dificuldades... Na verdade o vocabulário técnico é muito parecido com o português e quem quer que seja que domine o francês na sua vertente mais geral consegue facilmente dominar o vocabulário técnico. Já falar com os doentes... isso é outra conversa! Não é assim tão evidente receber um doente nas Urgências e descodificar o seu discurso. O que em português é automático passa a ser penoso em francês!
Para já o tratamento formal presume tempos verbais mais complexos para além do presente, passado e futuro. E depois há montes de expressões idiomáticas que não são conhecidas de um não-francófono. Por incrível que pareça dei por mim a pensar e a pesquisar na net como se dizia alguma palavras aparentemente simples como "fezes", "bexiga" e "gémeo" (o músculo), e a encravar no discurso ao descobrir subitamente que não sabia como perguntar ao doente "Então? Os intestinos funcionam bem?". E garanto-vos que tenho recebido montes de olhares intrigados de doentes ou familiares que visivelmente não perceberam um boi do que eu lhes disse!! Por outro lado a maioria dos  doentes utiliza expressões mais coloquiais para se exprimirem. O equivalente em francês a "arriar o calhau", "picha", mijar", "cagar" e coisas dentro desta linha de linguagem! Descobri da forma mais embaraçosa que os dedos têm nomes diferentes dependendo se forem os dedos das mão ou os dos pés! Depois há a questão da entoação. O francês é uma língua muito musical e com pequenas variações nas entoações das palavras e por vezes apercebo-me que os pacientes tendem a repetir algumas palavras que digo mas com entoações ligeiramente diferentes. Os primeiros 15 dias de trabalho foram difíceis na medida em que estava ainda a tentar adequar a minha forma de me expressar em francês.
Eis senão quando recebo um jovem agressivo e numa crise psiquiátrica... a tourada do costume, gritos, montes de gente a segurar o rapaz e finalmente as imobilizações de mãos e pés. Claro que depois de preso o jovem passou a berrar a plenos pulmões "AJUDA, SOCORRO, POLÍCIA" para além de, evidentemente "CABRÕES, FILHOS DA PUTA, CORNUDOS!". Sendo o meu doente, lá o instalei na sua box de urgência (uma espécie de quarto mas sem portas) e tentei acalmá-lo. As coisas até estavam a correr bem até ao momento em que disse uma palavra qualquer que o tipo não percebeu... "Essa palavra nem sequer existe." afirmou o tipo com desdém. E eu reformulei a frase mas já era tarde. Percebendo o meu erro ele começou "Não percebo nada do que dizes... Essa palavra não existe... não percebo nada..." até que finalmente "SOCORRO, SOCORRO, NÃO PERCEBO UM CARALHO DO QUE ESTE GAJO DIZ!! NÃO PERCEBO ESTE TIPO" em altos berros...

Na verdade é uma pena que não haja buracos num serviço de urgência de um país tão evoluído.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Maravilhoso Mundo Novo

De todas as mudanças que a minha vida sofreu no último mês a que mais me marcou foi, sem sombra de dúvida a máquina que distribui as fardas! É assim tipo uma lavandaria gigantesca com todas as fardas de todos os funcionários penduradas, bem lavadas e engomadas. É só chegar, encostar o nosso cartão de identificação ao leitor da maquineta e seleccionar as fardas. Aquilo roda e roda e roda e roda e como num passo de magia... eis que surge um polo branco pronto a usar logo seguido de umas calças impecavelmente limpas! Juro que era capaz de ficar a babar, encostado ao vidro da máquina, a observar o seu funcionamento... mas infelizmente tenho que ir trabalhar!
Depois de 12 horas a bulir, eis que volto à minha adorada máquina de distribuição de fardas, logo depois de me desfardar. Chego devagar e, docemente, introduzo uma a uma as peças que usei durante o dia para logo ler a sua mensagem de despedida: "vêtement reconnu". E eu logo respondo: "Até amanhã lindona!"

JÁ TENHO INTERNET EM CASA CARAMBA!!

sábado, 5 de novembro de 2011

Rapidíssima.

Tinha muitas coisas para contar mas... não tenho tempo! Nem internet em casa aliás! Mas novidades, novidades... o Gabriel começa na nova escola já na próxima semana!
Tirando isso só mesmo o facto de estes teclados QWERTZ me continuarem a irritar.

Volto logo!

(não sei quando, mas volto)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A poeira assenta lentamente...

Depois de uma semana de integração "à séria" como nunca tinha visto (trabalho "zero", uma semana inteirinha dedicada à organização da instituição) eis que volto ao campo de batalha onde me sinto melhor: o Serviço de Urgência! Entretanto encontrei casa para a família (que não é assim tão pequena, mas também o preço... upa, upa...) que se vai juntar a mim no final desta semana (tenho estado sozinho num pequeno estúdio). Continuo sem internet em casa e, verdade seja dita, sem grande tempo nem disponibilidade para vir contar as aventuras desta mudança (não tão radical como parece), que são muitas! 

À bientôt!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tipo Telegrama

Oi! Estou moídinho mas vivo! Com todas as coisas que tenho para resolver por terras helvéticas não tenho tempo nem para comer em condicões! Foram tantas as aventuras só nas duas  últimas semanas em Portugal que já tenho historietas para alimentar o blog nos próximos meses.
Até um dia destes! 

(maldito teclado "franciü"...)