quinta-feira, 14 de julho de 2011

De pantanas!

Cada vez mais se aproxima a data de partida e cada vez tenho menos vontade de trabalhar porque estou demasiado preocupado com a desocupação da minha casa. Juro que tenho fortes enxaquecas cada vez que abro os armários da cozinha. MAS DE ONDE É QUE SURGIU TANTA TRALHA??? A sério que não fui eu que enfiei tudo aquilo lá para dentro, deve ter sido alguma entidade paranormal ou um duende ou um poltergeist qualquer. Copos e copos e pratos e travessas e panelas e frigideiras e tupperwaoores e tudo e tudo e tudo. Mais de 90 % das porcarias que lá estão nem sabia da sua existência. E AGORA O QUE FAÇO COM TUDO AQUILO?
A mesma coisa com os livros. Tanto livro e mais livro, romances, ficção, biografias, portugueses e estrangeiros e calhamaços da faculdade. E quando se pensa que estão todos, finalmente, dentro da caixa respectiva, PUMBA, lá aparece mais outro enfiado num canto qualquer! E por falar em caixas, julgo que devo ter alguma árvore de onde nascem caixas de cartão pois elas parecem amontoar-se, cheias e vazias, por toda a casa. Os roupeiros são outro pesadelo! Principalmente os dos miúdos. Como é que gente tão pequena pode ter assim tanta roupa? E brinquedos?? Ui, os brinquedos. São ás centenas e não dão jeitinho nenhum para arrumar
De repente lembrei-me que tenho CD's, objecto que já não utilizo vais para uns anos valentes. Mas pronto, têm valor sentimental e trazem memórias, arranja-se uma caixa pequena e enfiam-se lá os cêdêzitos e marca-se a caixa "CD's FRÀGIL"... menos mal, isso está resolvido. Mas o resto, o resto, meu deus! Pratos, copos, mesas, cadeiras, roupas, roupas de cama, camas e colchões, TV, armários, sofás, brinquedos, livros, toalhas de mesa, electrodomésticos, candeeiros, quadros e tapetes...
A nossa casa começa, lentamente, a esvaziar-se de coisas e a encher-se de caixas de cartão. Guardaremos apenas uma pequena percentagem de tudo o que temos em casa, apenas artigos pessoais e outros com algum valor sentimental. O resto organiza-se em dois lotes: para vender e para dar.
À atenção de Harry Potter, caso leia este blog: podes emprestar a varinha para eu aplicar um feitiço qualquer tipo avada kevadra ou accio ou assim, aqui nas tralhas de casa? Obrigado.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Long live Rock n'Roll!!!

Esta sempre foi uma banda que segui, desde o primeiro album. No início foi a curiosidade de ver como se saía um ex-membro dos Nirvana (banda que venerei para lá do razoável, na minha adolescência) mas depois foi a música. Confesso que estranhei ouvir a voz do ex-baterista dos Nirvana a cantar melodias tão leves, alegres, ritmadas quando estava à espera de ouvir depressão, desespero, raiva pela morte ainda tão recente de Kurt Cobain. Mas Cobain era grunge, era revolta e angústia e isto, isto meus amigos é Rock!
O seu último álbum é, para mim, perfeito. Podem dizer: "os mesmos sons de guitarra, bateria com fartura, o mesmo de sempre" mas não. Há ali algo. O som é puro, rude, cru. Foi um álbum gravado em fita e não em digital. Tudo ali é genuíno, orgânico, puro, original. E trouxe-me tantas sensações antigas, de miúdo vibrante com o barulho das guitarras, a batida da bateria e o ritmo do baixo!  Actualmente, nesta fase boa da minha vida em que me preparo para mudar, tenho a discografia dos Foo Fighters em loop no meu iPod! Nenhum outro som espelha tanto a minha felicidade, a boa onda, a excelente perspectiva. Nem Radiohead, nem Pixies, Cure muito menos.
Nunca fui a um grande festival de verão. Este ano vou ao Alive! ver estes senhores. E que ansioso estou!!! Para quem é fã: o "rockumentário": Foo Fighters - Back & Forth é muito bom.


E para preparar a noite de 7 de Julho, Passeio Marítimo de Algés...



YEAAAAAAAAAHH!!!

Apelo.

Quem conhecer alguém que faça transportes para o estrangeiro pode indicar-me o contacto? Tenho algumas caixas de tralha que preciso enviar para a Suíça.
Merci!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pancadinhas de Amor.

Esta semana, Festa de S. Pedro no Seixal! Por lá andámos divertidos com o mais velho a pedir para andar em tooooodas as diversões e o mais novo fascinado com as luzes e todo o barulho. Mas o mais divertido mesmo foi andar nos carrinhos de choque com o Gabriel! Céus! Há anos que não andava nos carrinhos de choque e já não me lembrava como aquilo é mesmo, mesmo divertido! Todo o ambiente é tão foleiro com os milhares de luzes coloridas, os néons fatelas, as pinturas a plagiarem rascamente tudo o que é marcas e imagens de referência e a música, aiiii a música!, tudo o que é hits orelhudos dos grupos "dos jovens" ornamentado pela batida mais básica das pistas de dança, o que faz com que nos pareça que estamos a ouvir sempre a mesma música, sem intervalos! Mas é isto mesmo a magia destas festas populares, o gosto duvidoso, a tentativa falhada de ser "cool", o exagero das músicas e das luzes. Mas voltando aos carrinhos de choque...
É incrível que o ambiente e as personagens da pista sejam os mesmos de que me lembro, de há 15 anos atrás! Os mesmos grupos de rapazes a contar os trocos para comprar fichas, os mesmos grupos de raparigas a fazerem-se difíceis. Na pista lá andam aos pares, dois rapazes num carro, duas raparigas no outro em que eles as perseguem e tentas abalroá-las o mais violentamente possível! Julgo existir aqui uma metáfora para a relação entre homens e mulheres mas nem sequer me atrevo a desenvolver... Aliás, parece-me que deve ser o único sítio do mundo onde uma pancada lateral (ou frontal!) certeira é uma maneira aceite de dizer "Gosto de ti miúda!". E lá andam elas, alegremente a serem abalroadas à bruta enquanto se fazem fortes e eles, sorriso maroto nos lábios a murmurar "Gostas assim, à força não gostas? Toma!"
Depois, os mesmos personagens de há 15 anos desfilam naquela passerela:
-O Arrumador-de-Carrinhos: o rei e senhor da pista. É o fulano, empregado, que tem como função arrumar os carrinhos abandonados no meio da pista. Mal encarado, não sorri nunca, cigarro no canto da boca. Toda a gente o respeita, ele é o mestre dos carrinhos. É o salvador das meninas cujo carro não anda lançando-se pelo frenesim de carros que correm em todas as direcções e pendura-se no para-choques agarrando-se à barra traseira do carro com um braço e conduzindo o carro com a mão livre, numa posição protectora para as donzelas em perigo. Passa-se se alguém bate contra a fila de carros que ele tão bem alinhou.
- Os Rufias-da-Pista: dois rapazes já no final da adolescência. Sentam-se não no banco do carro mas sim em cima dos encostos traseiros do mesmo. Conduzem como loucos tentando bater o mais violentemante possível contra os carros com as miúdas mais giras. São constantemente perseguidos pelo Arrmador-de-Carrinhos, que desafiam.
-As Miúdas-Mais-Giras-da-Pista: duas raparigas, giraças, conduzem de nariz empinado e não perdem nunca a postura por mais vezes que as atinjam. Acabam por ir-se embora, enfadadas porque já nenhum rapaz lhes liga.
- O Pintas: um gajo claramente já trintão mas que gosta de passar por adolescente. Nunca tira os óculos de sol, gira pela pista e não gosta de ser tocado. Sorri maliciosamente para as adolescentes que se agrupam nas laterais da pista. Passa a noite dentro do carrinho porque não quer ir para casa da mãezinha com quem partilha a cama.
- Homem-Trintão-Agarrado-a-Filho-Pequeno: diverte-se mais do que o filho. O pequeno vai muitas vezes com um ar aterrorizado. (ora aqui está um retrato que me parece demasiado familiar...).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Je suis, tu es, il est...

Nos últimos tempos tenho dedicado algum do meu tempo a estudar o Francês. Aliás, a minha companheira mais próxima nos últimos dias tem sido a Gramática Essencial do Francês que, neste caso, foi traduzida do Alemão! Confusos? Pois.
Mas enfim, ando perdido por entre o Imparfait, o Conditionnel, o Subjonctif e o Gérondif. De vez em quando encalho nas terminações e liaisons e não percebo porque é que aquele verbo está conjugado daquela forma. Farto-me de ler artigos sobre Portugal e sobre os Portugueses na Courrier International e isso é bom porque percebo qual a imagem que os estrangeiros têm acerca de nós! E tenho a enervante tendência de traduzir automaticamente para o francês (por vezes em voz alta!) tudo o que esteja a ler. Dou por mim a pensar "como é que se diz isto em francês" e a fazer contas de como se constrói o presente do conjuntivo: será o radical do presente com as terminações do imperfeito ou o radical da terceira pessoa do plural? Nem uma coisa nem outra, já estou a confundir esta merda toda outra vez...
Imgaino como serão os meus dias lá, a falar uma língua adoptada. Sinto que é muito cansativo falar numa língua que não é a nossa, o cérebro a trabalhar, a fazer as ligações todas e a procurar o que vai com o quê! E isto nota-se porque o Português é para nós como respirar, é inconsciente, fazêmo-lo sem nos dar-mos conta disso. Mas o que me preocupa é, para além de me fazer entender o melhor possível e não fazer figura de urso, não trocar presente com futuro e masculino com feminino, como é que raio é que me vou desemerdar num debate, discussão, troca de galhardetes? Porque em português é fácil: "tás é parvo!, isso querias tu agora, vai mazé trabalhar!, mas isso tem lá alguma lógica? Não percebes nada disto vai mazé prá escolinha e se não estás bem muda-te!", percebem a ideia não é? E depois ponho-me a tentar dizer isto tudo em Francês e... "tu es fou! tu voudrais ça maintenant, va travailler! mais il y a de logique? Tu ne sais rien retourne à l'école et si tu n'est pas d'accord tu peux te changer!". Isto não funciona...
Merde.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Hoje, pela primeira vez na vida, comprei um bilhete de avião só de ida. Ainda não sei bem o que sentir ou o que pensar...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Carreiras alternativas.

O post anterior não surge do nada, apenas porque me lembrei de compilar todos os esteriótipos associados ao emigra tuga. Nada disso. A verdade é que encontro imensa gente (mais do que consigo compreender) que ao saber que vou trabalhar para a Suíça me pergunta: "Mas vai trabalhar como enfermeiro ou..." deixando a pergunta no ar como que processando as alternativas. E isto mostra um grande preconceito face ao emigrante português! E eu lá respondo "Então...? Pois..." mas com muita vontade de responder algo do género:
"Nã! Enfermeiro? Era o que faltava! Ia lá eu quebrar com gerações de pedreiros, jardineiros, empregados da limpeza, empregados de cozinha, garçons, barmans e porteiros de hotel portugueses que dominam por terras helvéticas. Pfff."
Sem desprimor para nenhuma destas profissões (eu até tenho familiares muito próximos em 4 ou 5 destas profissões lá na Suíça!) até porque em algumas delas se ganha mais que na enfermagem!, mas isto só revela que na mente das pessoas se vais trabalhar para o estrangeiro deve ser para fazer este tipo de trabalhos.  

terça-feira, 21 de junho de 2011

Tentativa parva e provavelmente falhada de reunir todos os esteriótipos do emigrante português.

Hoje sonhei com o futuro próximo! Lá vinha eu em plena autoroute com as fenêtras abertas, na minha linda voiture rebaixada, vidros escuros e um enorme escorpião no vidro de trás. Na rádio o "Meu Querido Mês de Agosto" e os putos lá atrás, sentados no meio das malas, das geleiras, dos chocolates que comprei para a família toda. E no retrovisor um terço e a imagem de Nª Sra.
Eu venho com um enorme fio de ouro, o cabelo curtinho mas com uma melena que me tapa o pescoço. Agora só falo "françuguês": David vien ici e passa-me aí a viande; Gabriel tu vas tomber... eu não te disse que ias caír!!! Vimos passar o mês na nossa maison na aldeia, uma bela maison com 7 quartos, 2 salas, 2 cozinhas, varandas a toda a volta e escadas exteriores. Com a pressa e assim que passo a fronteira e entro em Portugal, toca a acelerar com fartura que aqui não há cá multas como em França e em Espanha e até passo alguns fogos rouge que ninguém viu! Ah, adoro Portugal...
Mas afinal Portugal é um país de merda! As autorroutes são más, as da Suíça são muito melhores! E os portugueses não sabem conduzir. Se fosse na Suíça não esperava tantas horas para ser atendido no banco e no hospital. Na rua não há pubelas e está cheio de lixo no chão. Por isso é que atirei o saco de lixo que trazia no carro desde Paris, afinal isto já está tudo tão sujo que não se nota. O que nos vale é o sol.
Na Suíça não há sol e os suíços são racistas. A comida é cara e não presta para nada. O que vale à Suíça são os francos e as autorroutes para portugal. E agora está na hora de partir, é carregar o carro com vinho, bacalhau, presunto, maças, batatas, cebolas, Vinho do Porto (que a madame minha patroa gosta muito!), chouriços que não há disso lá nas montanhas!
Au revoir e até ao meu regresso!

Falhei algum (esteriótipo)?

domingo, 19 de junho de 2011

Divorciado.

Casei-me com ela em 98. Nunca foi uma relação fácil nem sequer consensual. Duas visões completamente diferentes do mundo. Posso afirmar que foi um casamento por conveniência e em 13 anos de vida conjunta, nunca me senti verdadeiramente confortável naquela situação. Mas enfim, a vida corre, o tempo escoa e fui ficando. Primeiro por medo de um futuro fora daquela rotina, depois por obrigação.
Não me esqueço da angústia que senti no dia do casamento, um sentimento forte e físico que me deixou doente. As mão tremiam, o peito apertava, a testa suada. Mas não havia como voltar atrás. Respirei fundo, enchi-me de coragem e fui em frente! Os primeiros meses foram intensos em sentimentos de ansiedade, repulsa, tristeza, depressão. Mas com os anos, um homem a tudo se habitua. Fiquei, mas sempre com aquele sentimento de que não pertencia ali. Nos momentos menos bons jurava que iria abandonar logo que pudesse. Tentei convencer-me que, com o passar dos anos, iria habituar-me ás condições daquela relação, iria encarrilhar e entrar na rotina mas o passar dos anos, da idade só me veio trazer mais certezas, mais vontade de sair e de mudar. Senti-me cada vez mais preso, mas agrilhoado, diminuido, oprimido.
Tentei sair em 2008 mas não consegui, a Lei estava contra mim. Em 2009 também. Voltava para ela contrariado, o coração apertado, o sangue a ferver, a vontade de partir tudo e fugir. Muitos foram os que me perguntavam porque queria abandonar uma relação de tantos anos, segura, consolidada. Menos os que me encorajaram. Estava furioso com tudo mas respirei e acalmei. Criei este blog e isso ajudou. Vivi estes últimos 3 anos na sombra mas agora acabou.
Casei com a tropa em 98. Treze anos depois estou, finalmente, livre!

Metáforas à parte: entrei para o Exército em 98, estava desempregado e vi ali uma saída. Sempre tinha dito que não queria nada com fardas... Tirei o curso de Enfermagem lá dentro, pago pelo exército e isso colocou-me perante um contrato obrigatório de 8 anos. Ao longo dos anos nunca senti que aquela farda me servisse, senti-me sempre um estranho áquela organização. Para se ser militar tem que se acreditar na organização e na ideologia. Eu nunca acreditei, ainda hoje não acredito. Senti-me muitas vezes frustrado e humilhado mas enfim, é a tropa. Cumpri a minha obrigação e agora é hora de partir noutra aventura. Não posso afirmar que foi uma perda de tempo. Se não tem sido essa a minha opção, não seria nunca quem sou hoje. Aprendi muito e cresci muito nestes 13 anos de exército mas raramente pelas melhores razões. Poderão dizer que o Exército me pagou o curso e me deu emprego e isso é verdade, mas acreditem que o que cobram depois implica juros muito altos: a nossa individualidade e a nossa liberdade. Para muitos isso vale pouco mas não para mim. Se algum militar me está a ler neste momento poderá ou não compreender o que digo. A maioria não compreende e sente-se traído por mim, por ter abandonado a "família militar". É uma pena, mas é compreensível à luz da doutrina militar.
Milhares de vezes imaginei este texto, este dia, o dia em que me veria dono do meu futuro novamente. Não espero que compreendam, todos vós que não conhecem a instituição militar por dentro, mas tinha que escrever isto numa espécie de comunicado ao mundo: estou, finalmente, LIVRE!

DE BORLA!

Parece que está na moda oferecer alfaces e tomates mas nós ESTAMOS A OFERECER LIVROS! Conheçam as BORLAS que estão no Asas para voar!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Estou além.

A novidade ainda não é oficial, foi um passarinho que me soprou ao ouvido... A ansiedade continua cá, apaziguada pela informação informal que tudo se irá resolver dentro do esperado e dos prazos. Mas, tal como Tomé, eu só acredito quando tiver o papelinho na mão!

Deparo-me agora com uma situação que já não vivia há muito, uma espécie de limbo, uma zona intermédia entre o meu passado e o meu futuro. Por um lado tenho de continuar a trabalhar nos sítios de sempre mas por outro, a minha imaginação já não está cá. A minha mente está noutra dimensão, mais à frente no tempo, imaginando o que vai ser, o que vai acontecer, traçando cenários no novo hospital, no novo serviço, na nova casa, no novo país. Como será falar francês todo o dia, todos os dias, como serei recebido e integrado na nova equipa, como será a adaptação ao clima, como será a nossa nova casa? Preocupo-me principalmente com a integração do Gabriel na nova escola com uma língua diferente, com o facto do David ter que ir para uma creche. Penso em tudo o que terei que fazer de novo lá. E estou entusiasmadíssimo com tudo isso!

Mas também tenho montes de coisas para resolver por aqui. Mas com isso não sonho.

Já não estou cá, estou além!

Ui ui ui!

Novidade da boa na praça! Finalmente.

I'll be back... soon!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Desejem-me sorte, ok?

Ouço dizer muitas vezes que Portugal tem dos melhores legisladores do Mundo. Que as nossas leis são muito bem construídas, bem pensadas, melhor escritas. Então porque nos encontramos nesta situação, nesta Torre de Babel onde ninguém se entende? Muito simplesmente porque as leis são dobradas, torcidas, quebradas e ignoradas por quem tem o dever de as fazer cumprir. É por isso que quando vamos à Segurança Social ou às Finanças podemos obter várias respostas diferentes, tantas quantas o número de funcionários a quem coloquemos a questão. Porque as interpretações são dúbias, porque houve uma revisão da lei, porque sim, porque não estou para me incomodar com isso. E mesmo quando mostramos a lei e declamamos ipsis verbis o artigo ou alínea que nos interessa, mesmo assim recebemos como resposta "isso está errado". Temos a suprema arrogância de achar que as leis estão mal feitas, que não se adequam à realidade e, então fazemos como achamos melhor.

É assim com os pedidos de subsídio, na entrega de requerimentos, com as baixas médicas e com as licenças de maternidade. E é assim porque ninguém é verdadeiramente punido. E assim andam os papéis, empurrados de secretária em secretária, devolvidos à proveniência porque a linguagem está mal, porque o artigo está errado porque o papel é do Pingo Doce e o chefe exige que o documento venha impresso em papel Navigator topo de gama. E no final alguém decidiu negar o pedido porque sim. Contra a lei e os direitos de quem pede. Mas que se lixe o que está escrito, quem sabe disto sou eu e se não estiverem satisfeitos queixem-se.

E é por tudo isto que ando ansioso, frustrado, acagaçado. Porque entreguei o requerimento para sair da função pública no dia 6 de Abril e ainda não tenho resposta, porque sei por experiência própria que "eles" passam muitas vezes por cima dos nossos direitos levando-nos a batalhar por um direito que está descrito na lei e a perder tempo e dinheiro. E porque disso depende muita coisa, demasiadas coisas.

E assim peço-vos: desejem-me sorte!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Loucos, deveras!

"Esses Loucos que Correm" por Marciano Durán

Eu conheço-os.
Tenho-os visto muitas vezes.
São especiais.
Alguns saem de madrugada e empenham-se em ganhar ao sol.
Outros apanham o sol ao meio-dia, cansam-se à tarde ou tentam não ser atropelados por um camião à noite.
Estão loucos.
No verão correm, trotam, transpiram, desidratam-se e finalmente cansam-se... só para desfrutar do descanso
No inverno tapam-se, abrigam-se, reclamam, arrefecem, constipam-se e deixam que a chuva lhes molhe a cara

Eu vi-os
Passam rápido ao longo da alameda, devagar entre as árvores, serpenteiam caminhos de terra, trepam calçadas, fazem jogging na curva de uma estrada perdida, fogem das ondas da praia, atravessam pontes de madeira, pisam folhas secas, sobem montes, saltam charcos, atravessam parques, chateiam-se com os carros que não travam, fogem de um cão e correm, correm e correm.
Ouvem música que acompanha o ritmo dos seus pés, ouvem os padeiros e as gaivotas, ouvem os seus batimentos e a sua própria respiração, olham em frente, olham para os seus pés, sentem o cheiro do vento que passou por entre os eucaliptos, a brisa que saiu do laranjal, respiram o ar que vem dos pinheiros e abrandam ao passar em frente ao jasmim.

Eu já os vi.
Não estão bons da cabeça.
Eles usam ténis com ar e sapatilhas de marca, correm descalços ou gastam sapatos
Transpiram t-shirts, usam gorros e medem o seu próprio tempo.
Eles estão a tentar ganhar a alguém.
Trotam com o corpo solto, passam perto do cão branco, aceleram a seguir à coluna, procuram uma torneira para se refrescarem... e seguem.
Inscrevem-se em todas as corridas... mas não ganham nenhuma.
Começam a corrida na véspera, sonham que correm e levantam-se como as crianças no dia de Natal.
Preparam a roupa que descansa sobre uma cadeira, como fizeram na sua infância na véspera das férias.
No dia anterior à corrida comem massa e não bebem álcool, mas são recompensados com ousadia mal a competição termina.
Nunca consegui calcular-lhes a idade mas provavelmente têm entre 15 e 85 anos.
São homens e mulheres.
Não estão bem.

Começam em corridas de 8 ou 10 quilómetros e antes de começar sabem que não podem vencer, mesmo que faltem todos os outros.
Sentem a ansiedade antes de cada partida e alguns minutos antes do início eles precisam ir à casa de banho.
Ajustam o cronómetro e tentam localizar os quatro ou cinco a quem é preciso ganhar
São as suas referências da corrida: "Cinco que correm como eu."
Basta chegar à frente de um deles e será suficiente para dormir à noite como um sorriso.
Usufruem enquanto ultrapassam outro corredor... mas encorajam-no, dizendo-lhe que falta pouco e pedem-lhe para não abrandar.

Perguntam pelo abastecimento de água e ficam irritados porque não aparece.
Eles são loucos, sabem que têm nas suas casas a água que precisam, sem esperar pela entrega de uma criança que levanta um copo à medida que passam.
Queixam-se do sol que os mata ou da chuva que não os deixa ver.
Eles estão mal, eles sabem que há perto a sombra de um salgueiro ou o resguardo de um beiral.
Não as preparam... mas eles têm todas as desculpas para o momento em que atingem a meta.
Não as preparam... são parte deles.
O vento estava contra, não corria uma ponta de vento, as sapatilhas eram novas, o circuito estava mal medido, os que entraram à frente não deixaram passar, o aniversário de ontem à noite, a costura na meia sobre o pé direito, o joelho a trair-me outra vez, arranquei muito rápido, não deram água, no fim ia acelerar mas não quis.
Gostam de começar a correr e quando chegam levantam os braços , porque dizem que conseguiram.
Ganharam mais uma vez!
Eles não percebem que perderam para cem ou mil pessoas... mas insistem que voltaram a ganhar.
São invulgares.
Inventam uma meta em cada estrada.
Ganham a eles próprios, aos que insistem em olhar para eles desde a calçada, aos que os vêem na TV e aos que nem sequer sabem que existem loucos que correm.
Tremem-lhes as mãos enquanto furam a roupa para colocar os dorsais, simplesmente porque não estão bem.

Eu já os vi passar.
Doe-lhes as pernas, sentem cólicas, custa-lhes a respirar, sentem pontadas nas costas... mas seguem.
À medida que avançam na corrida sofrem cada vez mais desfigurando o rosto, o suor escorre pelas suas caras, as pontadas começam a repetir-se e, dois quilómetros antes da meta começam a perguntar o que estão ali a fazer.
Não seria melhor serem um dos sábios que batem palmas da calçada?
Estão loucos.
Eu conheço-os bem.

Quando chegam abraçam-se à sua mulher ou ao seu marido para esconder o puro amor à transpiração do seu rosto e do seu corpo.
Esperam-nos os seus filhos e atá algum neto ou mesmo o carinho de um avô que grita solidário quando eles passam a linha da meta.
Trazem uma placa à frente que pisca e diz: "Cheguei, missão cumprida!"
Apenas bebem água e molham a cabeça, quase se atiram para a relva para recuperar. mas depois param porque são saudados por aqueles que chegaram antes. Tentam atirar-se de novo mas param porque têm de saudar os que chegam depois deles.
Tentam empurrar uma parede com as duas mãos, levantam a perna desde o tornozelo e abraçam outro louco que chega mais suado que eles.
Tenho visto muitas vezes.
Estão mal da cabeça.
Eles olham com carinho e sem lástima o que chega dez minutos depois, respeitam o último e o penúltimo porque dizem que são respeitados pelo primeiro e pelo segundo.
Aproveitam os aplausos mesmo que venham no fim ganhando apenas à ambulância e ao tipo da moto.
Juntam-se em equipas e viajam 200 quilómetros para correr 10.
Compram todas as fotos que lhes tiram e não percebem que são iguais às da corrida anterior.
Penduram as medalhas pela casa para que quem os visite as veja e pergunte.

Estão mal.
"Esta é do último mês" dizem tentando usar o seu tom mais humilde.
"Esta é a primeira que ganhei" dizem eles, omitindo que as distribuíam a todos, incluindo o último a chegar e o polícia de trânsito.
Dois dias depois da corrida muito cedo já saltam por cima das poças, escalam as cordas, movem os braços ritmicamente, acenam aos ciclistas, batem as palmas das mãos com os colegas com quem se cruzam.
Dizem que poucas pessoas, hoje em dia, são capazes de ficar sozinhos - consigo mesmo - uma hora por dia.
Dizem que só mesmo os pescadores, nadadores e alguns mais.
Dizem que as pessoas não estão usufruindo tanto do silêncio.
Eles dizem que gostam dele.
Eles dizem que projectam e fazem balanços, que se arrependem e congratulam, que se questionam, preparam os seus dias enquanto correm e conversam sem medos com eles próprios.
Eles dizem que os outros inventam desculpas para lhes fazer companhia.

Eu já vi.
Alguns apenas caminham... mas um dia... quando ninguém está a olhar, animam-se e correm um bocadinho.
Em poucos meses começam a transformar-se e ficam tão loucos como eles.
Esticam-se, olham, rodam, respiram, suspiram e atiram-se.
Aceleram, abrandam e voltam a acelerar.
Eu acho que eles querem vencer a morte.
Eles dizem que querem vencer na vida.
Estão completamente loucos.

Uma bela e tocante homenagem a todos os que correm!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Matilha.

Anda tudo muito escandalizado com o vídeo da miúda a ser agredida enquanto alguém filmava. Obviamente que condeno todo e qualquer tipo de violência mas parece-me que se está a dar demasiada importância ao assunto. Afinal, segundo tudo o que tenho lido tratou-se de um "ajuste de contas" após a agredida ter insultado ou agredido o autor do vídeo, situação essa que indignou as suas amigas e que as levou a fazer justiça pelas próprias mãos.

Eu nunca andei à porrada com ninguém, não reajo a provocações e nunca senti necessidade de me defender fisicamente. Não gosto de violência, acho-a uma demonstração de inferioridade intelectual. Lembro-me perfeitamente de, num Verão durante as férias aparecer um "forasteiro" na terra, um desconhecido que logo conseguiu "sacar" uma das miúdas mais giras da terra. Isso foi muito mal aceite por um dos nossos, claramente cheio de ciúmes. E ele logo tratou de "mobilizar as tropas" para fazer a folha ao desconhecido. Os dias passaram e as sementes de maldizer logo floresceram para ódio e para sede de vingança. Ninguém sabia ao certo qual o motivo de vingança mas a vontade de andar ao soco era muita. Claro que nós seríamos talvez uns 10 contra um desconhecido...

Até que finalmente, numa noite já com algumas cervejas bebidas, o fulano apareceu no "nosso" café para namorar com a "nossa" miúda. E a tensão estalou quando um dos nossos provocou claramente o desconhecido que reagiu, legitimando assim o ataque da nossa matilha. Felizmente eu não sou de beber e, como já disse não gosto de violência. E coloquei-me ao lado do desconhecido e da sua miúda. Claro que me sujeitei a levar nas trombas juntamente com o outro mas o que aconteceu foi que a matilha desmobilizou. Rosnaram e ladraram mas foram-se embora. Fui ignorado durante uns dias mas depois aceitaram-me de volta. E quem não se lembra de ter assistido a uma "espera" à saída da escola onde um grupo se organizava para bater em alguém que tinha agredido ou insultado um dos seus elementos?

Acho que no caso do vídeo se passou algo semelhante: hormonas aos saltos, sentido de matilha (reparem que são duas contra uma) mas, acima de tudo, uma tremenda falta de educação! Aqueles miúdos não têm certamente um bom modelo em casa, não são "meninos de coro", nem os que bateram nem a que foi agredida. O facto de terem premeditado a situação, de terem incentivado a agressão e, ainda por cima a terem documentado e divulgado só demonstra que se tratam de miúdos estúpidos e muito mal educados. Reparem que os pais da agredida não apresentaram queixa e isso é sintomático. Enfim, é um mau exemplo mas acaba por ocorrer entre uma cambada de bestas acéfalas. O problema que se põe agora é: e se o nosso filho se vê numa destas situações? Sublinho que este exemplo não se tratou de bullying, uma vez que se tratou de uma resposta a uma agressão e como acredito que os bons pais não ensinam os seus filhos a insultar colegas de escola esse problema acaba por não se colocar, não nestas circunstâncias.

Se estivessemos num país decente e uma vez que a PSP já conseguiu identificar todos os envolvidos, a Justiça trataria de punir os agressores e reprimir este tipo de comportamento mas os bandidos que por aí andam (cada vez mais novos pelos vistos) já perceberam que isso é nos EUA.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

É uma Casinha portuguesa, concerteza!

Por incrível que pareça há por aí muita gente que precisa de fazer pela vida. Tudo bem, não se trata de um sonho tão nobre e tão atractivo como ir estudar para Bruges, para o prestigiado College of Europe, para tirar um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies (com este nome até eu quero ir, que raio!) e levar o gatinho, mas por outro lado a maior parte das pessoas tem sonhos menos elaborados, menos sonantes e que não ficam tão bem em reportagens televisivas como, sei lá, encontrar uma fonte de rendimento porque se ficou sem emprego,não anda aí a aproveitar-se da boa vondade das pessoas, leiloando artigos que lhe são oferecidos e colocando o botãozinho "DONATE" na lista de links.

Então, resolvi sair da apatia criativa que sobre mim se abateu nos últimos meses para mostrar solidariedade para com uma amiga e para vos falar do blog dela. Um blog que vive do trabalho e da criatividade da autora, colorido, divertido e com propostas diferentes. Falo da Casinha da Matilde, visitem!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E assim se vira à Direita num país de brandos costumes.

Como as crises revelam o pior que há nas pessoas.

As conversas de café giram em torno do FMI e da crise. E parece salientar-se um denominador comum no que toca a identificar bodes expiatórios quando já não há argumentos para classificar a actuação de Sócrates: os imigrantes. Os pretos, brasileiros, ucranianos. E isto choca-me. Porque se toma o todo pela parte. Se é verdade que os brasileiros são associados ao crime nocturno, não é menos verdade que a maioria será gente honesta e trabalhadora; se os ucranianos, russos, moldavos estão associados à máfia, a maioria será gente explorada por essa mesma máfia em vez de membros activos da mesma; os pretos, mais antigos, ajudaram a construir este país e julgo que a sua fatia na distribuição da culpa da crise em que nos encontramos não será a maior.

Choca-me mais ainda quando estas pessoas pertencem a um dos povos com mais representatividade em países estrangeiros! Afinal, há sempre um português em qualquer parte do mundo. "Ah, mas os portugueses são gente séria que vai para fora para trabalhar, não é para roubar." como se todos os outros povos viessem para Portugal para roubar a nossa imensa riqueza. Mas, na hipótese de eu estar enganado e se os pretos, brazucas e russos vieram para Portugal para roubar então já chegaram atrasados. Os ladrões, os verdadeiros, são portugueses. Afinal, não podemos deixar os nossos créditos em mãos alheias.


PS: como futuro imigrante não posso concordar com esta visão de quem larga o seu país para procurar o futuro num outro, com melhores condições que o nosso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Guerra de Siglas

FMI acaba com TGV.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O problema está sempre no empreiteiro.

Cá está, eis que finalmente se concretiza algo que só os menos atentos julgavam impossível: é chegada a hora do FMI, ou do FEEF, o que na prática é a mesma coisa. Mas afinal que mecanismo é este?

Daquilo que tive oportunidade de ler o processo é parecido ao empréstimo bancário para a construção de uma casa (neste caso, da reconstrução da "casa dos tugas"!): o FMI/FEEF (insisto nesta dupla designação, não vá o Professor Aníbal ler este artigo e ficar zangado) vai libertando o dinheiro em várias fases. Uma primeira fase dá dinheiro para construir das fundações até à primeira "placa" da casa. Nesta fase, lá vem o avaliador do FMI/FEEF verificar a obra e, sim senhor, liberta mais dinheiro para a construção até à segunda "placa", momento em que volta o senhor dos euros verificar a obra e dizer, sim senhor, tomem lá dinheiro para terminar a barraca. E tudo seria simples, o banco empresta dinheiro que paga ao empreiteiro e o credor paga ao banco em suaves prestações até à véspera do seu funeral.

O problema nesta equação é, precisamente o empreiteiro ou seja o sujeito a quem nós entregamos o dinheiro para as obras. No caso em análise esse empreiteiro é o Sr. Engº José Sócrates. Logo à partida, há fortes suspeitas que o senhor se tenha indevidamente apropriado do título de Engº e logo, parece evidente que não deve ser muito competente neste negócio da construção de imóveis. E depois, os imóveis que o senhor projectou numa aldeia qualquer lá no norte também não abonam muito a favor da criatividade e eficácia do senhor. Mas nós, ao bom estilo português lá nos deixámos embalar no discurso meloso e na imagem de vitalidade e mudança e, pimba!, entrega-mos-lhe as rédeas do nosso projecto.

O fulaninho afinal não era empreiteiro nenhum e entrou o no esquema da distribuição do dinheiro por vários sub-empreiteiros em quem confiava. Falhou prazos, ultrapassou orçamentos, utilizou materiais do chinês e deixou a obra por acabar e o projecto finou-se. Culpou os sub-empreiteiros, claro! Ele foi só responsável pelo cimento e pilares e não pode ser responsável se os tipos da confragem falharam, se as loiças do WC não apareceram ou se a cozinha tem as portas empenadas! Nós ficámos agarrados a nada e a Banca mandou-nos à fava, fechou a torneira dos euros, subiu os juros do empréstimo por causa do nosso imcumprimento e certificou-se que mais ninguém nos emprestava ou, se emprestarem que o façam com juros típicos de uma qualquer D. Branca.

Lá vem então o FMI/FEEF. Mas como a obra está a meio e está tudo encravado já não há outro empreiteiro que pegue na obra do senhor Sócrates (que até, muito humildemente, se demitiu do cargo de empreiteiro mas sem antes garantir que vai concorrer ao cargo novamente) o dinheiro vai ser entregue ao mesmo empreiteiro que queimou todo o dinheiro, que falhou prazos, que estoirou orçamentos! Porra. Parece que há aí um novo empreiteiro que se prepara para assumir a obra, um tal de Sr. Passos-Coelho mas que também não deve ser muito bom porque diz que o seu trabalho nos últimos anos tem sido mais atrás da secretária, a fazer projectos e assim, e não percebe nada de construção.

O problema, no meio disto tudo, é dos empreiteiros. É isso e quando aparecerem os senhores do Cobrador do Fraque para reaver o seu investimento. Com juros.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Montanha-Russa de emoções.

Quando inicialmente coloquei a hipótese de sair do país, passaram-se dias de angustias, dúvidas, receios de estar a pensar nas coisas de um ângulo errado, de não estar a pesar todos os factores, da estratégia ser fraca. Depois de tomar, definitivamente essa decisão nada mais me poderia mudar de ideias. Durante a troca de correspondência com o Hospital para a minha candidatura nada abalou a minha fé que seria contratado. Mas assim que pus pé em solo suíço foi assolado por dúvidas e anseios. Que não pertenço ali, que talvez não seja o melhor passo para o futuro dos miúdos, que a cidade não me acolhe como me acolhe Lisboa. No momento em que entei no Hospital tive a firme certeza que estava no sítio onde sempre deveria ter estado.

Ontem recebi os documentos a preencher para a redacção do contrato bem como a lista de documentos que lhes devo enviar. É a concretização inequívoca de um desejo, a conquista do projecto sonhado. E eis-me aqui, preenchendo formulários e questionários, fazendo contas a ordenados recebidos, impostos e despesas, procurando casa na Internet e, ainda assim preso entre um sentimento de alegria, concretização e antecipação da saída e um outro sentimento indefinível, pequeno mas presente que me aperta o peito e que tento conscientemente afastar de mim...


Na verdade, este processo não é para fracos de espírito.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Acontecimento de uma vida...

... este campeonato de futebol! Por uma vez na vida apenas se consegue ver um Clube aviar 5 golos sem resposta ao seu maior rival! E mais raro ainda é ver um Clube fechar as contas do Título em casa desse mesmo rival, na volta do Campeonato. Eu sou Portista porque tinha de ser, está escrito no ADN da nossa família. mas também o podia ser por escolha óbvia. Afinal tenho 32 anos e nesse mesmo período o FC Porto venceu 19 (!!) campeonatos. "Ah e tal, o Pinto da Costa e os árbitros e a fruta..." os argumentos dos aziados, ainda com a nossa superioridade entalada num lugar escuro e estreito, não colam: internacionalmente somos o melhor Clube português com 2 Ligas dos Campeões, 1 Taça Uefa, 1 Taça Intercontinental, 1 Supertaça Europeia e um dos clubes europeus com mais presenças na fase de grupos da Champions. Mas só isso não chega, não num pais com 6 milhões de benfiquistas e com uma imprensa que faz capas com declarações idiotas dos vários treinadores vermelhos e relega para um canto os feitos europeus do meu clube.

Mas nós somos O FC Porto, o melhor clube nacional, o mais organizado, o mais competitivo e hoje, hoje não há como desviar as atenções do que é evidente. O FC Porto veio a Lisboa demonstrar o seu poder, em casa do benfica. O benfica super-equipa, campeão antecipado, antecipado vencedor da Liga dos Campeões, o imbatível, o intransponível, o "ninguém pára o benfica". Se o Porto tivesse sido campeão noutro estádio qualquer estou certo que a primeira página de "A Bola" e "Record", traria a fronha do Jesus afirmando uma qualquer alarvidade sobre a superioridade do benfica. Mas, azar do caralho! O benfica foi atropelado no seu estádio! Levou um banho de bola como na primeira volta, podiam ter levado mais 2 ou 3, não fosse o Falcao estar desinspirado e perderam. E, vergonha suprema, entregaram as faixas ao seu maior rival no seu estádio! Nunca esquecerei esse momento! É nestes momentos que se os Grandes se agigantam. No ano passado a situação era a inversa. O benfica poderia ter sido campeão no Dragão. Não foi.

Vi o jogo no café da esquina da minha rua. Tenho quase a certeza que era o único Portista na sala. E que gozo meu deu ver os semblantes cada vez mais carregados perante a evidente superioridade do Porto. Que gozo meu deu os disparates verbalizados por aquela gentinha, esmagada pela antecipação da humilhação que os esperava no final do jogo. Limitei-me a sorrir para dentro, contive os meus festejos, não queria ferir orgulhos e havia muitos ânimos exaltados. Quando se apagaram as luzes do aviário soltei um "palhaços" num murmúrio demasiado alto que foi ouvido na mesa ao lado que vociferou contra mim.

Mas esse apagão foi muito mais que uma vergonha, do que uma atitude que todo o mundo hoje já viu e já comentou, que toda a Europa condena. Foi a metáfora daquilo que aconteceu ao benfica que foi apagado pelo FC Porto ao longo da época e naquele jogo em particular. Foi talvez o prenúncio das trevas (obrigado pela analogia ao Pinto da Costa) que se vão abater naquele estádio até ao final da época e, quem sabe...

Mas podem apagar as luzes de todos os estádios porque o brilho do azul-e-branco é sempre mais forte!!!


POOOOOOOOORTOOOO!!!

quinta-feira, 31 de março de 2011

A inevitável comparação.

Correndo o risco de parecer estar a "cuspir no prato" a verdade é que as condições que encontrei no hospital onde irei trabalhar, em Lausanne, estão a anos-luz da realidade portuguesa de qualquer hospital, público ou privado. Em infra-estruturas, equipamento e quantidade de pessoal. Se já estava motivado antes de conhecer o sítio, hoje estou ainda mais motivado e ansioso por começar a trabalhar nessa nova realidade. De maneira que, de uma forma que me parece legítima até porque já se vê a porta aberta par um novo futuro, não foi propriamente com a maior das vontades que regressei ao trabalho em Portugal, nas condições e com os meios que são conhecidos.

E eis que hoje, logo no meu primeiro dia de regresso ao trabalho nas urgências recebo a visita de uma "auditoria" por parte de alguns membros da "Comissão de Controlo de Infecção e Gestão de Riscos". Não haveria nada de estranho não fosse o facto de me ter encontrado perante 3 senhoras (enfermeira, técnica "qualquer-coisa" ambiental, e uma engenheira qualquer) que me massacraram a molécula cerebral com a distribuição dos sacos do lixo por cores: preto para lixo urbano, branco para produtos contaminados e vermelho para resíduos orgânicos contaminados. As senhoras passaram o tempo a vasculhar o lixo! Literalmente! "Aqui neste saco branco está um (UM!!) papel de limpar as mãos que devia estar no preto. Neste contentor de agulhar está uma lanceta para glicémia que devia estar no saco branco. Este caixote branco ao pé da torneira devia estar perto" numa atitude mais punitiva que pedagógica. Estes "técnicos do lixo" como eu lhes chamo estão preocupados com pormenores, com um aspecto que todos os técnicos estão carecas de saber. Afinal não é nada mais nada menos que separação de lixo! Mas as críticas surgem sem ter em conta o ambiente em que são feitas, com a inadequação do espaço de trabalho, com a falta de material, recursos ultrapassados e falta de pessoal.

Na verdade, esta atitude sempre me incomodou mas sempre a encarei com um encolher de ombros. Neste momento, depois de ter tido um vislumbre de uma outra galáxia de trabalho, estas coisas vão custar a engolir. Afinal, quem é que quer comer delícias-de-mar quando já se provou lagosta da boa? Vão ser longos dias de trabalho a partir de agora...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ipsis Verbis.

Não sou um tipo particularmente adepto do vernáculo mas admito que tenho os meus momentos putaquepariu. Aliás, esta expressão "putaquepariu" é mesmo a que mais vezes sai disparada pela minha boca antes mesmo que tenha tempo de a travar. Asseguro-vos que foram as agruras da vida que me ensinaram expressões tão pouco elegantes porque, aos meus pais, nunca os ouvi largar semelhantes impropérios na minha presença. Ora acontece que o Gabriel está na "fase esponja" aquela em que é capaz de absorver e debitar ipsis verbis tudo aquilo que ouve os pais afirmar. E tem tendência a preferir as coisas mais giras e gritá-las nas situações mais adequadas, ou seja quando tem público (leia-se amigos, visitas e nos corredores dos supermercados). Assim, optei por libertar as minhas frustrações no trânsito, nas filas do supermercado e a ver a bola com adaptações, digamos "infantis" da linguagem mais brejeira dos adultos. E agradeci a todos os santinhos quando ele, a brincar no parque, caiu e gritou... FÓNIX! FRUTA QUE FLORIU!!!

Lausanne.

Estive em Lausanne a semana passada, a tratar da vidinha. Cidade simpática, ordenadinha e limpinha ou não estive plantada do país dos certinhos. O Lago Léman dá-lhe um certo ar mediterrânico o que é de alguma forma acolhedor para quem viveu os seus melhores anos junto ao mar. Mas o que me surpreendeu foram... os cães!

Sacanas de bichos civilizados! Nos jardins podem andar sem trelas, num espacinho reservado para eles, andam todos à solta a cheirar os rabos dos seus parceiros caninos e nem sequer por uma vez os vi engalfinhados! Fui correr junto ao lago e lá andavam eles a passear junto aos donos ignorando completamente o atleta que, neste caso, está habituado a que lhe ladrem e corram junto dele com ar agressivo. Os cães entram nas lojas e nos cafés e ficam bem sossegados debaixos das mesas ou junto aos pés do dono.

Imaginei-me imediatamente com o Gastão... no jardim iria mijar em cima de todos os que etivessem deitados na relva, ia correr que nem um alucinado, iria cheirar insistentemente os cús dos outros, correr que nem um louco ás voltas na relva. E não iria voltar à minha chamada. Nos cafés o mais certo seria apoiar as patas da frente na mesa e tentar roubar a comida e, mais uma vez, marcar a sua presença com uma belas mijadelas na porta e nos pés da mesa. Enfim, um cão bem português!

Sim, fiquei tão impressionado com os cães suíços que o facto de ter sido contratado ao fim da primeira entrevista é algo que fica completamente em segundo plano...

segunda-feira, 28 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Raptado.

Já passou mais de um mês desde o último texto que aqui escrevi. Para dizer a verdade, acho que esse último nem sequer contou! Se por um lado estou constantemente a lembrar-me do "Cheirinho a éter..." e de todas as pessoas que se dão ao trabalho de o seguir, não é menos verdade que, gosto de escrever o melhor que sei para todos os que gostam deste espaço. Não tenhamos enganos, este não é um espaço de mim para mim, é um espaço de mim para quem aqui vem e me acarinha.
Dito isto, a verdade é que ando completamente assoberbado pela jornada que entretanto se iniciou. O meu pensamento concentra-se em muitas coisas, assuntos mutáveis, planos sempre abertos. A minha energia gasta-se entre planear a ida, preocupar-me com o que fazer com as nossas coisas, e ainda ter vontade de vir trabalhar. O que não é fácil. Com a perspectiva de partir tudo o que está mal, o que corre mal parece ser ainda pior. Concentro-me em tentar que isso não interfira no meu desempenho. Por outro lado tenho investido muito do meu tempo no aperfeiçoamento do meu Francês (e com óptimos resultados, deixem-me gabar!) e como é desgastante passar 4 a 5 horas a marrar a gramática francesa 3 vezes por semana...
Entretanto aproxima-se um momento vital para o sucesso: uma entrevista. Pois é! Tenho já marcada uma entrevista de emprego para o final deste mês. No hospital que eu escolhi e onde gostaria de trabalhar, no serviço que eu mais gosto de fazer (Urgências, o que mais!). Estou super expectante mas também confiante que tudo vai correr bem. Por outro lado, isso significa também que vão haver decisões a tomar, trabalho a desenvolver, contactos a fazer, planificações a re-orientar.
Por tudo isto não tenho energia suficiente para escrever para vós. A minha mente foi "raptada" por todo este processo. As situações de que este blog se alimenta continuam a ocorrer mas, simplesmente, eu estou noutra frequência. Neste momento a minha vida só tem interesse para mim mesmo! Mas voltarei, é uma promessa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu tive um sonho...

... muito estranho!
Aparentemente estava a apresentar-me para uma entrevista de emprego na Suíça, o ambiente muito sombrio, chuva e nuvens muito negras. Saio de um táxi e fico em frente a um edifício velho e sujo. Sou atendido por um fulano feio e seboso e digo que venho para a entrevista. Aparentemente não é ali, o taxista enganou-me. Mas enfim, aparece a responsável pelos Recursos Humanos do hospital que, sorte!, tem o seu escritório ali. Fico siderado quando me aparece esta fulana, com o seu sorrisinho cínico e a sua voz meiga. Diz-me que não é ali e saímos do edifício. Ela entra no carro e diz: "Siga-me" arrancando a toda a velocidade. Eu corro atrás do carro e, estranheza total, consigo acompanhar o ritmo porque há muito trânsito. Chegamos ao hospital que é um palheiro nojento com gente a gemer pelo chão. Apresenta-me a um fulano português qualquer que aparece na TV mas que não consigo identificar. Está ali para um tratamento facial. Depois sou entrevistado no quarto da senhora.
Eis que, de repente estou em... Paris?. Aparece-me um fulano qualquer a falar francês e subo para um escritório com vista para um parque. Estou a ser entrevistado mas, de repente, já não percebo nada de francês, já não entendo a língua e muito menos sou capaz de a falar! Vejo no parque uma velha amiga que entretanto emigrou para Barcelona a passear um carrinho de bebé. Nos jardins do parque há Pierrots a dançar...
Alguém aí que interprete sonhos? Aparentemente estou todo queimadinho...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sem espaço para tudo.

A minha mente está ocupada com um milhão de coisas, inúmeras equações cheias de variáveis estranhas e de resultados incertos. Não há espaço para tudo.
Mas, dito isto, as coisas estão a correr bem!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Porquêêêê?

Após algumas visitas para uma eventual compra da minha casa, a resposta começa a salientar um padrão. É mais ou menos isto: "Miguel, gostamos da casa mas o banco não nãs dá crédito suficiente... lamentamos." ONDE ESTÁ O CRÉDITO FÁCIL, INDISCRIMINADO E DESREGRADO QUANDO PRECISAMOS DELE??
Ora bolas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Prazer na ponta dos dedos!

"Not so fast, you're hurting me..."

AH AH AH AH AH AH AH AH AH!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Regra dos 4.

Sinto-me mal. Realmente mal. Afinal já há quanto tempo não surge por aqui um texto realmente inspirado, realmente engraçado, irónico, tocante, mórbido? Há algum. Aqui há uns dias vi a "TED Talk" com a fulana que escreveu o "Eat, Pray, Love", que não li mas que parece que foi sucesso com direito a filme e tudo. Mas enfim, a senhora falava de bloqueios mentais e de como ultrapassar o medo de falhar no livro que terá a missão espinhosa de ser "o livro a seguir ao universal e aclamado sucesso". Obviamente não sofro desse mal porque best-sellers não são uma coisa que me apoquente mas, por outro lado os bloqueios têm sido frequentes. E acho que isso está relacionado com A Regra dos 4.
Este blog vive essencialmente das minhas experiências pessoais, das minhas interacções com os doentes. Vive das minhas interpretações, dos sentimentos que me invadem nesta ou naquela situação, da descrição das minhas vivências (engraçadas ou nem por isso) nos corredores dos hospitais. Acontece que esta é a altura em que se aplica A Regra dos 4. Nesta altura já ando cansado dos serviços, dos hospitais, dos percursos, dos colegas, dos chefes, das rotinas e dos doentes. Por esta altura já não há pachorra para as discussões, os debates, as queixas. Já estou "no automático", "não estou para me chatear", "cumpro os serviços mínimos". Estou numa de sair o mais rápido possível do serviço. Estou mais irascível, menos tolerante, dói-me a mente só de pensar no trabalho. É a Regra dos 4: 4 anos estive no meu primeiro trabalho e depois mudei; 3 anos e meio estive noutro lado até me chatear com aquilo, estou à mais de 4 anos na Urgência onde trabalho actualmente e vou para os 4 anos no Hospital.
Percebem a ideia geral por trás da Regra dos 4? É isso mesmo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Palácio.

Pessoal!!
Um magnífico palácio com vastos e frondosos jardins por uma verdadeira pechincha!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eis que o tempo escoa rapidamente...

Lembram-se do meu rafeiro adorável? Pois é malta, continuo sem candidatos à altura para a sua adopção... vá lá, toca a procurar, a divulgar a insistir! É que já só faltam 263 dias...

OBRIGADO!

O Estranho Caso das Esposas Irritantes.

A cena repete-se no tempo mudando apenas os intervenientes. Um homem, normalmente em pleno gozo da sua reforma, apresenta-se na nossa triagem:
-Então bom dia! Explique lá o motivo que o traz à urgência.
(a mulher responde) -Olhe Sr. Enfermeiro, ele tem-se sentido muito mal nestes últimos dias, tonto e mal-disposto e não come bem e também não dorme.
-Peço desculpa pela minha pergunta, mas o senhor não fala? Tem algum problema que não lhe permite ser ele mesmo a descrever as suas queixas?
(nesta altura o homem responde com um tímido "Não" mas é logo abafado pela esposa)
-Sabe sr. enfermeiro, ele não sabe queixar-se, não sabe o que tem.
-Mas a senhora sabe? Afinal quem é que está doente? Parece-me que é ele...
-Pois é mas ele não sabe!
Esta última frase é dita no tom inconfundível de "quem manda lá em casa sou eu e por isso eu é que sei o que ele tem" e o marido já olha para a mulher com aquele não menos inconfundível olhar de "chiça mulher, cala-te lá de uma vez por todas! Rais' parta o dia em que me casei contigo, iiiiirra!". E, acto contínuo peço à senhora que aguarde na sala de espera enquanto eu falo com o doente sem ter uma terceira pessoa a traduzir. O que acontece a seguir é ainda mais hilariante (ou irritante, depende do dia em que me encontro!): a mulher prostra-se atrás da porta a ouvir a conversa e interrompe sempre que julga necessário, alvitrando as mais sapientes sentenças "ele a mim não me disse isso, olhe que ele sofre do coração, tem a diabetes alta" entre outras coisas! No final de tudo interroga o já farto dela -marido "disseste que te doía o braço, falaste da próstata, viram-te a tensão, falaste da operação aos testículos em 1940?" ao que o marido responde com um "Siiiiiiiiim mulher..." enquanto rola declaradamente os olhos. Não satisfeita, a mulher dirige-se a mim para aplicar a mesma técnica de tortura por perguntas até à exaustão!
Hoje, a um desses desgraçados, pedi que fosse urinar para um copo para que pudéssemos analisar a urina. O olhar dele quando a mulher, alto e bom som em plena sala de espera repleta de pessoas lhe perguntou "Precisas de ajuda?" foi impagável! Juro que, por um momento, aquele homem teve um impulso homicida!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O futuro ao virar da esquina.

Finalmente começou! Estou entusiasmadíssimo com este ano de 2011. Neste momento preparo o meu Curriculum e tento escolher as palavras e o tom certo para escrever a minha Carta de Apresentação, os documentos que serão o meu "Cartão de Visita", digamos. Entretanto preciso de um profissional que os traduza (alguém conhece alguém?) porque eu, embora fale francês não sou tradutor e convém que essas traduções estejam "limpinhas" para os potencias empregadores.
Depois disso, reactivar contactos feitos em 2008 (o ano em que nasceu a ideia e quando não pude ir, por razões contratuais com o meu actual empregador...), pedir ajuda a amigos que já lá trabalham e pesquisar na internet...
Entretanto, resolver o "Dossier Gastão" (continuamos sem encontrar nenhuma família disponível para ele. Por favor ajudem a divulgar...), tentar vender / alugar a casa, tentar vender / doar os móveis e electrodomésticos (vão passando pelo "Asas para voar!")...
O que é estranho é que passei os últimos 3 anos a ansiar por Janeiro de 2011 e agora, que ele chegou, 10 meses não parecem assim tanto tempo! Por isso não estranhem alguma ausência de textos por aqui... mas a minha mente vai andar ocupada com muitas coisas daqui para a frente!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Por outro lado, 2011...

... será sempre um ano determinante para o resto da minha vida e a da minha família. É o ano da definição do nosso futuro, o ano do sonho! Mas isso será determinado lá mais para a frente, para o meio do ano. Por agora acabo 2010 a trabalhar e a trabalhar recebo 2011. e que isso seja o augúrio que trabalho não me faltará em 2011!

Correndo através de 2010!

Mais do que resoluções, prefiro rever o ano que acaba e relevar coisas importantes. E 2010 foi um ano de viragem no meu estilo de vida: cumpri 1335,91 km em corridas por essas estradas fora!
Nada mau para um tipo com dois empregos!

2010 fina-se a passos largos.

Tenho cá para mim que esta Festa do Revelhão é um bocado exagerada. Pois sim, que festa é festa e é sempre bom beber uns copos e passar a noite a dançar com os amigos mas detenhamo-nos nas razões pelas quais festejamos: o fim do ano no calendário.
Na verdade, para a maioria dos mortais que vibra com a passagem do ano, a única coisa que vai mudar é mesmo o calendário e, no meu caso, também a agenda. No dia 1 está tudo igual. Ok, haverá uma ressaca mas no essencial está tudo na mesma. A nossa conta bancária não aumentou (excepto se ganharam o Euromilhões), não estamos nem mais novos nem mais bonitos, continuaremos a trabalhar no mesmo sítio, o ordenado não aumentou. O Governo continua a ser um grupo de sacanas, a economia arrasta-se, e o desemprego aumenta. Mas, por incrível que pareça, até vai haver grandes mudanças no da 1 de Janeiro de 2011! Os impostos vão aumentar assim como os transportes e as portagens, só para citar alguns, e os ordenados vão diminuir e os subsídios vão desaparecer.
Por isso maltinha, festejem! Festejem a bom festejar e saúdem 2011 com todas as vossas forças. Afinal, 2011 vai trazer-nos a todos muito sexo... porque em 2011 vamos ser fodidos de todas as maneiras e feitios!
5, 4, 3, 2, 1...
VIVA 2011!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Olha, olha, esta agora...

Já se percebeu que, na maioria dos casos, quem comenta nos blogs sob o cognome "Anónimo" é gente estúpida. Estúpida no sentido intelectual da coisa, gente que não estava presente quando Deus-nosso-senhor-todo-poderoso distribuiu a inteligência. Depois, claro, só escrevem é merda.

Portanto, houve um/uma anónimo que comentou o texto imediatamente anterior a este e que afirmou que era ele/ela que me pagava o ordenado por eu ser funcionário público. Quanto a isto só tenho uma coisa a dizer: não seja estúpido senhor/senhora! Se os anónimos deste país pagam impostos, não é menos verdade que eu e todos os outros funcionários públicos também pagamos os nossos, e bem! Se há classe que não foge ao fisco, esses somos nós. O que eu pago de impostos é o equivalente ao orçamento mensal de uma grande percentagem de famílias portuguesas. Por isso, se aqui há alguém que paga alguma coisa a uma outra pessoa, esse alguém serei eu e os outros funcionários públicos que trabalham comigo (já para não falar dos outros!) que pagamos aos anónimos deste país. Pagamos, com os nossos impostos, quando eles estão doentes e não trabalham, pagamos os abonos dos seus filhos (os dos nossos foram cortados), pagamos os seus subsídios de desemprego quando as empresas onde eles trabalham vão à falência, pagamos o seu crédito malparado, etc, etc, etc.

Por isso não me venham dizer que pagam o meu ordenado, argumento que ouço diariamente aliás, o que se só prova que este país está cheio de gente estúpida! E, no caso em particular que dá origem a esta reflexão, o seu comentário está escrito em "linguagem SMS" o que também não abona nada em favor da inteligência de quem escreve.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Rabujice Pós-Natal.

F****-se! São agora 14:30 e já vou com 22h e 30 min de trabalho consecutivo! E o Natal que correu tão bem...
A Urgência, pasme-se, está cheia. E já começaram as reclamações e os insultos, os desabafos de "Só neste País...". Pois bem, porquê só neste país é que as pessoas enchem as urgências? Por duas razões muito simples: em primeiro lugar porque não têm alternativa e, em segundo lugar, porque não querem tomar responsabilidade pela saúde dos seus filhos!
Que merda! Devia haver um Exame de Admissão à Paternidade onde os futuros papás estudassem e debatessem as questões complexas que estão associadas a um filho. Entre elas seriam abordadas as questões relacionadas com a saúde dos putos. Deviam aprender que não se vem ao Hospital assim que o bebé se apresenta com febre e, se o fizerem, ao menos que lhe dêm uma colherada de Ben-u-ron! Deviam aprender que as dosagens dos fármacos aumentam com a idade (ou melhor, o peso) dos meninos. Deviam saber que o melhor remédio para os vómitos é a paciencia (a deles! não a da criança). Deviam saber as medidas iniciais de combate à febre, a dieta para as diarreias. Deviam saber lidar com os "galos" que os miúdos fazem quando caem e batem com a cabeça. Enfim, deviam saber tantas e tantas coisas...
E o que me faz sorrir é que, o mesmo Pai que me bombardeia com os Direitos que lhe assistem e com as complicações que podem ocorrer ao seu filho (informação essa que recolheu, orgulhosamente, na Internet) não aplicou um segundo sequer da sua aturada investigação a aprender como deve um pai lidar com a febre antes de recorrer aos serviços de saúde.
Que eu me lembre, a minha Mãe sempre cuidou destes problemas comuns das crianças nesta altura do ano, as febres, os vómitos, as diarreias, o ranho em barda, em casa. Com muita dedicação e paciência. E Ben-u-rons com fartura aliados ás mezinhas típicas para estas coisas. Mas também, a minha mãe tinha que percorrer muitos quilómetros para ir ao médico, não havia carro e os transportes públicos também não abundavam... creio que a civilização tem o condão de estupidificar as pessoas.
Enfim, é isto. Na minha opinião, a Maternidade/Paternidade não devia ser democrática. Não no sentido em que devia ser possível regular quem e em que altura esse "quem" tem as condições mínimas para ser Pai. Primeiro frequentava um curso, depois propunha-se a exame e finalmente lá tinha o Diploma que lhe dava acesso ao feto, num processo muito académico! Para muitos esta opinião é uma estupidez, uma parvoíce, uma ofensa, admito! Mas, julgando pela amostra de Pais que me é oportunisticamente oferecida dia após dias, ano após ano durante os últimos cinco anos, é uma opinião bem fundamentada.
PS: continuação de boas festas.
ADENDA das 15.15: Uma mulher acaba de me berrar aos ouvidos que "isto tá tudo mal, é uma vergonha!!" ao que eu respondi que sim senhora, isto é uma vergonha e a senhora tem ao seu dispor meios de reclamação que chegarão ás entidades competentes. Resposta: "isso não resolve nada!". E eu pergunto: e berrar aos ouvidos de um desgraçado que está a fazer o seu trabalho o melhor que sabe e pode, resolve alguma coisa? Principalmente porque esse desgraçado não tem poder decisor algum? Vão mas é....

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Isso é tão... 2009!

Para aqueles que não concordaram comigo neste texto, penso que a minha opinião não ficou suficientemente vincada. Depois vi este anuncio e pensei: "É mesmo isto!". Trata-se de Alma, meus caros, trata-se de Classe, Elegância, Maturidade...


sábado, 18 de dezembro de 2010

A Última Folha.

É cíclico. Todos os anos o meu ano acaba no final de Dezembro. O meu ano acaba no momento em que é publicada a escala de Janeiro do ano seguinte. E é nessa altura que eu revisto o ano que acaba. Desfolho a agenda, velha, dobrada, riscada e rabiscada e relembro o que de bom e de mau se passou no ano que se prepara para findar. O que salta à vista em primeiro lugar é o padrão sequencial de cinco letras maiúsculas: M T D N F. Todos os dias da agenda têm uma destas letras escrita. Manhã, Tarde, Descanso, Noite, Folga. Muitos M e T, menos N e ainda menos D e F! Depois uma cruz em cima da letra originalmente escrita e, ao lado, uma nova letra registada. A guerra das trocas dá nisto. No mesmo dia duas letras, em muitos dias, demasiados dias. As combinações são MT, TN, MN. Turnos duplos, foi-se a folga! Reparo que me fartei de trabalhar no ano que termina agora! Enfim, já nem me apercebo disso, a rotina é traiçoeira mas a Agenda não engana.
Depois, entremeando esta alfabeto com cinco letras, os compromissos fora do trabalho. Maioritariamente "consulta Gabriel", "vacinas David", "exame Mariana" e menos, muito menos "almoço com X", "jantar com amigos", "festa de aniversário do Z". Este ano apareceu um outro evento bastante recorrente na agenda "meia-maratona da ponte", "corrida do tejo", "meia de Lisboa", com o inevitável assinalar dos dias antes da prova para receber o dorsal.
Por isso, a minha agenda é uma extensão de mim, da minha vida. Trata-se de um instrumento indispensável para organizar o meu dia, a minha semana, o meu mês. É uma espécie de Tetris em papel onde o objectivo é encaixar todos os eventos por forma a que não haja sobreposições. A diferença é que, aqui, as peças não desaparecem e acumulam-se. Por esta altura, é raro lembrar-me de algum compromisso que não esteja devidamente assinalado na agenda. Se não está escrito é porque não existe! E também não combino nada sem consultar a agenda que se torna, assim, numa espécie de oráculo que orienta a minha vida. Sou um escravo da minha agenda!
Por isso, a cada ano que acaba uma nova Agenda toma o lugar da velha, na mesma medida em que um novo ano toma o lugar do antigo. Como o novo ano, a nova agenda é mais bonita que a antiga, mais limpa, mais leve, mais apetecível enquanto a velha agenda está gasta, riscada, cansada, pesada, acabada assim como o novo ano. Mas todos os anos a nova agenda se torna na velha agenda...
Gosto de desfolhar as folhas da velha agenda e recordar as coisas boas. As férias, os feriados, os fim-de-semana fora de casa, as corridas, a praia. Mas também olho com atenção para o desfilar de turnos trabalhados consecutivamente, os duplos turnos, os fim-de-semana enfiados no hospital, os turnos "extra" trabalhados para além das horas contratadas. E todos os anos sonho com uma agenda que tivesse mas D e mais F, uma agenda mais leve, menos rabiscada, menos preenchida com trabalho e mais com festa dos miúdos, jogos dos miúdos, fim-de-semana no campo, semana de praia, almoço com os amigos, jantar-cinema-discoteca, corrida, meia maratona, maratona, concerto, teatro, viagem para Nova York, etc, etc, etc. Será assim o próximo ano?
Amanhã entro na última folha da minha velha agenda e a nova já tem o primeiro mês preenchido: M T D N F...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Isso fica "buéda" mal...

Se há coisa que me irrita actualmente é a "adolescencialização" (que belo vocábulo!) de muitos dos trintões que conheço, fenómeno esse que parece alastrar a uma determinada franja da malta nascida nos 70's. É malta trintona que já tinha idade para ter juízo mas que opta por se aproximar da geração que está agora nos 20 anos.
Isso traduz-se nos mais variados comportamentos mas o que me irrita mais são essencialmente estes:
-escrever SMS constantemente, produzir conversas inteiras através de SMS. Não me venham com a conversa que "sai mais barato". Um trintão que se preze liga, combina um café e conversa o que tem a conversar.
-pior que isso, escrever SMS com "axo", bjx", "kero", "cudos" e todos esses neologismos típicos de uma geração que não é a nossa.
-ainda pior que isso, falar no mesmo registo dos putos e utilizar incessantemente vocábulos como "bué" (o horror!), "buéda" (a catástrofe!), "", "LOL", "men", "props" e por aí a fora.
- andar feito "pitinha aos saltos" a vibrar com este ou aquele grupo musical. Além se ser completamente fora de tempo, fica mal. E, convenhamos "30 Seconds to Mars"? P'amordedeus!
- Tentar aproximar-se dos filhos tentando ser "o melhor amigo", entrando no contexto e registo deles. Esta é a piorzinha de todas. Não é suposto sermos o "melhor amigo" dos nossos filhos. Somos pais e isso implica um fosso geracional que ser quer saudável.
Mas isto sou só eu a pensar...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Meias Palavras.

Tenho problemas com as "meias palavras". Aliás, nunca concordei com o velho ditado popular "para bom entendedor meia palavra basta". Sou mais de acordo com uma outra velha expressão: "Chamar os bois pelos nomes" (é engraçado como há velhos ditados populares que se contradizem mutuamente!). E sou assim porque gosto das coisas clarinhas como água. Gosto de saber exactamente o que é esperado de mim, da mesma maneira que gosto de dizer exactamente o que pretendo ou como me sinto. Afinal, a nossa Língua é tão rica em vocábulos que não faz muito sentido que haja "zonas cinzentas". Mas, suprema ironia, apesar de tão enorme riqueza de vocabulário, o Português é exímio em construir um discurso cheio de subterfúgios, de expressões de interpretação dúbia, de entoações subtis que podem ser entendidas de muitas formas pelo destinatário e de "meias palavras".

O problema das "meias palavras" é esse mesmo: não são objectivas! Na verdade "para bom entendedor meia palavra basta" é uma mentira. Isto só é verdade quando quer o emissor quer o receptor estão no mesmo contexto. É um pouco como as private jokes, só aquelas pessoas que estão dentro do contexto sabem exactamente o seu significado. No mundo real, laboral, o zé portuga utiliza as meias palavras como um meio de defesa. Mais tarde, quando confrontado com um "você disse isto", o portuga rapidamente responde "nãããão, eu nunca diria uma coisa dessas! o que eu disse foi aquilo. Você deve ter percebido mal." E pronto, acaba-se ali o argumento. E eu, que gosto de argumentar fundamentado, nas minhas discussões, não suporto bate-bocas em que se discute o que se disse ou que se disse que se disse.

Por isso, normalmente, eu não compro guerras pequenas e acessórias (ou seja, a maioria das discussões que surgem no trabalho!), não discuto assuntos que sejam de alguma forma acessórios, não entro em debates sobre se aquilo que foi dito significou aquilo que foi realmente dito ou se, pelo contrário, alguém percebeu o que foi dito pelo que não foi dito. Fiz-me entender? Cá está "fiz-me entender", uma expressão que utilizo muito. Porque nas discussões que se arrastam, é muito comum um dos intervenientes usar a frase "você não me está a entender". Isto é sintomático: parte-se do princípio que o problema reside no outro.

Tudo isto para explicar algo que algumas (muitas) pessoas identificam como algo que me define: raramente entro em discussões mas quando entro sou muito... apaixonado, digamos! Já me chamaram desde "violento", "agressivo" passando por "anormal" ou "estúpido". O que se passa na verdade é que eu gosto de usar as palavras certas para definir as coisas. Por exemplo "incompetente" em vez de "distraído", "mal educado" em vez de "tem um feitio especial" ou "mau feitio", "arrogante" em vez de "superior", só para citar alguns exemplos. E já tive alguns problemas com isso...

Resumindo, acho que estas meias palavras devem ser guardadas para as relações pessoais, deixando as relações profissionais apenas com o discurso directo e objectivo. E como, cada vez mais, o nosso dia-a-dia laboral está cheio de "políticos" com um discurso cheio de rendilhados mas objectivamente vazio, cada vez menos entro em debates. Porque não gasto nem o meu tempo nem o meu latim em discussões do peido.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mas, para ser justo...

... Portugal também tem alguns aspecto muito positivos. Aliás, dou-vos já três muito bons argumentos a favor de Portugal, de resto espalhados pelas estradas deste país deprimido e soturno:




Sou ou não sou um gajo justo? Pois sou.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Desencantamento.

"Viver em Portugal, porquê?
Um amigo prestes a deixar o país, fez-me este pergunta, deixando.me quase sem resposta: para alguém desprovido de meios de fortuna familiares mas que ambiciona uma vida digna e apetrechada dom os confortos normais do mundo contemporâneo, que ainda acredita na antiga lógica que trabalhar, muito e bem, constitui o meio mais idóneo para melhorar a existência da sua família, que motivos podem ser suficientes para o convencer a viver em Portugal? Se descontarmos as razões indefiníveis que alicerçam o amor pelo lugar a que chamamos pátria, valerá a pena viver aqui?
Em Portugal, segundo a arenga do futuro emigrante, tudo o que temos por indispensável é geralmente mais caro: a electricidade, o gás, os combustíveis, as casas, os automóveis, os produtos financeiros, a internet e as comunicações móveis são dos mias dispendiosos da Europa. Há dias, surgiu na imprensa um estudo que assegurava que um cabaz composto pelos bens essenciais adquiridos nos hipermercados era mais barato cerca de 11 por cento em Espanha apesar de a diferença nos salários nos dois países andar próximo desse valor-só que em nosso prejuízo. A nossa taxa de esforça fiscal (impostos directos e indirectos) é das mais elevadas mas não tem retorno visível por parte do Estado. A nossa adminstração mantém-se como uma das mais ineficientes, lentas e é aquela cujos resultados menos agradam aos cidadãos. Portugal subsiste numa centralização obsessivamente tacanha, a mais aguda de todos os países civilizados que se conhecem - mais ou menos a par da... Grécia.
Os portugueses são o povo menos informado da Europa, com os níveis residuais de participação política e social. Os governos são deixados à vontade por uma opinião pública imbecilizada, apática, predisposta a consentir qualquer patranha verticalmente engendrada. Os argumentos que sustentam o respeito pelo mérito ou que apelam à honestidade pública são escarnecidos na prática quotidiana e foram tacitamente irradiados dos valores educacionais comuns. tudo indica que as novas gerações serão ainda piores nos mesmos defeitos daquelas que já por cá marinam.
Vi-me forçado a concordar. Sobretudo quanto à indiferença ruminante com que acolhemos a maldição dos maus governos. Ainda ripostei com os nossos poetas mas não fui atendido: "Pessoa, Sena e Torga, já soam melhor longe daqui."
Um a um vejo a irem-se embora muitos dos melhores. Sempre fomos assim, procuramos noutros lugares aquilo que a pátria nos recusou. Só que aqueles que agora se vão contrariam a tradição e partem sem saudades e sem gosto de voltarem um dia."
Carlos Abreu Amorim in Revista NS' de 23 de Outubro 2010.
Ando com pouca vontade de escrever. Aliás, carrego nos ombros o peso do desencantamento. Sim, há muito que me quero ir embora mas hoje, fruto da negra realidade com que me deparo diariamente no meu novo serviço, não vejo a hora de virar costas a este país. Na verdade há dias que ando a construir mentalmente um texto acerca de como o que se passa no serviço onde agora trabalho reflecte tudo o que está mal no Sistema Nacional de Saúde. Desde a gritante incompetência do chefe e a sua perigosa parcialidade, passando pelo desinteresse, falta de profissionalismo e leviandade com que a maioria dos profissionais (enfermeiros, auxiliares, médicos) desenvolvem as suas funções e acabando na óbvia falta de qualidade nos cuidados prestados aos doentes, este micro-ambiente que é um serviço de medicina num hospital é o espelho de tudo o que não deve ser a Saúde e a Enfermagem em Portugal. E sinto-me assim, desencantado e triste porque não estava habituado a tamanha hipocrisia. Havia dificuldades sim, falta de material por vezes mas, no serviço onde trabalhava antes existia uma comunhão na ideologia dos cuidados: o doente primeiro. Desde que houvesse condições tudo se fazia para melhorar a condição do doente, a sua qualidade de vida e de morte. Os cuidados eram pensados e planificados dessa forma. Actualmente vejo-me a ter discussões com colegas que trabalham tendo como regra a "lei do menor esforço". Hoje, mais que nunca, estou desencantado com tudo isto. E eis que encontro este texto numa velha revista na mesa de um café. Eu não sou o amigo do autor que se prepara para emigrar mas o seu discurso é o meu também.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ruca: a dura realidade.

A Banita fez-me um apelo. E é um apelo bem nobre. Sobre esse assunto escrevi este texto há quase 2 anos, que recupero agora. Ajudem, se puderem...
Todos conhecemos o Ruca. Estrela de TV, ídolo dos petizes dos 2 aos 6 anos faz o delírio da pequenada juntamente com o Noddy e com o Bob, O Construtor. Mas o Ruca é diferente. Sempre bem comportado, este menino não faz uma birra. Como ele próprio canta: "Eu sou um rapazinho, embora pequenino tenho muito tino, sou o Ruca.". E bem. Este menino está sempre disposto a ouvir os pais, é sempre compreensivo, amigo dos seus amigos, altruísta e sempre meigo com a sua irmã mais nova, Rosita.

Tenho acompanhado a carreira desta jovem estrela, tendo começado há cerca de 7 anos quando o Ruca ainda era um pequeno quase desconhecido e, após algum tempo de afastamento, retomei a minha relação com este jovem. Qual o meu espanto quando me apercebo de algumas coisas: a Rosita cresceu, mas o Ruca não. Os seus amiguinhos também estão diferentes mas não o bom velho Ruca. O Ruca continua a vestir as mesmas roupas de há 7 anos, assim como os seus pais. Reparei que o Ruca, além de continuar careca, mantém aquela cabeça desproporcionalmente grande em relação ao resto do corpo. E continua no Jardim de Infância. E continua a chamar pela mãe e pelo pai à mínima dificuldade, como seja trepar a uma árvore ou subir para cima de uma pedra.

Após alguns contactos com pessoas conhecidas deste meio em que trabalho, chegou-me a triste notícia: o Ruca está gravemente doente! Pensa-se que poderá ser... leucemia. O pesar toma conta de todos os fãs.

Mas este facto explica muito do comportamento deste miúdo: o amadurecimento precoce, a compreensão e a meiguice. Tudo estratégias para aproveitar a vida o melhor possível. Por outro lado, é também esse o objectivo dos pais com aquele comportamento delicodoce e sempre pedagógico de disponibilidade total. O facto de todos usarem a mesma roupa há anos prende-se com as enormes dificuldades financeiras por que passa toda a família, decorrentes dos tratamentos do rapaz. Enfim, mais um exemplo de que as figuras públicas também são seres humanos.

Gostava de aproveitar esta situação que nos afecta a todos, para apelar a toda a gente que por aqui passar os olhos: inscreva-se na lista de dadores de medula óssea. Pode salvar uma vida e não custa nada! Implica apenas uma colheita de sangue no início e, caso seja compatível com algum doente que necessite, uma pequena intervenção com anestesia local para colheita de células de medula. Não seja medricas como estes!

Ajude o Ruca, ajude quem precisa.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um Dia Diferente.

No Domingo corri mais uma Meia Maratona, em Lisboa! Cada vez mais gosto destes dias, dias de prova, de corrida com mais uma centenas (milhares, por vezes) de pessoas completamente desconhecidas mas unidas pelo mesmo propósito! E lá estão os atletas profissionais misturados com os corredores aplicados, os corredores de domingo, os que só correm nas provas. Lá estão os atletas do estilo com as marcas da moda, os acessórios todos, as sapatilhas XPTO, as lycras justas a revelarem os corpos definidos pelos treinos, misturados com os homens de pele escurecida pelo sol da faina ou das obras, sem noção de estilo e com as barriguinhas definidas pelos petiscos! Vai-se a ver, estes últimos correm sempre mais que os primeiros. Lá estão as famílias inteiras, pai, mãe, dois filhos e um carrinho de bebé (normalmente os cabelos loiros e olhos claros denunciam que não são portugueses) para participar nas mini-provas de confraternização. Vêm-se pais e filhos, avós e netos, marido e mulher, amigos, colegas de trabalho. Todos juntos para uma corridinha!
Mas o que eu gosto mesmo é da corrida. Neste caso, 21 km pelas ruas de Lisboa, da 24 de Julho até Algés e daí até ao Terreiro do Paço e depois a difícil subida até ao Estádio do Inatel passando pela Rua da Prata, Martim Moniz, Av. Almirante Reis, Av. Roma e Av. dos EUA. Cada dia que faço, cada treino que acabo, cada prova que termino reforçam este prazer, este vício que parece ter encontrado um lugar definitivo na minha vida. Naquela 1 hora e 40 minutos de corrida, ao lado de mais cerca de 1200 atletas não existe mais nada. Somos nós em profundo contacto com o nosso corpo, com os batimentos do nosso coração, com a nossa respiração controlada, com as dores dos nossos músculos. Mas também somos nós em comunhão com a Corrida, com a Prova. Cada Corrida é diferente, tem um ritmo diferente, uma emoção diferente, uma vida diferente. E nós somos influenciados por ela da mesma maneira que somos nós que a construímos.
Mas a minha parte preferida da Corrida é mesmo a Chegada! A emoção de ver o Arco da Meta, a agitação dos espectadores que incitam e batem palmas à nossa passagem, a entrada no "funil" da chegada onde familiares e amigos gritam os nomes dos atletas que foram apoiar. E depois o momento quando cortamos a meta e paramos o nosso cronómetro. Mais uma, está feito! Mesmo que o tempo de prova tenha ficado acima daquilo que tínhamos planeado. Afinal, há sempre a próxima corrida para melhorar!
Não me importo de ir correr sozinho, aliás é isso que faço treino após treino. Mas correr acompanhado, em prova, em competição tem outro sabor!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um dia normal de trabalho.

A bateria do meu carro anda marada. Cada vez que o ligo, pela manhã, o relógio reinicia e marca "0:00". Acabo de chegar a casa e o relógio do carro marcava, quando o desliguei, "17:43". QUASE DEZOITO HORAS DESDE QUE SAÍ DE CASA?!?!
Apraz-me dizer: porra.
Agora vou ali dormir cinco horitas, que amanhã é dia de trabalho.