sexta-feira, 27 de março de 2009

Meninas.

No caminho que faço para ir e regressar do trabalho passo por uma estrada pejada de prostitutas nas bermas. Não é por acaso que esta é conhecida como a "estrada das meninas". Mas enfim, independentemente dos juízos morais que sempre rodeiam a prostituição, há sempre dois aspectos que me incomodam na passividade com que as autoridades abordam este problema (principalmente quando é possível observar os elementos do carro-patrulha da GNR em amena cavaqueira com as meninas).
O primeiro aspecto prende-se com a questão da saúde pública. Quantas daquelas mulheres fazem análises regularmente? E, se fazem, quantas delas tomam as necessárias medidas de protecção para prevenir a infecção dos seus clientes? Quantas destas mulheres infectadas se dará ao trabalho de comprar preservativos? Enfim, uma série de questões. Por outro lado, dos homens que recorrem aos serviços destas mulheres, quantos utilizam preservativo? Quantos têm uma preocupação efectiva em se proteger? Quantos, após uma relação desprotegida com estas profissionais, utiliza preservativo com a sua companheira. E, estando eles infectados, quantos utilizam preservativo para não infectar a prostituta ou a companheira? É um problema tipo "pescadinha de rabo na boca".
O segundo aspecto está relacionado com a fiscalidade. Porque não podem estas mulheres ser profissionais reconhecidas e devidamente enquadradas pelo fisco? Porque não podem elas pagar os seus impostos e, assim, assegurar protecção social na doença e na velhice? Por outro lado, quanto dinheiro é movimentado por este negócio, dinheiro esse que, se tributado, poderia ser uma receita importante para o estado? Porque não haverão estas profissionais de contribuir para os cofres do estado como o resto de nós?
Sempre me pareceu que existe ainda muito preconceito que rodeia a prostituição. Porque não legalizar esta actividade? Assim como há empresas de prestação de serviços médicos, de enfermagem, catering, actividades de lazer, porque não empresas devidamente enquadradas legalmente, cujo o serviço prestado é o sexo e onde as profissionais envolvidas estariam sujeitas a controlo médico regular e periódico para garantir a sua saúde e dos seus clientes (não seria caso único nem excepcional)?
Mas isto sou só eu a pensar...

8 comentários:

undutchablegirl disse...

Escreveste inspirado no modelo de negócio aqui da Netherlands? ;-)

Miguel C. disse...

Socas, é um modelo que se pode seguir. Porque não?

Ana C. disse...

Red Light District? Não, é surreal demais. Pelo menos a parte das montras. Em Amesterdão é uma pedra, mas aqui duvido que passasse.
Agora casas de alterne sim, sem dúvida. Controladas, pagantes ao fisco e tiravam-nos as meninas das ruas. Depois confesso que gostava de ver a ASAE a entrar de rompante num desses locais de prazer a ver se encontrava pêlos púbicos nos lençóis. AH AH AH

Miguel C. disse...

Neste cantinho ainda não estamos suficientemente desenvolvidos para um Red Light!! Mas os bons velhos bordéis devidamente controlados...

Banita disse...

Acho bem tirar as meninas das ruas e pô-las a prestar "serviço público" em casas especializadas e com acompanhamento médico. Garantidamente se evitavam assim, muitos contágios fruto do calor da "paixão" e acabava-se e vez com o fruto proibido...

Hope disse...

Vivi na Holanda uns mesitos e deu bem para perceber a diferença de mentalidades entre povos. Lá existem as tais montras, as coffee shops, e no entanto é tudo bem mais respeitado do que aqui (imaginar uma coffee shop no meio do bairro alto é para rir).
Como já disseram, o problema são as pessoas (aliás, as pessoas são sempre o problema), quando o nosso pequenino rectângulo evoluir, talvez se pense nisso. :)
Abraço

Ana. disse...

Miguel!

Este país é pequeno de mais para ti!!

;)

Precis Almana disse...

Comecei a ler e parecia que ias ser moralista; depois percebi-te :-)
Concordo contigo, claro, mas a questão dos preservativos e das análises está acima de qualquer fiscalização... Saberás melhor que eu que se a comum mulher não faz análises e controlos com regularidade, (algumas das, porque há várias "classes) das prostitutas ainda menos... Acredito que haja muitas que usam de facto preservativo por já terem percebido o que acontece senão. E acredito por uma reportagem que vi, mas não sei até que ponto haveria alguma manipulação...