quarta-feira, 18 de março de 2009

Que caminho seguir?

O meu último post gerou uma pequena troca de ideias entre mim e a JS que me fez pensar que devo esclarecer aqui qual a minha opinião relativamente à comunidade cigana e a sua interacção com o resto da sociedade portuguesa.
Não sou, de todo um gipsy-hater. A minha intolerância prende-se com experiências profissionais negativas, algumas aqui descritas. O problema com a comunidade cigana prende-se essencialmente com a falta de respeito que essa comunidade revela perante o resto da sociedade. E essa falta de respeito é visível tanto em situações perfeitamente quotidianas, como tentarem passar à frente de todos numa sala de espera como nos roubos, tráfico de droga e armas, contrafacção, fuga ao fisco e abuso dos subsídios estatais.
Na generalidade, os ciganos são cínicos, desordeiros, desonestos, com tendência para a violência. E essa imagem, aliada à cobardia que é atacarem em matilha pela calada da noite e sem aviso, intimida. O que dizer do tiroteio na Quinta da Fonte? Se eu não soubesse diria que se passou em algum país da América Latina! Alguém foi identificado? Alguém foi preso? Quem pagou os estragos nos bens atingidos? E depois ainda preparam tenda para alojar a comunidade cigana que clama por realojamento noutro bairro?!?!? Pelo amor da santa!!! Tanta gente que não tem um tecto! O que foi feito??? Nada, o assunto morreu porque, politicamente não interessava, porque ninguém fez nada, porque os autarcas foram ameaçados.
Quanto ao tão propalado caso da separação dos alunos. Se esses alunos (os ciganos) tem necessidades diferentes, qual é o problema de lhe oferecer um projecto diferente? Caramba, um marmanjo com 18 anos ainda na primária? Sabemos perfeitamente que esta comunidade não dá grande importância à educação. Se as crianças ciganas estão muito mais atrasadas que as outras, estar no mesmo patamar educativo só as vai prejudicar! Onde é que aqui existe a segregação? Mas hoje, o ministério da educação veio classificar esta escola como "território educativo de intervenção prioritária"!!! Deixem-se de merdas.
É uma cultura secular, dir-me-ão alguns de vocês. Pois sim. se querem ser nómadas, tudo bem, se querem viver em comunidade fechada, tudo bem. Se querem flamenco, tudo bem. Agora, ir deliberadamente contra a Lei ao casar e permitir relações sexuais entre meninas com 10, 11, 12 anos e adultos? E, ainda por cima afrontar o poder fazendo-o mesmo depois de avisados? E andamos nós aqui a conversar com elementos dessa comunidade para os sensibilizar a não quebrar a Lei??? O que dirão o Carlos Cruz e o Bibi.
A integração desta comunidade passa, infelizmente, por uma vontade dela própria em se integrar e, depois por mecanismos de controle muito apertados por parte das autoridades. Não se pode permitir que se ande aos tiros nas ruas. Já aconteceu isso aqui, numa rua contígua ao hospital. Depois a urgência foi invadida por dezenas de ciganos, uns feridos e outros aos berros. Foi o caos. Não nos deixavam trabalhar e depois, típico, faziam ameaças do tipo: Se o meu filho morre, morres tu a seguir! Que atitude é esta? Quem consegue trabalhar assim? Onde estava a polícia? Quem se insurgiu contra eles? Um cigano, quando só é inofensivo, nem sequer fala mas, assim que chegam alguns dos seus pares tranforma-se numa autêntica besta. Reclama e ameaça. A nossa culpa está em não nos unirmos em situações como a seguinte: estavam 5 ciganos a reclamar e a ameaçar a recepcionista do serviço. Claro que ela os passou à frente. Chegados à minha sala exigiram, sob ameaças, serem atendidos imediatamente. O que fiz? Atendi-os. Depois de saírem um fulano reclamava, alto e bom som, que era sempre a mesma coisa, que os ciganos passavam sempre à frente. Confrontei-o e perguntei-lhe porque não manifestou a sua indignação na presença dos ciganos e porque, sendo eles 5 e estando cerca de 20 homens na sala de espera, ninguém reprimiu aquele comportamento. A nossa culpa está em não controlar as suas explosões.
O que eu tento dizer com todo este texto é o seguinte: somos nós que segregamos ou eles é que criam incompatibilidades com o resto da sociedade? Eles comportam-se, sempre se comportaram, como um corpo estranho ao organismo que é toda a sociedade. Em medicina, um corpo estranho remove-se cirurgicamente.

7 comentários:

Ana C. disse...

Miguel, tal como já tinha dito eles é que fazem questão de não se misturarem com o resto da população. Eles é que negam o acesso à escola das meninas a partir dos 11, 12 anos, porque se elas se educarem nenhum cigano vai casar com elas. Eles é que não conseguem viver numa casa normal que o estado lhes proporciona e continuam a fazer acampamentos à porta do prédio. ESTA É A CULTURA DELES. Eles é que, através da sua conduta e absolutamente mais nada, levam a que as pessoas tenham medo, desconfiem.
Bem sei que não são todos assim, mas infelizmente é esta a imagem que a maioria deles passa para fora e com muito orgulho.
Eu não tenho que concordar e dizer ámen a tudo o que eles fazem só porque são ciganos e não podem ser descriminados. Porque isso sim é descriminar pela positiva.
Se vir um bando de brancos, pretos, amarelos, cor de rosa a agirem da mesma forma reiterada e abusiva, é claro que os critico sim.

Ana C. disse...

Vá. toca a ir ver o fim da nossa novela...

banita disse...

Concordo em absoluto e aplaudo de pé!
Já na minha escola primária, andavam uns marmanjões na escola que não iam aprender nada e iam para roubar os companheiros de turma! Claro que todos tínhamos medo deles! Eles quando faziam ameaças/roubos estavam sempre às dúzias...
Porque não hão-de eles viver sob as nossas regras, se nós também temos de viver sob elas? A isto chama-se integração na sociedade! Não se querem integrar... o que vamos nós fazer? Obrigá-los à força das armas/ameaças, como eles nos fazem a nós? Não, aguentamos a minoria! Mas então, não chateiem!
Eles que fiquem com os costumes e tradições, mas não estraguem as casas que lhes dão! Não vivam 30 pessoas num T3, não caguem no chão! Para isso existe a sanita!
Claro que não são todos assim, mas paga sempre o justo pelo pecador.
Também não dizemos que a claque deste ou daquele clube são uns marginais porque partem tudo, estragam tudo? E serão TODOS assim?
Seguramente que não, mas esta minoria, podia ao menos fazer um esforço por se integrarem!
Miguel C. Eu também já presenciei, no HGO, uma cena dessas de ameaças ao pessoal de saúde porque a filha tinha asma e estava com falta de ar! "Sim, mas é grave? Não! Então acalme-se e espere a sua vez!" Apareceram logo mais 1/2 dúzia, teve de ser chamado o segurança para acalmar as feras!
Nós também podemos dizer que somos alvo de segregação, pois eles também não se querem misturar connosco? E agora, em que é que ficamos? Vamos começar a 3ª guerra mundial?
(Desculpa o testamento, Miguel C.)

Bretana disse...

Sigo o teu blog há muito tempo, mas hoje não resisti e tenho mesmo que comentar.Parabéns pela tua frontalidade. Geralmente as pessoas preferem ser hipócritas,ir com a corrente, em vez de dizerem o que realmente pensam.E como acham que é "bem" ser a favor da integração nas escolas, então defendem os coitadinhos dos ciganos que são postos de parte! Coitadinhos é dos alunos que querem aprender de verdade e os bandalhos como estes não os deixam progredir. E coitadinhos dos professores como eu, que querem fazer um bom trabalho e não podem porque estes marmanjos impedem que uma aula funcione normalmente.Eu como, tal como tu, não quero saber do politicamente correcto para nada,e sofro na pele a tanga da integração,pergunto se os que têm pena destes "meninos"gostavam de ter os seus filhos misturados numa turma destas...!

Miguel C. disse...

Obrigado a todas pelos comentários. É uma questão muito complexa, é certo. O problema é que existe um problema político em assumir este conflito. Mas, como diz a Bretana, é que ninguém vê com bons olhos o facto de ter os seus filhos misturados com os miúdos ciganos...

Miguel C. disse...

Bretana, deixa que elogie aqui o trabalho dos professores, tantas vezes maltratados pelos alunos, pelos pais e pelo poder político. Eu não seria capaz!!!

Bretana disse...

Obrigada,Miguel, pelas tuas palavras. Sabe muito bem sentir que há alguém que entende a angústia de quem quer fazer um bom trabalho e não consegue. Geralmente, com excepção da nossa família e amigos, que sofrem connosco quando chegamos a casa e desabafamos o que nos vai na alma, as pessoas raramente entendem o que custa neste momento ser professor! Já ensino há 11 anos e nestes últimos 2 já pensei muitas vezes em desistir! Mas...tenho uma piolhita cá em casa que precisa de ser vestida e alimentada e então lá se vão engolindo sapos. Até quando é que não sei!Beijinhos.