quinta-feira, 12 de março de 2009

O Pequeno Poder.

Não sou nacionalista, longe disso. Não me orgulho de ser português, estou mais perto de me sentir envergonhado do que orgulhoso. Somos um povo fraco, interesseiro, arrogante, desunido, desonesto, prepotente. Temos o síndrome do novo-riquismo, do consumismo, de viver atrás das aparências, acima das nossas possibilidades. Se o nosso vizinho tem, nós temos de ter melhor. e exemplos desses vêm directamente de cima, com investimentos e obras públicas apenas para inglês ver. Tomemos como exemplo a construção de 10 (!!) estádios de futebol, em que a maior parte deles serviram apenas para 1 ou 2 jogos do Euro. Será mesmo necessário um TGV onde se demoram cerca de 8 horas a percorrer o país de Norte a Sul, de automóvel?
Enfim. Mas o que mais observo nas pessoas é a embriaguez pelo Poder. Exemplo máximo: José Sócrates. O homem está enamorado dele próprio e governa o país em função disso. Contudo, como nem todos conseguimos atingir patamares de influência tão elevados, vamos exercendo o nosso pequeno poder ao nosso nível. Em qualquer repartição pública, quantos de nós já não foram atendidos de forma sobranceira? Quantos de nós não fomos forçados a voltar lá por uma qualquer ausência de algum documento que nem fomos informados que existia. Eu já paguei juros na Seg. Social porque a funcionária que me cobrou as prestações se enganou nas contas!!! Os seguranças nos hospitais, exercendo a sua função de forma perfeitamente aleatória, deixando entrar apenas quem entende, sem critério. As funcionárias das recepções, que tratam de organizar as entradas dos doentes conforme a sua vontade e que, intencionalmente, não usam o cartão de identificação. As auxiliares de acção médica a serem mal-educadas para os visitantes só porque podem. Tudo isto são situações a que já assisti e poderia enumerar muitas mais. Como paradigma desta situação posso deixar aqui uma atitude que é típica do tuga: ver alguém em apuros e não a ajudar ou dificultar-lhe ainda mais a situação. No trabalho sempre a tentar inferiorizar o colega, no trânsito a tentar entalar os motards, nos locais públicos a dificultar o acesso das pessoas à informação ou intencionalmente dizer-lhe apenas o que é conveniente. A atitude punitiva, sobranceira e inflexível dos agentes da polícia face a pequenas infracções, muitas vezes involuntárias e que se torna até agressiva quando questionamos aquela atitude é outro exemplo.
Concordem ou não, este abuso do pequeno poder atrasa o desenvolvimento de um país e define-nos enquanto povo.

10 comentários:

Jorge Rita disse...

Creio que esse espelho social é reflexo também da jovem democracia portuguesa. Há muitos outros "pormaiores" tipicamente nossos que levarão gerações a mudar, se mudarem.
Creio que a geração que incorporo está a dar passos no sentido de que exista maior respeito, consciencia social e maior capacidade de intervenção em questões socio politicas. Mas nada que mude o mundo a tempo desta vida terrena.

Sofia disse...

Olá!

Precisava falar com o dono deste estaminé sobre um convite que tenho para lhe fazer... mas não estou a encontrar um contacto para o fazer...

Será que me podias contactar para scavaco.81@gmail.com?

Bjs
Sofia

Hope disse...

Dou-te razão em praticamente tudo o que escreveste em relação ao espírito "tuga", só não posso concordar com uma coisa, em relação ao orgulho de ser português.
Apesar de saber que todas essas situações acontecem no dia-a-dia, acho que precisamos desse orgulho para conseguir mudar alguma coisa, nem que seja para tentarmos ser melhores em relação aos outros países.
Se esse orgulho desaparecer por completo, não tardará muito até que sejamos uma colónia espanhola ou algo do género.
Abraço

Anónimo disse...

Acabei de ler o seu blog.
Gostei muito. Da escrita, do humor e da forma inteligente...
Voltarei.
Joana

Melga disse...

onde estão as damas de ferro? será que uma grande mulher levantará o nosso ego até ao sublime?
É que os homens que nos governam estão rodeados de danger conections!

Miguel C. disse...

Hope, na verdade tens toda a razão! Mas são tantas as razões de queixa são tantas que temos que desabafar por algum lado!!
Obrigado pelo comentário, no fundo temos de ter...hope!!

Miguel C. disse...

Joana, fico contente por teres gostado!! Volta sempre e comenta sempre que te apetecer!!

Miguel C. disse...

Oh melga, desde que não seja a Manela Ferreira leite!!!

Ana C. disse...

Miguel, sabes que estudei isso a uma cadeira que se chamava Criminologia (a minha preferida de todo o meu maldito curso). Ao analisar alguns aspectos de personalidade, deparámo-nos com a chamada trave na engrenagem. Pessoas com as suas frustrações pessoais que, sentindo-se totalmente impotentes para as superarem, passam a vida a tentar que os outros não as superem também. Não evoluem e por isso, mais ninguém o pode fazer... É o descarregar de frustrações no nível imediatamente inferior a elas. Como não podem mandar o chefe à merda, mandam o que está numa posição de inferioridade. É das coisas que mais me tiram do sério.
Quanto ao orgulho de ser tuga. Li num blog de uma seguidora minha que não nos podemos orgulhar de algo para o qual não contribuimos de alguma maneira e gostei deste pensamento.
Parabéns por este texto que me tinha escapado.

banita disse...

Agora sinto que é preciso sair do nosso País para dar valor ao mesmo! Também me sentia pouco orgulhosa de ser Portuguesa, mas estar num país de 3º mundo é tão pior... que voltei a ficar orgulhosa com o nosso País! Também sei que temos de fazer algumas coisas para o mudarmos e nos orgulharmos dele de novo! Quando a ser uma colónia espanhola... acho que sinceramente não iríamos ficar mal servidos se olhassemos para o lado e seguissemos alguns do bons exemplos que lá há! Sempre mantendo a nossa identidade/língua/costumes na medida do possível!