quinta-feira, 4 de março de 2010

Tinha alinhavado um belo texto, simultâneamente ternurento e engraçado para revelar o sexo do bebé que ainda cresce (e bem!) dentro do ventre da minha bela e gravídica esposa mas enfim... prefiro gritar aos sete ventos...
É UM RAPAZ!!!!!!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Momentos Ally McBeal ou Na Volta Isto é Uma Esquizofrenia.

Lembram-se da Ally McBeal? Eu adorava aquela série, aqueles laivos de loucura esquizóide e non-sense! Mas o que mais gostava eram aqueles momentos em que Ally ou alguma das outras personagens tinham aqueles memoráveis momentos what-if? em que o mundo era uma canção com os personagens divinamente coreografados ou uma momento de realidade alternativa onde, em vez de se retirar após ser insultada, Ally espeta um grande murro nas trombas de alguém! Eis que finalmente reconheço perante o mundo que sofro do Síndroma Ally MacBeal. Triste, mas verdade.
Já descrevi um desses momentos aqui mas hoje ocorreu-me um outro. Descia no elevador do hospital quando este para e entra uma enfermeira e uma auxiliar acompanhando um doente acamado. A porta do elevador fecha-se e.... O HORROR, o elevador encrava entre pisos. Dentro dele estava eu, duas visitantes, uma enfermeirinha novinha com aspecto de ser recém-formada em pânico, uma auxiliar petrificada e um doente com aspecto de estar mais-lá-do-que-cá. Olhei para a cama do doente e percebi: nada de material de reanimação! A minha colega gaguejou que o doente estava mal e está a caminho dos Cuidados Intensivos. O filme fez-se na minha mente....

"-Oh não!! O doente parou!! E AGORA?

(salto para cima do doente e inicio manobras de reanimação) Vai miúda! Iniciar respiração boca-a-boca! Nada desse esgar de nojo, é uma vida humana pela qual somos responsáveis! (continuo a "bombar" no doente) Sra. Auxiliar, pegue no meu telefone e ligue para o nº do hospital que encontrará na lista. A menina assustada aí ao fundo, carregue no botão de alarme e não o largue! E você meu caro doente, hoje não é dia de morrer... não no meu turno!!(as portas abrem-se e enquanto a enfermeira empurra a cama eu mantenho as manobras. Quem observa a cena entoa cânticos de motivação: MIGUEL, MIGUEL, MIGUEL!! Chegamos às portas dos Cuidados Intensivos, o doente reanima-se...)

-Obrigado Sr. Enfermeiro... salvou-me a vida!!

-Obrigado Enfermeiro Miguel... (diz a enfermeira)

(dirijo-me de volta ao elevador e todos louvam a minha acção) Não foi nada! É só o meu trabalho!!

O elevador reinicia. As portas abrem-se. Passaram-se cerca de 2 minutos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os tempos até podem mudar...

Hoje, enquanto passeava com o Gabriel no parque, observava um grupo de adolescentes que ali se juntara. Seriam uns 20, entre rapazes e raparigas. Um deles tinha as calças cheias de lama, provavelmente de uma das poças de lama espalhadas pela relva do parque. Alguns deles incentivavam-no a ir sujar as miúdas sentando-se em cima delas e ele ia. Elas afastavam-se com os gritinhos típicos destas raparigas e com um sonoro "PARVO!" mas uma estava claramente a pedi-las! Se eu vi, ele melhor ainda e, quando dei por eles andavam a rebolar-se agarrados na lama! "Enfim, miúdos parvos..." pensei.
Mas, eis que me ocorre o seguinte: eu também já fui adolescente! E olhei melhor para aquele grupo. E estavam lá todas as figuras de que me lembro, dos meus dias de teen. O palhaço (aquele que andava na lama) que diverte o resto do grupo, o intelectual de óculos e um pouco marginal à acção, o bonitão rodeado de miúdas, o freak todo vestido de preto e com os phones enfiados nos ouvidos, a gorda que é amigo de todos mas que nenhum rapaz cobiça e a sua melhor amiga, a boazona convencida que julga ter todos os rapazes na mão, as três miúdas que nunca se largam nem ao telemóvel, os jogadores de futebol, os dreads, os skaters. E tentei lembrar-me das profundas reflexões metafísicas que escrevia no diário, das profundas conversas á volta do significado de "Metamorfose" do Kafka, do cortejo romanceado às raparigas, das festas na piscina com DJ e nas observações da lua dentro do meu descapotável. Mas logo me apercebi que estas lembranças vinham de tantas e tantas séries sobre adolescentes norte-americanos! Na verdade só me lembrei das borbulhas na cara e nas estúpidas técnicas de engate que incluíam bilhetinhos escritos com traduções rascas das letras do Kurt Cobain, de ser expulso das aulas por estar constantemente a rir feito parvo e a gozar com os colegas e a imitar os relinchos de um cavalo, de entrar no WC das mulheres e ser corrido à vassourada pela empregada da limpeza, das cenas porno-softcore nos corredores do liceu com a miúda que já toda a gente tinha apalpado, de ignorar essa miúda depois, de tossir como um doente cada vez que tentava fumar um cigarro e de manter a pose com ele aceso sempre que passava uma rapariga, das ridículas botas bicudas "à cowboy" que usava, das calças rasgadas e nojentas, de usar sempre os mesmos ténis "All Star" verdes mesmo quando chovia a potes e de ter estado de luto durante dias após o Cobain ter decidido provar uma bala directamente do cano da arma, de andar a tocar a todas as campainhas da terra durante a noite, de tocar o sino da igreja a rebate de madrugada, de entrar no cemitério cagado de medo só para impressionar e de não ter a mínima ideia de como satisfazer uma mulher e achar que era um verdadeiro Eros.
Depois disto só posso concluir uma coisa: os adolescentes são parvos por definição. Seja em que época for!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Papa-quilómetros!

Seis meses passaram desde a minha primeira corrida, iniciada com a firme resolução de manter esse hábito e a forma física. A primeira corrida durou 30 minutos nos quais percorri cerca de 2,5 km! E andei dorido durante 3 dias! Hoje sou capaz de correr, mais ou menos nos mesmos 30 minutos, cerca de 8 km!! A evolução foi notória. Mas a grande diferença é que sou capaz de o fazer durante 3 dias consecutivos sem me sentir particularmente cansado!
Enfim, hoje fui correr e um fulano qualquer gritou: "E SE FOSSES PRÓ TRABALHO??" ao que eu respondi (baixinho...) "E se fosses pró c......lho!". Enfim, se repararem no bonequinho histérico à vossa direita verão que já percorri um total de mais de 260 km. É bonzinho.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ao Anónimo: não publico o seu comentário. É demasiado pessoal. Foi um murro no estômago e as palavras ficaram gravadas e, estou certo, surgir-me-ão na mente e lembrar-me-ão que alguém sofre muito nessa batalha. Note, por favor que a repugnância que o texto possa transmitir não é, nunca, por quem sofre mas sim pelo cancro. É uma coisa visceral, que é difícil eliminar da situação. Pelo menos para mim. Lamento que este texto o tenha tocado dessa forma tão dolorosa e saiba que sempre achei os que lutam contra o cancro, seja ele qual for, admiráveis. Seja qual for a sua luta, coragem.

A Face da Morte.

Ontem fiz um penso a um senhor que me recordou algumas histórias menos felizes do meu trabalho. Menos felizes para os doentes. Trabalhar com doentes é um terreno fértil em histórias infelizes, sofridas, angustiantes, dolorosas. E nenhum outro serviço tem mais concentração destas histórias por doente que o serviço de Oncologia.
O cancro é, por definição, a doença mais filha da puta que alguém criou. Não discrimina sexo, raça, idade ou órgão do corpo humano. É sádico e narcisista porque, no inicio tratam-se apenas de algumas células que se revoltam contra o resto do corpo e depois trata de cavalgar em conquista de tudo o que encontrar no seu caminho. É insidioso, só se revelando quando já está prestes a tomar o poder e silencioso na sua marcha. Mina caminhos alternativos enviando uma pequena parte das suas tropas para terrenos longe da sua origem, metastisa-se. E só mostra a sua verdadeira face quando é impossível de ser combatido. E que face horrenda é essa.
Ontem recebi um senhor na urgência. Muito embora a idade inscrita na ficha fosse 42 anos, a sua aparência indicava o dobro disso. Muito magro, sem forças, a pele amarelada, os dedos afilados. Se dúvidas não tinha sobre que tipo de doença afectava aquele homem, mais certo estive quando ele se aproximou e eu fui envolvido pelo odor que já antecipava. Podre. Estava perante um campo de batalha. E o cancro saiu vitorioso. Será apenas uma questão de tempo. Restava-me descobrir onde ele estava e destapar-lhe a face, encará-lo. O homem baixou as calças e mostrou-me: no pénis.
Por mais que veja e me depare com o cancro julgo que nunca serei capaz de o encarar indiferente. As suas mil faces são todas terríveis e inesquecíveis. Neste caso falar de um pénis é um eufemismo. Não havia pénis. Apenas um amontoado de tecidos mortos, podres, duros. Uma entidade que sabemos ser estranha ao corpo mas que a ele se agarra e não mais larga. Neste caso, uma espécie de couve-flor putrefacta. E cada vez que lhe tocava e o sentia, enquanto limpava, cortava, arrancava, o meu braço tremia. Um arrepio percorria o meu braço desde os dedos que tocavam o invasor até ao ombro. Como se ele sentisse terreno fértil para crescer. Como se ele sentisse. E o cheiro cada vez mais intenso.
Encontrei um doente com um cancro no esófago internado numa enfermaria onde trabalhei. O cancro tinha fechado o caminho até ao estômago, o doente era alimentado pelas veias. A mesma magreza (aqui extrema), a mesma pele amarelada, os mesmos olhos cansados. Aqui a face do vilão estava escondida mas não oculta. Outra vez o cheiro. Cada vez que o doente tentava verbalizar algo, um indescritível cheiro a podre invadia o quarto. A fragilidade do doente exigia que estivessemos muito próximos para tentar entender os seus pedidos mas aquele cheiro afastava-nos, repudiava-nos violentamente. Era como se o cancro reclamasse para si aquele corpo e nos afastasse á pancada. Lamento não ter percebido o doente, lamento não o ter olhado nos olhos quando ele tentava falar-me, lamento não ter sido capaz de vencer as minhas entranhas que se revolviam ao sentir aquele cheiro. Tentei aproximar-me o mais possível mas isso não era suficiente. Até que, um dia, o doente não falou. Inspirou fundo e vomitou. O inenarrável odor que invadiu o quarto fez-me fechar os olho, suster a respiração. As lágrimas vertiam como se tivesse sido atingido com gás pimenta. Quando finalmente recuperei, o doente descansava. Para sempre. O cancro venceu mais uma vez.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os "jeitosos".

Acho sempre imensa piada aos homens que não são "jeitosos". "Jeitosos" no sentido de "O meu marido não é nada jeitoso em casa! Não sabe fazer nada!". São homens que não cozinham, não limpam o pó, não passam a ferro, não dão banho aos filhos nem lhes mudam as fraldas, não fazem as camas, não aspiram. Se, de alguma forma ainda que arcaica e obtusa, todas estas actividades estão conotadas com a mulher, o que dizer dos homens que não são "jeitosos" para funções de macho tais como sintonizar a TV, pintar a casa, arranjar a electricidade, mudar as luzes, pendurar quadros, tratar da contabilidade, pagar as contas, mudar o óleo do carro e levá-lo à revisão, fazer o IRS, pregar e aparafusar coisas em geral? Eu digo-vos o que acho destes homens: são espertos!
Ainda hoje uma senhora me falava de como o seu marido, reformado, não a ajuda nada em casa, logo a ela que ainda trabalha! Segundo esta senhora o marido não lhe adianta o jantar porque, coitado, não se orienta na cozinha e não gosta de mexer em comida crua com as mãos. Também não se preocupa em tratar da contabilidade do lar porque, coitado, nunca se deu bem com contas. Não limpa o jardim dos cocós dos seus cães porque, coitado, o cheiro dá-lhe vómitos insuportáveis. Sendo mecânico na reforma, não arranja os seus próprios carros porque, coitado, passou quarenta anos a fazer aquilo e não quer voltar ao passado!! Disse-me então a senhora que, naturalmente já nem lhe pede para fazer o que quer que seja porque ele, ou demora muito a fazer ou muito simplesmente, faz mal! Coitado...! Mas este homem não é mais que um exemplo de muitos que também não são "jeitosos". Como aqueles que não dão banho aos bebés porque eles escorregam e têm medo de os deixar cair, ou aqueles que não mudam as fraldas aos filhos porque não suportam o nauseabundo cheiro das fezes dos seus santos filhos! Há ainda aqueles que não lavam a loiça porque, azar dos azares, cada vez que o fazem há sempre uma terrina ou travessa que lhes escorrega e se desfaz em pedaços no chão e os outros que não põem a máquina a lavar a roupa porque, segundo eles, tem muitos botões! Falamos dos mesmos homens que são capazes de viajar pelos intrincados menus da TV Cabo e funcionar com dois comandos ao mesmo tempo e ainda se entretêm a configurar e desconfigurar as opções do computador e da Internet! Depois há aqueles (e eu ADORO estes!) que não comem laranja se tiverem de a descascar ou não comem peixe se tiverem de tirar as espinhas ou não bebem leite se este não for daquele "do dia" que vem numa embalagem de plástico branca (juro que não estou a inventar!). Não passam a roupa a ferro porque esta fica sempre toda amarfanhada e acabam sempre por queimar uma ou duas peças, não cozinham nem sequer uma omelete porque não sabem funcionar com o fogão e, pasme-se, nem se aproximam da Bimby porque é muito complicada!!!
Na verdade, todos estes homens, e de certeza que todos conhecem alguém assim, são extremamente inteligentes. Porque, ao manterem a eterna incompetência nestas tarefas, sabem que as suas respectivas companheiras vão, mais cedo ou mais tarde, desistir de lhes pedir ou impor tarefas sabendo que eles não serão capazes de as cumprir convenientemente! Trata-se de um jogo de preseverança e paciência que trará os seus frutos a longo prazo. E como eu os percebo! Afinal, o que há de melhor na vida do que estar sossegado a fazer zapping ou a navegar sem destino na Internet enquanto uma parvinha qualquer cozinha para nós e, entretanto vai entretendo os miúdos, dá-lhes banho, passa a roupa a ferro e ainda paga as contas do cabo, não vá suceder a tragédia de perder-mos o jogo? Nada, meus amigos nada! Claro que eu só posso sonhar com este tipo de partilha de funções do tipo "ela cozinha e eu sento-me para jantar". Não. No que diz respeito a tratar dos putos não posso, por razões profissinais óbvias, afirmar que não sei, que tenho medo de os magoar, que não suporto o cheiro. E depois porque cada vez mais acho que, isto de viver com um homem é muito semelhante a trabalhar com animais selvagens! É preciso amestrá-los, treiná-los. Saber quando lhes dar uma festinha e quando lhes pregar uma palmada no nariz! E, querem lá saber, a minha mulher bem podia ganhar a vida no circo a domar leões vindos directamente da selva!!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Glourious Basterds!



Já não se toca guitarra assim... ultimamente tenho voltado a ouvir os meus "velhos clássicos" em repeat no meu Ipod. Estes, Nirvana, Pixies, Cure, Pearl Jam, Ben Harper (os primeiros albuns) e concluo: nenhuma música feita hoje me marcará tanto como estes gloriosos malucos!

(e sim, simulo que toco guitarra e/ou bateria quando os ouço!)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Leis? Qué isso??

Somos um país amador. No sentido em que nada do que fazemos acontece de uma forma verdadeiramente planeada. Por muito que se planeie e re-planeie e se torne a planear, nenhum plano traçado é cumprido até ao final sem interferências. E isto acontece, entre muitas outras coisas, porque toda a gente quer mandar e toda a gente acha que o plano que um outro alguém delineou não está como deve ser e então, toca de alterar e mudar as regras a meio do jogo! Isto é particularmente grave para quem deve desempenhar as suas funções e vê o seu trabalho tornar-se obsoleto uma e outra vez. Já os chefes, coordenadores, directores, administradores, supervisores e outros interessam-se em mostrar-se, nem que para isso tenham que inventar. Não se trata de servir uma instituição mas sim de servir-se dela. E isso é particularmente grave quando se atropelam direitos legalmente instituídos. Neste caso, as Licenças de Parentalidade.
Uma amiga contou-me recentemente como a supervisora de equipa do banco onde trabalha afirmava, em reunião de serviço, que uma mulher com filhos, que falta para prestar assistência aos mesmos, que tem direito a horas de amamentação ou que se encontra em gozo de licença de maternidade, não deve ter direitos aos mesmos prémios de desempenho que os restantes. Porque está sempre a faltar, porque passa menos horas no serviço, porque a sua atenção não está na empresa mas sim na família! Esta senhora, como tantos aliás, esquece-se que os prémios estão relacionados à produtividade e não ao tempo. Mas, acima de tudo, é revoltante porque se trata de uma discriminação com base num direito que está legalmente instituído!! Claro que a senhora em questão não tem filhos... Chamo a atenção para o problema por ela levantado: o tempo! Em Portugal interessa sair tarde. Mesmo que nada façamos, temos de sair tarde porque só assim somos valorizados. Chegar a horas e sair a horas é mal visto porque, lá está, não estamos a "vestir a camisola" da empresa!
Uma outra amiga, que tem dois filhos, limita-se a fazer algo muito simples: entra à hora determinada e sai há hora determinada. E é a mais produtiva do seu sector! Não obstante, é alvo de constantes críticas dos seus colegas que saem depois do horário! Talvez seja porque ela não vai com eles ao café ao meio da manhã, aos almoços de duas horas e aos lanchinhos a meio da tarde... E quando um dos miúdos fica doente!! Cai o carmo e a trindade!
Numa das instituições onde trabalho, o gozo da licença parental alargada (30 dias no final da licença da mãe) é, ostensivamente mal-vista pelas chefias. Porque no tempo deles não havia nada disto, porque já gozaram 10 dias quando o bebé nasceu, porque o pai não tem nada que ficar com o bebé! Imaginem o falatório que foi quando eu gozei setenta e dois (!!) dias de licença quando o Gabriel nasceu!! Além de não ser nada comum o homem gozar a maior parte dos dias que pertencem à mãe foram, convenhamos, cerca de 5 meses que estive em casa partilhados entre dias de nascimento, assistência à família, férias e licença de "maternidade". Ouvi todo o tipo de bocas acerca de como iria dar de mamar ou sobre como me estava a "baldar" ao serviço. E ainda hoje se fala disso. Eu só sei que foram os melhores meses da minha vida!
Num país onde o "parecer" importa muito mais que o "ser" é normal que o trabalho efectivo não seja valorizado. Mas o facto de se discriminar alguém por fazer valer um direito reconhecido na lei demonstra que somos não só amadores, mas acima de tudo, uns merdas! E qualquer país civilizado reconhece que a família é o pilar de qualquer sociedade. Lembro que os direitos associados a Lei da Parentalidade visam beneficiar AS CRIANÇAS e não os pais...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A minha amiga Maria.

Esta semana reencontrei uma velha amiga: A Maria! Sim, com A maiúsculo, porque esta é a verdadeira Maria! Conheço-a há muitos anos, com ela cresci e aprendi a ler, ela me contava histórias de gente conhecida e desconhecida (uma verdadeira coscuvilheira, a Maria) mas, acima de tudo, a Maria povoa como nenhuma outra o meu imaginário de adolescente que descobria o interesse pelo sexo. Com ela aprendi tudo sobre sexo (nas suas mais variadas vertentes!), sobre gravidezes inesperadas, encontros e desencontros fortuitos, dúvidas, sustos e traições. Tudo isto do ponto de vista das mulheres o que, penso, enriqueceu bastante o meu conhecimento acerca delas!! Após muitos anos de afastamento eis que a reencontro! Constato que mudou pouco mas mesmo assim perdeu o brilho com que a recordava. Talvez não por culpa dela mas sim minha. Hoje, a minha visão de adulto consegue filtrar toda a luz que, inocentemente, via nela. Hoje farto-me de rir com a Revista "Maria"!
Quando encontrei uma delas, perdida no meio das revistas cor-de-rosa que sempre se encontram pelos hospitais não resisti. Procurei apressadamente a secção "Consultório Sexual" (noto que agora existem páginas rosa "para ela" e azuis "para ele"), páginas que invocam em mim imagens da minha adolescência sexual! E exulto quando descubro que nada mudou! As mesma perguntas parvas, as situações imbecis, caricatas, impossíveis de acontecer com pessoas reais! Situações descritas por pessoas inocentes num tom quase infantil. Tão inocentes e infantis que nem se apercebem que relatam situações que bem poderiam fazer parte de um qualquer filme porno! Há quem insista que são textos imaginados pela redacção da revista, que é impossível que alguém normal tenha aquele tipo de dúvidas e que, acima de tudo, as exponha numa revista de tiragem nacional. Mas acredito que sim, que são pessoas reais com dúvidas reais. Basta ver os cromos do "Big Brother" ou do "Ídolos" ou de qualquer outro reality show para ficar convencido! Mas quase tão hilariante como a questão colocada é a explicação do "consultor sexual" da redacção. O tom é inocente, quase pueril e paternalista. Como se explicasse a uma criança que encontra o vibrador dos pais e brinca alegremente com ele que, na verdade, aquele objecto tão engraçado não é nenhum brinquedo de criança. Vejamos este pequeno exemplo:


Em resumo: a senhora, de livre vontade, acedeu aos pedidos do marido. Teve prazer mas não quer repetir porque não achou romântico. A resposta da redacção inclui "preconceitos sociais", blá, blá, blá, blá, "praticam com ternura", blá, blá, blá, "odeiam". E quanto à atitude paternalista com que a "psicóloga aconselha" (reparem que é "psicóloga e não "psicólogo"): "a leitora (...) parece ter conseguido usufruir do prazer que a estimulação anal proporciona". WTF!! Ela afirma que teve prazer, sem dúvidas!!

Bom, eis o meu (não solicitado) aconselhamento: minha cara leitora, ninguém a obrigou a ter sexo anal. Seria mau se o seu marido a tivesse forçado ou tivesse utilizado a velha técnica do "Oooops! Escorregou, desculpa... foi sem querer!". Mas não. Ele pediu e a leitora acedeu. E, como a própria afirma, teve prazer! Agora queixa-se que o seu marido quer mais. Bom, quanto a isso... oferecer esse tipo de experiência a um homem, ter e dar-lhe prazer e depois recusar!! Isso é o nosso Suplício de Tântalo!! É cruel e não se faz, minha senhora... Ah, porque não é romântico e parece animalesco! Aquela treta que a psicóloga escreve "alguns casais praticam-no com ternura..."? Desde quando é que levar no cu é romântico?!?! Que o diga o Tomás Taveira...



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ferozes Felinos Felizes!

DOIS FEROZES FELINOS À SOLTA NA COSTA DA CAPARICA!!! Um enorme leão, bem parecido e de pêlo lustroso, e uma pequena e fofinha cria de tigre (mas não menos feroz) passearam-se alegremente pelo estradão junto ao mar, na Costa da Caparica. Não se sabe de onde vieram mas foram, decerto, a atracção principal daquela tarde solarenga, sendo o alvo de todas as atenções de todos aqueles que se passeavam naquele local. O sentimentos das gentes foi de confusão no início pois, se eram numerosos as bruxinhas, as carochinhas, os palhacinhos, os spidermanzinhos, os Noddyzinhos e os piratazinhos, a presença de uma cria de tigre e de um leão adulto (principalmente este!) não é visão comum por estas bandas. O leão (talvez devido à sua corpulência?) chegou a ser confundido com um urso, tendo-se ouvido alguns "Ólhó urso!" logo contrariados por "Ora essa, não se vê logo qué um leão?! Olha para a cauda!" Estes dois simpáticos animais passearem-se alegremente durante algumas horas, ora saltitando entres as enormes pedras que formam o paredão praticando assim as suas manobras de caça e evasão, ora simulando perseguições entre os dois e jogos de caça com emboscadas de parte a parte. Algumas pessoas mais destemidas aproximaram-se para tirar fotografias com os felinos e até para dar festinhas, principalmente na queriducha cria mas também no leão adulto! Pode afirmar-se sem dúvidas que estes dois fizeram alguns fãs!
Depois divertiram-se fazendo acrobacias verdadeiramente felínicas no parque infantil situado ao lado do estradão, colhendo aí a simpatia das crianças e arrancando algumas gargalhadas dos adultos presentes. Os simpáticos e enormes gatinhos acederam a deixar fotografar-se para o "Cheirinho a éter..." para que todos possam admirar as suas belas e luzidias pelagens...



(Eu e o meu filhote Gabriel divertimo-nos à brava! De facto, um filho pode dar-nos a coragem de fazer coisas que nunca faríamos sozinhos!!)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Para o António C.

Bem-vindo pá!!

(sem palavras)

Entre o processo Casa Pia, a face oculta, o polvo e a palhaçada á volta do Orçamento de Estado apraz-me dizer apenas isto: estamos entregues à bicharada!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma nova perspectiva.

O tema que estamos prestes a abordar gera bastante controvérsia e até alguma polémica, principalmente entre o público feminino: falo dos WC públicos! Esta é uma reflexão relativamente recente para mim uma vez que, embora seja utente mais ou menos frequente dos WC públicos a utilização que deles faço é, digamos, pouco íntima. Pouco íntima porque não implica contacto físico com as porcelanas... Na verdade, a utilização dada pelo público masculino aos WC públicos resume-se a isto: entramos a correr, despertamos as calças, agarramos na anatomia e.... AHHHHHHHHHHH! É o alívio. Mas, de há alguns meses para cá tenho vindo a ter uma experiência diferente, experiência essa que resulta de uma diferente forma de utilização desses espaços. É que o Gabriel deixou de usar fraldas.

Subitamente, após o sobejamente conhecido (pelos papás) apelo "Quero fazer xixi!" eis que a realidade dos WC públicos me é desvendada com a força de um murro nas trombas: AQUILO É NOJENTO!!!! Mas que m.... será possível que tanta javardice seja proveniente de seres humanos suficientemente civilizados para saberem o conceito de "centro comercial"? As pingas na sanita, razão de tanto debate entre Marcianos e Venusianas têm agora um diferente significado. Claro que continuo a achar que as reclamações domésticas das mulheres relativamente àquela insignificante pinguinha que cai no tampo da sanita após o último abano da extremidade são apenas um pretexto para nos moer o cérebro mas, CARAMBA!! Uma coisa é urinar tudo para a sanita e cair uma pinguinha no tampo, outra completamente diferente é urinar tudo no tampo e deixar cair a pinguinha na sanita!! E depois, há gajos que mijam no tampo, no chão, no autoclismo e no tecto. Em tudo menos no buraco da sanita. F*****-se!! É a mesma merda que falhar um penalty, com dois metros e tal de baliza conseguem acertar em dez centímetros de poste!! Depois há aqueles que fazem pintura com o , dando a ideia que o andaram a arrastar por todo o lado após se terem esvaziado de toda a merda que lhes ia dentro....

Felizmente o meu Gabi é um gajo!! E um gajo mija de pé. Assim, e apesar de tudo, essa nojice pegada acabou por ser um bom motivo para ensinar o miúdo a fazer xixi de pé! Pezinhos em cima do tampo da sanita, calcinhas em baixo e OOOOOPS!! Já está! Depois é passar um papelinho para limpar as tais pinguinhas (que a criança ainda não domina todo o seu pequeno corpinho). Neste momento ele já é capaz chegar com a pilinha onde é preciso! Mas ainda ontem, quando eu precisei de usar um urinol público, dei por mim a advertir: "Não toques em nada sem o papá dizer".
Mas se for um cocózinho... o que tem de ser tem muita força!!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Porque nem só o CR espatifa Ferraris...

Lição do dia: não façam filmagens enquanto conduzem...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Powersong.

A powersong é um conceito introduzido pela Nike e pela Apple no sistema Nike+. Na verdade trata-se de uma música de motivação, aquela música que nos dá aquele empurrãozinho para se correr mais uns metros. Pode qualquer música que se encontre gravada no iPod e só tem que ser predefinida no sistema. Depois é só carregar no botão quando estivermos nas lonas!
Não canso de me impressionar com a energia que vem da música. Da maneira como ele parece renovar a nossa força e nos empurrar as pernas por mais uns metros. Durante esses minutos todo o corpo está "ligado" a uma enorme fonte de energia e as pernas parecem correr ao ritmo da batida. A minha actual powersong é forte na batida, agressiva nas guitarras e o vocalista grita que se desunha!! Sintam a energia...


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O que é que a Noite tem?

Num hospital o Tempo avança de outra maneira. Poderíamos até dizer que estamos noutra dimensão de Tempo. Porque, aqui o Tempo não pára, não descansa, não dá tréguas. O Tempo avança e empurra-nos com ele. São as luzes que nunca se apagam completamente. Sempre há uma luz, num qualquer canto, a marcar presença. A velar, a vigiar, a lembrar-nos que está ali. Aqui, também a Noite é diferente. Quando o resto do mundo se apaga e adormece, aqui outra vida se levanta. E transformações acontecem.
O que é que a noite tem? O que é que a noite arrasta? Os doentes, deitados nas suas camas, transformam-se. Aquele velhote querido que deambula pelos corredores, escrevendo cartas de amor às enfermeiras com a sua caligrafia trémula e num português que já não se usa, aquele velhote que, durante o dia conta com orgulho os seus feitos amorosos aos enfermeiros já não está lá. No seu lugar está um velho corpo que se contorce na cama e tenta fugir dali. Uma velha carcaça que nos cospe e insulta, que defeca junto à cama, que arranca a roupa e grita. Faz-se o costume. As amarras ainda existem no séc. XXI, estão nos punhos dele e uma injecção adormece-o. Os fantasmas foram-se.
Aquele ex-combatente do Ultramar, negro, que deu os olhos, uma perna e meio braço em troca da liberdade. Aquele negro afável que não entende o que dizemos, que fica na cama ouvindo o seu rádio e diz "obrigado" a todas as nossas solicitações. A noite chega e com ela os berros, os lamúrios, as preces murmuradas em crioulo têm um sombra ainda maior. Aproximo-me da sua cabeceira e ele está de olhos fechados. A dormir? Ou preso num mundo de dor que teima em o perseguir? Ouço um som, um baque. Vou até ao seu quarto e a cama está vazia. De um canto escuro surge um vulto que se arrasta. Pelo chão, só tem meio braço e uma perna e arrasta-se. Com os olhos fechados e dirige-se a mim. Assusto-me. Mas é só o negro velho. Pego nele e sinto que estou a pegar num animal selvagem qualquer. Contorce-se e grita. Adormece horas depois.
Aquela mulher que entrou ontem. Um AVC levou-lhe metade do corpo. Para ela só existe a direita e ignora a esquerda. Consegue exprimir-se razoavelmente e está orientada durante o dia .Sabe onde está, como se chama, em que ano estamos. Diz-me que tem fome mas não consegue comer. A sua garganta já não lhe obedece. O leite que lhe dou pela sonda nasogástrica não a satisfaz. Calculo que eu próprio não ficaria satisfeito se a comida me fosse colocada directamente no estômago. Explico-lhe e ela parece resignada. Chega a noite e a senhora altera-se. Encontro-a com a perna direita pendurada fora da cama. Mas o resto do seu corpo traiu o seu plano de fuga. Diz que o seu marido a chama da cozinha, que precisa de fazer o jantar. Julga que está de novo em sua casa, no seu quarto. Não faço nada de especial, não há nada a fazer e fico mais descansado porque sei que a sua metade-morta nunca a deixará sair daquela cama. Nem de nenhuma outra.
O que é que a noite tem?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Aqui há talento...

Vi ontem na RTP1 uma pequena reportagem sobre uma nova rede social cibernética que se destina a conectar os portugueses mais talentosos espalhados pelo mundo. Até aqui tudo bem muito embora esta coisa de diferenciar um grupo de portugueses tendo como critério o seu "talento" um pouco pretenciosa. Mas adiante.
A reportagem segue, os "talentosos" falam, os mentores, impulsionadores e patrocinadores congratulam-se. Eis senão quando, no meio de tanto elogio à portugalidade, reparo na música de fundo. Tentava eu lembrar-me qual a banda portuguesa que produzia tão enérgicos e motivadores acordes de guitarra. Estava mesmo debaixo da língua e... EUREKA!!! Dou-me conta que é uma banda que representa Portugal como nenhuma outra os... Placebo.
Hoje pesquiso no Google esse tão luso sítio na rede e digito: star tracker. Star Tracker? Cujo o o endereço é www(dot)thestartracker(dot)com? Deve ser engano... isto está tudo em inglês!! Mas depois vejo, em jeito de subtítulo: "Global Portuguese Talent". E mais abaixo: "we connect portuguese talent through an invite only network". É caso para dizer... FODA-SE (falando em português correcto)!! Então é uma rede que visa reunir os talentos portugueses espalhados pelo mundo para que possam trocar informações que os ajudem mutuamente a ter sucesso e só se entra por convite? Então e nós, os burrinhos? Não podemos ter acesso ás mentes brilhantes lusas? Olha, lá teremos que nos amanhar com o Facebook! Sim, porque era o que faltava, haver misturas entre classes. , isso é muito século XX.
E ainda por cima está tudo em inglês. Não se percebe um ca******lho...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desculpem lá...

... mas devido ao imenso spam que tenho recebido na caixa de comentários vejo-me forçado a activar essa coisa chata que é a verificação de palavras dos comentários.

O que quero ser quando for grande!

Se há programa que me dá prazer quando o vejo, esse programa é o "Top Gear", que passa no Discovery Channel. Eu, que não percebo nada de carros, gosto de carros. Da sua aparência, da velocidade, da potência, do barulho dos motores! Os pormenores técnicos aborrecem-me. Não sei bem o que é o binário, não percebo nada de transmissões e nem quero saber o que é o bujão do óleo! Mas gosto de ver o Top Gear. Pelos super-carros que testam, pelas dicas práticas sobre os carros mais acessíveis, pelas loucas corridas que fazem com os carros que lhes emprestam (!), pelos desafios a que se propõem desde atravessar África em "chaços" velhos e decrépitos, uma corrida entre um carro e um trenó puxado por cães até ao pólo norte, uma corrida através de Londres em hora de ponta entre um enorme jipe Mercedes, um bicicleta, um barco (pelo Tamisa) e os transportes públicos! Mas gosto do programa acima de tudo por causa do bom-humor constante, da galhofa constante entre os apresentadores, pelas excelentes tiradas do enorme James Clarkson! É gente que percebe de carros, que gosta de carros e que se diverte à brava a trabalhar!! Este texto não é tanto sobre o Top Gear mas sim sobre aquele tipo de trabalho que apetece fazer. Sempre que vejo o Top Gear não deixo de sentir uma ponta de inveja daqueles 3 divertidos "cromos dos automóveis". Porque têm a oportunidade de conduzir grandes bombas, porque se fartam de viajar, porque inventam desafios perfeitamente idiotas só ao alcance de crianças em ponto grande! E como se divertem!
Sinto o mesmo em relação aos jogadores de futebol. Caramba, esses anormais ganham milhões a fazer uma coisa que a maioria dos mortais faz apenas como divertimento! E ainda temos de pagar pela utilização do campo! Por isso não percebo tenho dificuldade em tolerar a incompetência de certos jogadores. ELES SÓ FAZEM AQUILO!! Treinam duas vezes por dia durante duas ou três horas, têm o resto do dia livre e fartam-se de ganhar dinheiro. E nem é preciso ser um CR7/9!.
De há uns tempos para cá tenho reflectido nisto de ter um trabalho em que, na prática o que é preciso é não crescer e cultivar a criança dentro de nós. Gosto do trabalho do Nuno Markl e o que ele se limita a fazer é pegar em coisas quotidianas, suas ou de outros, acontecimentos banais que ocorrem na vida de todos e abordár todos esses temas de uma perspectiva diferente e divertida. No fundo, o homem é pago para contar piadas. E isso deve ser bem divertido! E aqueles fulanos que testam os videojogos antes de eles serem lançados para o mercado? São pagos para jogar Playstation!
Numa conversa com um grande amigo especulávamos sobre a criação de um negócio que fosse uma alternativa aos doentes. Como ele é um gourmet perfeccionista e com o gosto da experimentação e inovação na cozinha sugeri a criação de um restaurante. Seria a combinação perfeita: ele seria o responsável pela cozinha e pela gestão das economias, encomendas, pessoal, etc. (ele é um tipo muito, mas muito responsável) e eu seria a referência do espaço. Aquela pessoa que recebe os clientes, que os conhece pelo nome, que repara como a esposa do Sr. Engenheiro mudou as nuances do seu cabelo. Alguém bem-falante e comunicativo, simpático e agradável. Isso sim, era um trabalho que não me importava nada de fazer!
Por vezes imagino-me a fazer algo bem diferente do que faço e já consegui encontrar algumas actividades que me agradariam:
-Logo à partida, começar a cobrar por cada visita aqui ao blog (brincadeira!! Nunca faria isso e, além do mais, ninguém pagaria por isto!!).
- Escrever um best-seller internacional e viver dos rendimentos.
- Criar o meu filho para ser o próximo CR (mas inteligente)/Federer/Tiger Woods (sem as amantes)/Schumacher e viver dos rendimentos dele.
- Patentear uma invenção que todos utillizassem e viver dos rendimentos.
-Ser vencedor do Euromilhões e viver dos rendimentos.
Acho que perceberam a ideia.

É como andar de bicicleta.

Nas urgências uma doente pediu-me que lhe desapertasse o soutien (estava a incomodar porque a senhora tinha um dor nas costas, nada de ideias...). Enfiei-lhe a mão direita por baixo da roupa e ZÁS!! Desaperto-lhe o soutien à primeira apenas com os três primeiros dedos da mão direita!!!
Realmente, quem sabe nunca esquece...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Basta um Sorriso.

Reli o post anterior, acerca do Rex. Na verdade esse texto ficou tão aquém daquilo que eu tinha pensado que resolvi voltar ao tema. O meu filhote! Aquilo que eu pretendia descrever vai tão além daquilo que escrevi... o que é facto é que não encontro palavras para descrever as emoções que aquele miúdo causa em mim. Hoje passámos a tarde toda a brincar num fantástico parque verde com estruturas para as crianças. Escorregas, paredes de escalada e estruturas de cordas para trepar. E pinheiros e relva. Levámos uma bola para jogar. E jogámos! E andámos no excelente escorrega que era comprido e grande ao ponto de eu lá caber dentro e me divertir a escorregar! E, quando pensava que o Gabriel ia ter receio de escorregar sozinho, eis que o puto se manda lá para dentro, feliz e divertido! Ele correu atrás de mim e a fugir de mim, subiu e desceu escadas, aprendeu comigo a fazer aquela espécie de cambalhota, quando apoiamos a nossa barriga num ferro e depois rodamos o corpo usando esse ferro como eixo, pediu-me ajuda para subir para o cimo da parede de escalada e depois atirou-se para os meus braços. E ria-se! Muito, aquelas gargalhadas que só as crianças são capazes de produzir, límpidas, cristalinas e sinceras. Pelo meio destas brincadeiras surgiu o Rex, claro! E não deixou de me surpreender quando, ao subir as escadas em direcção ao escorrega pediu, simulando uma voz de cansaço de quem atravessou um deserto: "Rex, ajuda-me...". E o Rex ajudou. Depois o Rex escondia-se atrás das árvores e saltava ao caminho dele, rugindo com as garras em riste!! Quando anoiteceu eu e o Rex estávamos exaustos! Mas ele não! Chorou que não queria ir embora mas foi. Limpou as lágrimas e deu-me a mão (a mim ou ao Rex?) e quando entrámos no carro disse que tinha adorado a brincadeira. Arranquei e ele adormeceu.
Por vezes esqueço-me da idade do meu filhote: 2 anos e (quase) 10 meses! Caramba! Nem 3 anos ainda e já tão independente, tão desembaraçado fisicamente e tão fluente no discurso. A sua imaginação não tem limites, a sua energia é inesgotável, é rebelde e tem personalidade, não é grande fã de beijinhos e abraços mas consegue ser tão meigo que nos abraça e beija quando não o esperamos! O seu sorriso ilumina a milha alma, se ela existir...
Releio e vejo que as palavras continuam a não descrever exactamente aquilo que sinto.
(isto está perigosamente parecido com um babyblog...)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Rex.

O Rex é um dinossauro. É um dinossauro porreiraço, gentil e companheiro. Um compincha das brincadeiras do Gabriel. O Rex tanto pode jogar à bola, como à apanhada ou às escondidas. O jogo preferido deles é uma mistura entre escondidas e apanhada onde o Rex se esconde e o Gabriel procura. Quando o Gabriel encontra o Rex, este ruge e corre atrás dele! É uma diversão. Por vezes é o Gabriel que persegue o Rex, munido das suas espadas imaginárias ou de outras munições que nascem no seu bolso e nunca acabam. O Rex é um grande amigo do Gabi. O Rex sou eu.
Isto do meu alter-ego (apesar de ter sido criado pelo meu filho) ser um dinossauro tem muito que se lhe diga. Logo à partida, a voz! Um dinossauro que se preze deve ter uma voz rouca e potente, uma espécie de rugido perceptível, e isso dá conta de qualquer garganta. Ora, como o Gabi gosta particularmente de falar com o Rex durante as viagens de carro, não é de estranhar que além de me doerem as costas também esteja rouco!
Mas o que mais me fascina nesta brincadeira é o facto de eu e o Rex partilharmos em simultâneo o mesmo corpo. Quer isto dizer que o Gabriel tanto pode estar a falar com o Rex como com o Pai! Por exemplo: -REX! REX! Esta é a espada dos dinossauros! Foi o pai que deu! (a propósito de um sabre de pirata que lhe ofereci esta semana). Ou então, quando ele chama pelo Rex e eu respondo com voz de Pai e ele replica "NÃO QUERO A TI! QUERO O REX!!".
E aí eu pergunto:
-Onde está o Rex filho?
-Está atrás de ti, Pai!
-Atrás de mim?
-SIM! Ele é grande e tem uma boca grande!
-E quem é o Rex, Gabi?
-És tu!!
Dizem que a imaginação é sinal de inteligência.

Porreiro pá!

Chego ao trabalho e descubro que bloquearam o acesso ao Facebook. Começou a retaliação por causa da greve!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Verdades Absolutas acerca de ser Pai

Se houver uma poça de lama ou semelhante nas imediação do nosso filho-em-queda, é certo que é lá que a queda se dará.

Verdades Absolutas acerca de ser Pai

Se gritarmos "OLHA QUE VAIS CAIR!!" ao nosso filho enquanto ele corre desenfreadamente, é certinho que ele se vai espetar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mas que originais que somos!

Dei-me hoje conta que a televisão portuguesa está na vanguarda da produção de ficção. Fiquei siderado com a originalidade quer da SIC quer da sempre vanguardista TVI. Falo de duas produções de nome "Lua Vermelha" e "Destino Imortal". Reparem no conceito destas duas séries: vampiros adolescentes!!! FANTÁSTICO!
Confessem lá, confessem que nunca vos tinha passado esta ideia pela cabeça! Que mentes, que criatividade, que on-the-edge é a televisão portuguesa. Vampiros adolescentes que serão representados por modelos-actores e actores pós-"Morangos com Açúcar", já que os vampiros são seres de uma beleza estonteante e cheios de glamour. Haverá uma história de amor que cruzará um vampiro e uma humana, conflitos entre vampiros bonzinhos e gangs de vampiros mauzões mas os vampiros estão perfeitamente integrados na sociedade humana, frequentam as nossas escolas e, pasme-se este conceito, andam em plena luz do dia!!
Já estão a ver este conceito a ser plagiado descaradamente pelos americanos, originando grandes franchisings cinematográficos de nomes do tipo Crepúsculo, Lua Nova, O Diário do Vampiro e outros sem piada nenhuma!
(Na verdade, quer a SIC quer a TVI são TV-vampiro. É o tipo que se alimenta das ideias de outras.)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sobre o direito civil de alguns portugueses.

Na minha opinião, toda esta historia do casamento gay e adopcão por casais homossexuais nem devia sequer ser discutida pois trata-se de um direito fundamental de qualquer individuo. Contudo não posso deixar de chamar a atencão para uma opinião brilhantemente fundamentada e elaborada acerca deste assunto.
Sejam a favor ou contra não deixem de ler.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Usado como novo.

Por vezes aparecem-nos nos Internamentos uns velhotes castiços! Doentes mas sempre bem dispostos. A Rosinha dos Limões (é assim que a chamo e entro no quarto dela a cantar a canção homónima!) é uma dessas velhotas. 94 anos cheios de energia que a doença veio roubar. Hoje, enquanto lhe dávamos banho, a minha colega comentou:
-A Dona Rosa tem um pipi muito bonito! Bem feitinho, pequenininho. Mesmo giro!
-Diz filha? Ouço mal sabes...
-ESTAVA A DIZER QUE TEM UM PIPI TODO BONITO!
-... ó filhinha... está assim porque teve pouco uso. Antes estivesse estragado e tivesse sido usado.
Ora toma.

O Sonho Mau que não foi.

Ontem tive um sonho mau, muito mau. Um pesadelo. Sonhei que um casal se tinha divorciado e desentendido. A sua filha ficou no meio da guerra entre dois adultos. No meu sonho a menina não queria ver o pai. Gritava e esperneava e recusava ficar com ele. O pai afirmava que e menina estava a ser manipulada pela mãe, esta recusava e a menina dizia que o pai lhe mexia no pipi e que ela não gostava. O sonho continuava no tribunal e, entre acusações e ataques entre os progenitores, o juiz decidiu que a menina tinha que ficar com o pai e ordenou à GNR que fosse buscar a menina. E os agentes iam e depois escreviam nos seus relatórios que a menina chorava e gritava e que não queria. E diziam aos seus colegas (off the record) que isso lhes cortava o coração mas era a lei.
No meu sonho mau isso não resultou. O juiz decidiu então, depois de ouvir psicólogos e pedo-psiquiatras, que a menina sofre de um síndrome de alienação parental. Mas todos os especialistas lhe disseram que esse síndrome não existe. Não consta das tabelas de doença da OMS e que ele não devia basear uma decisão judicial nesse facto. Mas, todos sabemos como os sonhos são estranhos, o juiz decidiu retirar a menina a ambos os pais e mandou que fosse internada num orfanato. Mas não um orfanato qualquer. Um orfanato que ele próprio escolheu.
Realmente os sonhos são muito estranhos por vezes. Sonhei que esse orfanato faz parte de uma extensa rede de orfanatos da Igreja Evangélica (subsidiados pelo estado) que levam os meninos às suas igrejas, para serem evangelizados. Dizem os responsáveis que as crianças não são obrigadas, que escolhem. E volto a sonhar que foi o juiz que escolheu esta instituição, sem qualquer outra consulta.
Mãe e pai da menina só podem ver a filha uma hora por semana, numa sala despida e com a presença de duas funcionárias. Não podem tirar fotografias nem levar brinquedos. Se não fosse um sonho eu diria que se tratava de uma prisão. Mas não, no sonho vejo um orfanato. No meu sonho mau, a menina não tem previsão para voltar a ser entregue a um dos pais. Está afastada dos seus pais, da sua casa, dos avós, dos amigos, da escola, do seu mundo sem que haja um final definido para o tratamento determinado pelo juiz. O juiz entregou essa decisão ao orfanato. Também lhe entregou a custódia da menina e a responsabilidade pela sua reabilitação. Neste sonho mau a menina pertence-lhes.
Hoje acordei angustiado pelo meu sonho mas depois ocorreu-me. Isto não foi um sonho! Isto é real, vi ontem na RTP1 logo depois do Telejornal, no programa Linha da Frente. Aconteceu no States, onde a realidade nos ultrapassa? Não. Em Portugal, em Fronteira. A realidade ultrapassa largamente a ficção...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Farinha do mesmo saco.

Farinha do mesmo saco. Os homens são todos farinha do mesmo saco. Pelo menos é o que tenho ouvido dizer, da parte de algumas mulheres. Que tipo de mulheres? As traídas! E é impressionante o que uma mulher atraiçoada pelo marido é capaz de verbalizar. Para este tipo de mulher todos nós somos demónios traidores, mesmo quando não traímos! Se não estamos com outra mulher, temos planos para isso! E como é que eu sou capaz de afirmar isto? Fácil! São elas que mo dizem!
Nunca me hei-de esquecer do que uma funcionária de um hospital me disse quando soube que eu estava já casado e já com alguns anos de duração... "Isso não dura muito. Um jovem como você, que passa mais tempo em hospitais do que em casa... não tarda nada está metido com alguma doida dessas que praí andam. Se é que já não anda! Tantos anos a comer o mesmo bife com batatas fritas, qualquer homem enjoa." Reparem que a dita senhora elaborou este brilhante e elaborado raciocínio apenas na posse de alguns factos: que eu sou novo, trabalho muito e gosto de variar o bife que ando a comer! Sendo que o elemento aglutinador desta tese é o facto de eu ser um homem! E isso é suficiente.
Na minha faixa etária é muito comum encontrar mulheres divorciadas. São aos magotes! E como o seu discurso é semelhante! "Homens... todos iguais. Um marido de uma amiga arranjou uma brasileira na net. Achas normal? Já o porco do meu ex-marido também arranjou uma porca qualquer pela internet." Aqui os lugares comuns são: trocamo-las sempre por brasileiras que encontramos pela internet. Sendo bastante comum encontrar-me a escrever num dos computadores do serviço (como agora, por exemplo!) algumas delas tentam perceber se eu estou a falar com alguma "gaja"!
Mas o cúmulo dos cúmulos acontece quando essas generalizações são feita por alguma familiar. Neste caso uma mulher da minha família que se encaixa no grupo das traídas. E dizia ela, falando para a minha mulher como se eu não estivesse na sala: "Homens é tudo farinha do mesmo saco! E piora com os filhos! Então quando vem o segundo... parece que ficam loucos! E com a avançar dos trinta começar a pensar mais neles e nas suas necessidades... parvalhões. Lembras-te da P.? Aquela que tina uma relação de sonho, saiam, viajavam, ela dava-lhe imenso espaço e confiava nele a 100%? Pois é. Ele arranjou outra. A autora de um blog que ele seguia... metem-se na internet e depois dá nisto!" Depois, virando-se para mim: "Vocês são todos farinha do mesmo saco!"
Vejamos então o perfil: trinta anos, dois filhos, usa muito a internet, frequenta redes sociais como blogues, por exemplo, trabalha muito fora de casa e, claro, ser homem. Estou tramado.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais um momento perfeitamente escusado de crítica literária.

Sempre fui, abertamente, um defensor do Saramago. Fiquei do seu lado na polémica pré-lançamento de "Caim" e considerei que saiu vencedor no debate com a Igreja. O que eu admiro em Saramago, mais do que a escrita, são as premissas que originam os seus romances e a argúcia com que ele faz uma certa crítica social nos seus livros. Não os li todos, mas li bastantes para apreciar a sua obra. "Caim" é um flop. Uma mera forma de ganhar uns trocos para pagar os cuidados da velhice. Uma obra escrita à pressa.
Mas, pior que tudo isso, afinal o homem pode fazer "render o peixe" da maneira que entender, é que "Caim" trai todo o espírito saramaguiano na medida em que, em vez de ser uma crítica bem elaborada e estruturada e com um ponto de vista diferente mas legítimo (como o foi "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" que conta uma história sobejamente conhecido através de um ponto de vista diferente mas perfeitamente legítimo), trata-se antes de um exercício de sobranceria e arrogância do autor sendo mesmo ofensivo em algumas partes.
Em "Caim", Saramago aproveita o desterro a que Caim foi votado por Deus após assassinar o ser irmão Abel e imagina uma viagem que o leva a testemunhar alguns dos actos mais sanguinários descritos na Bíblia, desde o dilúvio do qual só sobreviveram Noé e a sua família e animais, passando pela destruição da torre de Babel e pelo genocídio ocorrido em Sodoma. Acontece que estes eventos não ocorreram na mesma época em que viveu Caim! Calculo que Saramago seja um grande fã da série "Lost" porque acontece a Caim exactamente aquilo que acontece às personagens perdidas na ilha durante toda a 5ª temporada (quem não viu que se informe porque eu não quero estragar a expectativa a ninguém)! Depois há muito sexo com sémen espalhado por várias partes do corpo da mulher, há violência gratuita sempre vinda da parte de Deus, que a propósito, é um sacana sem lei da pior espécie, um déspota que retira prazer do sofrimento humano e até os anjos são meros funcionários manietados por esse crápula, discordando dele à boca pequena.
Eu não sou de todo cristão, nem católico, nem de outra religião qualquer mas respeito. E, agora sim, depois de lida a obra, a Igreja tem argumentos para atacar o velho sabichão do Saramago. Em primeiro lugar porque a narrativa do livro é imensamente rebuscada e depois porque, enquanto obra de relevo, "Caim" é muito fraquinho.
Ó Saramago, não havia necessidade.... (mas, mérito seja reconhecido, safaste-te bem nas vendas durante o Natal, hmmm?)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Será a Festa do Pijama?

Minha gente. Mesmo para ir ao hospital porque se está doente tem de haver em nós uma réstia de dignidade. E ir de pijama para as urgências anula uma dignidade já fragilizada pelo facto de estarmos pálidos, despenteados, com os olhos encovados, a irmos constantemente ao gregório e a cagar fininho. A tendência natural dos profissionais ao avistar um doente de pijaminha é a de desconfiar. Alguém que sai de casa com um pijaminha cor-de-rosinha-com-ursinhos-carinhosos só pode querer chamar a atenção! Ou então é louco! Logo dois dos estereótipos menos aceites em contexto de urgência! A não ser que vos tenha dado um enfarte fulminante ou uma queda com perda de massa encefálica... vistam-se! E, façam o que fizerem, não vão para o hospital com aquelas pantufinhas-fofinhas-e-quentinhas-em-forma-de-cãozinho-de-olhar-meigo. É... deprimente. Também há a variante chic destes doentes. Os que usam chinelinho de pele e pijama com roupão de seda ou cetim! Meus amigos, não importa se é um pijama com griffe Louis Vouitton ou D&G. Um pijama é e será sempre um pijama.
O mesmo se aplica aquelas pessoas que passam o fim-de-semana de pijama vestido. Mas há coisa menos dignificante do que vir despejar o lixo de pijama? Não, não há. Mas qual é o problema em vestir uma roupa normal? Nem que seja um fato-de-treino! Um pijama é roupa-para-dormir. Dormir. Não para despejar o lixo ou passear o cão, para almoçar e estar a abobrar no sofá! Já pensaram que ninguém dorme com a roupa que enverga durante o dia? Eu pelo menos não!
Para mim, o conjunto pijama-felpudo/roupão-fofinho é das coisas mais deprimente e menos apelativas que há. Admito que há pijamas bem giros e que até são bastante atraentes mas lamento constatar que aqueles que aparecem no hospital são sempre ou rosa com ursinhos, ou azuis com gatinhos ou amarelinhos canário! E todos nas versões tecido-fofinho-mas-extremamente-sintético! Juntem-lhe as tais pantufas e voilá! São oficialmente os doentes-pateta!!!
Eu não uso pijama. Boxers e t-shirt. E não vou assim para as urgências.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Verdadeira Causa da Extinção dos Dinossauros.








(Ou, o que fazer com um filho quando chove a potes lá fora...)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Entrar no espírito da coisa.

Completamente dentro do meu papel de trolha (como tão simpaticamente me baptizaram nos comentários ao post anterior) hoje, ao ver a minha mulher e as suas formas gravídicas dei aqueles dois míticos assobios e...
FUIIIIII FUIIIIIU!
Pareces um helicóptero!! És gira e boa!!!
(e não, não é uma "cozinha rústica".)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uma Carreira Alternativa.

Andamos em obras cá em casa. O meu pai, hábil e sábio mestre-de-obras mostrou-me aquela que pode bem ser a minha carreira de sucesso alternativa: servente de pedreiro!
Ah, deviam ver a força a carregar com aqueles enormes baldes de entulho, a habilidade a passar as ferramentas ou a subtileza com que falhava todos os palpites...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Chamar os blogs p'los nomes!

Eu vou descobrindo blogs novos através de vários caminhos diferentes. Ou através dos comentários que deixam por aqui, ou através da lista da origem dos meus visitantes que consulto diariamente na página que faz a estatística aqui do pasquim ou através da listas de blogs existente nos blogs que eu próprio sigo.
Contudo eu sou um gajo exigente e não ando por aí a clicar em tudo o que é link para blog! Nada disso. Quando criei este blog achei que o nome devia ser ao mesmo tempo original e diferente mas devia definir o espírito da coisa. Não sei se fui bem sucedido mas pronto, saiu o título que encontram lá em cima, por cima do Calvin em cuecas. E esse é o meu principal critério na escolha dos links a clicar: o nome do blog! Quero aqui deixar alguns exemplos de nomes de blogs que eu considero de alguma forma originais e que me levaram a descobri-los:
-"Digo eu com os nervos...", fiquei com vontade de saber o que a autora dizia com os nervos!
-"O Doutor dá licença?" é uma expressão mítica para quem trabalha em hospitais!
-"Optimistas são pessimistas mal informados", este confesso, é um dos meus preferidos!
-"Porque deixei de ser enfermeiro", chamou-me a atenção por razões óbvias.
-"Xarope pa tosse", muito bom!
-"Como escrever uma tese como deve ser!" é também muito original
-"Odeio o travian", como não espreitar um blog com este título?
-"A Vontade de Regresso" pensei que era um blog sobre viagens e o primeiro post que li falava de enviar postais das nossas viagens, nem que fosse para nós mesmos! Enganei-me.
-"De Mel de Melão", fiquei com a sensação que era um de culinária e como gosto de mel e de melão... wrong again!
Há muitos mais por aí, e muitos ainda por descobrir! Contudo há uma pequena ressalva que gostaria de fazer... nem sempre o conteúdo do blog está ao nível do seu título e há muitos blogs EXCELENTES que não têm nomes tão chamativos...
(desculpem os blogs não estarem linkados, mas eram muitos e agora não tenho tempo!)

Vida cor-de-rosa.

Há qualquer coisa que me irrita no jet-set nacional. Ah! Já sei! É a completa acefalia dos socialites. E também a futilidade e aquela sobranceria intrínseca a quem julga que pertence a uma casta de genética superior. Mas o que me irrita mesmo são as pessoas comuns que alimentam estes fenómenos. As parvinhas que vão a correr comprar essas revistas cor-de-rosa onde se descrevem as vidinhas plásticas dessa gente plástica e de plástico. As loiras-burras cujo objectivo maior é "aparecer". As doidinhas que tudo imitam que tudo veneram, desde que apareça na bíblia-Caras. Uma ex-colega da minha mulher também queria "aparecer". Ri-me à brava quando ela de facto apareceu: na gala de fim-de-ano do Ídolos era uma das meninas a fazer aquela ridícula figurinha de "centro-de-mesa vivo" com um sorriso postiço mas com um olhar que não escondia a humilhação. Bem-feito!
A todas as wannabe de Lili, Cinha, Carolina e Pimpinhas: a nova moda é servir de centro de mesa vivo aos VIP, sabiam? Vá, vão a correr arranjar uma mesinha vaga, vão.
(acham que as enganei?)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Less is more"

Julgo que, em algumas pessoas corre ainda o sangue dos nossos antepassados recolectores. Mas esta veia recolectora, de armazenamento evoluiu para algo diferente adaptado ao modo de vida moderno e sedentário. E penso que podemos distinguir dois tipo de sucedâneos dos nossos primos primitivos recolectores tribais: os "amontoadores" e os coleccionadores.
Os "amontoadores" são aquele tipo de pessoa que não só não é capaz de se ver livre de nada que esteja em sua casa como também não é capaz de dizer que não a uma oferta ou uma "pechincha", mesmo que nenhuma destas lhe faça particular falta. Estas pessoas nunca deitam nada fora porque "Pode dar jeito". Tenho um familiar que tem a garagem atafulhada de material absolutamente inútil e obsoleto desde aqueles rádios leitores de cassetes dos anos oitenta, antenas parabólicas, televisões a preto-e-branco, pneus de carros, ferramentas repetidas, esquentadores, etc, etc, etc. Muitos deles poderiam ser vendidos a lojas de antiguidades ou usados como objectos decorativos, para aquelas pessoas que pretendam um look retro em sua casa mas não! Nada daquilo pode ser mexido porque "pode dar jeito" num dia qualquer. O mesmo se passa com os amontoadores de roupa. Pessoas que, por mais roupa que tenham nos armários são incapazes de dar a roupa que já não usam! Porque nunca se sabe quando é que aquela peça pode ser necessária! Curiosamente, estas pessoas queixam-se sempre que não têm roupa suficiente. Na minha linha de trabalho porém, existe um "nicho" destes indivíduos que me diverte particularmente. Falo dos "ratos de congresso". Os "ratos de congresso" são aqueles profissionais que vão aos congressos apenas com o objectivo de conseguir o máximo de brindes da propaganda médica que lhes for possível! Desde canetas, malas de mão, cadernos, blocos de notas, borrachas, guarda-chuvas, suportes para telemóvel, pastilhas, rebuçados, fitas-porta-chaves, ratos de computador, calendários, tapetes para rato de computador, pins e alfinetes de lapela... podia estar aqui a escrever tudo aquilo que a propaganda médica oferece. É uma autêntica corrida ao brinde onde a regra é "quanto mais melhor". E, na próxima vez que estiverem num hospital ou centro de saúde tentem reparar na quantidade de canetas que as enfermeiras (sim, as meninas são piores!) trazem na lapela... Portanto, os amontoadores armazenam coisas mais ou menos dispensáveis como as formigas armazenam comida para o inverno!
Os coleccionadores por outro lado são mais selectivos. Seleccionam um e apenas um objecto e armazenam o maior número possível de exemplares desse objecto. De sublinhar que um coleccionador ostenta com orgulho e destaca a sua colecção de objectos! Se eu até compreendo o argumento dos "amontoadores" de que "pode dar jeito", já me custa mais a entender os coleccionadores. Qual será o objectivo de coleccionar caricas, ou latas de refrigerantes? Para a maioria das pessoas estes objectos são lixo, depois de usados! E as colecções mais sérias como selos, moedas, carrinhos em miniatura, barcos dentro de garrafas, etc? Qual a utilidade disso? Já não falando de colecções que considero como sintomas de uma qualquer condição mental psiquiátrica como ementas de restaurantes, prendas e convites de casamento (mesmo que não se tenha sido convidado), pedras, cigarros, copos roubados de bares ou chávenas de café surrupiadas, colheres, etc, etc, etc...
Imagino sempre uma conversa deste tipo, num bar:
Coleccionador: Olá jeitosa! Posso oferecer-lhe uma bebida?
Jeitosa: Ui... olá homem bem parecido e atraente! Para mim um malte...
Coleccionador: Mas que bem parecida que a menina é... aposto que é instrutora de fitness. Eu sou empresário.
Jeitosa: Oh, obrigado! Mas não, sou secretária... Então e o que faz tão distinto homem nos tempos livres, para além de andar a engatar miúdas em bares duvidosos e usando frases de engate muito fraquinhas?
Coleccionador: Ora essa! Eu colecciono caricas e adoro passar horas a puxar-lhes o brilho e a dispo-las ordenadamente por ano de aquisição e por um elaborado código de cores que só eu descodifico! Gostaria de passar por minha casa para ver como desfiz cuidadosamente a curvatura causada pela abertura da garrafa devolvendo assim à carica a sua forma mais bela?
Jeitosa: Filho, eu posso estar desesperada mas tenho padrões mínimos. Adeus.
Numa palavra: deprimente.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Prémio: "Serás excomungada e arderás no fogo dos Infernos!"

"Jesus alinharia pelo casamento dos homossexuais, pois se Deus criou heterossexuais e homossexuais, quem somos nós para perseguir pessoas criadas por Deus?"

Anna Vicente, 66 anos, escritora e ex-presidente da Comissão para a Igualdade e Direitos da Mulher in "Visão" de 24 de Dezembro de 2009.

Gostava de ver os católicos anti-casamento gay a refutar este argumento...

Wondercalças?

Ninguém duvida que o wonderbra foi uma conquista na luta pelo aumento da autoestima feminina! Contribuiu também para o aumento de alguma da anatomia masculina, mas isso é uma outra história... Mas, dizia eu que o wonderbra foi, de facto uma grande conquista para as mulheres e quer-me parecer que se eles existissem nos anos 60 as feministas não andariam por aí a queimar tão prestimoso acessório. E após tanto sucesso do soutien-maravilha surge agora uma nova peça de vestuário que se propõe a elevar uma outra parte bastante importante do corpo feminino. Falo das novas calças "push-up" da Salsa Jeans!
O meu primeiro contacto com esse conceito deu-se (onde mais poderia ser...) num gaja-blog (sim, eu leio blogs de gajas muito gajas.), e pela foto e descrição fiquei curioso. Seria de facto assim, um simples par de calças poderia transformar uns glúteos flácidos e disformes num lindo e vistoso rabo? Passei então à fase de pesquisa nesta investigação: a observação! E, após ter observado (de um ponto de vista meramente científico, sublinhe-se) várias mulheres que envergavam orgulhosamente esse modelo de calça, posso hoje concluir que os resultados são... menos satisfatórios de o que a publicidade fazia prever. De todas as mulheres que tive a oportunidade de observar, nem uma beneficiou do milagre elevatório que a marca publicita. Pelo contrário! Pelo que pude observar, esse modelo específico tem um efeito pouco desejável: espalma o rabo feminino. Espartilha-o! O efeito "rabo empinado" que de que a marca fala pressupõe um rabo redondinho e elevado, não (presumo) um efeito em que o rabo é espalmado fazendo com que as nádegas subam sim, mas também se afastem! Ficamos com a sensação que estamos perante um enorme e largo rabo. E isso senhoras não é atraente.

Estes resultados de minha colheita de dados nesta investigação de enorme interesse quer para o mulherio, quer para os homens levam-me a fazer algumas interpretações. Em primeiro lugar: não há milagres! Nenhum par de calças no mundo é capaz de transformar umas nádegas flácidas num rabo de modelo Victoria's Secret! Depois, minhas amigas, se Deus não vos agraciou com uns glúteos firmes e perfeitos então a solução é.... correr e ginásio! Chama-se a isso "minimização de danos" e é bom para o estado geral do corpo. Um outro aspecto não menos importante é a questão do "engano". Imagino qual será a reacção do homem que, estando naturalmente com as expectativas elevadas erradamente causadas por um artefacto, se depara depois com os efeitos devastadores que a gravidade costuma ter nessas zonas corporais...

Acham mesmo que a miúda da publicidade precisa de umas calças que lhe realcem o rabo?



Pois. Precisa tanto das calças como a Eva Herzigova precisava do wonderbra para lhe realçar as seios!
Resumindo então os resultados deste meu estudo: as calças "push-up" da Salsa não resultam! E querem saber mais? Ainda bem!

sábado, 2 de janeiro de 2010

A Arrecadação.

De volta ao trabalho em 2010. Reencontro uma velha colega de outros campos de batalha e, inevitavelmente, pergunto como estão as coisas no trabalho, os antigos colegas. "Same old, same old" tudo na mesma, muito trabalho, a desorganização de que ainda me lembro, os colegas desse tempo foram saindo, muita gente nova sem espírito de equipa, enfim. A novidade está na reestruturação do espaço. aproveitaram um dos internamentos para ser o Serviço de Observação da Urgência (que não passa de uma espécie de purgatório onde os doentes aguardam que haja uma vaga numa enfermaria qualquer) abrindo assim espaço no Serviço de Urgência. Bem, em urgência em Portugal "mais espaço" significa normalmente "mais macas". O espaço que era anteriormente ocupado pelo SO é agora aquilo que nós chamamos "Box". Doente que, não se esperando que sejam internados, têm de esperar por algum exame ou consulta ou cirurgia ou, simplesmente estão em observação para que se decida o que fazer.

Até aqui tudo bem, parece-me uma clara melhoria das condições dos doentes até que pergunto o que foi feito da antiga Unidade de Cuidados Diferenciados (na verdade trata-se de uma Unidade de Cuidados Intensivos que funcionava na Urgência mas que, por razões logísticas não se podia chamar "cuidados intensivos"). Essa passou também para o novo piso da Urgência, agora esse espaço é utilizado para colocar os "casos sociais". Estes "casos" são na verdade pessoas, idosos na maioria, que ninguém quer receber, que a família abandonou, que os lares não querem manter porque dão trabalho e prejuízo, que os filhos e/ou netos deixam na Urgência e quando queremos dar-lhes alta o número de telefone fornecido ou não está atribuído ou nunca é atendido. O espaço de que falo não tem mais que 30 m2 e recebia, na sua antiga vida, três camas para doentes críticos. Quando perguntei qual a lotação máxima neste momento a minha colega respondeu: "Os que couberem."

Os que couberem? Conhecendo aquela realidade como conheço não me foi difícil imaginar o cenário: enquanto houver espaço enfiam-se macas lá para dentro. Para se chegar ao doente que está encostado à parede tem que se desviar as três ou quatro macas que estão juntas, numa espécie de estacionamentos em 3ª ou 4ª fila. Estes doentes são "não prioritários", não precisam de "cuidados essenciais", são os últimos a ser vistos, os últimos a ser cuidados. Considerando que a urgência nunca para. estes doentes recebem atenção quando o fluxo de doentes "a sério" acalma. São vistos nos intervalos da chuva. Este espaço fica bem no fundo do serviço, última porta à direita. Baptizaram-no de "A Arrecadação".
E "A Arrecadação" bem pode ser uma metáfora para caracterizar a sociedade moderna, aquela à qual pertencemos, aquela que ajudamos a construir. Que sociedade somos nós, que permitimos que os nossos velhos sejam "arrecadados" desta maneira? Gostaria de poder melhor descrever aquilo que me refiro mas não é possível. É uma sala com 30 m2 atulhada com macas onde pessoas velhas estão deitadas e onde é impossível chegar de uma parede à outra mantendo todas as macas lá dentro. É uma sala cheia de gente deitada em macas mas também cheia de murmúrios e gemidos, de gritos de dor e desespero. E de solidão. Isto é o fim da linha para muitos dos nossos.
Para mim, uma vida de sucesso é aquela que termina junto dos nossos. Dos nossos filhos e netos, genros, noras, amigos. Não sei como definir uma vida que termina na "Arrecadação".